Coronavírus e bolsa de valores: Vale a pena investir agora?

Coronavirus, bolsa de valores e investimentos

O Coronavírus talvez seja um dos maiores fatos surpresos dessa década, tanto pela sua imprevisibilidade, alguns meses atrás, quanto pelos rápidos impactos socioeconômicos que tem causado. Com as notícias que não param de chegar constantemente sobre novos casos suspeitos e confirmados, além de mortes, que não param de chegar de várias partes do mundo além da China, principalmente de países como Itália, Irã e Coréia de Sul, há o temor real de que o coronavírus possa ocasionar uma pandemia com sérios impactos econômicos, potencialmente causando uma crise global.

coronavirus e bolsa de valores

 

Mas o que há de fatos e o que se deve a especulações ou medo injustificado nessa história? E o mais importante: Será que vale a pena investir na bolsa de valores nesse cenário, ou o coronavírus acabou com as oportunidades de investimento no mercado financeiro? Essa pergunta se torna extremamente importante quando observamos as fortes quedas das bolsas de valores ao redor de todo o mundo, que chegam em muitos casos a quase 10%.

O que é o Coronavírus?

 

Primeiro vamos entender o que é o coronavírus. Trata-se de um vírus da mesma família que o vírus da SARS (Severe Acute Respiratory syndrome, ou síndrome respiratória aguda grave), doença que surgiu pela primeira vez em 2002, e que infectou mais de 8000 pessoas e possui uma letalidade de 10%, tendo matado 800 em todo o mundo. Assim como o coronavírus atual, suspeita-se que a SARS tenha tido origem zoonótica, ou seja, tenha surgido inicialmente a partir de animais, mais especificamente através de morcegos, que transmitiram para uma espécie de gato bastante popular na China.

O Coronavírus, por um lado, possui uma letalidade bem menor, de cerca de 3,4% dos casos, pelos dados que se possui até o momento em todo o mundo. A principal faixa de risco é para idosos acima dos 80 anos, nos quais a taxa de letalidade chega a 15% dos casos, pois um dos principais fatores para a letalidade da doença é a força do sistema imunológico do indivíduo. Por outro lado, a taxa de transmissão do coronavírus é muito mais alta do que o SARS, tendo infectado já 94 mil pessoas no mundo inteiro, com 3221 mortes até o início de março de 2020, o que gera a preocupação com a possibilidade de propagação rápida do vírus para diversos países simultaneamente, causando um cenário de Pandemia.

Os impactos econômicos do coronavírus

 

Com o rápido avanço da doença e todo o alarde mundial, é natural esperar que o mercado comece a responder aos riscos representados pelo coronavírus. Na última semana de fevereiro de 2020, as principais bolsas de valores ao redor do mundo e também a bovespa apresentaram fortes quedas percentuais em resposta ao temos de que o vírus se alastre ainda mais.

O principal gatilho foram as notícias divulgadas pela Itália de que já possuía 220 casos confirmados de coronavírus – 1 semana depois o número de casos já chegou a 2.263, com 79 mortes – o que gerou uma reação em cascata nas bolsas européias, com quedas acumuladas na semana de 12% para a bolsa de Frankfurt e 8% para a bolsa de Londres além de 2,9% em Paris, 3,8% em Milão e 3,67% em Tóquio em um único dia, 4% em Hong Kong e 5% em Shangai.

Além disso, o índice de ações pan-europeu STOXX 600 teve queda de mais de 10% e o índice MSCI, que engloba 1.600 ações de 23 países industrializados acumulou queda de 9,3% na mesma semana.

Com todas essas fortes reações, o temor pelo risco de uma recessão econômica a nível global cresceu vertiginosamente. Mas há necessidade de tanto medo? E se uma crise econômica realmente estiver à vista, o que você deve fazer para se proteger ou quem sabe até se beneficiar da crise com seus investimentos?

 

Vale a pena investir nesse momento?

 

Se você já acompanha o mercado de ações há algum tempo, sabe que existe necessariamente uma diferença entre o que ocorre de fato e como o mercado reage ao que ocorre, entre a realidade e a percepção da realidade. Muitas vezes basta uma notícia suficientemente negativa para gerar uma reação em cadeia e uma queda brusca nos preços das ações. Foi exatamente isso o que aconteceu na última semana de fevereiro, com uma notícia ruim sobre o número de infectados na Itália gerando um efeito manada que ocasionou quedas simultâneas ao longo dos próximos dias em diversas bolsas ao redor do mundo.

Se por um lado o coronavírus gera temores de uma recessão mundial, por outro a queda dos preços de ações no mundo inteiro e na própria bolsa de valores brasileira, que caiu quase 7% em um único dia na última semana, abre grandes oportunidades de investimento para quem pretende investir de fato a longo prazo.

A história nos mostra que é natural uma queda brusca do mercado após um surto de alguma doença, mas que ele sempre tende a se recuperar e, muitas vezes, apresentar uma subida significativamente maior do que a queda após apenas alguns poucos meses.

Veja o gráfico:

coronavirus e bolsa de valores
Performance do mercado de ações global após os grandes surtos das últimas décadas

Como você pode ver, em casos passados como os do Ebola, Zika, Dengue, SARS, gripe suína, gripe aviária, HIV, entre outros, os mercados globais tendem a ter uma forte subida em até 6 meses após o surto na maioria dos casos, ou, no mínimo, começam a ensaiar uma recuperação das atividades.

Será que isso significa que você deve usar todo o seu capital disponível para comprar ações? Não necessariamente, mas apenas que você deve manter a mente calma para fazer uma análise fria da situação, e não se deixar levar pelo clima de desespero que muitas vezes atinge grande parte das pessoas em situações como essa. Muitas vezes, quando você atinge esse estado, vai perceber que existem excelentes oportunidades para serem aproveitada e não é momento de pânico.

Na Bolsa de valores brasileira, por exemplo, observamos diversas empresas com excelentes fundamentos econômicos apresentando fortes quedas devido ao surto, como por exemplo: AMBEV (-18,54%), Ultrapar (-24,47%), Gerdau (-15,56%), IRB (-25,83%), além de várias outras com quedas menores porém ainda significativas. Será que essa não é exatamente a oportunidade que você estava esperando para começar a investir na bolsa?

Teoria monetária e os ciclos econômicos

Costuma-se dizer com bastante frequência que o capitalismo é cíclico, no sentido de que momentos de bom crescimento econômico sempre se alternam com momentos péssimos para a economia, muitas vezes com devastadoras depressões econômicas como a famosa crise de 1929, a crise dos subprime de 2008, e diversas outras, menos famosas, ao longo da história.

Essa suposta natureza cíclica da economia capitalista é utilizada como argumento para defende a ideia de que o capitalismo é um sistema falho, que necessariamente gera pobreza e desigualdade devido aos ciclos de retração. o problema com esse argumento é que ele falha no ponto principal ao não identificar o agente por trás das ações que levam ao ciclos contínuos de expansão e retração: O governo ou, mais especificamente, o Banco central, através de uma política monetária frouxa e emissão frenética de moeda.

