Você conhece o Investidor Anjo?

Você conhece o Investidor Anjo?
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No mundo dos investimentos há muitas possibilidades e variações para aplicar o capital e criar uma relação positiva com ações, empresas e organizações a fim de produzir lucro. Por isso, sempre frisamos a importância do estudo constante e aprimoramento pessoal no sentido de sempre estar capacitado para traçar as melhores estratégias e escolhas. Neste post, vamos falar sobre o famoso investidor anjo.

investidor anjoSe você nunca ouviu falar sobre esta modalidade de atuação no mercado financeiro, vamos abordar o tema de maneira detalhada. Como grande aperitivo, podemos ressaltar que os investidores anjos foram decisivos para o sucesso de empresas do quilate do Google, Facebook e Apple. A última é “apenas” a maior empresa do mundo em valor de mercado, segundo noticiou a Reuters, em maio deste ano. Criada pelos famosos fundadores Steve Jobs e Steve Wozniak, a Apple teve como investidor anjo Mike Markkula. Você já pode ter noção do peso desses investimentos, certo? Não apenas em resultados financeiros, mas também para criação de produtos e mecanismos que revolucionaram nossa sociedade. Assim, não são apenas os investidores e empreendedores que ganham com esta modalidade de investimento, mas a economia de maneira geral. Isso ocorre porque, ao impulsionar estas startups inovadoras de grande potencial, observamos o surgimento de mais empregos qualificados e o crescimento do país.

O que é Startup?

Primeiramente, para compreender onde os investidores anjo estão “pisando” é preciso saber de fato o que são as Startups. Se tratam de empresas que buscam inovação, independentemente de área ou ramo de atividade, procurando desenvolver um modelo de negócio que possa atingir um grande número de clientes e gerar lucros em pouco tempo, sem haver um aumento significativo dos custos. O nome startup (Start Up) começou a se popularizar nos anos 1990, na época da primeira grande bolha da internet.

investidor anjo

Empreendedores com ideias inovadoras e promissoras, muitas ligadas à tecnologia, conseguiram financiamento para estes projetos, que se mostraram extremamente lucrativos e sustentáveis. Muitas startups estão vinculadas a alguma incubadora de empresas, que são projetos com objetivo de abrigar estas empresas inovadoras e fornecer um ambiente estável para o desenvolvimento da empresa, com  assessoria empresarial, contabilística, financeira e jurídica.

O Investimento Anjo

É o tipo de investimento realizado por pessoas físicas, os chamados investidores anjos, dos quais falaremos mais adiante, e são destinados às empresas em processo de nascimento e que representem um potencial e provável índice de crescimento. São as chamadas startups, explicadas no parágrafo anterior. Este tipo de investimento tem seu funcionamento baseado em uma sociedade entre investidores e empreendedores, que são os membros da empresa/startup. Essa parceria geralmente surge com a expectativa de terminar em algum momento, e a decisão de romper está sempre atrelada ao surgimento de uma boa oportunidade do investidor resgatar seus recursos, o que pode vir a ocorrer por meio da venda de sua participação ou pela simples saída e desistência no caso do negócio não se tornar bem-sucedido. Por isso, investidores experientes procuram determinar, de maneira antecipada, as condições para uma possível dissolução da sociedade, evitando problemas posteriores e desgastes mercadológicos.

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Em média, o investimento anjo é feito por um grupo de 2 a 10 investidores. Este grupo de profissionais pode ser oriundo de diversas áreas, e cada investidor chega a destinar de R$ 50 mil a R$ 200 mil. Isso ocorre com intuito de diluir os riscos, uma prática comum no mundo dos investimentos, e também dividir e organizar a dedicação de cada investidor no negócio. Geralmente, são definidos 1 ou 2 como investidores líderes para cada negócio, para agilizar o processo como um todo. O investimento total por startup atinge em média entre R$ 200 mil a R$ 500 mil, podendo chegar até R$ 1 milhão em projeto mais excepcionais. O investidor líder normalmente é compensado pela dedicação adicional com um percentual extra sobre os resultados. Ainda há a possibilidade da captação de recursos de terceiros: denominado “gestão de recursos”. Estas injeções de capital são efetivadas por fundos de investimento e organizações similares, sendo uma importante modalidade e complementar ao investimento anjo, normalmente aplicado em um segundo momento das empresas.

