A Bolsa de valores no Brasil: O que é, qual sua história e como funciona?

A Bolsa de valores no Brasil: O que é, qual sua história e como funciona?
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bolsa de valores Brasil

Todo investidor está completamente habituado a acompanhar tudo que ocorre na Bolsa de Valores. E mesmo para quem não tem qualquer ligação mais profunda, é bastante provável que já tenha ouvido, ao menos uma vez, notícias sobre a Bovespa, a bolsa de valores brasileira, ou conversas e debates sobre o assunto. Se você gosta do tema ou tem pretensões de realizar investimentos provavelmente deve estar se fazendo a pergunta clássica: Como investir na Bolsa de Valores? Neste post, gostaríamos de fazer uma viagem no tempo para mostrar o surgimento e a história da Bolsa de Valores no Brasil para que tenha um conhecimento diferenciado ao dar os primeiros passos no mercado e iniciar sua trajetória como investidor. Não se engane investir não se trata apenas de lidar com cifras e ações, o conhecimento sobre mercados e funcionamento desse mecanismo são grandes aliados para suas decisões futuras. Grandes investidores e figuras notáveis do mercado financeiro foram verdadeiros estudiosos e, muitos deles, verdadeiros acadêmicos. Mas, não se sinta pressionado porque estamos falando de ícones como Warren Buffett e Benjamin Graham. A ideia que queremos passar é de que conhecimento é simplesmente fundamental para traçar boas estratégias e tomar decisões mais embasadas e inteligentes para gerir seus investimentos com boas perspectivas de negócios.

Por isso, além de contar um pouco sobre a história da Bolsa de valores, vamos falar também sobre como a bovespa funciona e o processo pelo qual ações e outros valores mobiliários são negociados por meio dela.

 

Como surgiu a Bolsa de valores do Brasil

O sistema financeiro surgiu no Brasil a partir da segunda metade do século XX, quando alguns homens começaram a exercer o trabalho de banqueiros e corretores financeiros com foco em crédito. Não havia qualquer tipo de regulamentação por aqui. O surgimento da Bolsa de Valores está diretamente ligado a este momento, em meados de 1845, quando a atividade foi regulamentada. Porém, a data considerada como ponto de partida do funcionamento da Bolsa veio apenas em 1876, quando foi decretada a cotação de títulos em um pregão – daí surgiu a Bolsa de Valores do Rio de Janeiro. A partir disso, houve um decreto federal que incumbia o Poder Executivo de realizar a regulamentação dos corretores e das operações financeiras. Isso foi um fator preponderante para impulsionar maior confiança nas atividades realizadas no mercado da bolsa de valores. No ano de 1897, foi expedido um decreto no qual estava estabelecida a regulamentação da Bolsa de Valores e corretoras financeiras. Porém, o decreto era válido apenas para o Distrito Federal, Rio de Janeiro na época, e não valia para os outros estados da nação. Vamos avançar um pouco a frente e falar sobre o surgimento e desenvolvimento da Bolsa de Valores de São Paulo, a Bovespa – que atualmente centraliza as atividades do mercado financeiro no território brasileiro.

A História da Bovespa

Antes de falar de seu surgimento histórico, é preciso situar o leitor quanto ao que representa atualmente para nosso país este mecanismo financeiro. A Bovespa está localizada na capital paulista e fica situada no centro da megalópole. Estamos falando de uma entidade autorreguladora que opera sob a supervisão da Comissão de Valores Mobiliários – CVM. A Bolsa de Valores Bovespa é simplesmente nosso principal mercado de negociação de ações das empresas existentes no Brasil. Além disso, é reconhecidamente a  maior bolsa de valores da América Latina e a oitava maior do mundo. Não é pouca coisa, não é mesmo?

