A próxima crise econômica Global esta próxima?

Crise econômica

Muito tem se falado sobre uma possível crise econômica global que se aproxima a passos largos. Se olharmos a natureza cíclica da economia global, marcada por ciclos de expansão fomentada por políticas expansionistas de crédito que geram liquidez artificial e ciclos de contração que corrigem as distorções geradas durante o período de boom, parece ser claro que uma nova crise deve acontecer em breve, especialmente quando se considera que a última grade crise – a de 2008 – já se passou há mais de 10 anos.

Mas o quão próxima esta crise está? E quais são os fatores que podem ser observados que nos indicam que ela já começa a se desenvolver? É sobre isso que iremos falar melhor nesse artigo.

 

O Presságio da próxima Crise

 

            O primeiro fator que liga o alerta para a próxima crise global é o próprio funcionamento da economia em nível mundial. A forte intervenção governamental no controle da taxa de juros e da reserva monetária leva, necessariamente, a uma economia cíclica, que terá períodos de marcado crescimento econômico acelerado e outros de forte queda na demanda geral e consequente contração.

Isso ocorre porque, ao tentar estimular o consumo através da diminuição da taxa de juros, o governo gera uma expansão descontrolada do crédito, que por sua vez gera uma liquidez artificial, ou seja, os consumidores possuem mais dinheiro para gastar, e durante algum tempo a economia crescerá de modo acelerado a medida em que o consumo se expande continuamente com base no crédito abundante. Em algum momento, entretanto, esse dinheiro terá de ser devolvido e com juros. Alguns consumidores não conseguirão quitar suas dívidas e a taxa de juros subirá novamente, gerando contração no consumo e a consequente crise econômica.

Crise econômica
Federal Reserve, ou FED, o banco central americano

Essa natureza cíclica de uma economia com forte intervenção de um Banco Central nos permite afirmar que a um período de bom crescimento econômico sempre se sucederá um de marcada contração da economia. Mas a partir de quando exatamente podemos dizer que o ciclo se inverte?

Bom, para isso temos algumas pistas que podem ser utilizadas. Historicamente, os EUA têm apresentado uma crise econômica a cada 8 ou 9 anos desde a Segunda guerra mundial, variando entre crises menos graves e crises avassaladoras. Entretanto, estamos já em 2019, 11 anos depois da última grande crise global de 2008, iniciada pela expansão do crédito imobiliário subprime americano e continuamos em uma fase de crescimento econômico. Este fator temporal por si só já nos indica que algo esta para mudar em breve.

Uma observação importante de ser feita é que os ciclos econômicos de crescimento/recessão têm mudado de configuração ao longo das últimas décadas. Em geral, os ciclos de crescimento têm se tornado mais longos –porém com um crescimento médio anual menor – e os de recessão mais curtos. Essa nova configuração é vista como um sinal de progresso pelo Banco Central americano, o FED, mas na realidade apenas prepara o cenário para uma crise ainda mais catastrófica no futuro.

ciclos economicos
Alan Greenspan

De fato, Alan Greenspan, que foi presidente do FED de 1987 até 2006 – pouco antes do estouro da crise econômica – chegou a afirmar que o conhecimento obtido nas gerações anteriores permitiria ao FED chegar perto de eliminar as crises econômicas através de constante reinjeção de liquidez na economia.

A realidade, entretanto, é que as crises cíclicas surgem exatamente em decorrência da liquidez artificial injetada na economia pelas políticas de expansão creditícia do Banco central, sendo um mecanismo do mercado para corrigir os péssimos investimentos feitos durante esse período de falsa bonança, bem como o endividamento em excesso e a falsa prosperidade de negócios que, sem aquela liquidez artificial, jamais prosperariam

A crise nesse caso é, portanto, fundamental para que o mercado volte a operar da maneira adequada e a economia possa crescer de modo real. Ao injetar liquidez com ainda mais agressividade na economia, ao longo de um tempo maior, como parece ser a nova ótica do FED, o que teremos é um período de correção ainda mais violento nos esperando logo a frente.

 

A inversão da curva da Taxa de juros

Como você já sabe, a tendência natural no mercado de títulos de dívida é que os títulos de curto prazo, que pagam ao credor em um período de meses ou poucos anos, oferecem uma taxa de juros menor do que os títulos de longo prazo, a serem pagos em 5, 10 anos ou até mais em muitos casos.

Essa tendência decorre da própria lógica, já que o credor que abre mão do seu capital principal durante uma maior fatia de tempo necessariamente desejará ser melhor remunerado por isso, de modo que títulos que vençam em um prazo mais longo terão de oferecer juros maiores para os seus detentores.

Entretanto, algo que vem se observando nos últimos tempos é a inversão da curva de juros, algo que historicamente tem antecipado as crises econômicas americanas. O spread, ou a diferença, entre os juros dos títulos do tesouro americano de 10 anos e os títulos de 3 meses tem se chegado próximo a zero, ou seja, alguém que abre mão de seu dinheiro por 10 anos irá ganhar, em juros anuais, quase o mesmo que alguém que abre mão do dinheiro por apenas 3 meses, o que representa uma distorção do mercado de títulos americanos.

A inversão da curva de juros dos títulos americanos é um sintoma da deterioração da liquidez e necessidade de refinanciamento de dívidas provocada pelo ciclo de expansão anterior e, por isso, quase sempre ao longo da historia previu a ocorrência de uma crise de alguns meses até 2 anos depois de verificada.

Em alguns casos, o spread entre um título de longo prazo e um de curto prazo se encontra negativo, como é o caso das notas do tesouro americano  o que denota ainda mais a queda brusca na liquidez desde o último ciclo expansionista, iniciado em 2009.

 

Como se proteger da próxima grande crise?

 

Com a junção dos dois fatores discutidos acima, torna-se quase inevitável a ocorrência de uma crise global em breve, e provavelmente será uma ainda pior do que a de 2008, dados que as causa de qualquer crise econômica – expansão artificial da liquidez impulsionada pelo banco central – estão se verificando em ainda maior intensidade. Mas como é possível se proteger contra essa crise?

Bom, a primeira questão aqui é se lembrar de que toda crise traz em si também uma grande oportunidade, pois muitos dos ativos de alta qualidade e caros demais durante o momento de boom se tornam suficientemente baratos para que possam ser comprados em grande quantidade por investidores perspicazes.

De fato, muitos investidores enriqueceram em momentos de crises. John Templeton, sobre o qual já falamos aqui, saiu de uma infância pobre para se tornar um bilionário em grande parte devido a ter sabido aproveitar o momento econômico da segunda guerra mundial, na qual grande parte dos investidores ficou com medo e parou de aplicar dinheiro no mercado, barateando em larga escala ações de empresas com excelentes fundamentos.

Para usar um exemplo mais atual, o maior investidor do mundo Warren Buffet esta atualmente em uma posição extremamente líquida. O fundo da Berkshire Hattaway atualmente possui 120 bilhões de dólares – de um total de 200 bilhões – em dinheiro. Buffet parece estar se preparando para as compras à espera da próxima crise.

Portanto, a primeira forma de se preparar para a próxima crise é manter um mínimo de liquidez, dinheiro em caixa para investir quando os ativos caírem vertiginosamente de preço na próxima crise.

Um segundo método é investir em ouro físico. O ouro, apesar de muitas mudanças ocorridas no cenário econômico global ao longo das últimas décadas continua sendo uma reserva de liquidez, já que, por definição, não pode ter seu valor depreciado.

Devo investir na Eletrobras?

Ações da eletrobras

Investir em ações da Eletrobras é um bom negócio? Vamos percorrer todo o caminho necessário para tentar responder a essa pergunta ou, pelo menos, para cercar você de informações que orientem suas decisões e o perfil do investimento a ser feito na companhia, caso a conclusão seja de que o momento é propício e o futuro promissor.

Quando falamos em futuro promissor, estamos falando em investimento de longo prazo, o que inclui, naturalmente, que a empresa se comporte como um vaca leiteira, com fundamentos econômicos, financeiros e estratégicos fortes, lucratividade elevada e pagamento de expressivos proventos aos acionistas.

