O que é Hash? Qual seu impacto no Bitcoin?

Hash no Bitcoin

Uma das maiores inseguranças de quem ouve falar em bitcoin ou qualquer outra criptomoeda é em relação a segurança. Para muitas pessoas, a idéia de um dinheiro digital é associada automaticamente a algo inerentemente inseguro, cujo sistema pode ser invadido e alterado a qualquer momento.

A realidade, entretanto, felizmente não é assim. O Bitcoin possui um sistema muito mais robusto e resistente a tentativas de ataque externo do que o sistema de muitos bancos gigantescos por aí com atuação global, o que, junto com a descentralização e privacidade proporcionadas por essa moeda digital, é uma dos grandes motivos para o seu crescimento acelerado ao longo dos últimos anos, pois de nada adiantariam essas qualidades se o sistema que suporta o bitcoin fosse inseguro.

Uma boa parte da segurança do Bitcoin e de sua blockchain vem de um conceito da criptografia chamado de Hash. Em essência, o Hash permite que as informações das transações envolvendo bitcoins permaneçam incorruptíveis, tornando-as confiáveis e antifrágeis a tentativas de ataque.

Mas o que é o Hash? Como o Hash funciona? Como ele esta inserido no sistema Bitcoin? É esse assunto que iremos falar nesse artigo.

 

O que é Hash?

 

De modo simplificado, podemos dizer que o Hash é um código de tamanho fixo que resume um conjunto de dados de tamanho variável. Assim, por exemplo, uma transação, ou conjunto de transações de bitcoins e todas as suas informações podem ser resumidas em uma série de número e letras, ao qual chamamos de código hash, ou somente hash, como o seguinte exemplo:

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Como o Hash Funciona?

 

Para que um arquivo seja convertido em um Hash, é preciso que ele passe pelo que é chamado de um função hash, que basicamente é uma função matemática que irá fazer cálculos para converter aquela entrada – o arquivo original – em uma saída que será o Hash.

Para ser considerado um Hash, um código precisa atender a quatro propriedades diferentes:

1- Deve ser relativamente fácil que se calcule um hash a partir de uma entrada qualquer

2 – Deve ser muito pouco provável matematicamente que o mesmo hash seja gerado a partir de duas entradas diferentes

3 – Uma leve modificação nas informações contidas no arquivo original gera uma completa mudança no código hash original

4 – Deve ser matematicamente impossível que alguém consiga, a partir do Hash, chegar ao arquivo original, ou seja, é praticamente impossível fazer engenharia reversa em um Hash para chegar a fonte.

 

Essas propriedades e, em especial, a última, é o que faz com que o hash forneça um grande nível de segurança para o sistema do bitcoin.

 

Como o Hash se insere no sistema do Bitcoin?

 

Como já tivemos a oportunidade de falar no artigo sobre mineração de bitcoins, cada bloco dentro do bitcoin, que corresponde mais ou menos a 500 transações, recebe um código Hash, o que, a rigor, já tornaria cada bloco seguro.

No Bitcoin, entretanto, o Hash de um bloco inclui necessariamente o Hash do bloco anterior que, por sua vez, também inclui o Hash do bloco imediatamente anterior, e assim sucessivamente, até o primeiro bloco gerado há mais de 10 anos atrás. Desse modo, o que se tem é um sistema extremamente robusto contra ataques externos, já que, se já seria difícil quebrar um único hash para invadir o sistema, torna-se praticamente impossível com a blockchain, já que todos os hash de todos os blocos precisam ser invadidos e quebrado simultaneamente, pois caso apenas um ou uma parte o sejam, todos os blocos pertencentes a blockchain se fecham a impedem a finalização do ataque imediatamente.

Hash Bitcoin
Representação gráfica de como o Blockchain do Bitcoin funciona

Desse modo, o Bitcoin, através da blockchain, se torna um sistema muito mais seguro do que o próprio sistema bancário que você provavelmente usa diariamente. Assim, não há porque ter medo ou se sentir inseguro quanto a essa moeda digital.

 

Qual a diferença entre a criptografia tradicional e o Hashing?

Por fim, vale a pena falar sobre a diferença entre a criptografia usual e o Hashing. A grande diferença entre o Hashing e a criptografia tradicional é que esta última é uma via de mão dupla, permitindo tanto a encriptação de um arquivo para um código fixo, como o contrário, ou seja, a desencriptação, podendo-se obter o arquivo original a partir do código fixo.

No Hashing –  o processo para se chegar ao hash – , como vimos, isso não é possível, tornando-o um meio ainda melhor para a segurança da informação original.

 

 

 

 

O que é o Halving do Bitcoin?

Halving do Bitcoin

Você já ouviu falar no Halving do Bitcoin? Esse é um assunto que foi muito comentado no mundo das criptomoedas há dois meses atrás, quando o ocorreu o terceiro Halving do Bitcoin, e cada bloco minerado passou a conceder somente 6.25 bitcoins aos mineradores, no lugar dos anteriores 12.5 bitcoins, tornando mais escassa, portanto, a emissão de novas bitcoins daqui para a frente e, potencialmente, oferecendo um fundamento para o aumento do seu valor.

Mas como o Halving funciona exatamente e como você pode se beneficiar com isso? É sobre este tema que iremos falar hoje.

 

Halving: Origem

 

O Bitcoin foi criado em outubro de 2008 por Satoshi Nakamoto – um pseudônimo que manteve em segredo o nome do criador até os dias de hoje – tendo como fim principal ser uma alternativa ao papel moeda emitido, sob diferentes nomes, por governos de todo o mundo e, assim, conferir maior liberdade as pessoas para que não ficasse à mercê de políticas monetárias desastrosas que roubassem o seu poder de compra.

Tendo isso em mente, uma das principais preocupações na criação do bitcoin foi o de atender a uma das principais funções do dinheiro: funcionar como reserva de valor, algo que as moedas estatais ao redor do mundo são notoriamente incapazes de ser.

Governos de todo o mundo emitem moeda de modo descontrolado há pelo menos um século, quando o padrão ouro começou a ser abandonado progressivamente. Com isso, gera-se inflação, prejudicando a grande maioria do povo enquanto os amigos do rei, que conseguem receber essa injeção de dinheiro primeiro via empréstimos públicos, se beneficiam de modo imensurável.

Quando a liquidez artificial gerada por essa emissão descontrolada de dinheiro não da mais resultado, a bolha estoura e, novamente, os amigos do rei são protegidos e salvos do próprio fracasso por meio de pacotes trilionários de ajuda, enquanto a população comum paga a conta diretamente por meio do maior gasto público e inflação grotesca gerada pela injeção repentina de dinheiro na economia.

Dado esse cenário de impotência do cidadão comum face a farra da política monetária atual, Satoshi Nakamoto buscou embutir no sistema Bitcoin algo que o torna-se naturalmente escasso e impedisse o aumento repentino da oferta de bitcoins, evitando a expansão inflacionária tão comum nas moedas estatais. Para esse fim, o Halving teve desde o início um papel fundamental para o Bitcoin.

 

Como funciona o Halving do Bitcoin?

 

Para que o Bitcoin fosse uma moeda com emissão controlada, era preciso programar no seu software um padrão constante de emissão de novas bitcoins, o que foi feito pelo processo de mineração de bitcoins, pelo qual cada conjunto de 500 transações em bitcoin geram um bloco e novas bitcoins são emitidas como recompensa para os validadores das transações, sendo que somente 1 único bloco a cada 10 minutos pode ser emitido.

O que é Halving de bitcoin        Inicialmente, a quantidade de bitcoins emitida por cada bloco era de 50 bitcoins, o que já trazia um padrão controlável e previsível de apenas 50 bitcoins emitidas a cada 10 minutos, um nível de escassez incomparavelmente maior do que qualquer papel moeda, que pode ter sua oferta aumentada dezenas de vezes com um simples apertar botões de impressoras.

Entretanto, a ideia era de que o Bitcoin não só fosse naturalmente escasso, mas que ele fosse a primeira moeda absolutamente escassa, ou seja, em algum momento no futuro não seria mais emitidos bitcoins. Com isso, surge a ideia do Halving do Bitcoin, sob a forma de uma regra no software que diminui pela metade (daí o nome) a quantidade de bitcoins emitidas por cada bloco mineirado a cada 210.000 transações, o que, na prática, se dá a cada 4 anos. Com isso, é esperado que em 2140 a última bitcoin seja emitida, atingindo o montante total de 21 milhões de bitcoins.

