Teoria monetária e os ciclos econômicos

Costuma-se dizer com bastante frequência que o capitalismo é cíclico, no sentido de que momentos de bom crescimento econômico sempre se alternam com momentos péssimos para a economia, muitas vezes com devastadoras depressões econômicas como a famosa crise de 1929, a crise dos subprime de 2008, e diversas outras, menos famosas, ao longo da história.

Essa suposta natureza cíclica da economia capitalista é utilizada como argumento para defende a ideia de que o capitalismo é um sistema falho, que necessariamente gera pobreza e desigualdade devido aos ciclos de retração. o problema com esse argumento é que ele falha no ponto principal ao não identificar o agente por trás das ações que levam ao ciclos contínuos de expansão e retração: O governo ou, mais especificamente, o Banco central, através de uma política monetária frouxa e emissão frenética de moeda.

A natureza cíclica da economia, portanto, não é algo inerente ao sistema capitalista por si só, mas sim a um capitalismo marcado por forte intervenção estatal no controle da moeda, precisamente o oposto do que o sistema de livre mercado propõe.

Nesse sentido, conhecer as diferentes teorias monetárias mostra-se essencial para entender o porquê crises econômicas surgem com frequência quase previsível e qual a solução adequada.

O surgimento da teoria monetária moderna

A moderna teoria monetária, baseada em grande medida em um afrouxamento da teoria clássica, com a consequente possibilidade de utilização pelo governo da emissão de moeda como forma de intervenção na economia, encontra alguns precedentes em outras teorias monetárias surgidas ao longo do século. A primeira delas, do economista alemão Georg Frederich Knapp, traz pela primeira vez a idéia de que o dinheiro é uma criatura do estado, ou seja, ele provém do estado e não possui valor nenhum por conta própria, derivando o seu valor da confiança dos demais players no cenário econômico mundial no emissor daquela moeda. Mais tarde, essa visão passou a ser conhecida como visão cartalista da moeda.

A teoria monetária moderna, derivando dessa visão cartalista, baseia-se essencialmente na defesa da política fiscal como o instrumento adequado para a promoção do pleno emprego e a utilização da emissão de moeda como forma de custeio do gasto público necessário para tal. Da concepção de que o valor da moeda deriva da confiança no estado emissor, chega-se a conclusão necessária de que ela é um passivo estatal, já que é quase como se o tomador daquele dinheiro aceitasse um papel inútil e sem valor intrínseco apenas pela confiança no seu emissor.

Isso gera um problema conceitual se imaginarmos que o governo, além da moeda, emite títulos públicos para se financiar (ou seja, emite um passivo) e, na hora de pagá-los, se utiliza da própria moeda – que também é um passivo – para pagá-los. Em essência, portanto, o governo nunca paga suas dívidas.

Os ciclos econômicos e as crises

O grande problema dessa teoria é a ideia subjacente de que o governo é a solução para tudo. Todos os problemas da sociedade podem ser resolvidos com gastos públicos, e esses gastos podem ser cobertos com sucessivas emissões de moeda, essencialmente trocando um passivo pelo outro.

É claro que esse tipo de ideia tende a favorecer uma gestão pública totalmente displicente e gastos governamentais crescentes – seguidos de ainda mais emissão de moeda – que em algum momento irão gerar um problema incontornável para a economia, com o colapso do poder de compra da moeda.

O argumento dos partidários dessa teoria é a de que nem sempre o aumento da oferta ou do estoque de moeda necessariamente irá causar inflação. Por um lado, isso pode ser verdade em alguns casos, como foi no caso da recente injeção de liquidez na economia americana feita pelo FED, que não causou aumento da inflação.

Teoria monetária moderna
Ludwig Von Mises

Embora a definição corrente de inflação seja a do aumento do estoque de moeda, a verdade é que esta não é uma definição totalmente precisa. Se utilizarmos a definição de inflação de Ludwig Von mises, um dos maiores expoentes da escola austríaca de economia, veremos que inflação é o resultado de duas condições concorrentes: aumento da oferta de moeda sem que haja aumento na demanda por essa moeda.

Assim, se o governo emite moeda, mas a demanda por essa aumenta de modo concorrente, pois o mercado como um todo também aumentou a produção de bens, buscando vendê-los, então não ocorre inflação.

Acontece que, a longo prazo, considerando que o estado pode sempre emitir moeda indefinidamente, é muito difícil que a demanda por essa moeda sempre aumente de forma concorrente e na mesma proporção, levando fatalmente ao aumento da inflação.

A teoria monetária moderna portanto, com seu perfil altamente heterodoxo, acaba incentivando uma certa atitude de sempre postergar o problema, “empurrando com a barriga” os problemas com mais e mais emissão de moeda, gerando um aumento artificial de liquidez na economia e suposto crescimento econômico, apenas para que a bolha estoure mais a frente e a economia seja jogada em uma vala de grande depressão. Assim, os ciclos de crescimento acelerado/ retração que são observados nas economias modernas se dão exatamente por causa da intervenção estatal demasiada, sempre buscando consertar problemas que nem existiriam em primeiro lugar se não fosse sua própria atuação.

 

O Fed e a injeção de liquidez emergencial na economia

O FED, o banco central, americano, recentemente tomou a decisão de injetar dinheiro emergencial na economia americana, o conhecido Quantitative easing, por meio do qual o banco central compra títulos de bancos privados como forma de fornecer maior liquidez as operações destes últimos e prorrogar ainda mais o atual ciclo de expansão econômica.

Como já tivemos a oportunidade de falar em outros posts, o controle da moeda pelo Banco central é uma das coisas mais nocivas para a saúde da economia a longo prazo. A injeção de liquidez emergencial recentemente anunciada pelo presidente do FED, Jerome Powell, apenas estica ainda mais a expansão artificial do crédito que gera um crescimento artificial, uma bolha econômica que estourará mais cedo ou mais tarde, resultando na próxima crise econômica mundial.

Quantitative easing
Jerome Powell, atual presidente do FED

Os mesmos padrões que precederam todas as crises econômicas anteriores começam a se repetir com cada vez mais intensidade, com o FED tentando de maneira desesperada alongar o atual ciclo de crescimento econômico.

As rodadas de Quantitative easing do FED e a próxima crise global

 

A injeção de liquidez artificial na economia americana durará até pelo menos o segundo trimestre de 2020, segundo palavras do próprio Jerome. Apesar disso, o Banco central americano fez um esforço hercúleo na comunicação a empresa para tentar passar a ideia de que essa compra de títulos em grande quantidade – 60 bilhões de dólares por mês ou pelo menos 540 bilhões de dólares no total – não se tratava de injeção de liquidez por ser composta de títulos de curta duração e não títulos de longo prazo como as outras rodadas de quantitative easing haviam sido, além do que o objetivo não seria o de afrouxar a política monetária, mas sim evitar que suas regras se tornem excessivamente restritivas.

Esse hilário jogo de palavras que não muda em nada o efeito prático das medidas adotadas – aumentar as reservas do sistema bancário, diminuindo as taxas de juros de curto e longo prazo, gerando um novo ciclo de expansão creditícia e crescimento artificial – traz ainda mais pistas sobre o real estado da economia americana e os prováveis próximos cenários.

Se o banco central americano precisa intervir para dar maior liquidez aos bancos – ainda que não admita e tente mudar nomenclaturas para jogar uma cortina de fumaça – há uma imensa probabilidade de que algo não esteja funcionando adequadamente com o mercado interbancário.

