John Templeton: Biografia e lições de investimento

John Templeton

John Templeton foi eleito, em 1999, pela Money Magazine, “o maior selecionador de ações do século XX”. Nasceu em 1912 e faleceu em 2008, aos 95 anos. É, até os dias atuais, uma das grandes referências quando o tema é investimento em ações.

John Templeton

Conhecer um pouco a sua biografia passa longe de ser um exercício de empilhar fatos históricos. A vida de Templeton é, por si só, uma lição a ser seguida, repleta de episódios ricos em aprendizado.

Por essa razão, vamos nos deter em dois desses episódios, pois são capazes de proporcionar uma narrativa saborosa e um aprendizado bastante ilustrativo para quem deseja obter ganhos com investimentos.

Ao mesmo tempo, vamos entremear comentários que aproximem os ensinamentos de Templeton dos fatos biográficos.

John Templeton e a trajetória como investidor

Templeton nasceu em uma pequena cidade do Tenessee, que contava com cerca de 2 mil habitantes.A infância, sem sobressaltos financeiros, desembocou numa juventude em que a família foi posta à prova. Era o período da Grande Depressão, no final da década de 20. As dificuldades ajudaram, porém, a sedimentar as crenças já presentes na formação de Templeton, baseadas no trabalho duro e na poupança.

Levou a base de sua filosofia financeira ao extremo quando mobiliou sua casa gastando somente 25 dólares, obtendo os móveis em lojas de usados e leilões. Ao mesmo tempo em que economizava, nutria profunda aversão a fazer dívidas, fonte de dissabores para muitos em sua época e tantos outros nos dias atuais. Quando tinha que comprar, fazia-o à vista, mitigando, com isso, os riscos de perdas decorrentes do endividamento.

Isso não quer dizer que Templeton tivesse aversão a riscos, mas esses deveriam estar ligados a oportunidades. Mesmo assim, deveriam ser mitigados com base em uma análise sólida e na diversificação dos investimentos.

Seu modo de investir fez com que se tornasse um dos expoentes do Value Investing na segunda metade do século XX. O que o diferencia como referência histórica é que nunca restringiu seus investimentos ao mercado local. O cenário onde se dava o seu enriquecimento era o mundo, como veremos nas narrativas a seguir.

 

A oportunidade durante a Segunda Guerra Mundial

A partir daqui, deixemos que os fatos falem por si. Em 1939 Hitler invadiu a Polônia, dando início à Segunda Guerra Mundial.

Num cenário como aquele, em que era eminente um grande conflito mundial, tendo a Europa como ponto de propagação, a expectativa, de um modo geral, era pela retração do consumo e do comércio mundial, uma vez que as nações estariam dirigindo seus esforços para a defesa e as pessoas economizando seus recursos para enfrentar a tempestade que se avizinhava.

Não obstante, mesmo um cenário como aquele poderia ser percebido como uma grande oportunidade para investir. Há quem possa lucrar até mesmo com a guerra, bastando, para isso, enxergar as oportunidades. Enquanto um movimento de venda de ações em massa derrubou a Bolsa de Valores, reduzindo o seu valor pela metade, Templeton percebeu que a entrada dos Estados Unidos na guerra era questão de tempo. Consequentemente, alguns setores, como a indústria e a infraestrutura, tenderiam a crescer para atender aos esforços de guerra. Foi por aí que Templeton encontrou o caminho para ganhar com investimentos de longo prazo.

Templeton seguiu um dos fundamentos chave de sua filosofia, que é desconfiar do chamado “efeito manada”. Enquanto todos desfaziam suas posições, comprou as ações em baixa, mas tendo em vista uma situação macroeconômica que, no devido tempo, favoreceria o crescimento daquelas empresas, valorizando as ações.

Templeton ousou ver o que estava por trás das aparências e, ao mesmo tempo, se resguardou, montando uma carteira diversificada. Para isso, percebeu quais as empresas e setores que seriam arrastados pelo crescimento dos segmentos que seriam favorecidos diretamente pelos esforços de guerra.

O Japão do Pós Guerra

Como sabemos, o Japão foi um dos países mais afetados pela guerra, derrotado no confronto com os Aliados. A economia japonesa estava em destroços, o que indicava serem as empresas do país um péssimo investimento.

Era preciso, no entanto, ter uma visão menos superficial, como a de Templeton, para perceber naquele cenário uma oportunidade, que estava implícita em um aspecto jamais observado por quem enxerga o mercado apenas pela lógica dos fundamentos financeiros, que era a cultura japonesa.

Um povo disciplinado, perfeccionista e trabalhador é um ativo valioso para um país e para a economia local. Todos conhecem a história do Japão, que renasceu na segunda metade do século XX, superando a indústria do Ocidente em vários setores.

Em 1968, Templeton entrou com tudo no mercado japonês, comprando ações a preços depreciados. Na verdade, apenas antecipou um movimento que ocorreria nos anos que viriam. Naquele período, a economia japonesa cresceu e o índice Nikkei atingiu seu maior patamar histórico em 1989. Antes disso, Templeton desfez suas posições no país, antecipando-se, dessa vez, ao estouro da grande bolha japonesa.

“Mercados em alta nascem do pessimismo, crescem no ceticismo, maduram no otimismo e morrem na euforia.”

O pensamento acima, que é de Templeton, mostra qual a sua filosofia de investimento. Quando colocou seus investimentos no mercado japonês, não estava apenas comprando ações em baixas, fazendo uma aposta, mas, ao contrário, aproveitando uma oportunidade real, que estava onde poucos puderam perceber.