No dia 21 de agosto, uma simples reunião do presidente da Câmara dos Deputados com o presidente da República, tratando da iminente privatização da empresa, fez com que a cotação das ações da companhia estatal disparassem na Bolsa, com alta de 10,9% em menos de 24 horas. No mesmo dia, o índice iBovespa apresentou alta de 2%, puxado, inclusive, pela alta da companhia elétrica.

É preciso entender por que a privatização de uma grande companhia estatal provoca euforia entre os investidores. Sabemos que o mercado de ações não precifica o presente, mas as expectativas quanto ao futuro. A diferença básica entre uma empresa estatal e uma empresa de capital privado está no propósito. Ambas precisam ter uma operação lucrativa, que é, em última análise, o que atrai capital de investidores, que é a forma mais barata e menos arriscada de financiamento do crescimento da companhia, uma vez que o acionista é um sócio, que compartilha as oportunidades e os riscos, enquanto o banco empresta dinheiro e cobra juros.

As semelhanças quanto aos propósitos param por aí. Enquanto uma empresa estatal está atrelada às políticas de Estado, tendo como propósito ocupar um papel estratégico na economia do país ou dos estados e municípios que detêm seu controle, o único propósito da companhia de capital privado é obter lucro, o que, em última análise, faz com que sua direção busque os investimentos mais lucrativos.

Sendo assim, a expectativa é de que a empresa, ao ser privatizada, se torne, pelo menos em tese, mais lucrativa. O importante é que você entenda o contexto atual, que é o debate em torno da privatização da companhia, e o que interessa ao investidor.

Entenda melhor a Eletrobras

A Eletrobras é uma sociedade de economia mista controlada pelo Governo Federal, cujo negócio é a geração, transmissão e distribuição de energia elétrica. Trata-se de uma holding que envolve várias empresas do setor, que inclui a Eletropar, a Eletrobrás Furnas, a Eletrobrás Eletronuclear, a Eletrobrás Eletronorte, Eletrosul e outras.

É responsável por 37% da geração de energia no país, com uma capacidade instalada de mais de 42 mil megawatts, dividida por 36 hidrelétricas e 128 termoelétricas, sendo duas delas termonucleares. Seus 58 mil quilômetros de linhas de transmissão correspondem a 57% em participação no território nacional.

Desde 2008, a empresa atua no mercado externo, tendo como premissa estratégica a integração energética do continente Sul-Americano, como parte da estratégia de integração regional.

Histórico recente

A Eletrobras possui, de acordo com o balanço de julho de 2019, um ativo total de R$ 181,9 bilhões, estando R$ 42 bilhões no ativo circulante. A receita líquida no período foi de R$ 17,2 bilhões, com lucro líquido de R$ 17,4 bilhões. A dívida da companhia é de R$ 56,7 bilhões e o patrimônio líquido é positivo em R$ 62,3 bilhões.

A previsão é de que o lucro líquido da companhia pode ultrapassar os R$ 20 milhões em 2019. O resultado do segundo trimestre foi lucro de R$ 5,6 bilhões. Em 26 de agosto, a ação era cotada a R$ 43,80.

Apesar dos bons números iniciais, a empresa vem apresentando uma oscilação para cima da dívida desde 2013, assim como o patrimônio líquido já foi de R$ 85 bilhões em 2009. Depois de uma trajetória de prejuízos entre 2013 e 2017, a empresa voltou a apresentar lucro em 2018, com manutenção da trajetória nos primeiros dois trimestres de 2019, o que contrapõe a trajetória da receita líquida, que teve queda acentuada em relação ao mesmo período de 2018.

Para termos uma ideia, a companhia, no segundo semestre de 2019, teve um aumento de 305% no lucro líquido em relação ao mesmo período do ano anterior. Não devemos, portanto, dar atenção a esses números maior que o devido, uma vez que é motivado pela rotina de renovação de concessões e agregação de receitas.

Como fica a ELET3?

A ação da Eletrobras terminou o ano de 2018 com cotação na faixa dos R$ 23,50. Em 26 de agosto, a cotação é de R$ 43,80. A trajetória de alta iniciou-se em 2016, quando a cotação da ação da companhia chegou a um patamar abaixo dos R$ 5,00. Como não poderia ser diferente, a corrida aos papéis da estatal foi motivado pela nova política de governo implementada por Michel Temer, com liberação dos preços dos serviços públicos e, claro, com a expectativa de uma privatização no horizonte.

elet3

Quem investiu, conseguiu ganhos na faixa de 900%. A trajetória de alta se manteve em 2019. A ELET6 teve valorização de 66% só no primeiro semestre. A questão toda é saber se as ações da Eletrobras continuarão subindo. Ao mesmo tempo, é preciso monitorar a reversão da trajetória de pagamento de proventos. Depois de quatro anos sem pagar dividendos, a companhia distribuiu 0,8106 por ação em abril de 2019. Não há, no entanto, indicativo de que o pagamento de dividendos se transformará em rotina.

Vale a pena investir?

Vale ressaltar que as ações da companhia estão mais de 100% acima de seu maior valor histórico antes da escalada que se iniciou em 2016, que foi de R$ 21,34 em janeiro de 2010.

Ainda que haja especialistas que apostem na continuidade da trajetória de alta, o momento, para quem pensa em um investimento seguro e com bons proventos, não recomenda a compra.

É recomendado aguardar o que vai acontecer com a companhia, que deve ajustar seus fundamentos a uma trajetória de lucro e o preço das ações a uma perspectiva mais realista.

 

 

Investir na B3: uma boa ideia para o investidor conservador?

B3

Investir na B3 é uma boa alternativa para o investidor conservador? Bom, para responder a essa pergunta é preciso, antes, que consigamos descrever o que é um investidor conservador, conceito que pode variar de acordo com o ambiente de negócios.

A grande verdade é que falar em investidor conservador remete a aversão aos riscos, o que, de certo modo, não deixa de ser um contrasenso. Ora, sabemos, de antemão, que as duas variáveis básicas do investimento são a oportunidade e o risco. Para cada oportunidade, temos um risco envolvido.

O que se tem dito, com muita propriedade, é que grandes oportunidades envolvem grandes riscos e que baixo risco combina com baixos ganhos.

A questão toda é que o que se vem praticando no Brasil desmente, de certo modo, a lógica do investimento. Você pode imaginar que em março de 1999 a taxa básica de juros chegou a 45%? Imagine só o ganho de um investidor que colocava seu dinheiro em papéis indexados à taxa Selic ou ao CDI, taxa referencial de crédito entre instituições financeiras.

O cenário só começou a mudar, gradualmente, a partir de 2006. Desde então, a política do Banco Central vem fazendo com que a Selic oscile para baixo. Em 2012, chegou a 7,25%, voltou a subir nos anos seguintes e em agosto de 2019 alcança o menor patamar histórico, de 6%, contra uma meta de 6,4% no ano.

Outro indexador, o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), que mede a inflação, projeta para 2019 um índice abaixo dos 4%. Ao que tudo indica, os altos rendimentos obtidos com investimentos em renda fixa estão um passo além dos dias contados. É a realidade dizendo que os investimentos conservadores se tornaram realmente conservadores, com baixos riscos e baixas taxas de retorno sobre o investimento.

Quando falamos que o Tesouro Direto pré-fixado promete prêmio anual acima de 8,5% a.a., podemos dizer que a rentabilidade é excelente, pelo menos no cenário atual. Ao mesmo tempo, as ações da Magazine Luiza valorizaram na casa de 1.000% desde 2011, quando abriu seu capital. As ações do Banco Inter, só em 2019, subiram mais de 100%.

Estamos falando de empresas com ótimos fundamentos, com trajetória de crescimento de ativos e investimentos, com trajetória de lucro e aumento de receitas em suas operações. Será que estamos falando realmente de um investimento de alto risco?

É alto risco ou falta de habilidade?

O risco maior está, na verdade, na falta de habilidade e na visão equivocada do investimento, não na volatilidade dos papéis.

Para investir em ações é preciso ter habilidade. Ou um conjunto de habilidades que só podem ser obtidas por meio do conhecimento.

