Carl Icahn: O mago das aquisições

Carl Icahn: O mago das aquisições
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Carl Icahn é considerado um dos maiores mestres do hostile takeover do mundo A trajetória do dono da 73ª maior fortuna do mundo, formado em filosofia e com dois anos de estudos de medicina, é a responsável pela sua fama como investidor e também por sua não tão boa reputação no mundo dos negócios.

Carl Icahn
Carl Icahn

Carl Icahn é visto, pela sua estratégia de investimentos, como um verdadeiro predador. Icahn foi convidado por Donald Trump para ser seu assessor na condução da reforma regulatória. O convite era o produto de uma relação comercial pregressa com o atual mandatário da Casa Branca, mas a vida política do temido Carl Icahn não terminou bem. Logo deixou o governo, acusado de usar o cargo para obter benefícios para os seus próprios negócios.

Já a vida como bilionário vai muito bem. Aos 83 anos, Icahn, que nasceu em 16 de fevereiro de 1936, pai de dois filhos, diretor da Icahn Enterprises, tem uma fortuna estimada em quase US$ 20 bilhões.

O que diferencia Carl Icahn dos expoentes do Value Investing

O método de investimento em ações de Carl Celian Icahn não se diferencia muito dos grandes nomes do Value Invest. A trajetória de Icahn revela um caçador de oportunidades.

Assim como os grandes investidores da Bolsa, Icahn construiu sua fortuna investindo em empresas nas quais enxergava grande potencial, comprando as ações em baixa e ganhando tanto em retorno sobre o capital quanto em proventos.

A grande diferença é que Icahn é, como se pode dizer, um investidor pró-ativo. Ao identificar as oportunidades, não se contentava em esperar os resultados. Ao contrário, buscava assento no Conselho de Administração da empresa para influenciar nas decisões.

Para obter participação no controle da empresa, Icahn fazia investimentos agressivos, comprando grande quantidade de ações da mesma. O momento certo para a compra não é nenhuma novidade. Icahn comprava quando todos estavam vendendo, adquirindo um número maior de ações, que o aproximassem ou lhe garantissem lugar no Conselho. Quando não era suficiente, continuava comprando ações da companhia até alcançar seu objetivo.

Foi assim sua trajetória na TWA (Trans World Airlines), cuja aquisição, em 1985, colocou seu nome em evidência no mercado. Icahn, como em todos os casos, percebia uma grande oportunidade na companhia, mas, no seu entendimento, a administração da mesma não era boa o suficiente para explorar o potencial de crescimento e ganhos.

O controle da TWA veio dois anos antes da criação da Icahn Enterprises, carro chefe do império financeiro do megainvestidor. Aliás, falando em império financeiro, os métodos de Icahn podem ser questionados, mas os resultados falam por si. Basta ver que as empresas em que a Icahn Entreprises conseguiu obter assento no conselho melhoraram seus resultados, principalmente para os acionistas.

Os resultados obtidos por Icahn falam por si, tendo transformado o megainvestidor em autoridade no assunto, ganhando o status de rei das aquisições.

O método de Icahn

Já sabemos que o primeiro passo de Icahn era identificar empresas com grande potencial de crescimento e lucratividade. O segundo era usar o mercado de ações para obter participação no controle da companhia.

Daí em diante, com o assento no Conselho, Icahn tentava impor sua filosofia perante os demais acionistas, com o propósito de aumentar os lucros.

Em algumas situações, fazia gestões pela troca da administração da empresa ou influenciava na forma como era administrada. Em outros casos, Icahn conseguiu impor mudanças drásticas na estrutura das organizações.

Estamos falando, além da TWA, de gigantes como: Time Warner, Texaco, Revlon, Motorola e Yahoo. O caso mais recente foi o CIT.

O caso Yahoo chamou atenção por causa da disputa entre Icahn e o CEO da companhia, Jerry Yang. A disputa deixou evidente uma questão que deveria ser premente na visão do investidor, assim como na das empresas que abrem seu capital, que é a necessidade de conciliar o interesse do investidor com o da direção da companhia. Crescimento e lucratividade nem sempre andam juntos. O fato é que Icahn acabou reconhecido como defensor dos acionistas.

O temor que provoca nas empresas está profundamente relacionado a essa dicotomia. Icahn consegue transformar investidores e acionistas em força ativa no processo decisório. Com isso, faz a balança pender para o lado dos investidores. A questão é se o que é melhor para os investidores no momento presente será bom para o negócio no longo prazo.

Em outras palavras, o investidor quer a maior remuneração sobre o capital. Investimentos para retorno no longo prazo geram endividamento no presente e redução dos lucros, com consequente redução do pagamento de proventos aos acionistas. No longo prazo, a ação pode se valorizar com o crescimento dos ativos e com o aumento do potencial de geração de receitas e de lucratividade.

 

História de Carl Icahn

Icahn não é um personagem cuja história seja revestida de muito glamour. Não teve uma trajetória de superações. Ao contrário, cresceu em uma família de classe média, de mãe professora e pai advogado. Não escreveu nenhum livro sobre investimentos.

Carl Icahn aquisições de empresas

Nasceu no Queens, em Nova Iorque, em 16 de fevereiro de 1936 e formou-se em Filosofia em 1957. Após formar-se em Filosofia e deixar a Medicina para alistar-se no exército em 1959, Icahn, em 1961, iniciou sua trajetória no mercado financeiro como corretor. O passo natural foi se tornar investidor.

A estratégia de direcionar as ações para a tomada do controle de empresas individuais teve início no final da década de 70. Desde então, as aquisições hostis se tornaram parte da rotina. O reconhecimento veio mesmo na década de 90. A partir do século XXI, a Icahn Enterprises passou a investir em diversificação da carteira, tendo atualmente investimentos em setores diversos, dentre os quais a tecnologia. Em 2016, Icahn se desfez de ações da gigante Apple, numa operação que ganhou o noticiário.

Em resumo, pode-se dizer que Icahn adotou um estilo que combina filosofia de investimento com estratégia de negócios. É quase o mesmo que dizer que comprava ingresso para a arquibancada, mas não para assistir e torcer. Icahn queria participar do jogo e sabia como mudar a trajetória de uma partida ao seu favor.

“Alguns ficam ricos estudando inteligência artificial. Eu faço dinheiro estudando a burrice humana.”

A frase acima era a descrição do perfil de Icahn no Twitter. Será que alguma outra descrição seria tão precisa em retratar o estilo de Icahn?

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