Vale a pena investir em fundos imobiliários?

Será que vale a pena investir em fundos imobiliários? Vamos tentar mostrar de forma clara e didática o que é um fundo imobiliário e como você pode ganhar dinheiro com esse tipo de investimento.

Basicamente, podemos dizer que os fundos imobiliários são grupos de investidores que compram direitos.

Para você entender melhor, vamos fazer uma imersão no contexto do investimento tradicional em imóveis. Vai ficar bem claro como se estrutura esse modelo de negócios.

Você deve conhecer vários casos de pessoas que ganham dinheiro com aluguel ou arrendamento de imóveis. O arrendamento é uma forma de aluguel, diferindo-se, em parte, no propósito, uma vez que é um modelo voltado para a atividade econômica. O arrendatário paga um valor estabelecido em contrato, que pode ser semelhante ao aluguel, para explorar um determinado bem imobiliário.

Esse modelo é muito comum no setor agrário. O proprietário arrenda a terra para um produtor, que precisa ter garantias de contar com o terreno durante o período do projeto agrário, razão pela qual o arrendamento costuma ter um prazo pré-fixado. Outro exemplo ocorre quando, por exemplo, você compra um terreno num condomínio de logística e arrenda para uma indústria que deseja estabelecer uma unidade de produção, armazenagem e distribuição na região.

Em ambos os casos, o proprietário do terreno obtém ganhos com a valorização do mesmo, caso ocorra, e com os rendimentos provenientes do pagamento, pelo arrendatário, do preço estabelecido no contrato de arrendamento.

Como você pode lucrar comprando, alugando e vendendo imóveis?

Sabe aquele amigo que recebeu uma herança e decidiu investir parte do dinheiro na compra de unidades imobiliárias? Ele tomou o cuidado de comprar imóveis em regiões com alto potencial de valorização num futuro próximo.

Além disso, esse amigo resolveu alugar seus imóveis e assim aumentar seu capital. Vamos supor que ele tenha investido R$ 1,5 milhão em três unidades de R$ 500 mil. Vamos supor, ainda, que ele tenha alugado cada uma dessas três unidades por R$ 3 mil mensais, num total de R$ 9 mil. Em um ano, ele terá ganhado R$ 108 mil.

Caso os imóveis não tenham valorizado nesse período, ele terá aumentado seu capital de R$ 1,5 milhão para R$ 1,608 milhão, com um crescimento de 7,2% de seu patrimônio. Vale ressaltar que ele terá que pagar uma alíquota de 15% de IR sobre o rendimento com aluguel. Nesse caso, terá que abater R$ 16,2 mil desse ganho. Fazendo o ajuste, o capital investido, ao final de um ano, terá saltado de R$ 1,5 milhão para R$ 1,591,20 milhão.

Vamos supor que o imóvel se valorize no período de três anos, passando a valer R$ 2 milhões, que esse amigo receba uma oferta de venda nesse valor e decida se desfazer do imóvel. Nesse caso, ele pagará 15% de IR sobre a valorização, que foi de R$ 500 mil, o que significa que ele terá que abater sobre a operação o valor de R$ 75 mil.

Sendo assim, ele terá um ganho sobre o investimento de R$ 425 mil + R$ 324 mil com aluguel, já abatido o imposto de renda, num total de R$ 749 mil. Em outras palavras, num período de 3 anos, ele terá obtido um lucro líquido com o investimento de 50%.

Você não tem dinheiro para comprar imóveis? Para isso existem os fundos imobiliários

Como investir em fundos imobiliarios

É claro que você ficou animado com a possibilidade de faturar com o mercado imobiliário. Afinal, pessoas e empresas precisam de estruturas físicas para morar ou para operar seus negócios e nada indica que isso vá mudar.

O problema é que, ao contrário daquele amigo, você não recebeu uma herança, mas tem um dinheiro bom para dar entrada num imóvel. O problema é que para comprar um imóvel você terá que fazer um contrato de financiamento. Sabemos bem que os juros farão com que o imóvel acabe custando para você mais que o dobro de seu valor de compra à vista.

Nesse caso, você, ao final do financiamento, terá gasto mais de duas vezes o valor do capital. Para recuperar o investimento, você terá que alugar o imóvel durante muitos anos e, para obter lucro, mais outros tantos. Sendo assim, não temos um bom investimento, exceto você esteja pensando em uma renda extra para a aposentadoria e não tenha a menor pressa de rentabilizar seu capital.

Você pode, no entanto, pegar esse dinheiro que você tem guardado e comprar cotas de um fundo imobiliário. Vamos aproveitar o caso do seu amigo e supor que, ao invés dele, a compra dos três imóveis fosse feita por um fundo imobiliário. No final de três anos, o fundo, fazendo a mesma operação, teria lucrado os mesmos R$ 749 mil, ou os mesmos 50%.

Supondo que você tivesse comprado 5% do empreendimento em cotas do fundo imobiliário por R$ 75 mil, você lucraria, ao final de 3 anos, R$ 37,5 mil líquidos. Desse valor, você deve, também, debitar as taxas de administração e de performance. A de administração varia em torno de 1% a 3% do valor investido. A performance é cobrada sobre o ganho obtido sobre o investimento em relação a um indicador econômico, que pode ser, por exemplo, o índice Bovespa.

Ficou claro, não ficou?

Então, os fundos imobiliários são fundos de investimento em direitos imobiliários, cujo propósito é obter lucro com as mais diversas operações desse setor, seja arrendamento, aluguel ou venda.

Vale a pena investir?

Nós não podemos dizer que o mercado imobiliário anda superaquecido. Sabemos que esse setor está inserido num contexto de fragilidade econômica do país, com redução da demanda e, consequentemente, da lucratividade, sem contar com eventual desvalorização dos imóveis, o que não é comum de acontecer se o fundo for bem administrado, com boa escolha de ativos.

Em 2018, colocando na conta a variação da cotação do imóvel no mercado e os rendimentos obtidos com o mesmo, apenas dois entre os dez maiores fundos imobiliários do país registraram prejuízo, tendo sido o maior deles de -2,48%. Em compensação, dois fundos tiveram uma variação positiva de 9,79%.

Vale ressaltar que a variação negativa no valor da cota só será importante no momento em que você for desfazer-se da mesma, pois o seu resgate será inferior ao valor investido. A rentabilidade em receitas obtidas com o imóvel é sempre positiva. Contando somente o Yield obtido, os mesmos fundos renderam, em 12 meses, de acordo com levantamento de março de 2019, entre 10% e 22,3%, que é o lucro que você embolsa, independentemente da variação de valor das cotas.

Em outras palavras, é como se você não tivesse a menor vontade de se desfazer do seu imóvel, não havendo, portanto, preocupação com a desvalorização do mesmo, conquanto o que importe para você seja faturar com o aluguel, investindo essa receita em outros ativos financeiros para aumentar ainda mais seu capital.

Em outras palavras, para concluirmos, sim, os fundos imobiliários são excelente investimento para compor sua carteira, sobretudo se o seu investimento for de longo prazo e com foco em dividendos.

Ações da AES Tietê: Uma boa opção para o investidor de longo prazo?

Ações da Aes Tiete

A AES Tietê, uma das empresas integrantes do Grupo AES Brasil, se autodefine como uma plataforma integrada de energia que se adapta às necessidades de seus clientes.

Como podemos perceber, trata-se de um posicionamento diferenciado das empresas de energia que conhecemos. Uma boa explicação para isso é a própria natureza do negócio.

Um dos focos da empresa é em políticas sustentáveis e proteção ao meio ambiente. Além de ter em seu portfólio um parque gerador composto por nove usinas e três pequenas centrais hidrelétricas, a AES possui dois complexos de energia solar e um complexo eólico, tendo uma capacidade instalada de 3.348 MW.

Além disso, a empresa é especializada no desenvolvimento de pequenas soluções sustentáveis exclusivas, levando esse atributo aos seus clientes corporativos.

