Vale a pena comprar ações da Cosan?

Vale a pena comprar ações da Cosan?
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Bem vindo à Cosan, uma daquelas empresas capazes de encher o brasileiro de orgulho, cujo core business é gerar excelência em energia, com sustentabilidade. Nascida em 1936, na cidade de Piracicaba, São Paulo, como Costa Pinto, nome da usina de cana de açúcar que deu origem ao império industrial e tecnológico atual.

A Cosan é um dos maiores conglomerados econômicos do país atendendo a setores estratégicos da economia com suas soluções, dentre os quais o agronegócio, a produção e distribuição de combustíveis, gás natural e lubrificantes.

Ações da Cosan

Com 80 anos de atuação no mercado, a Cosan tem em seu portfólio empresas de alto valor estratégico e em geração de receitas, com destaque para a Raízen, produto de uma joint venture com a Shell. A Raízen é a segunda maior distribuidora de combustíveis do país, além de ser a maior fabricante de etanol da cana-de-açúcar do mercado nacional. No segmento de distribuição de açúcar da cana, ocupa a liderança mundial em exportações.

A Comgás é outra força competitiva do grupo, atuando no ramo de gás natural, atendendo a usinas de termogeração, segmentos industriais, automotivo, comercial e residencial.

A Moove é outra menina dos olhos da companhia. Produtora de lubrificantes, é fabricante e distribuidora da marca Mobil no Brasil, porém sua atuação é global, participando do mercado de distribuição de marcas profissionais de lubrificantes.

Os fundamentos estratégicos, assim como o alto nível de gestão, governança e transparência, levaram a companhia a estar listada, desde 2005, no mais alto nível de governança corporativa na B3.

Rotina de expansão global

A rotina da Cosan nos últimos anos é de expansão global. Em 2015, firmou uma joint venture com a empresa japonesa Sumitomo para se tornar o primeiro fabricante de pellets de cana de açúcar.

Em 2016, a Moove obteve o direito de distribuir os produtos Mobil com exclusividade para a Espanha. No ano seguinte, a Raízen concluiu a aquisição das usinas da Tonon, que possibilitou o aumento da capacidade de moagem de cana de açúcar para 73 milhões de toneladas por safra.

Em 2018, a Raízen ampliou sua atuação na Argentina ao adquirir o downstream da Shell, passando a operar uma refinaria e a logística de distribuição de combustíveis, com capacidade para atender a mais de 600 postos.

Resultados financeiros

No balancete divulgado em 30 de junho de 2019, a empresa apresentou uma receita líquida de R$ 3,34 bilhões, com um lucro líquido de R$ 418,27 milhões. Ampliando para os doze meses anteriores, a Cosan obteve uma receita líquida de R$ 12,2 bilhões, com um lucro líquido de R$ 2,2 bilhões e margem líquida de 18%.

A Cosan soma um total de R$ 29,7 bilhões em ativos, contra uma dívida bruta de R$ 11,7 bilhões. A dívida líquida é de R$ 8,5 bilhões, enquanto o ativo circulante é de R$ 8,4 bilhões.

Isso significa que a empresa não tem uma posição tão confortável com relação ao endividamento. A liquidez corrente é de 1,75, o que significa dizer que para cada real de dívida, a empresa possui R$ 1,75 para pagamento no curto prazo. Não obstante, a empresa, gerando mais de R$ 2 bilhões de lucro líquido anual, tem plenas condições de pagamento.

A geração de receitas vem se mantendo estável desde 2014, variando entre 1,8 e 3 bilhões de reais, pelo menos até o último trimestre de 2018. Como já relatado, a receita líquida no segundo trimestre de 2019 alcançou os R$ 3,34 bilhões, mostrando trajetória de crescimento para a companhia.

A boa notícia é que no mesmo período a margem bruta fez uma curva para cima, sinalizando que, ao mesmo tempo em que ampliou as receitas, a companhia obteve um melhor controle sobre os custos. A questão é acompanhar, a partir do terceiro trimestre, se essa trajetória se mantém.

Inclusive, a Cosan apresentou resultado financeiro positivo pela primeira vez em nove anos no segundo trimestre de 2019, assim como o lucro foi recorde em relação a todos os trimestres desde 2012.

CSAN3

Em maio de 2006 a CSAN3 foi negociada a R$ 36,56. Esse pico só foi alcançado novamente em maio de 2013, mas a desaceleração da economia chinesa obrigou as empresas a redesenharem suas estratégias para o comércio internacional.

Naquele período, até 2016, a empresa enfrentou dias difíceis, com queda em receitas. Em agosto de 2015, a ação chegou a cair para menos de R$ 16,00, acompanhando as dificuldades da companhia.

Quem manteve as ações, mesmo nos períodos de crise, confiando nos fundamentos da empresa, acabou obtendo grande valorização sobre o capital, já que a ação era cotada em R$ 57,22 em 25 de outubro de 2019.

Só em 2019, a ação valorizou 74,77%. Mesmo assim, o valor de mercado, em relação ao valor patrimonial, é 2,38 vezes superior. O lucro por ação é de R$ 5,48, o que significa que o valor patrimonial levaria dois anos e meio para cobrir o valor de mercado, indicativo claro de que a ação ainda vai subir.

Vale a pena investir?

Empresa em expansão, com forte geração de caixa, ampliando sua participação de mercado, gerando margem de lucro de aproximadamente 20% em relação à receita. Dívida coberta pelo ativo circulante mais dois anos de lucro.

Atuação em um mercado em que seus produtos são essenciais para o setor industrial. Posicionada em outros países, com ótimos fundamentos estratégicos.

Essa é a Cosan. Porém, segundo o Credit Suisse, a tendência é de que o preço da ação tenha um recuo de 11%. Não parece improvável que isso aconteça, uma vez que a empresa ainda está longe de ser uma boa pagadora de dividendos. O Yield é de 1,7%.

Numa boa estratégia para a CSAN3, os proventos seriam um plus, contribuindo para elevar, no médio e longo prazo, o ganho sobre o capital, caso, evidentemente, reinvestido na companhia. O ganho principal, no entanto, ficaria por conta do aumento do valor de mercado, que, a se manterem os indicadores atuais, virá nos próximos anos, seguindo a trajetória de crescimento da companhia.

É evidente que turbulências podem surgir, como a crise de 2008 e a crise das commodities, além do negócio da empresa estar condicionado por fatores naturais, mas a história mostra claramente que a Cosan sai sempre mais forte das crises e continua crescendo.

Quem quiser confiar no Credit Suisse, que merece todo o crédito, pode aguardar a queda para comprar com maior desconto. Como o forte da empresa não são os dividendos, é esperado que, em algum momento, haja um movimento de realização de lucro.

Em suma, para quem quer investir numa empresa forte no longo prazo, a Cosan é uma ótima opção para colocar na carteira. E quem diz isso é o relatório da Elevan Financial, baseando-se na demanda mundial crescente por biocombustíveis e na tendência de elevação do preço do açúcar.

 

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