A natureza cíclica da economia, portanto, não é algo inerente ao sistema capitalista por si só, mas sim a um capitalismo marcado por forte intervenção estatal no controle da moeda, precisamente o oposto do que o sistema de livre mercado propõe.

Nesse sentido, conhecer as diferentes teorias monetárias mostra-se essencial para entender o porquê crises econômicas surgem com frequência quase previsível e qual a solução adequada.

O surgimento da teoria monetária moderna

A moderna teoria monetária, baseada em grande medida em um afrouxamento da teoria clássica, com a consequente possibilidade de utilização pelo governo da emissão de moeda como forma de intervenção na economia, encontra alguns precedentes em outras teorias monetárias surgidas ao longo do século. A primeira delas, do economista alemão Georg Frederich Knapp, traz pela primeira vez a idéia de que o dinheiro é uma criatura do estado, ou seja, ele provém do estado e não possui valor nenhum por conta própria, derivando o seu valor da confiança dos demais players no cenário econômico mundial no emissor daquela moeda. Mais tarde, essa visão passou a ser conhecida como visão cartalista da moeda.

A teoria monetária moderna, derivando dessa visão cartalista, baseia-se essencialmente na defesa da política fiscal como o instrumento adequado para a promoção do pleno emprego e a utilização da emissão de moeda como forma de custeio do gasto público necessário para tal. Da concepção de que o valor da moeda deriva da confiança no estado emissor, chega-se a conclusão necessária de que ela é um passivo estatal, já que é quase como se o tomador daquele dinheiro aceitasse um papel inútil e sem valor intrínseco apenas pela confiança no seu emissor.

Isso gera um problema conceitual se imaginarmos que o governo, além da moeda, emite títulos públicos para se financiar (ou seja, emite um passivo) e, na hora de pagá-los, se utiliza da própria moeda – que também é um passivo – para pagá-los. Em essência, portanto, o governo nunca paga suas dívidas.

Os ciclos econômicos e as crises

O grande problema dessa teoria é a ideia subjacente de que o governo é a solução para tudo. Todos os problemas da sociedade podem ser resolvidos com gastos públicos, e esses gastos podem ser cobertos com sucessivas emissões de moeda, essencialmente trocando um passivo pelo outro.

É claro que esse tipo de ideia tende a favorecer uma gestão pública totalmente displicente e gastos governamentais crescentes – seguidos de ainda mais emissão de moeda – que em algum momento irão gerar um problema incontornável para a economia, com o colapso do poder de compra da moeda.

O argumento dos partidários dessa teoria é a de que nem sempre o aumento da oferta ou do estoque de moeda necessariamente irá causar inflação. Por um lado, isso pode ser verdade em alguns casos, como foi no caso da recente injeção de liquidez na economia americana feita pelo FED, que não causou aumento da inflação.

Teoria monetária moderna
Ludwig Von Mises

Embora a definição corrente de inflação seja a do aumento do estoque de moeda, a verdade é que esta não é uma definição totalmente precisa. Se utilizarmos a definição de inflação de Ludwig Von mises, um dos maiores expoentes da escola austríaca de economia, veremos que inflação é o resultado de duas condições concorrentes: aumento da oferta de moeda sem que haja aumento na demanda por essa moeda.

Assim, se o governo emite moeda, mas a demanda por essa aumenta de modo concorrente, pois o mercado como um todo também aumentou a produção de bens, buscando vendê-los, então não ocorre inflação.

Acontece que, a longo prazo, considerando que o estado pode sempre emitir moeda indefinidamente, é muito difícil que a demanda por essa moeda sempre aumente de forma concorrente e na mesma proporção, levando fatalmente ao aumento da inflação.

A teoria monetária moderna portanto, com seu perfil altamente heterodoxo, acaba incentivando uma certa atitude de sempre postergar o problema, “empurrando com a barriga” os problemas com mais e mais emissão de moeda, gerando um aumento artificial de liquidez na economia e suposto crescimento econômico, apenas para que a bolha estoure mais a frente e a economia seja jogada em uma vala de grande depressão. Assim, os ciclos de crescimento acelerado/ retração que são observados nas economias modernas se dão exatamente por causa da intervenção estatal demasiada, sempre buscando consertar problemas que nem existiriam em primeiro lugar se não fosse sua própria atuação.

 

O Fed e a injeção de liquidez emergencial na economia

O FED, o banco central, americano, recentemente tomou a decisão de injetar dinheiro emergencial na economia americana, o conhecido Quantitative easing, por meio do qual o banco central compra títulos de bancos privados como forma de fornecer maior liquidez as operações destes últimos e prorrogar ainda mais o atual ciclo de expansão econômica.

Como já tivemos a oportunidade de falar em outros posts, o controle da moeda pelo Banco central é uma das coisas mais nocivas para a saúde da economia a longo prazo. A injeção de liquidez emergencial recentemente anunciada pelo presidente do FED, Jerome Powell, apenas estica ainda mais a expansão artificial do crédito que gera um crescimento artificial, uma bolha econômica que estourará mais cedo ou mais tarde, resultando na próxima crise econômica mundial.

Quantitative easing
Jerome Powell, atual presidente do FED

Os mesmos padrões que precederam todas as crises econômicas anteriores começam a se repetir com cada vez mais intensidade, com o FED tentando de maneira desesperada alongar o atual ciclo de crescimento econômico.

As rodadas de Quantitative easing do FED e a próxima crise global

 

A injeção de liquidez artificial na economia americana durará até pelo menos o segundo trimestre de 2020, segundo palavras do próprio Jerome. Apesar disso, o Banco central americano fez um esforço hercúleo na comunicação a empresa para tentar passar a ideia de que essa compra de títulos em grande quantidade – 60 bilhões de dólares por mês ou pelo menos 540 bilhões de dólares no total – não se tratava de injeção de liquidez por ser composta de títulos de curta duração e não títulos de longo prazo como as outras rodadas de quantitative easing haviam sido, além do que o objetivo não seria o de afrouxar a política monetária, mas sim evitar que suas regras se tornem excessivamente restritivas.

Esse hilário jogo de palavras que não muda em nada o efeito prático das medidas adotadas – aumentar as reservas do sistema bancário, diminuindo as taxas de juros de curto e longo prazo, gerando um novo ciclo de expansão creditícia e crescimento artificial – traz ainda mais pistas sobre o real estado da economia americana e os prováveis próximos cenários.

Se o banco central americano precisa intervir para dar maior liquidez aos bancos – ainda que não admita e tente mudar nomenclaturas para jogar uma cortina de fumaça – há uma imensa probabilidade de que algo não esteja funcionando adequadamente com o mercado interbancário.

A taxa de juros é um dos principais sinais da saúde do sistema bancário e se ela permanece alta o suficiente para provocar uma reação do banco central americano para reduzi-la de modo artificial, temos uma provável conjectura de futura retração econômica. A causa subjacente dessa alta taxa de juros pode se dar, por exemplo, pela concessão de empréstimos de baixa qualidade a tomadores com péssima capacidade de pagamento nos primeiros momentos de bonança financeira e agora esteja tendo dificuldades para se livrar desses títulos, gerando uma crise de liquidez no setor bancário. Independentemente do real motivo, é fato que atacar o sintoma – a taxa de juros – e não o problema de fato não irá funcionar e só aumentará o problema, intensificando a gravidade da próxima crise econômica. De fato, o FED agiu da exata mesma forma nos momentos que precederam o estouro da bolha que culminou na crise de 2008. Quando se une isso a proliferação cada vez mais rápida de títulos com juros negativos nos países europeus, temos o delineamento de uma próxima grande crise.

