O que esperar das ações da Gerdau no longo prazo?

Você sabe o que é a Gerdau? Estamos falando da maior companhia siderúrgica de aço longo do continente americano, com capacidade de produção de 26,1 toneladas de aço bruto. A capacidade instalada da companhia no Brasil é de 9,2 milhões de toneladas. Nos Estados Unidos, a capacidade instalada da Gerdau é de 8,62 milhões de toneladas.

O público alvo da Gerdau é o setor de construção, razão pela qual os resultados da companhia são fortemente impactados pelo crescimento ou retração do setor nos países em que atua. Como o Brasil é o principal mercado da companhia, seus resultados estão fortemente sujeitos ao nível de investimento governamental, à taxa de juros local e ao desempenho do setor de construção.

Histórico recente

A empresa manteve uma trajetória de lucro anual durante anos. A partir de 2015, todavia, o colapso do setor de construção brasileiro, que sofreu o impacto do envolvimento em escândalos apurados pela Lava Jato, empurrou para baixo os resultados da Gerdau, que manteve trajetória de prejuízos até 2017.

Ações da Gerdau

Além disso, o programa de desinvestimento público iniciado no governo Michel Temer fechou oportunidades para a companhia no Brasil. Só no primeiro semestre de 2016, em plena crise política, teve prejuízo de quase R$ 10 bilhões.

O aumento do desemprego, queda da renda e retração do consumo no período do auge da crise política, acompanhado do alto preço do financiamento imobiliário foram outros fatores que comprometeram os resultados da cadeia de valor da construção civil.

A partir de 2018, no entanto, a política de incentivo ao crédito imobiliário do próprio governo Temer, ampliado, mais recentemente, no governo Bolsonaro, em 2019, as perspectivas da Gerdau se inverteram, acompanhando o movimento do próprio setor de construção civil. A expectativa da Caixa é reduzir em até 31,5% os juros do financiamento imobiliário no país.

Se não há uma expectativa otimista quanto à retomada dos investimentos públicos em infraestrutura, o aquecimento do mercado imobiliário pode ter vida longa e garantir a rentabilidade da cadeia de valor da construção civil, o que beneficia diretamente a Gerdau.

Como fica a GGBR4

Desde o terceiro trimestre de 2018, a trajetória de prejuízos da Gerdau se converteu em lucro. O lucro líquido em 2018 alcançou R$ 1,98 bilhão, resultado que tende a se repetir em 2019, embora a previsão atual seja de um lucro menor, na casa de R$ 1,5 bilhão.

Apesar dos anos de chumbo, a Gerdau conseguiu manter bons fundamentos financeiros. O patrimônio líquido da empresa é, segundo o último balanço, R$ 26,4 bilhões positivo. A dívida bruta da companhia é de R$ 14,7 bilhões, contra um ativo circulante de R$ 16,9 bilhões. O ativo total da Gerdau é de R$ 51 bilhões.

A previsão é de que a receita líquida ultrapasse os R$ 40 bilhões em 2019, com lucro líquido de R$ 1,5 bilhão. A expectativa para 2020 é, todavia, bastante positiva, lastreada na previsão de crescimento da construção civil, alavancada pelo número de novos empreendimentos imobiliários.

A GBR4 está cotada, em agosto de 2019, na faixa de R$ 12,3 reais. O mercado acredita que, num cenário realista, pode alcançar os R$ 20,00.

Vale lembrar que a maior cotação histórica da GBR4 foi em 2008, no auge do boom econômico brasileiro, alcançando o preço de R$ 36,48.Já a menor cotação, no auge da crise, em fevereiro de 2016, foi de R$ 3,20. Isso implica dizer que o preço atual está bem mais próximo da mínima do que da máxima histórica.

Quanto aos dividendos, a companhia pagou, em 2018, 0,3800 em dividendos, com um Dividend Yield de 3,1%. Para os analistas de mercado, há uma tendência de que a companhia pode alcançar um Yield na casa dos 10% nos próximos anos.

Vale a pena investir em ações da Gerdau?

Na contramão dos resultados da empresa, as ações da companhia apresentam trajetória de queda desde maio de 2018, quando alcançaram o preço de R$ 17,59. Desde então, oscilaram entre R$ 15,00 e R$ 17,00. Em 2019, no entanto, a máxima foi de R$ 15,28, com a mínima chegando a R$ 12,20.

O que, provavelmente, abala o otimismo dos investidores é mais os frustrantes resultados macroeconômicos do que o próprio desempenho da companhia. Os próprios resultados do setor, porém, contribuem para reduzir o otimismo dos investidores com a GGBR4. A previsão de lucro para 2019 abaixo do realizado em 2019 tem como principal razão a queda de 22,5% nas vendas de aço.

Por conta dessa queda, a empresa anunciou que reduzirá os investimentos previstos em 2019 de R$ 2,2 bilhões para R$ 1,84 bilhão. Mesmo com a queda nas vendas, a produção da Gerdau foi 2,5% superior ao segundo trimestre de 2018. Em compensação, as exportações tiveram queda de 6%, segundo a companhia, não em virtude da queda da demanda, mas de uma decisão da própria Gerdau com base na rentabilidade de algumas exportações.

Diante desses dados, a primeira conclusão a que se pode chegar é de que o preço atual da GGBR4 é bastante atraente. Levando em conta as expectativas do mercado, a compra indicaria ganho com valorização do ativo no médio prazo e, no longo prazo, a GBR4 tenderia a se tornar uma vaca leiteira, pagando proventos acima da média dos investimentos conservadores.

Há, no entanto, duas questões que precisam ser consideradas. Uma delas é até que ponto vai a tendência de queda da GGBR4. Não seria possível comprar a um preço maior e obter maior ganho sobre o capital no futuro?

A outra questão que deve ser considerada é se o crescimento da demanda por empreendimentos imobiliários não será um voo de galinha, absorvendo a demanda reprimida e voltando aos níveis atuais. O que garante a vitalidade do setor são os fundamentos macroeconômicos. O mundo ideal seria aquele em que o investimento governamental se intensificasse, houvesse maior geração de emprego, renda e confiança da economia do país.

Por outro lado, o ponto positivo é que a Gerdau tem forte presença fora do país, principalmente nos Estados Unidos. O Brasil responde por menos de 40% da capacidade instalada da companhia. Isso reduz os riscos econômicos.

Sendo assim, uma boa recomendação seria esperar um pouco mais para tentar comprar a ação a um preço abaixo dos R$ 10,00, reduzindo o risco e aumentado a possibilidade de ganhos com a valorização. No médio prazo, a estratégia é aguardar a promessa de proventos compensadores e ficar de olho em quais serão os passos estratégicos da companhia para ver se vale a pena manter as posições ou realizar lucro.

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