Vale a pena investir em Renda Fixa?

Quando falamos em investimento e construção de patrimônio voltada para o longo prazo, podemos identificar dois grandes meios para aplicar o seu dinheiro: A Renda variável e a Renda Fixa.

A Renda variável é uma forma de investimento na qual a sua rentabilidade – como o próprio nome já diz – irá variar em função do preço do ativo no qual você esta investindo. O exemplo clássico do investimento em renda variável é o mercado de ações, no qual a sua rentabilidade depende, simplificadamente, da performance das empresas cujas ações você escolheu investir no mercado.

Renda fixa

A Renda fixa, por outro lado, é uma forma de aplicar o seu dinheiro na qual o retorno que você receberá já esta pré-determinado no momento da compra, podendo esse retorno ser estabelecido de modo pré-fixado ou pós fixado:

 

Pré-fixado: o retorno que você receberá já esta estabelecido de modo preciso no momento da aplicação, por ex., 8% ao ano.

 

Pós-fixado: O retorno recebido irá ser determinado de acordo com algum índice, como a Selic, CDI, etc. Ao comprar, você não sabe precisamente qual será o retono, mas sabe a forma de cálculo e, portanto, a variação dentro da qual estará contido esse retorno, sem grandes riscos.

 

Em geral, as aplicações em renda fixa são títulos de crédito, ou seja, você assume a posição de credor ao emprestar dinheiro a uma determinada instituição, podendo ser o próprio governo (no caso do investimento em notas do tesouro) ou mesmo empresas privadas, no caso de CDB, LCI, LCA, etc. no qual seu dinheiro é aplicado no banco, ou mesmo em empresas listadas em bolsa, como na aplicação em debêntures. As debêntures entretanto, devido as suas peculiaridades, possuem questões muito específicas que não serão discutidas aqui.

Em geral, os riscos da aplicação em renda fixa são próximos de zero, já que, como credor, você não participa dos riscos da empresa emissora, e faz jus ao recebimento do retorno acordado ainda que a empresa não performe bem durante o período e tenha prejuízos. Ainda assim, há sempre o risco de insolvência, que é mitigado em alguns casos pelo FGC (Fundo garantidor de crédito), cuja função é garantir ao correntista/credor o recebimento do valor investido de volta caso a instituição financeira em questão venha a falir, até o montante de 250 mil reais.

Outra possibilidade de investimento em renda fixa se da através dos fundos de investimento em renda fixa, que buscam combinar as vantagens dos diferentes tipos de aplicação em renda fixa para entregar uma rentabilidade média superior a um risco baixo.

 

Renda Fixa é uma boa opção de investimento?

 

Mas será que vale a pena investir em Renda fixa? Bom, tudo se resume a uma relação entre o risco que você aceita correr e o potencial retorno que quer obter. A Renda fixa apresenta a vantagem da previsibilidade de retorno sobre o seu capital, o que te ajuda a se planejar e garante crescimento contínuo ao longo dos anos.

A questão é se esse crescimento tem alguma significância para construir o seu patrimônio. Muitas, vezes as pessoas se esquecem do impacto da inflação e do Imposto de renda nos seus investimentos, e não fazem o cálculo do retorno real que irão receber ao aplicar o dinheiro.

Vamos usar como exemplo o CDB para ficar mais fácil de entender o que eu quero dizer. É relativamente fácil encontrar alguns CDB’s pagando em torno de 120% do CDI – atualmente em 6%. Isso nos dá uma rentabilidade de 7,2% ao ano mais ou menos, o que é até razoável se tratando de um retorno garantido, de risco quase zero. Entretanto, se você considerar que a projeção de inflação do ano esta em 4%, e que você também paga imposto de renda sobre esse rendimento, variando de 15 a 20%, dependendo do resgate acima ou abaixo de 1 ano, respectivamente, o retorno real que você irá auferir sobre o seu capital será bem menor, de 1,76% a 2,12% ao ano:

 

7,2% – 4% – (0,15 ou 0,20) x 7,2%

 

Com isso, na prática, o retorno passa a não ser tão interessante se considerarmos a apreciação do poder de compra do seu capital.

 

Um cenário em mudança para a renda fixa

 

Tradicionalmente, o Brasil sempre foi um país com algumas das aplicações em renda fixa mais rentáveis do mundo, o que se devia a sua alta taxa de juros. Com isso, era possível encontrar aplicações em renda fixa que rendiam acima dos 10% ao ano em alguns casos, tornando-a muito mais atrativa mesmo após considerar-se a inflação e o IR.

Em 2017, por exemplo, o CDI acumulado do ano ficou em 9,93%, o que significa dizer que a mesma aplicação no CDB utilizada como exemplo anteriormente daria um retorno de 12% ao ano comparativamente aos 7,2%. Se considerarmos a inflação daquele ano (2,95%) e as alíquotas de Imposto de renda aplicáveis, teríamos um retorno líquido de 7,24% a 7,7%, significativamente maior do que os 1,76 a 2,12%.

Indo mais além, considerando o CDI de 2016 e 2015, que ficou em 14% e 13,24%, respectivamente, teríamos retornos monstruosos para uma aplicação em renda fixa próximo dos 17% ao ano antes de considerada a inflação.

Todo esse contexto tornava a renda fixa uma excelente opção de investimento, cenário esse que vem mudando a passos largos com a redução sistemática da taxa de juros. Assim, a tendência é que a renda fixa passe a render cada vez menos, como aliás já é realidade na maior parte dos países desenvolvidos como os EUA.

Essa redução da rentabilidade esperada da renda fixa obriga o investidor a reconsiderar a alocação de ativos que faria normalmente pende mais para a renda variável se deseja obter retornos consideráveis.

Não se trata de dizer que a renda fixa não vale mais a pena, mas apenas que ela já não é mais a grande festa que foi no passado. Eu diria que um investidor que pretende construir um bom patrimônio a longo prazo não deveria colocar mais do que 30% do seu capital total em renda fixa e investir os outros 70% em renda variável, buscando obter retornos anuais maiores.

Eliminar completamente a Renda fixa do seu portfólio talvez não seja a opção ideal, ainda mais quando você começar a ter um capital considerável e desejar ter proteção integral para pelo menos uma parte dele, porém é um fato notório que com a tendência atual de diminuição na taxa de juros o investidor inteligente terá apenas uma pequena parcela em Renda fixa.

Investir no CDB para diversificar: Uma boa ideia?

CDB

Investir em CDB é uma boa opção para diversificação?

Vale a pena incluir o CDB em sua carteira de investimentos? Bom, tudo depende do seu perfil e do quanto você vai investir.

CDB

Antes, porém, vamos entender melhor o que é CDB? CDB é Certificado de Depósito Bancário, um título emitido por uma instituição financeira com prazo estipulado para resgate com juros. Em outras palavras, o CDB é uma forma de uma instituição financeira tomar empréstimo junto ao investidor, em troca de uma remuneração sobre o valor tomado.

O prazo é estipulado pelo banco e pode ser pré-fixado ou indexado. O destino do capital investido é ser transformado pelo banco em crédito a terceiros, a quem o banco cobra um juro maior, que representará o seu lucro.

O CDB é garantido em até R$ 250 mil pelo FGC (Fundo Garantidor de Crédito). Quanto à tributação, é cobrado IOF em operações de menos de 30 dias. Além disso, é cobrado Imposto de Renda sobre o rendimento, sendo que a cobrança é progressiva, da seguinte forma:

– resgate em até 180 dias – 22,5%

– resgate entre 181 e 360 dias – 20%

– resgate entre 361 e 720 dias – 17,5%

– resgate em 721 dias ou mais – 15%

Parece evidente que o melhor investimento em CDB é aquele de longo prazo, o que implica maior rentabilidade e menor incidência de impostos, aumentando o seu lucro na operação.

Caso você precise ter o resgate do investimento à disposição, pode optar pelo CDB escalonado, também chamado de progressivo, em que a liquidez é diária, mas, obviamente, você terá um ganho reduzido devido ao IR progressivo.

Por que diversificar a carteira de investimentos?