Falando em termos de mercado: Qualquer setor pode receber os investimentos-anjo. Apesar da área tecnológica ter se desenvolvido mais, e portanto, ser a que mais agrega e conta com investimentos-anjo, há outros setores igualmente relevantes e que também recebem aportes com grande potencial para desenvolvimento. Para exemplificar: Podemos citar a FedEx, (lembra do filme “Náufrago”, com Tom Hanks?) empresa mundialmente famosa no setor de transporte expresso que recebeu investimento-anjo em sua fase inicial. No Brasil, também há espaços para este tipo de investimento, como a biotecnologia aplicada à agricultura, mas falaremos disso mais adiante.

Origem e Conceito

investidor anjo

O termo investidor anjo tem origem norte americana e surgiu baseado nos investimentos realizados no início do século XX para bancar as peças e espetáculos teatrais da Broadway. Chamado de Angel Investor ou Business Angel, assumia os riscos da empreitada e recebia participação nos retornos financeiros oriundos dos espetáculos. Em outras palavras, trata-se de um grande apoio em termos gerais.

De onde surgiu o termo “anjo”? Por estar muito atrelado a figura de “anjo da guarda”, uma vez que não se trata de um investimento apenas financeiro. Há um “cuidado a mais” na relação. Os investidores anjos costumam agregar uma série de valores ao empreendedor, indo muito além do desembolso de capital. Geralmente, essa relação proporciona com que o investidor anjo aplique ou divida conhecimentos e experiências de mercado e ainda apresente sua rede de relacionamentos e contatos do meio ou de outros setores interessantes para as empresas. Em muitos casos, o investidor anjo é um profissional bastante experiente ou até um ex-empreendedor, e que, portanto, já passou por estas etapas e sabe como aplicar dinheiro com empreendedorismo. Outra curiosidade é que este tipo de investimento também é conhecido como smart-money, pois é um investimento que agrega inteligência e experiência e entra na pauta dos melhores investimentos que um agente do mercado pode buscar.

A figura do Investidor Anjo

investidor anjo

Se você um dia deseja se tornar um investidor anjo ou atrair e realizar negócios com um, é preciso saber como ele se caracteriza. Primeiro, você deve saber que o objetivo do investidor anjo é se envolver e aplicar seus recursos em negócios com alto potencial de retorno financeiro, possuindo participação minoritária no negócio. Este tipo de investimento, como já foi dito anteriormente, não garante necessariamente ao investidor uma posição executiva na empresa. Apesar disso, ele vai atuar em uma posição como uma espécie de mentor ou conselheiro do empreendedor. Nesse sentido, toda essa experiência do investidor poderá em muitos episódios superar o valor do capital investido pelo próprio. Pois, este valor agregado pela figura experiente poderá mostrar caminhos a fim de evitar erros cometidos ou conhecidos por ele anteriormente. Com isso, é possível poupar quantidades significativas de tempo e capital. Além disso, as recomendações e dicas dos investidores anjos costumam ser de altíssimo valor e credibilidade, atraindo e facilitando a obtenção de novos parceiros e até outros investidores para o negócio crescente.

Ao contrário do que muitos possam imaginar o investidor anjo, em média, não é um grande bilionário e detentor de pesadas fortunas. Isso ocorre porque o investimento anjo seria algo “pequeno” para estes grandes ícones do mercado. Em outras palavras, não quer dizer que seja algo ruim, mas apenas não é a “praia” dos megainvestidores.  Apesar disso, este tipo de investimento não se caracteriza de maneira alguma como uma atividade filantrópica e/ou com fins puramente sociais.

