Por que investir em ouro e prata segundo Robert kyosaki

Investir em ouro e em prata

Vamos falar um pouco sobre o que pensa Robert Kyosaki sobre investir em ouro e prata, um tema que certamente deixará sua cabeça fervilhando.

Para quem nunca ouviu falar em Kyosaki, ele é o autor do famoso livro “Pai Rico, Pai Pobre”, a mais aclamada obra do autor, que trata de finanças pessoais.

Donde podemos deduzir o poder que têm as palavras do autor estadunidense, que tem longa experiência como investidor e empreendedor.

A filosofia de Kyosaki estrutura-se sobre um fundamento bastante simples. O que diferencia um rico de um pobre é que o primeiro faz com que o dinheiro trabalhe para si. Dentro dessa lógica, comprar uma casa não é um investimento, mas uma nova despesa, exceto o propósito seja gerar renda passiva e recuperação desse investimento dentro de um prazo.

É ouro ou prata?

Não vamos nos estender tanto na visão de kyosaki sobre finanças pessoais. Fiquemos nas devidas apresentações, sem deixar de lembrar que um dos empreendimentos preferidos do investidor é comprar imóveis, alugá-los e deixar que o inquilino pague as prestações. Concluído o pagamento do financiamento, Kyosaki tem, ao mesmo tempo, o seu investimento pago, um patrimônio e uma renda passiva a receber com alugueis.

Qual o grande segredo do mercado imobiliário? É que esse mercado pode funcionar quase que como uma apólice de seguro diante de momentos de crise, gerando receitas como uma verdadeira vaca leiteira.

É a visão de Kyosaki tem sobre ouro e prata, de acordo com declarações dadas em março de 2016. Ele afirma que encara o ouro menos como um investimento do que como uma medida de gestão de risco.

Acreditava Kyosaki, na ocasião, que o dólar derreteria em pouco tempo, o que, é bem verdade, não aconteceu, pelo menos ainda. Investindo em ouro, teria um ativo cobiçado, que, curiosamente, tem seu valor apreciado ou depreciado no sentido oposto da moeda estadunidense.

Quando o dólar cai, o ouro tende a se valorizar, assim como em ambientes inflacionários e de baixa confiança na economia. É claro que a valorização seria bem vinda, mas o principal, na visão de Kyosaki, seria defender suas posições financeiras.

Ouro x Ações

O autor de “Pai Rico, Pai Pobre” via, na ocasião, o mercado de ações em desconexão com o real valor das empresas, o que tornaria o investimento nesse mercado, pensando no longo prazo, uma incoerência.

Investir em ouro e prata

Na mesma época, a taxa básica de juros nos Estados Unidos, país de origem do investidor, era negativa, o que levou Kyosaki a afirmar que, se alguém estava economizando dinheiro naquele quadro, estaria cometendo uma loucura.

É preciso, no entanto, analisar em que contexto a análise é feita, lembrando que o mercado a que se refere é o dos Estados Unidos, onde o investimento em ações é um forte traço cultural e grande parte da população investe no mercado de capitais, diferentemente do Brasil, onde o baixo contingente de investidores, com forte presença de interesses estrangeiros, gera volatilidade bem maior que no mercado daquele país.

Haveria, no entanto, uma contradição quando Kyosaki afirma que prefere o ouro, um ativo que não gera remuneração passiva, à ação de uma companhia boa pagadora de dividendos, principalmente em se tratando de alguém que investe em gerar esse tipo de renda com imóveis?

Vale ressaltar que o autor refere-se ao mercado e não a empresas individuais. Imagine que o valor médio das ações do Ibovespa seja mais de três vezes o valor médio do Patrimônio Líquido das companhias que compõem a carteira.

Tal quadro aponta para um mercado apreciado. Será que os fundamentos desse mercado justificam tamanho otimismo? Teríamos que estar falando de um ambiente de crescimento da economia mundial, quando nem mesmo a brasileira consegue subir um degrau de escada.

Diante de tal cenário, não é nenhum absurdo imaginar que em algum momento uma crise derrube todos os preços. É claro que se você investiu na empresa, em seus fundamentos, não venderá as ações em baixa, levado pelo pânico, que é o que a maioria das pessoas faz. A história mostra que as ações das empresas cujos fundamentos são sólidos acabam recuperando o seu valor, já que continuam gerando receitas, lucro e crescimento dos ativos.

A questão é que, ao comprar uma ação muito acima do valor justo, você ficará em desvantagem no caso de depreciação de seu valor de mercado, mesmo recebendo dividendos.

Esse é o quadro apontado por Kyosaki, aquele em que os fundamentos econômicos são ruins, em que há muito receio e aversão a riscos. Nessa hora, o ouro, um ativo forte, assim como a prata, é uma proteção, devido à sua baixa adesão às crises, para o dinheiro do investidor.

Muito embora, devemos ressaltar, a finalidade maior seja defender o patrimônio, a grande verdade é que em momentos de crise a busca pelo ouro aumenta, elevando o preço do metal, estando nesse movimento uma oportunidade de obtenção de altos ganhos com a venda das reservas pessoais.

Vamos a um exemplo? Quem comprou ouro no início do século XXI, pagou entre US$ 300,00 e US$ 500,00. Na onda da crise financeira de 2008, o preço do ouro chegou a alcançar US$ 1,9 mil. Quem aproveitou esse movimento e vendeu suas reservas realizou um lucro, numa visão bem pessimista, na faixa dos 300%.

A mesma coisa aconteceu com a prata no mesmo período, o que leva à conclusão de que os metais estão sujeitos a terem seu valor movido, para cima ou para baixo, pelas ondas especulativas, mas há uma certa lógica nesses movimentos, levando em conta que o ouro é um ativo durável, portável e universalmente aceito como valor.

Nesse sentido e, considerando a possibilidade real de uma nova crise global de grande porte no futuro próximo, investir em ouro e prata pode ser uma excelente defesa para o investidor médio.

Conheça as lições de investimento de John Bogle

John Bogle

Vamos falar um pouco de John Bogle e aproveitar para fazer uma análise abrangente da metodologia do especialista em investimentos que é considerado uma das quatro principais referências históricas no mercado de capitais.

Começamos falando de um fundamento clássico para compra de ações de Benjamin Graham, considerado o pai da análise de ações. Os fundamentos criados por Graham estão na gênese do pensamento, além de Bogle, do laureado Warren Buffet.

Graham recomendava e praticava a compra de ações de companhias cujo preço estivesse fixado a no máximo 2/3 do capital de giro líquido. O capital de giro líquido é a diferença entre o ativo circulante e o passivo circulante. A característica principal dessas companhias é a capacidade de honrar com os compromissos no curto prazo e, num cenário ainda mais otimista, ter capacidade de investimento para suportar estratégias de recuperação e crescimento.

Sim, a ideia é investir em empresas em processo se liquidação, mas com alto potencial de recuperação. Esse potencial seria comprovado caso a empresa tivesse os seguintes fundamentos:

– boa estimativa de lucros futuros;

– boas perspectivas de crescimento no longo prazo;

– bons fundamentos administrativos;

– boa saúde financeira e boa estrutura de capital;

– bom histórico de pagamento de proventos;

– Dividend Yield satisfatório.

Nem é preciso dizer que, observando quem são seus discípulos, Graham é considerado o pai da análise fundamentalista de ações. O que nos leva ao Value Investing, a estratégia presente na cartilha dos principais nomes do século XX, quando surgiram as grandes referências e técnicas de investimento no mercado de ações.

Para quem ainda tem dúvidas sobre o tema, o value investing nada mais é que a compra de ações que estejam subvalorizadas em relação ao seu potencial de geração de rentabilidade sobre o capital, seja no aspecto da valorização, seja por conta da remuneração via proventos.

Basicamente, essas duas formas de remuneração sobre o capital refletem visões diferentes. Enquanto os proventos refletem o resultado real da empresa para os acionistas, que é o lucro líquido dentro do exercício e a participação dos mesmos nesse lucro, a valorização da ação reflete a visão do mercado acerca da condição futura da companhia.

Nem sempre, no entanto, o mercado espelhará de forma fidedigna essa visão de futuro, podendo ser subestimada, gerando oportunidades para quem souber ler os fundamentos da empresa e comprar, se possível, em grandes quantidades, os papéis da companhia. Se possível, deve-se adquirir uma participação que garanta poder na mesa de decisões da empresa.