Você vê dia após dia o noticiário falando dos humores do mercado, que um dia está otimista e no outro está nervoso, para ficar pessimista mais adiante e eufórico um dia depois. O mercado pode ficar com o humor que ele quiser. Você não pode.

É preciso, em primeiro lugar, separar o que é desempenho da empresa e o que é desempenho das ações na B3. Para as devidas apresentações, para quem não conhece, a B3 é a Bolsa de Valores brasileira.

O que você precisa entender é que a Bolsa precifica futuro. Em outras palavras, o preço das ações reflete o que o mercado acredita que acontecerá com a empresa num tempo futuro. Se a empresa vai bem, as ações se valorizam. Mas você já deve ter visto diversas previsões para os próximos dias ou para os próximos três meses.

Pois é. É que o mercado também precifica a ação no curtíssimo prazo. É o que nós chamamos de mercado especulativo, que aposta mais na relação oferta x demanda do que nos fundamentos da empresa. Nesse caso, os fundamentos pouco importam. O que vale é como o mercado enxerga as ações da companhia.

Você já deve ter ouvido falar em efeito manada. É quando um acontecimento ou uma conjuntura leva os investidores a fugir em bando das ações de uma determinada empresa. Quando isso acontece, o preço da ação vai lá embaixo. O efeito contrário também acontece.

Nos dois casos, em algum momento, o mercado percebe que o papel está muito barato ou que o futuro precificado não é aquele dos seus sonhos e a trajetória se inverte.

 

Investir em ações é investir em empresas

Você pode ganhar dinheiro fazendo trade, tentando pegar carona nas altas dos papéis para vender por um preço maior que aquele que você comprou. Não há problema, exceto pelo fato de que você precisará acompanhar os pregões um após o outro, com um olho nos gráficos e outro na home broker. É bom, também, ficar atento ao impacto das taxas que você paga à sua corretora sobre cada operação de compra e venda.

B3

O verdadeiro investimento em ações, de acordo com a ótica fundamentalista, é aquele em que você investe em empresas. Ora, se o investimento é feito em uma empresa, é fundamental que as perspectivas dessa última sejam de crescimento, que ela tenha uma boa administração, que atue em um mercado promissor, tenha baixa taxa de endividamento e uma operação superavitária, entre outros aspectos.

O propósito da abertura de capital é que a empresa financie o seu crescimento a baixo custo. Ao tomar dinheiro em um banco, a empresa tem que pagar altas taxas de juros. Ao abrir capital na Bolsa, ela capta recursos de investidores, que reconhecem a solidez e o futuro do seu negócio e, por essa razão, aceitam investir seu capital em suas ações.

Se você enxerga por essa ótica, pode se tornar um bom investidor. Conservador? É uma questão de ponto de vista. Se você investe somente em blue chips, empresas com maior liquidez, como Vale, Banco do Brasil, Petrobras e Eletrobras, podemos dizer que você tem um perfil conservador para um investidor em ações. Se você, além disso, diversifica seus investimentos, combinando aplicações em renda variável com aplicações em renda fixa, você pode ser visto como um pouco mais conservador.

 

O fato é que há uma regra a seguir quando se trata de investimentos. Aliás, há um conjunto de regras. A mais jurássica e sábia delas é que você deve comprar as ações quando elas estão em baixa. Você vai comprar um maior número de ações, com potencial de valorização e com um Yield maior.

Yield, ou Dividend Yield, é o ganho proporcional que você obtém com a distribuição de dividendos pela companhia. Os dividendos são a participação nos lucros. Logo, é importante que você fique atento à segunda regra, que é o histórico de pagamento de dividendos da companhia.

Se a sua escolha for boa, terá como resultado a valorização do capital investido, por meio da valorização das ações, e o ganho de dividendos, que podem ser reinvestidos, aumentando seu capital.

Para concluir, se você comprou a ação em baixa e não pretende desfazer-se dela, não compartilhe as aflições do mercado. As oscilações nada mais são, na maioria das vezes, que movimentos especulativos. Você deve, sim, estar atento ao noticiário sobre a empresa.

É onde entra a questão mais importante. Não basta a ação estar em baixa. É preciso que haja uma oportunidade real de ganhos. Você precisa ter indicadores de que a empresa vai crescer. Você pode recorrer aos gráficos, que mostram as variações de preço ao longo do tempo, mas é preciso ir mais além, conhecendo a empresa, seu endividamento, quais suas estratégias, as perspectivas do segmento onde atua e a qualidade de sua gestão.

Sob esse aspecto, você poderia ser o que chamam de conservador, mas, na verdade, é um estrategista, que investe com os pés no chão, seguindo as melhores práticas de investimento na Bolsa de Valores.

Carl Icahn: O mago das aquisições

Carl Icahn

Carl Icahn é considerado um dos maiores mestres do hostile takeover do mundo A trajetória do dono da 73ª maior fortuna do mundo, formado em filosofia e com dois anos de estudos de medicina, é a responsável pela sua fama como investidor e também por sua não tão boa reputação no mundo dos negócios.

Carl Icahn
Carl Icahn

Carl Icahn é visto, pela sua estratégia de investimentos, como um verdadeiro predador. Icahn foi convidado por Donald Trump para ser seu assessor na condução da reforma regulatória. O convite era o produto de uma relação comercial pregressa com o atual mandatário da Casa Branca, mas a vida política do temido Carl Icahn não terminou bem. Logo deixou o governo, acusado de usar o cargo para obter benefícios para os seus próprios negócios.

Já a vida como bilionário vai muito bem. Aos 83 anos, Icahn, que nasceu em 16 de fevereiro de 1936, pai de dois filhos, diretor da Icahn Enterprises, tem uma fortuna estimada em quase US$ 20 bilhões.

O que diferencia Carl Icahn dos expoentes do Value Investing

O método de investimento em ações de Carl Celian Icahn não se diferencia muito dos grandes nomes do Value Invest. A trajetória de Icahn revela um caçador de oportunidades.

Assim como os grandes investidores da Bolsa, Icahn construiu sua fortuna investindo em empresas nas quais enxergava grande potencial, comprando as ações em baixa e ganhando tanto em retorno sobre o capital quanto em proventos.

A grande diferença é que Icahn é, como se pode dizer, um investidor pró-ativo. Ao identificar as oportunidades, não se contentava em esperar os resultados. Ao contrário, buscava assento no Conselho de Administração da empresa para influenciar nas decisões.

Para obter participação no controle da empresa, Icahn fazia investimentos agressivos, comprando grande quantidade de ações da mesma. O momento certo para a compra não é nenhuma novidade. Icahn comprava quando todos estavam vendendo, adquirindo um número maior de ações, que o aproximassem ou lhe garantissem lugar no Conselho. Quando não era suficiente, continuava comprando ações da companhia até alcançar seu objetivo.

Foi assim sua trajetória na TWA (Trans World Airlines), cuja aquisição, em 1985, colocou seu nome em evidência no mercado. Icahn, como em todos os casos, percebia uma grande oportunidade na companhia, mas, no seu entendimento, a administração da mesma não era boa o suficiente para explorar o potencial de crescimento e ganhos.

O controle da TWA veio dois anos antes da criação da Icahn Enterprises, carro chefe do império financeiro do megainvestidor. Aliás, falando em império financeiro, os métodos de Icahn podem ser questionados, mas os resultados falam por si. Basta ver que as empresas em que a Icahn Entreprises conseguiu obter assento no conselho melhoraram seus resultados, principalmente para os acionistas.

Os resultados obtidos por Icahn falam por si, tendo transformado o megainvestidor em autoridade no assunto, ganhando o status de rei das aquisições.

O método de Icahn

Já sabemos que o primeiro passo de Icahn era identificar empresas com grande potencial de crescimento e lucratividade. O segundo era usar o mercado de ações para obter participação no controle da companhia.

Daí em diante, com o assento no Conselho, Icahn tentava impor sua filosofia perante os demais acionistas, com o propósito de aumentar os lucros.

Em algumas situações, fazia gestões pela troca da administração da empresa ou influenciava na forma como era administrada. Em outros casos, Icahn conseguiu impor mudanças drásticas na estrutura das organizações.