Geralmente, o investidor anjo é um empresário com viés empreendedor, ou executivo que já percorreu uma carreira de sucesso e conseguiu acumular recursos suficientes para destinar uma parcela, que gira em torno de 5% a 10% do seu patrimônio, para investir nas startups. Além disso, também encontra nessas parcerias uma maneira de aplicar sua experiência apoiando a empresa durante a sociedade e aumentando as chances de sucesso do negócio.

Brasil x Exterior

Como já era esperado, o Brasil ainda tem uma visão atrasada e impõe dificuldades para o desenvolvimento e crescimento da prática. Entre estas barreiras estão a falta de proteção e estímulo para investidores anjos, devido a falta de regulamentação em função das singularidades das startups em termos de questões jurídicas. Isso acarreta em um risco potencial adicional, pois além arcar com a perda do investimento, os investidores podem  ter de arcar com outros passivos da empresa, mesmo não tendo envolvimento direto na administração, que por lei prevê que a responsabilidade deve ser limitada ao seu capital social.

Já fora do Brasil o cenário é diferente. Em alguns países existem políticas de incentivo fiscal para investidores anjos. Nesses locais, os governantes entendem que quanto mais investimentos são feitos, maior será a geração de empregos e tributos futuramente. Uma visão muito mais inteligente e de acordo com o nosso tempo, certo?

Silicon Valley – Vale do Silício

Você certamente já ouviu falar do Vale do Silício, ou Silicon Valley, situado na Califórnia, Estados Unidos. Se nunca ouviu falar, tudo bem! Vamos te situar: Trata-se de um polo tecnológico que reúne empresas com objetivo de gerar inovações científicas e tecnológicas. É, sem dúvida, o epicentro mundial das startups inovadoras. Empresas consagradas têm sedes no Vale do Silício, entre elas estão Pixar, NetFlix, Google e Apple. Mesmo que não tenham sido fundadas no local, vale a pena estar por perto. Existe, alguns “ingredientes” concentrados  nesta área que tornam este lugar único e tão interessante para investimentos e fomento à inovação:

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  • Aqui estão, ou para cá virão, as pessoas mais interessadas em empreendedorismo de todo o mundo; seja você um investidor ou um visionário.
  • Incontáveis investidores que querem fazer parte deste ciclo inovador e estão ávidos para embarcar em novos negócios e promissoras empresas.
  • Profissionais, de diversas áreas e formações, altamente qualificadas querendo embarcar em negócios inovadores como funcionários, formando uma equipe bem preparada.

Essa junção de fatores só pode ser positiva. Pense bem: Empreendedores de altíssimo nível formando equipes altamente qualificadas e com investidores “fortes” e interessados, a probabilidade do negócio dar certo é exponencialmente aumentada. Porém, nem tudo são flores no Vale. Apesar de ser um ambiente extremamente colaborativo, é também um local muito competitivo, pois as barreiras à entrada são muito pequenas. Assim, conquistar destaque e sucesso dentre tanta gente qualificada e estruturada é um enorme desafio.

São Pedro Valley

Como consequência do desenvolvimento tecnológico nas últimas décadas em nosso país, observamos a aparição e o crescimento dos investimentos anjos no Brasil. Por aqui, mais precisamente na cidade de Belo Horizonte, surge o polo para empreendedores das startups nacionais no bairro São Pedro. Apelidado de São Pedro Valley, uma brincadeira com menção ao famoso Vale do Silício, o local abriga atualmente 63 startups que formam nosso vale de inovação. Nele, o grande objetivo é trocar experiências e conhecimento, não sendo apenas uma maneira para captar recursos.

A boa notícia é que da mesma maneira que o Vale do Silício, o San Pedro Valley também vai poder contar com apoio governamental. O governo do Estado de Minas Gerais vai ajudar as startups locais por meio um programa chamado Startups and Entrepreneurship Ecosystem Development (SEED). Com ele, as empresas vão poder contar com apoio financeiro e mentores para impulsionar os negócios.