John Bogle e a filosofia de custo mínimo

A partir do que podemos chamar de “commodity teórica” do value invest, temos cada um dos principais nomes do mercado oferecendo seu pacote de capacidades e estratégias peculiares, naturalmente apropriadas, por conta dos resultados demonstrados, por outros investidores. É assim que se constrói o conhecimento, não só na área de investimentos, mas em todas as áreas do conhecimento humano.

John Bogle

Bogle foi nada menos que o criador do primeiro fundo de índice da história, cuja principal premissa é de que dificilmente um investidor individual será capaz de bater o mercado, da mesma forma que, no longo prazo, a tendência da Bolsa de Valores é sempre de crescimento.

Vale ressaltar que os índices de que falamos são carteiras hipotéticas, geradas para entregar ao mercado uma visão das tendências, desempenho passado e presente do mercado de ações. O fundo Ibovespa, por exemplo, reflete o desempenho das companhias de maior liquidez do mercado brasileiro, cujas ações são responsáveis por mais de 80% das negociações na B3. Temos, também, o índice Nasdaq, que reflete, basicamente, o desempenho das empresas do setor de alta tecnologia, entre outros.

O fundo de índice nada mais é que a criação de uma carteira real que espelhe a composição desse índice, com cada empresa que o compõe tendo respeitada sua participação na referida carteira. Desse modo, ela reproduzirá, de forma mais ou menos precisa, as variações do mercado. Ou, em algumas hipóteses, o do respectivo setor ou nicho, já que temos múltiplos índices, cada qual refletindo a realidade do desempenho das ações de um grupo de empresas que possuam alguma característica em comum.

Graham categorizaria tal tipo de investimento como defensivo, o que quer dizer, em outras palavras, aquele em que o investidor estrutura uma carteira e deixa-a ligada no piloto automático, sem a necessidade de um esforço de gestão permanente.

É onde surge outro fundamento importante e grande contribuição de Bogle para o mercado, que é a gestão de custos. Fazer a gestão de um fundo de índice é o oposto, por exemplo, à gestão de um fundo de hedge. Enquanto o primeiro estrutura uma carteira para o longo prazo, o segundo busca rentabilidade quase que diária, com movimentos agressivos e sistemáticos para a obtenção do resultado.

A grande diferença, sem dúvida alguma, são as taxas de administração e de performance, baratas quando se trata de fundo de índice e caríssimas quando se trata de um fundo  hedge. A razão, mais do que óbvia, é que no segundo caso é preciso remunerar gestores full time e com grande capacidade de leitura dos movimentos de curto prazo do mercado.

Bogle morreu em 17 de janeiro de 2019, deixando como grande legado o Vanguard Group, além de alguns livros, com destaque para o primeiro: “Enough: The Measures of Money, Business and Life”.

Com sua política de custo baixo para o investimento, a Vanguard vem atraindo cada vez mais investidores nos Estados Unidos.  Para termos uma ideia do que representam os fundos em índice nos Estados Unidos, entre 2013 e 2016, os investidores colocaram US$ 823 bilhões em fundos da Vanguard. Estamos falando de valores líquidos, o que significa ter contabilizadas as entradas e saídas dos fundos.

Os dados são da Morningstar, instituição que faz o monitoramento do desempenho dos fundos, que aferiu que todos os demais fundos mútuos juntos alcançaram, no mesmo período, um saldo de apenas R$ 97 bilhões. Na ocasião, quase 75% dos investimentos nos fundos da Vanguard eram em fundos passivos. Uma das boas razões, embora não a única, é que a taxa de administração dos fundos passivos da Vanguard é de módicos 0,12% a.a.

Premissas de Bogle

Para podermos sintetizar a visão de investimentos de John Bogle, podemos nos concentrar em alguns ensinamentos atemporais:

1 – O primeiro passo é investir logo e sempre, pois o tempo é parceiro do investidor.

2 – Sempre se deve levar em conta o custo da rentabilidade obtida, pois este pode consumir grande parte dela.

3 – Equilibre risco, retorno e custos na composição de sua carteira de investimentos, usando como principal fundamento a simplicidade.

4 – Elimine as emoções e a impulsividade, pois essa dupla é a mãe dos erros. Use de estratégia bem fundamentada e racionalidade para se tornar imune à inconstância do mercado.

5 – Se a sua estratégia é bem fundamentada, siga-a, pois mudanças bruscas podem levar você a agir com base em estratégia alguma, que é o que de pior pode acontecer.

Você já ouviu falar no conceito da máquina econômica de Ray Dalio?

Como funciona a economia

O conceito de máquina econômica de Ray Dalio, um dos maiores especialistas em investimentos de todos os tempos, tem uma paradigma que precisa ser revelado a toda a sociedade humana. A economia, em toda a sua complexidade, é um conceito simples.

Como funciona a economia?

Perguntamo-nos incrédulos por que o consumo não cresce no Brasil, apesar da queda sistemática da taxa de juros básica da economia. Diz o próprio conceito de máquina econômica que em momentos de crise o Banco Central baixa as taxas de juros para incentivar o crédito e, consequentemente, gerar consumo, contanto que isso não venha acompanhado de inflação. Com o crescimento do consumo, podemos, consequentemente, ter crescimento da produtividade e da economia como um todo.

Não é o que acontece no Brasil atual. Então, devemos ter algum problema, que talvez esteja presente na parte menos evidente do conceito econômico, que é aquele ponto em que se encontram o crédito, a produtividade e as transações, o que nós leva a conceitos básicos de economia.

Na visão de Dalio, a economia é o produto de todas as transações que acontecem. Os dois fatores básicos para que a economia se mantenha nos trilhos são: produtividade e transações.

Numa pequena economia local o que temos é a produção agropastoril e industrial senso absorvida pela demanda local. Essa demanda são pessoas dispostas a realizar transações, a que chamamos de compras. A distribuição desses itens ocorre por meio do comércio e o dinheiro gerado precisa ser guardado, o que implica na existência dos bancos.

Quando o produtor industrial acumula riquezas decorrentes de sua atividade, ele tem duas opções: investe o dinheiro no banco ou na expansão do negócio. Optar pela segunda alternativa só faz sentido se ele tiver quem esteja disposto a efetuar transações com ele, qual seja comprar seus produtos.

Ao optar por investir o dinheiro no banco, ele passa a remunerar seu capital sem produzir nada de novo, mas o banco empresta o dinheiro investido por ele a um pequeno empreendedor, que gera um novo produto na economia, que acarreta consumo e, consequentemente, mais renda.

Em ambos os casos, o dinheiro do empresário do setor industrial gerou crescimento da economia local. É o chamado ciclo virtuoso.

Pode acontecer, no entanto, que, em determinado momento, a produtividade seja bem maior que a capacidade de consumir da população. Tal situação configuraria o fim do ciclo virtuoso, uma vez que o setor produtivo acarretaria com duas possíveis consequências:

– redução dos preços, que reduziria suas margens e comprometeria a lucratividade do negócio;

– redução da produção, o que implicaria em demissões de trabalhadores, com consequente queda da renda e do consumo, gerando um ciclo vicioso.

O papel do crédito

Nessa hora, o governo percebe que há duas opções para evitar a retração da economia. Uma delas é a exportação. Por meio da exportação, as empresas podem escoar o excedente de mercadorias, mantendo sua lucratividade e os empregos. A outra opção é o chamado “crédito ao consumidor”.

Repare que, até o presente momento, a única forma de crédito a que nos referimos foi aquele concedido ao empreendimento, que é diferente do crédito ao consumidor.

O crédito ao consumidor é uma política para estimular o consumo. Sendo assim, naquele momento específico, teremos crédito, produtividade e transações. O ponto chave dessa relação, muito bem identificado por Dalio, é que no crédito ao consumidor o indivíduo aumenta sua capacidade de consumo sem, em contrapartida, aumentar sua produtividade.

Em outras palavras, ele passa a ter capacidade de consumo superior ao que produz, que é, também, ilusória, pois todo empréstimo precisa ser pago. Da mesma forma que o indivíduo obtém, com o crédito, a possibilidade de consumir mais do que ganha, ao ter que pagar esse crédito, ele perderá a capacidade de consumo anterior.

