Vale a pena investir no Banco Bradesco?

Vale a pena investir no Banco Bradesco?
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Vale a pena investir no Banco Bradesco? Essa é a pergunta à qual tentaremos responder neste artigo. Antes, porém, vamos iniciar nossa análise de forma um pouco diferente, falando um pouco sobre o comportamento da Bolsa de Valores, particularmente, a nossa B3, que é a Bolsa de Valores Brasileira.

Você já deve ter ouvido falar muito em humor do mercado no noticiário. Mercado, a que se referem, é o investidor, seja em ações, seja em outras aplicações mais ou menos conservadoras. Se você é um investidor, do tipo que investe em ações e não em trades, será que o humor do mercado é um bom indicador?

Você ouve uma notícia que vem lá da China e ela sai derrubando o preço das ações que não têm qualquer relação com aquela situação. É porque os investidores ficam nervosos e querem desfazer suas posições. É uma questão de oferta x demanda. Quando temos muita oferta e pouca demanda, a consequência natural é a queda dos preços. Muitas vezes também ocorre o que chamamos de efeito manada no mercado de ações.

Isso quer dizer que muitas vezes uma ação tem uma cotação artificial, mais decorrente de uma onda especulativa do que daquilo que realmente importa para precificar uma empresa, que são seus ativos tangíveis e intangíveis, sua liquidez, seu potencial de geração de receitas futuras e os cenários que se desfraldam no horizonte da companhia.

A essência do mercado de ações é você investir, tornar-se sócio de uma empresa, compartilhar com ela os riscos e oportunidades, ajudando a financiar seus investimentos e lucrando com o seu sucesso, seja por conta da valorização das ações, seja pelo recebimento de dividendos.

 

O que dizer da BBDC3 e BBDC4?

 

BBDC3 e BBDC4 são as ações do Banco Bradesco. As ações BBDC4 são as chamadas preferenciais, o que significa dizer que os acionistas têm preferência no recebimento de proventos (JCP e dividendos). Não quer dizer que a BDC3 não faça jus aos mesmos proventos. É apenas uma questão de ordem no recebimento e prioridade caso não haja lucros suficientes para distribuir a todas as ações.

ações do Bradesco

Alguns dados históricos recentes precisam ser analisados para que possamos chegar, não a uma conclusão, mas a uma tendência em que possamos confiar minimamente.

 

No início de agosto de 2019, sete corretoras incluíram as ações do Banco Bradesco em suas carteiras, o que colocou as mesmas na terceira posição entre as opções de investimento. O que isso significa? Em tese, que há uma tendência de ganhos para o período subsequente, que pode não ser mais que do que os 30 dias posteriores à formação da carteira.

Bom, vamos a novos dados sobre o segundo maior banco privado do Brasil, perdendo somente para o Itaú. Em 2016, o Bradesco concluiu a histórica compra do gigante HSBC. A operação movimentou R$ 16 bilhões e o banco viu seus ativos crescerem 15,9%. Não é de se estranhar que suas ações tenham obtido valorização superior a 40% nos últimos três anos, fora os ganhos dos acionistas com dividendos e JCP. O valor da ação Bradesco pulou do patamar dos R$ 23,93 para a faixa de R$ 34,00, tendo alcançado o pico de R$ 46,50 ao longo do período.

BBDC4

Não estamos falando, evidentemente, de um lenço que caiu no chão em Hong Kong, mas de uma grande aquisição. Além disso, o Bradesco teve lucro de 33,4% no primeiro trimestre de 2019, superando em 31,87% o mesmo período de 2018. Já o lucro líquido do primeiro semestre foi de R$ 11,862 bilhões, superando em 31,87% o mesmo período do ano passado.

Poderíamos desfiar um rosário de indicadores para mostrar a vitalidade dessa empresa, mas parece que esses já são o suficiente. O que podemos fazer para reforçar os números é mostrar o que dizem os próprios executivos do banco, que atribuíram os resultados no período a fatores como:

 

– bom desempenho das receitas provenientes da administração de consórcios;

 

– crescimento das receitas com os serviços de custódia e corretagem;

 

– assessoria financeira;

 

– melhora da performance de receitas como conta corrente.

 

O banco, que é ícone de inovação tecnológica no mercado financeiro, segue bem a cartilha de diversificar sua carteira de produtos. Da mesma forma, conseguiu ampliar sua base de clientes desde a aquisição do HSBC.

 

Conjuntura macroeconômica e uma ameaça ao Bradesco

 

A grande verdade é que o Bradesco atua num setor que, historicamente, é um permanente céu de brigadeiro. A razão é que, historicamente, os serviços financeiros são dominados por poucas empresas.

 

O que temos visto recentemente, por exemplo, é a queda acentuada da taxa Selic. Porém, de um modo geral, essa política de reduzir os juros básicos da economia, cujo propósito é baratear o crédito e reaquecer o consumo, tem pouco efeito prático, pois as taxas do banco não acompanham a queda da taxa básica. Com isso, em vez de melhora no custo do crédito ao consumidor, o produto da política governamental é o aumento do ganho dos bancos.

 

Sob esse aspecto, inclusive, devemos considerar o potencial de pagamento de dividendos no curto e no médio prazo, já que não há indicadores de que a política vá mudar.

 

Esse é um aspecto importante para você entender a solidez dos bancos, mas, também, vislumbrar a principal ameaça à sua saúde econômica e financeira dessas grandes organizações, que atende pelo nome de fintechs, que são as empresas totalmente digitais do setor financeiro.

Além de oferecerem os mesmos serviços financeiros de forma prática e simples, focada na experiência do cliente, essas empresas chegam a oferecer taxa zero para manutenção de conta corrente e administração de cartão de crédito.

Não há a menor dúvida de que essas empresas financeiras já competem com os grandes bancos pela preferência do consumidor. O que talvez elas não façam é conceder crédito a preços mais simpáticos. Na verdade, elas chegam para abocanhar uma fatia de um bolo bastante doce e desejado.

É preciso acompanhar com atenção a expansão das fintechs, se não se tornarão uma ameaça a instituições tradicionais. Se, de um lado, não é de se imaginar uma competição por preços entre as instituições financeiras, de outro, bancos como o Bradesco, com grandes estruturas físicas, não têm a menor condição de competir em custos com as fintechs, o que confere às últimas um maior potencial de crescimento e de captação de investimento.

 

Afinal, vale investir no Banco Bradesco?

 

O que temos historicamente é que os bancos são praticamente imunes a crises. Em todos os momentos de crise nos últimos dez anos, continuaram obtendo altos lucros. Isso não deve mudar no curto prazo, o que é bom para quem pensa em investir em dividendos, mas sem visão de longuíssimo prazo. É preciso levar em conta a ameaça dos novos concorrentes à posição dos bancos tradicionais, que terão que investir cada vez mais na diversificação de serviços e modernização de processos para ganhar competitividade em custos com as fintechs.

Por fim, talvez a melhor hora para investir no Branco Bradesco não seja essa, principalmente quando sabemos que o patamar atual é superior a R$ 30,00 e em 2016, há apenas três anos, era de somente R$ 13,00.

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