Fazem parte do grupo, além da AES Tietê, a AES Tietê Integra, que atua na comercialização de soluções em serviços de geração de projetos de engenharia e gestão de energia para empresas do setor industrial, a AES Uruguaiana, geradora, e a AES Ergos, distribuidora de energia.

Entre os ativos da companhia estão o Complexo Eólico Alto Sertão II e o Complexo Solar Ouroeste. O primeiro localizado na Bahia e o segundo em Guaimbê, São Paulo. Juntos, esses dois complexos contam com capacidade instalada de 530 MW.

A AES é, portanto, uma empresa voltada para tecnologia, inovação e sustentabilidade, com investimentos totais de R$ 437,2 milhões, 246 hectares de áreas reflorestadas e R$ 3,72 milhões em investimentos sociais, com uma receita operacional bruta de R$ 2,1 bilhões.

Recentemente, a empresa vem negociando a aquisição do projeto Alto Sertão III com a Renova Energia, buscando aumentar sua presença no território nacional e share no mercado de produção e distribuição de energia.

Tem boas condições para isso, já que tem expertise em serviços cuja demanda tende a crescer nos próximos anos, sobretudo no que diz respeito à energia solar e eólica, ainda pouco desenvolvidos no Brasil em relação a países como a Índia, referências em políticas energéticas sustentáveis.

Histórico recente da AES tiete

Apesar do fato de ser uma empresa em crescimento, com foco em expansão da capacidade instalada, a AES também acumula uma dívida bruta de R$ 4,2 bilhões. A empresa possui, no entanto, recebíveis num total de R$ 1,4 bilhões, fazendo com que a dívida líquida da empresa seja de R$ 2,8 bilhões.

A empresa possui um Patrimônio Líquido positivo de R$ 1,5 bilhão. São dados do balanço referente ao dia 30 de julho de 2019. O valor de mercado da companhia é de R$ 4,7 bilhões, o que corresponde a 3,13 vezes o PL da companhia.

O Patrimônio Líquido da AES vem diminuindo desde janeiro de 2012, quando era de mais de 4,5 bilhões, enquanto a dívida líquida chegou perto de seu maior patamar histórico. Depois de ter três trimestres com receita líquida negativa em 2016, a empresa passou a apresentar resultado positivo a partir do terceiro trimestre daquele ano, mantendo receita líquida próxima aos R$ 2 bilhões. No período de julho de 2018 a junho de 2019 a receita líquida foi de R$ 2,03 bilhões.

O lucro líquido, que chegou a alcançar patamar acima de R$ 1,1 bilhão no terceiro trimestre de 2012, tem se mantido abaixo dos R$ 300 milhões desde o primeiro trimestre de 2018. Desde 2011, a empresa vem tendo resultado financeiro negativo, com a correção da dívida superando a geração de caixa, o que, a princípio, não representa grande problema, contanto que tal condição seja decorrente de alto volume de investimentos, com grande potencial de retorno.

A empresa, desde o segundo semestre, tornou-se pagadora de proventos, com esses excedendo o lucro líquido, num claro sinal de que a AES pretende financiar seus investimentos com a retenção do capital dos acionistas.

TIET11

A maior cotação da TIET11 foi alcançada em agosto de 2016, quando chegou ao preço de R$ 14,40, apresentando oscilações frequentes desde então. O que pode ser explicado, por exemplo, pelo fato do valor de mercado representar 23,6 vezes o seu lucro anual, o que significa dizer que levaria esse tempo para a empresa valer, patrimonialmente, a sua cotação anual.

Por outro lado, os cenários que se desfraldam para a empresa são positivos no longo prazo. A questão é que a cotação da empresa no mercado de capitais seguiu, a partir de 2016, a onda da perspectiva de desregulamentação da economia, com consequente liberação dos preços dos serviços públicos, o que elevaria a lucratividade da companhia.

TIET11

Parece, no entanto, que o mercado superestimou esse movimento, o que explica a trajetória errática da cotação da TIET11. Para se ter uma ideia, a ação atingiu um suporte de R$ 8,64 em julho de 2018. Tudo isso mostra um papel que segue mais as ondas especulativas do que os próprios resultados da empresa.

Vale a pena investir

Há quem afirme que a ação está depreciada com relação aos concorrentes do setor, apesar do valor de mercado representar em torno de 4 vezes o valor patrimonial da companhia.

Levando em conta os bons fundamentos estratégicos e o potencial de crescimento, a TIET11 pode ser um bom investimento no longo prazo. O problema é que a empresa é uma estrela que carrega um fardo pesado, que é o alto custo dos seus investimentos, o que leva à conclusão de que demorará muito para se transformar em uma vaca leiteira.

Talvez, em função disso, a empresa tenha grande foco em reter e multiplicar os investidores, com uma política agressiva de proventos em relação ao seu lucro líquido. Desde o segundo semestre de 2016, a empresa vem pagando em proventos um montante superior ao lucro líquido da empresa, o que ajuda a explicar o salto do preço da ação naquele período.

Apesar disso, a TIET11 não está entre as maiores pagadoras de proventos do mercado, o que pode ser imaginado como realidade num futuro distante, quando não houver na equação o alto custo do financiamento dos investimentos da companhia.

A empresa pagou, no primeiro semestre de 2019, um rendimento acumulado em proventos na casa dos 3,5%. Seguindo a política da companhia nos últimos anos, a estimativa é de que a empresa remunere o capital em torno de 7%.

Ao que tudo indica, a empresa tem potencial para ser uma ótima opção no longo prazo, mas o recomendável, para proteger o capital investido e pensar em lucro com valorização do mesmo, seria tentar comprar por um preço abaixo dos R$ 10,00. Com paciência para esperar, você pode comprar uma boa opção para sua carteira.

Vale a pena investir em ações da Fleury?

Ações da Fleury

A Fleury é um grupo empresarial cujo negócio é a atuação na prestação de serviços de medicina e odontologia diagnóstica.

Fazem parte do grupo: Fleury Medicina e Saúde, líder no segmento Premium de Medicina Diagnóstica; Weinmann;, A+;  Labs; Diagnoson; Serdil e Papaiz, laboratório de radiologia odontológica, entre outras.

Por meio das diversas empresas que compõem o Grupo Fleury, presta serviços a mais de 20 renomados hospitais em todo o território nacional.

Uma das principais orientações do grupo é o investimento contínuo em tecnologia diagnóstica e inovação, pilares da proposta de valor da Fleury ao mercado.

FLRY3

Entre as áreas de pesquisa e diagnóstico nas quais atua estão: ultrassom, tomografia, ressonância magnética, genômica, oncogenética, doenças infecciosas e doenças autoimunes.

Atuar junto ao segmento premium é um diferencial competitivo da empresa, já que se trata de um nicho de consumo que sofre poucos abalos com as crises, o que tende a dar perenidade ao negócio no longo prazo.

Além disso, a área de negócios da Fleury encontra-se num grupo de serviços de primeira necessidade, o que também garante condições para a continuidade e o crescimento da companhia, que tem tido sua trajetória marcada pela aquisição de outras empresas, que hoje compõem o grupo, ampliando seu market share e consolidando sua posição estratégica no mercado.

Histórico recente da empresa

Apesar dos bons fundamentos estratégicos, a Fleury teve, no segundo trimestre de 2019, uma queda de 11,1% no lucro em relação ao mesmo período do ano anterior. A empresa fechou o período com um lucro líquido de R$ 77,1 milhões.

Segundo a direção da empresa, a queda na lucratividade do negócio está diretamente relacionada ao investimento em expansão do negócio. Com base no plano de expansão da companhia, revelado em dezembro de 2016, a expectativa é de que entre 73 e 90 novas unidades sejam inauguradas até 2021.

Um bom indicador de que a queda nos lucros foi proporcional ao aumento do investimento é a receita líquida registrada no período, que alcançou R$ 728,7 milhões no mesmo segundo semestre de 2019, com aumento de 8,2% em relação ao mesmo período de 2018. Na comparação semestral, levando em conta os primeiros seis meses de 2018 e 2019, o crescimento da receita líquida, que alcançou R$ 1,4 bilhões, foi de 7,7%.