Assim, dos iniciais 50 bitcoins por bloco em 2008, três halving se seguiram, reduzindo a quantidade, respectivamente, para 25 bitcoins/bloco, 12.5 bitcoins/bloco e, finalmente, 6.25 bitcoins/bloco, número atual após o terceiro halving ocorrido em maio/2020.

 

O terceiro Halving do bitcoin

Com a grande popularidade que o bitcoin vem ganhando nos últimos anos, o 3º Halving, programado para 11 de maio de 2020, causou um grande alvoroço no mercado de criptomoedas e até mesmo fora dele. A principal razão disso é que, naturalmente, uma redução na oferta provocaria um aumento do preço. No caso do bitcoin, entretanto, esse processo natural costuma ser ainda mais exacerbado pela alta volatilidade que a moeda apresenta desde sua criação, tendo gerado aumentos estratosféricos no passado.

Em novembro de 2012, no primeiro Halving, o bitcoin saltou de 11 dólares para 1150 dólares, chegando pela primeira vez no patamar dos quatro dígitos. No segundo Halving, em Julho de 2016, o Bitcoin estava cotado em cerca de 650 dólares e, em poucos meses após chegou a 20.000 dólares, o preço mais alto que o bitcoin já teve, caindo depois para 3.200 dólares que, de qualquer modo, já era 4 vezes mais do que o valor inicial antes do halving. Com isso a expectativa para aumento pós-halving desse ano atingiu níveis impressionantes.

Felizmente, para quem ainda não comprou bitcoins, ainda da tempo de se aproveitar dos prováveis efeitos do halving já que atualmente, o bitcoin continua mais ou menos no mesmo preço pré-halving de 8.700 dólares, custando 9.600 dólares.

 

O que é Mineração de bitcoin?

Se você só descobriu o mundo do bitcoin recentemente, então é provável que ainda tenha dúvidas a respeito do que é exatamente mineração de bitcoins, como funciona e quem são os chamados mineradores de bitcoin. Se esse é o seu caso, então fique comigo até o final deste artigo que garanto que você terá uma boa base sobre o assunto em pouco tempo. Menos de 15 minutos, para ser mais exato.

O que é Mineração de Bitcoin?

 

Mineração de Bitcoin é o processo pelo qual novas bitcoins são criadas, após a validação correta de um bloco inteiro de transações, com a consequente recompensa aos nodes da rede que validaram essas transações, que recebem uma quantia pré-definida de bitcoins como recompensa. Quem se dedica ao processo de validação das transações dentro da rede blockchain do bitcoin ganha o nome de minerador, em analogia a mineração do ouro, já que, como veremos, assim como no caso do ouro, quanto mais bitcoins são mineradas, mais difícil fica minerar novas bitcoins.

 

Como funciona a mineração de bitcoins?

 

A rede Bitcoin é uma rede peer-to-peer, ou seja, completamente descentralizada, na qual os próprios usuários são, simultaneamente, clientes e servidores que realizam alguma função para manter a rede. Cada computador de um usuário que se conecta a rede, automaticamente se conecta diretamente a todos os outros computadores integrantes da rede

Mineração de bitcoin
Modelo esquemático de uma rede peer-to-peer

Isso significa que não há um único servidor centralizado responsável por concentrar todas as informações relevantes das transações, validá-las e liquidá-las. Assim, esse trabalho deve ser feito pelos próprios usuários da rede, o que confere a vantagem de tornar o bitcoin uma rede completamente anônima para os participantes.

Para validar essas transações cada computador atua como um nó (ou node) na rede, resolvendo uma equação matemática complexa – porém cuja solução é fácil de verificar se esta correta ou não – e passando adiante para que o próximo node da rede também verifique. Caso a solução da equação matemática pelo node anterior esteja incorreta, a verificação anterior é automaticamente invalidada, impedindo verificações fraudulentas de se concretizarem, já que o fraudador gasta poder computacional significativo para resolver uma equação matemática complexa, mas pode ser facilmente invalidado pelo próximo node na linha, essencialmente desperdiçando recursos sem qualquer vantagem em troca.

Desse modo, o processo de validação da transação segue de node a node e, no final, caso a maioria dos nodes pertencentes aquela rede tenha validado a transação, ela é concretizada.

Mas aonde entra o minerador ai?

O minerador é basicamente o usuário que se dispõe a fornecer uma parte do poder computacional da sua máquina para manter a rede de validação do bitcoin ativa e em pleno funcionamento e, em troca disso, recebe uma taxa de transação de cerca de 0.00001 BTC por transação validada. Além disso, a cada 10 minutos no sistema blockchain do Bitcoin é formado um bloco contendo as informações das últimas 500 transações. Quando esse bloco se forma os nodes responsáveis pela validação das transações que compõem o bloco recebem uma recompensa em bitcoins a ser dividida proporcionalmente entre os mineradores de acordo com a capacidade de computação que cada um forneceu a rede para  a conclusão da transação. Inicialmente, em 2009, a recompensa era de 50 bitcoins por bloco e atualmente esta em 6.25 bitcoins por bloco.

Assim, a cada transação validada, o minerador aposta na chance de que aquela seja a transação que irá fechar um novo bloco na rede bitcoin, gerando para ele a recompensa tão esperada em bitcoins.

 

Vale a pena minerar bitcoin?

 

Talvez agora você esteja se perguntando se vale a pena minerar bitcoin. Bem, a resposta é depende. Nos primeiros anos do Bitcoin, a capacidade computacional necessária para minerar de modo eficiente era relativamente pequena, de modo que mesmo um computador individual de capacidade mediana conseguiria minerar um número razoável de bitcoins em relativamente pouco tempo.

Hoje, entretanto, as coisas mudaram um pouco, e a capacidade computacional para que você consiga obter um bom número de bitcoins através da mineração é muito mais alta. Hoje em dia, cada vez mais se multiplicam as mineradoras profissionais de Bitcoin, empresas que montam estruturas gigantescas contendo milhares de servidores para tentar minerar bitcoin do modo mais eficiente possível.

Mineradora Bitcoin
Mineradora Bitcoin na Rússia

Desse modo, a oportunidade para minerar bitcoin para o usuário comum esta bem mais fechada do que há alguns anos atrás, tendo em vista que as recompensas em bitcoins são distribuídas de acordo com a contribuição de poder computacional de cada usuário. Você pode tentar minerar com um computador menos potente, porém é preciso ter consciência q isso não será o suficiente para acumular um número significativo de bitcoins através da mineração.

Eficiência do processo de mineração e o bitcoin Halving

Além do aumento do poder computacional necessário, outro fator que torna o processo de mineração menos eficiente hoje em dia é o chamado Halving, uma diminuição programada do número de bitcoins que podem ser mineradas por bloco de transações.

O Halving é ativado a cada 210 mil blocos minerados e basicamente reduz pela metade o número de bitcoins concedidas como recompensa dali em diante, após 3 halvings, sendo o último em maio de 2020, o número atual de bitcoins por bloco caiu de 50 em 2009 para 6.25.

Conclusão

Então é isso, agora você já sabe o que é mineração de bitcoin e como funciona. Infelizmente, essa se tornou uma oportunidade muito menor do que nos primeiros anos de bitcoin, mas, ainda assim, pode valer a pena para você ganhar pelo menos alguns bitcoins ao longo dos próximos meses ou anos, o que não é nada mal considerando a valorização que o bitcoin já teve e que ainda terá no futuro.

O que é bitcoin?

Bitcoin

Ao longo dos últimos anos, uma febre tem tomado conta de investidores, especuladores e até mesmo curiosos de todo o mundo que se animaram com o rápido crescimento e valorização do bitcoin e buscam se beneficiar disso de alguma forma.

Mas o que é bitcoin de fato? Quais são os fundamentos por trás dessa criptomoeda que tem feito ela se expandir tão rapidamente? Ou será que não passa de um scam como muitos afirman, incluindo o megainvestidor Warren Bufet?

