Você já ouviu falar no conceito da máquina econômica de Ray Dalio?

Você já ouviu falar no conceito da máquina econômica de Ray Dalio?
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O conceito de máquina econômica de Ray Dalio, um dos maiores especialistas em investimentos de todos os tempos, tem uma paradigma que precisa ser revelado a toda a sociedade humana. A economia, em toda a sua complexidade, é um conceito simples.

Como funciona a economia?

Perguntamo-nos incrédulos por que o consumo não cresce no Brasil, apesar da queda sistemática da taxa de juros básica da economia. Diz o próprio conceito de máquina econômica que em momentos de crise o Banco Central baixa as taxas de juros para incentivar o crédito e, consequentemente, gerar consumo, contanto que isso não venha acompanhado de inflação. Com o crescimento do consumo, podemos, consequentemente, ter crescimento da produtividade e da economia como um todo.

Não é o que acontece no Brasil atual. Então, devemos ter algum problema, que talvez esteja presente na parte menos evidente do conceito econômico, que é aquele ponto em que se encontram o crédito, a produtividade e as transações, o que nós leva a conceitos básicos de economia.

Na visão de Dalio, a economia é o produto de todas as transações que acontecem. Os dois fatores básicos para que a economia se mantenha nos trilhos são: produtividade e transações.

Numa pequena economia local o que temos é a produção agropastoril e industrial senso absorvida pela demanda local. Essa demanda são pessoas dispostas a realizar transações, a que chamamos de compras. A distribuição desses itens ocorre por meio do comércio e o dinheiro gerado precisa ser guardado, o que implica na existência dos bancos.

Quando o produtor industrial acumula riquezas decorrentes de sua atividade, ele tem duas opções: investe o dinheiro no banco ou na expansão do negócio. Optar pela segunda alternativa só faz sentido se ele tiver quem esteja disposto a efetuar transações com ele, qual seja comprar seus produtos.

Ao optar por investir o dinheiro no banco, ele passa a remunerar seu capital sem produzir nada de novo, mas o banco empresta o dinheiro investido por ele a um pequeno empreendedor, que gera um novo produto na economia, que acarreta consumo e, consequentemente, mais renda.

Em ambos os casos, o dinheiro do empresário do setor industrial gerou crescimento da economia local. É o chamado ciclo virtuoso.

Pode acontecer, no entanto, que, em determinado momento, a produtividade seja bem maior que a capacidade de consumir da população. Tal situação configuraria o fim do ciclo virtuoso, uma vez que o setor produtivo acarretaria com duas possíveis consequências:

– redução dos preços, que reduziria suas margens e comprometeria a lucratividade do negócio;

– redução da produção, o que implicaria em demissões de trabalhadores, com consequente queda da renda e do consumo, gerando um ciclo vicioso.

O papel do crédito

Nessa hora, o governo percebe que há duas opções para evitar a retração da economia. Uma delas é a exportação. Por meio da exportação, as empresas podem escoar o excedente de mercadorias, mantendo sua lucratividade e os empregos. A outra opção é o chamado “crédito ao consumidor”.

Repare que, até o presente momento, a única forma de crédito a que nos referimos foi aquele concedido ao empreendimento, que é diferente do crédito ao consumidor.

O crédito ao consumidor é uma política para estimular o consumo. Sendo assim, naquele momento específico, teremos crédito, produtividade e transações. O ponto chave dessa relação, muito bem identificado por Dalio, é que no crédito ao consumidor o indivíduo aumenta sua capacidade de consumo sem, em contrapartida, aumentar sua produtividade.

Em outras palavras, ele passa a ter capacidade de consumo superior ao que produz, que é, também, ilusória, pois todo empréstimo precisa ser pago. Da mesma forma que o indivíduo obtém, com o crédito, a possibilidade de consumir mais do que ganha, ao ter que pagar esse crédito, ele perderá a capacidade de consumo anterior.

Colocando de uma forma clara, suponhamos que você ganhe R$ 10 mil por mês e decida financiar um apartamento, pagando R$ 4 mil por mês, num total de 30 anos. Algumas coisas podem acontecer. Você pode ter um aumento da renda nesse período, mantendo seu poder de consumo. Pode manter sua renda estável, perdendo R$ 4 mil em capacidade de consumo. Pode haver uma queda na renda da família, reduzindo ainda mais o seu poder de consumo.

Imagine o que acontece se essa queda da capacidade de consumo ocorre em cadeia, em virtude do desemprego e do endividamento da população. Não há redução de juros que dê jeito. É nesse momento que a economia entra num círculo vicioso. E tudo isso tende a acontecer em ciclos, com as economias, em períodos menores ou maiores, alçando grandes voos para, em seguida, passarem por longos períodos de agonia.

O Ciclo inevitável

Da mesma forma que o crescimento da economia com base no crédito ao consumidor é um convite ao voo de galinha, é preciso ter muito cuidado em separar o que são investimentos, despesas e gastos governamentais.

Aliás, você deve ouvir muito falar sobre isso no noticiário, sendo que o maior gasto é com a corrupção. Porque o gasto é o dinheiro que não retorna na forma de benefícios ou receitas. Ele simplesmente não retorna. É o que acontece com os gastos com mordomias para políticos e outros elementos, isenção de tributação sem critério e sem retorno econômico.

Há, também, as despesas, que devem retornar em benefícios à sociedade, principalmente se o benefício direto vier acompanhado de uma economia. É o que acontece, por exemplo, quando o governo implanta programas de saúde pública, saneamento e moradia para a população de baixa renda. Com isso, gera economia nos gastos com a própria saúde, além de gerar empregos, renda, consumo e crescimento.

O ideal, porém, seria que o crédito fosse 100% destinado a investimentos, como exploração de minérios, construção de ferrovias, portos, aeroportos, investimento em pesquisa e desenvolvimento tecnológico, etc.

Na visão de Dalio, o governo é o maior comprador e, também, o maior vendedor em uma economia. Ao comprar e vender mal, se o governo se endivida sem gerar valor para a economia, ele compromete profundamente toda a cadeia econômica.

A natureza dos ciclos

A natureza dos ciclos é que eles não se sustentam. E é exatamente por isso que são ciclos.

Em algum momento a produtividade superará o consumo. Sem novas transações, a produtividade se retrairá, retornando a um patamar mais próximo de seu ponto de partida.

Caso o crédito ao consumo lastreie o crescimento, em algum momento a bolha do consumo vai explodir e a economia irá se retrair.

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