Estamos falando, além da TWA, de gigantes como: Time Warner, Texaco, Revlon, Motorola e Yahoo. O caso mais recente foi o CIT.

O caso Yahoo chamou atenção por causa da disputa entre Icahn e o CEO da companhia, Jerry Yang. A disputa deixou evidente uma questão que deveria ser premente na visão do investidor, assim como na das empresas que abrem seu capital, que é a necessidade de conciliar o interesse do investidor com o da direção da companhia. Crescimento e lucratividade nem sempre andam juntos. O fato é que Icahn acabou reconhecido como defensor dos acionistas.

O temor que provoca nas empresas está profundamente relacionado a essa dicotomia. Icahn consegue transformar investidores e acionistas em força ativa no processo decisório. Com isso, faz a balança pender para o lado dos investidores. A questão é se o que é melhor para os investidores no momento presente será bom para o negócio no longo prazo.

Em outras palavras, o investidor quer a maior remuneração sobre o capital. Investimentos para retorno no longo prazo geram endividamento no presente e redução dos lucros, com consequente redução do pagamento de proventos aos acionistas. No longo prazo, a ação pode se valorizar com o crescimento dos ativos e com o aumento do potencial de geração de receitas e de lucratividade.

 

História de Carl Icahn

Icahn não é um personagem cuja história seja revestida de muito glamour. Não teve uma trajetória de superações. Ao contrário, cresceu em uma família de classe média, de mãe professora e pai advogado. Não escreveu nenhum livro sobre investimentos.

Carl Icahn aquisições de empresas

Nasceu no Queens, em Nova Iorque, em 16 de fevereiro de 1936 e formou-se em Filosofia em 1957. Após formar-se em Filosofia e deixar a Medicina para alistar-se no exército em 1959, Icahn, em 1961, iniciou sua trajetória no mercado financeiro como corretor. O passo natural foi se tornar investidor.

A estratégia de direcionar as ações para a tomada do controle de empresas individuais teve início no final da década de 70. Desde então, as aquisições hostis se tornaram parte da rotina. O reconhecimento veio mesmo na década de 90. A partir do século XXI, a Icahn Enterprises passou a investir em diversificação da carteira, tendo atualmente investimentos em setores diversos, dentre os quais a tecnologia. Em 2016, Icahn se desfez de ações da gigante Apple, numa operação que ganhou o noticiário.

Em resumo, pode-se dizer que Icahn adotou um estilo que combina filosofia de investimento com estratégia de negócios. É quase o mesmo que dizer que comprava ingresso para a arquibancada, mas não para assistir e torcer. Icahn queria participar do jogo e sabia como mudar a trajetória de uma partida ao seu favor.

“Alguns ficam ricos estudando inteligência artificial. Eu faço dinheiro estudando a burrice humana.”

A frase acima era a descrição do perfil de Icahn no Twitter. Será que alguma outra descrição seria tão precisa em retratar o estilo de Icahn?

Braskem: Uma boa opção para o investidor fundamentalista?

Antes de saber se é uma boa opção de investimento, vamos conhecer um pouco mais a Braskem. Afinal, se estamos falando em investimento fundamentalista, o primeiro passo é conhecer a empresa em quem você quer investir.

Vamos começar por uma notícia muito simpática para os investidores que se preocupam com causas que vão além do lucro, simplesmente, que é, por incrível que possa parecer, uma peculiaridade dos mais bem sucedidos investidores fundamentalistas. A Braskem associou-se, no início de 2019, à Aliança para o Fim dos Resíduos Plásticos, uma organização sem fins lucrativos, cujo propósito é combater a propagação de resíduos plásticos no meio ambiente.

Você deve saber que os resíduos plásticos são uma das maiores ameaças ao planeta e é de bom tom que uma empresa petroquímica, setor sempre tão mal visto pelos ambientalistas, se preocupe com causas ambientais.

Sim, estamos falando de uma empresa do seguimento químico e petroquímico, líder mundial na produção de biopolímeros. Os polímeros são derivados de seres vivos e sua decomposição é mais acelerada, o que torna os produtos fabricados com esses materiais menos nocivos ao meio ambiente.

ações da braskem

A Braskem é, também, a sexta maior produtora mundial de resinas termoplásticas, ocupando, neste segmento, o primeiro lugar no continente americano.

Desde a criação, em 2002, a empresa, que já nasceu gigante, fruto da fusão da Copene, Trikem, OPP, Polialden, Nitrocarbono e Proppet, vem acumulando aquisições no Brasil e nos Estados Unidos.

Atualmente, a Braskem possui 41 unidades de produção, sendo que 29 delas estão no Brasil. As demais estão localizadas nos Estados Unidos, México e Alemanha. Esse imenso parque industrial atende a 70% da demanda brasileira por resinas termoplásticas. A produção da Braskem responde por 3,5% da produção mundial.

Histórico Recente

Feitas as devidas apresentações, uma prova do vigor da Braskem é o crescimento contínuo das receitas. No ano de 2010, as receitas chegaram ao patamar dos R$ 25 bilhões. Em 2018, ultrapassou os R$ 55 bilhões.

Entre junho de 2018 e junho de 2019, alcançou uma receita líquida de R$ 57,5 bilhões e um lucro líquido de R$ 2,8 bilhões. O passivo bruto da companhia é de R$ 25,6 milhões, contra um ativo (direitos) total de R$ 63,8 bilhões, sendo que R$ 20 milhões no ativo circulante, de curto prazo.

A empresa fechou 2018 com geração líquida de caixa recorde de R$ 7,1 bilhões, registrando crescimento de 187% em relação ao ano anterior. A receita líquida com vendas também cresceu 18%. Apesar disso, o lucro da empresa diminuiu em relação a 2017, quando teve lucro líquido de R$ 4,1 bilhões, contra R$ 2,87 bilhões em 2018. A redução da lucratividade da companhia foi atribuída pelos seus executivos a uma série de fatores casuais, dentre os quais a greve dos caminhoneiros.

O problema é que a companhia segue enfrentando problemas com queda dos lucros em 2019. No segundo semestre, registrou lucro de apenas R$ 129 milhões, com queda de 76% em relação ao mesmo período de 2018.

A causa da perda de lucratividade está relacionada à desaceleração das vendas na Europa e nos Estados Unidos, sem contar com o acidente ambiental em que a empresa se envolveu em Alagoas, que levou ao bloqueio de R$ 100 milhões pela Justiça das contas da companhia em junho.

Como fica a BRKM5?

Esse conjunto de fatores explica a queda brusca da cotação, que chegou ao patamar de R$ 60,00 em agosto de 2018, iniciando trajetória de queda, que se acentuou em fevereiro de 2019, quando era negociada a R$ 56,00. Em 23 de agosto de 2019, era negociada a R$ 26,80, voltando a números do final de 2016.

BRKM5

A pior notícia, porém, veio em julho de 2019, quando a própria companhia informou ter tomado conhecimento de um pedido de bloqueio de R$ 2,5 bilhões pelo Ministério Público do Trabalho, que seria para garantir indenizações por eventuais danos materiais aos trabalhadores que foram afetados pelo fenômeno geológico.

No início do mês, a companhia se defendeu num processo em que é indicada como responsável pelo aparecimento de crateras e rachaduras em construções de três bairros da cidade de Maceió.

No final das contas, a companhia tem R$ 3,8 bilhões em valores bloqueados. Dentro desse cenário, é muito provável que a BRKM5 continue despencando. É o que se pode observar com base no que dizem os analistas de mercado.

 

Vale a pena investir na BRKM5?

Nem é preciso dizer, portanto, que o momento não é bom para comprar. Não haveria sentido em investir numa ação que está em queda livre. A recomendação é ficar muito atento ao noticiário sobre a empresa, pois, em algum momento, a trajetória de queda será estancada.

Dependendo do desenrolar dos processos envolvendo a empresa, a ação pode recuperar valor gradativamente na B3. Sendo assim, há a possibilidade de ganhos com valorização sobre o capital. Quanto aos proventos, todavia, a trajetória da empresa não tem sido tão convidativa.