No mesmo pacote, o Ebitda teve queda de 3,5% no referido período. Em contrapartida, na comparação semestral, apresentou um crescimento de 1,2%.

Os fundamentos financeiros da empresa, mesmo com o foco em expansão, que demanda altos custos e endividamento, permanecem bastante favoráveis. A Fleury possui um total de ativos de R$ 4,7 bilhões, contra uma dívida bruta de R$ 1,1 bilhão. A dívida líquida, descontados os recebíveis no curto prazo, é de R$ 772,1 milhões.

O ativo circulante da Fleury é de R$ 1,04 bilhão, enquanto o patrimônio líquido da companhia soma R$1,7 bilhão positivo.

Apesar do pequeno abalo previsto na lucratividade do negócio no curto e, talvez, no médio prazo, a empresa, entre julho de 2008 e julho de 2009 obteve receitas num total de R$ 2,8 bilhões e um lucro líquido de R$ 313,7 milhões, com um Ebitda de R$ 518,1 milhões.

FLRY3

A FLRY3 é a ação do Grupo Fleury. No quarto trimestre de 2015, a empresa registrou um lucro líquido 108,7% maior que o mesmo período do ano anterior.

Esse foi um dos fatores que provocaram a disparada no preço das ações da companhia. No início de 2016, as ações custavam, em média, R$ 6,20. Até então, o maior preço histórico tinha sido de pouco mais de R$ 10,00, obtido entre os anos de 2011 e 2012.

Desde então, a FLRY3 iniciou uma trajetória de forte alta, chegando a ser cotada a R$ 28,91 em outubro de 2017. Desde então, o preço da ação vem oscilando para baixo, o que pode ser facilmente explicado por um movimento natural do mercado de realização de lucros.

Vale ressaltar, no entanto, que o valor de mercado da companhia ainda é 4,34 vezes o valor de seu patrimônio líquido, que é a diferença entre o ativo e o passivo. Vale observar, no entanto, que essa precificação é futura e reflete o prestígio da companhia, seus instrumentos de governança e transparência, sua estratégia mercadológica e possibilidade de crescimento, o mercado em que atua e o potencial de geração de lucro nos próximos anos.

Pode-se dizer que, no médio prazo, a FLRY3 está apreciada acima do seu potencial de crescimento patrimonial. Já no longo prazo, estamos falando em cinco anos, pelo menos, mantendo-se a trajetória de lucros, ampliada pela ativação das novas unidades, com consequente aumento da receita, a empresa pode corresponder às mais altas expectativas, sobretudo no que se relaciona ao pagamento futuro de dividendos.

Para se ter uma ideia, em raros momentos, desde 2010, a empresa apresentou pequena redução da receita líquida em relação a períodos anteriores. A trajetória sempre foi de alta. Para exemplificar, em dezembro de 2010 a Fleury teve receita líquida inferior a R$ 800 milhões. Em dezembro de 2015, a receita superava R$ 1,6 bilhão, chegando, em dezembro de 2018, ao patamar de quase R$ 2,5 bilhões.

Os lucros da empresa praticamente espelham o crescimento da FLRY3 no mercado de capitais, tendo obtido grande impulso a partir de 2016, saindo de uma faixa entre 100 e 150 milhões para um patamar, desde o segundo trimestre de 2017, superior a R$ 300 milhões.

Parte da estratégia para financiar o crescimento é a remuneração do capital dos acionistas. Em alguns momentos, a empresa pagou proventos maiores que o lucro líquido no período. Somente no primeiro trimestre de 2019, a FLRY3 pagou proventos duas vezes, com um Yield acumulado superior a 4%. Com base no histórico da companhia, é possível afirmar que essa margem de lucro superará 6% em 2019.

Vale a pena investir?

A FLRY3 é, sem dúvida, um bom investimento pensando no longo prazo. A rentabilidade sobre o capital investido não compete, pelo menos ainda, com os maiores pagadores de proventos do mercado.

Não obstante, a trajetória de crescimento da receita líquida da empresa aponta para, no longo prazo, um aumento expressivo da competitividade da empresa neste quesito.

Ainda no longo prazo, é possível pensar na valorização das ações da companhia, embora seja prudente não fazer estimativas mirabolantes. É preciso aguardar a maturação da atual trajetória de expansão. Sendo assim, a princípio, o que temos é a expectativa de um investimento seguro numa companhia bastante sólida, com viés de crescimento, aumento dos lucros e, consequentemente, da remuneração do capital.

Para quem pensa em ganhar com a valorização da ação, a melhor dica é esperar um pouco. Qualquer movimento do mercado que derrube as ações a um patamar de R$ 16,00 pode ser uma excelente possibilidade de ganhar em duas frentes: com remuneração e valorização do capital.

Vale a pena investir no banco Inter?

Você já deve ter ouvido falar no Banco Inter, o banco digital que não cobra taxa de transferência, taxa administrativa sobre a conta bancária nem sobre cartão de crédito.

Esse é só um dos argumentos da marca, que também se vangloria de ter uma plataforma digital capaz de gerar valor e uma experiência que combina excelência e praticidade.

Já os investidores, conhecem o Banco Inter como a ação que mais valorizou na bolsa de valores nos últimos 12 meses. A saber, 447,54% de valorização. Nada mais, nada menos, que a ação do setor financeiro com maior valorização no mundo no período.

O noticiário do final de agosto de 2019 dava conta de que o banco alcançou a marca de 3 milhões de clientes, tornando-se candidato ao posto de sexto maior banco digital do país.

Recentemente, o banco captou mais de R$ 1,25 bilhão numa oferta secundária de ações operada pelo grupo SoftBank, que investiu o montante de R$ 800 milhões.

O objetivo do banco, segundo João Vitor Menin, foi de cooptar novos parceiros com conhecimento e relações íntimas com o sistema financeiro mundial.

No início de outubro, o Inter prepara o lançamento de um marketplace, onde serão comercializados produtos financeiros e não financeiros, com a expectativa de ser reconhecido como o primeiro Super App do Brasil.

Histórico recente

O Banco Inter iniciou sua trajetória na Bolsa em maio de 2018. Foi a primeira fintech a abrir capital na B3, captando, na ocasião, R$ 722 milhões.

Desde então, aumentou 5,6 vezes sua carteira de clientes e as ações se valorizaram mais de 400%.

No balanço divulgado no final do primeiro semestre de 2019 o banco apresentava um total de ativos de R$ 6,8 bilhões, sendo que R$ 3,8 bilhões no circulante, com disponibilidade de R$ 1,9 bilhão. O patrimônio líquido da fintech era de R$ 972,6 milhões.

A empresa apresentava lucro líquido de R$ 84,7 milhões em 12 meses e R$ 32,9 milhões em 3 meses. No primeiro semestre, o lucro líquido acumulado era de R$ 50 milhões.

Ao final do primeiro trimestre o volume de depósitos à vista alcançou R$ 843 milhões, um aumento de 200% em relação ao mesmo período do ano anterior. Os investimentos de clientes também tiveram crescimento expressivo, 245% em relação ao mesmo período de 2018.

O saldo do banco no mês de março de 2019 foi de 8,5 mil novas contas diárias, considerando apenas os dias úteis.

A receita líquida da instituição financeira foi de R$ 407,3 milhões entre julho de 2018 e julho de 2019, alcançando R$ 107,3 milhões no segundo trimestre de 2019.

Outro dado importante, o APP do banco, carro chefe de sua proposta de valor ao consumidor, teve avaliação dos usuários de 4,4 no Google Play Store e 4,7 na App Store.

Além disso, o banco vem apresentando redução do custo de funding (captação de recursos), ficando abaixo de 80% do CDI e as receitas de serviços tinham alcançado um aumento de 106,5% em um ano no primeiro trimestre, chegando a R$ 38,5 milhões. O patrimônio líquido do banco mais que dobrou entre janeiro e dezembro de 2018.

