Ações da cemig são uma boa opção?

As ações da CEMIG são uma boa opção para investir? A que tipo de perfil a CMIG4 contempla?

Antes de responder a essa pergunta, vamos conhecer um pouco mais dessa companhia, que desempenha um papel estratégico de grande valor para o Brasil.

Com sede em Belo Horizonte, MG, a CEMIG é uma das mais importantes concessionárias do setor de energia elétrica no Brasil. É a líder na América Latina em capacidade instalada de abastecimento e a maior da América do Sul em número de pessoas atendidas.

Acoes da cemig

Foi fundada em 1952, pelo governo do estado de Minas Gerais, durante a gestão do governador Juscelino Kubitschek.

É responsável por 96% da energia elétrica consumida no estado de Minas Gerais, mas sua atuação transcende, inclusive, o território brasileiro. A Cemig atua em 774 municípios brasileiros, divididos por 22 estados, além de prestar serviços no Chile em parceria com a Alusa Holding.

Desde 2006, a Cemig tem participação na Light, companhia que dominava o setor no Rio de Janeiro. Tem forte participação na Madeira Energia, controlando 83% do capital social da empresa, que é responsável pela instalação no Rio Madeira, no estádio de Rondônia, da Usina Hidrelétrica de Santo Antônio, que será a segunda maior hidrelétrica com turbinas bulbo do mundo.

Além disso, tem participação em outros setores, diversificando sua matriz estratégica, que compreende do setor de telecomunicações à automação de softwares. A boa gestão estratégica entre outros fatores, como a gestão de riscos econômicos, sociais e ambientais, faz com que seja a única empresa do setor na América Latina a ter obtido o índice Dow Jones Sustainability World Index, além de fazer parte regularmente do ISE (Índice de Sustentabilidade Empresarial) da BMF&BOVESPA.

Histórico recente

O último balanço patrimonial da CEMIG aponta a empresa com patrimônio líquido positivo de R$ 17,5 bilhões. A dívida bruta da companhia é de R$ 13,9 bilhões, contra um ativo de R$ 65,6 bilhões, sendo que R$ 27,6 bilhões desse ativo estão no circulante, ou seja, realizável no exercício vigente.

A receita da empresa nos últimos 12 meses alcançou R$ 24,6 bilhões, com lucro líquido de R$ 4,2 bilhões. A previsão é de que o lucro de 2019 supere em muito o de 2018, que já superou largamente o de 2017. O lucro em 2017 foi de R$ 1 bilhão, contra R$ 1,7 bilhão em 2018. Só no último trimestre de 2018 o lucro foi superior a R$ 1 bilhão.

Os resultados são puxados pelo aumento do preço da energia elétrica ao consumidor e pela venda de ativos da Telecom.

Como fica a CMIG4?

A CMIG4 vem acompanhando quase que fielmente os resultados da companhia, o que não tem relação, obviamente, com o valor real de mercado, mas com o alinhamento entre expectativas no mundo real e percepção dos investidores.

Vamos explicar melhor. As ações PN da companhia estavam cotadas, no final de 2017, em R$ 6,39. Um ano depois, quem investiu na CMIG4 ganhou 116,76%. As ações terminaram 2018 cotadas a R$ 13,86, superando, inclusive, o melhor preço obtido no mercado em agosto de 2014, quando chegou a alcançar patamar acima dos R$ 13,00.

Mesmo assim, a CMIG4 chegou a agosto de 2019 cotada acima dos R$ 14,00, chegando até a superar os R$ 15,00 em algum momento. Sendo assim, apesar do bom momento da companhia, não parece ser esse o melhor momento para investir na compra de suas ações.

Não há qualquer perspectiva de que o preço da CMIG4 caia de volta para o patamar de dezembro de 2013, mas é bom ficar atento a uma onde de realização de lucros nos próximos meses. A razão é um pouco mais difícil de explicar e entra no terreno político, mas vamos tentar problematizar a questão.

Além da venda de ativos e do aumento do preço da energia elétrica ao consumidor, o mercado embarcou no otimismo relacionado a uma futura privatização da companhia. Tal expectativa está ancorada na eleição de um governo de direita em Minas Gerais em 2018, além de haver um movimento nítido do governo federal no sentido de se desfazer de ativos para gerar caixa e, com isso, ao mesmo tempo, gerar superávit nas contas públicas e reduzir a dívida da união.

A verdade, no entanto, é que faltam argumentos para convencer os próprios políticos e a população dos benefícios da venda da CEMIG. Mesmo a venda de ativos da companhia é bastante questionável, sobretudo em um momento de vigor na geração de receitas e obtenção de lucro.

Ao perceber que a privatização é um projeto extremamente complexo, é possível que o interesse dos investidores caia, trazendo para baixo, consigo, as ações.

Vale a pena investir em ações da CEMIG?

A realização de lucros por parte dos investidores pode gerar uma boa oportunidade de compra da CMIG4. Não há expectativa de queda do preço ao consumidor, o que garante a geração de caixa e a lucratividade da empresa no médio prazo.

Por ser uma empresa que atua numa área estratégica e num segmento em que o consumo é obrigatório para empresas e residências, com atuação voltada para o mercado interno, a CEMIG está pouco sujeita a abalos relacionados à macroeconomia e ao mercado internacional.

A ameaça para os acionistas seria a mudança da orientação política, que poderia levar a um controle de preços da energia elétrica, mas essa possibilidade parece quase impensável, o que significa que a CEMIG deve se manter sustentável no longo prazo, o que não significa, necessariamente, que seja um bom investimento.

Para quem quer investir em ganho sobre a valorização do capital, o ideal é esperar que a cotação caia para um patamar abaixo dos R$ 10,00. Nesse caso, a probabilidade de altos ganhos no curto e no médio prazo é grande, tudo dependendo de rumores mais ruidosos sobre privatização da companhia. Nesse caso, a cotação poderia até superar os R$ 16,00, principalmente se os resultados financeiros trimestrais continuarem sendo alvissareiros.

A questão, no entanto, é o longo prazo. A empresa pagou em 2018, ano de bons resultados, 0,6443 em proventos, com um Yield de 4,6%. Para quem ganhou com a valorização da ação, os 4,6% somaram-se aos ganhos sobre o capital. Para quem pensa no longo prazo, combinando operação de baixo risco com gordos proventos, é preciso pensar melhor. É bem verdade que a empresa, em maio de 2019, pagou 0,4508 em proventos, sendo a previsão de que a distribuição de lucros superará longe 2018.

Sem podermos saber em qual patamar a empresa vai se estabelecer no futuro no que diz respeito a pagamento de proventos, juntando a isso a expectativa de queda da cotação da ação no presente, o ideal é esperar uma queda para abaixo dos R$ 10,00. Nesse caso, há possibilidades de ganho no curto prazo e ainda haverá tempo para esperar a progressão dos dividendos e JCP.

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