 

O que é o Conselho Monetário Nacional e qual sua função?

CMN

A definição do que é o Conselho Monetário Nacional é bastante simples. Trata-se de um órgão responsável pela elaboração da política monetária nacional, cuja execução cabe ao Banco Central, cuja direção compõe a mesa do CMN.

O CMN reúne-se uma vez por mês para debater e deliberar sobre a política cambial, de crédito, juros e inflação.

Tudo isso você já deve saber, uma vez que, se chegou até aqui, é porque acompanha o noticiário econômico e já tem uma boa noção de como tudo isso funciona.

É presumível que o propósito de ter chegado até aqui seja aprofundar um pouco mais esse conhecimento, o que é uma atitude louvável, porque conhecer como funciona a economia, como são elaboradas as políticas econômicas e o efeito das mesmas na vida das pessoas é essencial para que sejamos capazes de tomar decisões que vão de onde investir nosso dinheiro a que projetos de governança para o país apoiar.

Sendo assim, vamos aprofundar um pouco mais o tema, tentando evitar o texto frio e sem desdobramentos, buscando fazer com que você realmente consiga perceber como as coisas funcionam.

O papel estratégico do Conselho Monetário Nacional

Antes de explicarmos o que é política monetária, convém que identifiquemos o funcionamento do Conselho Monetário Nacional e a sua composição.

Como já adiantamos, o CMN reúne-se uma vez por mês para avaliar os diversos indicadores e, com base nele, fazer o ajuste das políticas públicas de juros, câmbio, inflação e crédito.

Esse conselho é formado por cinco elementos:

– Presidente do Banco Central;

– Presidente da Comissão de Valores Imobiliários (CVM);

– Secretário do Tesouro Nacional (vinculado ao Ministério da Economia);

– Secretário Executivo do Ministério da Economia;

– Secretário de Política Econômica do Ministério da Economia.

Além desses cinco membros, têm assento à mesa do CMN os diretores do Banco Central, num máximo de quatro, cuja participação é indicada de acordo com a pauta da reunião.

Fazemos questão de identificar os personagens que compõem o CMN para oferecer uma introdução capaz de levar você a compreender a importância da geração de políticas econômicas no âmbito daquele conselho.

Perceba que temos, a cada trinta dias, em Brasília, uma reunião que é, ao mesmo tempo, de planejamento e execução. Vide a forte presença de gestores do Banco Central, que é o principal executor das políticas geradas pelo CMN.

Some-se aos integrantes do Banco Central a presença do presidente da CVM e o secretário executivo do Ministério da Economia. A CVM, como sabemos, é o órgão responsável pelo funcionamento do mercado de capitais, enquanto os executivos do Ministério da Economia respondem pela execução das políticas econômicas em todas as ramificações do espectro governamental.

Conselho Monetario Nacional

As políticas públicas são diretamente impactadas pelas decisões tomadas pelo CMN, razão pela qual o Ministério da Economia tem presença chave dentro do Conselho, ou não haveria uma conexão entre políticas financeiras e a realidade econômica, levando-se em consideração aspectos essenciais da economia real, tais como:

– política de desenvolvimento;

– investimentos em saúde, educação, desenvolvimento científico e infraestrutura;

– consumo;

– política comercial;

– políticas estratégicas.

Da mesma forma, a CVM cuida da segurança do mercado de investimentos, devendo incentivá-los, no que sabemos que as políticas governamentais interferem de forma frontal.

O que é política monetária?

Agora que já pudemos perceber a importância das políticas monetárias para manter o equilíbrio do macrossistema econômico, ficará mais fácil para nós entendermos o que é essa política.

Há três vetores da política monetária, sendo, na realidade, os fatores que são determinados e controlados pelo Conselho Monetário Nacional:

– dinheiro em circulação;

– taxa de juros;

– oferta de crédito.

O dinheiro em circulação é controlado pelo Banco Central, mas a política é definida no âmbito do CMN.

A oferta de moeda é determinada pela liquidez da economia. Quando a economia está forte, com consumo, crescimento do PIB e balança comercial positiva, pendendo para o lado das exportações, a oferta de dinheiro ao mercado aumenta. Quando a situação é inversa, o Banco Central reduz a emissão de dinheiro.

Numa outra linha, a taxa de juros pode ser utilizada para inibir uma demanda excessiva em relação à oferta de bens, o que pode causar dois problemas para a economia:

– aumento de preços no mercado interno com consequente processo inflacionário;

– aumento das importações, pondo em risco o superávit comercial e a manutenção de reservas internacionais.

Como você pode observar, a política monetária tem o propósito de manter o equilíbrio dos fundamentos econômicos a partir do controle de um determinado número de variáveis, o que inclui o crédito, cujo preço é afetado pela alta da taxa de juros, da mesma forma que o governo pode intervir no preço do crédito para o setor produtivo, como ocorre com programas de desenvolvimento econômico, caso da política de crédito agrícola, conhecida como Plano Safra.

Em momentos de desequilíbrio entre demanda e oferta, o governo pode elevar a taxa de juros para o consumidor, mas gerar políticas para incentivar o setor produtivo a investir na ampliação da capacidade instalada, de modo a atender à demanda com ganhos de escala e não aumento de preço.

Mais do que as circunstâncias, as políticas, sejam expansionistas ou contracionistas, são elaboradas com base em metas determinadas pelo CMN, das quais ouvimos falar abundantemente. São elas as metas de inflação, da taxa de juros e a meta fiscal do governo.

Conclusão

Reconhecemos que são muitas informações, mas esperamos ter ajudado você a compreender por que um órgão como o CMN existe e como suas decisões podem afetar, favoravelmente ou não, a economia do país e a vida da população.

 

 

Por que investir em ouro e prata segundo Robert kyosaki

Investir em ouro e em prata

Vamos falar um pouco sobre o que pensa Robert Kyosaki sobre investir em ouro e prata, um tema que certamente deixará sua cabeça fervilhando.

Para quem nunca ouviu falar em Kyosaki, ele é o autor do famoso livro “Pai Rico, Pai Pobre”, a mais aclamada obra do autor, que trata de finanças pessoais.

Donde podemos deduzir o poder que têm as palavras do autor estadunidense, que tem longa experiência como investidor e empreendedor.

A filosofia de Kyosaki estrutura-se sobre um fundamento bastante simples. O que diferencia um rico de um pobre é que o primeiro faz com que o dinheiro trabalhe para si. Dentro dessa lógica, comprar uma casa não é um investimento, mas uma nova despesa, exceto o propósito seja gerar renda passiva e recuperação desse investimento dentro de um prazo.

É ouro ou prata?