Quando falamos em diversificar a carteira de investimentos, imaginamos que você tenha um perfil moderado, que aceite o risco como parte da oportunidade, mas, ao mesmo tempo, entenda ser necessário investir na segurança do seu dinheiro.

É comum que investidores combinem investimentos em renda variável com investimentos em renda fixa, que são aqueles que oferecem o menor risco.

É bem verdade que com a queda progressiva da taxa Selic, atualmente na casa dos 6%, além da inflação controlada, os investimentos em renda fixa perderam muito de sua atratividade. A expectativa de rendimentos para 2019 não supera, nos melhores quadros, os 9%, mesmo assim, sem contar o Imposto de Renda sobre os rendimentos.

Diante disso, muitos investidores decidiram migrar para a Bolsa de Valores. Se diversificar a carteira de investimentos é uma das boas práticas desde sempre, no cenário atual se torna ainda mais recomendada. Você pode correr para as ótimas oportunidades da Bolsa, buscando altos ganhos, e reter parte de suas reservas para investir em renda fixa, de modo a compensar eventuais perdas.

Quanto rende o CDB?

Para analisar se o CDB é uma boa opção para diversificar sua carteira, é preciso que tenhamos uma ideia de qual o rendimento a ser obtido.

A base para o cálculo dos rendimentos do CDB é o CDI (Certificado de Depósito Interbancário), que é a taxa referencial de juros para operações de crédito entre instituições financeiras. Em outras palavras, é o preço de uma operação de crédito entre um banco e outro.

Sendo assim, a maior rentabilidade sobre o CDB é aquela que supera a taxa CDI. Por essa razão, é preciso que você pesquise para saber quais são os bancos que oferecem a melhor taxa. Há uma grande diferença entre as ofertas dos diversos bancos que operam no mercado, podendo a taxa ir de menos de 100% do CDI a 118%. As taxas tendem a ser mais elevadas, quanto mais extenso for o prazo para resgate.

 

Vale a pena diversificar a carteira com CDB?

A questão é que o CDI vem esbarrando no patamar dos 5,9% a.a. As taxas pagas pelos bancos no CDB, como já vimos, flutua em torno dos 6% a.a. Vale lembrar, ainda, que o CDB tem a incidência do Imposto de Renda. Sendo assim, o rendimento médio para um resgate em menos de 180 dias seria na casa de 4,65%.

Em outras palavras, não é o melhor investimento para o curto prazo. Talvez, para quem quer proteger uma fatia do capital no longo prazo, seja um investimento recomendável. Lembrando que estamos falando de juros compostos. Mesmo para o longo prazo, no entanto, para quem quer um investimento de baixo risco, as LCI e LCA, que também se referenciam no CDI, mas são investimentos isentos de IR, oferecem um maior rendimento.

Então, se o objetivo é diversificar a carteira com um investimento de longo prazo e baixo risco, prefira as LCI e LCA. Caso seja para resgate no curto prazo, ainda assim esses papéis são isentos do IR, o que os torna mais vantajosos que o CDB. Além disso, esse investimento será revertido em crédito aos setores agrícola (LCA) e imobiliário (LCI), que são essenciais para a economia do país.

Há uma condição em que o CDB pode ser mais vantajoso, que é a compra do certificado com preço de resgate pré-fixado. Nesse caso, depende da remuneração que o banco vai oferecer.

A dica é comparar com as projeções de rendimento de LCI e LCA para o mesmo prazo. É bem provável, no entanto, que o banco só ofereça uma remuneração mais agressiva no caso de você investir uma quantia expressiva.

 

Devo investir na Eletrobras?

Ações da eletrobras

Investir em ações da Eletrobras é um bom negócio? Vamos percorrer todo o caminho necessário para tentar responder a essa pergunta ou, pelo menos, para cercar você de informações que orientem suas decisões e o perfil do investimento a ser feito na companhia, caso a conclusão seja de que o momento é propício e o futuro promissor.

Quando falamos em futuro promissor, estamos falando em investimento de longo prazo, o que inclui, naturalmente, que a empresa se comporte como um vaca leiteira, com fundamentos econômicos, financeiros e estratégicos fortes, lucratividade elevada e pagamento de expressivos proventos aos acionistas.

No dia 21 de agosto, uma simples reunião do presidente da Câmara dos Deputados com o presidente da República, tratando da iminente privatização da empresa, fez com que a cotação das ações da companhia estatal disparassem na Bolsa, com alta de 10,9% em menos de 24 horas. No mesmo dia, o índice iBovespa apresentou alta de 2%, puxado, inclusive, pela alta da companhia elétrica.

É preciso entender por que a privatização de uma grande companhia estatal provoca euforia entre os investidores. Sabemos que o mercado de ações não precifica o presente, mas as expectativas quanto ao futuro. A diferença básica entre uma empresa estatal e uma empresa de capital privado está no propósito. Ambas precisam ter uma operação lucrativa, que é, em última análise, o que atrai capital de investidores, que é a forma mais barata e menos arriscada de financiamento do crescimento da companhia, uma vez que o acionista é um sócio, que compartilha as oportunidades e os riscos, enquanto o banco empresta dinheiro e cobra juros.

As semelhanças quanto aos propósitos param por aí. Enquanto uma empresa estatal está atrelada às políticas de Estado, tendo como propósito ocupar um papel estratégico na economia do país ou dos estados e municípios que detêm seu controle, o único propósito da companhia de capital privado é obter lucro, o que, em última análise, faz com que sua direção busque os investimentos mais lucrativos.

Sendo assim, a expectativa é de que a empresa, ao ser privatizada, se torne, pelo menos em tese, mais lucrativa. O importante é que você entenda o contexto atual, que é o debate em torno da privatização da companhia, e o que interessa ao investidor.

Entenda melhor a Eletrobras

A Eletrobras é uma sociedade de economia mista controlada pelo Governo Federal, cujo negócio é a geração, transmissão e distribuição de energia elétrica. Trata-se de uma holding que envolve várias empresas do setor, que inclui a Eletropar, a Eletrobrás Furnas, a Eletrobrás Eletronuclear, a Eletrobrás Eletronorte, Eletrosul e outras.

É responsável por 37% da geração de energia no país, com uma capacidade instalada de mais de 42 mil megawatts, dividida por 36 hidrelétricas e 128 termoelétricas, sendo duas delas termonucleares. Seus 58 mil quilômetros de linhas de transmissão correspondem a 57% em participação no território nacional.

Desde 2008, a empresa atua no mercado externo, tendo como premissa estratégica a integração energética do continente Sul-Americano, como parte da estratégia de integração regional.

Histórico recente

A Eletrobras possui, de acordo com o balanço de julho de 2019, um ativo total de R$ 181,9 bilhões, estando R$ 42 bilhões no ativo circulante. A receita líquida no período foi de R$ 17,2 bilhões, com lucro líquido de R$ 17,4 bilhões. A dívida da companhia é de R$ 56,7 bilhões e o patrimônio líquido é positivo em R$ 62,3 bilhões.

A previsão é de que o lucro líquido da companhia pode ultrapassar os R$ 20 milhões em 2019. O resultado do segundo trimestre foi lucro de R$ 5,6 bilhões. Em 26 de agosto, a ação era cotada a R$ 43,80.

Apesar dos bons números iniciais, a empresa vem apresentando uma oscilação para cima da dívida desde 2013, assim como o patrimônio líquido já foi de R$ 85 bilhões em 2009. Depois de uma trajetória de prejuízos entre 2013 e 2017, a empresa voltou a apresentar lucro em 2018, com manutenção da trajetória nos primeiros dois trimestres de 2019, o que contrapõe a trajetória da receita líquida, que teve queda acentuada em relação ao mesmo período de 2018.

Para termos uma ideia, a companhia, no segundo semestre de 2019, teve um aumento de 305% no lucro líquido em relação ao mesmo período do ano anterior. Não devemos, portanto, dar atenção a esses números maior que o devido, uma vez que é motivado pela rotina de renovação de concessões e agregação de receitas.

Como fica a ELET3?