A taxa de juros é um dos principais sinais da saúde do sistema bancário e se ela permanece alta o suficiente para provocar uma reação do banco central americano para reduzi-la de modo artificial, temos uma provável conjectura de futura retração econômica. A causa subjacente dessa alta taxa de juros pode se dar, por exemplo, pela concessão de empréstimos de baixa qualidade a tomadores com péssima capacidade de pagamento nos primeiros momentos de bonança financeira e agora esteja tendo dificuldades para se livrar desses títulos, gerando uma crise de liquidez no setor bancário. Independentemente do real motivo, é fato que atacar o sintoma – a taxa de juros – e não o problema de fato não irá funcionar e só aumentará o problema, intensificando a gravidade da próxima crise econômica. De fato, o FED agiu da exata mesma forma nos momentos que precederam o estouro da bolha que culminou na crise de 2008. Quando se une isso a proliferação cada vez mais rápida de títulos com juros negativos nos países europeus, temos o delineamento de uma próxima grande crise.

 

O que é um Swap?

Swap

O swap é uma espécie de derivativo. Derivativos são contratos cujo valor esteja condicionado à variação de algum ativo, o que ocorre muito nos contratos de exportação e importação, em que o valor dos mesmos, em dólar, está atrelado à variação do preço daquela moeda no mercado.

É o que acontece, também, em investimentos pós-fixados, cujo valor do resgate dependerá da variação de um determinado índice, que pode ser, por exemplo, a Selic ou o IPCA.

Suponha que você é um produtor rural e realizou uma venda de US$ 200 mil em mercadoria para um comprador em outro país. Na data da venda, o dólar custava R$ 4,00. Sendo assim, você teria a receber R$ 800 mil, que é o preço em dólar convertido para a moeda local.

Você apurou que o custo total para produzir e escoar aquela mercadoria, incluídos os impostos, foi de R$ 600 mil. Sendo assim, o seu lucro previsto é de R$ 200 mil na operação.

Swap

O problema é que você efetuou a venda com antecedência de três meses. O pagamento, no entanto, só acontecerá ao final daquele período.

Essa situação é comum para empresas exportadoras, sejam elas do segmento de agronegócio, indústria ou extrativismo.

O problema é que sabemos o quanto o câmbio é volátil, uma situação que se tornou rotina desde que foi suprimida a paridade da moeda emitida com o ouro. Sendo assim, a própria moeda se tornou uma mercadoria, um ativo, que pode ou não se valorizar, razão pela qual você já deve ter ouvido falar de pessoas que investem em dólar, libra esterlina e outras moedas.

Esses investidores ganham em reais o resultado da variação do dólar para cima, mas também perdem dinheiro caso aquela moeda se desvalorize.

O que é Swap

É nesse contexto que surge o swap, uma das muitas formas de operações com derivativos. Swap vem do verbo to swap, que significa, em português, “trocar”.

Consiste na troca de riscos entre duas partes, que pretendem proteger seus lucros ou investimentos. O mais comum é o swap feito com o Banco Central.

Suponhamos que aquele produtor quer proteger o contrato contra uma possível desvalorização do dólar. O ideal seria que ele só efetuasse a venda na data do pagamento, assim não correria riscos. A questão é que, em se tratando de comércio internacional, os volumes são gigantescos e são feitos por encomenda.

Portanto, é natural que os contratos sejam feitos com antecedência, até porque o setor produtivo, em caso de grandes volumes, produz sobre demanda, ou com base em estimativas de vendas.

Então, essa possibilidade é nula. O jeito é buscar formas de proteger o preço do contrato. Uma dessas formas é negociar o contrato no mercado futuro. É quando o produtor vende seu direito a um investidor, antecipando, inclusive, a receita no valor da cotação presente do dólar. Assim, ele recebe exatamente o preço com o qual negociou a venda.

O investidor, por sua vez, obtém a oportunidade de lucrar com o ágio decorrente de uma eventual valorização do dólar. Da mesma forma, o próprio exportador poderia lucrar com essa variação, mas preferiu assegurar sua lucratividade e obter capital de giro.

O swap é uma operação um tanto quanto mais complexa que o mercado futuro, que tem a finalidade clara de eliminar os riscos. Do outro lado, a empresa que realiza a troca do indexador, geralmente um banco, também pretende lucrar com uma variação positiva do dólar.

Suponha que o exportador pegou o contrato de R$ 800 mil e negociou com o Banco Central a troca dos indexadores. Doravante, ele passou a ter o contrato vinculado à taxa DI, que é a taxa referencial de crédito entre instituições financeiras. Ao final de três meses, ele receberá os R$ 800 mil + DI no período.

Nesse caso, o banco está pagando esse ágio. Se for de 0,75%, o banco pagará ao exportador R$ 800 milhões + 0,75%, equivalente a R$ 806 milhões. Em compensação, se o dólar tiver uma variação para cima de 2%, o banco lucrará R$ 10 milhões na operação, já que o contrato em dólar valerá R$ 816 milhões.

Podemos dizer, portanto, que o termo swap, “troca”, descreve com perfeição esse tipo de operação, que envolve uma troca de direitos, riscos e oportunidades. No caso acima, todos saíram ganhando, de acordo com suas próprias perspectivas. O banco poderia, no entanto, sair perdendo caso o dólar se desvalorizasse ou mesmo se valorizasse abaixo do indexador negociado com o exportador, no caso, o DI.

Outras formas de swap

A forma descrita acima é a mais comum, porém não a única de fazer swap. Sempre que alguém tem um direito e deseja proteger o seu valor de riscos, tendo, do outro lado, um investidor que vê a troca como oportunidade, existe a possibilidade da realização de uma operação de swap.

Sendo assim, as operações swap podem envolver:

– câmbio;

– índices;

– indexadores;

commodities.

Repare que todos os ativos acima são caracterizados pela volatilidade. Por conta disso, as operações de swap realizadas pelo banco central não são exatamente visando obter lucro, mas manter a estabilidade cambial.

Eu posso fazer um swap?

Como podemos perceber, as operações de swap estão mais ligadas a grandes volumes, mas isso não significa que você não possa fazer esse tipo de operação.

Caso você tenha um CDB pré-fixado junto a um banco e entenda que o CDB indexado tende a entregar maiores ganhos no vencimento do título, pode procurar outro banco para fazer a troca por um papel pós-fixado. Caso você esteja certo, aumentará seus ganhos.

O que é mercado futuro?

Mercado futuro é uma modalidade de investimento em que o investidor compra um contrato com realização do pagamento num tempo futuro.

É bem verdade que falar em mercado futuro pode parecer algo um tanto quanto inadequado, uma vez que todo investimento (veja mais) nada mais é que uma perspectiva de lucrar num tempo futuro com o investimento feito no presente.

Quando você investe em renda fixa, por exemplo, se o contrato é pré-fixado, você sabe que obterá um ganho já determinado numa data acordada com quem emitiu o título.

No caso de aplicação pós-fixada, você sabe que obterá um ganho sobre o capital aplicado, que variará de acordo com a oscilação do índice usado para indexar o contrato.

Ao investir no mercado de ações você tem a expectativa de que o seu papel se valorize no futuro, de modo a você obter ganhos sobre o capital. Da mesma forma, espera que a empresa aumente seus lucros gradativamente, gerando proventos cada vez mais generosos, que você pode ou não reinvestir naquela ação.

