Ações do Banco Itaú: uma boa opção para o longo prazo?

Em primeiro lugar, vamos fazer as devidas apresentações. O Itaú Unibanco é o maior banco privado brasileiro, tendo a sua sede na cidade de São Paulo. Surgiu da fusão entre dois gigantes do mercado financeiro, Itaú e Unibanco, em novembro de 2008, que originou o maior grupo financeiro do Hemisfério Sul, assim como um dos 20 maiores do mundo em valor de mercado.

Além de abrir seu capital na BM&F Bovespa, o grupo tem ações listadas, também, na Nyse, Bolsa de Nova Iorque, Estados Unidos. Está presente em mais de 20 países por meio de 5 mil agências, além de 26 mil caixas eletrônicos e pontos de atendimento. A empresa opera nos Estados Unidos, na Europa e na Ásia.

itub4

Entre os países em que atua estão: Argentina, Chile, Estados Unidos, México, Uruguai, Espanha, Portugal, Reino Unido, Bélgica, França, Suíça, China, Japão e Emirados Árabes Unidos.

O Itaú tem em sua carteira de ativos a REDE, segunda maior adquirente de cartões do país, além de atuar no ramo de seguros, em parceria com a Porto Seguro, tradicional seguradora brasileira, oferecendo cobertura residencial e automobilística, sendo que a Porto é a líder no ramo de seguro de autos no mercado brasileiro.

Em 2017, o Itaú alcançou a posição de maior receita entre todos os bancos da América Latina, isso depois de, em 2016, ter comprado por R$ 710 milhões as operações de varejo no Brasil do Citibank. Em 2018, o banco tornou-se sócio da XP Investimentos, maior corretora de investimentos do país, com forte presença no segmento de serviços tecnológicos. A operação movimentou quase R$ 6,5 bilhões, resultando na compra de 49,9% da XP, com 30,1% do capital com direito a voto.

Embora não tenha adquirido o controle da XP, o banco ampliou sua participação no mercado de investimentos, tornando-se, nesse segmento, competitivo em tecnologia, serviços digitais e experiência do cliente, que é a nova diretriz do mercado, consolidada pela entrada das fintechs no mercado.

O banco segue investindo no conceito de plataforma digital e redução de custos, com o objetivo de se manter competitivo perante um segmento que não para de crescer no país, baseado na redução do custo ao cliente e em interfaces práticas e funcionais.

Só no primeiro semestre de 2019, o Itaú fechou 200 agências no país, com a promessa de continuidade desse processo, fazendo a migração gradativa das operações para os serviços digitais.

O grande desafio do Itaú no mercado nacional e internacional é conseguir se tornar competitivo em custos e serviços digitais, embora não se possa dizer que a revolução das fintechs seja uma ameaça grave ao domínio dos grandes bancos no mercado, sobretudo porque possuem, em particular o Itaú, uma estratégia de diversificação de portfólio, com ênfase na distribuição de produtos financeiros.

Histórico recente do Itaú

De qualquer forma, dados do Banco Central, publicados em maio de 2019, davam conta de que os quatro grandes bancos do país tinham participação de 78% do mercado de crédito e 76% do de depósitos, o que aponta para uma posição estratégica bastante consistente desse grupo de instituições financeiras.

Em 2018, o Itaú teve um lucro líquido de R$ 25,7 bilhões, superando em 3,15% o resultado do ano anterior, mostrando que a queda da taxa Selic não afetou a lucratividade do negócio. Ao contrário, as taxas de crédito ao consumidor e ao setor privado não acompanham, proporcionalmente, a variação para baixo da taxa básica, o que inclui para elevar os lucros dos bancos.

Nos últimos 12 meses, de acordo com o balanço de 30/06/2019, o lucro líquido do Itaú foi de R$ 25,7 bilhões. O patrimônio líquido vem crescendo regularmente desde 2010, quando terminou o quarto trimestre com pouco mais de R$ 50 bilhões na apuração dos resultados. No quarto trimestre de 2018, superou, pela primeira vez, a marca dos R$ 130 bilhões.

No mesmo período, o lucro líquido saltou de pouco mais de R$ 10 bilhões para a faixa dos R$ 22 bilhões.

ITUB4

A ITUB4 vem em forte trajetória ascendente desde janeiro de 2016, refletindo a reação do mercado ao cenário político daquele período. Desde então, saltou de R$ 10,63 para um patamar acima dos R$ 29,00 em agosto de 2019.

A cotação da ITUB4 em 11 de setembro de 2019 era de R$ 30,80 contra um VPA (preço da ação de acordo com o patrimônio líquido) era de R$ 12,83, com um P/VP de 2,4. Traduzindo, a ação estava sendo negociada por um preço 2,4 vezes superior ao patrimônio da empresa.

Segundo o último balanço, a previsão de rendimento com proventos é de 9%. O Itaú pagou, em relação ao lucro obtido em 2018, um total de R$ 22,4 bilhões, totalizando 87,2% do lucro líquido do grupo.

Vale a pena investir no longo prazo?

O Grupo Itaú é uma empresa sólida, com excelentes fundamentos, muita liquidez e alta geração de caixa. Seus bons fundamentos estratégicos, posição mercadológica e qualidade da gestão indicam que a situação do banco não vai mudar no longo prazo, pois tem grande capacidade de reagir às mudanças impostas pelos ventos trazidos pelo avanço tecnológico.

Vale lembrar que, embora o mercado precifique a ação a 2,4 vezes o valor de seu patrimônio, isso não implica dizer que está sobrevalorizada, haja vista o alto potencial de geração de receitas e lucratividade da operação. Com a agenda de lucros atuais, por exemplo, podemos dizer que o patrimônio do banco justificaria o valor atual da ação em 5 anos, o que faria com que, no médio prazo, a ação voltasse a se valorizar acima do patamar atual, o que não vai acontecer em razão da forte ênfase, como vimos (87,2% do lucro), na remuneração dos acionistas.

Bom, no curto prazo, para os acionistas, que podem ter um investimento bastante seguro com uma remuneração razoavelmente acima dos investimentos em renda fixa.

Ao que tudo indica, um bom preço para comprar a ação é um pouco abaixo dos R$ 27,00. Desde o início de 2019, parece que o preço da ITUB4 vem formando um suporte nessa faixa.

Comprando por esse preço, a perspectiva para o investidor é ter uma boa rentabilidade em proventos e, bem no longo prazo, ver a ação voltar a se valorizar. Logo, trata-se de um bom papel para compor carteira com visão de longo prazo, mas a dica de ouro é sempre ficar de olho no que está acontecendo nesse mercado, tendo como fio condutor o movimento de avanço das fintechs sobre a pizza que já foi quase exclusiva dos chamados “bancões”.

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *