Quais as maiores pagadoras de dividendos da Bovespa?

Quais as maiores pagadoras de dividendos da Bovespa?
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Você sabe quem são as maiores pagadoras de dividendos da Bovespa?

Confira a lista das 12 maiores pagadoras de dividendos de 2018

– Eztec (EXTC3) …………………………… 16,27%;

– Transmissão Paulista (TRPL4) ……… 10,50%

– Braskem (BRKM5) ………………………..8,42%

– Copasa (CSMG3)…………………………. 7,47%

– Multiplus (MPLU3)………………………… 7,14%

– Engie Brasil (EGE3)……………………….6,90%

– BB Seguridade (BBSE3) ………………..6,36%

– Cemig (CMIG4)……………………………..5,87%

– Ecorodovias (ECOR3)…………………….5,67%

– Bradespar …………………………………….5,57%

Muitas dessas empresas pagam dividendos impressionantes se considerarmos a média do mercado, mas será que vale realmente a pena investir em uma empresa por causa de seus altos dividendos?

Para discutirmos essa questão, primeiro precisamos entender o que são dividendos.

 

O que são dividendos?

O primeiro passo para nós entendermos se vale a pena investir nessas empresas é saber o que são dividendos.

Primeiramente, as empresas que atuam na Bolsa de Valores são aquelas de capital aberto, as S/A. Ao abrir o capital, essas empresas, como você já sabe, buscam se capitalizar para realizar novos investimentos ou pagar dívidas.

A vantagem de abrir capital em relação a tomar empréstimos bancários é bastante evidente. Quando uma empresa toma empréstimo bancário, ela está contraindo uma obrigação junto à instituição financeira, que inclui pagamento das parcelas com juros. O único risco assumido pela instituição financeira é aquele inerente a qualquer operação de crédito, qual seja a inadimplência.

Quando abre capital e vende ações ao mercado, a empresa obtém capital dos investidores. A diferença é que esses investidores assumem os riscos junto com as empresas. Em compensação, eles lucram com a valorização das ações da companhia e com os dividendos pagos pela mesma.

dividendos

Os dividendos nada mais são do que uma participação sobre o lucro apurado pela empresa, já descontado o IR. No Brasil, a legislação obriga as empresas a pagar em dividendos 25% do lucro obtido no período de apuração, que pode ser anual, semestral, trimestral e, em alguns casos, até mensal.

A boa notícia é que os dividendos não são tributáveis. Aliás, sabemos que o lucro no Brasil não é tributável. Qual a óbvia vantagem nisso? Caso tenha R$ 1000,00 aplicados em EXTC3, a primeira ação daquela lista que apresentamos mais acima, que pagou 16,27% em dividendos sobre a valor da ação, você, depois de um ano, teria R$ 162,70. Isso, claro, sem contar com a valorização da ação no Bovespa no mesmo período.

Para você ter uma ideia, as aplicações mais conservadoras patinam em 2019 em previsões que não chegam aos 7% em rentabilidade. A MPLU3, só em dividendos, pagou mais de 7% sobre o valor das ações, já descontado o IR, que é igual a zero.

Vale ressaltar, ainda, que 25% é o patamar mínimo estabelecido para o pagamento de dividendos. Você deve estar atento, antes de comprar seu lote de ações, ao percentual de dividendos pago pela empresa.

Por que investir (ou não) em empresas que pagam altos dividendos?

Diante de tudo que você leu até aqui, parece não haver dúvidas de que é um ótimo negócio investir em empresas que pagam altos dividendos.

Identificar quanto uma determinada empresa do Bovespa pagou em dividendos nos últimos 12 meses é apenas um ponto de partida. É preciso ampliar essa lente e fazer uma investigação dos últimos três anos.

Sabemos que o dividendo, ao contrário da ação, em si, é diretamente relacionado ao lucro da empresa. Em muitos casos, entretanto,  o lucro obtido em determinado período pode ser proveniente da liquidação de ativos e não do desempenho da atividade econômica habitual da empresa. Vejam a Petrobras. A empresa vem obtendo lucro, mas se desfazendo de ativos, o que gera receitas extraordinárias, que são aquelas que não estão ligadas diretamente à operação, ao core business da empresa. Cessando a liquidação de ativos, o que será feito para manter o lucro?

Isso nos leva a uma questão que o investidor precisa encarar, que é buscar informações de caráter financeiro, econômico e estratégico relacionados a cada empresa em que pretende investir.

Se não, vejamos, uma empresa que obteve lucro nos últimos três anos e pagou dividendos de 30% sobre o valor das ações parece uma boa opção para investir. Depois de uma investigação, você constatou que o lucro está todo relacionado à operação da empresa, que ela atua num mercado em expansão, pouco sujeito a influências macroeconômicas. Além disso, as ações, no mesmo período, tiveram uma valorização de 40%.

Agora, então, você já pode investir, pois esse papel parece perfeito para você investir seu capital sem sustos. Ou não?

Quase!

Por que?

Porque se a ação está valorizando e pagando dividendos altos, é natural que os investidores migrem para a ação em questão. Nesse caso, é preciso investigar se o aumento do valor da ação não antecipou a rentabilidade, sem que houvesse fatos, dados e fundamentos econômicos reais para substanciar aquele aumento.

Isso é muito comum de acontecer no mercado de ações. Ao contrário dos dividendos, o valor das ações segue muito mais a percepção que o mercado tem de determinada empresa. De acordo com a lei de mercado, quanto maior a procura por um produto, mais valorizado ele estará, o que se refletirá em seu preço. Com as ações não é diferente. É o que pode levar a uma supervalorização.

Quando isso acontece, mais dia, menos dia, as ações vão sofrer um ajuste para baixo. É preciso tomar cuidado com isso, pois você pode perder boa parte do dinheiro ganho com a valorização da ação e com os dividendos.

Enfim, o que queremos mostrar é que o movimento de valorização ou desvalorização das ações segue uma lógica diferente dos dividendos. Os dividendos estão relacionados, única e exclusivamente, com o mundo real, com o lucro real das empresas. A variação no preço das ações relaciona-se com esse mundo real, mas também com o mundo das percepções do mercado, com as ondas especulativas e velhos fantasmas que assustam os investidores, gerando ondas de incertezas e prejuízos que nem sempre são reais. Em muitos casos, inclusive, pode ocorrer o que chamamos de um efeito manada, um evento em massa de investidores no mercado em uma ou outra direção mas que não possui fundamento real algum por trás.

Em outras palavras, o que queremos mostrar é que nem sempre valerá a pena investir nas maiores pagadoras de dividendos do Bovespa, pois além dos fatores citados acima, é importante notar que se uma empresa distribui uma quantia de dividendos muito alta isso significa que ela possui menos capital para reinvestimentos, o que pode vir a prejudicar a rentabilidade a longo prazo.

Nesse sentido, empresas podem pagar altos percentuais em dividendos para atrair investidores, mas é preciso saber até onde vai o potencial de crescimento dessas empresas, sobretudo se você está pensando em investir no longo prazo, tornando-se, verdadeiramente, um sócio das mesmas, assumindo os riscos e dividindo o lucro.

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