Bovespa

Linha do Tempo:

  • 1820 – É criada a bolsa de valores do Rio de Janeiro
  • 1845 – Criada a primeira sede da bolsa de valores do Rio de Janeiro -BVRJ
  • 1890 – Emílio Rangel Pestana funda a chamada Bolsa Livre – considerada por historiadores como o embrião da Bolsa de Valores de São Paulo.
  • 1891 – Um ano após sua abertura, a Bolsa Livre é fechada devido à crise econômica do Encilhamento.
  • 1895 – O progresso do mercado financeiro brasileiro é retomado e quatro anos após o fechamento da Bolsa Livre é inaugurada a Bolsa de Fundos Públicos de São Paulo.
  • 1934 – Com sede no  Palácio do Café, seu nome muda para Bolsa Oficial de Valores de São Paulo.
  • 1966 – Surge a figura dos Operadores de bolsa e das corretoras de Valores. A Bolsa passa a utilizar o nome de BOVESPA. 
  • 1968 – É criado o índice Ibovespa, formado pela cotação média das ações com maior volume de negociação na bolsa. 
  • 1989 – A Bovespa se tornar a entidade líder na negociação de ações no Brasil após a quebra da bolsa de valores do rio de janeiro, após disputa com o investidor Naji Nahas
  • 1999 – Surge o Home Broker, modernizando o processo de negociação com ações no Brasil
  • 2007 – A Bovespa abre o capital e passa a se tornar uma empresa, captando 6,6 bilhões de reais no processo. 
  • 2008 – Ocorre a fusão entre a Bovespa e a Bolsa de Mercadorias e futuros (BM&F), passando a se chamar BM&F Bovespa

Nos anos 1960, existiam ao todo vinte e sete bolsas de valores espalhadas pelo território nacional. As bolsas pertenciam aos governos estaduais e seus membros eram compostos por corretores. Estes cargos eram nomeados por agentes públicos. Portanto, as bolsas de valores, inclusive a de São Paulo, eram consideradas entidades oficiais corporativas, que por sua vez, estavam vinculadas às secretarias de finanças estaduais – atualmente denominadas Secretarias de Fazenda. Uma significativa mudança se deu nos anos de 1965 e 1966: as bolsas passaram a assumir características institucionais, ou seja, se tornam associações civis sem fins lucrativos, com importante ganho de autonomia patrimonial, financeira e, principalmente, administrativa.  As mudanças citadas anteriormente são consequências diretas das reformas do sistema financeiro nacional.  Outra grande mudança que passou a ser observada foi a substituição da tradicional figura do corretor individual, profissionais autônomos que agiam sob a confiança de seus investidores. Agora surgia a figura das corretoras de valores, empresas especializadas em gerar este tipo de serviço, sob a forma de sociedades ou pela participação de cotas sob responsabilidade limitada. Em 1967, a entidade financeira paulista passa a se chamar Bolsa de Valores de São Paulo.

Finalmente chegando ao ano 2000, todas as Bolsas espalhadas pelos estados do Brasil são integradas. Assim, a Bovespa passa a concentrar todas as negociações mercadológicas do país, enquanto as demais bolsas seguem com suas atividades locais, prestando serviços em desenvolvimento das praças locais.

Posteriormente, a Bovespa passaria por mais algumas modificações: Em 2005, é decretado o fim de uma era. A do  pregão viva voz da Bovespa. Assim, a Bolsa se torna totalmente eletrônica. No ano seguinte, em 2006, começa a operar ações apenas em pregão eletrônico doméstico. Fique atento para esta data: em 26 de março de 2008 a Bovespa realiza o anúncio oficial sobre o processo de fusão com a BM&F. Esta nova instituição que surgiu a partir da fusão entre Bovespa e BM&F é considerada a terceira maior do mundo e a segunda da América em valor de mercado.

 

Como funciona a Bolsa de Valores?

 

Agora que você já sabe um pouco mais sobre a história da Bolsa de Valores, chega a hora de entender um pouco mais sobre como essa Instituição funciona, ou seja, como as ações são negociadas, como os agentes e instituições operam nesse mercado, e um pouco sobre o que você precisa para começar a negociar com ações na bolsa de valores.

Podemos imaginar a bolsa de valores como um hub que centraliza todas as negociações com ações e outros valores mobiliários, como títulos de renda fixa, commodities, entre outros. A vantagem da centralização se dá especialmente para garantir a diminuição dos custos de transação na compra e venda de ações assim como a diminuição do risco moral corrido por cada investidor individual.