É sobre isso que iremos falar hoje, então, se você sempre quis entender melhor a respeito do bitcoin mas nunca encontrou um único lugar que reunisse todas as informações relevantes, então prepare-se para aprender mais sobre bitcoin nos próximos minutos do que na sua vida inteira!

 

Bitcoin: O início da Era do dinheiro digital

 

Em 1 de novembro de 2008, um programador desconhecido usando o pseudônimo Satoshi Nakamoto enviou um email para uma lista de entusiastas da criptografia anunciando que havia criado o primeiro sistema de dinheiro eletrônico totalmente peer-to-peer, sem a necessidade de interferência de nenhuma parte intermediária para transacionar. Ele enviou também uma cópia do documento onde explicava todo o design e funcionamento da nova moeda digital, além de um link para onde o documento se encontrava hospedado online.

Na prática, o que se tinha era um novo sistema de pagamentos online, com sua própria moeda digital e baseado em um método sofisticado de autenticação e verificação de todas as transações que ali ocorriam pelos próprios membros do sistema, tornando desnecessária a existência de uma terceira parte para atuar como intermediária, papel geralmente desempenhado pelos bancos no sistema de pagamentos tradicional baseado no papel moeda.

Além disso, a moeda em questão era emitida seguindo um rígido sistema programado no próprio algoritimo e usada para recompensar os membros da rede por cada transação corretamente verificada. Desse modo, o sistema da nova moeda digital tinha um mecanismo embutido que evitava a sua perda de valor devido a uma possível inflação caso um número excessivo de moedas fosse emitido.

Inicialmente, o sistema se tornou apenas um nicho minúsculo, com apenas alguns poucos entusiastas da criptografia e curiosos de modo geral integrando a rede nos meses seguintes ao seu lançamento, fazendo com que o bitcoin se torna-se praticamente, até aquele momento, apenas uma moeda colecionável, sem qualquer valor real. Foi então que o jogo começa a mudar a partir de outubro de 2009 – quase um ano após o lançamento – quando uma bolsa de valores online vende 5.050 bitcoins por um valor de de 5.02 dólares.

A partir daí o bitcoin deixa de ser apenas uma moeda obscura e passa a adquirir valor econômico real, pois a situação mostrava que haviam pessoas dispostas a pagar dinheiro para adquirir a moeda. O interessante é que o valor da transação de pouco mais de 5 dólares foi calculado tendo em vista o custo da eletricidade para minerar a moeda naquele momento.

Pouco tempo depois, em 22 de maio de 2010, alguém comprou duas pizzas de $25 utilizando 10.000 bitcoins, efetivamente transformando o bitcoin de um bem econômico comum (representado pela eletricidade consumida na sua mineração) para um meio de troca por outros bens econômicos, adquirindo, assim, pela primeira vez, o status de moeda.

Desde então, o bitcoin vem crescendo exponencialmente no número de transações realizadas, de usuários e do poder de processamento dedicado à manutenção da rede ao longo do mundo, tendo, com isso, aumentado rapidamente de valor, saindo dos 0.1 centavo de dólar por bitcoin (representado pela compra de 5000 bitcoins por 5 dólares pela bolsa de valores online) até chegar, atualmente a quase 10.000 dólares em julho de 2020.

 

Como funciona o bitcoin?

 

Para entender como funciona o bitcoin, é essencial entender como funciona a rede de pagamentos que esta por trás do bitcoin e que dá sustentação a todas as operações realizadas. Essa rede se baseia na tecnologia blockchain e é o que permite um sistema de pagamentos totalmente seguro e absolutamente independente de qualquer intermediário entre as partes para ser concretizado, isso porque é a própria rede de usuários do bitcoin, coletivamente considerada, que valida as transações entre quaisquer dois membros em um dado momento.

Bitcoin

O Blockchain

A tecnologia de blockchain permite a manutenção de um registro único de transações, de modo seguro e criptografado, que é compartilhado por todos os membros do sistema, e que só pode ser alterada quando a maioria dos membros, através do seu computador (um node na blockchain), valida a transação. Desse modo, qualquer tentativa de ataque ao sistema não pode ser concretizada com a invasão a um único servidor ou conjunto de poucos servidores, mas deve ser feita pela invasão simultânea de todas as máquinas que compõem o sistema do blockchain e, caso um única máquina no sistema seja invadida, todas as outras se fecham automaticamente, invalidando a transação e impedindo que o invasor obtenha seu objetivo, tornando virtualmente impossível que o sistema de pagamentos utilizado pelo bitcoin seja invadido.

O Blockchain se tornou mais conhecido devido ao bitcoin, porém é uma tecnologia extremamente inovadora com largas possibilidades de aplicação em diversas outras indústrias. Essas outras aplicações, entretanto, não são objeto desse artigo.

 

Os fundamentos do Bitcoin

 

Para entender por quê o bitcoin se tornou a principal criptomoeda e vem crescendo cada vez mais, sendo tida por muitos como o dinheiro do futuro, precisamos primeiro entender o que faz de uma moeda uma boa moeda, ou seja, quais são os fundamentos econômicos que separam o bom dinheiro do mal dinheiro.

A salabilidade

Para isso, podemos usar o conceito de salabilidade de Carl Menger, um dos pais fundadores da Escola Austríaca de economia. Um bem tem salabilidade, segundo Menger, se é possível vendê-lo no mercado a qualquer momento que se queira sem que, dessa transação, decorra desvalorização imediata para o bem, apresentando assim, um altíssimo grau de liquidez.

Como funciona o bitcoin
Carl Menger, um dos pais fundadores da escola austríaca de economia e inspiração de Ludwig Von Mises

Para estar apto a ser utilizado como meio de troca, um bem precisaria possuir salabilidade em três esferas simultanemante: Escala, espaço e tempo.

A salabilidade em escala significa que o moeda escolhida precisaria ser altamente divisível, de modo a poder servir de unidade de medida para os diferentes bens econômicos, dos mais baratos aos mais caros.

A salabilidade no espaço se referia a capacidade de mover a moeda escolhida ao longo de grandes distâncias com relativa facilidade.

A salabilidade no tempo, por fim, era a capacidade da moeda escolhida de manter o seu poder de compra relativamente estável ao longo do tempo, funcionando verdadeiramente como uma reserva de valor.

Ao longo de muito tempo durante a história da humanidade, o ouro desempenhou o papel de meio de troca justamente por apresentar todas essas características, em especial a salabilidade no tempo, mantendo-se relativamente estável em seu poder de compra ao longo de milênios.

Essa capacidade do ouro se deu especialmente pela sua relativa escassez na crosta terrestre e pela sua propriedade química intrínseca que lhe torna praticamente indestrutível, o que basicamente faz com que o estoque de ouro atualmente existente no mundo seja a soma de todo o ouro já produzido pela humanidade desde há muitos milênios atrás, o que faz com que as quantidades de ouro produzidas anualmente sejam muito pequenas em relação ao estoque total (apenas 1,5% a 2%), evitando um aumento expressivo e repentino na oferta de ouro que poderia ocasionar a sua desvalorização.

O Bitcoin tem o potencial de ser o ouro do futuro, possuindo muitas de suas vantagens tradicionais, além de alguns benefícios extras muito interessantes. O bitcoin possui grande salabilidade no espaço, ainda maior do que o ouro, já que pode ser transferido para pessoas em qualquer lugar do mundo sem que seja necessário o seu transporte físico.

O Bitcoin também possui grande salabilidade em escala, já que uma única unidade pode ser dividida em até 1 milhão de partes iguais, conhecidas como satoshis – em homenagem ao pseudônimo do criador – e equivalentes, portanto, a 0,0000001 BTC. Desde modo, mesmo bens de baixo valor podem ser adquiridos facilmente por bitcoin.

A salabilidade no tempo, a característica mais importante de uma boa moeda e a grande razão do sucesso do ouro, também é uma característica marcante do bitcoin, já que o algoritimo do btc emite mais bitcoins a uma taxa pré-determinada e já programada desde a sua concepção, até um máximo de 21 milhões de bitcoins. Nesse sentido, podemos até dizer que, a longo prazo, o bitcoin é ainda mais salável no tempo do que o ouro, já que ainda existe muito ouro a ser minerado na crosta e, com o surgimento de tecnologias cada vez mais avançadas, é provável que em algumas décadas a taxa de crescimento do ouro aumente, ainda que de modo moderado, e o estoque total de ouro cresça a essa taxa de modo indefinido ao longo do tempo enquanto o bitcoin atingirá o total de 21 milhões em 2140 e, a partir de então, todo o bitcoin existente no planeta será essa quantia, tornando o bitcoin a moeda mais forte que já existiu.