Não vamos nos estender tanto na visão de kyosaki sobre finanças pessoais. Fiquemos nas devidas apresentações, sem deixar de lembrar que um dos empreendimentos preferidos do investidor é comprar imóveis, alugá-los e deixar que o inquilino pague as prestações. Concluído o pagamento do financiamento, Kyosaki tem, ao mesmo tempo, o seu investimento pago, um patrimônio e uma renda passiva a receber com alugueis.

Qual o grande segredo do mercado imobiliário? É que esse mercado pode funcionar quase que como uma apólice de seguro diante de momentos de crise, gerando receitas como uma verdadeira vaca leiteira.

É a visão de Kyosaki tem sobre ouro e prata, de acordo com declarações dadas em março de 2016. Ele afirma que encara o ouro menos como um investimento do que como uma medida de gestão de risco.

Acreditava Kyosaki, na ocasião, que o dólar derreteria em pouco tempo, o que, é bem verdade, não aconteceu, pelo menos ainda. Investindo em ouro, teria um ativo cobiçado, que, curiosamente, tem seu valor apreciado ou depreciado no sentido oposto da moeda estadunidense.

Quando o dólar cai, o ouro tende a se valorizar, assim como em ambientes inflacionários e de baixa confiança na economia. É claro que a valorização seria bem vinda, mas o principal, na visão de Kyosaki, seria defender suas posições financeiras.

Ouro x Ações

O autor de “Pai Rico, Pai Pobre” via, na ocasião, o mercado de ações em desconexão com o real valor das empresas, o que tornaria o investimento nesse mercado, pensando no longo prazo, uma incoerência.

Investir em ouro e prata

Na mesma época, a taxa básica de juros nos Estados Unidos, país de origem do investidor, era negativa, o que levou Kyosaki a afirmar que, se alguém estava economizando dinheiro naquele quadro, estaria cometendo uma loucura.

É preciso, no entanto, analisar em que contexto a análise é feita, lembrando que o mercado a que se refere é o dos Estados Unidos, onde o investimento em ações é um forte traço cultural e grande parte da população investe no mercado de capitais, diferentemente do Brasil, onde o baixo contingente de investidores, com forte presença de interesses estrangeiros, gera volatilidade bem maior que no mercado daquele país.

Haveria, no entanto, uma contradição quando Kyosaki afirma que prefere o ouro, um ativo que não gera remuneração passiva, à ação de uma companhia boa pagadora de dividendos, principalmente em se tratando de alguém que investe em gerar esse tipo de renda com imóveis?

Vale ressaltar que o autor refere-se ao mercado e não a empresas individuais. Imagine que o valor médio das ações do Ibovespa seja mais de três vezes o valor médio do Patrimônio Líquido das companhias que compõem a carteira.

Tal quadro aponta para um mercado apreciado. Será que os fundamentos desse mercado justificam tamanho otimismo? Teríamos que estar falando de um ambiente de crescimento da economia mundial, quando nem mesmo a brasileira consegue subir um degrau de escada.

Diante de tal cenário, não é nenhum absurdo imaginar que em algum momento uma crise derrube todos os preços. É claro que se você investiu na empresa, em seus fundamentos, não venderá as ações em baixa, levado pelo pânico, que é o que a maioria das pessoas faz. A história mostra que as ações das empresas cujos fundamentos são sólidos acabam recuperando o seu valor, já que continuam gerando receitas, lucro e crescimento dos ativos.

A questão é que, ao comprar uma ação muito acima do valor justo, você ficará em desvantagem no caso de depreciação de seu valor de mercado, mesmo recebendo dividendos.

Esse é o quadro apontado por Kyosaki, aquele em que os fundamentos econômicos são ruins, em que há muito receio e aversão a riscos. Nessa hora, o ouro, um ativo forte, assim como a prata, é uma proteção, devido à sua baixa adesão às crises, para o dinheiro do investidor.

Muito embora, devemos ressaltar, a finalidade maior seja defender o patrimônio, a grande verdade é que em momentos de crise a busca pelo ouro aumenta, elevando o preço do metal, estando nesse movimento uma oportunidade de obtenção de altos ganhos com a venda das reservas pessoais.

Vamos a um exemplo? Quem comprou ouro no início do século XXI, pagou entre US$ 300,00 e US$ 500,00. Na onda da crise financeira de 2008, o preço do ouro chegou a alcançar US$ 1,9 mil. Quem aproveitou esse movimento e vendeu suas reservas realizou um lucro, numa visão bem pessimista, na faixa dos 300%.

A mesma coisa aconteceu com a prata no mesmo período, o que leva à conclusão de que os metais estão sujeitos a terem seu valor movido, para cima ou para baixo, pelas ondas especulativas, mas há uma certa lógica nesses movimentos, levando em conta que o ouro é um ativo durável, portável e universalmente aceito como valor.

Nesse sentido e, considerando a possibilidade real de uma nova crise global de grande porte no futuro próximo, investir em ouro e prata pode ser uma excelente defesa para o investidor médio.

Qual a função do Banco Central?

BANCO CENTRAL

Todos nós já ouvimos falar muito de Banco Central. O BACEN está em nosso dia a dia, sobretudo no noticiário sobre economia, devido ao papel que exerce em diversos aspectos da vida nacional.

As decisões do BC afetam nosso dinheiro e até nossas perspectivas de emprego, renda e progresso financeiro. Mas qual a razão de tanto poder?

Na verdade, o Banco Central faz parte de um tipo de organização muito comum em instâncias governamentais. Ele é uma ferramenta constitucional, cujas atribuições e estrutura estão previstos no artigo 192 da Constituição Federal de 1988.

Banco Central

Sua criação, não obstante, é anterior à última Carta Magna, datando de 31 de dezembro de 1964, durante o governo Castello Branco. Surgiu na forma de autarquia federal, integrando o Sistema Financeiro Nacional (SFN).

Em 1985, as contas do Banco Central foram separadas das contas do Banco do Brasil e do Tesouro Nacional. Posteriormente, o BC foi substituindo o Branco do Brasil como principal autoridade em política econômica no SFN.

Sediada no DF, a autarquia é vinculada ao Ministério da Fazenda, o que define claramente seu papel político, apesar do caráter técnico de suas atribuições, como veremos mais à frente. O presidente do BACEN, assim como o Conselho Diretor, é escolhido pelo Presidente da República e submetido à aprovação do Senado Federal.

A melhor forma de definir as funções do BC seria atribuir a ele o papel de executar políticas geradas no âmbito do Conselho Monetário Nacional (CMN), mas mesmo essa definição não seria capaz de esgotar o papel e importância do Banco Central na economia nacional, pois parte das políticas executadas são elaboradas pela própria instituição.

Pode-se, em resumo, afirmar que o BC tem o papel de assegurar a estabilidade e promover o aperfeiçoamento do sistema financeiro nacional, razão pela qual é chamado de banco dos bancos.

Cabe-lhe, também, assegurar a liquidez da economia, mantendo as reservas internacionais em nível adequado, estimular a poupança, manter a estabilidade da moeda, garantindo seu poder de compra, e manter a liquidez da economia nacional.

Deve ficar claro para o leitor que o foco da instituição está voltado para dois aspectos básicos:

– política monetária;

– política de crédito.