A ação da Eletrobras terminou o ano de 2018 com cotação na faixa dos R$ 23,50. Em 26 de agosto, a cotação é de R$ 43,80. A trajetória de alta iniciou-se em 2016, quando a cotação da ação da companhia chegou a um patamar abaixo dos R$ 5,00. Como não poderia ser diferente, a corrida aos papéis da estatal foi motivado pela nova política de governo implementada por Michel Temer, com liberação dos preços dos serviços públicos e, claro, com a expectativa de uma privatização no horizonte.

elet3

Quem investiu, conseguiu ganhos na faixa de 900%. A trajetória de alta se manteve em 2019. A ELET6 teve valorização de 66% só no primeiro semestre. A questão toda é saber se as ações da Eletrobras continuarão subindo. Ao mesmo tempo, é preciso monitorar a reversão da trajetória de pagamento de proventos. Depois de quatro anos sem pagar dividendos, a companhia distribuiu 0,8106 por ação em abril de 2019. Não há, no entanto, indicativo de que o pagamento de dividendos se transformará em rotina.

Vale a pena investir?

Vale ressaltar que as ações da companhia estão mais de 100% acima de seu maior valor histórico antes da escalada que se iniciou em 2016, que foi de R$ 21,34 em janeiro de 2010.

Ainda que haja especialistas que apostem na continuidade da trajetória de alta, o momento, para quem pensa em um investimento seguro e com bons proventos, não recomenda a compra.

É recomendado aguardar o que vai acontecer com a companhia, que deve ajustar seus fundamentos a uma trajetória de lucro e o preço das ações a uma perspectiva mais realista.

 

 

Investir na B3: uma boa ideia para o investidor conservador?

B3

Investir na B3 é uma boa alternativa para o investidor conservador? Bom, para responder a essa pergunta é preciso, antes, que consigamos descrever o que é um investidor conservador, conceito que pode variar de acordo com o ambiente de negócios.

A grande verdade é que falar em investidor conservador remete a aversão aos riscos, o que, de certo modo, não deixa de ser um contrasenso. Ora, sabemos, de antemão, que as duas variáveis básicas do investimento são a oportunidade e o risco. Para cada oportunidade, temos um risco envolvido.

O que se tem dito, com muita propriedade, é que grandes oportunidades envolvem grandes riscos e que baixo risco combina com baixos ganhos.

A questão toda é que o que se vem praticando no Brasil desmente, de certo modo, a lógica do investimento. Você pode imaginar que em março de 1999 a taxa básica de juros chegou a 45%? Imagine só o ganho de um investidor que colocava seu dinheiro em papéis indexados à taxa Selic ou ao CDI, taxa referencial de crédito entre instituições financeiras.

O cenário só começou a mudar, gradualmente, a partir de 2006. Desde então, a política do Banco Central vem fazendo com que a Selic oscile para baixo. Em 2012, chegou a 7,25%, voltou a subir nos anos seguintes e em agosto de 2019 alcança o menor patamar histórico, de 6%, contra uma meta de 6,4% no ano.

Outro indexador, o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), que mede a inflação, projeta para 2019 um índice abaixo dos 4%. Ao que tudo indica, os altos rendimentos obtidos com investimentos em renda fixa estão um passo além dos dias contados. É a realidade dizendo que os investimentos conservadores se tornaram realmente conservadores, com baixos riscos e baixas taxas de retorno sobre o investimento.

Quando falamos que o Tesouro Direto pré-fixado promete prêmio anual acima de 8,5% a.a., podemos dizer que a rentabilidade é excelente, pelo menos no cenário atual. Ao mesmo tempo, as ações da Magazine Luiza valorizaram na casa de 1.000% desde 2011, quando abriu seu capital. As ações do Banco Inter, só em 2019, subiram mais de 100%.

Estamos falando de empresas com ótimos fundamentos, com trajetória de crescimento de ativos e investimentos, com trajetória de lucro e aumento de receitas em suas operações. Será que estamos falando realmente de um investimento de alto risco?

É alto risco ou falta de habilidade?

O risco maior está, na verdade, na falta de habilidade e na visão equivocada do investimento, não na volatilidade dos papéis.

Para investir em ações é preciso ter habilidade. Ou um conjunto de habilidades que só podem ser obtidas por meio do conhecimento.

Você vê dia após dia o noticiário falando dos humores do mercado, que um dia está otimista e no outro está nervoso, para ficar pessimista mais adiante e eufórico um dia depois. O mercado pode ficar com o humor que ele quiser. Você não pode.

É preciso, em primeiro lugar, separar o que é desempenho da empresa e o que é desempenho das ações na B3. Para as devidas apresentações, para quem não conhece, a B3 é a Bolsa de Valores brasileira.

O que você precisa entender é que a Bolsa precifica futuro. Em outras palavras, o preço das ações reflete o que o mercado acredita que acontecerá com a empresa num tempo futuro. Se a empresa vai bem, as ações se valorizam. Mas você já deve ter visto diversas previsões para os próximos dias ou para os próximos três meses.

Pois é. É que o mercado também precifica a ação no curtíssimo prazo. É o que nós chamamos de mercado especulativo, que aposta mais na relação oferta x demanda do que nos fundamentos da empresa. Nesse caso, os fundamentos pouco importam. O que vale é como o mercado enxerga as ações da companhia.

Você já deve ter ouvido falar em efeito manada. É quando um acontecimento ou uma conjuntura leva os investidores a fugir em bando das ações de uma determinada empresa. Quando isso acontece, o preço da ação vai lá embaixo. O efeito contrário também acontece.

Nos dois casos, em algum momento, o mercado percebe que o papel está muito barato ou que o futuro precificado não é aquele dos seus sonhos e a trajetória se inverte.

 

Investir em ações é investir em empresas

Você pode ganhar dinheiro fazendo trade, tentando pegar carona nas altas dos papéis para vender por um preço maior que aquele que você comprou. Não há problema, exceto pelo fato de que você precisará acompanhar os pregões um após o outro, com um olho nos gráficos e outro na home broker. É bom, também, ficar atento ao impacto das taxas que você paga à sua corretora sobre cada operação de compra e venda.

B3

O verdadeiro investimento em ações, de acordo com a ótica fundamentalista, é aquele em que você investe em empresas. Ora, se o investimento é feito em uma empresa, é fundamental que as perspectivas dessa última sejam de crescimento, que ela tenha uma boa administração, que atue em um mercado promissor, tenha baixa taxa de endividamento e uma operação superavitária, entre outros aspectos.

O propósito da abertura de capital é que a empresa financie o seu crescimento a baixo custo. Ao tomar dinheiro em um banco, a empresa tem que pagar altas taxas de juros. Ao abrir capital na Bolsa, ela capta recursos de investidores, que reconhecem a solidez e o futuro do seu negócio e, por essa razão, aceitam investir seu capital em suas ações.

Se você enxerga por essa ótica, pode se tornar um bom investidor. Conservador? É uma questão de ponto de vista. Se você investe somente em blue chips, empresas com maior liquidez, como Vale, Banco do Brasil, Petrobras e Eletrobras, podemos dizer que você tem um perfil conservador para um investidor em ações. Se você, além disso, diversifica seus investimentos, combinando aplicações em renda variável com aplicações em renda fixa, você pode ser visto como um pouco mais conservador.

 

O fato é que há uma regra a seguir quando se trata de investimentos. Aliás, há um conjunto de regras. A mais jurássica e sábia delas é que você deve comprar as ações quando elas estão em baixa. Você vai comprar um maior número de ações, com potencial de valorização e com um Yield maior.

Yield, ou Dividend Yield, é o ganho proporcional que você obtém com a distribuição de dividendos pela companhia. Os dividendos são a participação nos lucros. Logo, é importante que você fique atento à segunda regra, que é o histórico de pagamento de dividendos da companhia.

Se a sua escolha for boa, terá como resultado a valorização do capital investido, por meio da valorização das ações, e o ganho de dividendos, que podem ser reinvestidos, aumentando seu capital.

Para concluir, se você comprou a ação em baixa e não pretende desfazer-se dela, não compartilhe as aflições do mercado. As oscilações nada mais são, na maioria das vezes, que movimentos especulativos. Você deve, sim, estar atento ao noticiário sobre a empresa.

