Braskem: Uma boa opção para o investidor fundamentalista?

Antes de saber se é uma boa opção de investimento, vamos conhecer um pouco mais a Braskem. Afinal, se estamos falando em investimento fundamentalista, o primeiro passo é conhecer a empresa em quem você quer investir.

Vamos começar por uma notícia muito simpática para os investidores que se preocupam com causas que vão além do lucro, simplesmente, que é, por incrível que possa parecer, uma peculiaridade dos mais bem sucedidos investidores fundamentalistas. A Braskem associou-se, no início de 2019, à Aliança para o Fim dos Resíduos Plásticos, uma organização sem fins lucrativos, cujo propósito é combater a propagação de resíduos plásticos no meio ambiente.

Você deve saber que os resíduos plásticos são uma das maiores ameaças ao planeta e é de bom tom que uma empresa petroquímica, setor sempre tão mal visto pelos ambientalistas, se preocupe com causas ambientais.

Sim, estamos falando de uma empresa do seguimento químico e petroquímico, líder mundial na produção de biopolímeros. Os polímeros são derivados de seres vivos e sua decomposição é mais acelerada, o que torna os produtos fabricados com esses materiais menos nocivos ao meio ambiente.

ações da braskem

A Braskem é, também, a sexta maior produtora mundial de resinas termoplásticas, ocupando, neste segmento, o primeiro lugar no continente americano.

Desde a criação, em 2002, a empresa, que já nasceu gigante, fruto da fusão da Copene, Trikem, OPP, Polialden, Nitrocarbono e Proppet, vem acumulando aquisições no Brasil e nos Estados Unidos.

Atualmente, a Braskem possui 41 unidades de produção, sendo que 29 delas estão no Brasil. As demais estão localizadas nos Estados Unidos, México e Alemanha. Esse imenso parque industrial atende a 70% da demanda brasileira por resinas termoplásticas. A produção da Braskem responde por 3,5% da produção mundial.

Histórico Recente

Feitas as devidas apresentações, uma prova do vigor da Braskem é o crescimento contínuo das receitas. No ano de 2010, as receitas chegaram ao patamar dos R$ 25 bilhões. Em 2018, ultrapassou os R$ 55 bilhões.

Entre junho de 2018 e junho de 2019, alcançou uma receita líquida de R$ 57,5 bilhões e um lucro líquido de R$ 2,8 bilhões. O passivo bruto da companhia é de R$ 25,6 milhões, contra um ativo (direitos) total de R$ 63,8 bilhões, sendo que R$ 20 milhões no ativo circulante, de curto prazo.

A empresa fechou 2018 com geração líquida de caixa recorde de R$ 7,1 bilhões, registrando crescimento de 187% em relação ao ano anterior. A receita líquida com vendas também cresceu 18%. Apesar disso, o lucro da empresa diminuiu em relação a 2017, quando teve lucro líquido de R$ 4,1 bilhões, contra R$ 2,87 bilhões em 2018. A redução da lucratividade da companhia foi atribuída pelos seus executivos a uma série de fatores casuais, dentre os quais a greve dos caminhoneiros.

O problema é que a companhia segue enfrentando problemas com queda dos lucros em 2019. No segundo semestre, registrou lucro de apenas R$ 129 milhões, com queda de 76% em relação ao mesmo período de 2018.

A causa da perda de lucratividade está relacionada à desaceleração das vendas na Europa e nos Estados Unidos, sem contar com o acidente ambiental em que a empresa se envolveu em Alagoas, que levou ao bloqueio de R$ 100 milhões pela Justiça das contas da companhia em junho.

Como fica a BRKM5?

Esse conjunto de fatores explica a queda brusca da cotação, que chegou ao patamar de R$ 60,00 em agosto de 2018, iniciando trajetória de queda, que se acentuou em fevereiro de 2019, quando era negociada a R$ 56,00. Em 23 de agosto de 2019, era negociada a R$ 26,80, voltando a números do final de 2016.

BRKM5

A pior notícia, porém, veio em julho de 2019, quando a própria companhia informou ter tomado conhecimento de um pedido de bloqueio de R$ 2,5 bilhões pelo Ministério Público do Trabalho, que seria para garantir indenizações por eventuais danos materiais aos trabalhadores que foram afetados pelo fenômeno geológico.

No início do mês, a companhia se defendeu num processo em que é indicada como responsável pelo aparecimento de crateras e rachaduras em construções de três bairros da cidade de Maceió.

No final das contas, a companhia tem R$ 3,8 bilhões em valores bloqueados. Dentro desse cenário, é muito provável que a BRKM5 continue despencando. É o que se pode observar com base no que dizem os analistas de mercado.

 

Vale a pena investir na BRKM5?

Nem é preciso dizer, portanto, que o momento não é bom para comprar. Não haveria sentido em investir numa ação que está em queda livre. A recomendação é ficar muito atento ao noticiário sobre a empresa, pois, em algum momento, a trajetória de queda será estancada.

Dependendo do desenrolar dos processos envolvendo a empresa, a ação pode recuperar valor gradativamente na B3. Sendo assim, há a possibilidade de ganhos com valorização sobre o capital. Quanto aos proventos, todavia, a trajetória da empresa não tem sido tão convidativa.

A empresa não distribui proventos desde abril de 2018. Os proventos, como sabemos, são o principal atrativo para o investimento no longo prazo. De qualquer forma, o melhor comportamento é esperar a queda estancar e comprar com visão de curto e médio prazo para compor carteira. Quanto ao longo prazo, é uma questão de ver qual será o comportamento da empresa. Não lhe faltam bons fundamentos, mas, como pudemos observar, em decorrência da área em que atua e da atuação global, está sempre sujeita a chuvas e trovoadas.

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