São, não obstante, dois pontos fulcrais, que impactam toda a economia. A política monetária é responsável pelo valor da moeda internacionalmente, influenciando os preços de importação, exportação e turismo, equilibrando ou desequilibrando os interesses dos diversos setores da economia.

Do ponto de vista do crédito, sabemos da importância do mesmo para a expansão de uma economia local. Além de estimular o consumo de bens duráveis, de alto valor agregado, o crédito barato incentiva o investimento do setor produtivo, ampliando a produção e o PIB nacional, além de aumentar os itens de exportação, que contribuem para a melhora da balança comercial.

Com uma balança comercial pendendo para o lado das exportações, o país acumula divisas em dólar, que é a moeda corrente no mercado internacional, valorizando-se o real frente à moeda estadunidense e também às de outros países.

Perceba que em todo esse processo o BC está presente, buscando estabelecer um equilíbrio favorável à economia do país entre aspectos econômicos como:

– política monetária;

– crédito;

inflação;

– preços;

– dívida pública;

– consumo;

– reservas cambiais.

Devido às suas múltiplas funções dentro do espectro econômico, o Banco Central concentra uma variada e valiosa gama de informações, que, devidamente utilizadas, podem contribuir para respaldar decisões e políticas governamentais.

Como sabemos, decisões estratégicas precisam ser tomadas com base em dados, informações e indicadores.

Regulação do Sistema Financeiro

Sem dúvida alguma, a regulação do Sistema Financeiro Nacional é uma das atribuições mais importantes do BC.

Além de receber reservas dos outros bancos, o BC fornece crédito, opera o Sistema de Transferência de Reservas (STR) e vigia o Sistema Brasileiro de Pagamentos (SBP) além de ser interventor em caso de problemas de liquidez de qualquer instituição financeira, podendo conceder crédito provisório a essa instituição, preservando, assim, a confiança no sistema financeiro local, o que acontece, também, com os Bancos Centrais de outros países.

O BC é, na verdade, a instituição responsável por elaborar políticas e normas para o funcionamento do setor, prevenindo e fiscalizando práticas financeiras e cambiais ilícitas. É o BC que faz a emissão dos normativos.

É por meio do controle exercido, inclusive por meio dos depósitos mantidos pelas instituições financeiras junto ao BC, além de outros mecanismos, que o Banco Central é capaz de fornecer ao governo relatórios, estudos e indicadores acerca do potencial de expansão da oferta de crédito pelo sistema bancário, auxiliando na elaboração de políticas cíclicas, de modo a evitar a falta de liquidez e a quebra do sistema.

Uma das políticas para manutenção da liquidez é o redesconto, um mecanismo por meio do qual o banco com problemas de liquidez troca os títulos do depósito compulsório por moeda. Cabe ao BC, nesse caso, garantir que esse modelo de crédito seja emergencial, sendo necessário ter indicadores que mostrem que o banco tem fundamentos que lhe permitam retomar, dentro de um prazo razoável, determinado pelo BC, o equilíbrio entre depósitos, crédito, receitas, dívidas e patrimônio líquido.

Além de regular o sistema financeiro, o BC regula, também, a execução da política orçamentária do Governo Federal e atua na distribuição de títulos do Tesouro Nacional, por meio de leilões públicos.

Aliás, cabe ao BC fiscalizar as finanças públicas, de um modo geral, o que inclui os estados e municípios, emitindo os títulos do Tesouro para financiar os investimentos e a dívida pública.

Política Cambial

Você já deve ter ouvido muitos debates sobre qual o melhor sistema de câmbio. Fixo ou flexível?

É o BC quem tem todas as informações e instrumentos para definir qual a melhor política cambial para o momento. O câmbio fixo é aquele em que o BC é obrigado a ter um papel de interventor, já que é preciso dar sustentabilidade a um valor previamente fixado para a moeda nacional no mercado internacional.

O Brasil já atuou dessa forma, principalmente em épocas em que era necessário indicar ao mercado a existência de uma moeda nacional forte, de modo a controlar os preços e a inflação. Posteriormente, com o crescimento da economia e multiplicação das reservas cambiais na primeira metade do século XXI, o BC adotou o câmbio flexível.

Esperamos que você tenha, a partir desse texto, tido uma ideia de como funciona o BC e a economia brasileira. É importante para quem quer investir desenvolver esse conhecimento, pois as questões macroeconômicas interferem direta e/ou indiretamente nos resultados dos seus investimentos.

Por que o processo de inflação ocorre?

À luz dos mais básicos fundamentos econômicos, podemos afirmar que a inflação é a consequência do desequilíbrio entre a oferta e a demanda, com a balança pendendo para o lado da segunda.

Em outras palavras, se existe uma procura por um produto que represente 135% da demanda, é natural que imaginemos que o produtor daquele item vá aumentar o preço, de modo a usar esse desequilíbrio para aumentar suas margens.

Não quer dizer que isso, necessariamente, vá acontecer. A outra opção pode ser investir na ampliação da capacidade de produção, de modo a atender à demanda. Nesse caso, o desequilíbrio entre oferta e procura seria um bom indutor de crescimento da economia local, uma vez que geraria aumento de produtividade, geração de renda e consumo.

Já deu para perceber que não é tão fácil quanto parece explicar como acontece o processo inflacionário. Entre muitas possíveis causas de uma escalada inflacionária podem estar as variações cambiais. Quando o real esteve valorizado em relação ao dólar, na década passada, era comum vermos um grande contingente de brasileiros fazendo viagens turísticas ao exterior.

Com a desvalorização gradativa do real, haveria, pelo menos em tese, uma inversão dessa tendência. Com o dólar custando o dobro do que custou naquele período, pessoas perderiam a motivação com as viagens para fora do país, o que levaria a um aquecimento da demanda interna, que já era alta, devido à vocação turística brasileira. Isso levaria, em tese, a um aumento de preços.

Só que esse aumento de preços pode não acontecer em virtude da perda de poder de consumo da população. Em outras palavras, você pode perceber que nenhum fator funciona sozinho como indutor de um processo inflacionário. É preciso que haja uma conjuntura favorável à ativação desse processo.

InflaçãoHá aspectos da economia local que impactam de forma mais dramática os preços em cadeia nacional. É o que acontece quando temos um aumento brusco de custos com petróleo e energia. São custos que impactam toda a cadeia de valor, aumentando o custo com transporte de mercadoria, o custo de produção e até o custo operacional de empresas de diversos setores, além do impacto direto no preço de produtos fabricados com derivados do petróleo.

Tudo pode mudar, no entanto, se esse aumento ocorrer de forma concomitante a uma escalada recessiva, que leva à queda do consumo. Nesse caso, para não serem obrigadas a reduzir a margem de lucro, empresas do setor podem optar por reduzir a produção, o que tende a gerar mais desemprego e recessão.

Sendo assim, podemos afirmar que o processo inflacionário acontece quando uma série de fatores se combina e favorece a escalada dos preços. Observe que estamos falando em escalada, logo não se pode atribuir a inflação a um mero desequilíbrio entre oferta e demanda, já que um simples ajuste não precisará ser repassado para toda a economia.