A empresa não distribui proventos desde abril de 2018. Os proventos, como sabemos, são o principal atrativo para o investimento no longo prazo. De qualquer forma, o melhor comportamento é esperar a queda estancar e comprar com visão de curto e médio prazo para compor carteira. Quanto ao longo prazo, é uma questão de ver qual será o comportamento da empresa. Não lhe faltam bons fundamentos, mas, como pudemos observar, em decorrência da área em que atua e da atuação global, está sempre sujeita a chuvas e trovoadas.

Ações da cemig são uma boa opção?

As ações da CEMIG são uma boa opção para investir? A que tipo de perfil a CMIG4 contempla?

Antes de responder a essa pergunta, vamos conhecer um pouco mais dessa companhia, que desempenha um papel estratégico de grande valor para o Brasil.

Com sede em Belo Horizonte, MG, a CEMIG é uma das mais importantes concessionárias do setor de energia elétrica no Brasil. É a líder na América Latina em capacidade instalada de abastecimento e a maior da América do Sul em número de pessoas atendidas.

Acoes da cemig

Foi fundada em 1952, pelo governo do estado de Minas Gerais, durante a gestão do governador Juscelino Kubitschek.

É responsável por 96% da energia elétrica consumida no estado de Minas Gerais, mas sua atuação transcende, inclusive, o território brasileiro. A Cemig atua em 774 municípios brasileiros, divididos por 22 estados, além de prestar serviços no Chile em parceria com a Alusa Holding.

Desde 2006, a Cemig tem participação na Light, companhia que dominava o setor no Rio de Janeiro. Tem forte participação na Madeira Energia, controlando 83% do capital social da empresa, que é responsável pela instalação no Rio Madeira, no estádio de Rondônia, da Usina Hidrelétrica de Santo Antônio, que será a segunda maior hidrelétrica com turbinas bulbo do mundo.

Além disso, tem participação em outros setores, diversificando sua matriz estratégica, que compreende do setor de telecomunicações à automação de softwares. A boa gestão estratégica entre outros fatores, como a gestão de riscos econômicos, sociais e ambientais, faz com que seja a única empresa do setor na América Latina a ter obtido o índice Dow Jones Sustainability World Index, além de fazer parte regularmente do ISE (Índice de Sustentabilidade Empresarial) da BMF&BOVESPA.

Histórico recente

O último balanço patrimonial da CEMIG aponta a empresa com patrimônio líquido positivo de R$ 17,5 bilhões. A dívida bruta da companhia é de R$ 13,9 bilhões, contra um ativo de R$ 65,6 bilhões, sendo que R$ 27,6 bilhões desse ativo estão no circulante, ou seja, realizável no exercício vigente.

A receita da empresa nos últimos 12 meses alcançou R$ 24,6 bilhões, com lucro líquido de R$ 4,2 bilhões. A previsão é de que o lucro de 2019 supere em muito o de 2018, que já superou largamente o de 2017. O lucro em 2017 foi de R$ 1 bilhão, contra R$ 1,7 bilhão em 2018. Só no último trimestre de 2018 o lucro foi superior a R$ 1 bilhão.

Os resultados são puxados pelo aumento do preço da energia elétrica ao consumidor e pela venda de ativos da Telecom.

Como fica a CMIG4?

A CMIG4 vem acompanhando quase que fielmente os resultados da companhia, o que não tem relação, obviamente, com o valor real de mercado, mas com o alinhamento entre expectativas no mundo real e percepção dos investidores.

Vamos explicar melhor. As ações PN da companhia estavam cotadas, no final de 2017, em R$ 6,39. Um ano depois, quem investiu na CMIG4 ganhou 116,76%. As ações terminaram 2018 cotadas a R$ 13,86, superando, inclusive, o melhor preço obtido no mercado em agosto de 2014, quando chegou a alcançar patamar acima dos R$ 13,00.

Mesmo assim, a CMIG4 chegou a agosto de 2019 cotada acima dos R$ 14,00, chegando até a superar os R$ 15,00 em algum momento. Sendo assim, apesar do bom momento da companhia, não parece ser esse o melhor momento para investir na compra de suas ações.

Não há qualquer perspectiva de que o preço da CMIG4 caia de volta para o patamar de dezembro de 2013, mas é bom ficar atento a uma onde de realização de lucros nos próximos meses. A razão é um pouco mais difícil de explicar e entra no terreno político, mas vamos tentar problematizar a questão.

Além da venda de ativos e do aumento do preço da energia elétrica ao consumidor, o mercado embarcou no otimismo relacionado a uma futura privatização da companhia. Tal expectativa está ancorada na eleição de um governo de direita em Minas Gerais em 2018, além de haver um movimento nítido do governo federal no sentido de se desfazer de ativos para gerar caixa e, com isso, ao mesmo tempo, gerar superávit nas contas públicas e reduzir a dívida da união.

A verdade, no entanto, é que faltam argumentos para convencer os próprios políticos e a população dos benefícios da venda da CEMIG. Mesmo a venda de ativos da companhia é bastante questionável, sobretudo em um momento de vigor na geração de receitas e obtenção de lucro.

Ao perceber que a privatização é um projeto extremamente complexo, é possível que o interesse dos investidores caia, trazendo para baixo, consigo, as ações.

Vale a pena investir em ações da CEMIG?

A realização de lucros por parte dos investidores pode gerar uma boa oportunidade de compra da CMIG4. Não há expectativa de queda do preço ao consumidor, o que garante a geração de caixa e a lucratividade da empresa no médio prazo.

Por ser uma empresa que atua numa área estratégica e num segmento em que o consumo é obrigatório para empresas e residências, com atuação voltada para o mercado interno, a CEMIG está pouco sujeita a abalos relacionados à macroeconomia e ao mercado internacional.

A ameaça para os acionistas seria a mudança da orientação política, que poderia levar a um controle de preços da energia elétrica, mas essa possibilidade parece quase impensável, o que significa que a CEMIG deve se manter sustentável no longo prazo, o que não significa, necessariamente, que seja um bom investimento.

Para quem quer investir em ganho sobre a valorização do capital, o ideal é esperar que a cotação caia para um patamar abaixo dos R$ 10,00. Nesse caso, a probabilidade de altos ganhos no curto e no médio prazo é grande, tudo dependendo de rumores mais ruidosos sobre privatização da companhia. Nesse caso, a cotação poderia até superar os R$ 16,00, principalmente se os resultados financeiros trimestrais continuarem sendo alvissareiros.

A questão, no entanto, é o longo prazo. A empresa pagou em 2018, ano de bons resultados, 0,6443 em proventos, com um Yield de 4,6%. Para quem ganhou com a valorização da ação, os 4,6% somaram-se aos ganhos sobre o capital. Para quem pensa no longo prazo, combinando operação de baixo risco com gordos proventos, é preciso pensar melhor. É bem verdade que a empresa, em maio de 2019, pagou 0,4508 em proventos, sendo a previsão de que a distribuição de lucros superará longe 2018.

Sem podermos saber em qual patamar a empresa vai se estabelecer no futuro no que diz respeito a pagamento de proventos, juntando a isso a expectativa de queda da cotação da ação no presente, o ideal é esperar uma queda para abaixo dos R$ 10,00. Nesse caso, há possibilidades de ganho no curto prazo e ainda haverá tempo para esperar a progressão dos dividendos e JCP.

Como achar o valor intrínseco de uma empresa?

O pilar central do investimento baseado na análise fundamentalista é comprar ações de empresas que estejam subvalorizadas no mercado, ou seja, cujo real valor – o seu valor intrínseco – esteja muito acima do preço pelo qual esta sendo negociada na bolsa de valores.

Embora muitos investidores, especialmente os iniciantes, não se deem conta disso, o valor de um investimento, em termos dos retornos que ele pode te proporcionar, esta sempre atrelado ao preço que você pagou pelas ações daquela empresa.

Um empresa sólida, com excelentes fundamentos e ótimas perspectivas para o futuro, pode não ser um bom investimento caso as suas ações estejam sendo negociadas a um preço já alto na bolsa de valores. Considerando que muitas vezes o mercado já desconta o efeito futuro de boas notícias e perspectivas, esse cenário é mais comum do que parece em um primeiro momento, tornando a análise de preço e o cálculo do valor intrínseco da empresa algo fundamental para garantir o seu retorno.