Colocando de uma forma clara, suponhamos que você ganhe R$ 10 mil por mês e decida financiar um apartamento, pagando R$ 4 mil por mês, num total de 30 anos. Algumas coisas podem acontecer. Você pode ter um aumento da renda nesse período, mantendo seu poder de consumo. Pode manter sua renda estável, perdendo R$ 4 mil em capacidade de consumo. Pode haver uma queda na renda da família, reduzindo ainda mais o seu poder de consumo.

Imagine o que acontece se essa queda da capacidade de consumo ocorre em cadeia, em virtude do desemprego e do endividamento da população. Não há redução de juros que dê jeito. É nesse momento que a economia entra num círculo vicioso. E tudo isso tende a acontecer em ciclos, com as economias, em períodos menores ou maiores, alçando grandes voos para, em seguida, passarem por longos períodos de agonia.

O Ciclo inevitável

Da mesma forma que o crescimento da economia com base no crédito ao consumidor é um convite ao voo de galinha, é preciso ter muito cuidado em separar o que são investimentos, despesas e gastos governamentais.

Aliás, você deve ouvir muito falar sobre isso no noticiário, sendo que o maior gasto é com a corrupção. Porque o gasto é o dinheiro que não retorna na forma de benefícios ou receitas. Ele simplesmente não retorna. É o que acontece com os gastos com mordomias para políticos e outros elementos, isenção de tributação sem critério e sem retorno econômico.

Há, também, as despesas, que devem retornar em benefícios à sociedade, principalmente se o benefício direto vier acompanhado de uma economia. É o que acontece, por exemplo, quando o governo implanta programas de saúde pública, saneamento e moradia para a população de baixa renda. Com isso, gera economia nos gastos com a própria saúde, além de gerar empregos, renda, consumo e crescimento.

O ideal, porém, seria que o crédito fosse 100% destinado a investimentos, como exploração de minérios, construção de ferrovias, portos, aeroportos, investimento em pesquisa e desenvolvimento tecnológico, etc.

Na visão de Dalio, o governo é o maior comprador e, também, o maior vendedor em uma economia. Ao comprar e vender mal, se o governo se endivida sem gerar valor para a economia, ele compromete profundamente toda a cadeia econômica.

A natureza dos ciclos

A natureza dos ciclos é que eles não se sustentam. E é exatamente por isso que são ciclos.

Em algum momento a produtividade superará o consumo. Sem novas transações, a produtividade se retrairá, retornando a um patamar mais próximo de seu ponto de partida.

Caso o crédito ao consumo lastreie o crescimento, em algum momento a bolha do consumo vai explodir e a economia irá se retrair.

O método de investimentos de Peter Lynch

Peter Lynch

Falar sobre o método de investimentos de Peter Lynch nos remete a um fundamento que temos tratado abundantemente por aqui. Vamos um pouco além da análise fundamentalista para entender como o Fundo Fidelity Magellan obteve retorno anual, durante a gestão de Lynch, 13,4% acima do mercado.

Na filosofia de Lynch, análise fundamentalista é essencial, mas é preciso dar um passo além. Segundo o gestor de investimentos, que durante 13 anos seguidos teve rentabilidade 26% maior que o S&P500, mais abrangente índice da Bolsa de Valores dos Estados Unidos, é preciso entender o negócio da empresa.

Peter Lynch
Peter Lynch

Nós podemos ir mais além e concluir que devemos refinar o conceito de investimento no mercado de capitais. Vamos tentar fazer isso da forma mais clara possível.

Toda empresa que se preza define claramente qual é o seu negócio. Essa definição, feita de forma prévia, vai orientar todas as decisões estratégicas ao longo do tempo. O negócio da Petrobras, por exemplo, é a cadeia do petróleo, incluindo prospecção, extração, refino, processamento e distribuição.

Com base nessa definição, o gestor terá uma visão clara do ambiente de negócios em que a empresa vai competir. Em outras palavras, estamos falando do tamanho do mercado, dos cenários econômicos, possíveis produtos substitutos que possam aparecer, do tamanho e diferenciais dos concorrentes, das características e regras da exportação, mercados emergentes, etc.

Com base nesse conjunto de informações, a empresa vai definir qual sua estratégia de investimentos e crescimento, assim como a lucratividade esperada. Tal condição conferirá um maior controle sobre as variáveis estratégicas do negócio, aumentando as possibilidades de êxito, levando a que as metas possam ser alcançadas com mais lógica.

Invista no negócio e não em ações

Você já parou para se perguntar sobre as razões que justificam as escolhas de investimentos feitas pelas pessoas na Bolsa de Valores?

É raro encontrar alguém que investe nos fundamentos da empresa. Muitas vezes o mercado de ações nos dá a impressão de que estamos numa casa de apostas.

Não estamos dizendo que isso está errado. Pelo menos não de todo. Faz todo sentido alguém analisar um gráfico e estabelecer posições de compra e venda de ações de acordo com os suportes e resistências apresentados ao longo de um determinado período.

Porém, faz muito mais sentido ainda se alguém investe em uma ação com viés de longo prazo com base na análise fundamentalista, que oferece uma visão privilegiada do futuro da companhia e do preço de suas ações com base em indicadores financeiros atuais.

Grande parte dos mestres em investimentos que admiramos recomendam a análise fundamentalista das empresas e o foco em value investing. Outros vão além e procuram oportunidades com base na conjuntura, como é o caso de John Templeton, que ganhou fortuna fazendo a leitura correta das oportunidades geradas nos Estados Unidos pela Segunda Guerra Mundial e pela força de recuperação do Japão no período pós-guerra.

A grande sacada de Lynch é investir no negócio. Quando você abre um negócio, é natural que você tenha conhecimento de todas as variáveis que impactarão suas possibilidades de sucesso ou fracasso. Será que, quando as pessoas resolvem investir numa empresa, elas buscam ter esse mesmo conhecimento?

Partindo do princípio de que Peter Lynch tem entre suas premissas de investimento o longo prazo, faz todo sentido que você tenha a visão do dono, porque ao comprar uma ação você se torna dono de uma pequena parte desse negócio.

Sendo assim, a principal característica de Lynch, seu maior diferencial, era investir em negócios que ele entendesse, de modo que ele pudesse estudá-los a fundo, traçar cenários e investir com lógica.

Small Caps e a lição de casa

Lynch é reconhecido como investidor em Small Caps, que são as chamadas ações de baixa captação na Bolsa de Valores. O problema básico dessas ações é que a baixa demanda pode deixar você preso a elas, sem conseguir obter um preço razoável na venda ou mesmo realizar os lucros.

Não, porém, se essa empresa tem uma trajetória ascendente de faturamento, receita líquida e lucros. Não se ela tiver um bom market share, produtos e serviços inovadores, boa governança e uma gestão hábil. Não se o mercado em que ela atua estiver em crescimento e ela tiver vantagens perceptíveis em relação à concorrência.

Essa empresa, mais cedo ou mais tarde, estará na mira da cobiça do mercado. Em um momento futuro, é possível afirmar que ela se tornará uma grande pagadora de dividendos, já que sua operação é lucrativa e, mesmo que comprimida pelos investimentos, sua margem pode se ampliar no longo prazo, na medida em que esses investimentos sejam recuperados e passem a impactar os resultados do negócio.

“Nunca invista em uma companhia antes de ter feito o dever de casa sobre as perspectivas de crescimento, da sua condição financeira, seus planos de expansão e assim por diante.” (Peter Lynch).

Tudo isso não é, todavia, suficiente para que você decida a compra. É preciso, outrossim, fazer o que Lynch chama de “lição de casa”.

Um dos itens do dever de casa recomendado por Lynch é calcular o PEG ratio, que indica se o preço da ação já reflete a previsão de lucro futuro. Sempre lembrando que o preço da ação reflete uma expectativa e não o valor patrimonial ou de venda da companhia. Caso o PEG ratio seja alto, isso significa que o mercado pode ter avaliado a ação com otimismo exagerado.

Isso não quer dizer que a ação não possa se valorizar no longo prazo, mas que o preço dela pode cair no curto e no médio prazo, sendo possível comprá-la mais barato. Nesse caso, como todos os outros mestres em investimentos, o mandamento é ter paciência para esperar o melhor preço.