A hiperinflação

Um dos grandes problemas do Brasil da época da hiperinflação era a indexação da economia por meio da correção monetária. A hiperinflação aconteceu, principalmente, ao longo da década de 80. Na ocasião, a inflação presente projetava a inflação futura, pois os contratos tendiam a reproduzir os índices passados gerando novo ciclo inflacionário.

Contribuíam para tal situação outras variáveis, como a baixa produtividade da economia brasileira, incapaz de atender à demanda interna de uma classe média que cresceu durante o período dos governos militares, sem que tivesse havido um crescimento correspondente na capacidade produtiva, principalmente do setor industrial.

Da mesma forma os gastos públicos eram mais um fator de desestabilização da economia. Numa economia saudável, os gastos públicos devem ser menores que a receita. No Brasil da hiperinflação os gastos públicos eram elevados, não só pela forte presença do setor estatal na economia, como pelo alto custo da máquina pública e a baixa capacidade dessa mesma economia de gerar arrecadação suficiente.

Com isso, a solução era gerar novos impostos, que acabavam repassados para os preços e, consequentemente, para os salários, já que o movimento sindical tinha muita força naquele período para reivindicar reposições salariais, o que também contribuía para aumentar os custos das empresas.

É bem verdade que, em grande parte, a hiperinflação tem forte relação com a conduta do empresariado nacional. Numa economia fraca e com baixa competitividade, é comum termos a formação de oligopólios e cartéis, condições em que o poder de barganha das empresas é ampliado na disputa pela fixação do preço ao consumidor.

Intervenção do governo x fundamentos econômicos

Há quem acredite que a simples intervenção do governo seja suficiente para estancar uma escalada inflacionária.

Na verdade, é o próprio governo que gera a inflação com a impressão descontrolada de dinheiro. Veja o que aconteceu no Brasil ao longo daquele período, quando as medidas foram do estabelecimento do congelamento de preços à retirada do dinheiro de circulação, com o confisco da poupança pelo governo Fernando Collor.

A consequência dessas medidas foi, no caso dos infrutíferos congelamentos, uma verdadeira queda de braço entre produtores, varejistas e governo, acarretando frequentes problemas de abastecimento. Quanto ao confisco da poupança, acompanhado da queda de barreiras para importação de produtos de alto valor agregado, a resposta foi a quebra da indústria nacional, mais recessão, desemprego e resultados duvidosos no combate à inflação.

A inflação, enfim, é um sintoma. A ausência total dela pode ser, inclusive, apontada como um mau indicador, que sinaliza o risco de um ciclo recessivo.

A melhor forma de controlar a inflação é a economia local ter uma boa relação entre câmbio, balança comercial, produtividade, crédito e consumo.  Além disso, a contenção nos gastos públicos e a simplificação do arcabouço tributário e fiscal são fatores de sucesso na sustentação de bons valores econômicos, inclusive a inflação sob controle.

Por que a Libra esterlina é uma moeda tão valorizada?

Libra esterlina

As moedas são o produto de uma necessidade gerada pela evolução das relações comerciais entre pessoas, feudos e nações, num momento em que o tradicional modelo de escambo já não mais conseguia dar suporte às transações.

Nesse contexto, surgem as moedas, como forma de organizar as economias estatais. A libra esterlina é a mais antiga moeda do mundo ainda em circulação. Surgiu em 928, quando, sob o reinado de Athelstan, a Inglaterra começou, pela primeira vez, a produzir dinheiro.

Libra Esterlina
Sir Isaac Newton

As moedas eram feitas em prata, chamadas sterlings. No início, o sterling organizava as transações entre os feudos anglo-saxões e o restante da Europa. O lastro da moeda eram as reservas em prata da coroa, mas isso foi somente até o final do século XVII, quando, nomeado presidente da Casa da Moeda da Inglaterra, Sir Isaac Newton reformou o sistema monetário.

Foi em 1694 que foi criado o Banco da Inglaterra, considerado o primeiro banco central do mundo moderno. Na ocasião, o rei William III, à guisa de financiar o conflito armado contra a França, apropriou-se de todo o ouro do reino, dando em garantia uma documento do tesouro inglês, surgindo, assim, as primeiras notas de libra esterlina.

Foi ainda no final do século XVII que surgiu a marca d´água, como certificação de autenticidade do dinheiro, graças a uma tentativa de falsificação, que, a partir de então, foi institucionalizada como crime, tendo como pena a morte do falsário.

Até 1855, as cédulas eram assinadas à mão, assim como a moeda do Reino Unido era lastreada nas reservas de ouro até 1914. Desde a sua criação, a libra é chamada de Pound no Reino Unido.

O embate entre dólar e libra esterlina

O início do século XX trouxe muitas mudanças ao mundo e transferiu de Londres para Washington o núcleo de influência econômica e financeira no mundo.

A Inglaterra havia construído um verdadeiro império ao longo dos séculos anteriores, que ganhou impulso a partir do advento da Revolução Industrial. A influência britânica, forte na Ásia e na África, estendeu-se à América do Sul, além da colonização de grande parte da América do Norte até a guerra de independência dos Estados Unidos, no final do século XVIII.

A estratégia inglesa combinou ocupação militar, protecionismo e gestão política de seus interesses internacionais, levando a libra esterlina, consequentemente, a ser a moeda mais forte naquele período, mas tudo começou a mudar a partir do início dos grandes conflitos europeus na primeira metade do século XX.

Na ocasião, os Estados Unidos começaram a emergir como grande potência econômica. Durante aquele período, as economias europeias deixaram de lastrear suas moedas em ouro e a dívida alemã, referente ao espólio de guerra, já no período subsequente ao Tratado de Versailles, tornou-se objeto de disputa entre Estados Unidos e Reino Unido.

Com a Segunda Grande Guerra, devido aos esforços de guerra, os Estados Unidos transformaram-se em principais credores das nações europeias, o que deu origem à mudança do centro de poder mundial para Washington. Além disso, os Estados Unidos deram um passo importante ao identificarem o potencial de produção de petróleo existente no Oriente Médio, fixando e consolidando seus interesses na região.

Parte da política nos dois períodos pós-guerra consistia no financiamento das nações subdesenvolvidas, propósito que teve mais uma vez os Estados Unidos à frente. Em que pesem os esforços políticos e estratégicos ingleses para proteger a posição da libra esterlina, a consequência dos conflitos europeus foi os Estados Unidos espalhando a influência do dólar, controlando os esforços de reconstrução mundial e transformando sua moeda em referência monetária.

O episódio mais recente envolvendo a libra esterlina ocorreu durante o processo de unificação econômica da Europa. O Reino Unido resistiu à conversão de sua moeda ao euro e impôs a condição de sua manutenção para integrar o bloco econômico.







 

A força da libra esterlina

Mesmo no presente, a libra esterlina se mantém como uma das moedas mais valorizadas do mundo, perdendo apenas para as moedas de países com alta geração de receitas com petróleo.

Atualmente, perde em valor de compra somente para o dinar kwaitiano, o dinar bareinita, o rial omanense e o dinar jordaniano, sendo a quinta moeda do mundo em valor comercial, superando o euro e o próprio dólar americano.

