O grande Benjamin Graham

O grande Benjamin Graham
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Falar sobre investimentos, mercado e modalidades de aplicação sempre é muito importante e enriquecedor, mas e quando temos que falar de figuras que têm grande influência sobre todos estes aspectos? Pois é, alguns personagens estão eternamente consagrados como grandes nomes do mercado financeiro, como é o caso de Benjamin Graham. Como não poderia ser diferente, o currículo deste ícone é bastante extenso. Considerado o criador da profissão “analista de investimentos”, soma mais de 60 anos de dedicação e atuação no mercado financeiro e é grande mentor do multimilionário e investidor Warren Buffett, além de ser autor do famoso livro O investidor inteligente, do qual falaremos mais detalhadamente. Graham soma no currículo o título de pai de teorias como Value Investing, e também foi o acadêmico responsável pela base de conceitos que norteia a Análise Fundamentalista, uma das escolas de pensamento mais tradicionais e importantes da história do mercado financeiro e área contábil. Já deu para ter uma noção básica do peso e importância deste homem, certo? Agora, vamos em frente e apresentar alguns dos grandes ensinamentos de Graham.

Biografia e Livros

value investingA genialidade e obra de Benjamim Graham passa por suas ideias, trajetória e livros publicados. Falaremos mais detalhadamente a seguir sobre os famosos livros. Graham nasceu no ano de 1894, em Londres. Apesar disso, sua família se mudou rapidamente para Nova York, onde foi criado. Seu pai era um comerciante comum e morreu muito cedo. Com isso, Graham conviveu com a pobreza desde a infância. Graças a uma bolsa de estudos cursou a Universidade de Columbia, onde se formou em 1914. Neste ponto da vida, nosso personagem optou por não seguir a carreira acadêmica em busco do sucesso em Wall Street, como escriturário.

A partir daí, criou e passou a gerir a própria empresa de investimentos. Com a experiência adquirida após grandes perdas e também ganhos expressivos, aprendeu e desenvolveu a capacidade de pesquisar as ações com atenção nas aos detalhes em

benjamin graham

 

cada um dos relatórios financeiros. Foi desta forma que Graham atravessou o período crítico da Bolsa de Nova York, entre 1929 e 1932, a ponto de conseguir prosperar no cenário de grande depressão que dominada a economia do país na época.

No ano de 1934 Graham publica, juntamente com David Dodd, o livro “Security Analysis” – uma publicação acadêmica que foi importante no desenvolvimento da profissão de analista de valores mobiliários, além de ser responsável pelas bases do conceito de Value Investing – Investimento em Valor. Foi um marco tão significativo que, antes disso, muitos gestores de fundos de investimentos não tinham ou utilizam quaisquer métodos confiável para análise e compra de papéis, recorrendo até a adivinhação e até mesmo a superstição.

 

O investidor inteligente

livro o investidor inteligenteA primeira edição do mítico livro foi lançada em 1949. Nele, Graham se dirige e dialoga com investidores individuais, sendo considerados profissionais ou não, muitos deles meros leigos e não especialistas do mercado. São para estas pessoas que Benjamin apresentou sua filosofia de investimentos com base na acurada análise do histórico de resultados das empresas, que revelem o valor intrínseco delas, onde, geralmente, é possível identificar que o valor de mercado de determinada empresa vai estar abaixo do seu valor intrínseco, resultando em uma margem de segurança que pode aumentar a expectativa de retorno no longo prazo.

Benjamin Graham decidiu se aposentar no ano de 1956, quando achou ter atingindo um padrão de consumo muito superior aos seus concorrentes. Mesmo assim, seguiu acompanhando o mercado financeiro de Wall Street, e passou a reescrever, em um intervalo médio de seis anos, com intuito de atualizar o método conforme a evolução do mercado e o comportamento das pessoas e empresas diante dos cenários apresentados pela economia nos Estados Unidos. A quarta e última edição comandada por Graham foi publicada em 1973, três anos antes de morrer.

“O investidor inteligente” no Brasil

A grande obra literária de Graham ganhou uma primeira edição no Brasil apenas 2007 e apresenta a tradução do texto original da quarta edição em inglês, somada de comentários elaborados em 2003 por Jason Sweig, jornalista e colunista do The Wall Street Journal especializado em finanças. É interessante ressaltar que estrs comentários dorbaram o volume do livro, que ultrapassa o número de 670 páginas. Apesar da massiva quantidade de páginas, o livro segue atual e com ensinamentos que se aplicam ao mercado nos dias de hoje. Isso prova que o método de análise proposto pelo autor, no longínquo ano de 1949, continua sendo bastante relevante.