 

Bitcoin é confiável?

Talvez a dúvida mais comum de qualquer pessoa que passa a conhecer o bitcoin é sobre a confiabilidade do sistema e da moeda. De fato, uma moeda completamente digital, sem nada físico que a represente, parece, em um primeiro momento, algo temerário e altamente vulnerável a alguma falha que possa por em risco todo o sistema.

Essa dúvida é especialmente agravada para quem ainda não conhece muito bem o blockchain, a tecnologia que da suporte a todo o sistema de pagamentos do bitcoin.

Você já usa uma moeda digital!

Apesar disso, é relativamente fácil entender por quê o bitcoin é altamente seguro. Pare e pense um pouco: Será que você já não esta usando uma moeda digital na maior parte do tempo sem nem perceber isso? Quantos pagamentos você faz com o cartão ou através de aplicativos e transferências bancárias? Sim, eu sei, você vai dizer que o dinheiro esta lá e você pode sacá-lo se quiser, o que é parcialmente verdade.

Talvez você nunca tenha parado para pensar nisso mas o sistema bancário é organizado com base no sistema de reservas fracionárias, o que significa que o banco no qual você guarda o seu dinheiro só é obrigado a manter sob reserva uma pequena parte dos depósitos dos clientes – geralmente 20% a 30% – estando livres para emprestar o resto, efetivamente criando uma moeda fictícia, a moeda escritural, já que em torno de 70 a 80% do dinheiro total depositado no banco esta sendo contabilizado duas vezes: Uma como disponível para saque para os seus clientes e outra nas mãos de quem recebe o dinheiro após tomar um empréstimo junto ao banco.

Isso significa que, em última análise, se um percentual muito grande de clientes do banco quiser retirar os seus depósitos simultaneamente, não haverá dinheiro disponível para todo mundo, já que a maior parte desse dinheiro estará nas mãos de terceiros que tomaram empréstimo no banco. Assim, você basicamente esta usando uma moeda essencialmente digital – a moeda escritural do banco – e confiando que não ocorrerá nada de muito impactante na economia que possa provocar uma corrida aos bancos, uma situação que, sem dúvida, é muito mais frágil do que utilizar uma moeda digital com um sistema de suporte e segurança envolvendo criptografia avançada e que é matematicamente impossível de ser hackeada tendo em vista o volume de nodes que deveriam ser invadidos simultaneamente.

Ademais, em que você prefere confiar: Em bancos e governos, que emitem moeda descontroladamente – seja através de papel ou seja através de dígitos como no caso da moeda escritural – ou em um sistema impessoal e objetivo que provê transações diretamente entre as duas partes envolvidas, sem a necessidade de um intermédiário, e que é mantido pelos próprios usuários de forma descentralizada ao redor do mundo, que naturalmente são os maiores interessados em que o sistema siga funcionando corretamente? Acho que a resposta é bem fácil.

Dito isto, vale a pena ainda falar sobre algumas críticas que tem sido feitas ao bitcoin, até mesmo por grandes figuras do mundo dos investimentos como Warren Buffet, que considera o bitcoin nada mais do que uma ilusão e potencial fraude.

 

O bitcoin é uma fraude?

 

Algumas vozes bem famosas no mercado já se levantaram contra o bitcoin, dentre as quais talvez a de maior peso é a do megainvestidor Warren Buffet, que defenda que o bitcoin não possui qualquer valor real, não tem a capacidade de armazenar valor e que não possui mais valor do que conchas do mar.

Bitcoin é uma fraude?
Bitcoin x Warren Buffet: Quem será que esta certo?

Sem dúvida alguma, Warren Buffet é uma lenda no mundo dos investimentos e qualquer opinião que ele emita carrega consigo o peso de um investidor ultra bem sucedido há quase 60 anos na bolsa de valores. Entretanto, alguns fatores precisam ser considerados com mais cautela para que possamos avaliar em que medida essa opinião carrega algum valor racional e em que medida representa apenas um viés espécifico do Buffet.

Primeiramente, precisamos considerar que Warren Buffet possui quase 90 anos de idade. Para ter uma noção do que isso significa na prática e em relação ao mercado, podemos lembrar que, quando ele começou a investir, os livros contabéis, cotações das ações e outras informações referentes as empresas negociadas na bolsa de valores só se encontravam disponíveis na própria sede da bolsa de valores ou através de periódicos que se especializavam na publicação desse tipo de informação. Desse modo, o próprio surgimento do Home Broker já foi um grande avanço tecnológico para quem estava acostumado a ter que obter as informações necessárias para o ivnestimento de modo físico.

Assim, podemos imaginar que talvez a visão de Buffet sobre o bitcoin esteja altamente enviesada pelo fato de em todas essas décadas investindo ele nunca ter visto nada igual, causando estranheza e aversão em relação a criptomoeda.

Outro fato importante a se considerar é que o próprio Buffet disse que não investe em empresas de tecnologia porque uma de suas regras é só investir em negócios que ele entenda profundamente e, como ele próprio assumiu, não entende nada de tecnologia. Será então que a aversão ao Bitcoin não pode ser explicada por essa aversão maior a qualquer negócio baseado em tecnologia? Não custa lembrar que há 2 décadas atrás Buffet não acreditava no potencial das hoje gigantes da tecnologia Google e Amazon, erro que lhe custou caro como o próprio admitiu anos depois.

Agora indo mais a fundo em relação ao argumento de que o bitcoin não tem qualquer valor real e não passaria de conchas do mar. Esse argumento parece ignorar os fundamentos de uma boa moeda, como vimos, dentre os quais o mais importante é funcionar como uma reserva de valor. Ocorre que um dos maiores valores do bitcoin é exatamente a sua oferta limitada, que chegará a 21 milhões e então deixará de ser emitida em maiores quantidades, algo totalmente diferente de conchas do mar que são virtualmente infinitas, podendo ser produzidas em quantidades estratosféricas tão logo fosse usadas como dinheiro, o que aliás já aconteceu no passado pelos índios que habitavam a américa do norte.

 

Bitcoin Vale a pena?

Visto tudo isso, a conclusão que podemos chegar é a de que o Bitcoin tem grandes chances de se tornar o dinheiro do futuro. Se isso realmente irá acontecer apenas o tempo dirá, porém o Bitcoin apresenta todos os fundamentos para que isso se torne realidade.

Além de todos os benefícios econômicos de uma verdadeira reserva de valor, de transações extremamente seguras e anônimas, o Bitcoin também pode ser visto como um meio de protesto contra Estados que se tornem excessivamente invasivos na Liberdade Individual do cidadão comum. Nenhum outro poder é maior do que o de controlar a moeda utilizada no país, o elo que une todas as transações econômicas e, ao fazer com que o Estado perca esse poder com um processo natural de migração, ao longo do tempo, das pessoas para o sistema do Bitcoin, abre-se uma possibilidade real de contenção do poder estatal, muito mais efetiva do que a suposta separação de poderes dos sistemas políticos atuais.

 

 

 

 

 

Coronavírus e bolsa de valores: Vale a pena investir agora?

Coronavirus, bolsa de valores e investimentos

O Coronavírus talvez seja um dos maiores fatos surpresos dessa década, tanto pela sua imprevisibilidade, alguns meses atrás, quanto pelos rápidos impactos socioeconômicos que tem causado. Com as notícias que não param de chegar constantemente sobre novos casos suspeitos e confirmados, além de mortes, que não param de chegar de várias partes do mundo além da China, principalmente de países como Itália, Irã e Coréia de Sul, há o temor real de que o coronavírus possa ocasionar uma pandemia com sérios impactos econômicos, potencialmente causando uma crise global.

coronavirus e bolsa de valores

 

Mas o que há de fatos e o que se deve a especulações ou medo injustificado nessa história? E o mais importante: Será que vale a pena investir na bolsa de valores nesse cenário, ou o coronavírus acabou com as oportunidades de investimento no mercado financeiro? Essa pergunta se torna extremamente importante quando observamos as fortes quedas das bolsas de valores ao redor de todo o mundo, que chegam em muitos casos a quase 10%.

