Ações da kroton: Vale a pena?

Ações da kroton: Vale a pena?
5 (100%) 1 vote

Vamos falar hoje sobre as ações da Kroton, uma empresa pouco badalada, mas que trás uma história e números surpreendentes. Começaremos pela história da companhia, uma das maiores do mundo em seu segmento..

A Kroton surgiu de uma ideia de um grupo de jovens educadores, que conseguiram ganhar notoriedade ao promover um curso pré-vestibular com 35 alunos, dos quais trinta e três foram aprovados.

Nascia o curso pré-vestibular Pitágoras, gênese da empresa, que é, atualmente, um dos maiores grupos educacionais do Brasil, com um faturamento anual na casa dos bilhões de reais.

Em 1968, dois anos após a façanha, o grupo já contava com mais de 600 jovens vestibulandos. Em 1972, seis anos após a criação do curso, era inaugurado o primeiro colégio Pitágoras, em Belo Horizonte, para ensino de primeiro e segundo grau.

Na década de 80, o Pitágoras instaurou unidades no Iraque e na Mauritânia para atender a filhos de brasileiros que atuavam naqueles países. Na década de 90, após a criação da Rede Pitágoras, que rapidamente chegou a mais de cem escolas associadas, foi criada a Fundação Pitágoras, focada no desenvolvimento de projetos educacionais nas áreas pública e privada.

ações da krotonNo início do século XXI, foi criada a Faculdade Pitágoras, em parceria com a Apollo International, que venderia sua participação em 2005. A empresa abriria capital na Bolsa de Valores em 2007 e, em 2009, receberia investimentos do Advent International, um fundo de private equity, que passou a fazer parte do grupo controlador da empresa.

Em 2010, seguindo a filosofia estratégica de expansão dos negócios, a Kroton comprou a IUNI, ampliando sua participação no setor de graduação e entrando no mercado de pós-graduação. Era o início de um projeto de aquisições sistemáticas, que incluiu a Faculdade Atenas Maranhense, a UNOPAR, então líder de Educação à Distância no país, a Unirondon e a Uniasselvi.

Em 2013, a empresa chamou atenção do mundo ao associar-se à Anhanguera, com o objetivo de formar a maior empresa do planeta no setor de educação. Após a fusão, tornava-se líder mundial em número de alunos e valor de mercado.

Desde então, o foco foi em expansão da capacidade já existente e em aquisição tecnológica, buscando assegurar a competitividade da empresa no novo ambiente altamente digitalizado. Atualmente, atua em todas as áreas da educação, inclusive no segmento B2B.

Histórico Recente

O portfólio de marcas da Kroton inclui, desde abril de 2018, a famosa editora Saraiva, obtida num negócio que envolveu a compra da Somos, gigante da educação básica brasileira, que era a dona das editoras Saraiva, Scipione e Ática, entre outros negócios. Foi uma reação à determinação do CADE, que inviabilizou a fusão com a Estácio, que ocupa a segunda posição no mercado de ensino superior.

Em julho de 2019, a empresa registrava uma receita líquida nos últimos doze meses de R$ 6,8 bilhões, contra R$ 6,1 bilhões nos doze meses de 2018.

Trata-se de uma trajetória consistente de crescimento em receitas, que saltaram de menos de R$ 500 milhões em 2009 para o patamar atual. O que implica dizer que a estratégia de expansão da companhia vem dando certo.

É importante ressaltar que a margem bruta da empresa vem acompanhando essa trajetória de crescimento, embora a curva não seja tão íngreme e a margem EBIT tenha entrado em curva de queda a partir do quarto trimestre de 2017. Além disso, o resultado financeiro vem, pela primeira vez em dez anos, sendo negativo nos últimos dois trimestres.

Tudo isso tem relação direta com a lucratividade do negócio. O lucro líquido em um ano alcançou seu mais alto patamar no terceiro trimestre de 2017, quando chegou à marca dos R$ 2,4 bilhões. No último balanço, o mesmo indicador apontou apenas R$ 844,2 milhões.

O descolamento entre o aumento das receitas e a perda de lucratividade pode ser explicado pela sede de expansão da companhia, que gerou uma dívida de R$ 8,4 bilhões. Apesar disso, possui um patrimônio líquido de R$ 16 bilhões, além de ativos que somam R$ 33,9 bilhões.

Com o lucro atual, sem correção da dívida, esta seria paga em dez anos, mas o endividamento está longe de ser o grande problema da kroton, que possui excelentes fundamentos financeiros, com R$ 4,5 bilhões no ativo circulante.

O maior desafio da empresa é, segundo o Morgan Stanley, o aumento da concorrência no setor, principalmente no ensino à distância, com pressão sobre os preços, comprometendo a geração de caixa da companhia. Apesar disso, o Morgan considera o COGN3 o melhor papel do setor.

Já do ponto de vista da empresa, a queda na lucratividade do negócio é consequência das despesas financeiras para a aquisição da Somos.

COGN3

Num ambiente em que os investidores correm da renda fixa para a renda variável, buscando maior lucratividade com a valorização dos ativos, os números da COGN3 são surpreendentes. Cotada a R$ 10,79 em 22 de outubro de 2019, o papel da Kroton possui um VPA (Valor Patrimonial por Ação) de R$ 9,76, o que significa que o mercado está pagando apenas 13 centavos de ágio sobre o valor patrimonial.

É bem verdade que o anúncio dos últimos resultados acabou espantando investidores, acarretando pequena queda na cotação, na casa de 4,17% nos últimos 30 dias, mas mantendo uma recuperação do preço da ação no ano de 23,03%, contra a queda de 50,09% em 2018.

A queda ocorrida em 2018 refletiu os próprios resultados da empresa em relação à lucratividade, o que traz, também, impacto negativo na expectativa de obtenção de proventos. O Dividend Yield atual da companhia é de apenas 1,8%.

O maior preço histórico da COGN3 foi alcançado em outubro de 2017, com a ação sendo negociada a R$ 20,03. Em dezembro de 2018, chegou a ser negociada a R$ 8,50.

Vale a pena investir?

Em seus melhores momentos como pagadora de dividendos, a COGN3 chegou a pagar um Yield superior a 10%, mas isso foi em 2014. Não há no horizonte a expectativa de que a empresa possa se tornar uma grande pagadora de dividendos nos próximos anos, em função dos altos investimentos.

Por outro lado, é possível imaginar que uma melhora nos resultados financeiros da empresa anime os investidores. A ação está barata no momento e é possível pensar em bons ganhos com valorização de capital no médio e longo prazo.

 

 

 

 

 

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *