Ações do Banco Pan: Um fenômeno passageiro ou uma boa opção a longo prazo?

Ações do Banco Pan: Um fenômeno passageiro ou uma boa opção a longo prazo?
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Você já ouviu falar em Banco Pan? Trata-se de uma cria do Grupo Sílvio Santos, que tinha como propósito ser gerador de crédito para operações de financiamento ao consumidor das empresas do próprio grupo, como a Vimave Veículos, uma revendedora de automóveis e autopeças.

O Banco Panamericano, como se chamava à época, fazia parte de uma estratégia de diversificar negócios e expandir a captação de receitas dentro da mesma operação, no que o grupo foi bem sucedido. Em 2011, porém, a casa do Banco Panamericano literalmente caiu.

Em 2008, sete ex executivos do Banco Panamericano foram condenados por gestão fraudulenta e crimes do colarinho branco. Na ocasião, entre 2006 e 2010, os executivos teriam escondido rombos bilionários, razão pela qual foram acusados de fraude contábil. Naquele ano, o Panamericano foi comprado pelo BTG Pactual, que tornou-se um de seus controladores. A operação evitou a liquidação do banco pelo Banco Central.

Aqui, a história do Banco Pan se desliga do Grupo Silvio Santos.

 

Controle da Caixa e crédito consignado

 

A trajetória do Banco Pan se atrelou à da Caixa Econômica, que, em 2011, comprou o Banco Pactual. Apesar das vantagens geradas pelo controle da Caixa, o banco seguiu dando prejuízo.

Por outro lado, desde a aquisição pela Caixa, o banco, devido ao funding (captação de recursos para investimento) barato, conseguiu ampliar suas operações para produtos menos rentáveis, mas com ganho em escala.

No decorrer dos anos, acabou consolidando-se como uma das referências do mercado em crédito consignado, que tem participação na história recente superior a 50% de sua carteira, seguido pelo financiamento de veículos e pelos cartões de crédito.

Atuando em operações de baixo risco, como é o caso do consignado, já que as parcelas são debitadas na fonte, o Banco Pan vem sobrevivendo, graças, sobretudo, à captação de juros a um preço abaixo do que teria caso não fosse controlado pela Caixa.

 

Disparada das ações do banco Pan

 

Pelo acordo com a Caixa, o Banco Pan poderia vender para a Caixa a carteira de crédito originada em excesso, operação geradora de lucro para o banco. Além disso, podia conservar a parte da carteira mais lucrativa, o que, trocando em miúdos, significava aumento do ROI e aceleração da reversão do prejuízo no balanço.

ações do banco pan

Nesse ponto, devemos parar para fazer uma análise importante, porque durante anos a BPAN4 figurou como patinho feio na B3, o que manteve suas ações em baixa.

Chegamos à lógica do mercado de ações, que é saber identificar oportunidades de investimento onde poucos as percebem. Em 2016, o valor das ações do Banco Pan correspondia a apenas 40% do seu patrimônio. Além disso, o banco tinha uma participação expressiva no varejo financeiro, atendendo às classes C e D, com uma boa janela de oportunidades.

Agora, em 2019, com a decisão da Caixa de se desfazer da participação no controle do Pan, o próprio BTG Pactual avalia a compra dessa participação para aumentar sua penetração junto ao público alvo do Pan.

Atualmente, o valor de mercado do Pan é de aproximadamente R$ 3,8 bilhões. Ao mesmo tempo em que ensaia o divórcio amigável com a Caixa, o banco recria seus fundamentos estratégicos. A expectativa para os próximos anos é recriar a relação com o cliente, transformando-a em relacionamento e novos produtos voltados para o seu público alvo.

Explicando melhor, o banco, apesar da boa performance junto às classes C e D, tem baixa taxa de fidelização de clientes, uma vez que seus principais produtos, consignado e financiamento de veículos, não gera relacionamento dos mesmos com a empresa.

 

A estratégia de fidelização é uma forma de gerar maior ticket médio por cliente no médio e no longo prazo. Em consequência da publicidade dada a essa estratégia, o mercado, desde o início do ano, reconheceu uma oportunidade no Banco Pan. As ações da companhia alcançaram valorização de 390% nos primeiros 8 meses de 2019.

O crescimento acumulado nos últimos 3 anos é de 459,35% em agosto de 2019. Não obstante, é preciso chamar atenção para o fato de que, pelo menos no momento, as ações estão sobrevalorizadas. Em maio de 2019, a ação já era negociada a 1,5 vezes o book. Em outras palavras, a 150% o valor do seu patrimônio.

 

O futuro do Banco Pan

 

A expectativa do Banco Pan, na perspectiva de voo independente, é lançar a conta digital, gerando uma carteira de 2 milhões de contas abertas até dezembro de 2020. É uma meta ambiciosa, mas que conta com uma estratégia consistente de conversão da carteira de clientes em correntistas, o que contribuiria para o barateamento do custo do capital e aumento da liquidez.

A estratégia para a conversão da carteira atual está lastreada na larga experiência da empresa na criação de produtos financeiros para o seu público alvo. Na visão dos executivos do Pan, a estratégia gerará uma oportunidade de custo baixo na aquisição de clientes para os novos produtos e o conhecimento que o banco detém desse público será o seu grande diferencial.

A integração com os negócios do BTG Pactual colocaria o grupo numa posição bastante satisfatória, com alcance em todas as classes sociais, já que o Pactual é especialista no atendimento às classes B e A.

O Pan tem, atualmente, 5,5% de participação no financiamento de veículos, perdendo apenas para o Banco Honda no financiamento a motos. A ideia é entrar no mercado de seguros e financiamento imobiliário, de modo a, cada vez mais, gerar clientes fidelizados e com alto ticket médio.

 

Vale a pena investir no Banco Pan?

 

Tudo no Pan aponta trajetória de crescimento da empresa. Quem investiu lá atrás está contando dinheiro até agora. Daqui para frente, porém, é preciso que estejamos atentos à sobrevalorização da BPAN4.

A trajetória de dividendos está longe de ser convidativa. A empresa não pagou dividendos em 2018 e, em março de 2019, pagou 0,075945. Em 2018, obteve o melhor resultado financeiro de sua história, com lucro, antes dos impostos, de R$ 457 milhões, contra R$ 253 milhões em 2017.

Apesar dos bons números, o momento é mais propício para quem fica de olho nas nervosas curvas dos gráficos. Apesar de todos os movimentos expressivos do banco, o investimento nos serviços digitais é uma tendência do mercado, que inclui das fintechs aos grandes bancos.

Para investidores no longo prazo, prudência não faz mal a ninguém, lembrando que a ação chegou a alcançar aumento de 500% em 2019.

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