Em todos os casos citados há uma variável intrigante, que é o grau de previsibilidade. No caso dos investimentos em renda fixa pré-fixados, você tem 100% de previsibilidade quanto aos seus ganhos, mas isso não quer dizer que não haja riscos. Embora o ganho seja garantido em relação ao capital investido, você corre o risco de perder para o mercado.

Suponha que você faça um investimento em LCI pré-fixado para ganhar 15% em dois anos. Suponha, ainda, que nesse mesmo período a inflação dispare os mesmos 15% e a taxa Selic suba para 18% (Sim, um cenário pouco provável dada a tendência atual). Certamente, os contratos que estavam indexados poderão obter maior ganho.

No caso do investimento em ações, você corre o risco de ver a empresa em que você apostou entrar em trajetória de queda, levando à desvalorização das suas ações. Portanto, o risco é maior, e é por isso que você aprende que investir em renda variável oferece maiores possibilidades de ganho, mas também maiores riscos de perda.

Quando investe em ações, você pode acabar perdendo parte do capital investido, o mesmo ocorrendo no mercado futuro. Em qualquer das hipóteses, no entanto, o que está em questão, o que vai determinar o tamanho e o custo da oportunidade, é o conhecimento que você tem sobre aquilo em que está investindo.

Ou você se aprofunda na capacitação para a leitura dos indicadores ou conta com um analista de investimentos de confiança. O importante é que o seu investimento seja fundamentado.

Como funciona o mercado futuro

Se todos os investimentos são focados na obtenção de ganhos no futuro, por que haveria um investimento que se chama “mercado futuro”?

Primeiramente, por que mercado?

Quando falamos em mercado, estamos pensando em diversos players e indicadores. Estamos pensando em condições que mudam de tempos em tempos.

mercado futuro

Quantas vezes você já ouviu falar que o preço do boi gordo diminuiu ou aumentou no mercado internacional? É porque o preço depende de uma correlação de forças, basicamente, a oferta e a procura. Da mesma forma, o ganho obtido com exportações dependerá da variação da força da moeda local. Se ela se valoriza frente ao dólar, o ganho na exportação será maior em reais, já que a moeda em que é firmada a maioria dos contratos internacionais é o dólar.

Imagine como funciona a dinâmica de formação de preço de quem produz, vende e compra commodities. Vamos ao caso de um produtor de milho. Esse produtor não espera a colheita para vender sua produção, pois, caso o fizesse, correria o risco de perder grande parte de sua produção por não obter compradores a tempo.

O mesmo acontece, por exemplo, com o gado de corte e com praticamente toda a atividade econômica.

No caso do produtor de milho em questão, ele terá uma estimativa da produção e tentará vender o produto antes mesmo do plantio, de modo a ter garantido o retorno sobre o investimento feito em compra de sementes e plantio, entre outros custos.

Do outro lado, há um comprador, que espera receber a encomenda e, para isso, também precisa antecipar a compra. Por qual preço você acha que eles deveriam fechar essa transação, levando em conta que o pagamento e recebimento da mercadoria só acontecerá dentro de hipotéticos 4 meses?

Sabemos, afinal, que o preço das commodities oscila de acordo com uma série de variáveis macroeconômicas. Sendo assim, as duas partes fixam como preço o valor de mercado futuro, aquele relativo à data em acontecerá o pagamento.

Uma vez firmado o contrato, o produtor de milho precisará de capital de giro para começar a preparar a próxima lavoura e pagar as despesas, uma vez que grande parte do seu capital foi investido na lavoura anterior.

Uma possibilidade é ele pegar um empréstimo para irrigar seu caixa, mas terá que pagar juros por isso, o que reduzirá sua margem de lucro. A outra é vender o contrato para investidores em mercado futuro. Nesse caso, ele recebe o valor de mercado presente ou com um pequeno deságio para um investidor em mercado futuro.

Esse investidor espera que até a data do pagamento do contrato o preço daquele produto oscile para cima, situação em que ele sairá ganhando. O mais interessante, no entanto, é que essa variação é atualizada diariamente pela Bolsa de Valores, que é o ambiente de negócios onde são negociados esses contratos.

O investidor em mercado futuro pode revender o direito e antecipar a realização do lucro a qualquer momento. Ou, claro, na data do vencimento.

Sendo assim, o produtor antecipa receitas e lucro, enquanto o investidor ganha com o aumento do preço. Porém, pode acontecer o contrário, que é o valor de mercado do produto cair e o investidor perder dinheiro.

É por essa razão que temos sempre que afirmar que o investidor precisa saber em que e por que está investindo. Não é aleatório, pois a aleatoriedade anda de braços dados com os prejuízos.

Como investir em mercado futuro

Na verdade, você investe em mercado futuro da mesma forma que investe em ações. Basta ter uma conta em uma corretora de valores. Os contratos são negociados da mesma forma.

A diferença é que você precisa dar uma garantia à corretora, que é de no máximo 16% sobre o valor do investimento, para o caso de você ter prejuízo na operação.

Outra diferença é a alavancagem. Suponha que você tenha indicadores seguros de que o preço da commodity vai subir. Só que você tem somente R$ 100 mil para investir. Sua expectativa é de ganho de 10%, portanto R$ 10 mil.

Pensando em alavancar esse lucro, você pode investir R$ 400 mil, mesmo sem ter o valor. Nesse caso, você precisa dar garantias de que tem condições de pagar o prejuízo ampliado em caso de perda. Se tudo der certo, você ganhará R$ 40 mil, ou seja, quatro vezes mais do que ganharia se houvesse investido somente os R$ 100 mil.

Além das commodities, é possível investir no mercado futuro de índices, como Ibovespa e S&P500, e moedas, como o dólar.

 

 

 

 

 

 

 

Vale a pena comprar ações da Cosan?

Ações da cosan

Bem vindo à Cosan, uma daquelas empresas capazes de encher o brasileiro de orgulho, cujo core business é gerar excelência em energia, com sustentabilidade. Nascida em 1936, na cidade de Piracicaba, São Paulo, como Costa Pinto, nome da usina de cana de açúcar que deu origem ao império industrial e tecnológico atual.

A Cosan é um dos maiores conglomerados econômicos do país atendendo a setores estratégicos da economia com suas soluções, dentre os quais o agronegócio, a produção e distribuição de combustíveis, gás natural e lubrificantes.

Ações da Cosan

Com 80 anos de atuação no mercado, a Cosan tem em seu portfólio empresas de alto valor estratégico e em geração de receitas, com destaque para a Raízen, produto de uma joint venture com a Shell. A Raízen é a segunda maior distribuidora de combustíveis do país, além de ser a maior fabricante de etanol da cana-de-açúcar do mercado nacional. No segmento de distribuição de açúcar da cana, ocupa a liderança mundial em exportações.

A Comgás é outra força competitiva do grupo, atuando no ramo de gás natural, atendendo a usinas de termogeração, segmentos industriais, automotivo, comercial e residencial.

A Moove é outra menina dos olhos da companhia. Produtora de lubrificantes, é fabricante e distribuidora da marca Mobil no Brasil, porém sua atuação é global, participando do mercado de distribuição de marcas profissionais de lubrificantes.

Os fundamentos estratégicos, assim como o alto nível de gestão, governança e transparência, levaram a companhia a estar listada, desde 2005, no mais alto nível de governança corporativa na B3.