Calcular o valor de forma errada pode te levar a fazer investimentos de baixo retorno e insustentáveis a longo prazo ou mesmo te levar a perder ótimas oportunidades de investimento, caso você subestime o valor real. Mas então como calcular o valor intrínseco da maneira correta? É isso que veremos nesse artigo.

 

Como calcular o valor intrínseco de uma empresa

 

Existem muitas formas de fazer o chamado valuation de uma empresa, que nada mais é do que a avaliação de quanto a empresa efetivamente vale. Dada a importância dessa questão para todos que investem, muitos são os livros escritos a respeito desse assunto, como os clássicos do Aswath Damodaran, um dos mais renomados professores de finanças do mundo e autor dos clássicos: damodaran on valuation, narrative and numbers, the dark side of valuation, entre outros.

valuation

Caso você queira se aprofundar no assunto do valuation, esses são os livros que eu recomendaria a você ler, mas para simplificar as coisas e te dar pelo menos uma ideia geral nesse artigo, vamos começar com a ótica de avaliação de empresas do bom e velho Benjamin Graham, o primeiro a divulgar os métodos da boa análise fundamentalista e o mentor do warren buffet, atualmente o maior investidor do mundo.

 

Atualmente,  o meio de cálculo do valor justo deve necessariamente levar em conta o fluxo de caixa que é esperado daquela empresa pelos próximos anos e então trazer esse valor esperado a valor presente. Pare para pensar, se um amigo seu te convidasse para ser investidor no restaurante que ele esta abrindo e te pedisse um valor de 50 mil reais para receber 40% de participação, como você saberia se esse valor é adequado ou não? Bom, a ideia mais lógica seria tentar calcular o que o restaurante iria gerar de receita ao longo de, por exemplo, os próximos 5 anos, e então comparar com o valor do investimento e o que lhe caberia dada a sua participação de 40% e, a partir daí, decidir se vale a pena para você ou se você pode obter retornos melhores de outras formas.

 

Esse método é atualmente conhecido como fluxo de caixa descontado, mas a fórmula matemática que Graham utilizava para chegar ao valor justo tem algumas peculiaridades que merecem ser analisadas.

 

A fórmula de Benjamin Graham

 

Graham calculava o valor justo de uma ação pela seguinte fórmula:

 

VI = √1.5 x 15 x Lucro por ação x valor patrimonial por ação

 

Agora vamos explicar em etapas o que essa fórmula significa. Primeiramente, você deve estar se perguntando da onde surgiram o 1.5 e o 15 do início da fórmula. Bem, esses eram dois números que Graham costumava chamar bastante atenção pois representavam duas máximas que, para ele, determinariam seu um investimento seria atrativo ou não:

 

– Uma boa empresa, avaliada a preço justo pelo mercado, não pode ter ações sendo negociadas a um preço superior a 1,5 vezes o valor de patrimônio líquido por ação.

 

– Uma boa ação para se investir não poderia estar sendo negociada a um valor superior a 15 vezes o lucro por ação.

 

É interessante notar que Graham considerava esses dois números de forma simétrica, ou seja, caso um deles fosse um pouco maior do que o esse limite e o outro um pouco menor, de modo que eles se compensassem, então a ação continuava apta a ser considerada um bom investimento, desde que a multiplicação desses dois números nunca ultrapassasse 22,5 (15 x 1,5).

 

Agora o segundo ponto para entendermos essa fórmula é saber porquê a raiz quadrada esta ali. Bem, para isso precisamos entrar um pouco mais a fundo na matemática da fórmula, mas não se preocupe, é bem simples:

 

VI = √   x   x lucro por ação x valor patrimonial por ação

 

Como você pode perceber, os dois primeiro elementos da equação são exatamente os 1,5 e o 15 de anteriormente. Acontece que, se você prestar atenção, vai perceber que nessa equação, estamos elevando ao quadrado o preço da ação sem motivo algum, enquanto o lucro por ação e o valor de patrimônio por ação se anulam.

 

Portanto, para retornar ao que seria o preço ideal da ação, devemos usar a raiz quadrada do número encontrado. Com isso teremos exatamente o que seria o valor justo da ação e, se compramos ela no mercado quando ela esta cotada a um valor abaixo desse preço, então criamos uma margem de segurança para os riscos incorridos em qualquer decisão de investimento. Logicamente, quanto maior essa diferença, maior a margem de segurança, portanto, um mercado em baixa é tudo que um investidor fundamentalista quer quando chega a hora de comprar novas ações.

valor intrínseco

 

A fórmula de Graham não é, por si só, a garantia de um bom investimento. Como falamos anteriormente, o método do fluxo de caixa descontado é o método mais utilizado atualmente. Porém, a fórmula de Graham te dá um bom ponto de partida para analisar mais a fundo uma empresa e ver se vale a pena aplicar métodos mais complexos de avaliação, já que se o preço dela estiver muito acima do valor intrínseco, provavelmente não será um bom negócio.

 

Ações BRF: Vale a pena investir?

Antes de qualquer coisa, vamos às devidas apresentações. Caso você nunca tenha ouvido falar em BRF, não há problema. Você, certamente, já ouviu falar em Sadia e Perdigão.

BRFS3

Sadia e Perdigão são apenas duas de mais de trinta marcas da BRF, que comercializa produtos alimentícios em mais de 150 países em cinco continentes, contando, para isso, com mais de 90 mil colaboradores, distribuídos por mais de 50 unidades de fabricação, localizadas em oito países.

A BRF está fisicamente presente, além do Brasil, na Argentina, Reino Unido, Holanda, Turquia, Emirados Árabes Unidos, Malásia e Tailândia. Conta com mais de 30 mil fornecedores, mais de 13 mil produtores integrados e mais de 200 mil clientes espalhados pelos cinco continentes.

São dados que colocam a BRF entre as maiores companhias do mundo no segmento de alimentos.

Momento conturbado para a BRF

Apesar disso, a BRF apresentou prejuízo superior a R$ 1 bilhão no primeiro trimestre de 2019, tendo sido o maior em seis trimestres consecutivos de resultados negativos. Já no segundo trimestre, a empresa teve lucro de R$ 322,8 milhões. O prejuízo calculado em um ano é, todavia, de R$ 1,5 bilhão.

Os números parecem indicar um facho de luz no fim da rodovia do fim do mundo, mas é preciso que o investidor vá bem mais fundo na análise. Estamos, afinal, falando de uma indústria de produtos alimentícios, sujeita aos efeitos de múltiplos fatores, que vão das políticas governamentais à oscilação do dólar.

Parte da rotina de prejuízos nos últimos anos deve-se ao dólar alto, que aumentou o preço dos insumos necessários à operação da companhia, somando-se a isso os efeitos da greve dos caminhoneiros, que comprometeu o escoamento da produção local. Sem contar com a sucessão de escândalos e restrições internacionais à proteína brasileira.

Além disso, grande parte do prejuízo apurado no primeiro semestre é consequência da venda de ativos da empresa, que faz parte do plano de realinhamento estratégico.

A receita líquida teve aumento de 18% no segundo trimestre, alcançando R$ 8,3 bilhões. Em junho de 2019, a empresa lançou no mercado R$ 750 milhões em debêntures, com vencimento entre 3 e 7 anos. A tática da companhia faz parte da estratégia de alongamento dos prazos para pagamento do passivo, com barateamento concomitante da dívida.

No mesmo período, vendeu fábricas de abate de aves e processamento de alimentos na Europa e na Tailândia por um total de US$ 377 milhões, o que ratifica ser o momento da companhia de reorganização da dívida, mas também de encolhimento das operações.

Embora a empresa apresente um Ebitda sistematicamente bastante positivo, o que indica uma geração operacional de caixa positiva, isso não significa nenhuma garantia de que os resultados se manterão positivos nos próximos trimestres, uma vez que é preciso avaliar o impacto das vendas de ativos nos lucros recentes. Considerando as despesas financeiras e patrimoniais, o custo da BRF supera as receitas em 27%.