“Investimento não é especulação”

No capítulo de saída do livro, Graham ilustra a diferenciação entre investimento e especulação.

“Uma operação de investimento é aquela que, após análise profunda, promete segurança do capital investido e um retorno adequado. As operações que não atendem a essas condições são especulativas”.

Jason destaca três pontos fundamentais neste capitulo:

  1. “você deve analisar exaustivamente uma companhia e a saúde de seus negócios antes de comprar suas ações”
  2. “você deve deliberadamente proteger-se contra prejuízos sérios”
  3. “você deve aspirar um desempenho ‘adequado’, não extraordinário”

Vamos falar a seguir de alguns conceitos básicos de Graham

Investidor defensivo x Investidor empreendedor

Para Graham, é muito importante que o indivíduo disposto a investir não se preocupe em perder tempo especulando, mas sim analisando seu perfil de investimento com o objetivo de encontrar e seguir estratégias variadas. Segundo ele, o investidor defensivo seria aquela figura que dispõe de pouco tempo disponível para acompanhar e monitorar o mercado de maneira constante, devido à falta de expediente e obrigações com outros ofícios. Profissionais liberais, e pequenos e médios empresários não podem ou devem perder o foco em suas atividades para se arriscar em um jogo no qual até mesmo os mais experientes correm risco de sofrerem perder. Neste caso, uma atitude inteligente seria assumir a postura de um investidor defensivo, adotando uma visão e comportamento mais conservador diante do mercado financeiro, procurando eliminar qualquer tipo de prejuízo no longo prazo para o desempenho de sua carteira de investimentos.

A busca por fortalezas

Benjamim Graham recomenda aos investidores defensivos que procurem agir de maneira estratégia na busca pela diversificação entre empresas que se assemelhem a verdadeiros castelos fortificados, nos quais as muralhas e escudos protejam da concorrência direta de outras empresas, interferências governamentais e até de fatores relacionados à tecnologia. Segundo o autor, estas empresas precisam se submeter a série de testes comandados por um analista financeiro.

investidor inteligente

Nesta caminhada, o investidor defensivo precisa considerar e determinar um tamanho adequado para escolher a empresa. Por que? Empresas muito pequenas, mesmo que se mostrem rentáveis, precisam ser descartadas. As empresas em vista também precisam apresentar uma condição financeira suficientemente forte para, no caso das indústrias, seu ativo circulante seja avaliado em, pelo menos, o dobro do passivo circulante, no qual o endividamento de longo prazo não pode jamais suplantar o capital de giro.

Infelizmente nossa realidade não é muito favorável. Poucas empresas brasileiras de capital aberto na Bolsa de São Paulo apresentam condições de se encaixar plenamente no roteiro estabelecido por Graham. Algumas das empresas mais sólidas do nosso mercado não chegam a somar vinte anos de história ou experiência. Precisamos ressaltar que, tanto no mercado norte-americano como no brasileiro, empresas do setor elétrico, especialmente as geradoras e transmissoras de energia, são as que mais se aproximam ao perfil recomendado por Benjamin no livro.

O investidor empreendedor

Este perfil de investidor deve adotar uma postura mais agressiva, impulsionada por um tempo maior de dedicação à pesquisa, selecionar e monitorar, incessantemente, um número extenso de ações e fundos mútuos. Saiba que ao ficar no meio do caminho entre ser defensivo ou agressivo aumentará o risco de ter o desempenho menor da carteira se comparado aos resultados obtidos pelos investidores que, claramente, adotam um comportamento mais distanciado em relação ao sobe e desce do mercado, procurando atuar com companhias de grande porte que apresentam crescimento moderado, porém sólido, sendo menos suscetíveis aos ataques especulativos.

Uma das grandes dificuldades que um investidor empreendedor enfrenta é achar nas chamadas “letras pequenas”, notas de rodapé, eventuais maquiagens de contabilidade em relatórios financeiros publicados periodicamente pelas empresas. É até algo comum o fato de empresas utilizarem verdadeiras artimanhas para aumentar o LPA – lucro por ação – para induzir o investidor desavisado a fazer aportes direcionados. Ao perceber que os números não estavam de acordo com a realidade, em balanços posteriores, o desempenho da carteira de investimentos pode vir a sofrer danos irreversíveis.