Rotina de expansão global

A rotina da Cosan nos últimos anos é de expansão global. Em 2015, firmou uma joint venture com a empresa japonesa Sumitomo para se tornar o primeiro fabricante de pellets de cana de açúcar.

Em 2016, a Moove obteve o direito de distribuir os produtos Mobil com exclusividade para a Espanha. No ano seguinte, a Raízen concluiu a aquisição das usinas da Tonon, que possibilitou o aumento da capacidade de moagem de cana de açúcar para 73 milhões de toneladas por safra.

Em 2018, a Raízen ampliou sua atuação na Argentina ao adquirir o downstream da Shell, passando a operar uma refinaria e a logística de distribuição de combustíveis, com capacidade para atender a mais de 600 postos.

Resultados financeiros

No balancete divulgado em 30 de junho de 2019, a empresa apresentou uma receita líquida de R$ 3,34 bilhões, com um lucro líquido de R$ 418,27 milhões. Ampliando para os doze meses anteriores, a Cosan obteve uma receita líquida de R$ 12,2 bilhões, com um lucro líquido de R$ 2,2 bilhões e margem líquida de 18%.

A Cosan soma um total de R$ 29,7 bilhões em ativos, contra uma dívida bruta de R$ 11,7 bilhões. A dívida líquida é de R$ 8,5 bilhões, enquanto o ativo circulante é de R$ 8,4 bilhões.

Isso significa que a empresa não tem uma posição tão confortável com relação ao endividamento. A liquidez corrente é de 1,75, o que significa dizer que para cada real de dívida, a empresa possui R$ 1,75 para pagamento no curto prazo. Não obstante, a empresa, gerando mais de R$ 2 bilhões de lucro líquido anual, tem plenas condições de pagamento.

A geração de receitas vem se mantendo estável desde 2014, variando entre 1,8 e 3 bilhões de reais, pelo menos até o último trimestre de 2018. Como já relatado, a receita líquida no segundo trimestre de 2019 alcançou os R$ 3,34 bilhões, mostrando trajetória de crescimento para a companhia.

A boa notícia é que no mesmo período a margem bruta fez uma curva para cima, sinalizando que, ao mesmo tempo em que ampliou as receitas, a companhia obteve um melhor controle sobre os custos. A questão é acompanhar, a partir do terceiro trimestre, se essa trajetória se mantém.

Inclusive, a Cosan apresentou resultado financeiro positivo pela primeira vez em nove anos no segundo trimestre de 2019, assim como o lucro foi recorde em relação a todos os trimestres desde 2012.

CSAN3

Em maio de 2006 a CSAN3 foi negociada a R$ 36,56. Esse pico só foi alcançado novamente em maio de 2013, mas a desaceleração da economia chinesa obrigou as empresas a redesenharem suas estratégias para o comércio internacional.

Naquele período, até 2016, a empresa enfrentou dias difíceis, com queda em receitas. Em agosto de 2015, a ação chegou a cair para menos de R$ 16,00, acompanhando as dificuldades da companhia.

Quem manteve as ações, mesmo nos períodos de crise, confiando nos fundamentos da empresa, acabou obtendo grande valorização sobre o capital, já que a ação era cotada em R$ 57,22 em 25 de outubro de 2019.

Só em 2019, a ação valorizou 74,77%. Mesmo assim, o valor de mercado, em relação ao valor patrimonial, é 2,38 vezes superior. O lucro por ação é de R$ 5,48, o que significa que o valor patrimonial levaria dois anos e meio para cobrir o valor de mercado, indicativo claro de que a ação ainda vai subir.

Vale a pena investir?

Empresa em expansão, com forte geração de caixa, ampliando sua participação de mercado, gerando margem de lucro de aproximadamente 20% em relação à receita. Dívida coberta pelo ativo circulante mais dois anos de lucro.

Atuação em um mercado em que seus produtos são essenciais para o setor industrial. Posicionada em outros países, com ótimos fundamentos estratégicos.

Essa é a Cosan. Porém, segundo o Credit Suisse, a tendência é de que o preço da ação tenha um recuo de 11%. Não parece improvável que isso aconteça, uma vez que a empresa ainda está longe de ser uma boa pagadora de dividendos. O Yield é de 1,7%.

Numa boa estratégia para a CSAN3, os proventos seriam um plus, contribuindo para elevar, no médio e longo prazo, o ganho sobre o capital, caso, evidentemente, reinvestido na companhia. O ganho principal, no entanto, ficaria por conta do aumento do valor de mercado, que, a se manterem os indicadores atuais, virá nos próximos anos, seguindo a trajetória de crescimento da companhia.

É evidente que turbulências podem surgir, como a crise de 2008 e a crise das commodities, além do negócio da empresa estar condicionado por fatores naturais, mas a história mostra claramente que a Cosan sai sempre mais forte das crises e continua crescendo.

Quem quiser confiar no Credit Suisse, que merece todo o crédito, pode aguardar a queda para comprar com maior desconto. Como o forte da empresa não são os dividendos, é esperado que, em algum momento, haja um movimento de realização de lucro.

Em suma, para quem quer investir numa empresa forte no longo prazo, a Cosan é uma ótima opção para colocar na carteira. E quem diz isso é o relatório da Elevan Financial, baseando-se na demanda mundial crescente por biocombustíveis e na tendência de elevação do preço do açúcar.

 

Ações da WEG Industries: Vale a pena?

Ações da weg industries

Se você quer saber quem é a WEG, podemos dizer que a WEG é a empresa dos sonhos. Com um negócio simples e claro, mas pautado pelo compromisso com a inovação e políticas sustentáveis, a companhia é uma referência e um aceno positivo ao investimento no setor industrial brasileiro.

Se WEGE3 é um bom investimento, isso será visto mais à frente, mas não há como negar que a WEG é uma ótima empresa, não só pelos números financeiros apresentados, mas, principalmente, por sua visão estratégica e visão de mundo atualizada, o que se estende à sua filosofia de gestão e governança.

Ações da Weg Industries

A WEG surgiu em Jaraguá do Sul, Santa Catarina, em 16 de setembro de 1961, fruto da inspiração de três profissionais: um mecânico, um eletricista e um administrador. Surgia dali uma das grandes indústrias do Brasil e um dos maiores fabricantes de equipamentos elétricos do planeta.

Não se pode dizer, no entanto, que seja este o core business da empresa. Seria melhor defini-lo como tecnologia para indústria, embora atenda a outros segmentos. Já na década de 80 do século passado, a WEG já produzia componentes eletroeletrônicos, transformadores de força e distribuição, tintas e vernizes eletroisolantes. Além disso, a companhia já desenvolvia soluções para automação industrial.

Em seu portfólio, a indústria catarinense produz soluções para diversas áreas, como o agronegócio, a indústria naval, construção civil, indústria de óleo e gás, papel e celulose, açúcar e etanol, siderurgia, mineração e para a área de saneamento, com foco em geração de energia, mobilidade elétrica, eficiência energética e indústria 4.0.

Sua ação no terreno da sustentabilidade inclui a geração de energia a partir de resíduos sólidos e a geração de energia solar. Para concluir o resumo, a empresa está focada em entregar aos seus clientes soluções capazes de reduzir custos e melhorar os controles de performance e emissão de poluentes no meio ambiente.