Proventos

O banco iniciou o pagamento de JCP (Juros sobre Capital Próprio) já em junho de 2018, quando pagou 0,1187 por ação. Ainda em 2018 fez mais duas distribuições, totalizando 0,1822 por ação. Em março de 2019, pagou 0,1265.

O Yield em março foi de 1,55%. Caso repita a política de 2018, com aumento dos lucros, é possível pensar em um ganho expressivo com proventos, mas nada que coloque a BIDI4 entre os trens pagadores de proventos do mercado.

Vale a pena investir no Banco Inter?

Todos os números do são positivos e a expectativa do mercado é de que o Banco Inter não pare de crescer.

Ações banco Inter

A empresa investe continuamente em tecnologia, branding, governança e geração de valor ao mercado. A tendência é de que continue elevando suas receitas de forma acentuada e por um bom tempo.

Apesar disso, é preciso ficar atento aos movimentos dos grandes bancos, que sofrem pressão das plataformas digitais de serviços financeiros e de investimentos ao mesmo tempo. A mordida ainda é leve, mas bancos como Itaú e Santander já se movimentam para evitar maiores danos ao seu market share.

O Itaú, por exemplo, vem recorrendo ao enxugamento de custos para tentar competir com as fintechs em seu próprio nicho. Além de um programa de demissão voluntária, lançado em 2019, o banco vem fechando agências para tornar-se competitivo em custos ao cliente. Desde 2018, foram fechados 270 pontos físicos. O Banco do Brasil também caminha nessa direção.

Em outubro de 2019, o Itaú lança o iti, uma plataforma digital para pagamentos. O lançamento de plataformas digitais é uma tendência entre os chamados “bancões”.

A questão é saber em que ponto do futuro os bancos tradicionais conseguirão frear o avanço das fintechs. É uma pergunta que ninguém pode responder ainda.

A verdade é que o mercado precificou a BIDI4 num futuro indeterminado, movido pela vitalidade da empresa. É sensato acreditar que o apetite dos investidores tenda a arrefecer e a ação comece a oscilar. É o que pensam alguns especialistas, enquanto outros acreditam que ainda há espaço para o preço da ação do Banco Inter subir.

Donde podemos concluir que, para quem pensa em ganhar com valorização do capital aplicado, talvez seja o momento de refletir. Não há nada no horizonte que indique que as ações do banco vão se desvalorizar no curto ou no médio prazo. É justificado, no entanto, o receio de que os preços já tenham ultrapassado a linha da lógica e, mais cedo ou mais tarde, vá haver um ajuste por parte do mercado.

Para quem pensa em investir numa vaca leiteira há dois aspectos importantes. O banco pode se transformar em bom pagador de proventos nos próximos anos. É só ver o lucro dos bancos tradicionais, com toda sua estrutura física a carregar nas costas, com os respectivos custos, que não estão presentes no dia a dia das fintechs.

Com a diversificação de produtos e flexibilização do core business, sempre entregando sua proposta de valor por meio de plataformas digitais, é fácil presumir que a lucratividade das fintechs será maior que a dos bancos tradicionais.

Sendo assim, a BIDI4 pode ser uma boa opção para compor carteira com visão de longo prazo, para quem realmente quer virar sócio do negócio, não sendo afetado pelas oscilações de preço na B3. Sem deixar claro, de ter no horizonte a possibilidade de que a ação se valorize ainda mais no futuro.

Você pode, também, esperar a ação do Banco Inter cair para melhorar sua estratégia de value investing, mas corre o risco de ficar esperando sentado. Não há uma decisão mais certa que a outra.

IVVB11: Uma boa opção de ETF para investir?

ivvb11

Será que o IVVB11 é uma boa opção de ETF? Para responder a essa pergunta, você terá que fazer um longo exercício de análise. Vamos tentar ajudá-lo com essa tarefa mostrando o que é e como se comporta esse fundo ETF.

Antes, porém, vamos explicar o que é um fundo ETF. Trata-se de um fundo que tenta replicar a carteira de um índice. Os índices são, na verdade, indicadores de desempenho de um conjunto de ativos.

O mais conhecido deles entre os brasileiros é o índice Bovespa, composto pelas ações das empresas de maior liquidez e com maior volume de negociação de ações na B3, a Bolsa brasileira.

Você deve associar o índice Bovespa ao noticiário econômico. Ele é sempre mostrado como indicador econômico, mas o seu papel principal é retratar o desempenho da Bolsa de Valores.

Como as empresas listadas no índice Bovespa representam mais de 80% do volume negociado na B3, as suas variações oferecem um retrato do desempenho da Bolsa como um todo.

Sempre lembrando que a carteira de ações do índice Bovespa é hipotética, logo não é possível investir nela. É para isso, no entanto, que existem os fundos ETF (Exchange Traded Fund). Esses fundos montam uma carteira real que espelha essa carteira hipotética. Por isso que as pessoas dizem que investem no Bovespa.

O resultado é óbvio: se o Bovespa sobe, o BOVA11 valoriza; se o Bovespa cai, o BOVA11 se desvaloriza. O BOVA11 é o fundo de investimento em índice Bovespa.

 

O que é IVVB11?

Agora ficou fácil entender o que é IVVB11. Trata-se de um fundo ETF que permite a você investir em ações das 500 maiores companhias estadunidenses, todas de uma vez. Da mesma forma que o BOVA11 permite que você invista, ao mesmo tempo, em ações de empresas como Banco do Brasil, Ambev, Petrobras e Vale, o IVBB11 permite que você invista, de uma só vez, em ações de empresas como Apple, Microsoft, Facebook, Amazon, Johnson & Johnson e outras gigantes estadunidenses.

ivvb11

Essas gigantes da América do Norte compõem a carteira do índice S&P500, que é a carteira hipotética formada por ações hipotéticas das 500 maiores empresas dos Estados Unidos, sendo o mais abrangente de todos e capaz de retratar de forma mais fidedigna o desempenho do mercado de  ações nos Estados Unidos.

O IVVB11 é comercializado na B3, de forma que você não precisa contratar uma corretora nos Estados Unidos para investir nas empresas locais. Basta você adquirir uma cota do IVVB11.

Qual a vantagem de investir no IVVB11?

Falar em vantagem de investir no IVVB11 é transitar por um terreno pantanoso, mas vamos tentar trilhá-lo da melhor forma.

Podemos dizer, com segurança, que a carteira do S&P500 é formada por empresas sólidas, com alta liquidez, boa administração, bons fundamentos e potencial tanto de valorização, quanto de pagamento de proventos.

Trata-se, afinal, de uma das maiores economias do mundo e pudemos perceber que são empresas que produzem e comercializam produtos com altíssimo valor agregado, com capacidade privilegiada de investimento em pesquisa e desenvolvimento, gerando alto valor para o mercado consumidor.

Só isso já pode parecer suficiente para que o ativo seja recomendado ao investidor brasileiro, sobretudo porque as informações aqui retratadas indicam baixa volatilidade. A questão, no entanto, é que a segurança que venta lá não venta cá, embora os ativos sejam os mesmos.

É que as ações são adquiridas em dólar, mas aqui no Brasil elas são convertidas em reais.Isso pode ser bom ou ruim. Pode ser muito bom, excelente, ruim ou péssimo. Pode, mesmo, ser indiferente. Tudo depende da cotação do dólar no mercado interno.

Em outras palavras, se o dólar é apreciado frente ao real, se o preço do dólar subir, a cotação do IVVB11 também sobe. Caso, no entanto, o dólar caia, o IVVB11 se desvaloriza.

Para você entender como funciona esse mecanismo, vamos voltar a maio de 2014, quando o IVVB11 foi lançado. Na ocasião, o dólar estava cotado a 2,214 (cotação de 16 de maio de 2014). Desde que foi lançado, o IVVB11 teve valorização de 170% aproximadamente. Isso significa que, se você houvesse comprado R$ 1 milhão em cotas do fundo, teria hoje R$ 2,7 milhões.

