Vale a pena investir na Magazine luiza?

A Magazine Luiza é, desde 2016, a principal estrela da B3, a Bolsa de Valores Brasileira. Os números da MGLU3 são assombrosos. Quem comprou ações da companhia em janeiro de 2016 obteve uma valorização sobre o capital, fora os dividendos e JCP, de mais de 15.000%. Ou seja, a Magazine Luiza já fez a riqueza de muita gente.

A empresa tem em circulação, negociadas na bolsa, apenas 35% de suas ações, todas ordinárias. Entre fevereiro e agosto de 2019, a ação obteve valorização de 80%. Em dezembro de 2018, a MGLU3 valorizara-se na faixa dos 128,5% no ano.

Os resultados da Magazine Luiza desde 2016 vêm surpreendendo o mercado. Naquele ano, a empresa obteve lucro de R$ 86,6 milhões. No ano seguinte, chegou a um lucro de R$ 389 milhões, contra R$ 597,4 milhões em 2018.

ações da magazine Luiza

Em outras palavras, não é só a MGLU3 que é uma estrela. A empresa parece longe de encontrar o seu teto. Apesar disso, está longe de participar do seleto grupo das empresas que melhor remuneram o capital com dividendos. Em 2018, foi R$ 0,854 por ação, com um dividend yield de apenas 0,33%. A expectativa é de que esses valores cresçam em 2019, já que apenas no primeiro quadrimestre os proventos alcançaram a marca de R$ 0,74.

Em compensação, em dezembro de 2018, a direção da companhia projetava um preço justo para a ação de R$ 171,00 em dezembro de 2019, quando as ações, que foram desdobradas em agosto de 2019, à proporção de 1 por 8, já eram negociadas a R$ 280,00.

Isso significa que a MGLU3 está sobrevalorizada. Em 16 de agosto de 2019, a cotação era R$ 37,56, superior a R$ 300,00 no preço antigo.

Isso não significa dizer que o preço da ação vai cair, como veremos mais à frente. Há quem afirme que a trajetória de crescimento da Magazine Luiza está apenas no começo.

 

Entendendo melhor a MGLU3

Todos os números da Magazine Luiza são impressionantes. A empresa fechou 2018 com lucro 53,6% superior a 2017, alcançando os R$ 597,4 milhões. A tendência é de que em 2019 a empresa mantenha a trajetória de crescimento acelerado nos resultados.

 

O lucro líquido, somente no segundo trimestre de 2019, foi de R$ 386,6 milhões, com crescimento de 174,7% em relação ao mesmo período de 2018, que teve lucro líquido de R$ 140,7 milhões. A receita líquida no mesmo segundo trimestre foi de R$ 4,3 bilhões, com incremento de 24,4% em vendas, chegando a R$ 5,747 bilhões.

 

Apesar da estagnação da economia brasileira, o crescimento em vendas ocorreu tanto no e-commerce, setor que não reconhece crise, quanto no varejo físico, que segue em expansão. A empresa se apoia numa arrojada estratégia de expansão, que inclui investimentos permanentes em inovação, tecnologia e serviços ao consumidor, o que, inclusive, inibe sua rentabilidade, mas, em compensação, aumenta as perspectivas para o futuro. A empresa vem investindo em ampliação dos canais de interação com o consumidor, na experiência do cliente e na qualidade dos serviços.

 

Compra da Netshoes

 

A vitalidade da Magazine Luiza fica evidente na recente compra da Netshoes. A companhia entrou numa disputa acirrada com a Centauro pelo controle da companhia paulista, que, apesar da pujança, vinha dando prejuízos seguidos devido a estratégias mal sucedidas.

Magazine Luiza e Centauro protagonizaram um emocionante leilão. No final, a Magazine Luiza conseguiu consolidar a aquisição de todo o capital social da Netshoes por US$ 115 milhões.

 

A compra da Netshoes consolida uma política de aquisições da empresa desde sua fundação, em 1957. Essa estratégia levou o grupo a alcançar 900 lojas físicas em 16 estados, fora os e-commerces, que são responsáveis pelo crescimento acelerado da empresa.

 

A aquisição da Netshoes é apenas o acontecimento que chama mais atenção do mercado devido à força da marca do e-commerce de materiais esportivos. Sem dúvida alguma, uma oportunidade gigantesca de acelerar o crescimento da companhia, entrando em um novo e poderoso nicho.

 

A Magazine Luiza vai mais além. A empresa investiu na década passada na integração digital de todos os seus canais, qualificando suas operações de logística e reforçando o foco na experiência do cliente.

 

A empresa tornou-se também um player importante no mercado de marketplace. Nesse modelo de negócios, a plataforma amplia sua oferta de produtos, a partir da integração de dezenas, centenas e até milhares de pequenos lojistas, que ganham a possibilidade de expor seus produtos em grandes e-commerces, com marcas reconhecidas, ganhando credibilidade e escala.

 

As grandes plataformas de e-commerce, como a Magazine Luiza, ganham participação sobre as vendas desses lojistas. É um modelo de negócios que tende a crescer, na medida em que o e-commerce apresenta dados animadores. Em 2018, o número de pedidos cresceu 10%, enquanto o faturamento cresceu 12%, chegando a R$ 53,2 bilhões. A expectativa é de que a escalada se mantenha em 2019.

 

A Magazine Luiza está bem posicionada para abocanhar uma gorda fatia desse segmento, o que tende a favorecer seu crescimento.

 

Vale a pena investir em MGLU3?

 

Como dissemos lá atrás, a corrida às ações da Magalu impulsiona os preços a níveis acima do que podemos chamar de valor real. Estamos falando, no entanto, de tempo presente e o mercado de ações é um exercício de futurologia.

 

A expectativa é de que a empresa continue crescendo aceleradamente nos próximos anos, sobretudo em função da expansão do e-commerce e da entrada no segmento de e-commerce esportivo, por meio da Netshoes.

 

A questão é o que pode acontecer no médio prazo, com investidores realizando receitas e comprometendo a trajetória de crescimento do preço da MGLU3. Em outras palavras, a tendência é de que em algum momento haja oscilações, que, muito provavelmente, não terão qualquer relação com o desempenho da companhia.

 

Ao mesmo tempo, é preciso saber até que ponto o mercado vai precificar o futuro. O que parece improvável, no longo prazo, é que o preço da ação sofra grandes abalos. Da mesma forma, a companhia deve se tornar mais atraente nos próximos anos no pagamento de proventos, graças ao crescimento acelerado da lucratividade do negócio.

 

Sendo assim, para quem quer garantir uma rentabilidade segura no futuro, a MGLU3 pode ser uma boa opção para compor carteira. Quanto a ganhar em cima da valorização do capital, é conversa para traders ou para quem enxerga muito no longo prazo e confia nos ótimos fundamentos da companhia.

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