Ações da Cielo: Uma boa opção de investimento?

Ações da Cielo: Uma boa opção de investimento?
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Vamos falar neste artigo sobre ações da Cielo, uma companhia criada em 1995 com o propósito de integrar consumidores, comércios e bancos por meio de uma plataforma de pagamentos com cartões de débito e crédito.

Quando ouve falar em Cielo, você, naturalmente, lembra-se daquela maquininha do supermercado. O que você muito provavelmente nunca parou para pensar é no que está por trás daquela famosa maquininha de cartões. Trata-se de uma estrutura tecnológica completa, mas com uma operação invejavelmente funcional, exceto pela excessiva dependência da empresa do sistema de telefonia, o que, por vezes, leva a cancelamentos de compras e insatisfação de clientes e afiliados.

Apesar desse pequeno infortúnio, é bem provável que você nunca tenha tido esse tipo de problema. A Cielo não é líder no mercado brasileiro de plataformas de gateway por acaso. Trata-se de uma empresa com estrutura e investimento pesados, que tem como acionistas nada menos que Bradesco e Branco do Brasil, assim como sua origem está ligada à Visa.

Ações da Cielo

Está tudo muito bem, mas as ações da Cielo são uma boa opção de investimento? Vamos precisar aprofundar um pouco mais o tema para poder dar uma resposta definitiva. Aliás, em se tratando de ações, não se pode dar uma resposta definitiva, mas, quando muito, boas recomendações.

 

Condições setoriais enfrentadas pela Cielo

 

A primeira coisa que você deve se perguntar é sobre os riscos de investir numa empresa que, basicamente, tem suas operações totalmente atreladas à tecnologia. Estamos vivendo a expansão, a todo vapor, das fintechs, as empresas financeiras totalmente estruturadas a partir de soluções tecnológicas.

Se isso é uma ameaça aos bancos tradicionais, que precisam competir carregando às costas estruturas mais caras e pesadas, é preciso avaliar com ressalvas a ideia de que as fintechs representem ameaças à Cielo.

Além da liderança no mercado, a empresa possui uma gigantesca rede de afiliados com grande distribuição nacional. Apesar dessa liderança, é uma empresa que investe em inovação e diversificação da carteira de serviços, o que tem sustentado sua expansão sistemática.

Uma boa prova de que a empresa apresenta bons fundamentos foi o pagamento de mais de R$ 1,7 bilhão em dividendos e JCP em junho de 2019. A maior parte desse montante foi em dividendos (R$ 1,4 bilhão), que são apurados diretamente sobre o lucro líquido da empresa.

Em compensação, praticamente no mesmo período, a CIEL3 acumulava perda na faixa dos 36%, decorrente de três indicadores bastante preocupantes para a companhia: redução de receitas, lucro e participação de mercado. A principal ameaça à Cielo é o PagSeguro, mas o Itaú também está entrando com tudo no seguimento.

Diante desse cenário, somos levados a refletir sobre o horizonte de crescimento da famosa empresa das maquininhas de cartão. É preciso muito cuidado nessa hora, porque há diversos fatores a serem levados em consideração. A expansão do uso de cartões no Brasil foi de 14% em 2018, mesmo com a retração da economia e do consumo.

 

Macroeconomia é um problema

 

Isso quer dizer que na mesma medida em que as pessoas freiam o consumo, elas também trocam o dinheiro por cartões na hora de fazer seus pagamentos. Isso tende a se acentuar com a expansão do e-commerce, que cresce continuamente mesmo com a situação delicada da economia nos últimos anos. É um setor que não conhece crise e traz consigo as plataformas de gateway integradas à economia digital, caso da Cielo.

Esse fenômeno do e-commerce é o que pode contribuir para a sustentação de um viés de crescimento das plataformas e administradoras de pagamento. O problema é que isso não se reflete muito no ânimo dos investidores, que parecem mais sugestionados pela combinação dos fatores “queda do consumo” x “aumento da concorrência”.

É o que explica o gráfico de queda da empresa, apesar de sua solidez. Nos últimos 5 anos, a CIEL3 teve desvalorização na Bolsa de Valores de 68%. São números que mostram com clareza uma trajetória de queda. Em julho de 2019, a CIEL3 registra cotação próxima do seu mais baixo patamar nesse mesmo período de 5 anos, chegando a bater próximo à casa dos R$ 7,00, quando já frequentou a casa dos R$ 32,00.

Aparentemente, há um pessimismo com relação à recuperação do consumo e da economia. Medidas governamentais no sentido de injetar dinheiro na economia soam como paliativos. Nem mesmo a redução da taxa Selic parece ser capaz de reaquecer o consumo. Ao mesmo tempo em que o PIB chegou a cair 0,2% no primeiro trimestre de 2019, todos os dados econômicos apontam retração do consumo.

Tudo isso contribui para a falta de confiança dos investidores nas ações de empresas cujo desempenho, no curto, médio e longo prazo, dependam do consumo. Esse momento de falta de confiança pode significar, por outro lado, uma oportunidade a ser levada em consideração. Seria o momento de comprar ações em baixa para ganhar no longo prazo?

Bom, isso depende do quanto você acredita nas possibilidades de sucesso da atual política econômica. Não tem como não descolar uma coisa da outra, embora seja necessário reiterar que há outros indicadores importantes, como a expansão do uso de cartões, sobretudo por conta da expansão do e-commerce, fenômeno que não tem relação direta com a macroeconomia, mas com as mudanças de comportamento do consumidor impulsionadas pelas novas tecnologias.

 

Seria uma aposta arriscada investir na CIEL3?

Para concluir, mesmo com a CIEL3 em baixa, investir agora seria uma aposta arriscada. Nem é só por causa da macroeconomia, mas pelos movimentos recentes.

Ciel3

Depois de ter uma queda de 17,6% no lucro em 2018, em relação a 2017, a empresa parece decidida a competir por preços, uma tendência perigosa para todas as empresas do setor. Com isso, a Cielo pensa em reduzir em até 30% o preço dos seus serviços, o que comprometeria suas margens e, consequentemente, o pagamento de dividendos, que é a grande atratividade da CIEL3.

Como última informação, que tem o viés de uma ducha de água fria, o relatório do BTG Pactual sobre a Cielo é pessimista para os próximos períodos. Segundo o relatório, a tendência é de que os resultados sigam se deteriorando em 2019, quadro que não deve mudar em 2020.

Talvez, portanto, o melhor seja aguardar até 2021, quando se terá um quadro mais claro de onde nos levará a atual política econômica e até que ponto se confirmam as previsões do BTG Pactual.

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