A importância de avaliar o mercado em que a empresa atua

Ainda falando do dever de casa, um dos fundamentos defendidos por Lynch é que o investidor deve calcular o peso da dívida nas perspectivas da empresa.

Para isso, é estabelecida a relação entre a dívida e o patrimônio da empresa. Quanto maior for a proporção da dívida em relação ao patrimônio, menos atraente deve ser o negócio.

No entanto, não basta obter esse indicador de forma individual, porque alto endividamento, não raro, representa altos investimentos. Nesse caso, é preciso comparar a dívida da empresa com a dívida das companhias concorrentes. Pode acontecer de todas as empresas do setor terem um endividamento nivelado, já que todas estão investindo em expansão e precisam financiar o crescimento.

Além disso, quando o endividamento do setor está nivelado você pode concluir que não se trata de um problema de gestão. Por outro lado, isso indica, também, que a competitividade da empresa não estará afetada frente às concorrentes.

Diante de tais observações, fica evidente a razão pela qual Lynch é considerado um dos maiores gestores de investimentos em ações dos Estados Unidos. Fica evidente, também, que investir em negócios assegura uma grande vantagem competitiva frente aos outros investidores.

Carl Icahn: O mago das aquisições

Carl Icahn

Carl Icahn é considerado um dos maiores mestres do hostile takeover do mundo A trajetória do dono da 73ª maior fortuna do mundo, formado em filosofia e com dois anos de estudos de medicina, é a responsável pela sua fama como investidor e também por sua não tão boa reputação no mundo dos negócios.

Carl Icahn
Carl Icahn

Carl Icahn é visto, pela sua estratégia de investimentos, como um verdadeiro predador. Icahn foi convidado por Donald Trump para ser seu assessor na condução da reforma regulatória. O convite era o produto de uma relação comercial pregressa com o atual mandatário da Casa Branca, mas a vida política do temido Carl Icahn não terminou bem. Logo deixou o governo, acusado de usar o cargo para obter benefícios para os seus próprios negócios.

Já a vida como bilionário vai muito bem. Aos 83 anos, Icahn, que nasceu em 16 de fevereiro de 1936, pai de dois filhos, diretor da Icahn Enterprises, tem uma fortuna estimada em quase US$ 20 bilhões.

O que diferencia Carl Icahn dos expoentes do Value Investing

O método de investimento em ações de Carl Celian Icahn não se diferencia muito dos grandes nomes do Value Invest. A trajetória de Icahn revela um caçador de oportunidades.

Assim como os grandes investidores da Bolsa, Icahn construiu sua fortuna investindo em empresas nas quais enxergava grande potencial, comprando as ações em baixa e ganhando tanto em retorno sobre o capital quanto em proventos.

A grande diferença é que Icahn é, como se pode dizer, um investidor pró-ativo. Ao identificar as oportunidades, não se contentava em esperar os resultados. Ao contrário, buscava assento no Conselho de Administração da empresa para influenciar nas decisões.

Para obter participação no controle da empresa, Icahn fazia investimentos agressivos, comprando grande quantidade de ações da mesma. O momento certo para a compra não é nenhuma novidade. Icahn comprava quando todos estavam vendendo, adquirindo um número maior de ações, que o aproximassem ou lhe garantissem lugar no Conselho. Quando não era suficiente, continuava comprando ações da companhia até alcançar seu objetivo.

Foi assim sua trajetória na TWA (Trans World Airlines), cuja aquisição, em 1985, colocou seu nome em evidência no mercado. Icahn, como em todos os casos, percebia uma grande oportunidade na companhia, mas, no seu entendimento, a administração da mesma não era boa o suficiente para explorar o potencial de crescimento e ganhos.

O controle da TWA veio dois anos antes da criação da Icahn Enterprises, carro chefe do império financeiro do megainvestidor. Aliás, falando em império financeiro, os métodos de Icahn podem ser questionados, mas os resultados falam por si. Basta ver que as empresas em que a Icahn Entreprises conseguiu obter assento no conselho melhoraram seus resultados, principalmente para os acionistas.

Os resultados obtidos por Icahn falam por si, tendo transformado o megainvestidor em autoridade no assunto, ganhando o status de rei das aquisições.

O método de Icahn

Já sabemos que o primeiro passo de Icahn era identificar empresas com grande potencial de crescimento e lucratividade. O segundo era usar o mercado de ações para obter participação no controle da companhia.

Daí em diante, com o assento no Conselho, Icahn tentava impor sua filosofia perante os demais acionistas, com o propósito de aumentar os lucros.

Em algumas situações, fazia gestões pela troca da administração da empresa ou influenciava na forma como era administrada. Em outros casos, Icahn conseguiu impor mudanças drásticas na estrutura das organizações.

Estamos falando, além da TWA, de gigantes como: Time Warner, Texaco, Revlon, Motorola e Yahoo. O caso mais recente foi o CIT.

O caso Yahoo chamou atenção por causa da disputa entre Icahn e o CEO da companhia, Jerry Yang. A disputa deixou evidente uma questão que deveria ser premente na visão do investidor, assim como na das empresas que abrem seu capital, que é a necessidade de conciliar o interesse do investidor com o da direção da companhia. Crescimento e lucratividade nem sempre andam juntos. O fato é que Icahn acabou reconhecido como defensor dos acionistas.

O temor que provoca nas empresas está profundamente relacionado a essa dicotomia. Icahn consegue transformar investidores e acionistas em força ativa no processo decisório. Com isso, faz a balança pender para o lado dos investidores. A questão é se o que é melhor para os investidores no momento presente será bom para o negócio no longo prazo.

Em outras palavras, o investidor quer a maior remuneração sobre o capital. Investimentos para retorno no longo prazo geram endividamento no presente e redução dos lucros, com consequente redução do pagamento de proventos aos acionistas. No longo prazo, a ação pode se valorizar com o crescimento dos ativos e com o aumento do potencial de geração de receitas e de lucratividade.

 

História de Carl Icahn

Icahn não é um personagem cuja história seja revestida de muito glamour. Não teve uma trajetória de superações. Ao contrário, cresceu em uma família de classe média, de mãe professora e pai advogado. Não escreveu nenhum livro sobre investimentos.

Carl Icahn aquisições de empresas

Nasceu no Queens, em Nova Iorque, em 16 de fevereiro de 1936 e formou-se em Filosofia em 1957. Após formar-se em Filosofia e deixar a Medicina para alistar-se no exército em 1959, Icahn, em 1961, iniciou sua trajetória no mercado financeiro como corretor. O passo natural foi se tornar investidor.

A estratégia de direcionar as ações para a tomada do controle de empresas individuais teve início no final da década de 70. Desde então, as aquisições hostis se tornaram parte da rotina. O reconhecimento veio mesmo na década de 90. A partir do século XXI, a Icahn Enterprises passou a investir em diversificação da carteira, tendo atualmente investimentos em setores diversos, dentre os quais a tecnologia. Em 2016, Icahn se desfez de ações da gigante Apple, numa operação que ganhou o noticiário.

Em resumo, pode-se dizer que Icahn adotou um estilo que combina filosofia de investimento com estratégia de negócios. É quase o mesmo que dizer que comprava ingresso para a arquibancada, mas não para assistir e torcer. Icahn queria participar do jogo e sabia como mudar a trajetória de uma partida ao seu favor.

“Alguns ficam ricos estudando inteligência artificial. Eu faço dinheiro estudando a burrice humana.”

A frase acima era a descrição do perfil de Icahn no Twitter. Será que alguma outra descrição seria tão precisa em retratar o estilo de Icahn?

Como achar o valor intrínseco de uma empresa?

O pilar central do investimento baseado na análise fundamentalista é comprar ações de empresas que estejam subvalorizadas no mercado, ou seja, cujo real valor – o seu valor intrínseco – esteja muito acima do preço pelo qual esta sendo negociada na bolsa de valores.

Embora muitos investidores, especialmente os iniciantes, não se deem conta disso, o valor de um investimento, em termos dos retornos que ele pode te proporcionar, esta sempre atrelado ao preço que você pagou pelas ações daquela empresa.