Há alguns aspectos que explicam a força da moeda do Reino Unido. O país é a quinta economia do mundo, com um PIB de 2,8 trilhões de dólares. Londres, capital do Reino Unido, figura, ao lado de Nova Iorque, como maior centro financeiro global. Além de ter uma economia poderosa, Londres ainda conserva grande poder político no mundo.

Além dos países do Reino Unido, a libra esterlina estende sua influência aos territórios de dominação inglesa, como Bermudas, Ilhas Cayman, Gibraltar, Ilhas Malvinas, Anguilla, Ilhas Virgens Britânicas, Monte Serrat, Santa Helena, Geórgia do Sul e Ilhas Pitcairn.

O que explica a força da moeda britânica, no entanto, é a forte posição no comércio e no sistema financeiro mundial, o que significa um alto volume de contratos firmados em libra esterlina, o que mantém aquecida a demanda pela mesma, fazendo com que permaneça valorizada em relação ao dólar e às demais moedas.

Em outras palavras, a posição da moeda britânica é consequência da força de sua economia local e da grande influência que o país ainda exerce na economia mundial, com forte liquidez e geração de divisas, que sustentam a força da libra esterlina.

Atualmente, uma libra esterlina vale R$ 6,19 e US$ 1,22 (cotação em 16 de março de 2020).

Você já ouviu falar no conceito da máquina econômica de Ray Dalio?

Como funciona a economia

O conceito de máquina econômica de Ray Dalio, um dos maiores especialistas em investimentos de todos os tempos, tem uma paradigma que precisa ser revelado a toda a sociedade humana. A economia, em toda a sua complexidade, é um conceito simples.

Como funciona a economia?

Perguntamo-nos incrédulos por que o consumo não cresce no Brasil, apesar da queda sistemática da taxa de juros básica da economia. Diz o próprio conceito de máquina econômica que em momentos de crise o Banco Central baixa as taxas de juros para incentivar o crédito e, consequentemente, gerar consumo, contanto que isso não venha acompanhado de inflação. Com o crescimento do consumo, podemos, consequentemente, ter crescimento da produtividade e da economia como um todo.

Não é o que acontece no Brasil atual. Então, devemos ter algum problema, que talvez esteja presente na parte menos evidente do conceito econômico, que é aquele ponto em que se encontram o crédito, a produtividade e as transações, o que nós leva a conceitos básicos de economia.

Na visão de Dalio, a economia é o produto de todas as transações que acontecem. Os dois fatores básicos para que a economia se mantenha nos trilhos são: produtividade e transações.

Numa pequena economia local o que temos é a produção agropastoril e industrial senso absorvida pela demanda local. Essa demanda são pessoas dispostas a realizar transações, a que chamamos de compras. A distribuição desses itens ocorre por meio do comércio e o dinheiro gerado precisa ser guardado, o que implica na existência dos bancos.

Quando o produtor industrial acumula riquezas decorrentes de sua atividade, ele tem duas opções: investe o dinheiro no banco ou na expansão do negócio. Optar pela segunda alternativa só faz sentido se ele tiver quem esteja disposto a efetuar transações com ele, qual seja comprar seus produtos.

Ao optar por investir o dinheiro no banco, ele passa a remunerar seu capital sem produzir nada de novo, mas o banco empresta o dinheiro investido por ele a um pequeno empreendedor, que gera um novo produto na economia, que acarreta consumo e, consequentemente, mais renda.

Em ambos os casos, o dinheiro do empresário do setor industrial gerou crescimento da economia local. É o chamado ciclo virtuoso.

Pode acontecer, no entanto, que, em determinado momento, a produtividade seja bem maior que a capacidade de consumir da população. Tal situação configuraria o fim do ciclo virtuoso, uma vez que o setor produtivo acarretaria com duas possíveis consequências:

– redução dos preços, que reduziria suas margens e comprometeria a lucratividade do negócio;

– redução da produção, o que implicaria em demissões de trabalhadores, com consequente queda da renda e do consumo, gerando um ciclo vicioso.

O papel do crédito

Nessa hora, o governo percebe que há duas opções para evitar a retração da economia. Uma delas é a exportação. Por meio da exportação, as empresas podem escoar o excedente de mercadorias, mantendo sua lucratividade e os empregos. A outra opção é o chamado “crédito ao consumidor”.

Repare que, até o presente momento, a única forma de crédito a que nos referimos foi aquele concedido ao empreendimento, que é diferente do crédito ao consumidor.

O crédito ao consumidor é uma política para estimular o consumo. Sendo assim, naquele momento específico, teremos crédito, produtividade e transações. O ponto chave dessa relação, muito bem identificado por Dalio, é que no crédito ao consumidor o indivíduo aumenta sua capacidade de consumo sem, em contrapartida, aumentar sua produtividade.

Em outras palavras, ele passa a ter capacidade de consumo superior ao que produz, que é, também, ilusória, pois todo empréstimo precisa ser pago. Da mesma forma que o indivíduo obtém, com o crédito, a possibilidade de consumir mais do que ganha, ao ter que pagar esse crédito, ele perderá a capacidade de consumo anterior.

Colocando de uma forma clara, suponhamos que você ganhe R$ 10 mil por mês e decida financiar um apartamento, pagando R$ 4 mil por mês, num total de 30 anos. Algumas coisas podem acontecer. Você pode ter um aumento da renda nesse período, mantendo seu poder de consumo. Pode manter sua renda estável, perdendo R$ 4 mil em capacidade de consumo. Pode haver uma queda na renda da família, reduzindo ainda mais o seu poder de consumo.

Imagine o que acontece se essa queda da capacidade de consumo ocorre em cadeia, em virtude do desemprego e do endividamento da população. Não há redução de juros que dê jeito. É nesse momento que a economia entra num círculo vicioso. E tudo isso tende a acontecer em ciclos, com as economias, em períodos menores ou maiores, alçando grandes voos para, em seguida, passarem por longos períodos de agonia.

O Ciclo inevitável

Da mesma forma que o crescimento da economia com base no crédito ao consumidor é um convite ao voo de galinha, é preciso ter muito cuidado em separar o que são investimentos, despesas e gastos governamentais.

Aliás, você deve ouvir muito falar sobre isso no noticiário, sendo que o maior gasto é com a corrupção. Porque o gasto é o dinheiro que não retorna na forma de benefícios ou receitas. Ele simplesmente não retorna. É o que acontece com os gastos com mordomias para políticos e outros elementos, isenção de tributação sem critério e sem retorno econômico.

Há, também, as despesas, que devem retornar em benefícios à sociedade, principalmente se o benefício direto vier acompanhado de uma economia. É o que acontece, por exemplo, quando o governo implanta programas de saúde pública, saneamento e moradia para a população de baixa renda. Com isso, gera economia nos gastos com a própria saúde, além de gerar empregos, renda, consumo e crescimento.

O ideal, porém, seria que o crédito fosse 100% destinado a investimentos, como exploração de minérios, construção de ferrovias, portos, aeroportos, investimento em pesquisa e desenvolvimento tecnológico, etc.

Na visão de Dalio, o governo é o maior comprador e, também, o maior vendedor em uma economia. Ao comprar e vender mal, se o governo se endivida sem gerar valor para a economia, ele compromete profundamente toda a cadeia econômica.

