John Templeton: Biografia e lições de investimento

John Templeton: Biografia e lições de investimento
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John Templeton foi eleito, em 1999, pela Money Magazine, “o maior selecionador de ações do século XX”. Nasceu em 1912 e faleceu em 2008, aos 95 anos. É, até os dias atuais, uma das grandes referências quando o tema é investimento em ações.

John Templeton

Conhecer um pouco a sua biografia passa longe de ser um exercício de empilhar fatos históricos. A vida de Templeton é, por si só, uma lição a ser seguida, repleta de episódios ricos em aprendizado.

Por essa razão, vamos nos deter em dois desses episódios, pois são capazes de proporcionar uma narrativa saborosa e um aprendizado bastante ilustrativo para quem deseja obter ganhos com investimentos.

Ao mesmo tempo, vamos entremear comentários que aproximem os ensinamentos de Templeton dos fatos biográficos.

John Templeton e a trajetória como investidor

Templeton nasceu em uma pequena cidade do Tenessee, que contava com cerca de 2 mil habitantes.A infância, sem sobressaltos financeiros, desembocou numa juventude em que a família foi posta à prova. Era o período da Grande Depressão, no final da década de 20. As dificuldades ajudaram, porém, a sedimentar as crenças já presentes na formação de Templeton, baseadas no trabalho duro e na poupança.

Levou a base de sua filosofia financeira ao extremo quando mobiliou sua casa gastando somente 25 dólares, obtendo os móveis em lojas de usados e leilões. Ao mesmo tempo em que economizava, nutria profunda aversão a fazer dívidas, fonte de dissabores para muitos em sua época e tantos outros nos dias atuais. Quando tinha que comprar, fazia-o à vista, mitigando, com isso, os riscos de perdas decorrentes do endividamento.

Isso não quer dizer que Templeton tivesse aversão a riscos, mas esses deveriam estar ligados a oportunidades. Mesmo assim, deveriam ser mitigados com base em uma análise sólida e na diversificação dos investimentos.

Seu modo de investir fez com que se tornasse um dos expoentes do Value Investing na segunda metade do século XX. O que o diferencia como referência histórica é que nunca restringiu seus investimentos ao mercado local. O cenário onde se dava o seu enriquecimento era o mundo, como veremos nas narrativas a seguir.

 

A oportunidade durante a Segunda Guerra Mundial

A partir daqui, deixemos que os fatos falem por si. Em 1939 Hitler invadiu a Polônia, dando início à Segunda Guerra Mundial.

Num cenário como aquele, em que era eminente um grande conflito mundial, tendo a Europa como ponto de propagação, a expectativa, de um modo geral, era pela retração do consumo e do comércio mundial, uma vez que as nações estariam dirigindo seus esforços para a defesa e as pessoas economizando seus recursos para enfrentar a tempestade que se avizinhava.

Não obstante, mesmo um cenário como aquele poderia ser percebido como uma grande oportunidade para investir. Há quem possa lucrar até mesmo com a guerra, bastando, para isso, enxergar as oportunidades. Enquanto um movimento de venda de ações em massa derrubou a Bolsa de Valores, reduzindo o seu valor pela metade, Templeton percebeu que a entrada dos Estados Unidos na guerra era questão de tempo. Consequentemente, alguns setores, como a indústria e a infraestrutura, tenderiam a crescer para atender aos esforços de guerra. Foi por aí que Templeton encontrou o caminho para ganhar com investimentos de longo prazo.

Templeton seguiu um dos fundamentos chave de sua filosofia, que é desconfiar do chamado “efeito manada”. Enquanto todos desfaziam suas posições, comprou as ações em baixa, mas tendo em vista uma situação macroeconômica que, no devido tempo, favoreceria o crescimento daquelas empresas, valorizando as ações.

Templeton ousou ver o que estava por trás das aparências e, ao mesmo tempo, se resguardou, montando uma carteira diversificada. Para isso, percebeu quais as empresas e setores que seriam arrastados pelo crescimento dos segmentos que seriam favorecidos diretamente pelos esforços de guerra.

O Japão do Pós Guerra

Como sabemos, o Japão foi um dos países mais afetados pela guerra, derrotado no confronto com os Aliados. A economia japonesa estava em destroços, o que indicava serem as empresas do país um péssimo investimento.

Era preciso, no entanto, ter uma visão menos superficial, como a de Templeton, para perceber naquele cenário uma oportunidade, que estava implícita em um aspecto jamais observado por quem enxerga o mercado apenas pela lógica dos fundamentos financeiros, que era a cultura japonesa.

Um povo disciplinado, perfeccionista e trabalhador é um ativo valioso para um país e para a economia local. Todos conhecem a história do Japão, que renasceu na segunda metade do século XX, superando a indústria do Ocidente em vários setores.

Em 1968, Templeton entrou com tudo no mercado japonês, comprando ações a preços depreciados. Na verdade, apenas antecipou um movimento que ocorreria nos anos que viriam. Naquele período, a economia japonesa cresceu e o índice Nikkei atingiu seu maior patamar histórico em 1989. Antes disso, Templeton desfez suas posições no país, antecipando-se, dessa vez, ao estouro da grande bolha japonesa.

“Mercados em alta nascem do pessimismo, crescem no ceticismo, maduram no otimismo e morrem na euforia.”

O pensamento acima, que é de Templeton, mostra qual a sua filosofia de investimento. Quando colocou seus investimentos no mercado japonês, não estava apenas comprando ações em baixas, fazendo uma aposta, mas, ao contrário, aproveitando uma oportunidade real, que estava onde poucos puderam perceber.

Participações nos lucros

É incrível como é pouco difundida uma das práticas mais bem sucedidas de investimento em ações. Comprar ações em baixa pensando em valorização futura é só parte do negócio.

Uma das lições de Templeton, que está na cartilha de outros grandes investidores, é que é preciso, antes de qualquer coisa, pesquisar e identificar empresas promissoras, o que inclui os fundamentos financeiros, o modelo de gestão, o perfil dos gestores e seu market share, entre outros fatores que configuram oportunidade de crescimento.

Reconhecer essas empresas não significa comprá-las. Templeton tinha sua “lista de desejos”, composta pelas ações dessas empresas. Esperava, então, que os preços caíssem acentuadamente para comprá-las. Com isso, além de ganhar numa valorização futura, obtinha maior ganho com a participação nos lucros. Ao comprar em baixa, o investidor adquire uma maior quantidade de ações. Como os dividendos são pagos por ação, ele terá maior participação bruta nos lucros da empresa, o que não está relacionado à valorização do mercado.

A principal lição

A maior lição de Templeton, que tem uma história cuja riqueza transcende as fronteiras do mundo dos investimentos, que inclui a filantropia e o incentivo à expansão da compreensão do terreno espiritual, é que o único indicador confiável é a oportunidade, que só pode ser identificada com estudo, pesquisa e mente aberta.

A Bolsa sobe ou cai por motivos distintos, mas não é o sobe e desce que deve motivar você a investir ou desfazer suas posições, mas reconhecer onde existe solidez suficiente para justificar que você invista seu dinheiro.

O verdadeiro investidor encontra valor nas empresas, não em previsões econômicas ou tendências de mercado. Ações de qualidade são fatias de empresas de qualidade. Raramente elas se desvalorizam porque a empresa vai mal, mas por causa do efeito manada e da especulação. O que significa dizer que elas voltarão a subir.

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