É onde entra a questão mais importante. Não basta a ação estar em baixa. É preciso que haja uma oportunidade real de ganhos. Você precisa ter indicadores de que a empresa vai crescer. Você pode recorrer aos gráficos, que mostram as variações de preço ao longo do tempo, mas é preciso ir mais além, conhecendo a empresa, seu endividamento, quais suas estratégias, as perspectivas do segmento onde atua e a qualidade de sua gestão.

Sob esse aspecto, você poderia ser o que chamam de conservador, mas, na verdade, é um estrategista, que investe com os pés no chão, seguindo as melhores práticas de investimento na Bolsa de Valores.

Ações BRF: Vale a pena investir?

Antes de qualquer coisa, vamos às devidas apresentações. Caso você nunca tenha ouvido falar em BRF, não há problema. Você, certamente, já ouviu falar em Sadia e Perdigão.

BRFS3

Sadia e Perdigão são apenas duas de mais de trinta marcas da BRF, que comercializa produtos alimentícios em mais de 150 países em cinco continentes, contando, para isso, com mais de 90 mil colaboradores, distribuídos por mais de 50 unidades de fabricação, localizadas em oito países.

A BRF está fisicamente presente, além do Brasil, na Argentina, Reino Unido, Holanda, Turquia, Emirados Árabes Unidos, Malásia e Tailândia. Conta com mais de 30 mil fornecedores, mais de 13 mil produtores integrados e mais de 200 mil clientes espalhados pelos cinco continentes.

São dados que colocam a BRF entre as maiores companhias do mundo no segmento de alimentos.

Momento conturbado para a BRF

Apesar disso, a BRF apresentou prejuízo superior a R$ 1 bilhão no primeiro trimestre de 2019, tendo sido o maior em seis trimestres consecutivos de resultados negativos. Já no segundo trimestre, a empresa teve lucro de R$ 322,8 milhões. O prejuízo calculado em um ano é, todavia, de R$ 1,5 bilhão.

Os números parecem indicar um facho de luz no fim da rodovia do fim do mundo, mas é preciso que o investidor vá bem mais fundo na análise. Estamos, afinal, falando de uma indústria de produtos alimentícios, sujeita aos efeitos de múltiplos fatores, que vão das políticas governamentais à oscilação do dólar.

Parte da rotina de prejuízos nos últimos anos deve-se ao dólar alto, que aumentou o preço dos insumos necessários à operação da companhia, somando-se a isso os efeitos da greve dos caminhoneiros, que comprometeu o escoamento da produção local. Sem contar com a sucessão de escândalos e restrições internacionais à proteína brasileira.

Além disso, grande parte do prejuízo apurado no primeiro semestre é consequência da venda de ativos da empresa, que faz parte do plano de realinhamento estratégico.

A receita líquida teve aumento de 18% no segundo trimestre, alcançando R$ 8,3 bilhões. Em junho de 2019, a empresa lançou no mercado R$ 750 milhões em debêntures, com vencimento entre 3 e 7 anos. A tática da companhia faz parte da estratégia de alongamento dos prazos para pagamento do passivo, com barateamento concomitante da dívida.

No mesmo período, vendeu fábricas de abate de aves e processamento de alimentos na Europa e na Tailândia por um total de US$ 377 milhões, o que ratifica ser o momento da companhia de reorganização da dívida, mas também de encolhimento das operações.

Embora a empresa apresente um Ebitda sistematicamente bastante positivo, o que indica uma geração operacional de caixa positiva, isso não significa nenhuma garantia de que os resultados se manterão positivos nos próximos trimestres, uma vez que é preciso avaliar o impacto das vendas de ativos nos lucros recentes. Considerando as despesas financeiras e patrimoniais, o custo da BRF supera as receitas em 27%.

Sendo assim, quem pensa em value investing com a BRF no longo prazo deve colocar as barbas de molho. Inclusive porque o setor de proteína animal, principalmente, sofre com as incertezas provocadas pela política externa brasileira, que afetam o setor.

Além disso, os melhores preços obtidos no mercado internacional são apontados como consequência da peste suína africana, que vem afetando os rebanhos de porcos chineses. Em consequência, a previsão é de queda de 25% a 35% da produção de proteína suína na China, o que beneficia outros países produtores, em virtude da retração da oferta.

Desempenho da BRFS3

Quanto à BRFS3, está avaliada, em média, acima de quatro vezes o valor patrimonial. A tendência é de que o preço da ação se mantenha na faixa entre R$ 35,00 e R$ 40,00.

Para quem deseja investir na valorização da BRFS3 no longo prazo, o cenário não muda em relação ao recebimento de proventos. Como o momento da empresa é de venda de ativos e reorganização da dívida, não é possível vislumbrar perspectivas de crescimento, mesmo que a BRFS3 tenha sido negociada a um patamar acima de R$ 71,00 em 2015.

Quanto a isso, é preciso que reafirmemos que a lógica do mercado de ações aponta para a compra das ações em baixa. Além disso, o baixo rendimento dos investimentos mais conservadores tende a empurrar os investidores para a B3, intensificando a demanda.

Em outras palavras, isso deveria querer apontar que a BRFS3 é um bom investimento para o momento, mas não é isso o que o mercado sinaliza. O momento atual é bom para os traders. Podemos dizer que é um bom momento para quem quer surfar na onda das vendas de ativos por parte da companhia e dos “benefícios” proporcionados pela peste suína africana, que podem produzir no mercado a ilusão de rápida recuperação da companhia. A questão é que ambos os fenômenos são temporários.

O fato é que não basta que as ações estejam em baixa para se tornarem um bom investimento. Os fundamentos financeiros da BRFS3 não são dos melhores. Embora o mercado em que atua confira certa estabilidade quanto à demanda presente e uma boa certeza quanto à demanda futura, o negócio está sujeito a viradas bruscas, sobretudo pela alta importância do mercado internacional.

Vale a pena comprar ações da BRF?

É evidente que, com a política atual, a empresa pode fazer um realinhamento estratégico e voltar a ser lucrativa, com bases mais sólidas para enfrentar a vulnerabilidade imposta pela competição internacional, variações cambiais e instabilidades políticas.

O momento, no entanto, é de pisar no freio com relação à BRFS3 para quem busca um investimento rentável no longo prazo. Um bom preço de compra seria, talvez, se as ações caíssem ao nível de 2018, quando estiveram abaixo dos R$ 25,00. Não parece ser o que vai acontecer, já que não há nenhum grande abalo a vista.

O que é Buy and Hold?

Buy and hold

           Podemos destacar dois grandes modos de enxergar o mercado de ações e de aplicar seu dinheiro em bolsa de valores: O Investimento e o Trading. Embora algumas vezes iniciantes confundam os dois, eles são bem distintos entre si.

Enquanto no Trading  busca-se especular com a volatilidade dos ativos, lucrando com a diferença, o que chamamos de investimento é possuir uma perspectiva de muito mais longo prazo ao colocar o seu dinheiro na bolsa de valores, investindo de fato em empresas com bons fundamentos econômicos no intuito de efetivamente virar sócio daquela empresa a longo prazo e se aproveitar da apreciação de capital e dividendos distribuídos ao longo dos anos.

No investimento, portanto, o que nos interessa é a empresa em si, a sua qualidade e fundamentos econômicos que provavelmente resultarão em um futuro lucrativo para ela – e para quem investir nela. Para isso, a ferramenta central para chegar a decisão final de investir ou não é a análise fundamentalista que, como o próprio nome já diz, é uma análise de empresas que tem como principal elemento de análise os fundamentos econômicos da mesma.

Dentro do que chamamos de investimento e da análise fundamentalista, podemos novamente  falar em dois grandes meios de aplicação dessa estratégia. Um deles se baseia na ideia de tomar a decisão de compra de uma ação com base nos fundamentos da empresa porém manter em aberto a opção de vende-la daqui a alguns anos, talvez uns 3,4 ou 5, caso ela atinja uma apreciação de preço extremamente substancial, ainda que os fundamentos dessa empresa continuem igualmente bons após esses anos.