Participações nos lucros

É incrível como é pouco difundida uma das práticas mais bem sucedidas de investimento em ações. Comprar ações em baixa pensando em valorização futura é só parte do negócio.

Uma das lições de Templeton, que está na cartilha de outros grandes investidores, é que é preciso, antes de qualquer coisa, pesquisar e identificar empresas promissoras, o que inclui os fundamentos financeiros, o modelo de gestão, o perfil dos gestores e seu market share, entre outros fatores que configuram oportunidade de crescimento.

Reconhecer essas empresas não significa comprá-las. Templeton tinha sua “lista de desejos”, composta pelas ações dessas empresas. Esperava, então, que os preços caíssem acentuadamente para comprá-las. Com isso, além de ganhar numa valorização futura, obtinha maior ganho com a participação nos lucros. Ao comprar em baixa, o investidor adquire uma maior quantidade de ações. Como os dividendos são pagos por ação, ele terá maior participação bruta nos lucros da empresa, o que não está relacionado à valorização do mercado.

A principal lição

A maior lição de Templeton, que tem uma história cuja riqueza transcende as fronteiras do mundo dos investimentos, que inclui a filantropia e o incentivo à expansão da compreensão do terreno espiritual, é que o único indicador confiável é a oportunidade, que só pode ser identificada com estudo, pesquisa e mente aberta.

A Bolsa sobe ou cai por motivos distintos, mas não é o sobe e desce que deve motivar você a investir ou desfazer suas posições, mas reconhecer onde existe solidez suficiente para justificar que você invista seu dinheiro.

O verdadeiro investidor encontra valor nas empresas, não em previsões econômicas ou tendências de mercado. Ações de qualidade são fatias de empresas de qualidade. Raramente elas se desvalorizam porque a empresa vai mal, mas por causa do efeito manada e da especulação. O que significa dizer que elas voltarão a subir.

Ações do Banco Pan: Um fenômeno passageiro ou uma boa opção a longo prazo?

Ações do banco Pan

Você já ouviu falar em Banco Pan? Trata-se de uma cria do Grupo Sílvio Santos, que tinha como propósito ser gerador de crédito para operações de financiamento ao consumidor das empresas do próprio grupo, como a Vimave Veículos, uma revendedora de automóveis e autopeças.

O Banco Panamericano, como se chamava à época, fazia parte de uma estratégia de diversificar negócios e expandir a captação de receitas dentro da mesma operação, no que o grupo foi bem sucedido. Em 2011, porém, a casa do Banco Panamericano literalmente caiu.

Em 2008, sete ex executivos do Banco Panamericano foram condenados por gestão fraudulenta e crimes do colarinho branco. Na ocasião, entre 2006 e 2010, os executivos teriam escondido rombos bilionários, razão pela qual foram acusados de fraude contábil. Naquele ano, o Panamericano foi comprado pelo BTG Pactual, que tornou-se um de seus controladores. A operação evitou a liquidação do banco pelo Banco Central.

Aqui, a história do Banco Pan se desliga do Grupo Silvio Santos.

 

Controle da Caixa e crédito consignado

 

A trajetória do Banco Pan se atrelou à da Caixa Econômica, que, em 2011, comprou o Banco Pactual. Apesar das vantagens geradas pelo controle da Caixa, o banco seguiu dando prejuízo.

Por outro lado, desde a aquisição pela Caixa, o banco, devido ao funding (captação de recursos para investimento) barato, conseguiu ampliar suas operações para produtos menos rentáveis, mas com ganho em escala.

No decorrer dos anos, acabou consolidando-se como uma das referências do mercado em crédito consignado, que tem participação na história recente superior a 50% de sua carteira, seguido pelo financiamento de veículos e pelos cartões de crédito.

Atuando em operações de baixo risco, como é o caso do consignado, já que as parcelas são debitadas na fonte, o Banco Pan vem sobrevivendo, graças, sobretudo, à captação de juros a um preço abaixo do que teria caso não fosse controlado pela Caixa.

 

Disparada das ações do banco Pan

 

Pelo acordo com a Caixa, o Banco Pan poderia vender para a Caixa a carteira de crédito originada em excesso, operação geradora de lucro para o banco. Além disso, podia conservar a parte da carteira mais lucrativa, o que, trocando em miúdos, significava aumento do ROI e aceleração da reversão do prejuízo no balanço.

ações do banco pan

Nesse ponto, devemos parar para fazer uma análise importante, porque durante anos a BPAN4 figurou como patinho feio na B3, o que manteve suas ações em baixa.

Chegamos à lógica do mercado de ações, que é saber identificar oportunidades de investimento onde poucos as percebem. Em 2016, o valor das ações do Banco Pan correspondia a apenas 40% do seu patrimônio. Além disso, o banco tinha uma participação expressiva no varejo financeiro, atendendo às classes C e D, com uma boa janela de oportunidades.

Agora, em 2019, com a decisão da Caixa de se desfazer da participação no controle do Pan, o próprio BTG Pactual avalia a compra dessa participação para aumentar sua penetração junto ao público alvo do Pan.

Atualmente, o valor de mercado do Pan é de aproximadamente R$ 3,8 bilhões. Ao mesmo tempo em que ensaia o divórcio amigável com a Caixa, o banco recria seus fundamentos estratégicos. A expectativa para os próximos anos é recriar a relação com o cliente, transformando-a em relacionamento e novos produtos voltados para o seu público alvo.