Nem é preciso dizer que a empresa ostenta fundamentos estratégicos invejáveis, que vêm assegurando, há décadas, o seu crescimento contínuo, como a própria faz questão de salientar.

Histórico recente

Além do portfólio variado de produtos, nichos de atuação e clientes, a empresa possui uma clara estratégia de expansão global. Atualmente, investe US$ 20 bilhões na construção, em Hosur, na Índia, de uma fábrica para produção de motores elétricos de baixa tensão.

O plano é que a nova unidade produza 250 mil motores por ano, assim como deve entrar em operação em 2021, levando em conta que a unidade de produção está sendo produzida em um parque industrial onde a empresa já tem uma fábrica. A iniciativa gerará, segundo a WEG, 320 novos empregos, além de ampliar a capacidade de distribuição em um mercado com alto potencial.

Saindo da seara estratégica para a financeira, a empresa apresenta dados realmente impressionantes. Fechou o segundo trimestre de 2019 com receita líquida de R$ 3,3 bilhões, gerando um lucro líquido de R$ 418,2 milhões.

Apesar da estratégia de expansão, a WEG apresenta dívida líquida negativa de R$ 470 milhões e um patrimônio líquido de R$ 8,3 bilhões, enquanto seus ativos somam R$ 15,5 bilhões. A dívida bruta é de R$ 3 bilhões.

Entre julho de 2018 e junho de 2019, obteve um lucro líquido de R$ 1,5 bilhão, mesmo investindo em expansão. A liquidez corrente, que é a divisão do ativo circulante pelo passivo circulante, é de 2,13, mostrando que a empresa tem ótima capacidade de pagamento e um fluxo de caixa bastante saudável.

Para termos uma ideia do potencial de crescimento da WEG, a empresa saltou de uma receita liquida de pouco mais de R$ 900 milhões, no primeiro trimestre de 2010, para R$ 3,3 bilhões no segundo trimestre de 2019. Na receita anual, o salto foi, entre 2010 e 2018, de R$ 4,2 bilhões para R$ 12,5 bilhões, sendo que o lucro subiu na mesma proporção, de R$ 550 milhões para R$ 1,35 bilhão.

WEGE3

O preço da WEGE3 acompanha a trajetória da companhia de forma consistente, embora, talvez, um pouco acelerada, tendo saltado de R$ 14,77, em maio de 2017, para os R$ 26,10 registrados no dia 24 de outubro de 2019.

Com isso, a ação está sendo negociada por um valor que é, atualmente, 6,58 vezes o seu valor patrimonial.

Não se pode dizer que a empresa apresentará uma queda no longo prazo, já que seus fundamentos são muito fortes. Qualquer oscilação não deve provocar abalos, mas não há dúvidas de que a ação é cara, tende a desacelerar e, para complica mais um pouco, o pagamento de dividendos não justifica um investimento em valor. O Yield da companhia está na casa de 1,4% ao ano. Ou seja, bem abaixo do que você pode obter com renda fixa.

Exceto aconteça uma daquelas hecatombes do mercado e o preço caia para algo na casa dos R$ 10,00 a R$ 15,00, ao que tudo indica, é melhor procurar uma ação de um empresa com fundamentos tão bons quanto mas que esteja atualmente desvalorizada. (Veja como em: https://magodomercado.com/aprenda-como-investir-na-bolsa-de-valores-comecando-do-zero/)

O que é o FED?

FED

FED (Federal Reserve Bank) nada mais é que o Banco Central dos Estados Unidos, cujas funções em muito se assemelham às do BACEN, o Banco Central do Brasil.

A diferença essencial entre os dois bancos é que, ao contrário do que acontece com o BC, o FED tem, em sua gestão, a interferência direta do sistema financeiro privado, o que significa dizer, em outras palavras, que os bancos privados dos Estados Unidos possuem forte interferência nas decisões econômicas do país, que, por conseguinte, afetam toda a economia mundial, dada a importância e força da economia local.

Apesar do poder do sistema financeiro privado dos Estados Unidos sobre as decisões econômicas ser mais evidente, há dois aspectos que precisam ser ponderados:

– o presidente e o vice-presidente do FED são nomeados pelo presidente da República, assim como no BC;

– o fato de não ter assento no Conselho Diretor do BC não significa que o sistema financeiro privado brasileiro não exerça forte influência sobre as decisões econômicas do governo.

Em outras palavras, podemos dizer que a diferença ocorre mais na questão normativa e estrutural do que na prática, sendo, inclusive, natural que isso aconteça, pois, tanto aqui, quanto lá, o sistema financeiro privado exerce papel preponderante na economia. Nesse sentido, o FED pode ser visto como um dos principais responsáveis pela natureza cíclica da economia americana, criando muitos ciclos expansionistas através da injeção artificial de capital que fatalmente leva a uma contração futura e a uma consequente crise econômica mais cedo ou mais tarde.

Decisões do FED afetam o mundo

O que faz realmente a diferença entre o BACEN e o FED é que a força política desse último, materializada pela presença dos bancos privados no controle das decisões do FED, ultrapassa em larga escala as fronteiras dos Estados Unidos.

o que é o FED

A razão para isso é que o dólar é a moeda referencial global, havendo um volume gigantesco de contratos na moeda estadunidense. Sendo assim, as decisões do FED afetam toda a economia mundial, uma vez que cabe àquela instituição a determinação, aplicação e controle da política monetária dos Estados Unidos.

Não é por outra razão que todo o mercado global fica à espreita das decisões do Banco Central Americano, como a recente queda dos juros, que, em tese, transferiria dinheiro para o investimento no setor produtivo e no consumo.

Numa outra interpretação, no entanto, essa medida poderia dar a entender que o FED estaria adotando uma política anticíclica, visando enfrentar um possível desaquecimento da economia mundial, que vem sendo alardeado pelos especialistas, sobretudo desde que a China parou de crescer a uma velocidade vertiginosa, o que chegou a afetar o preço das commodities no Brasil, trazendo problemas, inclusive, para as contas públicas.

A queda na taxa de juros pode significar, ainda, uma saída de capital investidor dos Estados Unidos, com transferência para mercados que entregam maior rendimento passivo. Essa é uma questão que precisa ser ponderada nas decisões do FED, que, como você pode perceber, funciona, a exemplo do Banco Central, como uma espécie de ferramenta de regulagem da economia estadunidense e, consequentemente, da economia mundial.

Aliás, há outro aspecto importante que diferencia o FED e o BC. É que o FED, ao contrário do BC, tem total autonomia em relação a qualquer instituição governamental. No caso do BC, possuem assento no Conselho o Ministério da Economia e a CVM (Comissão de Valores Mobiliários), que participam das decisões relacionadas aos vetores financeiros da economia nacional.

Outra diferença, que é mais estrutural, mas vale a pena pontuar, é que a compra e venda de títulos do Tesouro dos Estados Unidos não é uma atribuição direta do FED, mas do FOMC (Federal Open Market Comitte), que é, na verdade, um braço do FED, que tem também a atribuição de regulamentar e supervisionar as operações de mercado aberto.

Vamos falar sobre as principais atribuições do FED e de que forma o exercícios das mesmas interfere na economia local e, consequentemente, na economia mundial.

Compra e venda de títulos

Já que falamos no FOMC, vamos falar sobre a compra e venda de títulos do Tesouro.

