Forjas Taurus: Há alguma esperança de melhoria a longo prazo?

Forjas Taurus: Há alguma esperança de melhoria a longo prazo?
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A Forja Taurus, fabricante de armas brasileira, surgiu em 1939, na cidade de São Leopoldo, RS, graças a um contrato de importação de bens de produção da Alemanha, numa ambiente altamente favorável aos negócios no Brasil, que vivia um momento de crescimento e industrialização sob o comando de Getúlio Vargas, apesar da iminência da II Guerra Mundial.

Com a eclosão do conflito, a importação das máquinas da Alemanha foi suspensa e os proprietários decidiram criar seu próprio maquinário de produção. A empresa tornou-se S/A em 1949, enquanto focava sua produção em armas e ferramentas. Com o aumento do consumo de armas no país, a empresa experimentou nos anos seguintes um ciclo de crescimento, com criação de uma segunda fábrica.

Depois de ter passado ao controle de uma empresa estrangeira, a Taurus voltou a ser controlada por uma empresa nacional, a Polimetal, que adquiriu, na década de 80, o capital da Comércio Beretta S.A., uma fabricante italiana de pistolas e metralhadoras. A empresa, com isso, entrou no mercado de pistolas semiautomáticas.

Depois de ampliar ainda mais o escopo de seus negócios, a empresa foi, em 1995, certificada com o ISO 9000 pelo Instituto Brasileiro de Qualidade Nuclear (IBQN). Já no final do século XXI, a empresa alcançou a posição de terceiro maior fabricante mundial de pistolas curtas.

O início do século XXI foi de progresso no mercado internacional, quando a empresa recebeu vários prêmios por seus produtos. Durante o século XXI, seguiu sua expansão e atualmente vem atuando nos seguimentos de:

– armas e acessórios;

– capacetes e acessórios;

– contêiners e plásticos;

– M.I.M. (Metal Intection Molding).

A Taurus emprega mais de 1,8 mil colaboradores e possui três unidades, duas no Brasil e uma em Miami (EUA). Com produção mais voltada para o mercado externo, a companhia exporta para mais de 100 países.

História recente

Apesar dos oitenta anos de existência e da boa posição mercadológica, a empresa ganhou a atenção da população recentemente, em virtude da subida no cenário eleitoral, ao longo do ano de 2018, do então candidato Jair Messias Bolsonaro.

Ações Forjas Taurus

O candidato adotou como principal lema de campanha a liberação da posse e do porte de armas de fogo, o que, em tese, beneficiaria à Taurus, já que a empresa teria as melhores condições para abastecer o mercado interno, com foco em público de alta renda.

As ações da Taurus dispararam durante o ano de 2018 e terminaram pulverizadas já no início de 2019, quando da assinatura pelo então presidente eleito do decreto que regulamentava a posse de armas, que em nada atendia à expectativa de consumo alimentada ao longo da campanha política.

Euforia do mercado à parte, os negócios da Taurus pouco foram afetados pela onda especulativa, já que, conforme já foi dito, a produção de armamentos da empresa é voltada para o mercado internacional, além do que não é o único negócio da companhia.

O total em ativos da companhia alcança a cifra de R$ 1,012 bilhão, contra uma dívida líquida de R$ 734 milhões, que atingiu sua máxima histórica no terceiro trimestre de 2018, quando chegou perto dos R$ 900 milhões, entrando, desde então, em trajetória de queda.

Apesar disso, o patrimônio líquido da empresa é negativo, somando (-) R$ 305,7 milhões, mas vem se recuperando nesse item desde o terceiro trimestre de 2018. Um bom parâmetro de comparação são os resultados obtidos pela companhia no segundo trimestre de 2019 frente aos 12 meses antes da publicação do balanço de junho de 2019.

O lucro obtido em 12 meses pela companhia foi de R$ 80,4 milhões. No segundo trimestre de 2019, o lucro apurado foi de R$ 43,6 milhões. O acumulado no ano é de R$ 47,7 milhões. A receita líquida da empresa foi recorde no primeiro semestre de 2019, alcançando pela primeira vez a marca dos R$ 900 milhões.

Em setembro de 2019, a Taurus venceu concorrência internacional para o fornecimento de fuzis T4 à Polícia Civil de São Paulo. Entre 6 e 15 daquele mês, a empresa registrou cerca de 2 mil pedidos diários durante participação no evento conhecido como “Semana do Brasil”.

A empresa apresentou aumento de 16,4% da receita operacional no segundo trimestre de 2019 em relação ao mesmo período de 2018. No mesmo período, foi registrada uma margem bruta de 34,5% e 24,2% de EBITDA.

FJTA4

A FJTA4 é a ação preferencial da Forjas Taurus. Cotada a R$ 3,36 em 30 de setembro de 2019, registrava queda acumulada no ano de 17,04%, contra a valorização de 131,43%, lastreada na onda especulativa relacionada à liberação do porte de armas.

Quem soube perceber o movimento especulativo soube também a hora certa de vender as ações e realizar lucro. Desde outubro de 2007, quando alcançou sua cotação máxima, de R$ 41,53, o preço da ação vem oscilando para baixo.

Parte da pouca procura pela ação deve-se ao histórico de proventos da companhia, igual a zero desde o último pagamento no primeiro trimestre de 2018, além do histórico recente de prejuízos financeiros.

Vale a pena investir?

Atualmente, a ação está cotada pelo mercado a -0,97 do patrimônio líquido. O valor patrimonial por ação é negativo em R$ 3,46.

Não há dúvida de que a ação está depreciada em relação à atual performance da empresa, que vem obtendo, nos últimos trimestres, números bastante positivos, seja quanto à receita, lucratividade, margem e patrimônio líquido. O problema é o alto grau de endividamento.

É preciso acompanhar atentamente os próximos resultados. Não parece ser esse, ainda, o melhor momento para comprar, ainda que o preço pareça tentador. O negócio da Taurus é bastante sujeito a variações na demanda, o que talvez sugerisse um portfólio mais variado de produtos para sustentar a rentabilidade do negócio.

Sendo assim, é melhor, por ora, ficar em cima do muro, mas a resposta para a pergunta que intitula esse artigo é positiva. Há, realmente, esperança de melhora no longo prazo, mas ainda não parece ser a hora de investir.

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