Explicando melhor, o banco, apesar da boa performance junto às classes C e D, tem baixa taxa de fidelização de clientes, uma vez que seus principais produtos, consignado e financiamento de veículos, não gera relacionamento dos mesmos com a empresa.

 

A estratégia de fidelização é uma forma de gerar maior ticket médio por cliente no médio e no longo prazo. Em consequência da publicidade dada a essa estratégia, o mercado, desde o início do ano, reconheceu uma oportunidade no Banco Pan. As ações da companhia alcançaram valorização de 390% nos primeiros 8 meses de 2019.

O crescimento acumulado nos últimos 3 anos é de 459,35% em agosto de 2019. Não obstante, é preciso chamar atenção para o fato de que, pelo menos no momento, as ações estão sobrevalorizadas. Em maio de 2019, a ação já era negociada a 1,5 vezes o book. Em outras palavras, a 150% o valor do seu patrimônio.

 

O futuro do Banco Pan

 

A expectativa do Banco Pan, na perspectiva de voo independente, é lançar a conta digital, gerando uma carteira de 2 milhões de contas abertas até dezembro de 2020. É uma meta ambiciosa, mas que conta com uma estratégia consistente de conversão da carteira de clientes em correntistas, o que contribuiria para o barateamento do custo do capital e aumento da liquidez.

A estratégia para a conversão da carteira atual está lastreada na larga experiência da empresa na criação de produtos financeiros para o seu público alvo. Na visão dos executivos do Pan, a estratégia gerará uma oportunidade de custo baixo na aquisição de clientes para os novos produtos e o conhecimento que o banco detém desse público será o seu grande diferencial.

A integração com os negócios do BTG Pactual colocaria o grupo numa posição bastante satisfatória, com alcance em todas as classes sociais, já que o Pactual é especialista no atendimento às classes B e A.

O Pan tem, atualmente, 5,5% de participação no financiamento de veículos, perdendo apenas para o Banco Honda no financiamento a motos. A ideia é entrar no mercado de seguros e financiamento imobiliário, de modo a, cada vez mais, gerar clientes fidelizados e com alto ticket médio.

 

Vale a pena investir no Banco Pan?

 

Tudo no Pan aponta trajetória de crescimento da empresa. Quem investiu lá atrás está contando dinheiro até agora. Daqui para frente, porém, é preciso que estejamos atentos à sobrevalorização da BPAN4.

A trajetória de dividendos está longe de ser convidativa. A empresa não pagou dividendos em 2018 e, em março de 2019, pagou 0,075945. Em 2018, obteve o melhor resultado financeiro de sua história, com lucro, antes dos impostos, de R$ 457 milhões, contra R$ 253 milhões em 2017.

Apesar dos bons números, o momento é mais propício para quem fica de olho nas nervosas curvas dos gráficos. Apesar de todos os movimentos expressivos do banco, o investimento nos serviços digitais é uma tendência do mercado, que inclui das fintechs aos grandes bancos.

Para investidores no longo prazo, prudência não faz mal a ninguém, lembrando que a ação chegou a alcançar aumento de 500% em 2019.

Vale a pena investir na Magazine luiza?

A Magazine Luiza é, desde 2016, a principal estrela da B3, a Bolsa de Valores Brasileira. Os números da MGLU3 são assombrosos. Quem comprou ações da companhia em janeiro de 2016 obteve uma valorização sobre o capital, fora os dividendos e JCP, de mais de 15.000%. Ou seja, a Magazine Luiza já fez a riqueza de muita gente.

A empresa tem em circulação, negociadas na bolsa, apenas 35% de suas ações, todas ordinárias. Entre fevereiro e agosto de 2019, a ação obteve valorização de 80%. Em dezembro de 2018, a MGLU3 valorizara-se na faixa dos 128,5% no ano.

Os resultados da Magazine Luiza desde 2016 vêm surpreendendo o mercado. Naquele ano, a empresa obteve lucro de R$ 86,6 milhões. No ano seguinte, chegou a um lucro de R$ 389 milhões, contra R$ 597,4 milhões em 2018.

ações da magazine Luiza

Em outras palavras, não é só a MGLU3 que é uma estrela. A empresa parece longe de encontrar o seu teto. Apesar disso, está longe de participar do seleto grupo das empresas que melhor remuneram o capital com dividendos. Em 2018, foi R$ 0,854 por ação, com um dividend yield de apenas 0,33%. A expectativa é de que esses valores cresçam em 2019, já que apenas no primeiro quadrimestre os proventos alcançaram a marca de R$ 0,74.

Em compensação, em dezembro de 2018, a direção da companhia projetava um preço justo para a ação de R$ 171,00 em dezembro de 2019, quando as ações, que foram desdobradas em agosto de 2019, à proporção de 1 por 8, já eram negociadas a R$ 280,00.

Isso significa que a MGLU3 está sobrevalorizada. Em 16 de agosto de 2019, a cotação era R$ 37,56, superior a R$ 300,00 no preço antigo.

Isso não significa dizer que o preço da ação vai cair, como veremos mais à frente. Há quem afirme que a trajetória de crescimento da Magazine Luiza está apenas no começo.

 

Entendendo melhor a MGLU3

Todos os números da Magazine Luiza são impressionantes. A empresa fechou 2018 com lucro 53,6% superior a 2017, alcançando os R$ 597,4 milhões. A tendência é de que em 2019 a empresa mantenha a trajetória de crescimento acelerado nos resultados.