O que é o Coronavírus?

 

Primeiro vamos entender o que é o coronavírus. Trata-se de um vírus da mesma família que o vírus da SARS (Severe Acute Respiratory syndrome, ou síndrome respiratória aguda grave), doença que surgiu pela primeira vez em 2002, e que infectou mais de 8000 pessoas e possui uma letalidade de 10%, tendo matado 800 em todo o mundo. Assim como o coronavírus atual, suspeita-se que a SARS tenha tido origem zoonótica, ou seja, tenha surgido inicialmente a partir de animais, mais especificamente através de morcegos, que transmitiram para uma espécie de gato bastante popular na China.

O Coronavírus, por um lado, possui uma letalidade bem menor, de cerca de 3,4% dos casos, pelos dados que se possui até o momento em todo o mundo. A principal faixa de risco é para idosos acima dos 80 anos, nos quais a taxa de letalidade chega a 15% dos casos, pois um dos principais fatores para a letalidade da doença é a força do sistema imunológico do indivíduo. Por outro lado, a taxa de transmissão do coronavírus é muito mais alta do que o SARS, tendo infectado já 94 mil pessoas no mundo inteiro, com 3221 mortes até o início de março de 2020, o que gera a preocupação com a possibilidade de propagação rápida do vírus para diversos países simultaneamente, causando um cenário de Pandemia.

Os impactos econômicos do coronavírus

 

Com o rápido avanço da doença e todo o alarde mundial, é natural esperar que o mercado comece a responder aos riscos representados pelo coronavírus. Na última semana de fevereiro de 2020, as principais bolsas de valores ao redor do mundo e também a bovespa apresentaram fortes quedas percentuais em resposta ao temos de que o vírus se alastre ainda mais.

O principal gatilho foram as notícias divulgadas pela Itália de que já possuía 220 casos confirmados de coronavírus – 1 semana depois o número de casos já chegou a 2.263, com 79 mortes – o que gerou uma reação em cascata nas bolsas européias, com quedas acumuladas na semana de 12% para a bolsa de Frankfurt e 8% para a bolsa de Londres além de 2,9% em Paris, 3,8% em Milão e 3,67% em Tóquio em um único dia, 4% em Hong Kong e 5% em Shangai.

Além disso, o índice de ações pan-europeu STOXX 600 teve queda de mais de 10% e o índice MSCI, que engloba 1.600 ações de 23 países industrializados acumulou queda de 9,3% na mesma semana.

Com todas essas fortes reações, o temor pelo risco de uma recessão econômica a nível global cresceu vertiginosamente. Mas há necessidade de tanto medo? E se uma crise econômica realmente estiver à vista, o que você deve fazer para se proteger ou quem sabe até se beneficiar da crise com seus investimentos?

 

Vale a pena investir nesse momento?

 

Se você já acompanha o mercado de ações há algum tempo, sabe que existe necessariamente uma diferença entre o que ocorre de fato e como o mercado reage ao que ocorre, entre a realidade e a percepção da realidade. Muitas vezes basta uma notícia suficientemente negativa para gerar uma reação em cadeia e uma queda brusca nos preços das ações. Foi exatamente isso o que aconteceu na última semana de fevereiro, com uma notícia ruim sobre o número de infectados na Itália gerando um efeito manada que ocasionou quedas simultâneas ao longo dos próximos dias em diversas bolsas ao redor do mundo.

Se por um lado o coronavírus gera temores de uma recessão mundial, por outro a queda dos preços de ações no mundo inteiro e na própria bolsa de valores brasileira, que caiu quase 7% em um único dia na última semana, abre grandes oportunidades de investimento para quem pretende investir de fato a longo prazo.

A história nos mostra que é natural uma queda brusca do mercado após um surto de alguma doença, mas que ele sempre tende a se recuperar e, muitas vezes, apresentar uma subida significativamente maior do que a queda após apenas alguns poucos meses.

Veja o gráfico:

coronavirus e bolsa de valores
Performance do mercado de ações global após os grandes surtos das últimas décadas

Como você pode ver, em casos passados como os do Ebola, Zika, Dengue, SARS, gripe suína, gripe aviária, HIV, entre outros, os mercados globais tendem a ter uma forte subida em até 6 meses após o surto na maioria dos casos, ou, no mínimo, começam a ensaiar uma recuperação das atividades.

Será que isso significa que você deve usar todo o seu capital disponível para comprar ações? Não necessariamente, mas apenas que você deve manter a mente calma para fazer uma análise fria da situação, e não se deixar levar pelo clima de desespero que muitas vezes atinge grande parte das pessoas em situações como essa. Muitas vezes, quando você atinge esse estado, vai perceber que existem excelentes oportunidades para serem aproveitada e não é momento de pânico.

Na Bolsa de valores brasileira, por exemplo, observamos diversas empresas com excelentes fundamentos econômicos apresentando fortes quedas devido ao surto, como por exemplo: AMBEV (-18,54%), Ultrapar (-24,47%), Gerdau (-15,56%), IRB (-25,83%), além de várias outras com quedas menores porém ainda significativas. Será que essa não é exatamente a oportunidade que você estava esperando para começar a investir na bolsa?

Teoria monetária e os ciclos econômicos

Costuma-se dizer com bastante frequência que o capitalismo é cíclico, no sentido de que momentos de bom crescimento econômico sempre se alternam com momentos péssimos para a economia, muitas vezes com devastadoras depressões econômicas como a famosa crise de 1929, a crise dos subprime de 2008, e diversas outras, menos famosas, ao longo da história.

Essa suposta natureza cíclica da economia capitalista é utilizada como argumento para defende a ideia de que o capitalismo é um sistema falho, que necessariamente gera pobreza e desigualdade devido aos ciclos de retração. o problema com esse argumento é que ele falha no ponto principal ao não identificar o agente por trás das ações que levam ao ciclos contínuos de expansão e retração: O governo ou, mais especificamente, o Banco central, através de uma política monetária frouxa e emissão frenética de moeda.

A natureza cíclica da economia, portanto, não é algo inerente ao sistema capitalista por si só, mas sim a um capitalismo marcado por forte intervenção estatal no controle da moeda, precisamente o oposto do que o sistema de livre mercado propõe.

Nesse sentido, conhecer as diferentes teorias monetárias mostra-se essencial para entender o porquê crises econômicas surgem com frequência quase previsível e qual a solução adequada.

O surgimento da teoria monetária moderna

A moderna teoria monetária, baseada em grande medida em um afrouxamento da teoria clássica, com a consequente possibilidade de utilização pelo governo da emissão de moeda como forma de intervenção na economia, encontra alguns precedentes em outras teorias monetárias surgidas ao longo do século. A primeira delas, do economista alemão Georg Frederich Knapp, traz pela primeira vez a idéia de que o dinheiro é uma criatura do estado, ou seja, ele provém do estado e não possui valor nenhum por conta própria, derivando o seu valor da confiança dos demais players no cenário econômico mundial no emissor daquela moeda. Mais tarde, essa visão passou a ser conhecida como visão cartalista da moeda.

A teoria monetária moderna, derivando dessa visão cartalista, baseia-se essencialmente na defesa da política fiscal como o instrumento adequado para a promoção do pleno emprego e a utilização da emissão de moeda como forma de custeio do gasto público necessário para tal. Da concepção de que o valor da moeda deriva da confiança no estado emissor, chega-se a conclusão necessária de que ela é um passivo estatal, já que é quase como se o tomador daquele dinheiro aceitasse um papel inútil e sem valor intrínseco apenas pela confiança no seu emissor.

Isso gera um problema conceitual se imaginarmos que o governo, além da moeda, emite títulos públicos para se financiar (ou seja, emite um passivo) e, na hora de pagá-los, se utiliza da própria moeda – que também é um passivo – para pagá-los. Em essência, portanto, o governo nunca paga suas dívidas.

