Os fundamentos da 3M no Brasil são bons?

Os fundamentos da 3M no Brasil são bons?
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Você já deve ter ouvido falar na 3M, uma das mais poderosas multinacionais de capital estadunidense, que foi fundada em 1902, no estado de Minnesota.

Na ocasião, um grupo de empreendedores se uniu para explorar minérios, pensando em transformarem-se em fornecedores da indústria local.

O fato é que o minério prospectado não era de boa qualidade e o negócio inicial deu errado. Imagine se os desavisados empreendedores soubessem que aquele mal começo era o ponto de partida para algo gigantesco.

Três anos após a fundação, o grupo já estava estabelecido na cidade de Duluth, onde iniciava um negócio de fabricação de abrasivos. Em 1910, a companhia foi transferida mais uma vez, agora para a cidade de Saint Paul, em Minnesota.

Em 1921, a 3M iniciava sua trajetória como empresa inovadora, ao criar as lixas d´água, que décadas depois ainda eram o principal método de lixamento de empresas do setor industrial e de construção civil.

Desde então, a empresa vem se destacando como referência em desenvolvimento de tecnologia. Seu portfólio conta com mais de 60 mil produtos, divididos em 6 unidades:

– Indústria e Transporte;

– Consumo e Escritório;

– Produtos Elétricos e Comunicação;

– Controle de Tráfego e Comunicação Visual;

– Saúde;

– Segurança.

Abrasivos, EPIs (equipamentos de proteção individual), produtos médicos e odontológicos, adesivos e fitas adesivas estão entre os mais importantes produtos da companhia.

3M no Brasil

A 3M chegou ao Brasil em 1946 e estabeleceu-se na cidade de Campinas (SP). Atualmente, conta com cerca de 4 mil colaboradores, distribuídos pelas fábricas de Sumaré, Itapetininga, Ribeirão Preto, São José do Rio Preto, Mairinque, Bom Princípio e Manaus.

Em 2012 e 2013 foi eleita no Prêmio Best Inovator, da revista Época Negócios, a empresa mais inovadora do Brasil, espelhando seu DNA. É apontada, também, como uma das melhores empresas do país para se trabalhar.

Debruçar-se sobre o portfólio de produtos da 3M é realmente um desafio fascinante. A empresa atende ao mercado corporativo e ao mercado consumidor com uma variedade de produtos impressionante, de automotivos a manutenção e limpeza; de cuidados pessoais a soluções cirúrgicas; de películas para vidro a filtros de água.

São aspectos que sugerem que a 3M é uma empresa para sempre, capaz de sustentar suas posições comerciais no poderoso mercado do consumo.

História recente

Nem tudo são flores, todavia, na trajetória da 3M no Brasil, pelo menos não em tempos recentes. Em se tratando de curtíssimo prazo, mas com possíveis desdobramentos no médio e no longo, os resultados do primeiro trimestre de 2019 não foram alentadores.

É que as vendas da multinacional tiveram queda de 5% em relação ao mesmo período de 2018. De US$ 8,28 bilhões, a 3M despencou para US$ 7,86 bilhões. Nada que signifique um grande abalo na saúde econômica da companhia, mas há uma preocupação real com uma possível retração nos negócios da companhia, que será atenuada mais à frente, como poderemos observar.

mmmc34

Como consequência, a empresa iniciou um programa de reestruturação, cuja tônica é o corte de duas mil vagas de trabalho. Em depoimento à imprensa, na ocasião, Mike Roman, executivo da companhia alertou para a desaceleração dos mercados finais da companhia, o que vem reduzindo as margens da companhia e o crescimento orgânico.

Apesar disso, em nível mundial, a empresa segue uma trajetória, embora reduzida em relação ao passado, o que é natural, de crescimento orgânico. Em outras palavras, consegue crescer por dentro, sem precisar realizar aquisições para ampliar seu tamanho no mercado. O ponto alto é o controle e a redução de custos, acompanhado de uma melhor gestão, segundo a companhia, do fluxo de caixa, apesar do fechamento do segundo trimestre de 2019 com queda de 2,6% nas vendas em relação ao mesmo período do ano anterior.

No terceiro trimestre, o lucro da companhia, em nível mundial, foi de US$ 1,43 bilhão, superando as expectativas dos próprios executivos da empresa e o lucro apurado no mesmo período do ano anterior, que foi de US$ 1,33 bilhão. Mesmo a receita da empresa obteve crescimento, alcançando US$ 8,17 bilhões, contra US$ 7,71 bilhões no mesmo período de 2018.

Prova da capacidade da companhia de rapidamente recompor suas posições econômicas, sobretudo em função da escala mundial de seus negócios.

MMMC34

A MMMC34, ação da 3M na B3, chegou ao final de setembro de 2019 cotada a R$ 170,00, bem abaixo dos R$ 215,32 alcançados em 23 de abril do mesmo ano. Não tão acima, também, da cotação mínima em 2019, que foi de R$ 155,19, registrada em junho.

Verdade seja dita, a cotação atual oferece uma visão mais realista da companhia, que mantém, desde o final de 2015, uma oscilação na faixa dos R$ 140,00 aos R$ 200,00. No cômputo, até o final de setembro, a ação da companhia perdeu 6,38% de seu valor. Em doze meses, o resultado foi bem pior, com perda de 18,45%.

Os fundamentos são bons?

Trata-se de uma companhia com um poderoso portfólio, com distribuição para diversos segmentos de consumo corporativo e pessoal, o que lhe garante uma grande capacidade de defesa contra perda de receitas em qualquer de suas frentes.

Em tempos de incertezas, é alvissareiro que a companhia consiga se manter crescendo de forma orgânica. Além disso, mantém pagamento regular de dividendos nos últimos 60 anos, o que faz com que seja uma boa vaca leiteira, embora o ganho de 2,4% em Yield não seja tão competitivo.

Os ativos da companhia somam US$ 36,5 bilhões, com US$ 13,7 bilhões no ativo circulante. O patrimônio líquido da companhia é de US$ 9,85 bilhões.

Sendo assim, a resposta para a pergunta que intitula o artigo é sim, os fundamentos da 3M são muito bons, inclusive no Brasil.

Vale a pena investir?

Como pudemos observar, a 3M tem um crescimento orgânico em termos de lucratividade e, apesar de sua atuação em escala mundial, é uma empresa com forte resistência à volatilidade da economia real.

Quanto ao mercado financeiro, talvez o preço atual não seja o mais recomendável. Seria interessante pensar em uma compra com o papel cotado na faixa dos R$ 140,00, pensando em ter uma vaca leiteira na carteira, que tem potencial para ainda se valorizar no longo prazo, embora não se deva esperar ganhos arrojados para os investidores.

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