 

O lucro líquido, somente no segundo trimestre de 2019, foi de R$ 386,6 milhões, com crescimento de 174,7% em relação ao mesmo período de 2018, que teve lucro líquido de R$ 140,7 milhões. A receita líquida no mesmo segundo trimestre foi de R$ 4,3 bilhões, com incremento de 24,4% em vendas, chegando a R$ 5,747 bilhões.

 

Apesar da estagnação da economia brasileira, o crescimento em vendas ocorreu tanto no e-commerce, setor que não reconhece crise, quanto no varejo físico, que segue em expansão. A empresa se apoia numa arrojada estratégia de expansão, que inclui investimentos permanentes em inovação, tecnologia e serviços ao consumidor, o que, inclusive, inibe sua rentabilidade, mas, em compensação, aumenta as perspectivas para o futuro. A empresa vem investindo em ampliação dos canais de interação com o consumidor, na experiência do cliente e na qualidade dos serviços.

 

Compra da Netshoes

 

A vitalidade da Magazine Luiza fica evidente na recente compra da Netshoes. A companhia entrou numa disputa acirrada com a Centauro pelo controle da companhia paulista, que, apesar da pujança, vinha dando prejuízos seguidos devido a estratégias mal sucedidas.

Magazine Luiza e Centauro protagonizaram um emocionante leilão. No final, a Magazine Luiza conseguiu consolidar a aquisição de todo o capital social da Netshoes por US$ 115 milhões.

 

A compra da Netshoes consolida uma política de aquisições da empresa desde sua fundação, em 1957. Essa estratégia levou o grupo a alcançar 900 lojas físicas em 16 estados, fora os e-commerces, que são responsáveis pelo crescimento acelerado da empresa.

 

A aquisição da Netshoes é apenas o acontecimento que chama mais atenção do mercado devido à força da marca do e-commerce de materiais esportivos. Sem dúvida alguma, uma oportunidade gigantesca de acelerar o crescimento da companhia, entrando em um novo e poderoso nicho.

 

A Magazine Luiza vai mais além. A empresa investiu na década passada na integração digital de todos os seus canais, qualificando suas operações de logística e reforçando o foco na experiência do cliente.

 

A empresa tornou-se também um player importante no mercado de marketplace. Nesse modelo de negócios, a plataforma amplia sua oferta de produtos, a partir da integração de dezenas, centenas e até milhares de pequenos lojistas, que ganham a possibilidade de expor seus produtos em grandes e-commerces, com marcas reconhecidas, ganhando credibilidade e escala.

 

As grandes plataformas de e-commerce, como a Magazine Luiza, ganham participação sobre as vendas desses lojistas. É um modelo de negócios que tende a crescer, na medida em que o e-commerce apresenta dados animadores. Em 2018, o número de pedidos cresceu 10%, enquanto o faturamento cresceu 12%, chegando a R$ 53,2 bilhões. A expectativa é de que a escalada se mantenha em 2019.

 

A Magazine Luiza está bem posicionada para abocanhar uma gorda fatia desse segmento, o que tende a favorecer seu crescimento.

 

Vale a pena investir em MGLU3?

 

Como dissemos lá atrás, a corrida às ações da Magalu impulsiona os preços a níveis acima do que podemos chamar de valor real. Estamos falando, no entanto, de tempo presente e o mercado de ações é um exercício de futurologia.

 

A expectativa é de que a empresa continue crescendo aceleradamente nos próximos anos, sobretudo em função da expansão do e-commerce e da entrada no segmento de e-commerce esportivo, por meio da Netshoes.

 

A questão é o que pode acontecer no médio prazo, com investidores realizando receitas e comprometendo a trajetória de crescimento do preço da MGLU3. Em outras palavras, a tendência é de que em algum momento haja oscilações, que, muito provavelmente, não terão qualquer relação com o desempenho da companhia.

 

Ao mesmo tempo, é preciso saber até que ponto o mercado vai precificar o futuro. O que parece improvável, no longo prazo, é que o preço da ação sofra grandes abalos. Da mesma forma, a companhia deve se tornar mais atraente nos próximos anos no pagamento de proventos, graças ao crescimento acelerado da lucratividade do negócio.

 

Sendo assim, para quem quer garantir uma rentabilidade segura no futuro, a MGLU3 pode ser uma boa opção para compor carteira. Quanto a ganhar em cima da valorização do capital, é conversa para traders ou para quem enxerga muito no longo prazo e confia nos ótimos fundamentos da companhia.

Ações do Banco do Brasil: Uma boa opção?

ações do banco do brasil

O grande diferencial do Banco do Brasil, além de ser o maior banco do país em termos de ativos, é o seu papel de grande destaque nas políticas de crédito agrícola e exportação. Se não lhe garante um mercado cativo, ao menos é uma posição bem consolidada, que garante uma boa segurança ao caixa da empresa.

Como a política econômica dos últimos governos tem sido de redução do comprometimento das empresas com capital público nas políticas públicas, a tendência é de que o Banco do Brasil possa ter maior foco em lucro e geração de dividendos para os acionistas.

Os próprios números tratam de corroborar o que afirmamos. O lucro líquido da instituição financeira, que tem o governo como principal acionista, foi de R$ 3,845 bilhões no quarto trimestre de 2018. Isso significa dizer que superou o mesmo período de 2017 em 20,6%. Na ocasião, o lucro fora de R$ 3,402 bilhões.

