Ações da AES Tietê: Uma boa opção para o investidor de longo prazo?

A AES Tietê, uma das empresas integrantes do Grupo AES Brasil, se autodefine como uma plataforma integrada de energia que se adapta às necessidades de seus clientes.

Como podemos perceber, trata-se de um posicionamento diferenciado das empresas de energia que conhecemos. Uma boa explicação para isso é a própria natureza do negócio.

Um dos focos da empresa é em políticas sustentáveis e proteção ao meio ambiente. Além de ter em seu portfólio um parque gerador composto por nove usinas e três pequenas centrais hidrelétricas, a AES possui dois complexos de energia solar e um complexo eólico, tendo uma capacidade instalada de 3.348 MW.

Além disso, a empresa é especializada no desenvolvimento de pequenas soluções sustentáveis exclusivas, levando esse atributo aos seus clientes corporativos.

Fazem parte do grupo, além da AES Tietê, a AES Tietê Integra, que atua na comercialização de soluções em serviços de geração de projetos de engenharia e gestão de energia para empresas do setor industrial, a AES Uruguaiana, geradora, e a AES Ergos, distribuidora de energia.

Entre os ativos da companhia estão o Complexo Eólico Alto Sertão II e o Complexo Solar Ouroeste. O primeiro localizado na Bahia e o segundo em Guaimbê, São Paulo. Juntos, esses dois complexos contam com capacidade instalada de 530 MW.

A AES é, portanto, uma empresa voltada para tecnologia, inovação e sustentabilidade, com investimentos totais de R$ 437,2 milhões, 246 hectares de áreas reflorestadas e R$ 3,72 milhões em investimentos sociais, com uma receita operacional bruta de R$ 2,1 bilhões.

Recentemente, a empresa vem negociando a aquisição do projeto Alto Sertão III com a Renova Energia, buscando aumentar sua presença no território nacional e share no mercado de produção e distribuição de energia.

Tem boas condições para isso, já que tem expertise em serviços cuja demanda tende a crescer nos próximos anos, sobretudo no que diz respeito à energia solar e eólica, ainda pouco desenvolvidos no Brasil em relação a países como a Índia, referências em políticas energéticas sustentáveis.

Histórico recente da AES tiete

Apesar do fato de ser uma empresa em crescimento, com foco em expansão da capacidade instalada, a AES também acumula uma dívida bruta de R$ 4,2 bilhões. A empresa possui, no entanto, recebíveis num total de R$ 1,4 bilhões, fazendo com que a dívida líquida da empresa seja de R$ 2,8 bilhões.

A empresa possui um Patrimônio Líquido positivo de R$ 1,5 bilhão. São dados do balanço referente ao dia 30 de julho de 2019. O valor de mercado da companhia é de R$ 4,7 bilhões, o que corresponde a 3,13 vezes o PL da companhia.

O Patrimônio Líquido da AES vem diminuindo desde janeiro de 2012, quando era de mais de 4,5 bilhões, enquanto a dívida líquida chegou perto de seu maior patamar histórico. Depois de ter três trimestres com receita líquida negativa em 2016, a empresa passou a apresentar resultado positivo a partir do terceiro trimestre daquele ano, mantendo receita líquida próxima aos R$ 2 bilhões. No período de julho de 2018 a junho de 2019 a receita líquida foi de R$ 2,03 bilhões.

O lucro líquido, que chegou a alcançar patamar acima de R$ 1,1 bilhão no terceiro trimestre de 2012, tem se mantido abaixo dos R$ 300 milhões desde o primeiro trimestre de 2018. Desde 2011, a empresa vem tendo resultado financeiro negativo, com a correção da dívida superando a geração de caixa, o que, a princípio, não representa grande problema, contanto que tal condição seja decorrente de alto volume de investimentos, com grande potencial de retorno.

A empresa, desde o segundo semestre, tornou-se pagadora de proventos, com esses excedendo o lucro líquido, num claro sinal de que a AES pretende financiar seus investimentos com a retenção do capital dos acionistas.

TIET11

A maior cotação da TIET11 foi alcançada em agosto de 2016, quando chegou ao preço de R$ 14,40, apresentando oscilações frequentes desde então. O que pode ser explicado, por exemplo, pelo fato do valor de mercado representar 23,6 vezes o seu lucro anual, o que significa dizer que levaria esse tempo para a empresa valer, patrimonialmente, a sua cotação anual.

Por outro lado, os cenários que se desfraldam para a empresa são positivos no longo prazo. A questão é que a cotação da empresa no mercado de capitais seguiu, a partir de 2016, a onda da perspectiva de desregulamentação da economia, com consequente liberação dos preços dos serviços públicos, o que elevaria a lucratividade da companhia.

TIET11

Parece, no entanto, que o mercado superestimou esse movimento, o que explica a trajetória errática da cotação da TIET11. Para se ter uma ideia, a ação atingiu um suporte de R$ 8,64 em julho de 2018. Tudo isso mostra um papel que segue mais as ondas especulativas do que os próprios resultados da empresa.

Vale a pena investir

Há quem afirme que a ação está depreciada com relação aos concorrentes do setor, apesar do valor de mercado representar em torno de 4 vezes o valor patrimonial da companhia.

Levando em conta os bons fundamentos estratégicos e o potencial de crescimento, a TIET11 pode ser um bom investimento no longo prazo. O problema é que a empresa é uma estrela que carrega um fardo pesado, que é o alto custo dos seus investimentos, o que leva à conclusão de que demorará muito para se transformar em uma vaca leiteira.

Talvez, em função disso, a empresa tenha grande foco em reter e multiplicar os investidores, com uma política agressiva de proventos em relação ao seu lucro líquido. Desde o segundo semestre de 2016, a empresa vem pagando em proventos um montante superior ao lucro líquido da empresa, o que ajuda a explicar o salto do preço da ação naquele período.

Apesar disso, a TIET11 não está entre as maiores pagadoras de proventos do mercado, o que pode ser imaginado como realidade num futuro distante, quando não houver na equação o alto custo do financiamento dos investimentos da companhia.

A empresa pagou, no primeiro semestre de 2019, um rendimento acumulado em proventos na casa dos 3,5%. Seguindo a política da companhia nos últimos anos, a estimativa é de que a empresa remunere o capital em torno de 7%.

Ao que tudo indica, a empresa tem potencial para ser uma ótima opção no longo prazo, mas o recomendável, para proteger o capital investido e pensar em lucro com valorização do mesmo, seria tentar comprar por um preço abaixo dos R$ 10,00. Com paciência para esperar, você pode comprar uma boa opção para sua carteira.

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