Os ciclos econômicos e as crises

O grande problema dessa teoria é a ideia subjacente de que o governo é a solução para tudo. Todos os problemas da sociedade podem ser resolvidos com gastos públicos, e esses gastos podem ser cobertos com sucessivas emissões de moeda, essencialmente trocando um passivo pelo outro.

É claro que esse tipo de ideia tende a favorecer uma gestão pública totalmente displicente e gastos governamentais crescentes – seguidos de ainda mais emissão de moeda – que em algum momento irão gerar um problema incontornável para a economia, com o colapso do poder de compra da moeda.

O argumento dos partidários dessa teoria é a de que nem sempre o aumento da oferta ou do estoque de moeda necessariamente irá causar inflação. Por um lado, isso pode ser verdade em alguns casos, como foi no caso da recente injeção de liquidez na economia americana feita pelo FED, que não causou aumento da inflação.

Teoria monetária moderna
Ludwig Von Mises

Embora a definição corrente de inflação seja a do aumento do estoque de moeda, a verdade é que esta não é uma definição totalmente precisa. Se utilizarmos a definição de inflação de Ludwig Von mises, um dos maiores expoentes da escola austríaca de economia, veremos que inflação é o resultado de duas condições concorrentes: aumento da oferta de moeda sem que haja aumento na demanda por essa moeda.

Assim, se o governo emite moeda, mas a demanda por essa aumenta de modo concorrente, pois o mercado como um todo também aumentou a produção de bens, buscando vendê-los, então não ocorre inflação.

Acontece que, a longo prazo, considerando que o estado pode sempre emitir moeda indefinidamente, é muito difícil que a demanda por essa moeda sempre aumente de forma concorrente e na mesma proporção, levando fatalmente ao aumento da inflação.

A teoria monetária moderna portanto, com seu perfil altamente heterodoxo, acaba incentivando uma certa atitude de sempre postergar o problema, “empurrando com a barriga” os problemas com mais e mais emissão de moeda, gerando um aumento artificial de liquidez na economia e suposto crescimento econômico, apenas para que a bolha estoure mais a frente e a economia seja jogada em uma vala de grande depressão. Assim, os ciclos de crescimento acelerado/ retração que são observados nas economias modernas se dão exatamente por causa da intervenção estatal demasiada, sempre buscando consertar problemas que nem existiriam em primeiro lugar se não fosse sua própria atuação.

 

O Fed e a injeção de liquidez emergencial na economia

O FED, o banco central, americano, recentemente tomou a decisão de injetar dinheiro emergencial na economia americana, o conhecido Quantitative easing, por meio do qual o banco central compra títulos de bancos privados como forma de fornecer maior liquidez as operações destes últimos e prorrogar ainda mais o atual ciclo de expansão econômica.

Como já tivemos a oportunidade de falar em outros posts, o controle da moeda pelo Banco central é uma das coisas mais nocivas para a saúde da economia a longo prazo. A injeção de liquidez emergencial recentemente anunciada pelo presidente do FED, Jerome Powell, apenas estica ainda mais a expansão artificial do crédito que gera um crescimento artificial, uma bolha econômica que estourará mais cedo ou mais tarde, resultando na próxima crise econômica mundial.

Quantitative easing
Jerome Powell, atual presidente do FED

Os mesmos padrões que precederam todas as crises econômicas anteriores começam a se repetir com cada vez mais intensidade, com o FED tentando de maneira desesperada alongar o atual ciclo de crescimento econômico.

As rodadas de Quantitative easing do FED e a próxima crise global

 

A injeção de liquidez artificial na economia americana durará até pelo menos o segundo trimestre de 2020, segundo palavras do próprio Jerome. Apesar disso, o Banco central americano fez um esforço hercúleo na comunicação a empresa para tentar passar a ideia de que essa compra de títulos em grande quantidade – 60 bilhões de dólares por mês ou pelo menos 540 bilhões de dólares no total – não se tratava de injeção de liquidez por ser composta de títulos de curta duração e não títulos de longo prazo como as outras rodadas de quantitative easing haviam sido, além do que o objetivo não seria o de afrouxar a política monetária, mas sim evitar que suas regras se tornem excessivamente restritivas.

Esse hilário jogo de palavras que não muda em nada o efeito prático das medidas adotadas – aumentar as reservas do sistema bancário, diminuindo as taxas de juros de curto e longo prazo, gerando um novo ciclo de expansão creditícia e crescimento artificial – traz ainda mais pistas sobre o real estado da economia americana e os prováveis próximos cenários.

Se o banco central americano precisa intervir para dar maior liquidez aos bancos – ainda que não admita e tente mudar nomenclaturas para jogar uma cortina de fumaça – há uma imensa probabilidade de que algo não esteja funcionando adequadamente com o mercado interbancário.

A taxa de juros é um dos principais sinais da saúde do sistema bancário e se ela permanece alta o suficiente para provocar uma reação do banco central americano para reduzi-la de modo artificial, temos uma provável conjectura de futura retração econômica. A causa subjacente dessa alta taxa de juros pode se dar, por exemplo, pela concessão de empréstimos de baixa qualidade a tomadores com péssima capacidade de pagamento nos primeiros momentos de bonança financeira e agora esteja tendo dificuldades para se livrar desses títulos, gerando uma crise de liquidez no setor bancário. Independentemente do real motivo, é fato que atacar o sintoma – a taxa de juros – e não o problema de fato não irá funcionar e só aumentará o problema, intensificando a gravidade da próxima crise econômica. De fato, o FED agiu da exata mesma forma nos momentos que precederam o estouro da bolha que culminou na crise de 2008. Quando se une isso a proliferação cada vez mais rápida de títulos com juros negativos nos países europeus, temos o delineamento de uma próxima grande crise.

 

O que é um Swap?

Swap

O swap é uma espécie de derivativo. Derivativos são contratos cujo valor esteja condicionado à variação de algum ativo, o que ocorre muito nos contratos de exportação e importação, em que o valor dos mesmos, em dólar, está atrelado à variação do preço daquela moeda no mercado.

É o que acontece, também, em investimentos pós-fixados, cujo valor do resgate dependerá da variação de um determinado índice, que pode ser, por exemplo, a Selic ou o IPCA.

Suponha que você é um produtor rural e realizou uma venda de US$ 200 mil em mercadoria para um comprador em outro país. Na data da venda, o dólar custava R$ 4,00. Sendo assim, você teria a receber R$ 800 mil, que é o preço em dólar convertido para a moeda local.

Você apurou que o custo total para produzir e escoar aquela mercadoria, incluídos os impostos, foi de R$ 600 mil. Sendo assim, o seu lucro previsto é de R$ 200 mil na operação.

Swap

O problema é que você efetuou a venda com antecedência de três meses. O pagamento, no entanto, só acontecerá ao final daquele período.

Essa situação é comum para empresas exportadoras, sejam elas do segmento de agronegócio, indústria ou extrativismo.

O problema é que sabemos o quanto o câmbio é volátil, uma situação que se tornou rotina desde que foi suprimida a paridade da moeda emitida com o ouro. Sendo assim, a própria moeda se tornou uma mercadoria, um ativo, que pode ou não se valorizar, razão pela qual você já deve ter ouvido falar de pessoas que investem em dólar, libra esterlina e outras moedas.

Esses investidores ganham em reais o resultado da variação do dólar para cima, mas também perdem dinheiro caso aquela moeda se desvalorize.

O que é Swap

É nesse contexto que surge o swap, uma das muitas formas de operações com derivativos. Swap vem do verbo to swap, que significa, em português, “trocar”.

Consiste na troca de riscos entre duas partes, que pretendem proteger seus lucros ou investimentos. O mais comum é o swap feito com o Banco Central.

Suponhamos que aquele produtor quer proteger o contrato contra uma possível desvalorização do dólar. O ideal seria que ele só efetuasse a venda na data do pagamento, assim não correria riscos. A questão é que, em se tratando de comércio internacional, os volumes são gigantescos e são feitos por encomenda.

Portanto, é natural que os contratos sejam feitos com antecedência, até porque o setor produtivo, em caso de grandes volumes, produz sobre demanda, ou com base em estimativas de vendas.