Sabemos, efetivamente, que a distribuição ao mercado de títulos do Tesouro é uma forma de financiar investimentos governamentais. Esse é, certamente, o melhor dos mundos, pois se trata de uma modalidade de crédito, cujo tomador é o governo, que, em troca, remunera, dentro de um determinado prazo, esse investimento com juros.

Sabemos que a obtenção de crédito para investimento é uma forma salutar de endividamento, uma vez que o desenvolvimento obtido em razão desse financiamento acaba por gerar novos ativos, que são geradores de divisas para o país.

O ruim é quando essa emissão de títulos é feita para captação de dinheiro para pagamento das despesas, pois não há geração de novos ativos. E a situação seria bem pior se essa captação tivesse como finalidade o financiamento da dívida pública. Nesse caso, além de ficar claro que o governo não gera receitas suficientes para pagar suas despesas, a dívida tende a crescer de forma acelerada.

Tudo isso é muito importante, mas é preciso salientar que numa economia extremamente ancorada no sistema financeiro a emissão de títulos adquire um novo papel, que é o controle de dinheiro no mercado real. Em outras palavras, podemos, em algum momento, ver o FED fazendo a recompra dos títulos emitidos para irrigar a economia com dólares.

Trata-se de uma política para gerar consumo e investimentos no setor produtivo, ou seja, uma política expansionista. No caso contrário, no da emissão de mais títulos, o propósito é tirar dinheiro do mercado para, por exemplo, controlar a inflação.

Taxa de Juros

O que nos traz à taxa de juros, que corresponde à nossa Selic, cuja principal finalidade é regular o preço do crédito às empresas e ao consumidor.

Juros baixos contribuem para o barateamento do crédito e, consequentemente, para o aquecimento da economia, pelo menos em tese. Temos visto no Brasil um efeito diferente, em que a queda da taxa de juros não tem contribuído para baratear o crédito, tampouco para reaquecer a economia nacional.

É porque essa retomada carece de outros fatores, como renda, emprego, risco de inadimplência e investimentos governamentais, mas esse é outro assunto. A importância de incluí-lo no tema em questão é ampliar a visão econômica, evidenciando que a economia não é uma ciência exata, assim como a política monetária. Os efeitos serão diferentes dependendo de em que contexto são aplicadas as respectivas medidas.

Para concluir, o aumento dos juros atrai dinheiro para o mercado financeiro. No caso contrário, com a queda dos juros, a expectativa é de que o dinheiro retorne para a economia real.

Emissão de moeda

Cabe, também, ao FED, o controle da emissão da moeda dos Estados Unidos, o dólar.

A quantidade de papel moeda no mercado também influencia diretamente a economia local e mundial, uma vez que o dólar funciona como uma espécie de moeda de referência.

A emissão excessiva de moeda pode afetar a cotação da mesma no mercado, reduzindo seu valor frente aos seus pares, já que, como em qualquer aspecto da economia, é regida pela lei da oferta e da procura. Havendo uma oferta exagerada, o dólar se desvaloriza.

Como cabe ao FED a tarefa de manter o equilíbrio da economia, esse controle é vital para não gerar desequilíbrios, que podem levar até mesmo a um processo inflacionário, sobretudo porque, ao contrário do que ocorreu em outros tempos, a emissão de moeda não é lastreada em um valor real, que, ao longo da história, foi a prata e, posteriormente, o ouro.

O valor que lastreia a moeda nos dias atuais é a credibilidade do governo e o bom senso, variáveis que nem sempre estão presentes.

 

 

 

O que são juros sobre capital próprio?

Juros sobre capital próprio

Você já deve ter ouvido falar em juros sobre capital próprio. Essa modalidade de remuneração dos investidores no mercado de ação faz parte do noticiário de economia e quem vem buscando aprender um pouco mais sobre investimentos talvez tenha algum domínio sobre o tema.

Vamos tentar fazer uma explanação abrangente sobre o assunto, extrapolando a simples definição do que seja JCP, para aproveitar a oportunidade de orientar você um pouco mais sobre investir na Bolsa de Valores.

Como foi dito no primeiro parágrafo, juros sobre capital próprio é uma forma de remuneração dos investidores no mercado de ações. Sobre as formas como um investidor obtém ganhos sobre o capital investido, elas são duas:

– valorização da ação;

– distribuição dos lucros pelos acionistas.

A valorização da ação é decorrente de dois aspectos chave: desempenho da companhia e forma como o mercado percebe o valor da ação.

O desempenho da companhia é, ou deveria ser, o melhor indicador para determinar o preço de uma ação. Em outras palavras, se uma companhia possui bons fundamentos, lucratividade constante e uma boa estratégia de crescimento, é natural que a ação se valorize, espelhando, inclusive, o valor futuro.

Nem sempre isso acontece na prática, pois grande parte dos investidores não atenta para os fundamentos da empresa e sim para a volatilidade do mercado. É mais comum vermos pessoas acompanhando nervosamente os gráficos, em busca de oportunidades de altos lucros no curto prazo, o que, como veremos mais à frente, exclui os ganhos com JCP.

Muitos atribuem a tal comportamento um caráter meramente especulativo, uma vez que interpretam, ou buscam interpretar, movimentos do mercado, muito tratado pela mídia como humor dos investidores, que nada mais é que a busca de tentar antecipar como uma série de fatores macroeconômicos impactará as negociações na Bolsa de Valores.

Juros sobre capital próprio

Esse tipo de investidor, ou especulador, não investe em empresas, tampouco está empenhado em participar dos lucros do negócio. O que interessa é a volatilidade do mercado e as oportunidades que essa volatilidade representa.

Não obstante, você poderá constatar que após grandes movimentos especulativos, que derrubam ações de todas as companhias, aquelas que possuem bons fundamentos voltam às cotações anteriores e até mesmo as suplantam no médio ou no longo prazo.

Isso acontece porque os investidores em valor, aqueles mais experientes, que estudam as empresas, seus fundamentos estratégicos e financeiros, assim como o preço das ações, aproveitam o desconto proporcionado pelo mercado para se apropriarem de participações em boas empresas.

O que são proventos?

Enfatizamos, lá no início, que há duas formas de obter ganho sobre o capital investido em ações, que você pode obter esse ganho por meio da valorização do ativo e através da participação nos lucros.

Quando você investe no longo prazo em boas empresas, as ações tendem, apesar da volatilidade do mercado, a se valorizar ao longo do tempo. Sendo assim, se você comprou um papel por R$ 20,00, ele pode, daqui a dois anos, estar sendo comercializado a R$ 28,00. Caso você decida vendê-lo, obterá lucro de 40% na operação.

Ao longo desse período você pode, todavia, obter outro tipo de ganho, que são os proventos, que nada mais representam que a forma como a companhia remunera seus acionistas.

A legislação brasileira prevê que as empresas são obrigadas a distribuir entre os acionistas um mínimo de 25% do seu lucro líquido, que é aquele obtido após o pagamento das despesas e a tributação. Sendo assim, se você investiu numa boa empresa, que apresenta lucro continuamente, você será remunerado por meio de proventos.

Há dois tipos de proventos:

dividendos;

– juros sobre capital próprio.

São duas formas diferentes que as empresas têm de remunerar seus acionistas. Do ponto de vista do investidor, a diferença é que o JCP é tributado diretamente no ato da distribuição do provento, ao contrário do dividendo.

