Ray Dalio: Quais as lições do maior gestor de fundos hedge do mundo?

Ray Dalio: Quais as lições do maior gestor de fundos hedge do mundo?
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Você já ouviu falar em Ray Dalio? Ray Dalio é uma referência mundial na gestão de fundos hedge. Ótimo, mas o que vem a ser um fundo hedge?

Vamos tentar entender rapidamente o que é, já que o propósito deste artigo é apresentar a você as lições do maior gestor de fundos hedge do mundo, considerado o Steve Jobs do setor de investimentos.

Você sabe o que é um fundo de investimentos? É provável que sim. Trata-se de uma estrutura composta por investidores e gestores de investimentos, cabendo a estes últimos o papel de montar uma carteira de ativos que garanta rentabilidade ao valor investido pelos cotistas.

Você tem múltiplas formas de estruturar um fundo de investimento. Alguns dividem o capital entre investimentos conservadores e outros mais agressivos, buscando maior rentabilidade imediata e assumindo riscos maiores. O horizonte desses investimentos é muito mais abrangente do que aquilo que nós, reles mortais, podemos imaginar.

É onde entram os fundos hedge. Podemos dizer que os fundos hedge vão um pouco além do convencional. É o que melhor explica o que são esses fundos, cuja origem está na década de 40.

Ray Dalio é o fundador da Bridgewater Associates, considerada a melhor gestora do mundo no seguimento de hedge funds. A Bridgewater Associates está entre as dez mais importantes empresas privadas dos Estados Unidos.

Ray Dalio

Ray Dalio é a razão por trás disso. O principal alicerce do sucesso de Dalio são seus princípios, cuja peculiaridade está na universalidade de sua aplicação.

Vamos entender melhor o tema indo direto ao assunto. Ao ler os princípios de Ray Dalio, você vai entender porque eles são aplicados, não só aos negócios, mas à vida. Não por outra razão, o livro em que Dalio organiza seus princípios chama-se: “Princípios: Vida e Trabalho”.

 

 

1 – Princípio chave – Os ciclos

 

A base das boas decisões é a capacidade de prever o futuro. Pode parecer uma afirmação extravagante, até o momento em que você se pergunta por que planejamos. Planejar é o ato de tentar ter algum controle sobre o futuro, não é verdade?

Tendo algum controle sobre o futuro, você tem uma maior possibilidade de dirigir suas estratégias e administrar os riscos.

Dalio estudou muito para concluir que há uma lógica que rege todas as coisas, algo como dizer que há matemática em tudo. Essa lógica aponta que uma valiosa forma de conhecimento é saber identificar os ciclos.

Dalio percebeu que eles estão presentes em tudo, das 24 horas do dia às estações do ano, da história à economia.

Para não ficarmos na teoria, convidamos você para um conceito pouco conhecido, que é o ciclo circadiano. O conceito é pouco conhecido, mas o material a que se refere é praticamente o palco em que se desenvolvem as nossas vidas. Estamos falando das 24 horas do dia.

O ciclo circadiano se repete a cada 24 horas, mas poucas pessoas percebem o quanto ele interfere em nossas vidas. Basta, porém, você pensar em uma viagem de avião do Rio de Janeiro para Tóquio. Quem já fez a viagem pode falar sobre como corpo e mente se comportam. Quem não fez, já deve ter ouvido relatos sobre como o sono fica completamente descontrolado. É que o indivíduo, ao fazer tal viagem, se descola do seu ciclo circadiano.

Esse ciclo, composto por dia e noite, interfere em nossas vidas por meio das alterações hormonais que ocorrem em seu curso. Quando você consegue compreender esse ciclo, passa a utilizá-lo ao seu favor, podendo obter melhor qualidade de vida, maior produtividade e outros benefícios.

O mesmo acontece com ciclos mais complexos, como os ciclos históricos e econômicos. Você precisa dominá-los, entender como acontecem e usá-los ao seu favor.

 

2 – Aceitar e viver a realidade

 

Tão importante quanto entender os ciclos, é aceitar e viver a realidade. Um dos problemas de um indivíduo é a importância que ele dá a si próprio. Dalio nos insta a abandonar crenças que nada acrescentam. A vida é como é. Reconhecendo isso, você será capaz de se preparar para os desafios reais, aceitando os erros, críticas e derrotas.

Reconhecendo, enfim, que você não é especial e não precisa ser, sobrará tempo para dedicar-se a coisas que realmente importam.

 

3 – Transparência

 

Falamos muito em transparência no mundo corporativo e nos governos, mas deveríamos observar os dois lados de algo que é transparente e não apenas o que podemos ver do outro lado.

Ser transparente é ser honesto, é ser verdadeiro. É proporcionar ao mundo uma visão clara de quais são suas opiniões, pensamento e visão das coisas.

Do outro lado, no entanto, tem o feedback. Se você oferece ao mundo uma visão fidedigna de você mesmo, receberá, em troca, a forma como o mundo percebe o que você pensa e faz.

Percebe a relação? Você mostra quem você é de verdade e o mundo responderá o que acha sobre isso, entregando de volta grandes possibilidades de você crescer, se desenvolver, refletir e melhorar.

Dalio leva esse princípio ao extremo em sua empresa, onde exige de seus colaboradores que sejam completamente transparentes entre si. As regras também devem ser claras e aplicadas em sua totalidade para todos, o que amplia a qualidade das relações interpessoais, a partir do momento em que o ambiente é de transparência e confiança.

 

4 – Evolução pessoal

 

Repare que a evolução só vem quando nos deparamos com um desafio. Suponha que você seja o melhor corredor de 100 m do mundo e não tenha aparecido em 5 anos alguém que o superasse. Você tem duas opções:

 

1 – Acomodar-se com os resultados obtidos e não mudar nada;

2 – Tentar superar a si mesmo, reduzindo seus tempos, independente de haver algum concorrente no mesmo nível.

 

Quais as consequências possíveis desses dois comportamentos distintos? Ao tentar superar a si mesmo, você está encarando um desafio e buscando evoluir. Ao acomodar-se com a vantagem que já tem sobre os demais, você perde a condição de se distanciar ainda mais dos concorrentes e fica mais próximo de ser superado.

 

5 – Discordância construtiva

 

Em nossas vidas, é comum vermos situações em que as pessoas discordam sem jamais ouvir o outro. Provavelmente, nós mesmos já agimos assim. Imagine isso numa empresa, onde é preciso que decisões sejam tomadas diariamente.

Nesse tipo de situação, a figura do líder é fundamental. Dalio é esse líder, pois percebe que a discordância é o encontro de diferentes pontos de vistas e ideias, que podem, somados, contribuir para construir a melhor solução.

A melhor solução não é a minha nem a sua, mas a compilação do que de melhor cada uma delas possui, sempre tendo em mente o objetivo de enxergar a realidade de modo extremamente objetivo, livre das paixões, preferências e idiossincrasias de cada um.

 

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