Sendo assim, quem pensa em value investing com a BRF no longo prazo deve colocar as barbas de molho. Inclusive porque o setor de proteína animal, principalmente, sofre com as incertezas provocadas pela política externa brasileira, que afetam o setor.

Além disso, os melhores preços obtidos no mercado internacional são apontados como consequência da peste suína africana, que vem afetando os rebanhos de porcos chineses. Em consequência, a previsão é de queda de 25% a 35% da produção de proteína suína na China, o que beneficia outros países produtores, em virtude da retração da oferta.

Desempenho da BRFS3

Quanto à BRFS3, está avaliada, em média, acima de quatro vezes o valor patrimonial. A tendência é de que o preço da ação se mantenha na faixa entre R$ 35,00 e R$ 40,00.

Para quem deseja investir na valorização da BRFS3 no longo prazo, o cenário não muda em relação ao recebimento de proventos. Como o momento da empresa é de venda de ativos e reorganização da dívida, não é possível vislumbrar perspectivas de crescimento, mesmo que a BRFS3 tenha sido negociada a um patamar acima de R$ 71,00 em 2015.

Quanto a isso, é preciso que reafirmemos que a lógica do mercado de ações aponta para a compra das ações em baixa. Além disso, o baixo rendimento dos investimentos mais conservadores tende a empurrar os investidores para a B3, intensificando a demanda.

Em outras palavras, isso deveria querer apontar que a BRFS3 é um bom investimento para o momento, mas não é isso o que o mercado sinaliza. O momento atual é bom para os traders. Podemos dizer que é um bom momento para quem quer surfar na onda das vendas de ativos por parte da companhia e dos “benefícios” proporcionados pela peste suína africana, que podem produzir no mercado a ilusão de rápida recuperação da companhia. A questão é que ambos os fenômenos são temporários.

O fato é que não basta que as ações estejam em baixa para se tornarem um bom investimento. Os fundamentos financeiros da BRFS3 não são dos melhores. Embora o mercado em que atua confira certa estabilidade quanto à demanda presente e uma boa certeza quanto à demanda futura, o negócio está sujeito a viradas bruscas, sobretudo pela alta importância do mercado internacional.

Vale a pena comprar ações da BRF?

É evidente que, com a política atual, a empresa pode fazer um realinhamento estratégico e voltar a ser lucrativa, com bases mais sólidas para enfrentar a vulnerabilidade imposta pela competição internacional, variações cambiais e instabilidades políticas.

O momento, no entanto, é de pisar no freio com relação à BRFS3 para quem busca um investimento rentável no longo prazo. Um bom preço de compra seria, talvez, se as ações caíssem ao nível de 2018, quando estiveram abaixo dos R$ 25,00. Não parece ser o que vai acontecer, já que não há nenhum grande abalo a vista.

O que esperar das ações da Gerdau no longo prazo?

Ações da Gerdau

Você sabe o que é a Gerdau? Estamos falando da maior companhia siderúrgica de aço longo do continente americano, com capacidade de produção de 26,1 toneladas de aço bruto. A capacidade instalada da companhia no Brasil é de 9,2 milhões de toneladas. Nos Estados Unidos, a capacidade instalada da Gerdau é de 8,62 milhões de toneladas.

O público alvo da Gerdau é o setor de construção, razão pela qual os resultados da companhia são fortemente impactados pelo crescimento ou retração do setor nos países em que atua. Como o Brasil é o principal mercado da companhia, seus resultados estão fortemente sujeitos ao nível de investimento governamental, à taxa de juros local e ao desempenho do setor de construção.

Histórico recente

A empresa manteve uma trajetória de lucro anual durante anos. A partir de 2015, todavia, o colapso do setor de construção brasileiro, que sofreu o impacto do envolvimento em escândalos apurados pela Lava Jato, empurrou para baixo os resultados da Gerdau, que manteve trajetória de prejuízos até 2017.

Ações da Gerdau

Além disso, o programa de desinvestimento público iniciado no governo Michel Temer fechou oportunidades para a companhia no Brasil. Só no primeiro semestre de 2016, em plena crise política, teve prejuízo de quase R$ 10 bilhões.

O aumento do desemprego, queda da renda e retração do consumo no período do auge da crise política, acompanhado do alto preço do financiamento imobiliário foram outros fatores que comprometeram os resultados da cadeia de valor da construção civil.

A partir de 2018, no entanto, a política de incentivo ao crédito imobiliário do próprio governo Temer, ampliado, mais recentemente, no governo Bolsonaro, em 2019, as perspectivas da Gerdau se inverteram, acompanhando o movimento do próprio setor de construção civil. A expectativa da Caixa é reduzir em até 31,5% os juros do financiamento imobiliário no país.

Se não há uma expectativa otimista quanto à retomada dos investimentos públicos em infraestrutura, o aquecimento do mercado imobiliário pode ter vida longa e garantir a rentabilidade da cadeia de valor da construção civil, o que beneficia diretamente a Gerdau.

Como fica a GGBR4

Desde o terceiro trimestre de 2018, a trajetória de prejuízos da Gerdau se converteu em lucro. O lucro líquido em 2018 alcançou R$ 1,98 bilhão, resultado que tende a se repetir em 2019, embora a previsão atual seja de um lucro menor, na casa de R$ 1,5 bilhão.

Apesar dos anos de chumbo, a Gerdau conseguiu manter bons fundamentos financeiros. O patrimônio líquido da empresa é, segundo o último balanço, R$ 26,4 bilhões positivo. A dívida bruta da companhia é de R$ 14,7 bilhões, contra um ativo circulante de R$ 16,9 bilhões. O ativo total da Gerdau é de R$ 51 bilhões.

A previsão é de que a receita líquida ultrapasse os R$ 40 bilhões em 2019, com lucro líquido de R$ 1,5 bilhão. A expectativa para 2020 é, todavia, bastante positiva, lastreada na previsão de crescimento da construção civil, alavancada pelo número de novos empreendimentos imobiliários.

A GBR4 está cotada, em agosto de 2019, na faixa de R$ 12,3 reais. O mercado acredita que, num cenário realista, pode alcançar os R$ 20,00.

Vale lembrar que a maior cotação histórica da GBR4 foi em 2008, no auge do boom econômico brasileiro, alcançando o preço de R$ 36,48.Já a menor cotação, no auge da crise, em fevereiro de 2016, foi de R$ 3,20. Isso implica dizer que o preço atual está bem mais próximo da mínima do que da máxima histórica.

Quanto aos dividendos, a companhia pagou, em 2018, 0,3800 em dividendos, com um Dividend Yield de 3,1%. Para os analistas de mercado, há uma tendência de que a companhia pode alcançar um Yield na casa dos 10% nos próximos anos.

Vale a pena investir em ações da Gerdau?

Na contramão dos resultados da empresa, as ações da companhia apresentam trajetória de queda desde maio de 2018, quando alcançaram o preço de R$ 17,59. Desde então, oscilaram entre R$ 15,00 e R$ 17,00. Em 2019, no entanto, a máxima foi de R$ 15,28, com a mínima chegando a R$ 12,20.

O que, provavelmente, abala o otimismo dos investidores é mais os frustrantes resultados macroeconômicos do que o próprio desempenho da companhia. Os próprios resultados do setor, porém, contribuem para reduzir o otimismo dos investidores com a GGBR4. A previsão de lucro para 2019 abaixo do realizado em 2019 tem como principal razão a queda de 22,5% nas vendas de aço.

Por conta dessa queda, a empresa anunciou que reduzirá os investimentos previstos em 2019 de R$ 2,2 bilhões para R$ 1,84 bilhão. Mesmo com a queda nas vendas, a produção da Gerdau foi 2,5% superior ao segundo trimestre de 2018. Em compensação, as exportações tiveram queda de 6%, segundo a companhia, não em virtude da queda da demanda, mas de uma decisão da própria Gerdau com base na rentabilidade de algumas exportações.

