Será que a hipótese dos mercados eficientes é válida?

Será que a hipótese dos mercados eficientes é válida?
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Quando falamos de bolsa de valores, muitas são as perspectivas possíveis para enxergar meios diferentes de aplicar o seu capital. Nesse sentido, podemos falar, de um modo geral, em Investidores e traders.

Investidores são aquelas pessoas que aplicam o seu dinheiro na compra de ações de empresas que julgam possuir excelentes fundamentos econômicos, após uma análise criteriosa, tanto dos números passados e trajetória de crescimento da empresa quanto de fatores mais subjetivos, como a qualidade do time executivo dessa empresa. Um investidor busca se tornar sócio da empresa a longo prazo, participando, de fato, dos riscos do negócio e dos lucros obtidos.

Por outro lado, o trader é essencialmente um especulador do mercado financeiro, que busca tão somente negociar com ações, beneficiando-se da volatilidade dos preços para entrar e sair de operações de curto prazo com lucros significativos. O trader também tem a sua importância no mercado, visto que, devido ao volume de negociação muito maior, é ele que dá liquidez ao mercado.

Independentemente dessas duas perspectivas, o padrão que liga as duas é o objetivo de obter ganhos satisfatoriamente acima do mercado, de modo consistente e sistemático. Essa é uma visão que desde há muito tempo é contestada por supostos especialistas, que citam primordialmente a Hipótese dos mercados eficientes, segundo a qual o preço de um ativo financeiro no mercado em um dado momento já reflete todas as informações disponíveis naquele momento, tornando impossível, portanto, saber algo a mais que garanta um retorno acima da média.

 

O mercado é mesmo tão eficiente assim?

 

A hipótese dos mercados eficientes parece tão atrativa, em um primeiro momento, pois cria uma falsa percepção de ordem em um mecanismo que sempre parece aleatório para a mente humano e que é de dificílima compreensão real: O mercado.

mercados eficientes        A “mão invisível”, como dizia Adam Smith, que aloca preços e ativos em sincronia, casando as preferências subjetivas de cada agente do mercado, carrega em si mesma a ideia da aleatoriedade. De fato, é impossível compreender completamente como um mecanismo de sucessivas interações, guiado apenas pelas vontades individuais de cada um dos negociadores, pode agir de modo mais eficiente do que um planejamento central. Nesse sentido, a teoria do mercado eficiente acaba tendo aceitação pois gera um certo conforto cognitivo ao ligar o mecanismo, ainda incompreendido, de mercado, a algo fácil de se entender, a ideia da eficiência suprema, como uma orquestra invisível por trás do mercado que age com perfeição.

Entretanto, na prática, a aleatoriedade sempre está presente. Existem diversas ineficiências que podem sim ser aproveitadas pelo investidor inteligente e perspicaz que não segue a manada e sabe pensar de modo independente.

O próprio Warren Buffet, considerado há décadas o maior investidor do planeta, já chegou a dizer que se a hipótese dos mercados eficientes fosse verdadeira, ele não passaria de um mendigo com uma canequinha na rua.

De fato, se pararmos para pensar, essa teoria se subsume logicamente a duas premissas que são extremamente difíceis de serem verificadas na prática:

 

– Todas as informações de todas as empresas e do mercado estão disponíveis imediatamente para todos os participantes, simultaneamente.

– Essas informações são valoradas pelos participantes do mercado do exato mesmo modo, chegando a conclusões idênticas

 

Apenas um breve raciocínio sobre essas duas premissas já nos permite perceber a falácia da hipótese do mercado eficiente. Cada pessoa é inerentemente diferente, sendo impossível que todos tirem sempre as mesmas conclusões de um determinado conjunto de dados. Na realidade, a maioria das pessoas tende a saltar para conclusões precipitadas em uma atividade de risco, como o investimento, na qual sempre há um grau de pressão. Essas conclusões precipitadas e impulsivas muitas vezes acabam gerando uma reação em cadeia na qual cada investidor toma uma determinada decisão única e exclusivamente porque esta vendo que diversos outros investidores já tomaram aquela decisão antes dele, e não porque haja uma lógica por trás dela que a embase.

É exatamente assim que ocorre o efeito manada, responsável por muitas das crises econômicas que a humanidade já vivenciou ao longo da história. Esse é o mesmo motivo pelo qual o investidor que permanece fiel à voz da razão e da lógica, mesmo em meio ao caos do mercado, consegue enxergar aquilo que as massas em desespero não conseguem e, com isso, obter retornos muito acima da média.

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