Há, no entanto, um pequeno problema, que é a baixa liquidez do fundo. É bem provável que você tivesse que abrir mão de parte desse lucro de 170% caso decidisse desfazer suas posições. É que a demanda é baixa por esse tipo de papel e você precisaria dar descontos para conseguir vender todas as suas cotas.

Precisamos, no entanto, exemplificar a questão da relação com o dólar. E você vai entender facilmente se dissermos que o dólar se valorizou aproximadamente 180% no mesmo período, ou seja, entre maio de 2014 e julho de 2019. Em outras palavras, a valorização e os ganhos com o IVVB11 espelham o desempenho do dólar frente ao real.

O que aconteceria se fosse ao contrário? O IVVB11 despencaria proporcionalmente à queda do dólar.

Sendo assim, para investir no IVVB11 você precisa ter fortes indicadores de que o dólar vai se valorizar frente ao real. E a verdade é que nós não temos esses indicadores. Vale salientar que o dólar comercial oscilou nos últimos 365 dias, com o mesmo cenário político e econômico interno, entre R$ 3,64 e R$ 4,10.

Mas tem os proventos…

Também, cruzando os mais diversos indicadores e cenários, não se pode apostar que o dólar emplacará uma trajetória de queda, o que significa dizer que o risco do IVVB11 entrar em trajetória de queda livre é remoto.

Até porque tem os proventos. Sim, o IVVB11 paga proventos. A única diferença é que o dinheiro não vai para a sua conta. Ele é reinvestido no fundo, o que gera rendimento para você, mas decorrente da valorização do capital. Você só vai realizar esse lucro quando desfizer sua posição.

Além disso, como a economia estadunidense vive um bom momento, não é de se esperar que haja abalo que fragilize as empresas do país, exceto pela tal guerra comercial com a China, que tem no setor de tecnologia um dos principais campos de batalha.

O Ouro ainda é uma boa reserva de valor?

Com a próxima crise global se aproximando, uma das preocupações mais iminentes de qualquer investidor – ou mesmo qualquer pessoa que deseje proteger o seu patrimônio – é sobre a melhor forma de evitar a os efeitos perniciosos de uma queda drástica no crescimento econômico mundial.

Naturalmente, um dos primeiros ativos que vem à mente quando se pensa nessa questão é o ouro, que tradicionalmente sempre foi visto como uma garantia de perpetuação do montante de capital aplicado, pela sua característica de possuir um valor intrínseco, ou seja, um valor que é extraído de si próprio. Mas será que, nos dias atuais, o ouro ainda é uma boa reserva de valor?

 

A história do ouro

            Historicamente, a função do ouro primordial ao longo da maior parte dos últimos séculos foi o de moeda. Devido a uniformidade do minério e sua dificuldade de falsificação, o ouro passa a se tornar a moeda padrão para trocas ao longo do mundo. Desde a antiguidade, mais ou menos por volta do ano de 610 antes de cristo, começam a surgir as primeiras moedas cunhadas inteiramente em ouro.

Padrão ouro     Devido a dificuldade no transporte de grandes quantidades de ouro e o risco envolvido, a partir da idade média cria-se o costume de depositar o ouro nos cofres de bancos e receber, em troca, uma espécie de recibo, que dava ao portador o direito de sacar aquela mesma quantidade de ouro depositada em outra unidade daquela mesma Instituição financeira.

Com o passar dos séculos, essa prática se torna tão comum que as pessoas passam a utilizar os próprios recibos como moeda de troca, já que não fazia mais sentido substituir o papel por ouro a cada transação se a pessoa na outra ponta da troca ia fazer o mesmo futuramente, depositando o ouro para receber o seu recibo e depois entregando o recibo para receber o ouro quando quisesse realizar alguma troca.

Assim, surge a primeira versão do papel moeda, como que por puro acidente. Quando os governos passam a emitir os seus próprios papéis moeda, estes deveriam continuar possuindo uma quantidade em ouro equivalente que iria lastrear o valor daquela emissão de moeda, o famoso Padrão ouro que, infelizmente, já não existe mais, o que permite que governos ao redor do mundo possam literalmente utilizar a inflação como fonte de receita ao emitir moeda indiscriminadamente para fazer frente aos seus custos.

O Padrão ouro começa a ser enfraquecido a partir da I Guerra mundial, devido a intensiva necessidade de capital para sustentar os esforços de guerra, que fez com que os países envolvidos passassem a emitir moeda sem lastro, abrindo um perigoso precedente que acabou culminando no abandono oficial do Padrão ouro na década de 1970.

Em 1946, com o acordo de Bretton Woods, o dólar passa a ter uma certa paridade com ouro. Sob os termos do acordo, os países integrantes passavam a fixar suas taxas de câmbio em função do dólar. Os EUA, por sua vez, estabeleceram que uma onça de ouro (31,4 gramas) valeria U$ 35 dólares. Assim, indiretamente todas as moedas referenciadas em dólar estavam também indiretamente lastreadas em ouro.

Em 1971, o Padrão ouro chega oficialmente ao fim, com o fim da convertibilidade do dólar em ouro e o abandono do acordo de Bretton Woods por parte dos Estados Unidos, em função, principalmente, dos crescentes custos com a Guerra do Vietnã. Com isso, o dólar passa a se tornar uma moeda totalmente fiduciária, ou seja, seu valor derivava agora da confiança dos outros países na solidez da economia americana.

 

Comprar ouro vale a pena?

Sempre que a situação da economia começa a dar sinais de que irá mudar em breve, podendo dar origem a uma possível crise econômica, a tendência natural é que os investidores ao redor do mundo começam a correr atrás de moedas com maior confiabilidade. Como os EUA continuam sendo o maior player no cenário econômico global, os primeiros momentos de um cenário turbulento mostram uma corrida para o dólar. Entretanto, após esse momento inicial, se o cenário permanece turbulento e imprevisível, uma corrida para o ouro se torna cada vez mais iminente.

Mas será que vale a pena compra ouro? Bom, para responder a essa pergunta precisamos considerar primeiro que uma moeda tradicionalmente precisa possuir duas propriedades:

– Padrão de troca

– Reserva de valor

O Ouro, apesar do que muitos pensam, é atualmente um péssimo meio de troca, já que a sua forma de armazenamento, geralmente em barras de ouro, torna-o virtualmente indivisível, dificultando as transações comuns.

Por outro lado, o ouro continua sendo uma excelente reserva de valor, já que continua possuindo as características de raridade, durabilidade, fungibilidade, facilidade de identificação e consequente dificuldade de falsificação que foram as razões pelas quais o ouro se tornou a primeira moeda padrão de troca da história em primeiro lugar.

Entretanto, o investidor que pretende aplicar seu dinheiro em ouro precisa ter consciência de que ele não é uma boa opção de investimento, mas somente uma reserva de valor, pois não existe uma tendência de subida constante no preço do ouro a longo prazo para que este possa ser uma boa escolha de investimento.

De fato, o ouro é um ativo relativamente volátil, o que o torna uma opção excelente para especuladores, mas não para investidores. Essa volatilidade, entretanto, é bem menor do que as possíveis perdas em uma depressão econômica de grande monta, garantindo assim a sua propriedade de reserva de valor em momentos de crise.

O que são blue chips?

blue chips

O termo “blue chips” surgiu, pela versão mais conhecida, na década de 20, quando um funcionário da Dow Jones, a Bolsa de Nova York , Oliver Gingold, acompanhando o pregão, percebeu que algumas ações apresentavam uma cotação bastante alta.

blue chips

Na verdade, o termo blue chips já existia, referindo-se às fichas mais valiosas do cassino. Gingold apenas fez uma analogia ao chamar aquelas ações com altas cotações de blue chips.

Na ocasião, a analogia de Gingold acabou emplacando e o termo blue chips no mercado de ações passou a ser uma referência às ações mais caras do mercado, que, por razões óbvias, eram as ações das maiores empresas, líderes em seus segmentos, com alto volume de negócios realizados na Bolsa de Valores.