Esse método é usualmente conhecido também como Position trading, já que ele também busca se aproveitar de variações do preço que nem sempre estão diretamente ligadas aos fundamentos econômicos. Entretanto, há uma clara diferença entre outras formas de trading – como o day trading e o swing trading – e o position, já que este esta focado sempre em um prazo muito maior, de pelo menos alguns anos, e a decisão de compra da ação necessariamente se dá pela análise dos fundamentos econômicos, tornando-o enquanto estratégia muito mais próximo do investimento fundamentalista do que do trading propriamente dito.

 

A outra filosofia de investimentos dentro da análise fundamentalista é o Buy and Hold. Nessa estratégia você compra uma ação através da análise extensiva dos seus fundamentos econômicos e, uma vez tomada a decisão, você não vende nunca mais, a menos que haja uma mudança brusca nos fundamentos da empresa que transforme o que era uma sólida empresa em um péssimo negócio. No Buy and hold, portanto, você compra (buy) e segura (hold) até o limite, tornando-se sócio da empresa com fins de permanência eterna em um cenário ideal, caso ela continue sendo uma boa empresa com bons fundamentos.

No Buy and hold, você ganha principalmente com o pagamento de dividendos que, idealmente crescerão a uma velocidade considerável caso você tenha acertado na análise da empresa.

Muitos investidores famosos e de alto sucesso são partidários do buy and Hold, dentre os quais o mais famoso é o Warren Buffet, mas também muitos outros como o John templeton, Phil Fisher e, no Brasil, o próprio Luiz Barsi, além uma dezenas de grandes investidores do passado que enriqueceram vertiginosamente aplicando essa simples porém efetiva estratégia de investimento.

Buy and hold

Mas será que essa estratégia pode produzir grandes resultados para você também? O que é necessário possuir para que o buy and Hold seja efetivo?

 

Perfil ideal de investidor para o Buy and Hold

 

Um dos aspectos mais importantes para o sucesso nos investimentos – e mesmo no trading – é sempre o fator psicológico. Como corolário desse princípio psicológico, costuma-se dizer que o grande investidor é ganancioso enquanto o mercado esta com medo e tem medo enquanto o mercado esta ganancioso.

Estas duas emoções – ganância e medo – certamente lhe acompanharão por toda a sua jornada de investidor e aprender a lidar com elas da forma correta é muitas vezes mais importante do que possuir o melhor método de análise de ações.

 

No Buy and Hold talvez essa máxima se aplique com maior força, pois ao aplicar essa estratégia você deve fundamentalmente ter a habilidade de resistir – por anos a fio – aos seus impulsos gananciosos todas as vezes em que você ouve falar em uma ação que valorizou centenas de pontos percentuais em poucos meses ou de um trader que ganha 30% ao mês operando em bolsa.

 

O valor da disciplina para o Buy and Holder é gigantesco, pois ele aposta em algo que por sua própria natureza é abstrato e intangível – o futuro. O Buy and holder acredita que se mantiver sua estratégia a longo prazo, resistindo a todas as tentações de especular que tentarão tomar conta de si, seus ganhos serão muito maiores no futuro do que aquilo de que ele esta abrindo mão no presente. Como o presente é mais concreto do que o futuro, é preciso um tipo especial de pessoa para manter a frieza de longo prazo e confiar, acima de tudo, na razão e na lógica de sua própria análise do que no barulho ensurdecedor que o mercado esta fazendo a cada momento, e que tenta com força puxá-lo para a manada de investidores comuns que seguem os movimentos da maioria ao invés de sua própria intuição.

 

Assim, se você pensa em investir em ações através do Buy and Hold cumpre perguntar a si mesmo se você terá a visão de longo prazo e a vontade inabalável para seguir com essa estratégia pelas próximas décadas sem se deixar ser atraído pelos objetos brilhantes ao longo do caminho que tentarão te desviar da sua jornada, representado pelo sentimento de ganância que irá surgir quase instantaneamente na sua mente e tentar tomar conta de você sempre que você tiver a notícia de ações crescendo em preço de modo estratosférico, algo que quase sempre se dá pelo excesso de entusiasmo e pelo efeito manada do que por qualquer valor real que aquela ação possua como investimento.

 

Por outro lado, para aplicar o buy and hold de modo eficiente você também precisa aprender a controlar o seu medo, e não se deixar contaminar pela cautela em excesso do mercado em momentos oportunos. Quando o mercado se contrai em excesso – seja por uma grande crise ou por um fato pontual da economia – os público investidor em geral entra e pânico e cessa a compra de ações. O Buy and Holder, por outro lado, sabe que é exatamente nesse momento de pânico que muitas das melhores ações, com excelente fundamentos, estarão subvalorizadas, cotadas a um preço muito inferior ao real valor da empresa, abrindo portanto uma janela de oportunidade excelente que pode trazer lucros expressivos em alguns anos se bem aproveitada.

 

O Buy and Hold é, portanto, uma estratégia de investimento fundamentalista extremamente eficiente, mas somente se você aprender a adotar uma perspectiva de longo prazo sobre o mercado de ações e assim desenvolver as habilidade necessárias para ser bem sucedido com esse método.

John Templeton: Biografia e lições de investimento

John Templeton

John Templeton foi eleito, em 1999, pela Money Magazine, “o maior selecionador de ações do século XX”. Nasceu em 1912 e faleceu em 2008, aos 95 anos. É, até os dias atuais, uma das grandes referências quando o tema é investimento em ações.

John Templeton

Conhecer um pouco a sua biografia passa longe de ser um exercício de empilhar fatos históricos. A vida de Templeton é, por si só, uma lição a ser seguida, repleta de episódios ricos em aprendizado.

Por essa razão, vamos nos deter em dois desses episódios, pois são capazes de proporcionar uma narrativa saborosa e um aprendizado bastante ilustrativo para quem deseja obter ganhos com investimentos.

Ao mesmo tempo, vamos entremear comentários que aproximem os ensinamentos de Templeton dos fatos biográficos.

John Templeton e a trajetória como investidor

Templeton nasceu em uma pequena cidade do Tenessee, que contava com cerca de 2 mil habitantes.A infância, sem sobressaltos financeiros, desembocou numa juventude em que a família foi posta à prova. Era o período da Grande Depressão, no final da década de 20. As dificuldades ajudaram, porém, a sedimentar as crenças já presentes na formação de Templeton, baseadas no trabalho duro e na poupança.

Levou a base de sua filosofia financeira ao extremo quando mobiliou sua casa gastando somente 25 dólares, obtendo os móveis em lojas de usados e leilões. Ao mesmo tempo em que economizava, nutria profunda aversão a fazer dívidas, fonte de dissabores para muitos em sua época e tantos outros nos dias atuais. Quando tinha que comprar, fazia-o à vista, mitigando, com isso, os riscos de perdas decorrentes do endividamento.

Isso não quer dizer que Templeton tivesse aversão a riscos, mas esses deveriam estar ligados a oportunidades. Mesmo assim, deveriam ser mitigados com base em uma análise sólida e na diversificação dos investimentos.

Seu modo de investir fez com que se tornasse um dos expoentes do Value Investing na segunda metade do século XX. O que o diferencia como referência histórica é que nunca restringiu seus investimentos ao mercado local. O cenário onde se dava o seu enriquecimento era o mundo, como veremos nas narrativas a seguir.

 

A oportunidade durante a Segunda Guerra Mundial

A partir daqui, deixemos que os fatos falem por si. Em 1939 Hitler invadiu a Polônia, dando início à Segunda Guerra Mundial.

Num cenário como aquele, em que era eminente um grande conflito mundial, tendo a Europa como ponto de propagação, a expectativa, de um modo geral, era pela retração do consumo e do comércio mundial, uma vez que as nações estariam dirigindo seus esforços para a defesa e as pessoas economizando seus recursos para enfrentar a tempestade que se avizinhava.

Não obstante, mesmo um cenário como aquele poderia ser percebido como uma grande oportunidade para investir. Há quem possa lucrar até mesmo com a guerra, bastando, para isso, enxergar as oportunidades. Enquanto um movimento de venda de ações em massa derrubou a Bolsa de Valores, reduzindo o seu valor pela metade, Templeton percebeu que a entrada dos Estados Unidos na guerra era questão de tempo. Consequentemente, alguns setores, como a indústria e a infraestrutura, tenderiam a crescer para atender aos esforços de guerra. Foi por aí que Templeton encontrou o caminho para ganhar com investimentos de longo prazo.