Em todo o ano de 2018, o BB obteve lucro líquido ajustado de R$ 13,513 bilhões, incrementando em 22,2% a lucratividade da empresa. Os ativos da instituição financeira somaram, no final de 2018, R$ 1,417 trilhão, com aumento de valor de 3,5% em relação a 2017. O patrimônio líquido, no mesmo período, cresceu 3,6%, chegando a R$ 102,253 bilhões.

Esses são apenas alguns números que indicam o vigor do Banco do Brasil, mesmo frente ao delicado cenário econômico. A lucratividade do banco é uma constante. Além de se beneficiar da ótima base de clientes atrelados às políticas agrícolas e de exportação do país, o banco, como os demais, vem se beneficiando da queda da taxa Selic. Embora a política, pelo menos em tese, tenha como propósito baratear o crédito, a realidade tem apontado um resultado diferente, que é o aumento da margem de lucro das operações de crédito bancário, já que os juros praticados pelo mercado não acompanham nem de longe a redução da Selic.

ações do banco do brasil

Sendo assim, para quem busca ganho com proventos, o Banco do Brasil parece ainda ser um bom investimento, inclusive no longo prazo. O setor bancário brasileiro é o que paga maior percentual em dividendos e JCP aos investidores. O próprio Banco do Brasil alcançou, em 2018, um Yield de 6,95%, que é o percentual obtido sobre o capital dos acionistas após o recebimento dos proventos. Em outras palavras, é o percentual de valorização do capital obtido após a distribuição dos lucros.

 

BBAS3

 

A BBAS3, nos últimos três anos, teve cotação mínima de R$ 20,77, com a máxima chegando a R$ 55,60. A cotação média nos últimos cinco anos está na faixa dos R$ 45,00. Entre 2014 e 2016, a ação chegou a descer ao patamar de R$ 12,50.

Com a cotação acima de R$ 48,00 no início de agosto de 2019, não parece, para quem deseja investir no longo prazo, um bom momento para comprar. Não há, a princípio, nada no horizonte que indique um crescimento ou expansão no Banco do Brasil. Ao contrário, o que se vê é um aumento da concorrência no setor de serviços financeiros, com a entrada de startups digitais, que estão abocanhando uma fatia da pizza.

BBAS3

Além disso, a BBAS3 está sempre sujeita aos abalos provocados por quase tudo que acontece no mundo, das políticas governamentais no Brasil às variações da cotação do dólar internacional. Por essas e por outras, talvez o mais recomendado seja aguardar um histórico mais consistente e um preço menor, quanto mais abaixo dos R$ 35,00, melhor. Assim, você poderá aproveitar os proventos pagos pelo banco e ter uma boa chance de pelo menos não ver o ativo se desvalorizar.

Tudo bem que mesmo os proventos não estão num patamar tão irresistível assim. Isso quer dizer que a BBAS3 é um investimento em que os proventos não garantem alta rentabilidade. Mesmo assim, porém, pagou proventos extras no início de 2019 e, a manter o padrão atual, a rentabilidade supera bastante os investimentos mais conservadores, baseados na inflação e na Selic, que devem patinar numa rentabilidade inferior a 5%.

 

 

Vale a pena investir no Banco do Brasil?

 

Honestamente, o momento é para os traders. O preço da ação está alto, o que não favorece um bom yield, tampouco uma boa perspectiva de valorização das ações

Há que se repetir, não há também nada de novo no horizonte que projete um aumento do valor da empresa no médio ou no longo prazo.

Como já dissemos, é um papel para quem quer garantir dividendos sem muito aborrecimento, porém sem grandes perspectivas de lucrar significativamente com o ativo. Repetindo, então, mesmo para quem tem esse perfil, o preço da ação está alto, o que comprime a margem de ganho com dividendos e expõe o investidor a perder capital com eventuais desvalorizações dos papéis na B3.

Você deve estar se perguntando o que tem o valor da ação a ver com o índice Yield da mesma. É muito simples. Suponha que você comprou um papel do Banco do Brasil por R$ 30,00. No final do ano, o banco paga R$ 1,30 em dividendos e JCP (já descontado o IR). Enfim, seu ganho com proventos é de R$ 1,30. Sendo assim, você ganhou em Yield, 4,33%. Caso você houvesse comprada a ação ao preço de R$ 40,00, seu Yield seria de 3,25%.

Isso, claro, sem levar em conta a valorização ou desvalorização da ação no período entre a compra e o pagamento dos proventos. Por isso mesmo, é preciso equilibrar valorização e proventos para você calcular a sua rentabilidade. É mais ou menos como aquela história dos juros compostos. São juros em cima de juros. Nesse caso, seria como lucro sobre lucro.

Mas não é só isso. Essa análise tem que ser prévia. Não é só apostar no desempenho. É fator chave para o sucesso do investimento que você antecipe as tendências e conheça o histórico de pagamento de proventos da empresa. Enfim, é saber analisar o desempenho das ações e da empresa. Não adianta você aplicar em uma empresa por causa dos proventos, se ela vai se desvalorizar e os proventos recebidos servirão tão somente para cobrir o prejuízo que você teve.

Esse é o risco atual de se investir no Banco do Brasil. É praticamente inimaginável que o banco vá dar prejuízo em algum momento nos próximos anos, mesmos que a economia continue patinando, mas essa mesma economia patinando pode levar o preço das ações para baixo e comprometer o lucro obtido com proventos.

