Vale a pena investir em ações da Fleury?

Vale a pena investir em ações da Fleury?
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A Fleury é um grupo empresarial cujo negócio é a atuação na prestação de serviços de medicina e odontologia diagnóstica.

Fazem parte do grupo: Fleury Medicina e Saúde, líder no segmento Premium de Medicina Diagnóstica; Weinmann;, A+;  Labs; Diagnoson; Serdil e Papaiz, laboratório de radiologia odontológica, entre outras.

Por meio das diversas empresas que compõem o Grupo Fleury, presta serviços a mais de 20 renomados hospitais em todo o território nacional.

Uma das principais orientações do grupo é o investimento contínuo em tecnologia diagnóstica e inovação, pilares da proposta de valor da Fleury ao mercado.

FLRY3

Entre as áreas de pesquisa e diagnóstico nas quais atua estão: ultrassom, tomografia, ressonância magnética, genômica, oncogenética, doenças infecciosas e doenças autoimunes.

Atuar junto ao segmento premium é um diferencial competitivo da empresa, já que se trata de um nicho de consumo que sofre poucos abalos com as crises, o que tende a dar perenidade ao negócio no longo prazo.

Além disso, a área de negócios da Fleury encontra-se num grupo de serviços de primeira necessidade, o que também garante condições para a continuidade e o crescimento da companhia, que tem tido sua trajetória marcada pela aquisição de outras empresas, que hoje compõem o grupo, ampliando seu market share e consolidando sua posição estratégica no mercado.

Histórico recente da empresa

Apesar dos bons fundamentos estratégicos, a Fleury teve, no segundo trimestre de 2019, uma queda de 11,1% no lucro em relação ao mesmo período do ano anterior. A empresa fechou o período com um lucro líquido de R$ 77,1 milhões.

Segundo a direção da empresa, a queda na lucratividade do negócio está diretamente relacionada ao investimento em expansão do negócio. Com base no plano de expansão da companhia, revelado em dezembro de 2016, a expectativa é de que entre 73 e 90 novas unidades sejam inauguradas até 2021.

Um bom indicador de que a queda nos lucros foi proporcional ao aumento do investimento é a receita líquida registrada no período, que alcançou R$ 728,7 milhões no mesmo segundo semestre de 2019, com aumento de 8,2% em relação ao mesmo período de 2018. Na comparação semestral, levando em conta os primeiros seis meses de 2018 e 2019, o crescimento da receita líquida, que alcançou R$ 1,4 bilhões, foi de 7,7%.

No mesmo pacote, o Ebitda teve queda de 3,5% no referido período. Em contrapartida, na comparação semestral, apresentou um crescimento de 1,2%.

Os fundamentos financeiros da empresa, mesmo com o foco em expansão, que demanda altos custos e endividamento, permanecem bastante favoráveis. A Fleury possui um total de ativos de R$ 4,7 bilhões, contra uma dívida bruta de R$ 1,1 bilhão. A dívida líquida, descontados os recebíveis no curto prazo, é de R$ 772,1 milhões.

O ativo circulante da Fleury é de R$ 1,04 bilhão, enquanto o patrimônio líquido da companhia soma R$1,7 bilhão positivo.

Apesar do pequeno abalo previsto na lucratividade do negócio no curto e, talvez, no médio prazo, a empresa, entre julho de 2008 e julho de 2009 obteve receitas num total de R$ 2,8 bilhões e um lucro líquido de R$ 313,7 milhões, com um Ebitda de R$ 518,1 milhões.

FLRY3

A FLRY3 é a ação do Grupo Fleury. No quarto trimestre de 2015, a empresa registrou um lucro líquido 108,7% maior que o mesmo período do ano anterior.

Esse foi um dos fatores que provocaram a disparada no preço das ações da companhia. No início de 2016, as ações custavam, em média, R$ 6,20. Até então, o maior preço histórico tinha sido de pouco mais de R$ 10,00, obtido entre os anos de 2011 e 2012.

Desde então, a FLRY3 iniciou uma trajetória de forte alta, chegando a ser cotada a R$ 28,91 em outubro de 2017. Desde então, o preço da ação vem oscilando para baixo, o que pode ser facilmente explicado por um movimento natural do mercado de realização de lucros.

Vale ressaltar, no entanto, que o valor de mercado da companhia ainda é 4,34 vezes o valor de seu patrimônio líquido, que é a diferença entre o ativo e o passivo. Vale observar, no entanto, que essa precificação é futura e reflete o prestígio da companhia, seus instrumentos de governança e transparência, sua estratégia mercadológica e possibilidade de crescimento, o mercado em que atua e o potencial de geração de lucro nos próximos anos.

Pode-se dizer que, no médio prazo, a FLRY3 está apreciada acima do seu potencial de crescimento patrimonial. Já no longo prazo, estamos falando em cinco anos, pelo menos, mantendo-se a trajetória de lucros, ampliada pela ativação das novas unidades, com consequente aumento da receita, a empresa pode corresponder às mais altas expectativas, sobretudo no que se relaciona ao pagamento futuro de dividendos.

Para se ter uma ideia, em raros momentos, desde 2010, a empresa apresentou pequena redução da receita líquida em relação a períodos anteriores. A trajetória sempre foi de alta. Para exemplificar, em dezembro de 2010 a Fleury teve receita líquida inferior a R$ 800 milhões. Em dezembro de 2015, a receita superava R$ 1,6 bilhão, chegando, em dezembro de 2018, ao patamar de quase R$ 2,5 bilhões.

Os lucros da empresa praticamente espelham o crescimento da FLRY3 no mercado de capitais, tendo obtido grande impulso a partir de 2016, saindo de uma faixa entre 100 e 150 milhões para um patamar, desde o segundo trimestre de 2017, superior a R$ 300 milhões.

Parte da estratégia para financiar o crescimento é a remuneração do capital dos acionistas. Em alguns momentos, a empresa pagou proventos maiores que o lucro líquido no período. Somente no primeiro trimestre de 2019, a FLRY3 pagou proventos duas vezes, com um Yield acumulado superior a 4%. Com base no histórico da companhia, é possível afirmar que essa margem de lucro superará 6% em 2019.

Vale a pena investir?

A FLRY3 é, sem dúvida, um bom investimento pensando no longo prazo. A rentabilidade sobre o capital investido não compete, pelo menos ainda, com os maiores pagadores de proventos do mercado.

Não obstante, a trajetória de crescimento da receita líquida da empresa aponta para, no longo prazo, um aumento expressivo da competitividade da empresa neste quesito.

Ainda no longo prazo, é possível pensar na valorização das ações da companhia, embora seja prudente não fazer estimativas mirabolantes. É preciso aguardar a maturação da atual trajetória de expansão. Sendo assim, a princípio, o que temos é a expectativa de um investimento seguro numa companhia bastante sólida, com viés de crescimento, aumento dos lucros e, consequentemente, da remuneração do capital.

Para quem pensa em ganhar com a valorização da ação, a melhor dica é esperar um pouco. Qualquer movimento do mercado que derrube as ações a um patamar de R$ 16,00 pode ser uma excelente possibilidade de ganhar em duas frentes: com remuneração e valorização do capital.

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