Com o tempo, o conceito de “ações mais caras” ficou ultrapassado. Passamos a considerar blue chips ações de empresas com alto volume de negócios na Bolsa de Valores, que possuem excelentes fundamentos financeiros e excelência nos processos de governança corporativa, transparência e relação com os investidores, além de pagarem regularmente bons proventos aos acionistas, decorrentes de uma operação sistematicamente lucrativa.

É claro que estamos falando de organizações gigantescas, como Petrobras, Vale, Ambev e tantas outras, cujos resultados são impactados por uma série de fatores, como mudanças de políticas governamentais, demanda internacional, mercado interno, desastres ambientais e variações cambiais.

Se as empresas, mesmo tendo ótimos fundamentos, são afetadas por uma série de fatores, é natural que o mesmo aconteça com a cotação das ações, cuja oscilação constante é impulsionada por movimentos especulativos ou pela reação a um fato político ou macroeconômico, cujos reais desdobramentos nem sempre são corretamente dimensionados, o que requer atenção redobrada dos investidores.

Vale a pena investir em blue chips?

É por essa razão que precisamos saber diferenciar o valor real da empresa da cotação da mesma na Bolsa de Valores.

blue chips

Para ficar mais claro, quando você compra uma ação, esperando que ela valorize-se, você está precificando o futuro. Você deve, portanto, ter boas razões para acreditar que aquela empresa tem todas as condições para crescer, aumentando, assim, seu faturamento e seu patrimônio. Com isso, as ações terão uma valorização real.

O que o investidor precisa entender é que há dois tipos de renda obtida no mercado de ações.

A primeira delas é a valorização sobre o capital. Esse é o ganho com base na lógica da empresa, já que, ao abrir capital na Bolsa de Valores, ela espera financiar seu crescimento ou a redução da dívida.

Quando essa empresa investe o capital obtido com IPO, espera-se que ela adquira novos ativos, aumentando a sua capacidade instalada, expandindo sua marca para novos mercados ou ampliando sua linha de produtos. Enfim, há diversas estratégias diferentes de crescimento, mas não é o caso aqui tratar delas, mas sim observar que o ponto a que a empresa pretende chegar com os investimentos é o crescimento.

Caso isso ocorra, a empresa vai se valorizar, assim como suas ações. Consequentemente, o investidor terá um ganho expressivo de capital. Nesse caso, pode realizar lucro vendendo as ações.

Quando a empresa abre capital para financiar sua dívida, isso gera, automaticamente, uma oxigenação do fluxo de caixa, redução da dívida, devido ao maior poder de barganha, acima do valor obtido junto aos acionistas e aumento imediato dos lucros. Com isso, o acionista tende a ganhar com a divisão desses lucros por parte da empresa.

Vale ressaltar que, pela legislação brasileira, as empresas são obrigadas a dividir com seus acionistas um montante não inferior a 25% do lucro líquido apurado no período. Esse valor é pago na forma de dividendos. Algumas empresas pagam dividendos sobre o lucro apurado trimestral. Algumas apuram e repassam o lucro semestral e outras anualmente.

Além disso, as empresas também pagam, a título de proventos, o JCP (Juros Sobre Capital Próprio). A soma de dividendos e JCP é o lucro obtido pelo investidor, que deve ser dividido pelo valor total das ações na data do pagamento dos proventos para calcular o Dividend Yield, que é o percentual de lucro sobre o capital.

Vamos dar um exemplo para ficar mais claro:

Você tem R$ 6.000,00 em ações da companhia. Somando o obtido com dividendos e JCP, você ganhou R$ 600,00. Isso significa que o seu Dividend Yield foi de 10%.

O que confunde muito alguns investidores é que algumas dessas empresas, basicamente as estatais, costumam fazer muitos investimentos em infraestrutura, aumento de capacidade instalada, pesquisa e desenvolvimento. Normalmente, todas as grandes empresas fazem isso e essa é a única razão para serem grandes.

A questão é que em momentos de grandes investimentos, notadamente nas estatais, a margem de lucro costuma ser comprimida, trazendo frustração aos investidores, que veem seus proventos reduzidos. É preciso, no entanto, ter em mente que o crescimento da empresa levará à valorização da ação, o que fará você ganhar com a valorização do seu capital.

Da mesma forma, a empresa pode, mais lá na frente, voltar a ser uma vaca leiteira, gerando bons proventos aos acionistas.

Evidentemente, não há tanta diferença quando se trata de estratégia. O melhor momento para se comprar uma ação sempre é quando ela está subvalorizada. Os maiores gurus do mercado de ações compram quando todos estão vendendo, mas sem deixar de levar em conta a análise fundamentalista da empresa.

Qual o seu perfil de investimento?

Diante do que foi dito, não basta que a ação seja uma blue chip. É preciso saber qual o seu perfil de investimento, que tipo de oportunidades busca e que riscos você está disposto a aceitar. É preciso avaliar quais são as políticas da empresa, quais seus projetos estratégicos e que resultados eles podem trazer para a empresa em termos de crescimento.

É preciso entender que o potencial de crescimento de uma blue chip em relação ao seu tamanho atual é sempre menor que o de uma empresa média. Da mesma forma, o risco de perda em relação ao tamanho atual é menor. Grandes perdas podem ser cobertas com a venda de ativos e redução de despesas, como tantas vezes temos visto.

É por isso que dizemos que as blue chips são ações com menor risco, mas também com menor potencial de valorização. Pelo menos em tese, porque há exceções para todas as regras. Foi o que aconteceu com a Petrobras ao descobrir e explorar o Pré-Sal a partir da segunda metade da década passada, o que acarretou uma grande valorização das ações da companhia no mercado num curto período de tempo.

Sendo assim, se você quer investir com uma boa gestão de risco, componha uma carteira com blue chips que paguem bons dividendos, lembrando-se de comprar as ações em baixa. Estude os fundamentos financeiros da empresa, sua gestão, seus projetos estratégicos e as tendências do mercado.

Porque alguém investiria em títulos com juros negativos?

Juros negativos

Se você acompanha o noticiário econômico com frequência, certamente deve ter ouvido falar recentemente em títulos emitidos por alguns governos europeus que possuem juros negativos, ou seja, o adquirente do título paga para emprestar dinheiro ao governo, ao invés de ser remunerado pelo capital do qual abrirá mão durante o tempo de maturação do título.

Mas por quê alguém faria isso? Em um primeiro momento, a própria ideia de títulos com juros negativos parece loucura, mas na verdade há uma lógica por trás disso e a interpretação econômica adequada nos traz um provável cenário futuro nada agradável.

 

Títulos com juros negativos: Sua Razão de existir

Há alguns anos, alguns governos da Europa – dentre eles, Suiça, Alemanha e recentemente a Dinamarca – vem oferecendo título da dívida pública com juros negativos. O tomador do título os compra pelo seu valor de face, como qualquer outro título, mas vai recebendo pagamentos que, ao final de alguns anos, serão, em sua cifra total, menor do que o montante investido.

O que pode parecer loucura na verdade tem a sua razão econômica: Quem compra esses títulos prevê que uma recessão econômica grave esta prestes a acontecer e calcula que os juros negativos que receberá serão mais amenos do que a perda que pode sofrer em seu patrimônio ao longo dos próximos anos se deixar seu dinheiro em ativos com melhor remuneração, porém menos seguros.

Assim, essas pessoas buscam títulos de longo prazo (5,10 ou mais anos) de governos com excelente classificação de risco, que oferecem grande segurança e proteção ao seu capital, e aceitam pagar juros negativos sobre esse capital de, digamos -1%/ano, como contrapartida da proteção conferida ao capital ao longo do próximos anos, quando calculam que uma forte crise econômica estará dilapidando o patrimônio alheio a uma taxa muito maior do 1% ao ano.