Isso não quer dizer que o dividendo não é tributado. A diferença é que os dividendos são tributados na origem. Em outras palavras, o IRPJ é pago pela empresa sobre o lucro líquido, portanto antes da distribuição para os acionistas.

Sendo assim, direta ou indiretamente, você acaba sendo tributado. A questão é qual o impacto que as diferentes formas de distribuição de proventos causam na lucratividade da empresa e do investidor.

Vale ressaltar que existe um limite para o quanto uma empresa pode pagar de JCP, limite esse que é fixado pelo governo. Sendo assim, de acordo com a melhor solução tributária, cada empresa opta por uma forma de fazer a distribuição dos lucros. Algumas optam pelos dividendos e outras pelos juros sobre capital próprio. Há aquelas, inclusive, que combinam as duas alternativas.

Qual a lógica do JCP

Do ponto de vista da empresa, portanto, o objetivo é sempre pagar menos imposto. Quando a alíquota que incide sobre o lucro é muito alta, ela opta pelo JCP. A razão é simples. O JCP é contabilizado como uma despesa financeira da empresa. Ao aumentar a despesa no demonstrativo de resultados, o lucro apurado termina reduzido. Com isso, a empresa paga menos imposto sobre o lucro.

Para exemplificar, suponhamos que uma empresa hipotética, antes do JCP, tenha obtido um lucro de R$ 300 milhões. Suponhamos, ainda, que ela tenha uma tributação, uma mordida do leão, prevista em 25%. Nesse caso, ela teria que pagar R$ 75 milhões de IR, correto?

No entanto, a mesma empresa previu o pagamento de R$ 100 milhões em JCP. Nesse caso, o montante tributável cai para R$ 200 milhões, já que temos uma nova despesa de R$ 100 milhões. Nesse caso, a empresa teria que pagar R$ 50 milhões, ficando ainda com R$ 150 milhões de lucro.

Caso ela pagasse dividendos de R$ 100 milhões, seria tributada em R$ 75 milhões e o lucro a apropriar seria de apenas R$ 125 milhões.

No caso do acionista, ele perderia na primeira hipótese, pois teria que pagar R$ 15 milhões de imposto sobre o JCP, ficando com R$ 85 milhões. Nesse caso, a empresa poderia completar os R$ 15 milhões com pagamento de dividendos, que não são tributáveis, reduzindo seu lucro para R$ 135 milhões, que ainda assim seria superior à segunda opção.

Tudo se resume, portanto, a uma questão de obtenção de maior lucro com menor tributação. Para o investidor, o mais importante é que a empresa seja lucrativa e generosa na distribuição de proventos, de modo que ele possa combinar ganhos com valorização do capital e com participação nos lucros.

 

O que é o S&P500?

S&P500

Você já deve ter ouvido falar em empresas como Johnson & Johnson, Walmart, Microsoft, Apple, Exxon Mobil Corp, Procter & Gamble e Visa. Todas elas fazem parte do índice S&P500, o índice da Bolsa de Valores dos Estados Unidos que reúne as 500 maiores empresas em capitalização no mercado de ações no país.

São responsáveis por aproximadamente 80% do dinheiro investido em ações nas Bolsas estadunidenses. O desempenho conjunto dessas empresas é um indicador importante, embora não único, do desempenho da economia local. Foi, aliás, com esse propósito que o S&P500 foi criado, assim como o índice Bovespa, no Brasil.

Existe desde 1957 e foi criado pela Standard & Poor’s, compondo com o Nasdaq e o Dow Jones o mix de principais indicadores de desempenho do mercado de ações dos Estados Unidos, sendo considerado por muitos o mais completo entre eles.

Para que serve o S&P500?

Nada melhor que traçar uma conexão com o mercado nativo para compreendermos o funcionamento e a importância do S&P500.

S&P500

O correspondente do S&P500 no Brasil é o índice Ibovespa. Da mesma forma que o índice estadunidense, o brasileiro reúne as empresas com maior capitalização na Bolsa, que correspondem a mais de 80% do volume negociado.

O propósito do índice é oferecer ao mercado um indicador do desempenho das ações na Bolsa de Valores, servindo como orientação para os investidores. Como o Ibovespa e o S&P500 representam cerca de 80% do volume total de investimentos no mercado de ações, podemos concluir que eles oferecem uma visão bastante satisfatória do desempenho do mercado como um todo.

Como é composto o índice?

Como já foi dito, o S&P500 é formado pelas 500 empresas com maior capitalização na Bolsa de Valores dos Estados Unidos, que é a principal economia do planeta.

Para que o índice reflita de forma fidedigna o desempenho do mercado de ações, é necessário que haja uma correlação ponderada entre as companhias que compõem o mesmo. Sendo assim, cada empresa tem uma participação proporcional no índice, de acordo com o volume de capitalização de cada uma.

Isso quer dizer que você precisa somar o valor de mercado de todas as empresas que fazem parte do índice para calcular a participação percentual de cada uma na carteira. Razão pela qual o índice precisa ser periodicamente ajustado, já que a posição ocupada por cada companhia não é estática.

Por exemplo, uma ação pode sofrer grande valorização dentro de um determinado período, o que faz com que a sua importância seja ampliada, fenômeno que deve ser transferido para o índice, de forma que ele se mantenha fidedigno. Assim é feito, também, com o Ibovespa.

Outro aspecto importante é que só são relacionadas para fazer parte do S&P500 as empresas chamadas “free float”, que são aquelas disponíveis para serem negociadas ao público.

Outros critérios para que as empresas possam fazer parte da carteira são:

– ter operação nos Estados Unidos;

– estar listada na Bolsa de Nova York, NASDAQ, Investors Exchange ou BATS;

– ter ao menos 50% das ações disponíveis para negociação pública;

– ter um preço mínimo por ação de US$ 1;

– possuir valor mínimo de mercado de US$ 6,1 bilhão;

– ter pelo menos 50% de seus ativos e receitas no país;

– ter obtido resultados positivos em pelo menos quatro trimestres subsequentes.

Qual a diferença para os outros índices?

Os índices são diferentes e possuem finalidades distintas, embora todos tenham como propósito retratar o desempenho das ações na Bolsa de Valores.

A diferença é que a composição dessas carteiras imaginárias obedece a critérios distintos e cada um reflete uma realidade. Um exemplo disso é o Nasdaq Composite, que reúne em sua carteira empresas preferencialmente do setor de tecnologia, cujas ações são negociadas na Nasdaq Stock Market.

No Brasil, por exemplo, temos o índice Small Cap, que reúne as empresas de menor capitalização listadas na B3. Da mesma forma, temos o IDIV, que reúne em sua carteira as empresas que obtiveram os maiores dividend yields nos últimos 8 trimestres.

Há, também, os índices setoriais, que medem o desempenho de determinado setor no mercado de ações. É o caso do IEE (Índice de Energia Elétrica), que mede o desempenho das principais empresas do setor de energia elétrica.

Todos esses índices atendem ao mercado como guias, orientando os investidores para a realização do melhor investimento, de acordo com o perfil de cada um e as oportunidades representadas pelas ações que compõem suas respectivas carteiras.

É possível investir no índice S&P500?

Uma das formas de investir no mercado de ações são os fundos ETF (Exchange Traded Funds). Esses fundos constituem carteiras de ações replicando a composição dos índices de referência.

Sendo assim, é possível investir no índice S&P500. Na verdade, você investe na carteira, que é composta pelo administrador espelhando a formação do índice.

