Como achar o valor intrínseco de uma empresa?

Como achar o valor intrínseco de uma empresa?
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O pilar central do investimento baseado na análise fundamentalista é comprar ações de empresas que estejam subvalorizadas no mercado, ou seja, cujo real valor – o seu valor intrínseco – esteja muito acima do preço pelo qual esta sendo negociada na bolsa de valores.

Embora muitos investidores, especialmente os iniciantes, não se deem conta disso, o valor de um investimento, em termos dos retornos que ele pode te proporcionar, esta sempre atrelado ao preço que você pagou pelas ações daquela empresa.

Um empresa sólida, com excelentes fundamentos e ótimas perspectivas para o futuro, pode não ser um bom investimento caso as suas ações estejam sendo negociadas a um preço já alto na bolsa de valores. Considerando que muitas vezes o mercado já desconta o efeito futuro de boas notícias e perspectivas, esse cenário é mais comum do que parece em um primeiro momento, tornando a análise de preço e o cálculo do valor intrínseco da empresa algo fundamental para garantir o seu retorno.

Calcular o valor de forma errada pode te levar a fazer investimentos de baixo retorno e insustentáveis a longo prazo ou mesmo te levar a perder ótimas oportunidades de investimento, caso você subestime o valor real. Mas então como calcular o valor intrínseco da maneira correta? É isso que veremos nesse artigo.

 

Como calcular o valor intrínseco de uma empresa

 

Existem muitas formas de fazer o chamado valuation de uma empresa, que nada mais é do que a avaliação de quanto a empresa efetivamente vale. Dada a importância dessa questão para todos que investem, muitos são os livros escritos a respeito desse assunto, como os clássicos do Aswath Damodaran, um dos mais renomados professores de finanças do mundo e autor dos clássicos: damodaran on valuation, narrative and numbers, the dark side of valuation, entre outros.

valuation

Caso você queira se aprofundar no assunto do valuation, esses são os livros que eu recomendaria a você ler, mas para simplificar as coisas e te dar pelo menos uma ideia geral nesse artigo, vamos começar com a ótica de avaliação de empresas do bom e velho Benjamin Graham, o primeiro a divulgar os métodos da boa análise fundamentalista e o mentor do warren buffet, atualmente o maior investidor do mundo.

 

Atualmente,  o meio de cálculo do valor justo deve necessariamente levar em conta o fluxo de caixa que é esperado daquela empresa pelos próximos anos e então trazer esse valor esperado a valor presente. Pare para pensar, se um amigo seu te convidasse para ser investidor no restaurante que ele esta abrindo e te pedisse um valor de 50 mil reais para receber 40% de participação, como você saberia se esse valor é adequado ou não? Bom, a ideia mais lógica seria tentar calcular o que o restaurante iria gerar de receita ao longo de, por exemplo, os próximos 5 anos, e então comparar com o valor do investimento e o que lhe caberia dada a sua participação de 40% e, a partir daí, decidir se vale a pena para você ou se você pode obter retornos melhores de outras formas.

 

Esse método é atualmente conhecido como fluxo de caixa descontado, mas a fórmula matemática que Graham utilizava para chegar ao valor justo tem algumas peculiaridades que merecem ser analisadas.

 

A fórmula de Benjamin Graham

 

Graham calculava o valor justo de uma ação pela seguinte fórmula:

 

VI = √1.5 x 15 x Lucro por ação x valor patrimonial por ação

 

Agora vamos explicar em etapas o que essa fórmula significa. Primeiramente, você deve estar se perguntando da onde surgiram o 1.5 e o 15 do início da fórmula. Bem, esses eram dois números que Graham costumava chamar bastante atenção pois representavam duas máximas que, para ele, determinariam seu um investimento seria atrativo ou não:

 

– Uma boa empresa, avaliada a preço justo pelo mercado, não pode ter ações sendo negociadas a um preço superior a 1,5 vezes o valor de patrimônio líquido por ação.

 

– Uma boa ação para se investir não poderia estar sendo negociada a um valor superior a 15 vezes o lucro por ação.

 

É interessante notar que Graham considerava esses dois números de forma simétrica, ou seja, caso um deles fosse um pouco maior do que o esse limite e o outro um pouco menor, de modo que eles se compensassem, então a ação continuava apta a ser considerada um bom investimento, desde que a multiplicação desses dois números nunca ultrapassasse 22,5 (15 x 1,5).

 

Agora o segundo ponto para entendermos essa fórmula é saber porquê a raiz quadrada esta ali. Bem, para isso precisamos entrar um pouco mais a fundo na matemática da fórmula, mas não se preocupe, é bem simples:

 

VI = √   x   x lucro por ação x valor patrimonial por ação

 

Como você pode perceber, os dois primeiro elementos da equação são exatamente os 1,5 e o 15 de anteriormente. Acontece que, se você prestar atenção, vai perceber que nessa equação, estamos elevando ao quadrado o preço da ação sem motivo algum, enquanto o lucro por ação e o valor de patrimônio por ação se anulam.

 

Portanto, para retornar ao que seria o preço ideal da ação, devemos usar a raiz quadrada do número encontrado. Com isso teremos exatamente o que seria o valor justo da ação e, se compramos ela no mercado quando ela esta cotada a um valor abaixo desse preço, então criamos uma margem de segurança para os riscos incorridos em qualquer decisão de investimento. Logicamente, quanto maior essa diferença, maior a margem de segurança, portanto, um mercado em baixa é tudo que um investidor fundamentalista quer quando chega a hora de comprar novas ações.

valor intrínseco

 

A fórmula de Graham não é, por si só, a garantia de um bom investimento. Como falamos anteriormente, o método do fluxo de caixa descontado é o método mais utilizado atualmente. Porém, a fórmula de Graham te dá um bom ponto de partida para analisar mais a fundo uma empresa e ver se vale a pena aplicar métodos mais complexos de avaliação, já que se o preço dela estiver muito acima do valor intrínseco, provavelmente não será um bom negócio.

 

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