O que é taxa Selic?

O que é taxa Selic?
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Quem acompanha o noticiário econômico ouve diariamente notícias acerca da política econômica brasileira. A taxa Selic é tema recorrente.

Em setembro de 2019, a taxa básica da economia alcançou seu menor patamar histórico ao ter sido reduzida para 5,5%.

Selic

Quem estipula a taxa Selic é o Copom (Comitê de Política Monetária). O propósito básico da existência da Selic é organizar as políticas de juros praticadas pelo mercado. Por isso ela é chamada taxa de referência, o que significa dizer que não tem como finalidade servir como marco regulatório, mas como orientação.

Selic x Inflação

Para além do papel de referenciar a política de juros no mercado, a Selic tem a finalidade ampliada de servir como mecanismo de combate à inflação.

Com esse propósito, foi criada na segunda metade da década de 90, tendo alcançado patamar superior a 45% a.a em determinados momentos naquele período, como forma de reprimir a demanda, além de atrair investimentos estrangeiros num país asfixiado pela dívida externa.

Pelo menos em tese, a elevação da Selic inibe o consumo e a sua redução o estimula. Nem sempre é o que acontece. A atual política do BC de baixar a meta Selic não tem alcançado como consequência o estímulo ao consumo.

Há algumas razões comprovadas e outras prováveis para que isso aconteça. A primeira delas é que a redução da Selic não tem trazido como produto a redução das taxas de juros ao consumidor e às empresas. Ou seja, o preço do crédito não vem acompanhando essa queda.

Na outra ponta, o consumo segue inibido por diversas razões, entre elas o desemprego, a queda da renda do trabalhador e a perda de contingente populacional nas classes altas de consumo.

De acordo com levantamento feito pelo Departamento de Pesquisas Econômicas do Bradesco e da LCA, empresa de consultoria, até 900 mil brasileiros deixaram as classes A e B até o final de 2017. A crise política instalada desde 2013 contribuiu para que a classe C perdesse R$ 3,7 milhões de pessoas até o final de 2015.

São apenas alguns dados ilustrativos, que explicam por que não podemos levar tão ao pé da letra a relação entre Selic e inflação, embora ela de fato exista. A queda gradativa e contínua da taxa de juros não tem servido para estimular o consumo.

Sabemos que a inflação é decorrente do desequilíbrio entre demanda e oferta de bens e serviços. Se há muita demanda, mas a oferta é insuficiente, isso gera oportunidade de maiores ganhos para o lado vendedor, que eleva os preços. Da mesma forma, se existe baixa demanda, a parte vendedora acaba obrigada a competir por preços, derrubando a inflação.

A outra solução é a pior para a economia, que é a redução da produção, a demissão de funcionários, a perda de renda e mais redução do consumo, gerando um círculo vicioso.

A influência da taxa Selic sobre os investimentos

Você deve ter ouvido falar bastante, também, sobre a perda de atratividade dos investimentos em renda fixa, em decorrência da queda da taxa Selic.

Ocorre que a taxa alta de juros é, também, um mecanismo de atração de investimentos no país. A taxa elevada de juros aumenta a remuneração do capital investido em títulos do tesouro e, consequentemente, contamina todas as aplicações financeiras em renda fixa, inclusive a poupança, mas também o CDB, LCI e LCA.

A emissão de títulos do tesouro é uma forma do governo obter crédito junto a investidores, da mesma forma que os bancos fazem com o CDB. Com esse dinheiro, o governo financia os investimentos em infraestrutura, desenvolvimento e serviços à população.

Por essa razão, o governo brasileiro, desde Fernando Henrique, sempre manteve elevada a taxa Selic, como política de atração de investimentos. Porém, com a queda sistemática dos juros, toda a cadeia da renda fixa sai perdendo. A remuneração das operações de investimento em tesouro direto cai, assim como cai o rendimento da poupança.

Todos os investimentos indexados pela Selic acabam caindo, mas também aqueles que estão indexados pelo CDI, que é a taxa básica praticada entre os bancos para operações de crédito diário entre as instituições financeiras. É o CDI que indexa os investimentos em CDB.

Seria, nesse caso, bastante natural supor que os investimentos indexados pelo IPCA ganhariam em rentabilidade, com base num natural aumento da inflação. Só que esse movimento, pelos diversos motivos que salientamos, não ocorreu, uma vez que a redução dos juros não se traduziu em aumento do consumo e desequilíbrio na relação oferta x procura.

Nesse ambiente, o mais recomendável é começar a pensar com carinho em investimentos em renda variável, como ações, fundos imobiliários e derivativos. Não é que os investimentos em renda fixa estejam definitivamente condenados. É que a partir de agora a tendência é de que os ganhos sejam mais interessantes para quem tem milhões investidos. Em outras palavras, ninguém vai enriquecer investindo em Tesouro Direto, exceto quem já seja rico.

Quem quiser enriquecer investindo terá que enfrentar os respectivos riscos.

Selic e a dívida pública

Outro aspecto importante do papel da Selic na economia é a dívida pública. No início do século XXI, o Brasil experimentou uma excelente fase em sua economia. Os governos desenvolvimentistas lastrearam o investimento em desenvolvimento no crédito obtido junto aos investidores, com consequente aumento da dívida pública.

Vale ressaltar que não se trata, e nem pode, de uma crítica ao endividamento público. Sabemos, afinal, que o problema do endividamento está relacionado com em que companhias ele anda.

Quando o endividamento está relacionado ao investimento, em geração de receitas, ele pode ser bem vindo, contanto que atendendo a um planejamento financeiro e a um equilíbrio frente às despesas.

Quando, no entanto, o endividamento vem acompanhado de gastos, aquele dinheiro que vai e não volta mais, ou de pagamento de despesas, quando você se endivida para não parar, temos, aí sim, uma situação preocupante.

A boa notícia é que com a redução gradativa da taxa Selic, a escalada do endividamento tende a arrefecer. Se isso vai beneficiar a economia, tudo vai depender da capacidade de geração de caixa do setor público, seja no curto, seja no longo prazo.

Selic x risco

Voltando ao crédito, mais que a taxa Selic, o que determina o custo do dinheiro é o risco de inadimplência. Não é de se estranhar que as taxas de juros bancários não caiam na mesma proporção num país em que 30% da classe média gasta mais do que ganha e mais de 60% das famílias estão endividadas.

Diante desse quadro, o risco de inadimplência é alto, inibindo o estímulo à concessão de crédito barato.

Sendo assim, do ponto da economia doméstica, a recomendação é a adoção das melhores práticas financeiras: redução do consumo, fuga de bolas de neve como o rotativo e o cheque especial, controle de gastos, economia e investimento.

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