Diante desses dados, a primeira conclusão a que se pode chegar é de que o preço atual da GGBR4 é bastante atraente. Levando em conta as expectativas do mercado, a compra indicaria ganho com valorização do ativo no médio prazo e, no longo prazo, a GBR4 tenderia a se tornar uma vaca leiteira, pagando proventos acima da média dos investimentos conservadores.

Há, no entanto, duas questões que precisam ser consideradas. Uma delas é até que ponto vai a tendência de queda da GGBR4. Não seria possível comprar a um preço maior e obter maior ganho sobre o capital no futuro?

A outra questão que deve ser considerada é se o crescimento da demanda por empreendimentos imobiliários não será um voo de galinha, absorvendo a demanda reprimida e voltando aos níveis atuais. O que garante a vitalidade do setor são os fundamentos macroeconômicos. O mundo ideal seria aquele em que o investimento governamental se intensificasse, houvesse maior geração de emprego, renda e confiança da economia do país.

Por outro lado, o ponto positivo é que a Gerdau tem forte presença fora do país, principalmente nos Estados Unidos. O Brasil responde por menos de 40% da capacidade instalada da companhia. Isso reduz os riscos econômicos.

Sendo assim, uma boa recomendação seria esperar um pouco mais para tentar comprar a ação a um preço abaixo dos R$ 10,00, reduzindo o risco e aumentado a possibilidade de ganhos com a valorização. No médio prazo, a estratégia é aguardar a promessa de proventos compensadores e ficar de olho em quais serão os passos estratégicos da companhia para ver se vale a pena manter as posições ou realizar lucro.

O que é Buy and Hold?

Buy and hold

           Podemos destacar dois grandes modos de enxergar o mercado de ações e de aplicar seu dinheiro em bolsa de valores: O Investimento e o Trading. Embora algumas vezes iniciantes confundam os dois, eles são bem distintos entre si.

Enquanto no Trading  busca-se especular com a volatilidade dos ativos, lucrando com a diferença, o que chamamos de investimento é possuir uma perspectiva de muito mais longo prazo ao colocar o seu dinheiro na bolsa de valores, investindo de fato em empresas com bons fundamentos econômicos no intuito de efetivamente virar sócio daquela empresa a longo prazo e se aproveitar da apreciação de capital e dividendos distribuídos ao longo dos anos.

No investimento, portanto, o que nos interessa é a empresa em si, a sua qualidade e fundamentos econômicos que provavelmente resultarão em um futuro lucrativo para ela – e para quem investir nela. Para isso, a ferramenta central para chegar a decisão final de investir ou não é a análise fundamentalista que, como o próprio nome já diz, é uma análise de empresas que tem como principal elemento de análise os fundamentos econômicos da mesma.

Dentro do que chamamos de investimento e da análise fundamentalista, podemos novamente  falar em dois grandes meios de aplicação dessa estratégia. Um deles se baseia na ideia de tomar a decisão de compra de uma ação com base nos fundamentos da empresa porém manter em aberto a opção de vende-la daqui a alguns anos, talvez uns 3,4 ou 5, caso ela atinja uma apreciação de preço extremamente substancial, ainda que os fundamentos dessa empresa continuem igualmente bons após esses anos.

Esse método é usualmente conhecido também como Position trading, já que ele também busca se aproveitar de variações do preço que nem sempre estão diretamente ligadas aos fundamentos econômicos. Entretanto, há uma clara diferença entre outras formas de trading – como o day trading e o swing trading – e o position, já que este esta focado sempre em um prazo muito maior, de pelo menos alguns anos, e a decisão de compra da ação necessariamente se dá pela análise dos fundamentos econômicos, tornando-o enquanto estratégia muito mais próximo do investimento fundamentalista do que do trading propriamente dito.

 

A outra filosofia de investimentos dentro da análise fundamentalista é o Buy and Hold. Nessa estratégia você compra uma ação através da análise extensiva dos seus fundamentos econômicos e, uma vez tomada a decisão, você não vende nunca mais, a menos que haja uma mudança brusca nos fundamentos da empresa que transforme o que era uma sólida empresa em um péssimo negócio. No Buy and hold, portanto, você compra (buy) e segura (hold) até o limite, tornando-se sócio da empresa com fins de permanência eterna em um cenário ideal, caso ela continue sendo uma boa empresa com bons fundamentos.

No Buy and hold, você ganha principalmente com o pagamento de dividendos que, idealmente crescerão a uma velocidade considerável caso você tenha acertado na análise da empresa.

Muitos investidores famosos e de alto sucesso são partidários do buy and Hold, dentre os quais o mais famoso é o Warren Buffet, mas também muitos outros como o John templeton, Phil Fisher e, no Brasil, o próprio Luiz Barsi, além uma dezenas de grandes investidores do passado que enriqueceram vertiginosamente aplicando essa simples porém efetiva estratégia de investimento.

Buy and hold

Mas será que essa estratégia pode produzir grandes resultados para você também? O que é necessário possuir para que o buy and Hold seja efetivo?

 

Perfil ideal de investidor para o Buy and Hold

 

Um dos aspectos mais importantes para o sucesso nos investimentos – e mesmo no trading – é sempre o fator psicológico. Como corolário desse princípio psicológico, costuma-se dizer que o grande investidor é ganancioso enquanto o mercado esta com medo e tem medo enquanto o mercado esta ganancioso.

Estas duas emoções – ganância e medo – certamente lhe acompanharão por toda a sua jornada de investidor e aprender a lidar com elas da forma correta é muitas vezes mais importante do que possuir o melhor método de análise de ações.

 

No Buy and Hold talvez essa máxima se aplique com maior força, pois ao aplicar essa estratégia você deve fundamentalmente ter a habilidade de resistir – por anos a fio – aos seus impulsos gananciosos todas as vezes em que você ouve falar em uma ação que valorizou centenas de pontos percentuais em poucos meses ou de um trader que ganha 30% ao mês operando em bolsa.

 

O valor da disciplina para o Buy and Holder é gigantesco, pois ele aposta em algo que por sua própria natureza é abstrato e intangível – o futuro. O Buy and holder acredita que se mantiver sua estratégia a longo prazo, resistindo a todas as tentações de especular que tentarão tomar conta de si, seus ganhos serão muito maiores no futuro do que aquilo de que ele esta abrindo mão no presente. Como o presente é mais concreto do que o futuro, é preciso um tipo especial de pessoa para manter a frieza de longo prazo e confiar, acima de tudo, na razão e na lógica de sua própria análise do que no barulho ensurdecedor que o mercado esta fazendo a cada momento, e que tenta com força puxá-lo para a manada de investidores comuns que seguem os movimentos da maioria ao invés de sua própria intuição.

 

Assim, se você pensa em investir em ações através do Buy and Hold cumpre perguntar a si mesmo se você terá a visão de longo prazo e a vontade inabalável para seguir com essa estratégia pelas próximas décadas sem se deixar ser atraído pelos objetos brilhantes ao longo do caminho que tentarão te desviar da sua jornada, representado pelo sentimento de ganância que irá surgir quase instantaneamente na sua mente e tentar tomar conta de você sempre que você tiver a notícia de ações crescendo em preço de modo estratosférico, algo que quase sempre se dá pelo excesso de entusiasmo e pelo efeito manada do que por qualquer valor real que aquela ação possua como investimento.

 

Por outro lado, para aplicar o buy and hold de modo eficiente você também precisa aprender a controlar o seu medo, e não se deixar contaminar pela cautela em excesso do mercado em momentos oportunos. Quando o mercado se contrai em excesso – seja por uma grande crise ou por um fato pontual da economia – os público investidor em geral entra e pânico e cessa a compra de ações. O Buy and Holder, por outro lado, sabe que é exatamente nesse momento de pânico que muitas das melhores ações, com excelente fundamentos, estarão subvalorizadas, cotadas a um preço muito inferior ao real valor da empresa, abrindo portanto uma janela de oportunidade excelente que pode trazer lucros expressivos em alguns anos se bem aproveitada.

 

O Buy and Hold é, portanto, uma estratégia de investimento fundamentalista extremamente eficiente, mas somente se você aprender a adotar uma perspectiva de longo prazo sobre o mercado de ações e assim desenvolver as habilidade necessárias para ser bem sucedido com esse método.