Investir nas lojas americanas é uma boa ideia?

Investir nas lojas americanas é uma boa ideia?
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Quem nunca comprou algum item de consumo nas Lojas Americanas? Afinal, trata-se de uma das mais antigas e exitosas companhias do varejo nacional, com destacada atuação no segmento de e-commerce, por meio da B2W, seu braço digital, de quem detém o controle acionário, com mais de 60% do capital social.

A Americanas surgiu há mais de 87 anos para ser uma referência no varejo nacional. Atualmente, possui quatro grandes centros de distribuição nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Uberlândia (MG) e Recife, estrategicamente posicionados para dar suporte à cobertura de uma ampla extensão territorial.

São mais de 1500 unidades e mais de 1120 lojas físicas, distribuídas por mais de 600 cidades, além do e-commerce, que conferem à companhia destaque na venda ao consumidor de itens como jogos, brinquedos, DVDs, produtos de higiene e beleza, utilidades domésticas, lingerie e bomboniere.

Ações das lojas americanas

A B2W está entre as empresas pioneiras no segmento de marketplaces, que congrega, varejistas e atacadistas, que, através da Americanas.com, Submarino e Shoptime, podem expor seus produtos para milhões de consumidores. O mix de páginas comerciais recebe, mensalmente, mais de 150 milhões de visitas únicas.

O bom posicionamento no e-commerce, modelo de consumo que mais cresce no Brasil, desafiando a crise econômica, garante boas perspectivas para a empresa no médio e no longo prazo, perspectivas essas que se acentuam na medida em que se dá a exploração estratégica da expansão do varejo digital por meio do marketplace.

Além disso, a B2W vem captando bilhões em investimentos, com aporte de R$ 4,4 bilhões de sua principal acionista e controladora nos últimos cinco anos. O dinheiro é investido no aprimoramento das plataformas de e-commerce, serviços de logística e integração digital.

Recentemente, a companhia começou a abrir as portas para o omnichannel, integração total entre lojas físicas e digitais, uma tendência de mercado voltada para a experiência do cliente. O primeiro passo foi a possibilidade de o cliente comprar no e-commerce e receber o produto nas lojas físicas, prática já adotada por outras companhias multicanais.

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A expansão da Americanas não se restringe ao varejo digital. A empresa segue seu plano de abrir 800 novas lojas entre 2015 e 2019. Para alcançar o objetivo, o plano é, até o final de 2019, abrir mais 224 unidades, de acordo com declaração do diretor financeiro, Carlos Padilha, em maio de 2019.

O plano de expansão inclui o projeto de explorar o mercado de conveniência, instalando lojas na rede de postos de abastecimento da BR Distribuidora. Seriam 40 lojas abertas neste segmento. O investimento no primeiro trimestre de 2019 foi de R$ 207,7 milhões.

Apesar de todo o crescimento, a companhia teve, no entanto, um prejuízo líquido de R$ 53,5 milhões no primeiro trimestre de 2019. No ano, porém, a empresa obteve lucro de R$ 59,2 milhões.

A receita em um ano, entre julho de 2018 e junho de 2019 foi de R$ 17,8 bilhões, com lucro líquido de R$ 393,4 milhões.

O ativo da companhia soma R$ 30,5 bilhões, com R$ 17,2 bilhões no circulante, com dívida líquida de R$ 9,3 bilhões e Patrimônio Líquido de R$ 4,8 bilhões, o que significa que a empresa precisa de mais que a robusta geração de caixa nos próximos anos para melhorar seus fundamentos financeiros. Com a atual rotina de lucros anuais, seriam necessários mais de 23 anos para pagar a dívida não corrigida.

Não chega a ser, necessariamente, um problema, uma vez que o viés da companhia é de investimento e expansão, o que justifica o alto grau de endividamento, e, consequentemente, de endividamento. Além disso, a empresa tem liquidez corrente de 2,27, o que significa que a relação entre geração de receitas e pagamento de passivos no curto prazo é de 2,27 por 1.

O alto endividamento da companhia é explicado, em parte, pelo alto investimento na B2W, necessário para manter o grupo competitivo e defender seu share em um mercado em que a competição é acirrada e está sempre sob a ameaça de novos entrantes. O investimento em tecnologia e qualificação da experiência do consumidor é mandatório no setor.

Os investimentos em tecnologia e expansão dos canais vêm trazendo bons resultados. Se, em dezembro de 2015, a empresa possuía pouco mais de R$ 20 bilhões em ativos, alcançara R$ 28 bilhões três anos depois. No mesmo período, o patrimônio líquido saltou de R$ 1,7 bilhão para quase R$ 5 bilhões. A dívida líquida saltou de R$ 8,8 bilhões para quase R$ 14 bilhões, o que mostra melhora progressiva na relação entre dívida líquida e patrimônio líquido.

A receita líquida vem se mantendo num patamar entre 17 e 18 bilhões de reais desde o segundo trimestre de 2015, graças ao equilíbrio entre investimentos, expansão digital e um mercado resistente às variações macroeconômicas.

LAME4

A cotação da LAME4 tem um histórico de crescimento desde a crise de 2009, quando chegou a ser vendida a R$ 2,72. Em outubro de 2016, chegou a ser vendida por R$ 21,03, formando, desde então, um suporte em R$ 13,79 e uma resistência em R$ 20,57. A ação fechou em 9 de setembro cotada a R$ 19,67.

As ações da Americanas vêm acompanhando a trajetória de crescimento da companhia, fechando no azul desde 2014, quando valorizou-se 40,58%. Entre junho de 2018 e julho de 2019, a valorização foi de 29,24%.

Apesar da trajetória de alta da LAME4, o VPA ainda é 2,98, o que significa que a ação está apreciada, porém não exageradamente. Vale ressaltar que o valor de venda da companhia não se restringe ao PL, incluindo atributos como valor da marca e potencial de geração de receitas.

Sendo assim, no longo prazo, a companhia pode se valorizar, graças aos investimentos feitos em expansão. No entanto, é preciso ficar atento às notícias relacionadas ao mercado de varejo, que é um setor altamente competitivo, além dos sinais da economia brasileira, que podem gerar impacto sobre o consumo.

Quanto aos dividendos, quem busca uma boa vaca leiteira terá que esperar. Além da óbvia razão das margens do varejo serem tradicionalmente apertadas, a necessidade de fazer investimentos é mais uma rotina do que uma estratégia. A margem Yield da companhia é de apenas 0,4% anual.

Vale a pena investir?

Para investir na LAME4 é preciso levar em conta alguns aspectos:

– o potencial de remuneração do capital investido é baixa e sem perspectiva de crescimento no curto e no médio prazo;

– o potencial de valorização do capital está diretamente relacionado ao preço de compra e à visão do crescimento no longo prazo.

Em outras palavras, você pode compor a sua carteira com ações da Americanas, mas a recomendação é comprar a um preço próximo aos R$ 14,00, pensando em valorização no longo prazo.

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