Por isso, é preciso cuidado. Não quer dizer que você terá prejuízo. É bem provável que, ao longo do tempo, os proventos recebidos cubram todo o prejuízo com a desvalorização. Nesse caso, o que vai acontecer é você retardar os seus ganhos com a distribuição de dividendos, que, convenhamos, já não é tão espetacular assim.

Luiz Barsi: Conheça a história e as lições do maior investidor brasileiro

Luiz Barsi

Quem já é leitor assíduo do mago já deve ter percebido que a visão central transmitida por nós, quando se trata de investimento em ações, é aquela em que os fundamentos da empresa devem estar no topo da análise. Luiz Barsi é nada menos que o maior investidor individual do Brasil, com uma carteira em investimentos superior a R$ 1 bilhão, e ele próprio atribui o seu sucesso a análise fundamentalista.

Aonde esses dois temas se casam? Casam-se no momento em que podemos afirmar que a síntese do pensamento de Barsi é a tese chave em que nos baseamos para mostrar ao investidor qual o melhor caminho a tomar.

Nada contra quem prefere viver de trade, mas temos que lembrar o ensinamento do maior investidor do Brasil, considerado o Warren Buffet brasileiro, que afirma que “o especulador nunca ficará rico na Bovespa”.

 

Ao contrário, Barsi recomenda ao investidor:

“Examine bem os fundamentos da empresa e conheça-a bem. Veja o histórico de dividendos, sua saúde financeira, a perspectiva daquele setor, o comprometimento do gestor. Seja chato.”

 

A história de Luiz Barsi

 

O “Rei dos Dividendos”, como Barsi é conhecido, é um homem de origem pobre e hábitos bastante extravagantes aos olhos de quem construiu na mente um estereótipo do milionário ostentador.

Mesmo sendo proprietário de uma carteira de investimentos na casa do bilhão, Barsi ainda adota hábitos de vida simples, como ir de metrô diariamente até o seu escritório, onde trabalha das 10h às 14h.

O que torna seus hábitos mais extravagantes à visão do senso comum é que não se pode atribuir a Barsi a condição de um milionário enfadado com a rotina da riqueza, do luxo e do dinheiro fácil. Ao que tudo indica, tais benefícios nunca foram muito considerados pelo grande investidor.

Barsi, na verdade, nasceu pobre. O ano era o de 1939 e o mês era março. Era filho de imigrantes espanhóis e perdeu o pai com um ano de idade. O cenário em que a experiência no mundo do futuro grande investidor se desenvolvia era o bairro do Brás, centro de São Paulo. A família morava em um cortiço, tipo de habitação bastante comum nas grandes capitais naquele período.

Depois de trabalhar como engraxate para ajudar a família, conseguiu um emprego numa corretora na década de 60. Foi onde começou sua trajetória como investidor, comprando seus primeiros papéis. Ao mesmo tempo em que aumentava sua carteira de investimentos, Luiz Barsi Filho não abriu mão de investir no maior ativo que pode ter um homem, que é o conhecimento, base da aceleração do crescimento de sua fortuna, como fica evidente em sua filosofia de investimento, conhecida como value investing.

Além de megainvestidor, é formado em Economia, Análise de Balanços e Direito. É membro do Conselho Regional de Economia – SP e presidente do Conselho de Administração da Eternit.

Já foi membro do Conselho de Administração da Unipar/Carbocloro, editor de economia e mercado de capitais do Diário Popular, por quase duas décadas, e editor da revista Marketing, no período entre 1989 e 1992.

 

Ações x Empresas

 

Sua principal atividade hoje, chegando aos 80 anos, continua sendo estudar investimentos. Barsi estuda o comportamento das empresas e das ações para definir onde investir.

Separar o desempenho das empresas do desempenho das ações é uma das principais características do bom investidor. Quantas vezes você já se deparou com ações cuja cotação está despencando na Bolsa de Valores, enquanto as empresas estão obtendo excelentes resultados econômicos e financeiros? Com isso, ao mesmo tempo em que as ações estão se desvalorizando, a participação do acionista na empresa está rendendo-lhe dividendos.

Luzi Barsi
Benjamin Graham, considerado o Pai da análise fundamentalista

O verdadeiro acionista aplica seus recursos em valorização da empresa e lucro. A valorização da empresa é decorrente do investimento em novos ativos, novas operações e novos mercados. Essa é a lógica, inclusive, da abertura de capital. Consiste em compartilhar riscos e oportunidades com o investidor, o que está na contramão da filosofia do empréstimo bancário, em que o banco, através dos juros, assegura uma fatia dos ganhos com a oportunidade, reduzindo ao máximo sua participação nos riscos.

O que muitos investidores não percebem, porque ninguém lhes contou, é que existe a outra ponta nesta equação, que são os dividendos. Os dividendos e JCP pagos pelas empresas não estão condicionados pelos movimentos especulativos, mas pela previsão de lucro e pelo lucro líquido, propriamente dito. Você pode ganhar ou perder na cotação da ação na bolsa, mas, como acionista, você tem participação nos lucros da empresa. É o que podemos chamar de investir na economia real.

 

A essência do ensinamento de Luiz Barsi

 

Essa é a essência do ensinamento de Luiz Barsi. O acionista investe no crescimento da empresa, de modo a aumentar o valor da sua fatia da pizza, mas também nos resultados obtidos pela mesma. Se os resultados são obtidos, o ganho é imediato.

É como dizer que a desvalorização da ação na Bolsa é uma perda que pode ser recuperada. Já os proventos obtidos em função dos resultados da companhia são seus.