Templeton seguiu um dos fundamentos chave de sua filosofia, que é desconfiar do chamado “efeito manada”. Enquanto todos desfaziam suas posições, comprou as ações em baixa, mas tendo em vista uma situação macroeconômica que, no devido tempo, favoreceria o crescimento daquelas empresas, valorizando as ações.

Templeton ousou ver o que estava por trás das aparências e, ao mesmo tempo, se resguardou, montando uma carteira diversificada. Para isso, percebeu quais as empresas e setores que seriam arrastados pelo crescimento dos segmentos que seriam favorecidos diretamente pelos esforços de guerra.

O Japão do Pós Guerra

Como sabemos, o Japão foi um dos países mais afetados pela guerra, derrotado no confronto com os Aliados. A economia japonesa estava em destroços, o que indicava serem as empresas do país um péssimo investimento.

Era preciso, no entanto, ter uma visão menos superficial, como a de Templeton, para perceber naquele cenário uma oportunidade, que estava implícita em um aspecto jamais observado por quem enxerga o mercado apenas pela lógica dos fundamentos financeiros, que era a cultura japonesa.

Um povo disciplinado, perfeccionista e trabalhador é um ativo valioso para um país e para a economia local. Todos conhecem a história do Japão, que renasceu na segunda metade do século XX, superando a indústria do Ocidente em vários setores.

Em 1968, Templeton entrou com tudo no mercado japonês, comprando ações a preços depreciados. Na verdade, apenas antecipou um movimento que ocorreria nos anos que viriam. Naquele período, a economia japonesa cresceu e o índice Nikkei atingiu seu maior patamar histórico em 1989. Antes disso, Templeton desfez suas posições no país, antecipando-se, dessa vez, ao estouro da grande bolha japonesa.

“Mercados em alta nascem do pessimismo, crescem no ceticismo, maduram no otimismo e morrem na euforia.”

O pensamento acima, que é de Templeton, mostra qual a sua filosofia de investimento. Quando colocou seus investimentos no mercado japonês, não estava apenas comprando ações em baixas, fazendo uma aposta, mas, ao contrário, aproveitando uma oportunidade real, que estava onde poucos puderam perceber.

Participações nos lucros

É incrível como é pouco difundida uma das práticas mais bem sucedidas de investimento em ações. Comprar ações em baixa pensando em valorização futura é só parte do negócio.

Uma das lições de Templeton, que está na cartilha de outros grandes investidores, é que é preciso, antes de qualquer coisa, pesquisar e identificar empresas promissoras, o que inclui os fundamentos financeiros, o modelo de gestão, o perfil dos gestores e seu market share, entre outros fatores que configuram oportunidade de crescimento.

Reconhecer essas empresas não significa comprá-las. Templeton tinha sua “lista de desejos”, composta pelas ações dessas empresas. Esperava, então, que os preços caíssem acentuadamente para comprá-las. Com isso, além de ganhar numa valorização futura, obtinha maior ganho com a participação nos lucros. Ao comprar em baixa, o investidor adquire uma maior quantidade de ações. Como os dividendos são pagos por ação, ele terá maior participação bruta nos lucros da empresa, o que não está relacionado à valorização do mercado.

A principal lição

A maior lição de Templeton, que tem uma história cuja riqueza transcende as fronteiras do mundo dos investimentos, que inclui a filantropia e o incentivo à expansão da compreensão do terreno espiritual, é que o único indicador confiável é a oportunidade, que só pode ser identificada com estudo, pesquisa e mente aberta.

A Bolsa sobe ou cai por motivos distintos, mas não é o sobe e desce que deve motivar você a investir ou desfazer suas posições, mas reconhecer onde existe solidez suficiente para justificar que você invista seu dinheiro.

O verdadeiro investidor encontra valor nas empresas, não em previsões econômicas ou tendências de mercado. Ações de qualidade são fatias de empresas de qualidade. Raramente elas se desvalorizam porque a empresa vai mal, mas por causa do efeito manada e da especulação. O que significa dizer que elas voltarão a subir.

Ações do Banco Pan: Um fenômeno passageiro ou uma boa opção a longo prazo?

Ações do banco Pan

Você já ouviu falar em Banco Pan? Trata-se de uma cria do Grupo Sílvio Santos, que tinha como propósito ser gerador de crédito para operações de financiamento ao consumidor das empresas do próprio grupo, como a Vimave Veículos, uma revendedora de automóveis e autopeças.

O Banco Panamericano, como se chamava à época, fazia parte de uma estratégia de diversificar negócios e expandir a captação de receitas dentro da mesma operação, no que o grupo foi bem sucedido. Em 2011, porém, a casa do Banco Panamericano literalmente caiu.

Em 2008, sete ex executivos do Banco Panamericano foram condenados por gestão fraudulenta e crimes do colarinho branco. Na ocasião, entre 2006 e 2010, os executivos teriam escondido rombos bilionários, razão pela qual foram acusados de fraude contábil. Naquele ano, o Panamericano foi comprado pelo BTG Pactual, que tornou-se um de seus controladores. A operação evitou a liquidação do banco pelo Banco Central.

Aqui, a história do Banco Pan se desliga do Grupo Silvio Santos.

 

Controle da Caixa e crédito consignado

 

A trajetória do Banco Pan se atrelou à da Caixa Econômica, que, em 2011, comprou o Banco Pactual. Apesar das vantagens geradas pelo controle da Caixa, o banco seguiu dando prejuízo.

Por outro lado, desde a aquisição pela Caixa, o banco, devido ao funding (captação de recursos para investimento) barato, conseguiu ampliar suas operações para produtos menos rentáveis, mas com ganho em escala.

No decorrer dos anos, acabou consolidando-se como uma das referências do mercado em crédito consignado, que tem participação na história recente superior a 50% de sua carteira, seguido pelo financiamento de veículos e pelos cartões de crédito.

Atuando em operações de baixo risco, como é o caso do consignado, já que as parcelas são debitadas na fonte, o Banco Pan vem sobrevivendo, graças, sobretudo, à captação de juros a um preço abaixo do que teria caso não fosse controlado pela Caixa.

 

Disparada das ações do banco Pan

 

Pelo acordo com a Caixa, o Banco Pan poderia vender para a Caixa a carteira de crédito originada em excesso, operação geradora de lucro para o banco. Além disso, podia conservar a parte da carteira mais lucrativa, o que, trocando em miúdos, significava aumento do ROI e aceleração da reversão do prejuízo no balanço.

ações do banco pan

Nesse ponto, devemos parar para fazer uma análise importante, porque durante anos a BPAN4 figurou como patinho feio na B3, o que manteve suas ações em baixa.

Chegamos à lógica do mercado de ações, que é saber identificar oportunidades de investimento onde poucos as percebem. Em 2016, o valor das ações do Banco Pan correspondia a apenas 40% do seu patrimônio. Além disso, o banco tinha uma participação expressiva no varejo financeiro, atendendo às classes C e D, com uma boa janela de oportunidades.

Agora, em 2019, com a decisão da Caixa de se desfazer da participação no controle do Pan, o próprio BTG Pactual avalia a compra dessa participação para aumentar sua penetração junto ao público alvo do Pan.

Atualmente, o valor de mercado do Pan é de aproximadamente R$ 3,8 bilhões. Ao mesmo tempo em que ensaia o divórcio amigável com a Caixa, o banco recria seus fundamentos estratégicos. A expectativa para os próximos anos é recriar a relação com o cliente, transformando-a em relacionamento e novos produtos voltados para o seu público alvo.

Explicando melhor, o banco, apesar da boa performance junto às classes C e D, tem baixa taxa de fidelização de clientes, uma vez que seus principais produtos, consignado e financiamento de veículos, não gera relacionamento dos mesmos com a empresa.

 

A estratégia de fidelização é uma forma de gerar maior ticket médio por cliente no médio e no longo prazo. Em consequência da publicidade dada a essa estratégia, o mercado, desde o início do ano, reconheceu uma oportunidade no Banco Pan. As ações da companhia alcançaram valorização de 390% nos primeiros 8 meses de 2019.