Por mais que as últimas crises tenham abalado a antiga confiança que muitos investidores tinham em instituições anteriormente consideradas extremamente sólidas, é um fato notório que países como Alemanha e Suiça continuam sendo considerados dois dos mais seguros locais para aplicar o seu dinheiro, oferecendo um nível de proteção que compensam em larga escala os juros negativos pagos, isso é, caso efetivamente ocorra uma crise econômica global nos próximos meses/anos.

 

Os efeitos dos juros negativos na economia

Apesar da lógica por trás da situação, é claro que algo tão anômalo quanto títulos públicos de juros negativos sempre trará efeitos significativos na economia como um todo.

Juros negativos

O primeiro efeito claro dos juros negativos e que já esta sendo sentido é a situação calamitosa de forte redução de lucros e aumento de perdas de grandes bancos privados europeus, como, por exemplo, o Deutsche Bank, um dos mais tradicionais bancos alemães, que vem sofrendo prejuízos tão grandes com a onda de juros negativos que suas ações já são cotadas na bolsa alemã a apenas um quinto, ou 20%, do valor de patrimônio líquido por ação, ou seja, caso o banco encerrasse suas atividades hoje e todo o patrimônio fosse distribuído aos acionistas, cada um receberia um valor 5 vezes maior do que a cotação atual das ações que detêm.

Essa disparidade se deve ao fato do mercado interpretar que o deutsch Bank ainda irá sofrer muitos prejuízos futuramente com a continuidade da política de juros negativos. Ainda, assim, trata-se de uma situação surpreendente que mostra a especificidade da situação. Ações cotadas a um valor abaixo do de patrimônio líquido já são uma raridade nos dias de hoje, mas 5 vezes abaixo é algo totalmente fora do comum.

Quando lembramos que toda a atividade bancária se baseia no spread, a diferença entre os juros pagos pelo banco e os juros cobrados dos clientes – basicamente tomando emprestado barato e emprestando caro – fica mais fácil entender como a política de juros negativos tem corroído a lucratividade de grandes banco europeus.

Uma das formas pelas quais isso ocorre é através da quantia que os bancos deixam depositadas junto ao ECB (European Central bank). Tradicionalmente, esses depósitos eram compostos do dinheiro ainda não emprestado e rendiam ao banco algum juros pelo simples fato de estarem depositados junto ao ECB. Atualmente entretanto, com a política de juros negativos, os bancos pagam para deixar o dinheiro parado lá.

Unindo isso a compressão sistemática das taxas de juros – e consequente diminuição do spread – a margem de lucro real dos bancos se torna muito menor, levando a situação de diminuição drástica na receita líquida e queda vertiginosa nos preços das ações.

Infelizmente, a perspectiva é de manutenção e talvez até de maior intensidade das políticas de juros negativos dos governos europeus. Isso pode levar a uma situação semelhante a que ocorreu em 2008, com bancos gigantescos indo a falência em cadeia e o governo usando dinheiro do contribuinte para resgatá-lo, o que obviamente, só prolonga o ciclo e gera as condições básicas para que a mesma situação ocorra novamente no futuro, e de forma mais grave.

O que é um ETF? Vale a pena investir?

ETF

Você sabe o que é um ETF?

ETF é uma espécie de fundo de investimento que segue algum índice listado na Bolsa de Valores.

Como você sabe, os índices listados na Bolsa de Valores são o produto do agrupamento hipotético de ações com um perfil determinado, como veremos melhor mais adiante.

O mais famoso deles é o índice Bovespa, que reúne as empresas de maior liquidez, com maiores volumes negociados na B3, que representam mais de 80% do volume de negociações, reunindo ações de empresas como Vale, Petrobras, Banco do Brasil, Bradesco, Itaú e papéis de outras grandes companhias.

A composição desse índice é uma média ponderada do peso de cada uma das companhias no conjunto. O índice, em si, indica o desempenho desse conjunto de ações dentro de um determinado período. No caso do índice Bovespa, ele é um termômetro de toda a Bolsa de Valores, pelo fato de mostrar o desempenho médio das maiores empresas, responsáveis por mais de 80% dos negócios na B3.

Você deve ouvir diariamente no noticiário econômico que o índice Bovespa teve alta ou queda. Isso significa que, na média, o mercado de ações foi bem ou mal para os investidores. Vale observar, no entanto, que essa é, normalmente, uma visão de curto prazo, que não deve servir como principal ferramenta de análise, substituindo a avaliação individual da empresa em que você vai investir.

Como funciona um ETF?

Agora que já sabemos o que é um ETF e um índice da Bolsa de Valores, fica bem mais fácil explicar o que é esse tipo de investimento, que, na verdade, é algo bem simples, embora ainda não tão popular no Brasil.

o que é um ETF

É só juntar as duas coisas. O ETF é uma carteira de investimento que reflete a composição do índice escolhido.

Vamos exemplificar?

Índice X = ação Y com participação de 2%

ETF – ação Y com participação de 2%

Simples, não é?

Compondo a carteira do fundo da mesma forma como o índice é composto, com as mesmas ações e respectivas participações na carteira hipotética, temos uma carteira real idêntica.

O fundo ETF compra as ações de acordo com a participação de cada uma no índice, monta a carteira, divide em cotas e vende aos investidores. É por isso que muita gente diz que está investindo no índice Bovespa.

Bem, não é exatamente no índice, mas numa composição de ações que reflete o índice. Em razão disso, a carteira do fundo tende a espelhar o resultado do índice Bovespa. Não é simples?

Por que investir num fundo ETF?

Você pode encontrar muitas boas razões para investir no fundo ETF e outras tantas para não investir.

Então, nós vamos fazer um balanço geral sobre as vantagens, riscos e desvantagens. No final, você decide, está combinado?

Você sabe que o fundo de investimentos é uma forma de você, com baixo investimento, ter acesso a uma carteira diversificada e administrada por um especialista, capaz de fazer uma boa gestão de oportunidades e riscos.

Cada fundo de investimento tem seu perfil, sendo que o mais recomendável é o investimento em fundos de perfil moderado, que combinam investimentos em renda variável com investimento em renda fixa, buscando equilibrar eventuais perdas nas aplicações de maior risco.

Tudo isso, como você percebeu, requer gestores de fundo dedicados, o que torna mais alta a taxa de corretagem, que varia, nos fundos tradicionais, na faixa de 2% a 3%.

Enquanto isso, os fundos ETF cobram taxa de corretagem de no máximo 0,6%. Isso pode fazer uma enorme diferença na rentabilidade e só é possível porque, ao fazer sua carteira espelhando a dos índices da B3, não há necessidade de ter um gestor ajustando a carteira o tempo todo para buscar maior rentabilidade para os investidores.

Se isso é uma vantagem, temos, por outro lado, a desvantagem de se deixar passar oportunidades e de não se enfrentar as ameaças iminentes. Tudo isso, claro, pensando num viés de curto prazo.

O que há de melhor nas ETF é o que está na essência do bom investimento. É que cada índice reflete o desempenho de um determinado setor ou perfil de ações.

O IFNC, por exemplo, reflete os resultados das principais empresas do setor financeiro, assim como aquelas que possuem as melhores políticas de governança corporativa dentro do setor.

Como usar isso ao seu favor? É uma questão de você fazer uma análise macro e microeconômica para tentar entender o que vai acontecer com o setor financeiro no curto, médio e longo prazo. Se as perspectivas forem boas, ao aplicar seu dinheiro numa carteira que reflete o IFNC, você, além de investir num setor da economia com boas perspectivas de crescimento, com valorização do capital e geração de proventos, estará investindo em empresas sólidas, com boa gestão e baixo risco de deterioração dos resultados futuros.

Melhor do que isso, só se as ações estiverem em baixa, o que permitirá a você comprar mais ações com o mesmo dinheiro, aumentando o potencial de recebimento de dividendos e com perspectiva de grande valorização do capital.

Fundos ETF pagam dividendos?

Deve ter ficado uma dúvida com relação aos dividendos. É compreensível, porque deve parecer uma tarefa um tanto quanto trabalhosa calcular e repassar dividendos a cada um dos cotistas do fundo cada vez que uma empresa pagar proventos aos seus acionistas.

