Vale a pena investir em Renda Fixa?

Vale a pena investir em Renda Fixa?
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Quando falamos em investimento e construção de patrimônio voltada para o longo prazo, podemos identificar dois grandes meios para aplicar o seu dinheiro: A Renda variável e a Renda Fixa.

A Renda variável é uma forma de investimento na qual a sua rentabilidade – como o próprio nome já diz – irá variar em função do preço do ativo no qual você esta investindo. O exemplo clássico do investimento em renda variável é o mercado de ações, no qual a sua rentabilidade depende, simplificadamente, da performance das empresas cujas ações você escolheu investir no mercado.

Renda fixa

A Renda fixa, por outro lado, é uma forma de aplicar o seu dinheiro na qual o retorno que você receberá já esta pré-determinado no momento da compra, podendo esse retorno ser estabelecido de modo pré-fixado ou pós fixado:

 

Pré-fixado: o retorno que você receberá já esta estabelecido de modo preciso no momento da aplicação, por ex., 8% ao ano.

 

Pós-fixado: O retorno recebido irá ser determinado de acordo com algum índice, como a Selic, CDI, etc. Ao comprar, você não sabe precisamente qual será o retono, mas sabe a forma de cálculo e, portanto, a variação dentro da qual estará contido esse retorno, sem grandes riscos.

 

Em geral, as aplicações em renda fixa são títulos de crédito, ou seja, você assume a posição de credor ao emprestar dinheiro a uma determinada instituição, podendo ser o próprio governo (no caso do investimento em notas do tesouro) ou mesmo empresas privadas, no caso de CDB, LCI, LCA, etc. no qual seu dinheiro é aplicado no banco, ou mesmo em empresas listadas em bolsa, como na aplicação em debêntures. As debêntures entretanto, devido as suas peculiaridades, possuem questões muito específicas que não serão discutidas aqui.

Em geral, os riscos da aplicação em renda fixa são próximos de zero, já que, como credor, você não participa dos riscos da empresa emissora, e faz jus ao recebimento do retorno acordado ainda que a empresa não performe bem durante o período e tenha prejuízos. Ainda assim, há sempre o risco de insolvência, que é mitigado em alguns casos pelo FGC (Fundo garantidor de crédito), cuja função é garantir ao correntista/credor o recebimento do valor investido de volta caso a instituição financeira em questão venha a falir, até o montante de 250 mil reais.

Outra possibilidade de investimento em renda fixa se da através dos fundos de investimento em renda fixa, que buscam combinar as vantagens dos diferentes tipos de aplicação em renda fixa para entregar uma rentabilidade média superior a um risco baixo.

 

Renda Fixa é uma boa opção de investimento?

 

Mas será que vale a pena investir em Renda fixa? Bom, tudo se resume a uma relação entre o risco que você aceita correr e o potencial retorno que quer obter. A Renda fixa apresenta a vantagem da previsibilidade de retorno sobre o seu capital, o que te ajuda a se planejar e garante crescimento contínuo ao longo dos anos.

A questão é se esse crescimento tem alguma significância para construir o seu patrimônio. Muitas, vezes as pessoas se esquecem do impacto da inflação e do Imposto de renda nos seus investimentos, e não fazem o cálculo do retorno real que irão receber ao aplicar o dinheiro.

Vamos usar como exemplo o CDB para ficar mais fácil de entender o que eu quero dizer. É relativamente fácil encontrar alguns CDB’s pagando em torno de 120% do CDI – atualmente em 6%. Isso nos dá uma rentabilidade de 7,2% ao ano mais ou menos, o que é até razoável se tratando de um retorno garantido, de risco quase zero. Entretanto, se você considerar que a projeção de inflação do ano esta em 4%, e que você também paga imposto de renda sobre esse rendimento, variando de 15 a 20%, dependendo do resgate acima ou abaixo de 1 ano, respectivamente, o retorno real que você irá auferir sobre o seu capital será bem menor, de 1,76% a 2,12% ao ano:

 

7,2% – 4% – (0,15 ou 0,20) x 7,2%

 

Com isso, na prática, o retorno passa a não ser tão interessante se considerarmos a apreciação do poder de compra do seu capital.

 

Um cenário em mudança para a renda fixa

 

Tradicionalmente, o Brasil sempre foi um país com algumas das aplicações em renda fixa mais rentáveis do mundo, o que se devia a sua alta taxa de juros. Com isso, era possível encontrar aplicações em renda fixa que rendiam acima dos 10% ao ano em alguns casos, tornando-a muito mais atrativa mesmo após considerar-se a inflação e o IR.

Em 2017, por exemplo, o CDI acumulado do ano ficou em 9,93%, o que significa dizer que a mesma aplicação no CDB utilizada como exemplo anteriormente daria um retorno de 12% ao ano comparativamente aos 7,2%. Se considerarmos a inflação daquele ano (2,95%) e as alíquotas de Imposto de renda aplicáveis, teríamos um retorno líquido de 7,24% a 7,7%, significativamente maior do que os 1,76 a 2,12%.

Indo mais além, considerando o CDI de 2016 e 2015, que ficou em 14% e 13,24%, respectivamente, teríamos retornos monstruosos para uma aplicação em renda fixa próximo dos 17% ao ano antes de considerada a inflação.

Todo esse contexto tornava a renda fixa uma excelente opção de investimento, cenário esse que vem mudando a passos largos com a redução sistemática da taxa de juros. Assim, a tendência é que a renda fixa passe a render cada vez menos, como aliás já é realidade na maior parte dos países desenvolvidos como os EUA.

Essa redução da rentabilidade esperada da renda fixa obriga o investidor a reconsiderar a alocação de ativos que faria normalmente pende mais para a renda variável se deseja obter retornos consideráveis.

Não se trata de dizer que a renda fixa não vale mais a pena, mas apenas que ela já não é mais a grande festa que foi no passado. Eu diria que um investidor que pretende construir um bom patrimônio a longo prazo não deveria colocar mais do que 30% do seu capital total em renda fixa e investir os outros 70% em renda variável, buscando obter retornos anuais maiores.

Eliminar completamente a Renda fixa do seu portfólio talvez não seja a opção ideal, ainda mais quando você começar a ter um capital considerável e desejar ter proteção integral para pelo menos uma parte dele, porém é um fato notório que com a tendência atual de diminuição na taxa de juros o investidor inteligente terá apenas uma pequena parcela em Renda fixa.

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