O Bitcoin é prejudicial ao meio ambiente?

Entre os críticos ao bitcoin – notadamente governos, membros de governos, multibilionários e todos os quais a inovação do dinheiro descentralizado desafia – um dos principais argumentos é o argumento verde, ou seja, de que o Bitcoin seria uma grande ameaça ao meio ambiente, que o planeta não suportaria ter transações em todo o globo utilizando o bitcoin, que o aquecimento global vai aumentar por causa do bitcoin, as calotas polares vão derretar, os ursos, as girafas, os peixes, todos os animais e também o ser humano irão ser extintos em um evento cataclísmico por causa dessa moeda digital; Tudo isso por quê o Bitcoin utilizaria muita eletricidade em seu processo de mineração.

Nesse artigo vamos demolir uma das mentiras que já vem sendo construídas a muito tempo para ser utilizada contra o dinheiro que não pode ser controlado por governos e que confere mais poder aos indivíduos.

 

Como funciona a mineração de Bitcoin?

Para entender o argumento dos opositores – e sua falácia inerente – precisamos primeiro entender brevemente como ocorre o processo de validação das transações na rede do bitcoin, o que a mantêm funcionando. Esse processo é conhecido como mineração e é justamente ele que vem sendo apontado o vilão que consome uma quantidade estratosférica de energia. (Se você quer entender mais a fundo como ocorre o processo de mineração, veja aqui.)

Mineração de Bitcoin
Estrutura para minerar Bitcoin

A rede do bitcoin – sua blockchain – utiliza um mecanismo de consenso chamado proof-of-work. Um mecanismo de consenso é o meio pelo qual diferentes partes envolvidas em um processo chegam a um acordo acerca de uma questão relevante. Quando falamos em criptomoedas, essa questão relevante quase sempre será a validade ou não de uma determinada transação ocorrida na rede.

Na blockchain do bitcoin milhares de transações são validadas ou rejeitadas a cada poucos minutos. As transações válidas são então agrupadas em um bloco, e cada bloco de transações contêm o registro das transações do bloco imediatamente anterior, e assim sucessivamente. Daí, inclusive, o nome blockchain (ou corrente de blocos), pois todos os blocos da rede estão encadeados entre si, de modo que para invadir um bloco deve-se invadir todos os blocos da rede simultaneamente, tornando a blockchain a tecnologia mais segura da atualidade.

Todas as transações são validadas de modo descentralizado, ou seja, não existe um único grande servidor que concentra tudo, mas centenas de milhares de computadores, os nodes da rede, espalhados pelo mundo. Como recompensa pelo trabalho de validação, essencial para a manutenção da rede, esses nodes recebem, além das taxas de transação, Bitcoins por cada bloco completo validado ou “minerado”, em uma analogia com a mineração de ouro.

Pelo sistema de proof-of-work, os nodes validadores competem para ver qual deles terá a chance de minerar um bloco de transações. O vencedor é o que consegue resolver mais rapidamente uma equação matemática complexa, que requer significativo poder computacional. Além disso, quanto mais computadores existem ligados a rede – mais nodes validadores – maior é a dificuldade dessa equação e maior é a quantidade de poder computacional necessário.

Esse método foi arquitetado para prevenir a rede contra fraudadores já que um node que quisesse cometer fraude, validando transações incorretas, incorreria num custo de bilhões de dólares em computadores potentes para resolver um grande número de equações matemáticas e comprometer significativamente o funcionamento da rede e, ao mesmo tempo, devido a facilidade de se verificar se a validação esta correta ou não devido ao livro razão público da blockchain, que mantêm o registro de todas as transações já ocorridas na rede, ainda estaria incorrendo em um alto risco de que suas transações fossem posteriormente invalidadas e todo o dinheiro gasto não servisse para absolutamente nada.

Bom, agora que você já sabe como funciona a mineração de bitcoin, fica mais fácil entender o argumento dos seus opositores. Com toda essa necessidade de quase 1 milhão de computadores espalhados pelo mundo minerando bitcoins – segundo as estimativas mais recentes – e consumindo eletricidade para resolver as equações do proof-of-work, o Bitcoin seria uma grande ameaça a sustentabilidade do planeta, eles dizem.

 

Por quê o Bitcoin, na verdade, não ameaça o Planeta

 

A febre de artigos, notícias e reportagens “alertando” sobre o grande perigo que o Bitcoin representa para o planeta caso ocorra sua adoção em massa começou a crescer com maior intensidade a partir de 2017, quando se deu a última grande bull run do mercado de criptomoedas – momento em que os preços sobrem vertiginosamente para depois caírem significativamente, dado a volatilidade desse tipo de ativo.

