Luiz Barsi: Conheça a história e as lições do maior investidor brasileiro

Luiz Barsi: Conheça a história e as lições do maior investidor brasileiro
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Quem já é leitor assíduo do mago já deve ter percebido que a visão central transmitida por nós, quando se trata de investimento em ações, é aquela em que os fundamentos da empresa devem estar no topo da análise. Luiz Barsi é nada menos que o maior investidor individual do Brasil, com uma carteira em investimentos superior a R$ 1 bilhão, e ele próprio atribui o seu sucesso a análise fundamentalista.

Aonde esses dois temas se casam? Casam-se no momento em que podemos afirmar que a síntese do pensamento de Barsi é a tese chave em que nos baseamos para mostrar ao investidor qual o melhor caminho a tomar.

Nada contra quem prefere viver de trade, mas temos que lembrar o ensinamento do maior investidor do Brasil, considerado o Warren Buffet brasileiro, que afirma que “o especulador nunca ficará rico na Bovespa”.

 

Ao contrário, Barsi recomenda ao investidor:

“Examine bem os fundamentos da empresa e conheça-a bem. Veja o histórico de dividendos, sua saúde financeira, a perspectiva daquele setor, o comprometimento do gestor. Seja chato.”

 

A história de Luiz Barsi

 

O “Rei dos Dividendos”, como Barsi é conhecido, é um homem de origem pobre e hábitos bastante extravagantes aos olhos de quem construiu na mente um estereótipo do milionário ostentador.

Mesmo sendo proprietário de uma carteira de investimentos na casa do bilhão, Barsi ainda adota hábitos de vida simples, como ir de metrô diariamente até o seu escritório, onde trabalha das 10h às 14h.

O que torna seus hábitos mais extravagantes à visão do senso comum é que não se pode atribuir a Barsi a condição de um milionário enfadado com a rotina da riqueza, do luxo e do dinheiro fácil. Ao que tudo indica, tais benefícios nunca foram muito considerados pelo grande investidor.

Barsi, na verdade, nasceu pobre. O ano era o de 1939 e o mês era março. Era filho de imigrantes espanhóis e perdeu o pai com um ano de idade. O cenário em que a experiência no mundo do futuro grande investidor se desenvolvia era o bairro do Brás, centro de São Paulo. A família morava em um cortiço, tipo de habitação bastante comum nas grandes capitais naquele período.

Depois de trabalhar como engraxate para ajudar a família, conseguiu um emprego numa corretora na década de 60. Foi onde começou sua trajetória como investidor, comprando seus primeiros papéis. Ao mesmo tempo em que aumentava sua carteira de investimentos, Luiz Barsi Filho não abriu mão de investir no maior ativo que pode ter um homem, que é o conhecimento, base da aceleração do crescimento de sua fortuna, como fica evidente em sua filosofia de investimento, conhecida como value investing.

Além de megainvestidor, é formado em Economia, Análise de Balanços e Direito. É membro do Conselho Regional de Economia – SP e presidente do Conselho de Administração da Eternit.

Já foi membro do Conselho de Administração da Unipar/Carbocloro, editor de economia e mercado de capitais do Diário Popular, por quase duas décadas, e editor da revista Marketing, no período entre 1989 e 1992.

 

Ações x Empresas

 

Sua principal atividade hoje, chegando aos 80 anos, continua sendo estudar investimentos. Barsi estuda o comportamento das empresas e das ações para definir onde investir.

Separar o desempenho das empresas do desempenho das ações é uma das principais características do bom investidor. Quantas vezes você já se deparou com ações cuja cotação está despencando na Bolsa de Valores, enquanto as empresas estão obtendo excelentes resultados econômicos e financeiros? Com isso, ao mesmo tempo em que as ações estão se desvalorizando, a participação do acionista na empresa está rendendo-lhe dividendos.

Luzi Barsi
Benjamin Graham, considerado o Pai da análise fundamentalista

O verdadeiro acionista aplica seus recursos em valorização da empresa e lucro. A valorização da empresa é decorrente do investimento em novos ativos, novas operações e novos mercados. Essa é a lógica, inclusive, da abertura de capital. Consiste em compartilhar riscos e oportunidades com o investidor, o que está na contramão da filosofia do empréstimo bancário, em que o banco, através dos juros, assegura uma fatia dos ganhos com a oportunidade, reduzindo ao máximo sua participação nos riscos.

O que muitos investidores não percebem, porque ninguém lhes contou, é que existe a outra ponta nesta equação, que são os dividendos. Os dividendos e JCP pagos pelas empresas não estão condicionados pelos movimentos especulativos, mas pela previsão de lucro e pelo lucro líquido, propriamente dito. Você pode ganhar ou perder na cotação da ação na bolsa, mas, como acionista, você tem participação nos lucros da empresa. É o que podemos chamar de investir na economia real.

 

A essência do ensinamento de Luiz Barsi

 

Essa é a essência do ensinamento de Luiz Barsi. O acionista investe no crescimento da empresa, de modo a aumentar o valor da sua fatia da pizza, mas também nos resultados obtidos pela mesma. Se os resultados são obtidos, o ganho é imediato.

É como dizer que a desvalorização da ação na Bolsa é uma perda que pode ser recuperada. Já os proventos obtidos em função dos resultados da companhia são seus.

Basicamente, o que Barsi recomenda é que você compre fatias de uma empresa em cujo projeto você tem boas razões para acreditar. Mas isso é no longo prazo. A questão toda é saber o momento certo de comprar. Para isso, você precisa analisar os fundamentos da empresa, perceber o histórico das ações para saber em que momento o preço está bem abaixo do preço justo.

O movimento que nós precisamos entender é que o investimento na Bolsa é sempre olhando para o futuro. Sendo assim, o movimento dos investidores acaba refletindo o futuro no presente. Em outras palavras, quando muitos investidores percebem uma grande oportunidade de investimento no médio e no longo prazo, o preço da ação tende a subir, antecipando a valorização projetada no futuro. Só que, em algum momento, alguns decidem realizar o lucro, o que faz com que a cotação da ação volte à sua realidade presente. Nessa hora, você pode comprar as ações pensando nos dividendos e numa futura valorização dos ativos.

Caso, todavia, ocorra um movimento especulativo muito forte, que derrube as ações para um patamar bem abaixo do valor de mercado da companhia, é a melhor hora para o comprador que deseja investir no longo prazo, pois a valorização do ativo é mais do que provável, enquanto, sendo a companhia sólida, os altos dividendos são praticamente garantidos.

Está aí o grande pulo do gato da filosofia de Barsi. Os dividendos não variam de acordo com o preço cotado da ação na Bolsa de Valores. Sendo assim, ao comprar as ações em baixa, você tem um retorno superior sobre o capital investido.

Para ficar mais claro, você pode comprar uma ação por R$ 20,00 ou R$ 30,00. Quando a companhia divulga  dividendos de R$  2,50 por ação, quem leva mais vantagem? Obviamente que aquele que comprou a ação por R$ 20,00, pois vai ganhar os mesmos R$ 2,50 com menos investimento.

 

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