A natureza dos ciclos

A natureza dos ciclos é que eles não se sustentam. E é exatamente por isso que são ciclos.

Em algum momento a produtividade superará o consumo. Sem novas transações, a produtividade se retrairá, retornando a um patamar mais próximo de seu ponto de partida.

Caso o crédito ao consumo lastreie o crescimento, em algum momento a bolha do consumo vai explodir e a economia irá se retrair.

O que é taxa Selic?

Taxa Selic

Quem acompanha o noticiário econômico ouve diariamente notícias acerca da política econômica brasileira. A taxa Selic é tema recorrente.

Em setembro de 2019, a taxa básica da economia alcançou seu menor patamar histórico ao ter sido reduzida para 5,5%.

Selic

Quem estipula a taxa Selic é o Copom (Comitê de Política Monetária). O propósito básico da existência da Selic é organizar as políticas de juros praticadas pelo mercado. Por isso ela é chamada taxa de referência, o que significa dizer que não tem como finalidade servir como marco regulatório, mas como orientação.

Selic x Inflação

Para além do papel de referenciar a política de juros no mercado, a Selic tem a finalidade ampliada de servir como mecanismo de combate à inflação.

Com esse propósito, foi criada na segunda metade da década de 90, tendo alcançado patamar superior a 45% a.a em determinados momentos naquele período, como forma de reprimir a demanda, além de atrair investimentos estrangeiros num país asfixiado pela dívida externa.

Pelo menos em tese, a elevação da Selic inibe o consumo e a sua redução o estimula. Nem sempre é o que acontece. A atual política do BC de baixar a meta Selic não tem alcançado como consequência o estímulo ao consumo.

Há algumas razões comprovadas e outras prováveis para que isso aconteça. A primeira delas é que a redução da Selic não tem trazido como produto a redução das taxas de juros ao consumidor e às empresas. Ou seja, o preço do crédito não vem acompanhando essa queda.

Na outra ponta, o consumo segue inibido por diversas razões, entre elas o desemprego, a queda da renda do trabalhador e a perda de contingente populacional nas classes altas de consumo.

De acordo com levantamento feito pelo Departamento de Pesquisas Econômicas do Bradesco e da LCA, empresa de consultoria, até 900 mil brasileiros deixaram as classes A e B até o final de 2017. A crise política instalada desde 2013 contribuiu para que a classe C perdesse R$ 3,7 milhões de pessoas até o final de 2015.

São apenas alguns dados ilustrativos, que explicam por que não podemos levar tão ao pé da letra a relação entre Selic e inflação, embora ela de fato exista. A queda gradativa e contínua da taxa de juros não tem servido para estimular o consumo.

Sabemos que a inflação é decorrente do desequilíbrio entre demanda e oferta de bens e serviços. Se há muita demanda, mas a oferta é insuficiente, isso gera oportunidade de maiores ganhos para o lado vendedor, que eleva os preços. Da mesma forma, se existe baixa demanda, a parte vendedora acaba obrigada a competir por preços, derrubando a inflação.

A outra solução é a pior para a economia, que é a redução da produção, a demissão de funcionários, a perda de renda e mais redução do consumo, gerando um círculo vicioso.

A influência da taxa Selic sobre os investimentos

Você deve ter ouvido falar bastante, também, sobre a perda de atratividade dos investimentos em renda fixa, em decorrência da queda da taxa Selic.

Ocorre que a taxa alta de juros é, também, um mecanismo de atração de investimentos no país. A taxa elevada de juros aumenta a remuneração do capital investido em títulos do tesouro e, consequentemente, contamina todas as aplicações financeiras em renda fixa, inclusive a poupança, mas também o CDB, LCI e LCA.

A emissão de títulos do tesouro é uma forma do governo obter crédito junto a investidores, da mesma forma que os bancos fazem com o CDB. Com esse dinheiro, o governo financia os investimentos em infraestrutura, desenvolvimento e serviços à população.

Por essa razão, o governo brasileiro, desde Fernando Henrique, sempre manteve elevada a taxa Selic, como política de atração de investimentos. Porém, com a queda sistemática dos juros, toda a cadeia da renda fixa sai perdendo. A remuneração das operações de investimento em tesouro direto cai, assim como cai o rendimento da poupança.

Todos os investimentos indexados pela Selic acabam caindo, mas também aqueles que estão indexados pelo CDI, que é a taxa básica praticada entre os bancos para operações de crédito diário entre as instituições financeiras. É o CDI que indexa os investimentos em CDB.

Seria, nesse caso, bastante natural supor que os investimentos indexados pelo IPCA ganhariam em rentabilidade, com base num natural aumento da inflação. Só que esse movimento, pelos diversos motivos que salientamos, não ocorreu, uma vez que a redução dos juros não se traduziu em aumento do consumo e desequilíbrio na relação oferta x procura.

Nesse ambiente, o mais recomendável é começar a pensar com carinho em investimentos em renda variável, como ações, fundos imobiliários e derivativos. Não é que os investimentos em renda fixa estejam definitivamente condenados. É que a partir de agora a tendência é de que os ganhos sejam mais interessantes para quem tem milhões investidos. Em outras palavras, ninguém vai enriquecer investindo em Tesouro Direto, exceto quem já seja rico.

Quem quiser enriquecer investindo terá que enfrentar os respectivos riscos.

Selic e a dívida pública

Outro aspecto importante do papel da Selic na economia é a dívida pública. No início do século XXI, o Brasil experimentou uma excelente fase em sua economia. Os governos desenvolvimentistas lastrearam o investimento em desenvolvimento no crédito obtido junto aos investidores, com consequente aumento da dívida pública.

Vale ressaltar que não se trata, e nem pode, de uma crítica ao endividamento público. Sabemos, afinal, que o problema do endividamento está relacionado com em que companhias ele anda.

Quando o endividamento está relacionado ao investimento, em geração de receitas, ele pode ser bem vindo, contanto que atendendo a um planejamento financeiro e a um equilíbrio frente às despesas.

Quando, no entanto, o endividamento vem acompanhado de gastos, aquele dinheiro que vai e não volta mais, ou de pagamento de despesas, quando você se endivida para não parar, temos, aí sim, uma situação preocupante.

A boa notícia é que com a redução gradativa da taxa Selic, a escalada do endividamento tende a arrefecer. Se isso vai beneficiar a economia, tudo vai depender da capacidade de geração de caixa do setor público, seja no curto, seja no longo prazo.

Selic x risco

Voltando ao crédito, mais que a taxa Selic, o que determina o custo do dinheiro é o risco de inadimplência. Não é de se estranhar que as taxas de juros bancários não caiam na mesma proporção num país em que 30% da classe média gasta mais do que ganha e mais de 60% das famílias estão endividadas.

Diante desse quadro, o risco de inadimplência é alto, inibindo o estímulo à concessão de crédito barato.

Sendo assim, do ponto da economia doméstica, a recomendação é a adoção das melhores práticas financeiras: redução do consumo, fuga de bolas de neve como o rotativo e o cheque especial, controle de gastos, economia e investimento.