Um empresa sólida, com excelentes fundamentos e ótimas perspectivas para o futuro, pode não ser um bom investimento caso as suas ações estejam sendo negociadas a um preço já alto na bolsa de valores. Considerando que muitas vezes o mercado já desconta o efeito futuro de boas notícias e perspectivas, esse cenário é mais comum do que parece em um primeiro momento, tornando a análise de preço e o cálculo do valor intrínseco da empresa algo fundamental para garantir o seu retorno.

Calcular o valor de forma errada pode te levar a fazer investimentos de baixo retorno e insustentáveis a longo prazo ou mesmo te levar a perder ótimas oportunidades de investimento, caso você subestime o valor real. Mas então como calcular o valor intrínseco da maneira correta? É isso que veremos nesse artigo.

 

Como calcular o valor intrínseco de uma empresa

 

Existem muitas formas de fazer o chamado valuation de uma empresa, que nada mais é do que a avaliação de quanto a empresa efetivamente vale. Dada a importância dessa questão para todos que investem, muitos são os livros escritos a respeito desse assunto, como os clássicos do Aswath Damodaran, um dos mais renomados professores de finanças do mundo e autor dos clássicos: damodaran on valuation, narrative and numbers, the dark side of valuation, entre outros.

valuation

Caso você queira se aprofundar no assunto do valuation, esses são os livros que eu recomendaria a você ler, mas para simplificar as coisas e te dar pelo menos uma ideia geral nesse artigo, vamos começar com a ótica de avaliação de empresas do bom e velho Benjamin Graham, o primeiro a divulgar os métodos da boa análise fundamentalista e o mentor do warren buffet, atualmente o maior investidor do mundo.

 

Atualmente,  o meio de cálculo do valor justo deve necessariamente levar em conta o fluxo de caixa que é esperado daquela empresa pelos próximos anos e então trazer esse valor esperado a valor presente. Pare para pensar, se um amigo seu te convidasse para ser investidor no restaurante que ele esta abrindo e te pedisse um valor de 50 mil reais para receber 40% de participação, como você saberia se esse valor é adequado ou não? Bom, a ideia mais lógica seria tentar calcular o que o restaurante iria gerar de receita ao longo de, por exemplo, os próximos 5 anos, e então comparar com o valor do investimento e o que lhe caberia dada a sua participação de 40% e, a partir daí, decidir se vale a pena para você ou se você pode obter retornos melhores de outras formas.

 

Esse método é atualmente conhecido como fluxo de caixa descontado, mas a fórmula matemática que Graham utilizava para chegar ao valor justo tem algumas peculiaridades que merecem ser analisadas.

 

A fórmula de Benjamin Graham

 

Graham calculava o valor justo de uma ação pela seguinte fórmula:

 

VI = √1.5 x 15 x Lucro por ação x valor patrimonial por ação

 

Agora vamos explicar em etapas o que essa fórmula significa. Primeiramente, você deve estar se perguntando da onde surgiram o 1.5 e o 15 do início da fórmula. Bem, esses eram dois números que Graham costumava chamar bastante atenção pois representavam duas máximas que, para ele, determinariam seu um investimento seria atrativo ou não:

 

– Uma boa empresa, avaliada a preço justo pelo mercado, não pode ter ações sendo negociadas a um preço superior a 1,5 vezes o valor de patrimônio líquido por ação.

 

– Uma boa ação para se investir não poderia estar sendo negociada a um valor superior a 15 vezes o lucro por ação.

 

É interessante notar que Graham considerava esses dois números de forma simétrica, ou seja, caso um deles fosse um pouco maior do que o esse limite e o outro um pouco menor, de modo que eles se compensassem, então a ação continuava apta a ser considerada um bom investimento, desde que a multiplicação desses dois números nunca ultrapassasse 22,5 (15 x 1,5).

 

Agora o segundo ponto para entendermos essa fórmula é saber porquê a raiz quadrada esta ali. Bem, para isso precisamos entrar um pouco mais a fundo na matemática da fórmula, mas não se preocupe, é bem simples:

 

VI = √   x   x lucro por ação x valor patrimonial por ação

 

Como você pode perceber, os dois primeiro elementos da equação são exatamente os 1,5 e o 15 de anteriormente. Acontece que, se você prestar atenção, vai perceber que nessa equação, estamos elevando ao quadrado o preço da ação sem motivo algum, enquanto o lucro por ação e o valor de patrimônio por ação se anulam.

 

Portanto, para retornar ao que seria o preço ideal da ação, devemos usar a raiz quadrada do número encontrado. Com isso teremos exatamente o que seria o valor justo da ação e, se compramos ela no mercado quando ela esta cotada a um valor abaixo desse preço, então criamos uma margem de segurança para os riscos incorridos em qualquer decisão de investimento. Logicamente, quanto maior essa diferença, maior a margem de segurança, portanto, um mercado em baixa é tudo que um investidor fundamentalista quer quando chega a hora de comprar novas ações.

valor intrínseco

 

A fórmula de Graham não é, por si só, a garantia de um bom investimento. Como falamos anteriormente, o método do fluxo de caixa descontado é o método mais utilizado atualmente. Porém, a fórmula de Graham te dá um bom ponto de partida para analisar mais a fundo uma empresa e ver se vale a pena aplicar métodos mais complexos de avaliação, já que se o preço dela estiver muito acima do valor intrínseco, provavelmente não será um bom negócio.

 

O que é Buy and Hold?

Buy and hold

           Podemos destacar dois grandes modos de enxergar o mercado de ações e de aplicar seu dinheiro em bolsa de valores: O Investimento e o Trading. Embora algumas vezes iniciantes confundam os dois, eles são bem distintos entre si.

Enquanto no Trading  busca-se especular com a volatilidade dos ativos, lucrando com a diferença, o que chamamos de investimento é possuir uma perspectiva de muito mais longo prazo ao colocar o seu dinheiro na bolsa de valores, investindo de fato em empresas com bons fundamentos econômicos no intuito de efetivamente virar sócio daquela empresa a longo prazo e se aproveitar da apreciação de capital e dividendos distribuídos ao longo dos anos.

No investimento, portanto, o que nos interessa é a empresa em si, a sua qualidade e fundamentos econômicos que provavelmente resultarão em um futuro lucrativo para ela – e para quem investir nela. Para isso, a ferramenta central para chegar a decisão final de investir ou não é a análise fundamentalista que, como o próprio nome já diz, é uma análise de empresas que tem como principal elemento de análise os fundamentos econômicos da mesma.

Dentro do que chamamos de investimento e da análise fundamentalista, podemos novamente  falar em dois grandes meios de aplicação dessa estratégia. Um deles se baseia na ideia de tomar a decisão de compra de uma ação com base nos fundamentos da empresa porém manter em aberto a opção de vende-la daqui a alguns anos, talvez uns 3,4 ou 5, caso ela atinja uma apreciação de preço extremamente substancial, ainda que os fundamentos dessa empresa continuem igualmente bons após esses anos.

Esse método é usualmente conhecido também como Position trading, já que ele também busca se aproveitar de variações do preço que nem sempre estão diretamente ligadas aos fundamentos econômicos. Entretanto, há uma clara diferença entre outras formas de trading – como o day trading e o swing trading – e o position, já que este esta focado sempre em um prazo muito maior, de pelo menos alguns anos, e a decisão de compra da ação necessariamente se dá pela análise dos fundamentos econômicos, tornando-o enquanto estratégia muito mais próximo do investimento fundamentalista do que do trading propriamente dito.

 

A outra filosofia de investimentos dentro da análise fundamentalista é o Buy and Hold. Nessa estratégia você compra uma ação através da análise extensiva dos seus fundamentos econômicos e, uma vez tomada a decisão, você não vende nunca mais, a menos que haja uma mudança brusca nos fundamentos da empresa que transforme o que era uma sólida empresa em um péssimo negócio. No Buy and hold, portanto, você compra (buy) e segura (hold) até o limite, tornando-se sócio da empresa com fins de permanência eterna em um cenário ideal, caso ela continue sendo uma boa empresa com bons fundamentos.

No Buy and hold, você ganha principalmente com o pagamento de dividendos que, idealmente crescerão a uma velocidade considerável caso você tenha acertado na análise da empresa.