A solução é muito simples. Os fundos, nesse caso, recebem e reaplicam os dividendos, o que aumenta, proporcionalmente, o valor de cada cota. Então, ao contrário do que acontece quando você investe direto em uma ação na B3, o fundo não credita para você os dividendos e JCP. Ele reinveste os proventos e aumenta o valor da sua cota proporcionalmente às novas aquisições.

Fundos ETF em renda fixa existem

O ETF em renda fixa existe. Como já diz o nome, a diferença para os fundos de renda variável é o baixo risco. Além disso, gera menos dor de cabeça com o imposto de renda, já que a alíquota é aplicada na fonte, diferente dos fundos ETF em renda variável.

Em comum, os ETF em renda fixa também refletem índices de desempenho de determinado grupo de papéis. Um exemplo é o IMAB11, um dos mais tradicionais da B3, que reflete o comportamento dos títulos do Tesouro IPCA +.

Em comum, também, as baixas taxas de administração.

Agora que você já por dentro de como funciona, boa sorte nos investimentos!

O que é Macroeconomia? Qual sua importância para o investidor?

Macroeconomia

Quer saber o que é macroeconomia? Então pense que em algum momento de sua vida você já deve ter ouvido falar em crise econômica.

Não é necessário, para tanto, ter passado os últimos anos da existência no Brasil. É só lembrarmo-nos da crise econômica de 2008. Na verdade, uma crise econômica causada por uma crise financeira. Na ocasião, o Brasil foi menos afetado já que estava em um momento diferente do ciclo econômico.

Talvez você não tenha ouvido falar na segunda-feira negra, marco de uma das mais estrondosas crises macroeconômicas recentes.

Na ocasião, no dia 15 de setembro de 2008, o Lehman Brothers, um dos mais tradicionais bancos dos Estados Unidos, foi à falência.

Vamos falar brevemente da razão que levou à quebra do Lehman Brothers, pois o mais importante são as consequências.

Você sabe que, ao mesmo tempo em que é um passivo, a dívida pode se transformar num ativo, correto? É o que acontece quando um banco vende para um fundo de investimentos um direito perante um determinado cliente, oferecendo um bom desconto, antecipando a receita e preservando parte de seu spread.

Foi mais ou menos o que aconteceu na crise de 2008. Bancos estadunidenses venderam CDOs em grande quantidade no mercado internacional para financiar créditos no mercado doméstico do país.

Você já deve ter ouvido falar em CDI, que é a taxa referencial de juros para crédito concedido de uma instituição financeira para outra. O CDI é indexador de investimentos como CDB, LCI e LCA. Nesses investimentos, os investidores emprestam dinheiro aos bancos, que são usados para financiar o crédito dos bancos ao consumidor e às empresas, com juros bem mais altos.

O que aconteceria com os investidores se esse consumidor e essas empresas deixassem, em conjunto, de pagar pelos empréstimos? Teríamos o banco quebrando e os investidores ficando a ver navios.

Pois foi mais ou menos isso que aconteceu em 2018. Os bancos estadunidenses misturavam operações de crédito de baixo e alto risco num mesmo pacote, financiando-os com CDOs irresistíveis e risco absurdamente subestimado. Para completar, famosas agências de classificação de risco indicaram a bomba relógio como um grande investimento.

Quando quiser investir, não dê tanto crédito às agências de classificação de risco e desconfie das indicações de quem quer que seja. Confie em informações obtidas com muita investigação, estudo e análise.

A bomba relógio explodiu no colo dos investidores. É o que chamamos de macroeconomia. O efeito dominó derrubou outros bancos, comprometeu orçamentos governamentais, que precisaram salvar os bancos locais da insolvência, derrubaram investimentos governamentais, geraram desaceleração da economia, recessão e desemprego.

O que é macroeconomia

A razão para lembrarmos e descrevermos esse terrível episódio é mostrar com um exemplo didático o que é a macroeconomia.

Macroeconomia é a visão sistêmica e integrada das diversas variáveis econômicas dentro de um contexto geográfico. Podemos falar em macroeconomia da Região Sudeste, do Brasil, da América do Sul, da América Latina, da América ou do mundo inteiro.

Macroeconomia

Nesses diferentes contextos, essas diversas variáveis econômicas interagem e afetam umas às outras. Atendo-nos à economia real, podemos dizer que o aumento do consumo gera aumento da produção, que o aumento da produção gera mais empregos, gerando um ciclo que terminará no aumento das exportações, na melhora dos resultados da balança comercial, que trará, como consequência, o aumento das divisas do país, que também arrecadará mais com impostos, gerando mais investimentos e mais empregos.

Se, por alguma razão, ocorre uma recessão mundial, com retração do consumo e queda nas exportações, esse ciclo acaba sendo afetado.

Então? A macroeconomia estuda de forma integrada essas variáveis, de modo a tentar entender profundamente como se dá essa relação sistêmica, de interdependência, oferecendo relatórios e estudos a governos e empresas, de modo que esses possam qualificar seus planejamentos, sobretudo no sentido de vislumbrar oportunidades e fazer gestão dos riscos.

Estão entre os indicadores macroeconômicos usados em escala regional e mundial:

– PIB;

– Índices de Preços;

– Taxa de Desemprego;

– Taxa de Investimento;

– Gastos Públicos;

– Consumo;

– Balança Comercial;

– Preço do Dólar;

– IDH;

– Etc.

Enfim, tudo que pode afetar a economia, de um modo geral, deve ser compreendido como indicador macroeconômico.

Só para reforçarmos o conceito, vamos fazer uma imersão histórica e voltar à crise do petróleo que teve início em 2014.

No ano de 2008, o preço do barril do petróleo chegou a alcançar um preço superior a US$ 130 o barril. O preço do barril foi afetado pela crise de setembro de 2008 e chegou a cair para a faixa dos US$ 40 dólares. Já no início de 2009, o preço do barril voltou a subir, chegando bem próximo, em 2011, ao patamar de 2008. No final de 2014, o barril chegava a US$ 95, um pouco antes da crise do petróleo. No final de 2015, o barril caíra para menos de US$ 40, afetando gravemente a economia da Venezuela, país fortemente dependente do petróleo, e agravando a crise política brasileira, que, consequentemente, abalou a economia nacional.

Uma série de fatores contribuiu para a crise, dentre os quais o aumento da produção nos Estados Unidos nas áreas de xisto, a resistência dos países da Opep em reduzir a oferta e a redução da demanda por petróleo na Europa e na Ásia.

Como a macroeconomia afeta o investidor

Como pudemos perceber, a macroeconomia é capaz de afetar a política, seja de forma global, seja regional. Imagine você, então, como ela não pode afetar seus investimentos.

Atualmente, a queda geral dos juros no mercado internacional vem afetando de forma brutal investimentos mais conservadores. No Brasil, já tivemos taxa Selic acima de 20%, servindo como indexador para investimentos em época de inflação baixa.

Aliás, em épocas assim devemos nos questionar se estamos, de fato, falando de investimento conservador, uma vez que uma das características desse tipo de investimento é a baixa rentabilidade frente aos investimentos em renda variável, considerados de alto risco.

Tudo bem, fiquemos com a explicação recorrente. Tratava-se de uma jabuticaba. O fato é que atualmente, com a Selic em 6%, os investimentos em renda fixa já não são mais tão atraentes quanto foram em outros tempos.

A mais importante lição, no entanto, que talvez ainda não tenha ficado evidenciada, é que precisamos desconfiar de tudo que não seja balanço financeiro, análise fundamentalista, indicadores de governança, tamanho e estágio do mercado, macroeconomia (sim, ela também!) e tecnologia.

Além disso, debandadas como a do final de 2008 podem ser excelentes oportunidades para comprar ações a preços baixos. Em muitos casos, a queda nas cotações de muitas ações não retratam a situação das empresas, mas o nervosismo do mercado, que, como tudo que envolve a sociedade humana, tem muito mais de emocional do que de racional..