O que é XRP?

XRP

XRP é uma das criptomoedas mais faladas ultimamente, especialmente após as últimas notícias envolvendo o processo aberto pela SEC (Securities and Exchange comission), uma espécie de CVM dos EUA contra a ripple, a empresa que desenvolveu a XRP, sob a acusação de que a XRP seria, na verdade, um valor mobiliário, já que foi utilizada pela ripple para levantar mais de 1 bilhão de dólares de investidores.

Mas você sabe realmente o que é e como funciona a XRP? E, será que vale a pena investir nessa criptomoeda? São essas questões que buscaremos responder nesse artigo.

 

O que é a XRP?

 

Em essência, a XRP é uma criptomoeda que foi criada com o intuito de resolver o problema da ineficiência e lentidão das transferências de dinheiro entre bancos de diferentes países. Atualmente, o sistema mais utilizado é o famoso SWIFT, seguido pela Wester Union e o Money gram, todos com o inconveniente de se ter que esperar por dias a fio até que a transferência internacional de capital se concretize, além de serem marcados pela grande burocracia envolvida.

As transferências internacionais de dinheiro sempre foram tão problemáticas porque, geralmente, os bancos envolvidos na transação, localizados em dois países distintos, não terão uma relação direta, de modo que, para concretizar a transação é necessário que se utilize uma rede de bancos entre esses dois bancos, pelos quais o dinheiro irá passando de um em um até chegar ao seu destino final. Parece bem pouco eficiente, não é? Mas calma que ainda existem mais problemas pelo caminho.

XRP Ripple

Outro problema para transferências internacionais é a conversão de câmbio. Se estivermos falando de transferências em moedas mais a margem do sistema financeiro global, então as situações se complicam bastante. Vamos imaginar que você queira transferir uma certa quantia em reais para um banco japonês. Naturalmente, a solução seria simplesmente converter os reais para ienes e, então, o banco japonês creditaria na sua conta esse valor convertido em ienes. O problema é que, muito provavelmente, o banco japonês não terá reservas em reais para que essa conversão possa ser feita de modo simples e nem o banco brasileiro possuirá reservas em ienes na maioria dos casos.

Com isso, o que acaba tendo de ser feito é algo muito pouco eficiente. Como o dólar é a moeda de reserva internacional, qualquer banco no mundo terá algum reserva em dólar. Assim, para concretizar a operação nesse exemplo, sua quantia em reais teria que ser convertida em dólares, enviada ao banco japonês, onde seria novamente convertida, dessa vez em ienes, e, finalmente creditada em sua conta junto ao banco japonês. Ah e, é claro, você pagará uma bela taxa de conversão não uma, mas duas vezes!

Além disso, não existe um único protocolo padrão para o sistema bancário mundial no que diz respeito as transferências internacionais, de modo que cada transferência se torna única em certo sentido, com o banco remetente tendo que achar, naquele momento, uma rede de bancos intermediários que supra sua necessidade para que o dinheiro chegue até o banco destinatário. Por isso, não existe confiabilidade no processo de transferências internacionais, podendo levar mais ou menos tempo a depender da situação e, claro, essa falta de previsibilidade apenas gera custos extras a todo o processo.

No sistema da XRP, há um protocolo único para as transações, o Ripple Transaction Protocol, ou RTXP.

 

Como funciona a XRP?

 

Todas as transações feitas com XRP dentro do sistema da Ripple seguem as regras definidas pelo RTXP. Quando um banco envia uma determinada quantia de XRP para um banco em outro país, a transação é validada por diversos nodes distribuídos de forma descentralizada pelo mundo – semelhante a um node da blockchain do bitcoin, por exemplo – que verificam se a transação cumpre as regras definidas pelo protocolo RTXP, e então, após a validação, a transação é concluída.

As criptomoedas que podem ser utilizadas para essas transferências são, obviamente, a XRP, mas também as IOU’S, que basicamente são tokens criados dentro da blockchain da Ripple. Os IOU’s atuam como uma espécie de nota promissória digital dentro da plataforma ripple, por meio do qual um participante promete pagar uma determinada quantia ao titular daquele IOU específico. Muitas instituições criam IOU’s dentro da plataforma Ripple como meio de se financiar.

Transações em XRP dentro da plataforma levam em média 4 segundos e o potencial da rede é de 1500 transações por segundo. Para fins de comparação, a blockchain do bitcoin (BTC) é capaz de realizar apenas 7 transações por segundo e cada transação leva, em média, 10 minutos para ser confirmada.

Uma das grande diferenças da XRP com o Bitcoin é a impossibilidade de minerar XRP como se minera Bitcoin. Quando uma transação é realizada, os validadores, que são os nodes da rede, votam para decidir se aquela transação é válida ou não e, caso 80% ou mais dos validadores a considerem válida, ela então é concretizada.

O total de XRP emitidas pelo sistema é de 100 bilhões de XRP’s pelo protocolo Ripple. Desse total, 20 bilhões foram distribuídos para os fundadores no momento de criação da XRP, 7 bilhões para a empresa, a Ripple Labs, outros 20 bilhões emitidos para serem adquiridos e negociados pelo público em geral. O restante das XRP’s, no total de 53 bilhões, esta selada por meio de um smart contract que libera exatamente 1 bilhão de XRP’s por m6es até que o total de 100 bilhões seja atingido.

Para armazenar XRP’s na sua wallet, você precisa adquiri pelo menos 20 XRP’s, o que é feito para evitar que se possa spammar o sistema abrindo diversas wallets, todas com quantidades minúsculas de XRP. Apesar disso, a XRP é divisível até a sexta casa decimal, ou seja, uma XRP pode ser dividida em até 1 milhão de partes, chamadas de drop.

A quantidade total de XRP’s diminui ao longo do tempo, a medida em que a quantidade de XRP’s de uma transação é destruída após a liquidação. Atualmente, são 45 bilhões de XRP em circulação.

 

SEC x Ripple

 

Em 22 de dezembro de 2020 a SEC, o orgão regulador do mercado de capitais americano, abriu um processo contra a Ripple sob a alegação de que a XRP seria um valor mobiliário, já que a empresa levantou cerca de R$ 1,38 bilhões de dólares através da venda de 14,6 bilhões de XRP desde 2013. Moedas como o bitcoin e ethereum já escaparam da classificação de valor mobiliário no passado devido a natureza altamente descentralizadas dessas criptomoedas, entretanto, no caso da Ripple, há de fato uma forte centralização da XRP, com mais de 50 bilhões sob controle da Ripple, o que fortalece as alegações da SEC.

Desde a notícia do processo, a XRP apresentou uma queda vertiginosa de preço de quase 60%, chegando a atingir os 20 centavos de dólar por moeda. Apesar disso, mesmo a eventual consideração pela SEC da XRP como valor mobiliário não eliminaria a lucratividade da Ripple nem o valor que a XRP traz ao mercado de pagamentos globais, portanto, o processo pode ser uma boa oportunidade de investir em XRP por um preço de compra extremamente baixo. Se a XRP vai sair fortalecida dessa situação só o tempo dirá, mas vale a pena ficar de olho nessa criptomoeda.