O crescimento acumulado nos últimos 3 anos é de 459,35% em agosto de 2019. Não obstante, é preciso chamar atenção para o fato de que, pelo menos no momento, as ações estão sobrevalorizadas. Em maio de 2019, a ação já era negociada a 1,5 vezes o book. Em outras palavras, a 150% o valor do seu patrimônio.

 

O futuro do Banco Pan

 

A expectativa do Banco Pan, na perspectiva de voo independente, é lançar a conta digital, gerando uma carteira de 2 milhões de contas abertas até dezembro de 2020. É uma meta ambiciosa, mas que conta com uma estratégia consistente de conversão da carteira de clientes em correntistas, o que contribuiria para o barateamento do custo do capital e aumento da liquidez.

A estratégia para a conversão da carteira atual está lastreada na larga experiência da empresa na criação de produtos financeiros para o seu público alvo. Na visão dos executivos do Pan, a estratégia gerará uma oportunidade de custo baixo na aquisição de clientes para os novos produtos e o conhecimento que o banco detém desse público será o seu grande diferencial.

A integração com os negócios do BTG Pactual colocaria o grupo numa posição bastante satisfatória, com alcance em todas as classes sociais, já que o Pactual é especialista no atendimento às classes B e A.

O Pan tem, atualmente, 5,5% de participação no financiamento de veículos, perdendo apenas para o Banco Honda no financiamento a motos. A ideia é entrar no mercado de seguros e financiamento imobiliário, de modo a, cada vez mais, gerar clientes fidelizados e com alto ticket médio.

 

Vale a pena investir no Banco Pan?

 

Tudo no Pan aponta trajetória de crescimento da empresa. Quem investiu lá atrás está contando dinheiro até agora. Daqui para frente, porém, é preciso que estejamos atentos à sobrevalorização da BPAN4.

A trajetória de dividendos está longe de ser convidativa. A empresa não pagou dividendos em 2018 e, em março de 2019, pagou 0,075945. Em 2018, obteve o melhor resultado financeiro de sua história, com lucro, antes dos impostos, de R$ 457 milhões, contra R$ 253 milhões em 2017.

Apesar dos bons números, o momento é mais propício para quem fica de olho nas nervosas curvas dos gráficos. Apesar de todos os movimentos expressivos do banco, o investimento nos serviços digitais é uma tendência do mercado, que inclui das fintechs aos grandes bancos.

Para investidores no longo prazo, prudência não faz mal a ninguém, lembrando que a ação chegou a alcançar aumento de 500% em 2019.

Ações do Banco do Brasil: Uma boa opção?

ações do banco do brasil

O grande diferencial do Banco do Brasil, além de ser o maior banco do país em termos de ativos, é o seu papel de grande destaque nas políticas de crédito agrícola e exportação. Se não lhe garante um mercado cativo, ao menos é uma posição bem consolidada, que garante uma boa segurança ao caixa da empresa.

Como a política econômica dos últimos governos tem sido de redução do comprometimento das empresas com capital público nas políticas públicas, a tendência é de que o Banco do Brasil possa ter maior foco em lucro e geração de dividendos para os acionistas.

Os próprios números tratam de corroborar o que afirmamos. O lucro líquido da instituição financeira, que tem o governo como principal acionista, foi de R$ 3,845 bilhões no quarto trimestre de 2018. Isso significa dizer que superou o mesmo período de 2017 em 20,6%. Na ocasião, o lucro fora de R$ 3,402 bilhões.

Em todo o ano de 2018, o BB obteve lucro líquido ajustado de R$ 13,513 bilhões, incrementando em 22,2% a lucratividade da empresa. Os ativos da instituição financeira somaram, no final de 2018, R$ 1,417 trilhão, com aumento de valor de 3,5% em relação a 2017. O patrimônio líquido, no mesmo período, cresceu 3,6%, chegando a R$ 102,253 bilhões.

Esses são apenas alguns números que indicam o vigor do Banco do Brasil, mesmo frente ao delicado cenário econômico. A lucratividade do banco é uma constante. Além de se beneficiar da ótima base de clientes atrelados às políticas agrícolas e de exportação do país, o banco, como os demais, vem se beneficiando da queda da taxa Selic. Embora a política, pelo menos em tese, tenha como propósito baratear o crédito, a realidade tem apontado um resultado diferente, que é o aumento da margem de lucro das operações de crédito bancário, já que os juros praticados pelo mercado não acompanham nem de longe a redução da Selic.

ações do banco do brasil

Sendo assim, para quem busca ganho com proventos, o Banco do Brasil parece ainda ser um bom investimento, inclusive no longo prazo. O setor bancário brasileiro é o que paga maior percentual em dividendos e JCP aos investidores. O próprio Banco do Brasil alcançou, em 2018, um Yield de 6,95%, que é o percentual obtido sobre o capital dos acionistas após o recebimento dos proventos. Em outras palavras, é o percentual de valorização do capital obtido após a distribuição dos lucros.

 

BBAS3

 

A BBAS3, nos últimos três anos, teve cotação mínima de R$ 20,77, com a máxima chegando a R$ 55,60. A cotação média nos últimos cinco anos está na faixa dos R$ 45,00. Entre 2014 e 2016, a ação chegou a descer ao patamar de R$ 12,50.

Com a cotação acima de R$ 48,00 no início de agosto de 2019, não parece, para quem deseja investir no longo prazo, um bom momento para comprar. Não há, a princípio, nada no horizonte que indique um crescimento ou expansão no Banco do Brasil. Ao contrário, o que se vê é um aumento da concorrência no setor de serviços financeiros, com a entrada de startups digitais, que estão abocanhando uma fatia da pizza.

BBAS3

Além disso, a BBAS3 está sempre sujeita aos abalos provocados por quase tudo que acontece no mundo, das políticas governamentais no Brasil às variações da cotação do dólar internacional. Por essas e por outras, talvez o mais recomendado seja aguardar um histórico mais consistente e um preço menor, quanto mais abaixo dos R$ 35,00, melhor. Assim, você poderá aproveitar os proventos pagos pelo banco e ter uma boa chance de pelo menos não ver o ativo se desvalorizar.

Tudo bem que mesmo os proventos não estão num patamar tão irresistível assim. Isso quer dizer que a BBAS3 é um investimento em que os proventos não garantem alta rentabilidade. Mesmo assim, porém, pagou proventos extras no início de 2019 e, a manter o padrão atual, a rentabilidade supera bastante os investimentos mais conservadores, baseados na inflação e na Selic, que devem patinar numa rentabilidade inferior a 5%.

 

 

Vale a pena investir no Banco do Brasil?

 

Honestamente, o momento é para os traders. O preço da ação está alto, o que não favorece um bom yield, tampouco uma boa perspectiva de valorização das ações

Há que se repetir, não há também nada de novo no horizonte que projete um aumento do valor da empresa no médio ou no longo prazo.

Como já dissemos, é um papel para quem quer garantir dividendos sem muito aborrecimento, porém sem grandes perspectivas de lucrar significativamente com o ativo. Repetindo, então, mesmo para quem tem esse perfil, o preço da ação está alto, o que comprime a margem de ganho com dividendos e expõe o investidor a perder capital com eventuais desvalorizações dos papéis na B3.

Você deve estar se perguntando o que tem o valor da ação a ver com o índice Yield da mesma. É muito simples. Suponha que você comprou um papel do Banco do Brasil por R$ 30,00. No final do ano, o banco paga R$ 1,30 em dividendos e JCP (já descontado o IR). Enfim, seu ganho com proventos é de R$ 1,30. Sendo assim, você ganhou em Yield, 4,33%. Caso você houvesse comprada a ação ao preço de R$ 40,00, seu Yield seria de 3,25%.

Isso, claro, sem levar em conta a valorização ou desvalorização da ação no período entre a compra e o pagamento dos proventos. Por isso mesmo, é preciso equilibrar valorização e proventos para você calcular a sua rentabilidade. É mais ou menos como aquela história dos juros compostos. São juros em cima de juros. Nesse caso, seria como lucro sobre lucro.