Então, essa possibilidade é nula. O jeito é buscar formas de proteger o preço do contrato. Uma dessas formas é negociar o contrato no mercado futuro. É quando o produtor vende seu direito a um investidor, antecipando, inclusive, a receita no valor da cotação presente do dólar. Assim, ele recebe exatamente o preço com o qual negociou a venda.

O investidor, por sua vez, obtém a oportunidade de lucrar com o ágio decorrente de uma eventual valorização do dólar. Da mesma forma, o próprio exportador poderia lucrar com essa variação, mas preferiu assegurar sua lucratividade e obter capital de giro.

O swap é uma operação um tanto quanto mais complexa que o mercado futuro, que tem a finalidade clara de eliminar os riscos. Do outro lado, a empresa que realiza a troca do indexador, geralmente um banco, também pretende lucrar com uma variação positiva do dólar.

Suponha que o exportador pegou o contrato de R$ 800 mil e negociou com o Banco Central a troca dos indexadores. Doravante, ele passou a ter o contrato vinculado à taxa DI, que é a taxa referencial de crédito entre instituições financeiras. Ao final de três meses, ele receberá os R$ 800 mil + DI no período.

Nesse caso, o banco está pagando esse ágio. Se for de 0,75%, o banco pagará ao exportador R$ 800 milhões + 0,75%, equivalente a R$ 806 milhões. Em compensação, se o dólar tiver uma variação para cima de 2%, o banco lucrará R$ 10 milhões na operação, já que o contrato em dólar valerá R$ 816 milhões.

Podemos dizer, portanto, que o termo swap, “troca”, descreve com perfeição esse tipo de operação, que envolve uma troca de direitos, riscos e oportunidades. No caso acima, todos saíram ganhando, de acordo com suas próprias perspectivas. O banco poderia, no entanto, sair perdendo caso o dólar se desvalorizasse ou mesmo se valorizasse abaixo do indexador negociado com o exportador, no caso, o DI.

Outras formas de swap

A forma descrita acima é a mais comum, porém não a única de fazer swap. Sempre que alguém tem um direito e deseja proteger o seu valor de riscos, tendo, do outro lado, um investidor que vê a troca como oportunidade, existe a possibilidade da realização de uma operação de swap.

Sendo assim, as operações swap podem envolver:

– câmbio;

– índices;

– indexadores;

commodities.

Repare que todos os ativos acima são caracterizados pela volatilidade. Por conta disso, as operações de swap realizadas pelo banco central não são exatamente visando obter lucro, mas manter a estabilidade cambial.

Eu posso fazer um swap?

Como podemos perceber, as operações de swap estão mais ligadas a grandes volumes, mas isso não significa que você não possa fazer esse tipo de operação.

Caso você tenha um CDB pré-fixado junto a um banco e entenda que o CDB indexado tende a entregar maiores ganhos no vencimento do título, pode procurar outro banco para fazer a troca por um papel pós-fixado. Caso você esteja certo, aumentará seus ganhos.

O que é mercado futuro?

Mercado futuro é uma modalidade de investimento em que o investidor compra um contrato com realização do pagamento num tempo futuro.

É bem verdade que falar em mercado futuro pode parecer algo um tanto quanto inadequado, uma vez que todo investimento (veja mais) nada mais é que uma perspectiva de lucrar num tempo futuro com o investimento feito no presente.

Quando você investe em renda fixa, por exemplo, se o contrato é pré-fixado, você sabe que obterá um ganho já determinado numa data acordada com quem emitiu o título.

No caso de aplicação pós-fixada, você sabe que obterá um ganho sobre o capital aplicado, que variará de acordo com a oscilação do índice usado para indexar o contrato.

Ao investir no mercado de ações você tem a expectativa de que o seu papel se valorize no futuro, de modo a você obter ganhos sobre o capital. Da mesma forma, espera que a empresa aumente seus lucros gradativamente, gerando proventos cada vez mais generosos, que você pode ou não reinvestir naquela ação.

Em todos os casos citados há uma variável intrigante, que é o grau de previsibilidade. No caso dos investimentos em renda fixa pré-fixados, você tem 100% de previsibilidade quanto aos seus ganhos, mas isso não quer dizer que não haja riscos. Embora o ganho seja garantido em relação ao capital investido, você corre o risco de perder para o mercado.

Suponha que você faça um investimento em LCI pré-fixado para ganhar 15% em dois anos. Suponha, ainda, que nesse mesmo período a inflação dispare os mesmos 15% e a taxa Selic suba para 18% (Sim, um cenário pouco provável dada a tendência atual). Certamente, os contratos que estavam indexados poderão obter maior ganho.

No caso do investimento em ações, você corre o risco de ver a empresa em que você apostou entrar em trajetória de queda, levando à desvalorização das suas ações. Portanto, o risco é maior, e é por isso que você aprende que investir em renda variável oferece maiores possibilidades de ganho, mas também maiores riscos de perda.

Quando investe em ações, você pode acabar perdendo parte do capital investido, o mesmo ocorrendo no mercado futuro. Em qualquer das hipóteses, no entanto, o que está em questão, o que vai determinar o tamanho e o custo da oportunidade, é o conhecimento que você tem sobre aquilo em que está investindo.

Ou você se aprofunda na capacitação para a leitura dos indicadores ou conta com um analista de investimentos de confiança. O importante é que o seu investimento seja fundamentado.

Como funciona o mercado futuro

Se todos os investimentos são focados na obtenção de ganhos no futuro, por que haveria um investimento que se chama “mercado futuro”?

Primeiramente, por que mercado?

Quando falamos em mercado, estamos pensando em diversos players e indicadores. Estamos pensando em condições que mudam de tempos em tempos.

mercado futuro

Quantas vezes você já ouviu falar que o preço do boi gordo diminuiu ou aumentou no mercado internacional? É porque o preço depende de uma correlação de forças, basicamente, a oferta e a procura. Da mesma forma, o ganho obtido com exportações dependerá da variação da força da moeda local. Se ela se valoriza frente ao dólar, o ganho na exportação será maior em reais, já que a moeda em que é firmada a maioria dos contratos internacionais é o dólar.

Imagine como funciona a dinâmica de formação de preço de quem produz, vende e compra commodities. Vamos ao caso de um produtor de milho. Esse produtor não espera a colheita para vender sua produção, pois, caso o fizesse, correria o risco de perder grande parte de sua produção por não obter compradores a tempo.

O mesmo acontece, por exemplo, com o gado de corte e com praticamente toda a atividade econômica.

No caso do produtor de milho em questão, ele terá uma estimativa da produção e tentará vender o produto antes mesmo do plantio, de modo a ter garantido o retorno sobre o investimento feito em compra de sementes e plantio, entre outros custos.

Do outro lado, há um comprador, que espera receber a encomenda e, para isso, também precisa antecipar a compra. Por qual preço você acha que eles deveriam fechar essa transação, levando em conta que o pagamento e recebimento da mercadoria só acontecerá dentro de hipotéticos 4 meses?

Sabemos, afinal, que o preço das commodities oscila de acordo com uma série de variáveis macroeconômicas. Sendo assim, as duas partes fixam como preço o valor de mercado futuro, aquele relativo à data em acontecerá o pagamento.

Uma vez firmado o contrato, o produtor de milho precisará de capital de giro para começar a preparar a próxima lavoura e pagar as despesas, uma vez que grande parte do seu capital foi investido na lavoura anterior.

Uma possibilidade é ele pegar um empréstimo para irrigar seu caixa, mas terá que pagar juros por isso, o que reduzirá sua margem de lucro. A outra é vender o contrato para investidores em mercado futuro. Nesse caso, ele recebe o valor de mercado presente ou com um pequeno deságio para um investidor em mercado futuro.

Esse investidor espera que até a data do pagamento do contrato o preço daquele produto oscile para cima, situação em que ele sairá ganhando. O mais interessante, no entanto, é que essa variação é atualizada diariamente pela Bolsa de Valores, que é o ambiente de negócios onde são negociados esses contratos.

O investidor em mercado futuro pode revender o direito e antecipar a realização do lucro a qualquer momento. Ou, claro, na data do vencimento.

Sendo assim, o produtor antecipa receitas e lucro, enquanto o investidor ganha com o aumento do preço. Porém, pode acontecer o contrário, que é o valor de mercado do produto cair e o investidor perder dinheiro.