Basicamente, o que Barsi recomenda é que você compre fatias de uma empresa em cujo projeto você tem boas razões para acreditar. Mas isso é no longo prazo. A questão toda é saber o momento certo de comprar. Para isso, você precisa analisar os fundamentos da empresa, perceber o histórico das ações para saber em que momento o preço está bem abaixo do preço justo.

O movimento que nós precisamos entender é que o investimento na Bolsa é sempre olhando para o futuro. Sendo assim, o movimento dos investidores acaba refletindo o futuro no presente. Em outras palavras, quando muitos investidores percebem uma grande oportunidade de investimento no médio e no longo prazo, o preço da ação tende a subir, antecipando a valorização projetada no futuro. Só que, em algum momento, alguns decidem realizar o lucro, o que faz com que a cotação da ação volte à sua realidade presente. Nessa hora, você pode comprar as ações pensando nos dividendos e numa futura valorização dos ativos.

Caso, todavia, ocorra um movimento especulativo muito forte, que derrube as ações para um patamar bem abaixo do valor de mercado da companhia, é a melhor hora para o comprador que deseja investir no longo prazo, pois a valorização do ativo é mais do que provável, enquanto, sendo a companhia sólida, os altos dividendos são praticamente garantidos.

Está aí o grande pulo do gato da filosofia de Barsi. Os dividendos não variam de acordo com o preço cotado da ação na Bolsa de Valores. Sendo assim, ao comprar as ações em baixa, você tem um retorno superior sobre o capital investido.

Para ficar mais claro, você pode comprar uma ação por R$ 20,00 ou R$ 30,00. Quando a companhia divulga  dividendos de R$  2,50 por ação, quem leva mais vantagem? Obviamente que aquele que comprou a ação por R$ 20,00, pois vai ganhar os mesmos R$ 2,50 com menos investimento.

 

Quais são os principais fundamentos na hora de comprar uma ação?

Para o investidor de longo prazo a análise fundamentalista se mostra indispensável para a melhor tomada de decisões. Isso porque quando adotamos uma perspectiva de longo prazo, o “barulho” do mercado, que costumeiramente cria percepções ilusórias sobre o preço das ações, se torna irrelevante.

 

Ao contrário de um trader, que pode eventualmente aprender a identificar a causa desses movimentos de curto prazo e se aproveitar deles, o investidor esta mais interessado em selecionar ações de empresas sólidas, com potencial de crescimento e lucros constantes ao longo dos anos, sendo irrelevante o movimento que elas podem apresentar nesse meio tempo.

 

Mas como selecionar essas empresas? Não há método melhor do que a análise fundamentalista de ações, buscando empresas cujo negócio e administração estejam assentados em fortes fundamentos econômicos que maximizem o seu resultado a longo prazo. Além desses, também podemos falar dos fundamentos micro e macroeconômicos, que dizem mais respeito as condições externas do mercado que a empresa atua e da economia como um todo. Para os growth investors, que buscam maximizar o valor do crescimento do seu capital a longo prazo e, idealmente, se tornar sócio de uma empresa para nunca mais precisar vender as ações da mesma – a não ser que seus fundamentos não sejam mais tão bons – esse segundo tipo de fundamento, ligado a questões macroeconômicas, se torna menos relevante, já que uma empresa sólida sempre irá performar bem a longo prazo, ainda que no curto e médio possa sofrer com condições adversas de mercado.

fundamentos de ações

Por isso, vamos nos concentrar aqui nos principais fundamentos relacionados a empresa em si que você deve analisar antes de tomar uma decisão de compra.

 

 

Os principais fundamentos econômicos de ações

 

Dito isto, podemos dividir os principais fundamentos que você deve analisar na hora de comprar uma ação em 4 grandes grupos:

. Eficiência da Produção, Marketing, pesquisa e desenvolvimento e finanças

. Recursos humanos

. Potencial de lucratividade

. Razão preço/lucro

 

Eficiência da Produção, Marketing, pesquisa e desenvolvimento e finanças

 

Dentro deste bloco, analisamos o que podemos chamar de os 4 fatores principais que lhe darão um indicativo inicial sobre valer a pena de se tornar um sócio daquela empresa ou não.

Primeiramente, é importante analisar se a empresa é a mais eficiente ou pelo menos uma das mais eficientes no seu setor na fabricação da maior parte das linhas de produto que oferece. Para ser verdadeiramente classificado como um investimento conservador, é vital que a empresa possua o mais baixo custo de produção entre seus competidores ou pelo menos esteja pareada com seus concorrentes próximos.

Isso atinge a dois objetivos muito importantes. O primeiro é que quando o mercado mudar e a demanda cair drasticamente, a empresa possuirá uma margem grande o suficiente que lhe permita cortar os preços sem colocar em risco o seu próprio lucro. Com isso, ela consegue resistir aos períodos mais escassos da economia e se prepara para uma forte recuperação à medida em que os seus concorrentes de custo mais alto se veem obrigados a vender a um preço próximo demais do break-even (seu custo total de produção por unidade), ou muitas vezes menor, forçando-os a diminuir a produção e gerando um aumento de demanda para empresa de menor custo.

O segundo objetivo é garantir que a empresa possua internamente a maior parte dos recursos de que necessita para sua expansão, evitando que emita novas ações no futuro – o que diluirá seus potenciais ganhos como acionista – ou que se endivide, aumentando seus custos com amortização e, consequentemente, diminuindo a  rentabilidade que lhe caberá enquanto acionista.