Alguns números comparativos:

Em 2013, segundo pesquisas, havia cerca de 6.500 anjos investindo R$ 2,6 bilhões no Brasil. Enquanto isso nos Estados Unidos: somavam-se 298.800 anjos investindo U$ 24,8 bilhões, de acordo com a UNH Center for Venture Research. Entre outras razões, este abismo entre os números se dá pelo baixo desenvolvimento da cultura empreendedora no Brasil. Que por sua vez, fica engessada pelo alto custo imposto pela nossa elevada taxa básica de juros. Com isso, para que possamos alcançar estes patamares de investimento anjo, será necessário a criação de políticas públicas e outros estímulos para desenvolver a cultura e a educação empreendedora no Brasil.

A nova Lei de Investimento Anjo

investidor anjoA Lei Complementar 155/2016, em vigor desde o início de 2017, estabelece algumas regras de funcionamento do investimento anjo para as microempresas ou empresas de pequeno porte no Brasil. Com a finalidade de incentivar as atividades de inovação e os investimentos produtivos, a nova lei pode ser um facilitador para empresários que buscam recursos no desenvolvimento de uma startup. A nova lei pode gerar benefícios para o empreendedor e o investidor. A principal novidade é a distinção entre investimento anjo e participação societária, ou seja,  o investidor anjo não vem a ser sócio da empresa. Este detalhe representa importante garantia para investidores, que com a lei, não ficam responsáveis por obrigações da empresa. Por exemplo: o investidor não pode arcar com uma dívida trabalhista ou fiscal da startup. Assim, a Lei Complementar 155/2016 contribui para a relação entre empreendedor e investidor anjo. A startup conquista proteção contra interferências externas e, ao mesmo tempo, torna-se um local mais seguro para investimentos.

O que atrai um investidor anjo?

Geralmente, o momento em que o investidor anjo entra em um negócio é na fase em que a startup já tem algo definido, ou seja, ela deixa de ser uma “ideia” e passa a ser um protótipo já estabelecido. Assim sendo, o investidor anjo é o agente responsável por acompanhar o processo de concretização do negócio aliado à viabilização ao mercado. Conforme o negócio siga e vá se desenvolvendo, será necessário a captação de mais recursos e, portanto, a procura por mais investidores. Como já citamos, na fase de gestão de recursos podem surgir os chamados fundos “semente” (seed), que são aqueles que investem nessas empresas junto com o investidor anjo.

Na hora de buscar e conquistar um investidor há quatro quesitos fundamentais para que um negócio atraia a atenção do investidor:

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  • Inovação – É justamente a diferenciação que vai gerar um potencial de crescimento ao negócio. Nesse caso, inovação significa fazer algo diferente ou de uma forma diferente, mas não necessariamente a criação de algo novo.
  • Escalabilidade – Para resumir: é o potencial que o negócio tem para crescer independentemente de investimentos e uma equipe especializada.
  • Mercado amplo – Um mercado muito pequeno ou limitado consequentemente irá limitar potencial crescimento ou ganho futuro.
  • Empreendedor engajado – Atributo importantíssimo para o negócio dar certo. Lidar com um empreendedor que seja capaz de transformar sua ideia em realidade é mais valorizado pelo mercado do que um uma ideia sensacional sem um plano de implementação, ou seja, que não consiga ser colocada em prática.

O empreendedor deve estudar e procurar compreender de que maneira o investimento anjo poderá ajudar no seu crescimento. Além disso, também deve realizar uma preparação própria a fim de atender aos requisitos que serão feitos pelo investidor. Ele deve apresentar uma degustação/protótipo ou prova de conceito do serviço principal com a finalidade de mostrar ao investidor que há mercado potencial para aplicação do produto. Para seduzir o potencial investidor, o empreendedor poderá realizar uma apresentação do modelo de negócio, exemplificando como o produto ou serviço vai se comportar ou atender o mercado, e também questões como receita, faturamento e o investimento que será necessário. O investidor anjo pode até ser alguém do círculo do empreendedor. Há outras maneiras de acha-los, como encaminhar o projeto para as redes de investidores anjos. Ainda é possível participar de eventos e concursos para apresentação do modelo de negócio da empresa, com maior visibilidade e expectativa de atrair um investidor.

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