O que são blue chips?

O que são blue chips?
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O termo “blue chips” surgiu, pela versão mais conhecida, na década de 20, quando um funcionário da Dow Jones, a Bolsa de Nova York , Oliver Gingold, acompanhando o pregão, percebeu que algumas ações apresentavam uma cotação bastante alta.

blue chips

Na verdade, o termo blue chips já existia, referindo-se às fichas mais valiosas do cassino. Gingold apenas fez uma analogia ao chamar aquelas ações com altas cotações de blue chips.

Na ocasião, a analogia de Gingold acabou emplacando e o termo blue chips no mercado de ações passou a ser uma referência às ações mais caras do mercado, que, por razões óbvias, eram as ações das maiores empresas, líderes em seus segmentos, com alto volume de negócios realizados na Bolsa de Valores.

Com o tempo, o conceito de “ações mais caras” ficou ultrapassado. Passamos a considerar blue chips ações de empresas com alto volume de negócios na Bolsa de Valores, que possuem excelentes fundamentos financeiros e excelência nos processos de governança corporativa, transparência e relação com os investidores, além de pagarem regularmente bons proventos aos acionistas, decorrentes de uma operação sistematicamente lucrativa.

É claro que estamos falando de organizações gigantescas, como Petrobras, Vale, Ambev e tantas outras, cujos resultados são impactados por uma série de fatores, como mudanças de políticas governamentais, demanda internacional, mercado interno, desastres ambientais e variações cambiais.

Se as empresas, mesmo tendo ótimos fundamentos, são afetadas por uma série de fatores, é natural que o mesmo aconteça com a cotação das ações, cuja oscilação constante é impulsionada por movimentos especulativos ou pela reação a um fato político ou macroeconômico, cujos reais desdobramentos nem sempre são corretamente dimensionados, o que requer atenção redobrada dos investidores.

Vale a pena investir em blue chips?

É por essa razão que precisamos saber diferenciar o valor real da empresa da cotação da mesma na Bolsa de Valores.

blue chips

Para ficar mais claro, quando você compra uma ação, esperando que ela valorize-se, você está precificando o futuro. Você deve, portanto, ter boas razões para acreditar que aquela empresa tem todas as condições para crescer, aumentando, assim, seu faturamento e seu patrimônio. Com isso, as ações terão uma valorização real.

O que o investidor precisa entender é que há dois tipos de renda obtida no mercado de ações.

A primeira delas é a valorização sobre o capital. Esse é o ganho com base na lógica da empresa, já que, ao abrir capital na Bolsa de Valores, ela espera financiar seu crescimento ou a redução da dívida.

Quando essa empresa investe o capital obtido com IPO, espera-se que ela adquira novos ativos, aumentando a sua capacidade instalada, expandindo sua marca para novos mercados ou ampliando sua linha de produtos. Enfim, há diversas estratégias diferentes de crescimento, mas não é o caso aqui tratar delas, mas sim observar que o ponto a que a empresa pretende chegar com os investimentos é o crescimento.

Caso isso ocorra, a empresa vai se valorizar, assim como suas ações. Consequentemente, o investidor terá um ganho expressivo de capital. Nesse caso, pode realizar lucro vendendo as ações.

Quando a empresa abre capital para financiar sua dívida, isso gera, automaticamente, uma oxigenação do fluxo de caixa, redução da dívida, devido ao maior poder de barganha, acima do valor obtido junto aos acionistas e aumento imediato dos lucros. Com isso, o acionista tende a ganhar com a divisão desses lucros por parte da empresa.

Vale ressaltar que, pela legislação brasileira, as empresas são obrigadas a dividir com seus acionistas um montante não inferior a 25% do lucro líquido apurado no período. Esse valor é pago na forma de dividendos. Algumas empresas pagam dividendos sobre o lucro apurado trimestral. Algumas apuram e repassam o lucro semestral e outras anualmente.

Além disso, as empresas também pagam, a título de proventos, o JCP (Juros Sobre Capital Próprio). A soma de dividendos e JCP é o lucro obtido pelo investidor, que deve ser dividido pelo valor total das ações na data do pagamento dos proventos para calcular o Dividend Yield, que é o percentual de lucro sobre o capital.

Vamos dar um exemplo para ficar mais claro:

Você tem R$ 6.000,00 em ações da companhia. Somando o obtido com dividendos e JCP, você ganhou R$ 600,00. Isso significa que o seu Dividend Yield foi de 10%.

O que confunde muito alguns investidores é que algumas dessas empresas, basicamente as estatais, costumam fazer muitos investimentos em infraestrutura, aumento de capacidade instalada, pesquisa e desenvolvimento. Normalmente, todas as grandes empresas fazem isso e essa é a única razão para serem grandes.

A questão é que em momentos de grandes investimentos, notadamente nas estatais, a margem de lucro costuma ser comprimida, trazendo frustração aos investidores, que veem seus proventos reduzidos. É preciso, no entanto, ter em mente que o crescimento da empresa levará à valorização da ação, o que fará você ganhar com a valorização do seu capital.

Da mesma forma, a empresa pode, mais lá na frente, voltar a ser uma vaca leiteira, gerando bons proventos aos acionistas.

Evidentemente, não há tanta diferença quando se trata de estratégia. O melhor momento para se comprar uma ação sempre é quando ela está subvalorizada. Os maiores gurus do mercado de ações compram quando todos estão vendendo, mas sem deixar de levar em conta a análise fundamentalista da empresa.

Qual o seu perfil de investimento?

Diante do que foi dito, não basta que a ação seja uma blue chip. É preciso saber qual o seu perfil de investimento, que tipo de oportunidades busca e que riscos você está disposto a aceitar. É preciso avaliar quais são as políticas da empresa, quais seus projetos estratégicos e que resultados eles podem trazer para a empresa em termos de crescimento.

É preciso entender que o potencial de crescimento de uma blue chip em relação ao seu tamanho atual é sempre menor que o de uma empresa média. Da mesma forma, o risco de perda em relação ao tamanho atual é menor. Grandes perdas podem ser cobertas com a venda de ativos e redução de despesas, como tantas vezes temos visto.

É por isso que dizemos que as blue chips são ações com menor risco, mas também com menor potencial de valorização. Pelo menos em tese, porque há exceções para todas as regras. Foi o que aconteceu com a Petrobras ao descobrir e explorar o Pré-Sal a partir da segunda metade da década passada, o que acarretou uma grande valorização das ações da companhia no mercado num curto período de tempo.

Sendo assim, se você quer investir com uma boa gestão de risco, componha uma carteira com blue chips que paguem bons dividendos, lembrando-se de comprar as ações em baixa. Estude os fundamentos financeiros da empresa, sua gestão, seus projetos estratégicos e as tendências do mercado.

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