Investir na B3: uma boa ideia para o investidor conservador?

Investir na B3: uma boa ideia para o investidor conservador?
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Investir na B3 é uma boa alternativa para o investidor conservador? Bom, para responder a essa pergunta é preciso, antes, que consigamos descrever o que é um investidor conservador, conceito que pode variar de acordo com o ambiente de negócios.

A grande verdade é que falar em investidor conservador remete a aversão aos riscos, o que, de certo modo, não deixa de ser um contrasenso. Ora, sabemos, de antemão, que as duas variáveis básicas do investimento são a oportunidade e o risco. Para cada oportunidade, temos um risco envolvido.

O que se tem dito, com muita propriedade, é que grandes oportunidades envolvem grandes riscos e que baixo risco combina com baixos ganhos.

A questão toda é que o que se vem praticando no Brasil desmente, de certo modo, a lógica do investimento. Você pode imaginar que em março de 1999 a taxa básica de juros chegou a 45%? Imagine só o ganho de um investidor que colocava seu dinheiro em papéis indexados à taxa Selic ou ao CDI, taxa referencial de crédito entre instituições financeiras.

O cenário só começou a mudar, gradualmente, a partir de 2006. Desde então, a política do Banco Central vem fazendo com que a Selic oscile para baixo. Em 2012, chegou a 7,25%, voltou a subir nos anos seguintes e em agosto de 2019 alcança o menor patamar histórico, de 6%, contra uma meta de 6,4% no ano.

Outro indexador, o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), que mede a inflação, projeta para 2019 um índice abaixo dos 4%. Ao que tudo indica, os altos rendimentos obtidos com investimentos em renda fixa estão um passo além dos dias contados. É a realidade dizendo que os investimentos conservadores se tornaram realmente conservadores, com baixos riscos e baixas taxas de retorno sobre o investimento.

Quando falamos que o Tesouro Direto pré-fixado promete prêmio anual acima de 8,5% a.a., podemos dizer que a rentabilidade é excelente, pelo menos no cenário atual. Ao mesmo tempo, as ações da Magazine Luiza valorizaram na casa de 1.000% desde 2011, quando abriu seu capital. As ações do Banco Inter, só em 2019, subiram mais de 100%.

Estamos falando de empresas com ótimos fundamentos, com trajetória de crescimento de ativos e investimentos, com trajetória de lucro e aumento de receitas em suas operações. Será que estamos falando realmente de um investimento de alto risco?

É alto risco ou falta de habilidade?

O risco maior está, na verdade, na falta de habilidade e na visão equivocada do investimento, não na volatilidade dos papéis.

Para investir em ações é preciso ter habilidade. Ou um conjunto de habilidades que só podem ser obtidas por meio do conhecimento.

Você vê dia após dia o noticiário falando dos humores do mercado, que um dia está otimista e no outro está nervoso, para ficar pessimista mais adiante e eufórico um dia depois. O mercado pode ficar com o humor que ele quiser. Você não pode.

É preciso, em primeiro lugar, separar o que é desempenho da empresa e o que é desempenho das ações na B3. Para as devidas apresentações, para quem não conhece, a B3 é a Bolsa de Valores brasileira.

O que você precisa entender é que a Bolsa precifica futuro. Em outras palavras, o preço das ações reflete o que o mercado acredita que acontecerá com a empresa num tempo futuro. Se a empresa vai bem, as ações se valorizam. Mas você já deve ter visto diversas previsões para os próximos dias ou para os próximos três meses.

Pois é. É que o mercado também precifica a ação no curtíssimo prazo. É o que nós chamamos de mercado especulativo, que aposta mais na relação oferta x demanda do que nos fundamentos da empresa. Nesse caso, os fundamentos pouco importam. O que vale é como o mercado enxerga as ações da companhia.

Você já deve ter ouvido falar em efeito manada. É quando um acontecimento ou uma conjuntura leva os investidores a fugir em bando das ações de uma determinada empresa. Quando isso acontece, o preço da ação vai lá embaixo. O efeito contrário também acontece.

Nos dois casos, em algum momento, o mercado percebe que o papel está muito barato ou que o futuro precificado não é aquele dos seus sonhos e a trajetória se inverte.

 

Investir em ações é investir em empresas

Você pode ganhar dinheiro fazendo trade, tentando pegar carona nas altas dos papéis para vender por um preço maior que aquele que você comprou. Não há problema, exceto pelo fato de que você precisará acompanhar os pregões um após o outro, com um olho nos gráficos e outro na home broker. É bom, também, ficar atento ao impacto das taxas que você paga à sua corretora sobre cada operação de compra e venda.

B3

O verdadeiro investimento em ações, de acordo com a ótica fundamentalista, é aquele em que você investe em empresas. Ora, se o investimento é feito em uma empresa, é fundamental que as perspectivas dessa última sejam de crescimento, que ela tenha uma boa administração, que atue em um mercado promissor, tenha baixa taxa de endividamento e uma operação superavitária, entre outros aspectos.

O propósito da abertura de capital é que a empresa financie o seu crescimento a baixo custo. Ao tomar dinheiro em um banco, a empresa tem que pagar altas taxas de juros. Ao abrir capital na Bolsa, ela capta recursos de investidores, que reconhecem a solidez e o futuro do seu negócio e, por essa razão, aceitam investir seu capital em suas ações.

Se você enxerga por essa ótica, pode se tornar um bom investidor. Conservador? É uma questão de ponto de vista. Se você investe somente em blue chips, empresas com maior liquidez, como Vale, Banco do Brasil, Petrobras e Eletrobras, podemos dizer que você tem um perfil conservador para um investidor em ações. Se você, além disso, diversifica seus investimentos, combinando aplicações em renda variável com aplicações em renda fixa, você pode ser visto como um pouco mais conservador.

 

O fato é que há uma regra a seguir quando se trata de investimentos. Aliás, há um conjunto de regras. A mais jurássica e sábia delas é que você deve comprar as ações quando elas estão em baixa. Você vai comprar um maior número de ações, com potencial de valorização e com um Yield maior.

Yield, ou Dividend Yield, é o ganho proporcional que você obtém com a distribuição de dividendos pela companhia. Os dividendos são a participação nos lucros. Logo, é importante que você fique atento à segunda regra, que é o histórico de pagamento de dividendos da companhia.

Se a sua escolha for boa, terá como resultado a valorização do capital investido, por meio da valorização das ações, e o ganho de dividendos, que podem ser reinvestidos, aumentando seu capital.

Para concluir, se você comprou a ação em baixa e não pretende desfazer-se dela, não compartilhe as aflições do mercado. As oscilações nada mais são, na maioria das vezes, que movimentos especulativos. Você deve, sim, estar atento ao noticiário sobre a empresa.

É onde entra a questão mais importante. Não basta a ação estar em baixa. É preciso que haja uma oportunidade real de ganhos. Você precisa ter indicadores de que a empresa vai crescer. Você pode recorrer aos gráficos, que mostram as variações de preço ao longo do tempo, mas é preciso ir mais além, conhecendo a empresa, seu endividamento, quais suas estratégias, as perspectivas do segmento onde atua e a qualidade de sua gestão.

Sob esse aspecto, você poderia ser o que chamam de conservador, mas, na verdade, é um estrategista, que investe com os pés no chão, seguindo as melhores práticas de investimento na Bolsa de Valores.

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