O Fed e a injeção de liquidez emergencial na economia

O FED, o banco central, americano, recentemente tomou a decisão de injetar dinheiro emergencial na economia americana, o conhecido Quantitative easing, por meio do qual o banco central compra títulos de bancos privados como forma de fornecer maior liquidez as operações destes últimos e prorrogar ainda mais o atual ciclo de expansão econômica.

Como já tivemos a oportunidade de falar em outros posts, o controle da moeda pelo Banco central é uma das coisas mais nocivas para a saúde da economia a longo prazo. A injeção de liquidez emergencial recentemente anunciada pelo presidente do FED, Jerome Powell, apenas estica ainda mais a expansão artificial do crédito que gera um crescimento artificial, uma bolha econômica que estourará mais cedo ou mais tarde, resultando na próxima crise econômica mundial.

Quantitative easing
Jerome Powell, atual presidente do FED

Os mesmos padrões que precederam todas as crises econômicas anteriores começam a se repetir com cada vez mais intensidade, com o FED tentando de maneira desesperada alongar o atual ciclo de crescimento econômico.

As rodadas de Quantitative easing do FED e a próxima crise global

 

A injeção de liquidez artificial na economia americana durará até pelo menos o segundo trimestre de 2020, segundo palavras do próprio Jerome. Apesar disso, o Banco central americano fez um esforço hercúleo na comunicação a empresa para tentar passar a ideia de que essa compra de títulos em grande quantidade – 60 bilhões de dólares por mês ou pelo menos 540 bilhões de dólares no total – não se tratava de injeção de liquidez por ser composta de títulos de curta duração e não títulos de longo prazo como as outras rodadas de quantitative easing haviam sido, além do que o objetivo não seria o de afrouxar a política monetária, mas sim evitar que suas regras se tornem excessivamente restritivas.

Esse hilário jogo de palavras que não muda em nada o efeito prático das medidas adotadas – aumentar as reservas do sistema bancário, diminuindo as taxas de juros de curto e longo prazo, gerando um novo ciclo de expansão creditícia e crescimento artificial – traz ainda mais pistas sobre o real estado da economia americana e os prováveis próximos cenários.

Se o banco central americano precisa intervir para dar maior liquidez aos bancos – ainda que não admita e tente mudar nomenclaturas para jogar uma cortina de fumaça – há uma imensa probabilidade de que algo não esteja funcionando adequadamente com o mercado interbancário.

A taxa de juros é um dos principais sinais da saúde do sistema bancário e se ela permanece alta o suficiente para provocar uma reação do banco central americano para reduzi-la de modo artificial, temos uma provável conjectura de futura retração econômica. A causa subjacente dessa alta taxa de juros pode se dar, por exemplo, pela concessão de empréstimos de baixa qualidade a tomadores com péssima capacidade de pagamento nos primeiros momentos de bonança financeira e agora esteja tendo dificuldades para se livrar desses títulos, gerando uma crise de liquidez no setor bancário. Independentemente do real motivo, é fato que atacar o sintoma – a taxa de juros – e não o problema de fato não irá funcionar e só aumentará o problema, intensificando a gravidade da próxima crise econômica. De fato, o FED agiu da exata mesma forma nos momentos que precederam o estouro da bolha que culminou na crise de 2008. Quando se une isso a proliferação cada vez mais rápida de títulos com juros negativos nos países europeus, temos o delineamento de uma próxima grande crise.

 

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