Essas vantagens ficam bem fáceis de ser entendidas se imaginarmos um cenário no qual não exista esse ambiente centralizado que chamamos de bolsa de valores. Se você quisesse comprar uma ação de uma determinada empresa, por exemplo, primeiro teria que envidar esforços e tempo para achar alguns atuais titulares dessas ações que pudessem ser potenciais vendedores dessas ações, o que aumentaria de cara o seu custo na compra. Além disso, sua única garantia de que aquelas ações fosse válidas e que a transferência tivesse se concretizado seria a palavra do atual titular.

Bovespa          Como é possível imaginar, esse tipo de operacionalização torna muito mais difícil que o mercado financeiro flua livremente e possa se desenvolver constantemente em condições ideais, daí a imensa vantagem de centralizar as negociações através da bovespa. Com esta, não apenas é muito mais fácil que você encontre um potencial vendedor para uma ação que deseja comprar – e vice versa – como a segurança da transação é muito maior, já que o sistema da Bolsa de valores garante que o vendedor receba sempre o dinheiro pela venda e que o comprador de fato receba as ações que adquiriu, que ficam sob custódia de uma instituição especialmente criada para isso, a companhia brasileira de liquidação e custódia, ou CBLC.

O mercado primário e o mercado secundário da bovespa

As operações de compra e venda de ações na bolsa de valores podem ser divididas basicamente em duas esferas: O mercado primário da bolsa e o mercado secundário. Quando uma empresa decide abrir o seu capital, ou seja, passar a ofertar suas ações ao publico investidor em geral, e não apenas entre o grupo fechado de sócios atuais, ela faz o que chamamos de um IPO (Initial public offering).

Através do IPO, a empresa lança suas ações no mercado e, em geral, diversas instituições financeiras participam da operação, dentre as quais as corretoras de ações, que se encarregam de vender aquelas ações recém-nascidas para os primeiros investidores, que passam a se tornar acionistas. A empresa então recebe o dinheiro proveniente dessa venda maciça de ações. A isso damos o nome de mercado primário

bovespaJá o mercado secundário é o que normalmente todos pensam quando se falar em bolsa de valores. Um investidor negociando ações diretamente com outro investidor, tendo como intermediário a Bovespa, que garante sempre que o vendedor receba o dinheiro e o comprador as ações. Hoje em dia, todas essas negociações ocorrem pela internet através do Home broker, uma plataforma projetada especialmente para isso. Cada corretora possui o seu Home broker.

As ações na bolsa são negociadas exclusivamente por meio das corretoras, portanto é funadamental que você escolha uma corretora de ações que possua um bom Home Broker com alto desempenho, especialmente se você pretende realizar day trading ou outras operações de curta duração.

Ao operar na bolsa de valores você também fica sujeito a algumas taxas. Uma delas é famosa taxa de corretagem, cobrada pelas corretoras sempre que você realiza uma transação, seja comprando ou vendendo ações. Outra taxa cobrada pelas corretoras, embora menos conhecida, é a taxa de custódia, devida em função da guarda das ações de titularidade do investidor. Algumas corretoras optam por não cobrar a taxa de custódia caso o investidor tenha realizado negociações com ações naquele mês.

Outra taxa obrigatória é a taxa de emolumentos, cobrada pela própria bolsa de valores geralmente sob a forma de um pequeno percentual sobre o valor da transação realizada.

A Bolsa de valores Hoje

Em 2017 a BMF&Bovespa se fundiu com a cetip-  central de custódia e liquidação financeira de títulos, entidade responsável em grande medida pela operacionalização do mercado financeiro brasileiro.

Com a aprovação da Fusão pela CVM e pelo CADE, a bolsa passa a se chamar B3 – Brasil, bolsa, balcão. A B3 então se torna a 5ª maior bolsa de valores do mundo, com patrimônio de 13 bilhões de dólares.

Com isso, a bolsa de valores brasileira dispara para se tornar cada vez mais dominantes na américa latina e crescer em relação ao cenário mundial, aumentando ainda mais os potenciais ganhos para os investidores.

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