Ações do Pão de Açúcar: Vale a pena?

Ações do Pão de Açúcar: Vale a pena?
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Vale a pena investir em ações do Pão de Açúcar? Bom, antes de falar dos sólidos fundamentos da companhia, precisamos lembrar que o controle do Pão de Açúcar pertence ao Grupo Casino.

O gigante francês, que atua no setor de varejo, possui um faturamento anual na casa dos 50 bilhões de euros. Adquiriu o controle do Pão de Açúcar em 2012, transformando a rede de varejo brasileira em parte de um império que inclui mais de 12 mil lojas, sendo 9,5 mil delas na França.

O Pão de Açúcar, que dispensa as apresentações, conta com mais de 1.000 pontos de venda espalhados por todas as regiões do país. São quase 100 mil colaboradores alocados em quatro unidades de negócios:

– Multivarejo – controla a operação dos supermercados Pão de Açúcar e Extra;

– Compre Bem – supermercados locais, focados nos consumidores locais;

– Assaí Atacadista – focado no segmento de pequenos e micro varejistas, além de consumidores locais;

– GPA Malls – focado na gestão dos ativos imobiliários do grupo.

Histórico recente

O último balanço apresentado pelo Grupo Pão de Açúcar foi o do segundo trimestre de 2019. Na ocasião, obteve R$ 13,1 bilhões em receitas líquidas. O lucro líquido foi de R$ 431 milhões, com um EBIT de R$ 828 milhões.

O traço mais notório nesse resultado é a margem comprimida do setor de varejo, com uma margem líquida de somente 2%. Não é, na realidade, algo que possa tornar não recomendado o investimento nesse tipo de ação, uma vez que a margem comprimida é compensada pela força do consumo, que gera escala para grandes companhias do setor, que tenham potencial de investimento e estratégia de crescimento.

Para você ter uma ideia, se usássemos os mesmos indicadores para um período de 12 meses, teríamos uma receita líquida de R$ 52,1 bilhões, com um lucro líquido de somente R$ 1,2 bilhão.

Com essa toada, o Pão de Açúcar chegou ao final do primeiro semestre de 2019 com seus ativos somando R$ 32,9 bilhões. O patrimônio líquido da empresa demonstra de forma clara sua solidez, somando R$ 10,7 bilhões, contra uma dívida líquida de somente R$ 1,5 bilhão.Açoes pao de acucar

Lembrando que a dívida líquida é a diferença entre a dívida bruta e a disponibilidade de caixa na data da geração do demonstrativo financeiro. Vale ressaltar que a empresa conta com um ativo circulante (realizável no curto prazo) de R$ 12 bilhões.

Tudo isso mostra que a empresa possui liquidez e forte capacidade de geração de caixa, sendo capaz de manter suas operações lucrativas, sobretudo pela estratégia bem consolidada, focada no nicho de supermercados, mas com uma segmentação bastante interessante.

Outro ponto forte é que o endividamento da empresa vem diminuindo de forma consistente desde 2012, quando chegou a ter um passivo de quase R$ 13 bilhões. A situação contrasta com o controlador francês, o Grupo Casino, que apresenta alto endividamento e busca formas de reestruturar suas dívidas, o que, por ora, não afeta os negócios do GPA no Brasil.

Em junho de 2019, o Pão de Açúcar desfez-se de suas ações da Via Varejo, controladora das Casas Bahia e do Ponto Frio. A operação rendeu R$ 2,3 bilhões à companhia, enquanto a Via Varejo retornou ao controle de seus antigos proprietários: a família Klein.

A Via Varejo, responsável pela divisão de multivarejo e eletrodomésticos, vinha sendo o patinho feio do grupo, dando seguidos prejuízos à empresa.

Falando em prejuízos, o ano de 2016 foi um ano crítico para o Pão de Açúcar, que teve prejuízo, somente no primeiro semestre, de R$ 739 milhões, no auge da crise política e econômica que afligiu o Brasil. Segundo a direção da empresa, o prejuízo foi consequência do movimento de expansão da empresa, sobretudo do Assaí.

Parece que estava certa, pois a companhia vem obtendo lucro desde o segundo trimestre de 2017.

PCAR4

A PCAR4, ação do GPA, seguiu o fluxo dos resultados do grupo e obteve forte queda desde o segundo semestre de 2015, chegando, em janeiro de 2016, a ser negociada ao mesmo preço de 2003.

Na ocasião, o papel do Pão de Açúcar foi negociado a R$ 32,41. Tudo isso depois de, em setembro de 2014, ter alcançado a maior cotação histórica, de R$ 108,27. Atualmente, a PCAR4 é negociada a R$ 84,78 (preço de 22/10/2019).

De certo modo, tal volatilidade reflete os números da empresa, mas não sua condição. O valor da ação, com base no patrimônio líquido, é de R$ 40,06. O valor no mercado de ações é 2,12 vezes o valor do VPA. Embora a ação esteja apreciada, não se pode dizer que esteja fora da realidade, sobretudo pelo potencial de geração de lucro e crescimento da empresa.

Como a maioria das ações, o ponto fraco do Pão de Açúcar está na geração de dividendos para os seus acionistas, sobretudo em razão dos resultados financeiros ruins nos últimos anos. O Dividend Yield da PCAR4 é de apenas 1,4%.

Vale a pena investir?

Sobre essa questão do Yield, que é a diferença entre o valor da ação e o dividendo somado a esse valor, há uma questão que precisa ser melhor desenvolvida.

O que temos ouvido falar é que os investidores estão fugindo dos investimentos em renda fixa, devido à queda progressiva da taxa Selic, que pode terminar o ano em 4%. Digamos que os melhores investimentos em renda fixa paguem uma valorização de 6%.

Para quem pensa em ações com base na análise fundamentalista, quem pensa em value invest, não tem razão alguma para investir em dividendos de 1,4%. Investir em uma ação, neste caso, só faria sentido se em função da valorização do capital.

Podemos afirmar que o Pão de Açúcar é uma empresa sólida e que existe uma grande possibilidade de crescimento no médio e no longo prazo. Não há nada, no entanto, que assegure que esse crescimento será substancial e acompanhado pelo mercado de capitais.

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