Vale a pena investir no banco Inter?

Vale a pena investir no banco Inter?
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Você já deve ter ouvido falar no Banco Inter, o banco digital que não cobra taxa de transferência, taxa administrativa sobre a conta bancária nem sobre cartão de crédito.

Esse é só um dos argumentos da marca, que também se vangloria de ter uma plataforma digital capaz de gerar valor e uma experiência que combina excelência e praticidade.

Já os investidores, conhecem o Banco Inter como a ação que mais valorizou na bolsa de valores nos últimos 12 meses. A saber, 447,54% de valorização. Nada mais, nada menos, que a ação do setor financeiro com maior valorização no mundo no período.

O noticiário do final de agosto de 2019 dava conta de que o banco alcançou a marca de 3 milhões de clientes, tornando-se candidato ao posto de sexto maior banco digital do país.

Recentemente, o banco captou mais de R$ 1,25 bilhão numa oferta secundária de ações operada pelo grupo SoftBank, que investiu o montante de R$ 800 milhões.

O objetivo do banco, segundo João Vitor Menin, foi de cooptar novos parceiros com conhecimento e relações íntimas com o sistema financeiro mundial.

No início de outubro, o Inter prepara o lançamento de um marketplace, onde serão comercializados produtos financeiros e não financeiros, com a expectativa de ser reconhecido como o primeiro Super App do Brasil.

Histórico recente

O Banco Inter iniciou sua trajetória na Bolsa em maio de 2018. Foi a primeira fintech a abrir capital na B3, captando, na ocasião, R$ 722 milhões.

Desde então, aumentou 5,6 vezes sua carteira de clientes e as ações se valorizaram mais de 400%.

No balanço divulgado no final do primeiro semestre de 2019 o banco apresentava um total de ativos de R$ 6,8 bilhões, sendo que R$ 3,8 bilhões no circulante, com disponibilidade de R$ 1,9 bilhão. O patrimônio líquido da fintech era de R$ 972,6 milhões.

A empresa apresentava lucro líquido de R$ 84,7 milhões em 12 meses e R$ 32,9 milhões em 3 meses. No primeiro semestre, o lucro líquido acumulado era de R$ 50 milhões.

Ao final do primeiro trimestre o volume de depósitos à vista alcançou R$ 843 milhões, um aumento de 200% em relação ao mesmo período do ano anterior. Os investimentos de clientes também tiveram crescimento expressivo, 245% em relação ao mesmo período de 2018.

O saldo do banco no mês de março de 2019 foi de 8,5 mil novas contas diárias, considerando apenas os dias úteis.

A receita líquida da instituição financeira foi de R$ 407,3 milhões entre julho de 2018 e julho de 2019, alcançando R$ 107,3 milhões no segundo trimestre de 2019.

Outro dado importante, o APP do banco, carro chefe de sua proposta de valor ao consumidor, teve avaliação dos usuários de 4,4 no Google Play Store e 4,7 na App Store.

Além disso, o banco vem apresentando redução do custo de funding (captação de recursos), ficando abaixo de 80% do CDI e as receitas de serviços tinham alcançado um aumento de 106,5% em um ano no primeiro trimestre, chegando a R$ 38,5 milhões. O patrimônio líquido do banco mais que dobrou entre janeiro e dezembro de 2018.

Proventos

O banco iniciou o pagamento de JCP (Juros sobre Capital Próprio) já em junho de 2018, quando pagou 0,1187 por ação. Ainda em 2018 fez mais duas distribuições, totalizando 0,1822 por ação. Em março de 2019, pagou 0,1265.

O Yield em março foi de 1,55%. Caso repita a política de 2018, com aumento dos lucros, é possível pensar em um ganho expressivo com proventos, mas nada que coloque a BIDI4 entre os trens pagadores de proventos do mercado.

Vale a pena investir no Banco Inter?

Todos os números do são positivos e a expectativa do mercado é de que o Banco Inter não pare de crescer.

Ações banco Inter

A empresa investe continuamente em tecnologia, branding, governança e geração de valor ao mercado. A tendência é de que continue elevando suas receitas de forma acentuada e por um bom tempo.

Apesar disso, é preciso ficar atento aos movimentos dos grandes bancos, que sofrem pressão das plataformas digitais de serviços financeiros e de investimentos ao mesmo tempo. A mordida ainda é leve, mas bancos como Itaú e Santander já se movimentam para evitar maiores danos ao seu market share.

O Itaú, por exemplo, vem recorrendo ao enxugamento de custos para tentar competir com as fintechs em seu próprio nicho. Além de um programa de demissão voluntária, lançado em 2019, o banco vem fechando agências para tornar-se competitivo em custos ao cliente. Desde 2018, foram fechados 270 pontos físicos. O Banco do Brasil também caminha nessa direção.

Em outubro de 2019, o Itaú lança o iti, uma plataforma digital para pagamentos. O lançamento de plataformas digitais é uma tendência entre os chamados “bancões”.

A questão é saber em que ponto do futuro os bancos tradicionais conseguirão frear o avanço das fintechs. É uma pergunta que ninguém pode responder ainda.

A verdade é que o mercado precificou a BIDI4 num futuro indeterminado, movido pela vitalidade da empresa. É sensato acreditar que o apetite dos investidores tenda a arrefecer e a ação comece a oscilar. É o que pensam alguns especialistas, enquanto outros acreditam que ainda há espaço para o preço da ação do Banco Inter subir.

Donde podemos concluir que, para quem pensa em ganhar com valorização do capital aplicado, talvez seja o momento de refletir. Não há nada no horizonte que indique que as ações do banco vão se desvalorizar no curto ou no médio prazo. É justificado, no entanto, o receio de que os preços já tenham ultrapassado a linha da lógica e, mais cedo ou mais tarde, vá haver um ajuste por parte do mercado.

Para quem pensa em investir numa vaca leiteira há dois aspectos importantes. O banco pode se transformar em bom pagador de proventos nos próximos anos. É só ver o lucro dos bancos tradicionais, com toda sua estrutura física a carregar nas costas, com os respectivos custos, que não estão presentes no dia a dia das fintechs.

Com a diversificação de produtos e flexibilização do core business, sempre entregando sua proposta de valor por meio de plataformas digitais, é fácil presumir que a lucratividade das fintechs será maior que a dos bancos tradicionais.

Sendo assim, a BIDI4 pode ser uma boa opção para compor carteira com visão de longo prazo, para quem realmente quer virar sócio do negócio, não sendo afetado pelas oscilações de preço na B3. Sem deixar claro, de ter no horizonte a possibilidade de que a ação se valorize ainda mais no futuro.

Você pode, também, esperar a ação do Banco Inter cair para melhorar sua estratégia de value investing, mas corre o risco de ficar esperando sentado. Não há uma decisão mais certa que a outra.

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