No caso do S&P500, assim como do Ibovespa, o mercado percebe esse tipo de investimento como seguro, uma vez que obedece a alguns bons critérios, sendo o principal deles a diversificação da carteira. O que poderia ser mais seguro do que você ter uma carteira de ações com as empresas de maior capitalização do mercado?

Trata-se de um bom investimento em value invest. Para quem pretende ganhar no longo prazo, a valorização sobre o capital foi de 178,30% nos últimos dez anos.

É possível investir no S&P500 estando no Brasil. No entanto, é preciso que o investidor tenha em mente que está fazendo um investimento em real em ações precificadas em dólar. Sendo assim, as perdas ou ganhos estão fortemente relacionados às variações do preço do dólar.

Isso quer dizer que investir nesse índice no Brasil não é o mesmo que investir nos Estados Unidos, pois aqui o investimento é afetado diretamente pela variação da moeda estadunidense. Em outras palavras, a ação se valoriza quando o dólar é apreciado frente ao real. Em caso de queda acentuada do dólar, todavia, há o risco do investidor perder muito dinheiro.

Por essa razão, caso você pense em investir numa carteira atrelada ao S&P500 no Brasil, o ideal é que aloque uma pequena parte dos seus recursos nesse investimento, diversificando sua carteira com outras aplicações.

Ações do Pão de Açúcar: Vale a pena?

acoes pao de acucar

Vale a pena investir em ações do Pão de Açúcar? Bom, antes de falar dos sólidos fundamentos da companhia, precisamos lembrar que o controle do Pão de Açúcar pertence ao Grupo Casino.

O gigante francês, que atua no setor de varejo, possui um faturamento anual na casa dos 50 bilhões de euros. Adquiriu o controle do Pão de Açúcar em 2012, transformando a rede de varejo brasileira em parte de um império que inclui mais de 12 mil lojas, sendo 9,5 mil delas na França.

O Pão de Açúcar, que dispensa as apresentações, conta com mais de 1.000 pontos de venda espalhados por todas as regiões do país. São quase 100 mil colaboradores alocados em quatro unidades de negócios:

– Multivarejo – controla a operação dos supermercados Pão de Açúcar e Extra;

– Compre Bem – supermercados locais, focados nos consumidores locais;

– Assaí Atacadista – focado no segmento de pequenos e micro varejistas, além de consumidores locais;

– GPA Malls – focado na gestão dos ativos imobiliários do grupo.

Histórico recente

O último balanço apresentado pelo Grupo Pão de Açúcar foi o do segundo trimestre de 2019. Na ocasião, obteve R$ 13,1 bilhões em receitas líquidas. O lucro líquido foi de R$ 431 milhões, com um EBIT de R$ 828 milhões.

O traço mais notório nesse resultado é a margem comprimida do setor de varejo, com uma margem líquida de somente 2%. Não é, na realidade, algo que possa tornar não recomendado o investimento nesse tipo de ação, uma vez que a margem comprimida é compensada pela força do consumo, que gera escala para grandes companhias do setor, que tenham potencial de investimento e estratégia de crescimento.

Para você ter uma ideia, se usássemos os mesmos indicadores para um período de 12 meses, teríamos uma receita líquida de R$ 52,1 bilhões, com um lucro líquido de somente R$ 1,2 bilhão.

Com essa toada, o Pão de Açúcar chegou ao final do primeiro semestre de 2019 com seus ativos somando R$ 32,9 bilhões. O patrimônio líquido da empresa demonstra de forma clara sua solidez, somando R$ 10,7 bilhões, contra uma dívida líquida de somente R$ 1,5 bilhão.Açoes pao de acucar

Lembrando que a dívida líquida é a diferença entre a dívida bruta e a disponibilidade de caixa na data da geração do demonstrativo financeiro. Vale ressaltar que a empresa conta com um ativo circulante (realizável no curto prazo) de R$ 12 bilhões.

Tudo isso mostra que a empresa possui liquidez e forte capacidade de geração de caixa, sendo capaz de manter suas operações lucrativas, sobretudo pela estratégia bem consolidada, focada no nicho de supermercados, mas com uma segmentação bastante interessante.

Outro ponto forte é que o endividamento da empresa vem diminuindo de forma consistente desde 2012, quando chegou a ter um passivo de quase R$ 13 bilhões. A situação contrasta com o controlador francês, o Grupo Casino, que apresenta alto endividamento e busca formas de reestruturar suas dívidas, o que, por ora, não afeta os negócios do GPA no Brasil.

Em junho de 2019, o Pão de Açúcar desfez-se de suas ações da Via Varejo, controladora das Casas Bahia e do Ponto Frio. A operação rendeu R$ 2,3 bilhões à companhia, enquanto a Via Varejo retornou ao controle de seus antigos proprietários: a família Klein.

A Via Varejo, responsável pela divisão de multivarejo e eletrodomésticos, vinha sendo o patinho feio do grupo, dando seguidos prejuízos à empresa.

Falando em prejuízos, o ano de 2016 foi um ano crítico para o Pão de Açúcar, que teve prejuízo, somente no primeiro semestre, de R$ 739 milhões, no auge da crise política e econômica que afligiu o Brasil. Segundo a direção da empresa, o prejuízo foi consequência do movimento de expansão da empresa, sobretudo do Assaí.

Parece que estava certa, pois a companhia vem obtendo lucro desde o segundo trimestre de 2017.

PCAR4

A PCAR4, ação do GPA, seguiu o fluxo dos resultados do grupo e obteve forte queda desde o segundo semestre de 2015, chegando, em janeiro de 2016, a ser negociada ao mesmo preço de 2003.

Na ocasião, o papel do Pão de Açúcar foi negociado a R$ 32,41. Tudo isso depois de, em setembro de 2014, ter alcançado a maior cotação histórica, de R$ 108,27. Atualmente, a PCAR4 é negociada a R$ 84,78 (preço de 22/10/2019).

De certo modo, tal volatilidade reflete os números da empresa, mas não sua condição. O valor da ação, com base no patrimônio líquido, é de R$ 40,06. O valor no mercado de ações é 2,12 vezes o valor do VPA. Embora a ação esteja apreciada, não se pode dizer que esteja fora da realidade, sobretudo pelo potencial de geração de lucro e crescimento da empresa.

Como a maioria das ações, o ponto fraco do Pão de Açúcar está na geração de dividendos para os seus acionistas, sobretudo em razão dos resultados financeiros ruins nos últimos anos. O Dividend Yield da PCAR4 é de apenas 1,4%.

Vale a pena investir?

Sobre essa questão do Yield, que é a diferença entre o valor da ação e o dividendo somado a esse valor, há uma questão que precisa ser melhor desenvolvida.

O que temos ouvido falar é que os investidores estão fugindo dos investimentos em renda fixa, devido à queda progressiva da taxa Selic, que pode terminar o ano em 4%. Digamos que os melhores investimentos em renda fixa paguem uma valorização de 6%.

Para quem pensa em ações com base na análise fundamentalista, quem pensa em value invest, não tem razão alguma para investir em dividendos de 1,4%. Investir em uma ação, neste caso, só faria sentido se em função da valorização do capital.

Podemos afirmar que o Pão de Açúcar é uma empresa sólida e que existe uma grande possibilidade de crescimento no médio e no longo prazo. Não há nada, no entanto, que assegure que esse crescimento será substancial e acompanhado pelo mercado de capitais.