Devo investir na Eletrobras?

Devo investir na Eletrobras?
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Investir em ações da Eletrobras é um bom negócio? Vamos percorrer todo o caminho necessário para tentar responder a essa pergunta ou, pelo menos, para cercar você de informações que orientem suas decisões e o perfil do investimento a ser feito na companhia, caso a conclusão seja de que o momento é propício e o futuro promissor.

Quando falamos em futuro promissor, estamos falando em investimento de longo prazo, o que inclui, naturalmente, que a empresa se comporte como um vaca leiteira, com fundamentos econômicos, financeiros e estratégicos fortes, lucratividade elevada e pagamento de expressivos proventos aos acionistas.

No dia 21 de agosto, uma simples reunião do presidente da Câmara dos Deputados com o presidente da República, tratando da iminente privatização da empresa, fez com que a cotação das ações da companhia estatal disparassem na Bolsa, com alta de 10,9% em menos de 24 horas. No mesmo dia, o índice iBovespa apresentou alta de 2%, puxado, inclusive, pela alta da companhia elétrica.

É preciso entender por que a privatização de uma grande companhia estatal provoca euforia entre os investidores. Sabemos que o mercado de ações não precifica o presente, mas as expectativas quanto ao futuro. A diferença básica entre uma empresa estatal e uma empresa de capital privado está no propósito. Ambas precisam ter uma operação lucrativa, que é, em última análise, o que atrai capital de investidores, que é a forma mais barata e menos arriscada de financiamento do crescimento da companhia, uma vez que o acionista é um sócio, que compartilha as oportunidades e os riscos, enquanto o banco empresta dinheiro e cobra juros.

As semelhanças quanto aos propósitos param por aí. Enquanto uma empresa estatal está atrelada às políticas de Estado, tendo como propósito ocupar um papel estratégico na economia do país ou dos estados e municípios que detêm seu controle, o único propósito da companhia de capital privado é obter lucro, o que, em última análise, faz com que sua direção busque os investimentos mais lucrativos.

Sendo assim, a expectativa é de que a empresa, ao ser privatizada, se torne, pelo menos em tese, mais lucrativa. O importante é que você entenda o contexto atual, que é o debate em torno da privatização da companhia, e o que interessa ao investidor.

Entenda melhor a Eletrobras

A Eletrobras é uma sociedade de economia mista controlada pelo Governo Federal, cujo negócio é a geração, transmissão e distribuição de energia elétrica. Trata-se de uma holding que envolve várias empresas do setor, que inclui a Eletropar, a Eletrobrás Furnas, a Eletrobrás Eletronuclear, a Eletrobrás Eletronorte, Eletrosul e outras.

É responsável por 37% da geração de energia no país, com uma capacidade instalada de mais de 42 mil megawatts, dividida por 36 hidrelétricas e 128 termoelétricas, sendo duas delas termonucleares. Seus 58 mil quilômetros de linhas de transmissão correspondem a 57% em participação no território nacional.

Desde 2008, a empresa atua no mercado externo, tendo como premissa estratégica a integração energética do continente Sul-Americano, como parte da estratégia de integração regional.

Histórico recente

A Eletrobras possui, de acordo com o balanço de julho de 2019, um ativo total de R$ 181,9 bilhões, estando R$ 42 bilhões no ativo circulante. A receita líquida no período foi de R$ 17,2 bilhões, com lucro líquido de R$ 17,4 bilhões. A dívida da companhia é de R$ 56,7 bilhões e o patrimônio líquido é positivo em R$ 62,3 bilhões.

A previsão é de que o lucro líquido da companhia pode ultrapassar os R$ 20 milhões em 2019. O resultado do segundo trimestre foi lucro de R$ 5,6 bilhões. Em 26 de agosto, a ação era cotada a R$ 43,80.

Apesar dos bons números iniciais, a empresa vem apresentando uma oscilação para cima da dívida desde 2013, assim como o patrimônio líquido já foi de R$ 85 bilhões em 2009. Depois de uma trajetória de prejuízos entre 2013 e 2017, a empresa voltou a apresentar lucro em 2018, com manutenção da trajetória nos primeiros dois trimestres de 2019, o que contrapõe a trajetória da receita líquida, que teve queda acentuada em relação ao mesmo período de 2018.

Para termos uma ideia, a companhia, no segundo semestre de 2019, teve um aumento de 305% no lucro líquido em relação ao mesmo período do ano anterior. Não devemos, portanto, dar atenção a esses números maior que o devido, uma vez que é motivado pela rotina de renovação de concessões e agregação de receitas.

Como fica a ELET3?

A ação da Eletrobras terminou o ano de 2018 com cotação na faixa dos R$ 23,50. Em 26 de agosto, a cotação é de R$ 43,80. A trajetória de alta iniciou-se em 2016, quando a cotação da ação da companhia chegou a um patamar abaixo dos R$ 5,00. Como não poderia ser diferente, a corrida aos papéis da estatal foi motivado pela nova política de governo implementada por Michel Temer, com liberação dos preços dos serviços públicos e, claro, com a expectativa de uma privatização no horizonte.

elet3

Quem investiu, conseguiu ganhos na faixa de 900%. A trajetória de alta se manteve em 2019. A ELET6 teve valorização de 66% só no primeiro semestre. A questão toda é saber se as ações da Eletrobras continuarão subindo. Ao mesmo tempo, é preciso monitorar a reversão da trajetória de pagamento de proventos. Depois de quatro anos sem pagar dividendos, a companhia distribuiu 0,8106 por ação em abril de 2019. Não há, no entanto, indicativo de que o pagamento de dividendos se transformará em rotina.

Vale a pena investir?

Vale ressaltar que as ações da companhia estão mais de 100% acima de seu maior valor histórico antes da escalada que se iniciou em 2016, que foi de R$ 21,34 em janeiro de 2010.

Ainda que haja especialistas que apostem na continuidade da trajetória de alta, o momento, para quem pensa em um investimento seguro e com bons proventos, não recomenda a compra.

É recomendado aguardar o que vai acontecer com a companhia, que deve ajustar seus fundamentos a uma trajetória de lucro e o preço das ações a uma perspectiva mais realista.

 

 

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