É uma boa ideia investir na Vale?

É uma boa ideia investir na Vale?
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Será que Investir na Vale é uma boa ideia?

Já houve tempos em que fazer tal pergunta seria uma espécie de heresia. Em 2011, por exemplo, a companhia contabilizava uma valorização acima de 800% num período de 10 anos. Isso, após a crise de 2008/09.

Porém, desde a fatídica queda do preço das commodities em 2013, que abalou fortemente o Brasil, econômica e politicamente, com a queda pela metade da cotação do minério de ferro, principal produto da companhia, que produz o melhor ferro do mundo, uma série de episódios abalaram a confiança em seu futuro.

Desde então, duas tragédias ambientais, decorrentes de graves omissões da Vale, Mariana e Brumadinho, abalaram fortemente a confiança dos investidores. Após a queda da barragem de Brumadinho, a empresa perdeu 25% do seu valor de mercado, de R$ 296 bilhões para R$ 223,4 bilhões. Toda essa perda aconteceu só em 2018.

Antes da queda de Brumadinho, a cotação das ações da Vale na B3 chegou a R$ 56,15. Em 8 de agosto de 2019, a ação era negociada na casa dos R$ 47,00.

Há alguns analistas que avaliam que o preço justo da ação pode ser superior a R$ 80,00, que pode ser alcançado em 2020.

É preciso explicar que esses analistas se baseiam em fatos até consistentes, uma vez que a companhia e o mercado terão tido tempo para assimilar os enormes passivos contraídos em função da sequência de tragédias.

Recentemente, a companhia sofreu bloqueios judiciais de R$ 11 bilhões, referente a indenizações pela tragédia de Brumadinho. Além dos R$ 11 bilhões, a Vale foi condenada a pagar mais R$ 1,6 bilhão para indenização e assistência aos empregados e terceirizados que trabalhavam no Córrego do Feijão.

A companhia retraiu seus investimentos em 2018 em 1,64% e, para agravar o clima de desconfiança, anunciou que não pagará dividendos aos acionistas no final daquele ano. Trata-se de uma medida de cautela e prevenção, o que gera ainda mais desconfiança quanto ao destino da companhia.

Os dividendos pagos pela Vale eram um dos grandes atrativos para os investidores. Em 2018, antes da suspensão do pagamento de proventos, a companhia pagou R$ 13 bilhões, um dos maiores valores históricos.

 

O que pode acontecer no futuro da Vale?

 

O que pode acontecer com o futuro? Essa é a pergunta que todo investidor deve fazer antes de tomar uma decisão sobre investir ou não na Vale.

Em primeiro lugar, vamos um pouco mais fundo nas más notícias. Na primeira semana de agosto, as ações da Vale tiveram queda na casa dos 3,5%. A razão foi o nervosismo dos investidores com as retaliações da China aos produtos agrícolas dos Estados Unidos.

Você deve estar se perguntando que relação tem isso com uma empresa mineradora do Brasil. Pois é, podemos imaginar milhões de cenários, por exemplo, a partir do alinhamento político do Brasil com os Estados Unidos ou do abalo que a economia estadunidense sofreria com a redução das exportações para a China, provocando um efeito em cadeia, que poderia afetar o preço do dólar, etc, etc.

acoes da vale

É verdade que, como exportadora de minérios, líder em ferro e níquel no mercado mundial, a Vale está fortemente sujeita aos movimentos causados pelas decisões políticas e reviravoltas econômicas no cenário internacional. Isso fará, fatalmente, com que as suas ações oscilem fortemente ao sabor das intempéries.

 

Como sempre dizemos aqui, tudo isso é muito importante, mas importante mesmo é a solidez da companhia. Nessa hora, devemos olhar outros dados do mundo real, só que bem mais realistas. A companhia obteve lucro de R$ 6,86 bilhões em 2018, superando em 24,6% o lucro obtido em 2017. Quanto às receitas da companhia, cresceram 7,7% no mesmo período.

Nesse mundo mais realista, a Vale, no final de 2018, comprou a New Steel, cujo negócio é o desenvolvimento de tecnologias inovadoras para o beneficiamento de minério de ferro. A lógica do negócio é aumentar a produção de minérios menos poluentes, de melhor qualidade. O investimento de R$ 1,95 bilhão tem destino certo: o mercado Chinês. É que a China vem investindo no combate a poluição, o que significa comprar minério de melhor qualidade para sua indústria.

O setor mineral passa longe de atender exclusivamente à produção de combustível para a indústria. O níquel, metal em que a Vale é líder mundial, está presente no recobrimento de outros metais, em ligas metálicas, baterias, em vidros e na produção do pó de níquel.

Os investimentos da Vale vão além dos minérios. A empresa desenvolve estruturas de logística em vários países onde atua, como Brasil, Moçambique, Indonésia, Argentina e Filipinas. Uma das joias da coroa é o navio Valemax, um dos maiores mineraleiros do mundo. Toda essa estrutura integra o patrimônio da companhia.

 

Vale a pena investir?

 

A grande verdade é que, no mundo real, a empresa vai bem. Não é por outra razão que alguns analistas preveem que as ações da companhia decolem, no mínimo, para o patamar de janeiro de 2018, antes de Brumadinho.

Podemos dizer, portanto, que há bons indicadores de que as ações da companhia recuperarão, pelo menos, parte do seu valor. A questão toda é a relacionada aos dividendos. Dificilmente, um investidor de longo prazo fará uma compra sem levar em conta os proventos pagos pela empresa. Nesse caso, devemos ficar tranquilos quanto a determinadas medidas. Elas devem ser temporárias, até porque a própria legislação obriga as empresas a pagarem pelo menos 25% dos lucros em dividendos.

De qualquer forma, a cautela é recomendada nessa hora. Com a tensão econômica entre China e EUA e o Brasil atolado, sem que a economia saia do lugar, é sempre bom lembrar que as ações alcançaram patamar próximo aos R$ 14,00 em 2016. O melhor, para quem pretende investir no longo prazo, é esperar todo esse caminho mostrar onde vai dar.

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