Segundo o jornalista Jason Sweig, a receita líquida “foi distorcida recentemente por fatores como concessões de opções sobre ações e lucros ajustáveis”. Sweig também recomenda que os investidores prestem atenção ao ROIC – Retorno Sobre o Capital Investido – um ROIC de, pelo menos 10% é interessante, podendo ser aceitáveis taxas de 6 ou 7% se se a empresa estiver passando por algum tipo de dificuldade ou turbulência momentânea, que não sejam de caráter estrutural.

Preparação psicológica para lidar com as grandes variações do mercado

Bolsas de valores costumam operar em ciclos alternados de alta e baixa, com intervalos irregulares que duram alguns anos. Cabe ao investidor inteligente se preparar, emocionalmente e financeiramente, para atuar nos ciclos de baixa e também nos momentos de alta. Benjamin Graham foi responsável por personificar o mercado financeiro na figura de um senhor cujo humor é comandado por tais ciclos. Com isso, o investidor inteligente deve se manter imune aos assédios do “Senhor Mercado”: muito otimista nos ciclos de alta, indicando para que compre ações; e deveras pessimista nos ciclos de baixa, suplicando para que venda seus papéis a qualquer preço.

como investir na bolsa de valores imagemInvestidores, independentemente de adotar uma postura defensiva ou empreendedora, deve sempre procurar se manter fiel à estratégia adotada, confiar nas análises realizadas e também no desempenho da carteira, não relacionando, de maneira alguma, o valor intrínseco dela com as variações das cotações dos papéis no mercado financeiro. O investidor só precisa focar nas cotações quando as mesmas claramente indicarem oportunidades de compra em ciclos de baixa, e possibilidades de venda quando os ciclos de alta estão muito próximos ao topo. Graham não sugeria ou tinha a mania de “colar” nas empresas de maneira imutável. Em sua doutrina de diversificação, ele admitia vender ações no momento em que estivessem supervalorizadas.

A margem de segurança

Ao aprender a lida e controlar a ansiedade, impulsividade e ânimo, estabelecendo como objetivo principal não perder, o investidor inteligente vai estar sempre bem posicionado e em condições para operar com as chamadas margens de segurança. Por sua vez, as margens podem garantir um desempenho satisfatório na carteira diversificada no longo prazo. Segundo Benjamim Graham, “é curioso ver como muitos empresários capazes tentam operar em Wall Street com completa desconsideração por todos os princípios sensatos com base nos quais obtiveram sucesso em seus próprios empreendimentos“ – Podemos concluir que investir representa uma conduta inteligente na mesma proporção em que se assemelhar com um empreendimento comum, no qual ninguém está disposto a rasgar dinheiro.

O investidor inteligente nunca age sozinho

Até mesmo os investidores profissionais e que acumulam bastante experiência têm o habito de trocar indeias e informações antes de tomar as decisões mais sérias. Os buscam assessoria ou algum tipo de consultoria em bancos vão ter, no máximo, a capacidade de poupança preservada. Geralmente, analistas das corretoras de ações preferem trabalhar com os especuladores, devido às taxas cobradas nas operações frequentes.

Análise Fundamentalista

Como dissemos no início do post, Graham é um dos “pais” deste pensamento econômico e tem grandiosa representatividade, tanto no meio acadêmico como no mercado de ações. A escola fundamentalista possui duas bases sólidas: os fundamentos macro e microeconômicos de companhias e empresas que agem no mercado. Portanto, a análise do mercado é feita e debruçada sobre os dados econômicos e operacionais oriundos do ambiente de atuação da companhia e também dos próprios resultados das atividades regidas pelo negócio, resultando em uma avaliação bastante abrangente e criteriosa. Voltando no tempo, essa tendência de análise econômica começou a ser utilizada e ter um papel importante no período que remete ao final do século XIX, com objetivo de alavancar os investimentos realizadas na época. Até os dias de hoje, a escola fundamentalista rege e norteia as estratégias de atuação de inúmeros investidores, que acharam nos ensinamentos de Graham uma maneira de obter sucesso no mundo dos investimentos.

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