O que é o FED?

O que é o FED?
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FED (Federal Reserve Bank) nada mais é que o Banco Central dos Estados Unidos, cujas funções em muito se assemelham às do BACEN, o Banco Central do Brasil.

A diferença essencial entre os dois bancos é que, ao contrário do que acontece com o BC, o FED tem, em sua gestão, a interferência direta do sistema financeiro privado, o que significa dizer, em outras palavras, que os bancos privados dos Estados Unidos possuem forte interferência nas decisões econômicas do país, que, por conseguinte, afetam toda a economia mundial, dada a importância e força da economia local.

Apesar do poder do sistema financeiro privado dos Estados Unidos sobre as decisões econômicas ser mais evidente, há dois aspectos que precisam ser ponderados:

– o presidente e o vice-presidente do FED são nomeados pelo presidente da República, assim como no BC;

– o fato de não ter assento no Conselho Diretor do BC não significa que o sistema financeiro privado brasileiro não exerça forte influência sobre as decisões econômicas do governo.

Em outras palavras, podemos dizer que a diferença ocorre mais na questão normativa e estrutural do que na prática, sendo, inclusive, natural que isso aconteça, pois, tanto aqui, quanto lá, o sistema financeiro privado exerce papel preponderante na economia. Nesse sentido, o FED pode ser visto como um dos principais responsáveis pela natureza cíclica da economia americana, criando muitos ciclos expansionistas através da injeção artificial de capital que fatalmente leva a uma contração futura e a uma consequente crise econômica mais cedo ou mais tarde.

Decisões do FED afetam o mundo

O que faz realmente a diferença entre o BACEN e o FED é que a força política desse último, materializada pela presença dos bancos privados no controle das decisões do FED, ultrapassa em larga escala as fronteiras dos Estados Unidos.

o que é o FED

A razão para isso é que o dólar é a moeda referencial global, havendo um volume gigantesco de contratos na moeda estadunidense. Sendo assim, as decisões do FED afetam toda a economia mundial, uma vez que cabe àquela instituição a determinação, aplicação e controle da política monetária dos Estados Unidos.

Não é por outra razão que todo o mercado global fica à espreita das decisões do Banco Central Americano, como a recente queda dos juros, que, em tese, transferiria dinheiro para o investimento no setor produtivo e no consumo.

Numa outra interpretação, no entanto, essa medida poderia dar a entender que o FED estaria adotando uma política anticíclica, visando enfrentar um possível desaquecimento da economia mundial, que vem sendo alardeado pelos especialistas, sobretudo desde que a China parou de crescer a uma velocidade vertiginosa, o que chegou a afetar o preço das commodities no Brasil, trazendo problemas, inclusive, para as contas públicas.

A queda na taxa de juros pode significar, ainda, uma saída de capital investidor dos Estados Unidos, com transferência para mercados que entregam maior rendimento passivo. Essa é uma questão que precisa ser ponderada nas decisões do FED, que, como você pode perceber, funciona, a exemplo do Banco Central, como uma espécie de ferramenta de regulagem da economia estadunidense e, consequentemente, da economia mundial.

Aliás, há outro aspecto importante que diferencia o FED e o BC. É que o FED, ao contrário do BC, tem total autonomia em relação a qualquer instituição governamental. No caso do BC, possuem assento no Conselho o Ministério da Economia e a CVM (Comissão de Valores Mobiliários), que participam das decisões relacionadas aos vetores financeiros da economia nacional.

Outra diferença, que é mais estrutural, mas vale a pena pontuar, é que a compra e venda de títulos do Tesouro dos Estados Unidos não é uma atribuição direta do FED, mas do FOMC (Federal Open Market Comitte), que é, na verdade, um braço do FED, que tem também a atribuição de regulamentar e supervisionar as operações de mercado aberto.

Vamos falar sobre as principais atribuições do FED e de que forma o exercícios das mesmas interfere na economia local e, consequentemente, na economia mundial.

Compra e venda de títulos

Já que falamos no FOMC, vamos falar sobre a compra e venda de títulos do Tesouro.

Sabemos, efetivamente, que a distribuição ao mercado de títulos do Tesouro é uma forma de financiar investimentos governamentais. Esse é, certamente, o melhor dos mundos, pois se trata de uma modalidade de crédito, cujo tomador é o governo, que, em troca, remunera, dentro de um determinado prazo, esse investimento com juros.

Sabemos que a obtenção de crédito para investimento é uma forma salutar de endividamento, uma vez que o desenvolvimento obtido em razão desse financiamento acaba por gerar novos ativos, que são geradores de divisas para o país.

O ruim é quando essa emissão de títulos é feita para captação de dinheiro para pagamento das despesas, pois não há geração de novos ativos. E a situação seria bem pior se essa captação tivesse como finalidade o financiamento da dívida pública. Nesse caso, além de ficar claro que o governo não gera receitas suficientes para pagar suas despesas, a dívida tende a crescer de forma acelerada.

Tudo isso é muito importante, mas é preciso salientar que numa economia extremamente ancorada no sistema financeiro a emissão de títulos adquire um novo papel, que é o controle de dinheiro no mercado real. Em outras palavras, podemos, em algum momento, ver o FED fazendo a recompra dos títulos emitidos para irrigar a economia com dólares.

Trata-se de uma política para gerar consumo e investimentos no setor produtivo, ou seja, uma política expansionista. No caso contrário, no da emissão de mais títulos, o propósito é tirar dinheiro do mercado para, por exemplo, controlar a inflação.

Taxa de Juros

O que nos traz à taxa de juros, que corresponde à nossa Selic, cuja principal finalidade é regular o preço do crédito às empresas e ao consumidor.

Juros baixos contribuem para o barateamento do crédito e, consequentemente, para o aquecimento da economia, pelo menos em tese. Temos visto no Brasil um efeito diferente, em que a queda da taxa de juros não tem contribuído para baratear o crédito, tampouco para reaquecer a economia nacional.

É porque essa retomada carece de outros fatores, como renda, emprego, risco de inadimplência e investimentos governamentais, mas esse é outro assunto. A importância de incluí-lo no tema em questão é ampliar a visão econômica, evidenciando que a economia não é uma ciência exata, assim como a política monetária. Os efeitos serão diferentes dependendo de em que contexto são aplicadas as respectivas medidas.

Para concluir, o aumento dos juros atrai dinheiro para o mercado financeiro. No caso contrário, com a queda dos juros, a expectativa é de que o dinheiro retorne para a economia real.

Emissão de moeda

Cabe, também, ao FED, o controle da emissão da moeda dos Estados Unidos, o dólar.

A quantidade de papel moeda no mercado também influencia diretamente a economia local e mundial, uma vez que o dólar funciona como uma espécie de moeda de referência.

A emissão excessiva de moeda pode afetar a cotação da mesma no mercado, reduzindo seu valor frente aos seus pares, já que, como em qualquer aspecto da economia, é regida pela lei da oferta e da procura. Havendo uma oferta exagerada, o dólar se desvaloriza.

Como cabe ao FED a tarefa de manter o equilíbrio da economia, esse controle é vital para não gerar desequilíbrios, que podem levar até mesmo a um processo inflacionário, sobretudo porque, ao contrário do que ocorreu em outros tempos, a emissão de moeda não é lastreada em um valor real, que, ao longo da história, foi a prata e, posteriormente, o ouro.

O valor que lastreia a moeda nos dias atuais é a credibilidade do governo e o bom senso, variáveis que nem sempre estão presentes.

 

 

 

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