Muitos investidores famosos e de alto sucesso são partidários do buy and Hold, dentre os quais o mais famoso é o Warren Buffet, mas também muitos outros como o John templeton, Phil Fisher e, no Brasil, o próprio Luiz Barsi, além uma dezenas de grandes investidores do passado que enriqueceram vertiginosamente aplicando essa simples porém efetiva estratégia de investimento.

Buy and hold

Mas será que essa estratégia pode produzir grandes resultados para você também? O que é necessário possuir para que o buy and Hold seja efetivo?

 

Perfil ideal de investidor para o Buy and Hold

 

Um dos aspectos mais importantes para o sucesso nos investimentos – e mesmo no trading – é sempre o fator psicológico. Como corolário desse princípio psicológico, costuma-se dizer que o grande investidor é ganancioso enquanto o mercado esta com medo e tem medo enquanto o mercado esta ganancioso.

Estas duas emoções – ganância e medo – certamente lhe acompanharão por toda a sua jornada de investidor e aprender a lidar com elas da forma correta é muitas vezes mais importante do que possuir o melhor método de análise de ações.

 

No Buy and Hold talvez essa máxima se aplique com maior força, pois ao aplicar essa estratégia você deve fundamentalmente ter a habilidade de resistir – por anos a fio – aos seus impulsos gananciosos todas as vezes em que você ouve falar em uma ação que valorizou centenas de pontos percentuais em poucos meses ou de um trader que ganha 30% ao mês operando em bolsa.

 

O valor da disciplina para o Buy and Holder é gigantesco, pois ele aposta em algo que por sua própria natureza é abstrato e intangível – o futuro. O Buy and holder acredita que se mantiver sua estratégia a longo prazo, resistindo a todas as tentações de especular que tentarão tomar conta de si, seus ganhos serão muito maiores no futuro do que aquilo de que ele esta abrindo mão no presente. Como o presente é mais concreto do que o futuro, é preciso um tipo especial de pessoa para manter a frieza de longo prazo e confiar, acima de tudo, na razão e na lógica de sua própria análise do que no barulho ensurdecedor que o mercado esta fazendo a cada momento, e que tenta com força puxá-lo para a manada de investidores comuns que seguem os movimentos da maioria ao invés de sua própria intuição.

 

Assim, se você pensa em investir em ações através do Buy and Hold cumpre perguntar a si mesmo se você terá a visão de longo prazo e a vontade inabalável para seguir com essa estratégia pelas próximas décadas sem se deixar ser atraído pelos objetos brilhantes ao longo do caminho que tentarão te desviar da sua jornada, representado pelo sentimento de ganância que irá surgir quase instantaneamente na sua mente e tentar tomar conta de você sempre que você tiver a notícia de ações crescendo em preço de modo estratosférico, algo que quase sempre se dá pelo excesso de entusiasmo e pelo efeito manada do que por qualquer valor real que aquela ação possua como investimento.

 

Por outro lado, para aplicar o buy and hold de modo eficiente você também precisa aprender a controlar o seu medo, e não se deixar contaminar pela cautela em excesso do mercado em momentos oportunos. Quando o mercado se contrai em excesso – seja por uma grande crise ou por um fato pontual da economia – os público investidor em geral entra e pânico e cessa a compra de ações. O Buy and Holder, por outro lado, sabe que é exatamente nesse momento de pânico que muitas das melhores ações, com excelente fundamentos, estarão subvalorizadas, cotadas a um preço muito inferior ao real valor da empresa, abrindo portanto uma janela de oportunidade excelente que pode trazer lucros expressivos em alguns anos se bem aproveitada.

 

O Buy and Hold é, portanto, uma estratégia de investimento fundamentalista extremamente eficiente, mas somente se você aprender a adotar uma perspectiva de longo prazo sobre o mercado de ações e assim desenvolver as habilidade necessárias para ser bem sucedido com esse método.

John Templeton: Biografia e lições de investimento

John Templeton

John Templeton foi eleito, em 1999, pela Money Magazine, “o maior selecionador de ações do século XX”. Nasceu em 1912 e faleceu em 2008, aos 95 anos. É, até os dias atuais, uma das grandes referências quando o tema é investimento em ações.

John Templeton

Conhecer um pouco a sua biografia passa longe de ser um exercício de empilhar fatos históricos. A vida de Templeton é, por si só, uma lição a ser seguida, repleta de episódios ricos em aprendizado.

Por essa razão, vamos nos deter em dois desses episódios, pois são capazes de proporcionar uma narrativa saborosa e um aprendizado bastante ilustrativo para quem deseja obter ganhos com investimentos.

Ao mesmo tempo, vamos entremear comentários que aproximem os ensinamentos de Templeton dos fatos biográficos.

John Templeton e a trajetória como investidor

Templeton nasceu em uma pequena cidade do Tenessee, que contava com cerca de 2 mil habitantes.A infância, sem sobressaltos financeiros, desembocou numa juventude em que a família foi posta à prova. Era o período da Grande Depressão, no final da década de 20. As dificuldades ajudaram, porém, a sedimentar as crenças já presentes na formação de Templeton, baseadas no trabalho duro e na poupança.

Levou a base de sua filosofia financeira ao extremo quando mobiliou sua casa gastando somente 25 dólares, obtendo os móveis em lojas de usados e leilões. Ao mesmo tempo em que economizava, nutria profunda aversão a fazer dívidas, fonte de dissabores para muitos em sua época e tantos outros nos dias atuais. Quando tinha que comprar, fazia-o à vista, mitigando, com isso, os riscos de perdas decorrentes do endividamento.

Isso não quer dizer que Templeton tivesse aversão a riscos, mas esses deveriam estar ligados a oportunidades. Mesmo assim, deveriam ser mitigados com base em uma análise sólida e na diversificação dos investimentos.

Seu modo de investir fez com que se tornasse um dos expoentes do Value Investing na segunda metade do século XX. O que o diferencia como referência histórica é que nunca restringiu seus investimentos ao mercado local. O cenário onde se dava o seu enriquecimento era o mundo, como veremos nas narrativas a seguir.

 

A oportunidade durante a Segunda Guerra Mundial

A partir daqui, deixemos que os fatos falem por si. Em 1939 Hitler invadiu a Polônia, dando início à Segunda Guerra Mundial.

Num cenário como aquele, em que era eminente um grande conflito mundial, tendo a Europa como ponto de propagação, a expectativa, de um modo geral, era pela retração do consumo e do comércio mundial, uma vez que as nações estariam dirigindo seus esforços para a defesa e as pessoas economizando seus recursos para enfrentar a tempestade que se avizinhava.

Não obstante, mesmo um cenário como aquele poderia ser percebido como uma grande oportunidade para investir. Há quem possa lucrar até mesmo com a guerra, bastando, para isso, enxergar as oportunidades. Enquanto um movimento de venda de ações em massa derrubou a Bolsa de Valores, reduzindo o seu valor pela metade, Templeton percebeu que a entrada dos Estados Unidos na guerra era questão de tempo. Consequentemente, alguns setores, como a indústria e a infraestrutura, tenderiam a crescer para atender aos esforços de guerra. Foi por aí que Templeton encontrou o caminho para ganhar com investimentos de longo prazo.

Templeton seguiu um dos fundamentos chave de sua filosofia, que é desconfiar do chamado “efeito manada”. Enquanto todos desfaziam suas posições, comprou as ações em baixa, mas tendo em vista uma situação macroeconômica que, no devido tempo, favoreceria o crescimento daquelas empresas, valorizando as ações.

Templeton ousou ver o que estava por trás das aparências e, ao mesmo tempo, se resguardou, montando uma carteira diversificada. Para isso, percebeu quais as empresas e setores que seriam arrastados pelo crescimento dos segmentos que seriam favorecidos diretamente pelos esforços de guerra.

O Japão do Pós Guerra

Como sabemos, o Japão foi um dos países mais afetados pela guerra, derrotado no confronto com os Aliados. A economia japonesa estava em destroços, o que indicava serem as empresas do país um péssimo investimento.

Era preciso, no entanto, ter uma visão menos superficial, como a de Templeton, para perceber naquele cenário uma oportunidade, que estava implícita em um aspecto jamais observado por quem enxerga o mercado apenas pela lógica dos fundamentos financeiros, que era a cultura japonesa.

Um povo disciplinado, perfeccionista e trabalhador é um ativo valioso para um país e para a economia local. Todos conhecem a história do Japão, que renasceu na segunda metade do século XX, superando a indústria do Ocidente em vários setores.