 

Já com relação a eficiência do seu marketing e de sua força de vendas, a relação tende a ser direta e inegável. Embora a situação ideal seja, obviamente, uma empresa com um excelente produto e excelente marketing e capacidade de vendas, a verdade é que em quase todos os exemplos históricos comparativos que podemos utilizar uma empresa com um produto mediano e uma força de vendas e marketing extremamente forte sempre vence uma empresa com um produto excepcional e um marketing pífio.

A única exceção a isso é no caso de empresas com produtos realmente inovadores, com alta tecnologia agregada, caso em que a própria ausência de competidores qualificados garante as vendas, o que nada mais é do que a exceção que confirma a regra.

O terceiro fator dentro deste ponto é analisar quais os investimentos a empresa tem feito internamente em pesquisa e desenvolvimento visando a geração de novos produtos que possam conquistar mais mercado, receita e lucros para a empresa futuramente. É preciso ter consciência de que o investimento em pesquisa e desenvolvimento em geral gera muitos resultados insatisfatórios e projetos que apenas consomem dinheiro da empresa, entretanto, é de vital importância estratégia a longo prazo, visto que muitas vezes apenas um desses projetos que tenha sucesso dá origem a um produto excepcional que pode se tornar um campeão de vendas nos anos futuros, aumentando exponencialmente os lucros da empresa.

Por fim, a organização financeira da empresa muitas vezes é um fato que passa batido para muitos investidores, pois nossa tendência natural é olhar apenas para a lucratividade da empresa e seu potencial de crescimento e esquecer que as funções de “suporte” são igualmente essenciais a longo prazo. Em uma empresa com uma linha diversa de produtos nem sempre é uma tarefa fácil saber exatamente o custo de cada produto em relação aos outros, visto que muitos desses custos – com exceção dos materiais diretamente utilizados e do trabalho de funcionários diretamente envolvidos na produção – tendem a estar dispersos em uma ampla gama de produtos. Saber o custo exato de cada produto dá uma vantagem considerável a empresa a medida em que ela pode tomar melhores decisões estratégicas, já que saberá quais produtos tem maior lucratividade e potencial de domínio de fatia de mercado.

 

Recursos humanos

Com certeza, um dos fatores mais relevantes para o sucesso de uma empresa a longo prazo é o fator pessoas. Embora isso seja algo de certa forma subjetivo demais para ser avaliado com alta precisão ele é essencial para a correta tomada de decisão de investir naquelas ações.

Para atender a esse requisito, você deve avaliar se o CEO da empresa em questão tem visão de longo prazo na condução dos negócios da empresa e a capacidade de delegação para um time de executivos de alta competência responsável por cada uma das áreas da empresa. Além disso, é necessário avaliar se a empresa tem e aplica eficientemente um programa de treinamento interno para identificar os colaboradores iniciantes com maior potencial de modo a treiná-los para futuramente sucederem a direção executiva atual, de modo a manter contínuo o fluxo de gestão eficiente da empresa.

Outro ponto importante é se a empresa tem um esforço de “vender internamente” a empresa a todos os seus colaboradores, de modo a mantê-los engajados com a atividade fim da empresa e garantir o desempenho futuro.

 

 

Potencial de lucratividade Exponencial

 

Já falamos sobre a importância de uma alta eficiência na produção e um custo de produção comparativamente baixo em relação aos competidores, mas esse fator que iremos falar agora diz mais respeito a uma empresa cujo negócio contenha uma vantagem inerente em relação a lucratividade.

O principal meio para chegar a esse estágio é se tornar líder de mercado de modo que uma grande parcela dos consumidores escolha comprar um produto daquela marca simplesmente porque é a líder do mercado, diretamente associada na mente do cliente ao próprio produto que oferece em si. Assim, você deve se perguntar se a empresa na qual você esta pretendendo investir é a melhor, ou tem condições de se tornar a melhor em um futuro breve, em relação a um mercado considerável para um determinado produto.

análise fundamentalista
Jack Welch, ex-CEO da GE

Foi seguindo este princípio, entre outros, que jack welch, considerado por muitos o maior CEO dos século 20, conseguiu aumentar o valor de mercado da General Eletric em 4.000% durante os 20 anos em que foi CEO da companhia. Um dos valores de gestão de Welch era o da dominação absoluta do mercado: Apenas manter produzindo produtos em que a empresa seja a número 1 ou no máximo 2 do mercado e descontinuar todas as outras linhas de produto. Jack entendia muito bem o valor exponencial para a lucratividade de ser o maior player do mercado em que atua.

 

Razão preço/lucro

 

Por fim, um dos fatores mais importantes para uma boa decisão de investimentos é a razão preço/lucro, que nos dará um indício forte sobre o preço atual da ação em relação ao seu valor intrínseco.

Muitas pessoas não param para pensar, mas a atratividade de um potencial investimento esta intimamente ligada ao preço que você paga por ele. De nada adianta investir em uma excelente empresa se o preço pago já é alto e exclui a possibilidade de ganhos futuros significativos.

Ao mesmo tempo, é preciso considerar que o preço de qualquer ativo negociado no mercado de ações sempre varia em função da percepção que a comunidade financeira tem dela, sendo entendida essa comunidade como o conjunto de todas as pessoas e instituições que operam no mercado financeiro.

Entender isso é a chave para o investimento bem feito. Quando existe um descompasso entre a percepção da comunidade financeira sobre uma empresa e o seu real valor – dado pela qualidade dos seus fundamentos – abre-se uma excelente oportunidade para o investidor inteligente.