Na época, houve um grande aumento da atividade de mineração durante um curtíssimo espaço de tempo, o que fortaleceu os argumento verde contra o bitcoin, em grande parte baseado na presunção de que a atividade frenética de mineração observada naquele momento iria durar indefinidamente.

Com base nessa ideia, estimativas de que o consumo de energia se tornaria insustentável pois a rede do bitcoin passaria a validar quase 1 bilhão de transações por dia com base em cálculos matemáticos totalmente fantasiosos e descolados da realidade passaram a se divulgadas com grande frequência. Além disso, muitos desses cálculos estimavam um custo de energia elétrica para validar cada transação igual a necessária para validar um bloco inteiro de transações, que pode conter cerca de 3.000 transações.

Apenas para se ter uma ideia, mesmo hoje, 4 anos depois que essa ideia começou a ser, literalmente, forçada, a blockchain do bitcoin valida apenas cerca de centenas de milhares de transações por dia, muito longe do bilhão. Além disso, o erro grotesco de utilizar cada transação para o cálculo ao invés do bloco de transações, basicamente aumentando em milhares de vezes o gasto real de energia da rede no modelo, já deveria te dizer o bastante a respeito da confiabilidade dessas alegações.

Outro ponto a se considerar é a presunção de que a maior parte da eletricidade utilizada provêm de combustíveis fósseis, além de imaginar que os aparelhos de mineração jamais melhorarão e continuarão tendo eternamente a mesma eficiência energética por décadas a fio, o que é, obviamente, mentira, já que os aparelhos tem ficado cada vez mais eficientes na utilização de eletricidade para a validação das transações. Vamos ver esses argumentos mais a fundo.

Eles mentiram para você

Para sustentar uma mentira tão descolada da realidade, é claro que se deve utilizar de subtefúrgios e distorções para fazer um argumento irracional e completamente desprovido da mais básica lógica parecer verídico.

Primeiramente, é um fato notável que os aparelhos de mineração – os chamados mineradores – , que são microprocessadores conectados em um circuito integrado e construídos com o fim específico de minerar bitcoin, tem ficado cada vez mais eficientes na utilização de energia, chegando a uma taxa de 29.5 joules por terahash minerado. Um hash é basicamente uma faixa de dado criptografado que, nesse caso, corresponde a uma transação validada na rede.

Assim, nada mais natural que esperar que, a medida que o bitcoin cresce, os próprios aparelhos utilizados na sua mineração irão se tornar progressivamente mais eficientes, o que já vem acontecendo desde o início da utilização de aparelhos especializados para mineração de bitcoin.

Em segundo lugar, é natural imaginar que, assim como qualquer empreitada que pretenda ser lucrativa, a preocupação com a diminuição dos custos será sempre um fator constante, o que, na mineração de bitcoin, inclui os custos com eletricidade. Agora, advinha só, quais são as fontes mais baratas de eletricidade? EXATAMENTE, energias totalmente verdes e renováveis tais como energia solar, eólica, geotérmica e hidroelétrica, que custam cerca de metade da energia gerada por combustíveis fósseis, isso sem contar os subsídios que os próprios governos dão a esse tipo de energia, o que diminui ainda mais o seu custo.

Diante desses fatos, não é de se espantar que a maior parte da atividade de mineração de bitcoin esteja concentrada em países com grande infraestrutura de produção de energia sustentável como China, Noruega, Islândia e Canadá. De fato, pelas estatísticas mais recentes de uma pesquisa do Deutsche Bank, quase 78% de toda a mineração de Bitcoin é feita através de fontes de energia renováveis.

Energia sustentável Bitcoin

A medida que a energia renovável se torna cada vez mais acessível e barata, veremos a mineração de bitcoin se tornar cada vez mais verde, aniquilando a credibilidade de “pesquisadores” e políticos tão bonzinhos e tão preocupados com o bem comum e o futuro da humanidade.

Como se isso não bastasse, o que de fato tem ocorrido é que a mineração de bitcoin pode, ela própria, se tornar uma nova fonte de energia renovável, por meio do calor gerado pelo superaquecimento dos aparelhos de mineração, algo que já vem sendo tentado. Por tudo isso, o bitcoin irá, na verdade, funcionar como um propulsor da adoção em massa de energias renováveis. Pois é, realmente, o argumento de que a mineração de bitcoin prejudica o ambiente não se sustenta por nenhum ângulo que você tente olhá-lo, e seus defensores não merecem qualquer tipo de credibilidade.

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