Em 1968, Templeton entrou com tudo no mercado japonês, comprando ações a preços depreciados. Na verdade, apenas antecipou um movimento que ocorreria nos anos que viriam. Naquele período, a economia japonesa cresceu e o índice Nikkei atingiu seu maior patamar histórico em 1989. Antes disso, Templeton desfez suas posições no país, antecipando-se, dessa vez, ao estouro da grande bolha japonesa.

“Mercados em alta nascem do pessimismo, crescem no ceticismo, maduram no otimismo e morrem na euforia.”

O pensamento acima, que é de Templeton, mostra qual a sua filosofia de investimento. Quando colocou seus investimentos no mercado japonês, não estava apenas comprando ações em baixas, fazendo uma aposta, mas, ao contrário, aproveitando uma oportunidade real, que estava onde poucos puderam perceber.

Participações nos lucros

É incrível como é pouco difundida uma das práticas mais bem sucedidas de investimento em ações. Comprar ações em baixa pensando em valorização futura é só parte do negócio.

Uma das lições de Templeton, que está na cartilha de outros grandes investidores, é que é preciso, antes de qualquer coisa, pesquisar e identificar empresas promissoras, o que inclui os fundamentos financeiros, o modelo de gestão, o perfil dos gestores e seu market share, entre outros fatores que configuram oportunidade de crescimento.

Reconhecer essas empresas não significa comprá-las. Templeton tinha sua “lista de desejos”, composta pelas ações dessas empresas. Esperava, então, que os preços caíssem acentuadamente para comprá-las. Com isso, além de ganhar numa valorização futura, obtinha maior ganho com a participação nos lucros. Ao comprar em baixa, o investidor adquire uma maior quantidade de ações. Como os dividendos são pagos por ação, ele terá maior participação bruta nos lucros da empresa, o que não está relacionado à valorização do mercado.

A principal lição

A maior lição de Templeton, que tem uma história cuja riqueza transcende as fronteiras do mundo dos investimentos, que inclui a filantropia e o incentivo à expansão da compreensão do terreno espiritual, é que o único indicador confiável é a oportunidade, que só pode ser identificada com estudo, pesquisa e mente aberta.

A Bolsa sobe ou cai por motivos distintos, mas não é o sobe e desce que deve motivar você a investir ou desfazer suas posições, mas reconhecer onde existe solidez suficiente para justificar que você invista seu dinheiro.

O verdadeiro investidor encontra valor nas empresas, não em previsões econômicas ou tendências de mercado. Ações de qualidade são fatias de empresas de qualidade. Raramente elas se desvalorizam porque a empresa vai mal, mas por causa do efeito manada e da especulação. O que significa dizer que elas voltarão a subir.

Ray Dalio: Quais as lições do maior gestor de fundos hedge do mundo?

Ray Dalio bridgewater associates

Você já ouviu falar em Ray Dalio? Ray Dalio é uma referência mundial na gestão de fundos hedge. Ótimo, mas o que vem a ser um fundo hedge?

Vamos tentar entender rapidamente o que é, já que o propósito deste artigo é apresentar a você as lições do maior gestor de fundos hedge do mundo, considerado o Steve Jobs do setor de investimentos.

Você sabe o que é um fundo de investimentos? É provável que sim. Trata-se de uma estrutura composta por investidores e gestores de investimentos, cabendo a estes últimos o papel de montar uma carteira de ativos que garanta rentabilidade ao valor investido pelos cotistas.

Você tem múltiplas formas de estruturar um fundo de investimento. Alguns dividem o capital entre investimentos conservadores e outros mais agressivos, buscando maior rentabilidade imediata e assumindo riscos maiores. O horizonte desses investimentos é muito mais abrangente do que aquilo que nós, reles mortais, podemos imaginar.

É onde entram os fundos hedge. Podemos dizer que os fundos hedge vão um pouco além do convencional. É o que melhor explica o que são esses fundos, cuja origem está na década de 40.

Ray Dalio é o fundador da Bridgewater Associates, considerada a melhor gestora do mundo no seguimento de hedge funds. A Bridgewater Associates está entre as dez mais importantes empresas privadas dos Estados Unidos.

Ray Dalio

Ray Dalio é a razão por trás disso. O principal alicerce do sucesso de Dalio são seus princípios, cuja peculiaridade está na universalidade de sua aplicação.

Vamos entender melhor o tema indo direto ao assunto. Ao ler os princípios de Ray Dalio, você vai entender porque eles são aplicados, não só aos negócios, mas à vida. Não por outra razão, o livro em que Dalio organiza seus princípios chama-se: “Princípios: Vida e Trabalho”.

 

 

1 – Princípio chave – Os ciclos

 

A base das boas decisões é a capacidade de prever o futuro. Pode parecer uma afirmação extravagante, até o momento em que você se pergunta por que planejamos. Planejar é o ato de tentar ter algum controle sobre o futuro, não é verdade?

Tendo algum controle sobre o futuro, você tem uma maior possibilidade de dirigir suas estratégias e administrar os riscos.

Dalio estudou muito para concluir que há uma lógica que rege todas as coisas, algo como dizer que há matemática em tudo. Essa lógica aponta que uma valiosa forma de conhecimento é saber identificar os ciclos.

Dalio percebeu que eles estão presentes em tudo, das 24 horas do dia às estações do ano, da história à economia.

Para não ficarmos na teoria, convidamos você para um conceito pouco conhecido, que é o ciclo circadiano. O conceito é pouco conhecido, mas o material a que se refere é praticamente o palco em que se desenvolvem as nossas vidas. Estamos falando das 24 horas do dia.

O ciclo circadiano se repete a cada 24 horas, mas poucas pessoas percebem o quanto ele interfere em nossas vidas. Basta, porém, você pensar em uma viagem de avião do Rio de Janeiro para Tóquio. Quem já fez a viagem pode falar sobre como corpo e mente se comportam. Quem não fez, já deve ter ouvido relatos sobre como o sono fica completamente descontrolado. É que o indivíduo, ao fazer tal viagem, se descola do seu ciclo circadiano.

Esse ciclo, composto por dia e noite, interfere em nossas vidas por meio das alterações hormonais que ocorrem em seu curso. Quando você consegue compreender esse ciclo, passa a utilizá-lo ao seu favor, podendo obter melhor qualidade de vida, maior produtividade e outros benefícios.

O mesmo acontece com ciclos mais complexos, como os ciclos históricos e econômicos. Você precisa dominá-los, entender como acontecem e usá-los ao seu favor.

 

2 – Aceitar e viver a realidade

 

Tão importante quanto entender os ciclos, é aceitar e viver a realidade. Um dos problemas de um indivíduo é a importância que ele dá a si próprio. Dalio nos insta a abandonar crenças que nada acrescentam. A vida é como é. Reconhecendo isso, você será capaz de se preparar para os desafios reais, aceitando os erros, críticas e derrotas.

Reconhecendo, enfim, que você não é especial e não precisa ser, sobrará tempo para dedicar-se a coisas que realmente importam.

 

3 – Transparência

 

Falamos muito em transparência no mundo corporativo e nos governos, mas deveríamos observar os dois lados de algo que é transparente e não apenas o que podemos ver do outro lado.

Ser transparente é ser honesto, é ser verdadeiro. É proporcionar ao mundo uma visão clara de quais são suas opiniões, pensamento e visão das coisas.

Do outro lado, no entanto, tem o feedback. Se você oferece ao mundo uma visão fidedigna de você mesmo, receberá, em troca, a forma como o mundo percebe o que você pensa e faz.

Percebe a relação? Você mostra quem você é de verdade e o mundo responderá o que acha sobre isso, entregando de volta grandes possibilidades de você crescer, se desenvolver, refletir e melhorar.

Dalio leva esse princípio ao extremo em sua empresa, onde exige de seus colaboradores que sejam completamente transparentes entre si. As regras também devem ser claras e aplicadas em sua totalidade para todos, o que amplia a qualidade das relações interpessoais, a partir do momento em que o ambiente é de transparência e confiança.