Mas não é só isso. Essa análise tem que ser prévia. Não é só apostar no desempenho. É fator chave para o sucesso do investimento que você antecipe as tendências e conheça o histórico de pagamento de proventos da empresa. Enfim, é saber analisar o desempenho das ações e da empresa. Não adianta você aplicar em uma empresa por causa dos proventos, se ela vai se desvalorizar e os proventos recebidos servirão tão somente para cobrir o prejuízo que você teve.

Esse é o risco atual de se investir no Banco do Brasil. É praticamente inimaginável que o banco vá dar prejuízo em algum momento nos próximos anos, mesmos que a economia continue patinando, mas essa mesma economia patinando pode levar o preço das ações para baixo e comprometer o lucro obtido com proventos.

Por isso, é preciso cuidado. Não quer dizer que você terá prejuízo. É bem provável que, ao longo do tempo, os proventos recebidos cubram todo o prejuízo com a desvalorização. Nesse caso, o que vai acontecer é você retardar os seus ganhos com a distribuição de dividendos, que, convenhamos, já não é tão espetacular assim.

Vale a pena investir no Banco Bradesco?

Vale a pena investir no Banco Bradesco? Essa é a pergunta à qual tentaremos responder neste artigo. Antes, porém, vamos iniciar nossa análise de forma um pouco diferente, falando um pouco sobre o comportamento da Bolsa de Valores, particularmente, a nossa B3, que é a Bolsa de Valores Brasileira.

Você já deve ter ouvido falar muito em humor do mercado no noticiário. Mercado, a que se referem, é o investidor, seja em ações, seja em outras aplicações mais ou menos conservadoras. Se você é um investidor, do tipo que investe em ações e não em trades, será que o humor do mercado é um bom indicador?

Você ouve uma notícia que vem lá da China e ela sai derrubando o preço das ações que não têm qualquer relação com aquela situação. É porque os investidores ficam nervosos e querem desfazer suas posições. É uma questão de oferta x demanda. Quando temos muita oferta e pouca demanda, a consequência natural é a queda dos preços. Muitas vezes também ocorre o que chamamos de efeito manada no mercado de ações.

Isso quer dizer que muitas vezes uma ação tem uma cotação artificial, mais decorrente de uma onda especulativa do que daquilo que realmente importa para precificar uma empresa, que são seus ativos tangíveis e intangíveis, sua liquidez, seu potencial de geração de receitas futuras e os cenários que se desfraldam no horizonte da companhia.

A essência do mercado de ações é você investir, tornar-se sócio de uma empresa, compartilhar com ela os riscos e oportunidades, ajudando a financiar seus investimentos e lucrando com o seu sucesso, seja por conta da valorização das ações, seja pelo recebimento de dividendos.

 

O que dizer da BBDC3 e BBDC4?

 

BBDC3 e BBDC4 são as ações do Banco Bradesco. As ações BBDC4 são as chamadas preferenciais, o que significa dizer que os acionistas têm preferência no recebimento de proventos (JCP e dividendos). Não quer dizer que a BDC3 não faça jus aos mesmos proventos. É apenas uma questão de ordem no recebimento e prioridade caso não haja lucros suficientes para distribuir a todas as ações.

ações do Bradesco

Alguns dados históricos recentes precisam ser analisados para que possamos chegar, não a uma conclusão, mas a uma tendência em que possamos confiar minimamente.

 

No início de agosto de 2019, sete corretoras incluíram as ações do Banco Bradesco em suas carteiras, o que colocou as mesmas na terceira posição entre as opções de investimento. O que isso significa? Em tese, que há uma tendência de ganhos para o período subsequente, que pode não ser mais que do que os 30 dias posteriores à formação da carteira.

Bom, vamos a novos dados sobre o segundo maior banco privado do Brasil, perdendo somente para o Itaú. Em 2016, o Bradesco concluiu a histórica compra do gigante HSBC. A operação movimentou R$ 16 bilhões e o banco viu seus ativos crescerem 15,9%. Não é de se estranhar que suas ações tenham obtido valorização superior a 40% nos últimos três anos, fora os ganhos dos acionistas com dividendos e JCP. O valor da ação Bradesco pulou do patamar dos R$ 23,93 para a faixa de R$ 34,00, tendo alcançado o pico de R$ 46,50 ao longo do período.

BBDC4

Não estamos falando, evidentemente, de um lenço que caiu no chão em Hong Kong, mas de uma grande aquisição. Além disso, o Bradesco teve lucro de 33,4% no primeiro trimestre de 2019, superando em 31,87% o mesmo período de 2018. Já o lucro líquido do primeiro semestre foi de R$ 11,862 bilhões, superando em 31,87% o mesmo período do ano passado.

Poderíamos desfiar um rosário de indicadores para mostrar a vitalidade dessa empresa, mas parece que esses já são o suficiente. O que podemos fazer para reforçar os números é mostrar o que dizem os próprios executivos do banco, que atribuíram os resultados no período a fatores como:

 

– bom desempenho das receitas provenientes da administração de consórcios;

 

– crescimento das receitas com os serviços de custódia e corretagem;

 

– assessoria financeira;

 

– melhora da performance de receitas como conta corrente.

 

O banco, que é ícone de inovação tecnológica no mercado financeiro, segue bem a cartilha de diversificar sua carteira de produtos. Da mesma forma, conseguiu ampliar sua base de clientes desde a aquisição do HSBC.

 

Conjuntura macroeconômica e uma ameaça ao Bradesco

 

A grande verdade é que o Bradesco atua num setor que, historicamente, é um permanente céu de brigadeiro. A razão é que, historicamente, os serviços financeiros são dominados por poucas empresas.

 

O que temos visto recentemente, por exemplo, é a queda acentuada da taxa Selic. Porém, de um modo geral, essa política de reduzir os juros básicos da economia, cujo propósito é baratear o crédito e reaquecer o consumo, tem pouco efeito prático, pois as taxas do banco não acompanham a queda da taxa básica. Com isso, em vez de melhora no custo do crédito ao consumidor, o produto da política governamental é o aumento do ganho dos bancos.

 

Sob esse aspecto, inclusive, devemos considerar o potencial de pagamento de dividendos no curto e no médio prazo, já que não há indicadores de que a política vá mudar.

 

Esse é um aspecto importante para você entender a solidez dos bancos, mas, também, vislumbrar a principal ameaça à sua saúde econômica e financeira dessas grandes organizações, que atende pelo nome de fintechs, que são as empresas totalmente digitais do setor financeiro.

Além de oferecerem os mesmos serviços financeiros de forma prática e simples, focada na experiência do cliente, essas empresas chegam a oferecer taxa zero para manutenção de conta corrente e administração de cartão de crédito.

Não há a menor dúvida de que essas empresas financeiras já competem com os grandes bancos pela preferência do consumidor. O que talvez elas não façam é conceder crédito a preços mais simpáticos. Na verdade, elas chegam para abocanhar uma fatia de um bolo bastante doce e desejado.

É preciso acompanhar com atenção a expansão das fintechs, se não se tornarão uma ameaça a instituições tradicionais. Se, de um lado, não é de se imaginar uma competição por preços entre as instituições financeiras, de outro, bancos como o Bradesco, com grandes estruturas físicas, não têm a menor condição de competir em custos com as fintechs, o que confere às últimas um maior potencial de crescimento e de captação de investimento.

 

Afinal, vale investir no Banco Bradesco?

 

O que temos historicamente é que os bancos são praticamente imunes a crises. Em todos os momentos de crise nos últimos dez anos, continuaram obtendo altos lucros. Isso não deve mudar no curto prazo, o que é bom para quem pensa em investir em dividendos, mas sem visão de longuíssimo prazo. É preciso levar em conta a ameaça dos novos concorrentes à posição dos bancos tradicionais, que terão que investir cada vez mais na diversificação de serviços e modernização de processos para ganhar competitividade em custos com as fintechs.

Por fim, talvez a melhor hora para investir no Branco Bradesco não seja essa, principalmente quando sabemos que o patamar atual é superior a R$ 30,00 e em 2016, há apenas três anos, era de somente R$ 13,00.