É por essa razão que temos sempre que afirmar que o investidor precisa saber em que e por que está investindo. Não é aleatório, pois a aleatoriedade anda de braços dados com os prejuízos.

Como investir em mercado futuro

Na verdade, você investe em mercado futuro da mesma forma que investe em ações. Basta ter uma conta em uma corretora de valores. Os contratos são negociados da mesma forma.

A diferença é que você precisa dar uma garantia à corretora, que é de no máximo 16% sobre o valor do investimento, para o caso de você ter prejuízo na operação.

Outra diferença é a alavancagem. Suponha que você tenha indicadores seguros de que o preço da commodity vai subir. Só que você tem somente R$ 100 mil para investir. Sua expectativa é de ganho de 10%, portanto R$ 10 mil.

Pensando em alavancar esse lucro, você pode investir R$ 400 mil, mesmo sem ter o valor. Nesse caso, você precisa dar garantias de que tem condições de pagar o prejuízo ampliado em caso de perda. Se tudo der certo, você ganhará R$ 40 mil, ou seja, quatro vezes mais do que ganharia se houvesse investido somente os R$ 100 mil.

Além das commodities, é possível investir no mercado futuro de índices, como Ibovespa e S&P500, e moedas, como o dólar.

 

 

 

 

 

 

 

Vale a pena comprar ações da Cosan?

Ações da cosan

Bem vindo à Cosan, uma daquelas empresas capazes de encher o brasileiro de orgulho, cujo core business é gerar excelência em energia, com sustentabilidade. Nascida em 1936, na cidade de Piracicaba, São Paulo, como Costa Pinto, nome da usina de cana de açúcar que deu origem ao império industrial e tecnológico atual.

A Cosan é um dos maiores conglomerados econômicos do país atendendo a setores estratégicos da economia com suas soluções, dentre os quais o agronegócio, a produção e distribuição de combustíveis, gás natural e lubrificantes.

Ações da Cosan

Com 80 anos de atuação no mercado, a Cosan tem em seu portfólio empresas de alto valor estratégico e em geração de receitas, com destaque para a Raízen, produto de uma joint venture com a Shell. A Raízen é a segunda maior distribuidora de combustíveis do país, além de ser a maior fabricante de etanol da cana-de-açúcar do mercado nacional. No segmento de distribuição de açúcar da cana, ocupa a liderança mundial em exportações.

A Comgás é outra força competitiva do grupo, atuando no ramo de gás natural, atendendo a usinas de termogeração, segmentos industriais, automotivo, comercial e residencial.

A Moove é outra menina dos olhos da companhia. Produtora de lubrificantes, é fabricante e distribuidora da marca Mobil no Brasil, porém sua atuação é global, participando do mercado de distribuição de marcas profissionais de lubrificantes.

Os fundamentos estratégicos, assim como o alto nível de gestão, governança e transparência, levaram a companhia a estar listada, desde 2005, no mais alto nível de governança corporativa na B3.

Rotina de expansão global

A rotina da Cosan nos últimos anos é de expansão global. Em 2015, firmou uma joint venture com a empresa japonesa Sumitomo para se tornar o primeiro fabricante de pellets de cana de açúcar.

Em 2016, a Moove obteve o direito de distribuir os produtos Mobil com exclusividade para a Espanha. No ano seguinte, a Raízen concluiu a aquisição das usinas da Tonon, que possibilitou o aumento da capacidade de moagem de cana de açúcar para 73 milhões de toneladas por safra.

Em 2018, a Raízen ampliou sua atuação na Argentina ao adquirir o downstream da Shell, passando a operar uma refinaria e a logística de distribuição de combustíveis, com capacidade para atender a mais de 600 postos.

Resultados financeiros

No balancete divulgado em 30 de junho de 2019, a empresa apresentou uma receita líquida de R$ 3,34 bilhões, com um lucro líquido de R$ 418,27 milhões. Ampliando para os doze meses anteriores, a Cosan obteve uma receita líquida de R$ 12,2 bilhões, com um lucro líquido de R$ 2,2 bilhões e margem líquida de 18%.

A Cosan soma um total de R$ 29,7 bilhões em ativos, contra uma dívida bruta de R$ 11,7 bilhões. A dívida líquida é de R$ 8,5 bilhões, enquanto o ativo circulante é de R$ 8,4 bilhões.

Isso significa que a empresa não tem uma posição tão confortável com relação ao endividamento. A liquidez corrente é de 1,75, o que significa dizer que para cada real de dívida, a empresa possui R$ 1,75 para pagamento no curto prazo. Não obstante, a empresa, gerando mais de R$ 2 bilhões de lucro líquido anual, tem plenas condições de pagamento.

A geração de receitas vem se mantendo estável desde 2014, variando entre 1,8 e 3 bilhões de reais, pelo menos até o último trimestre de 2018. Como já relatado, a receita líquida no segundo trimestre de 2019 alcançou os R$ 3,34 bilhões, mostrando trajetória de crescimento para a companhia.

A boa notícia é que no mesmo período a margem bruta fez uma curva para cima, sinalizando que, ao mesmo tempo em que ampliou as receitas, a companhia obteve um melhor controle sobre os custos. A questão é acompanhar, a partir do terceiro trimestre, se essa trajetória se mantém.

Inclusive, a Cosan apresentou resultado financeiro positivo pela primeira vez em nove anos no segundo trimestre de 2019, assim como o lucro foi recorde em relação a todos os trimestres desde 2012.

CSAN3

Em maio de 2006 a CSAN3 foi negociada a R$ 36,56. Esse pico só foi alcançado novamente em maio de 2013, mas a desaceleração da economia chinesa obrigou as empresas a redesenharem suas estratégias para o comércio internacional.

Naquele período, até 2016, a empresa enfrentou dias difíceis, com queda em receitas. Em agosto de 2015, a ação chegou a cair para menos de R$ 16,00, acompanhando as dificuldades da companhia.

Quem manteve as ações, mesmo nos períodos de crise, confiando nos fundamentos da empresa, acabou obtendo grande valorização sobre o capital, já que a ação era cotada em R$ 57,22 em 25 de outubro de 2019.

Só em 2019, a ação valorizou 74,77%. Mesmo assim, o valor de mercado, em relação ao valor patrimonial, é 2,38 vezes superior. O lucro por ação é de R$ 5,48, o que significa que o valor patrimonial levaria dois anos e meio para cobrir o valor de mercado, indicativo claro de que a ação ainda vai subir.

Vale a pena investir?

Empresa em expansão, com forte geração de caixa, ampliando sua participação de mercado, gerando margem de lucro de aproximadamente 20% em relação à receita. Dívida coberta pelo ativo circulante mais dois anos de lucro.

Atuação em um mercado em que seus produtos são essenciais para o setor industrial. Posicionada em outros países, com ótimos fundamentos estratégicos.

Essa é a Cosan. Porém, segundo o Credit Suisse, a tendência é de que o preço da ação tenha um recuo de 11%. Não parece improvável que isso aconteça, uma vez que a empresa ainda está longe de ser uma boa pagadora de dividendos. O Yield é de 1,7%.

Numa boa estratégia para a CSAN3, os proventos seriam um plus, contribuindo para elevar, no médio e longo prazo, o ganho sobre o capital, caso, evidentemente, reinvestido na companhia. O ganho principal, no entanto, ficaria por conta do aumento do valor de mercado, que, a se manterem os indicadores atuais, virá nos próximos anos, seguindo a trajetória de crescimento da companhia.

É evidente que turbulências podem surgir, como a crise de 2008 e a crise das commodities, além do negócio da empresa estar condicionado por fatores naturais, mas a história mostra claramente que a Cosan sai sempre mais forte das crises e continua crescendo.

Quem quiser confiar no Credit Suisse, que merece todo o crédito, pode aguardar a queda para comprar com maior desconto. Como o forte da empresa não são os dividendos, é esperado que, em algum momento, haja um movimento de realização de lucro.

Em suma, para quem quer investir numa empresa forte no longo prazo, a Cosan é uma ótima opção para colocar na carteira. E quem diz isso é o relatório da Elevan Financial, baseando-se na demanda mundial crescente por biocombustíveis e na tendência de elevação do preço do açúcar.