 

4 – Evolução pessoal

 

Repare que a evolução só vem quando nos deparamos com um desafio. Suponha que você seja o melhor corredor de 100 m do mundo e não tenha aparecido em 5 anos alguém que o superasse. Você tem duas opções:

 

1 – Acomodar-se com os resultados obtidos e não mudar nada;

2 – Tentar superar a si mesmo, reduzindo seus tempos, independente de haver algum concorrente no mesmo nível.

 

Quais as consequências possíveis desses dois comportamentos distintos? Ao tentar superar a si mesmo, você está encarando um desafio e buscando evoluir. Ao acomodar-se com a vantagem que já tem sobre os demais, você perde a condição de se distanciar ainda mais dos concorrentes e fica mais próximo de ser superado.

 

5 – Discordância construtiva

 

Em nossas vidas, é comum vermos situações em que as pessoas discordam sem jamais ouvir o outro. Provavelmente, nós mesmos já agimos assim. Imagine isso numa empresa, onde é preciso que decisões sejam tomadas diariamente.

Nesse tipo de situação, a figura do líder é fundamental. Dalio é esse líder, pois percebe que a discordância é o encontro de diferentes pontos de vistas e ideias, que podem, somados, contribuir para construir a melhor solução.

A melhor solução não é a minha nem a sua, mas a compilação do que de melhor cada uma delas possui, sempre tendo em mente o objetivo de enxergar a realidade de modo extremamente objetivo, livre das paixões, preferências e idiossincrasias de cada um.

 

Luiz Barsi: Conheça a história e as lições do maior investidor brasileiro

Luiz Barsi

Quem já é leitor assíduo do mago já deve ter percebido que a visão central transmitida por nós, quando se trata de investimento em ações, é aquela em que os fundamentos da empresa devem estar no topo da análise. Luiz Barsi é nada menos que o maior investidor individual do Brasil, com uma carteira em investimentos superior a R$ 1 bilhão, e ele próprio atribui o seu sucesso a análise fundamentalista.

Aonde esses dois temas se casam? Casam-se no momento em que podemos afirmar que a síntese do pensamento de Barsi é a tese chave em que nos baseamos para mostrar ao investidor qual o melhor caminho a tomar.

Nada contra quem prefere viver de trade, mas temos que lembrar o ensinamento do maior investidor do Brasil, considerado o Warren Buffet brasileiro, que afirma que “o especulador nunca ficará rico na Bovespa”.

 

Ao contrário, Barsi recomenda ao investidor:

“Examine bem os fundamentos da empresa e conheça-a bem. Veja o histórico de dividendos, sua saúde financeira, a perspectiva daquele setor, o comprometimento do gestor. Seja chato.”

 

A história de Luiz Barsi

 

O “Rei dos Dividendos”, como Barsi é conhecido, é um homem de origem pobre e hábitos bastante extravagantes aos olhos de quem construiu na mente um estereótipo do milionário ostentador.

Mesmo sendo proprietário de uma carteira de investimentos na casa do bilhão, Barsi ainda adota hábitos de vida simples, como ir de metrô diariamente até o seu escritório, onde trabalha das 10h às 14h.

O que torna seus hábitos mais extravagantes à visão do senso comum é que não se pode atribuir a Barsi a condição de um milionário enfadado com a rotina da riqueza, do luxo e do dinheiro fácil. Ao que tudo indica, tais benefícios nunca foram muito considerados pelo grande investidor.

Barsi, na verdade, nasceu pobre. O ano era o de 1939 e o mês era março. Era filho de imigrantes espanhóis e perdeu o pai com um ano de idade. O cenário em que a experiência no mundo do futuro grande investidor se desenvolvia era o bairro do Brás, centro de São Paulo. A família morava em um cortiço, tipo de habitação bastante comum nas grandes capitais naquele período.

Depois de trabalhar como engraxate para ajudar a família, conseguiu um emprego numa corretora na década de 60. Foi onde começou sua trajetória como investidor, comprando seus primeiros papéis. Ao mesmo tempo em que aumentava sua carteira de investimentos, Luiz Barsi Filho não abriu mão de investir no maior ativo que pode ter um homem, que é o conhecimento, base da aceleração do crescimento de sua fortuna, como fica evidente em sua filosofia de investimento, conhecida como value investing.

Além de megainvestidor, é formado em Economia, Análise de Balanços e Direito. É membro do Conselho Regional de Economia – SP e presidente do Conselho de Administração da Eternit.

Já foi membro do Conselho de Administração da Unipar/Carbocloro, editor de economia e mercado de capitais do Diário Popular, por quase duas décadas, e editor da revista Marketing, no período entre 1989 e 1992.

 

Ações x Empresas

 

Sua principal atividade hoje, chegando aos 80 anos, continua sendo estudar investimentos. Barsi estuda o comportamento das empresas e das ações para definir onde investir.

Separar o desempenho das empresas do desempenho das ações é uma das principais características do bom investidor. Quantas vezes você já se deparou com ações cuja cotação está despencando na Bolsa de Valores, enquanto as empresas estão obtendo excelentes resultados econômicos e financeiros? Com isso, ao mesmo tempo em que as ações estão se desvalorizando, a participação do acionista na empresa está rendendo-lhe dividendos.

Luzi Barsi
Benjamin Graham, considerado o Pai da análise fundamentalista

O verdadeiro acionista aplica seus recursos em valorização da empresa e lucro. A valorização da empresa é decorrente do investimento em novos ativos, novas operações e novos mercados. Essa é a lógica, inclusive, da abertura de capital. Consiste em compartilhar riscos e oportunidades com o investidor, o que está na contramão da filosofia do empréstimo bancário, em que o banco, através dos juros, assegura uma fatia dos ganhos com a oportunidade, reduzindo ao máximo sua participação nos riscos.

O que muitos investidores não percebem, porque ninguém lhes contou, é que existe a outra ponta nesta equação, que são os dividendos. Os dividendos e JCP pagos pelas empresas não estão condicionados pelos movimentos especulativos, mas pela previsão de lucro e pelo lucro líquido, propriamente dito. Você pode ganhar ou perder na cotação da ação na bolsa, mas, como acionista, você tem participação nos lucros da empresa. É o que podemos chamar de investir na economia real.

 

A essência do ensinamento de Luiz Barsi

 

Essa é a essência do ensinamento de Luiz Barsi. O acionista investe no crescimento da empresa, de modo a aumentar o valor da sua fatia da pizza, mas também nos resultados obtidos pela mesma. Se os resultados são obtidos, o ganho é imediato.

É como dizer que a desvalorização da ação na Bolsa é uma perda que pode ser recuperada. Já os proventos obtidos em função dos resultados da companhia são seus.

Basicamente, o que Barsi recomenda é que você compre fatias de uma empresa em cujo projeto você tem boas razões para acreditar. Mas isso é no longo prazo. A questão toda é saber o momento certo de comprar. Para isso, você precisa analisar os fundamentos da empresa, perceber o histórico das ações para saber em que momento o preço está bem abaixo do preço justo.

O movimento que nós precisamos entender é que o investimento na Bolsa é sempre olhando para o futuro. Sendo assim, o movimento dos investidores acaba refletindo o futuro no presente. Em outras palavras, quando muitos investidores percebem uma grande oportunidade de investimento no médio e no longo prazo, o preço da ação tende a subir, antecipando a valorização projetada no futuro. Só que, em algum momento, alguns decidem realizar o lucro, o que faz com que a cotação da ação volte à sua realidade presente. Nessa hora, você pode comprar as ações pensando nos dividendos e numa futura valorização dos ativos.

Caso, todavia, ocorra um movimento especulativo muito forte, que derrube as ações para um patamar bem abaixo do valor de mercado da companhia, é a melhor hora para o comprador que deseja investir no longo prazo, pois a valorização do ativo é mais do que provável, enquanto, sendo a companhia sólida, os altos dividendos são praticamente garantidos.

Está aí o grande pulo do gato da filosofia de Barsi. Os dividendos não variam de acordo com o preço cotado da ação na Bolsa de Valores. Sendo assim, ao comprar as ações em baixa, você tem um retorno superior sobre o capital investido.

Para ficar mais claro, você pode comprar uma ação por R$ 20,00 ou R$ 30,00. Quando a companhia divulga  dividendos de R$  2,50 por ação, quem leva mais vantagem? Obviamente que aquele que comprou a ação por R$ 20,00, pois vai ganhar os mesmos R$ 2,50 com menos investimento.