Ações do Banco do Brasil: Uma boa opção?

Ações do Banco do Brasil: Uma boa opção?
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O grande diferencial do Banco do Brasil, além de ser o maior banco do país em termos de ativos, é o seu papel de grande destaque nas políticas de crédito agrícola e exportação. Se não lhe garante um mercado cativo, ao menos é uma posição bem consolidada, que garante uma boa segurança ao caixa da empresa.

Como a política econômica dos últimos governos tem sido de redução do comprometimento das empresas com capital público nas políticas públicas, a tendência é de que o Banco do Brasil possa ter maior foco em lucro e geração de dividendos para os acionistas.

Os próprios números tratam de corroborar o que afirmamos. O lucro líquido da instituição financeira, que tem o governo como principal acionista, foi de R$ 3,845 bilhões no quarto trimestre de 2018. Isso significa dizer que superou o mesmo período de 2017 em 20,6%. Na ocasião, o lucro fora de R$ 3,402 bilhões.

Em todo o ano de 2018, o BB obteve lucro líquido ajustado de R$ 13,513 bilhões, incrementando em 22,2% a lucratividade da empresa. Os ativos da instituição financeira somaram, no final de 2018, R$ 1,417 trilhão, com aumento de valor de 3,5% em relação a 2017. O patrimônio líquido, no mesmo período, cresceu 3,6%, chegando a R$ 102,253 bilhões.

Esses são apenas alguns números que indicam o vigor do Banco do Brasil, mesmo frente ao delicado cenário econômico. A lucratividade do banco é uma constante. Além de se beneficiar da ótima base de clientes atrelados às políticas agrícolas e de exportação do país, o banco, como os demais, vem se beneficiando da queda da taxa Selic. Embora a política, pelo menos em tese, tenha como propósito baratear o crédito, a realidade tem apontado um resultado diferente, que é o aumento da margem de lucro das operações de crédito bancário, já que os juros praticados pelo mercado não acompanham nem de longe a redução da Selic.

ações do banco do brasil

Sendo assim, para quem busca ganho com proventos, o Banco do Brasil parece ainda ser um bom investimento, inclusive no longo prazo. O setor bancário brasileiro é o que paga maior percentual em dividendos e JCP aos investidores. O próprio Banco do Brasil alcançou, em 2018, um Yield de 6,95%, que é o percentual obtido sobre o capital dos acionistas após o recebimento dos proventos. Em outras palavras, é o percentual de valorização do capital obtido após a distribuição dos lucros.

 

BBAS3

 

A BBAS3, nos últimos três anos, teve cotação mínima de R$ 20,77, com a máxima chegando a R$ 55,60. A cotação média nos últimos cinco anos está na faixa dos R$ 45,00. Entre 2014 e 2016, a ação chegou a descer ao patamar de R$ 12,50.

Com a cotação acima de R$ 48,00 no início de agosto de 2019, não parece, para quem deseja investir no longo prazo, um bom momento para comprar. Não há, a princípio, nada no horizonte que indique um crescimento ou expansão no Banco do Brasil. Ao contrário, o que se vê é um aumento da concorrência no setor de serviços financeiros, com a entrada de startups digitais, que estão abocanhando uma fatia da pizza.

BBAS3

Além disso, a BBAS3 está sempre sujeita aos abalos provocados por quase tudo que acontece no mundo, das políticas governamentais no Brasil às variações da cotação do dólar internacional. Por essas e por outras, talvez o mais recomendado seja aguardar um histórico mais consistente e um preço menor, quanto mais abaixo dos R$ 35,00, melhor. Assim, você poderá aproveitar os proventos pagos pelo banco e ter uma boa chance de pelo menos não ver o ativo se desvalorizar.

Tudo bem que mesmo os proventos não estão num patamar tão irresistível assim. Isso quer dizer que a BBAS3 é um investimento em que os proventos não garantem alta rentabilidade. Mesmo assim, porém, pagou proventos extras no início de 2019 e, a manter o padrão atual, a rentabilidade supera bastante os investimentos mais conservadores, baseados na inflação e na Selic, que devem patinar numa rentabilidade inferior a 5%.

 

 

Vale a pena investir no Banco do Brasil?

 

Honestamente, o momento é para os traders. O preço da ação está alto, o que não favorece um bom yield, tampouco uma boa perspectiva de valorização das ações

Há que se repetir, não há também nada de novo no horizonte que projete um aumento do valor da empresa no médio ou no longo prazo.

Como já dissemos, é um papel para quem quer garantir dividendos sem muito aborrecimento, porém sem grandes perspectivas de lucrar significativamente com o ativo. Repetindo, então, mesmo para quem tem esse perfil, o preço da ação está alto, o que comprime a margem de ganho com dividendos e expõe o investidor a perder capital com eventuais desvalorizações dos papéis na B3.

Você deve estar se perguntando o que tem o valor da ação a ver com o índice Yield da mesma. É muito simples. Suponha que você comprou um papel do Banco do Brasil por R$ 30,00. No final do ano, o banco paga R$ 1,30 em dividendos e JCP (já descontado o IR). Enfim, seu ganho com proventos é de R$ 1,30. Sendo assim, você ganhou em Yield, 4,33%. Caso você houvesse comprada a ação ao preço de R$ 40,00, seu Yield seria de 3,25%.

Isso, claro, sem levar em conta a valorização ou desvalorização da ação no período entre a compra e o pagamento dos proventos. Por isso mesmo, é preciso equilibrar valorização e proventos para você calcular a sua rentabilidade. É mais ou menos como aquela história dos juros compostos. São juros em cima de juros. Nesse caso, seria como lucro sobre lucro.

Mas não é só isso. Essa análise tem que ser prévia. Não é só apostar no desempenho. É fator chave para o sucesso do investimento que você antecipe as tendências e conheça o histórico de pagamento de proventos da empresa. Enfim, é saber analisar o desempenho das ações e da empresa. Não adianta você aplicar em uma empresa por causa dos proventos, se ela vai se desvalorizar e os proventos recebidos servirão tão somente para cobrir o prejuízo que você teve.

Esse é o risco atual de se investir no Banco do Brasil. É praticamente inimaginável que o banco vá dar prejuízo em algum momento nos próximos anos, mesmos que a economia continue patinando, mas essa mesma economia patinando pode levar o preço das ações para baixo e comprometer o lucro obtido com proventos.

Por isso, é preciso cuidado. Não quer dizer que você terá prejuízo. É bem provável que, ao longo do tempo, os proventos recebidos cubram todo o prejuízo com a desvalorização. Nesse caso, o que vai acontecer é você retardar os seus ganhos com a distribuição de dividendos, que, convenhamos, já não é tão espetacular assim.

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