Por quê um ETF de Bitcoin pode mudar o jogo das criptomoedas?

Desde o seu surgimento no final de 2008, o bitcoin apreciou largamente, passando de apenas frações de centavos de dólar para mais de 60 mil dólares atualmente. Até o momento, a razão principal é o efeito de rede da moeda, que cresce a medida em que mais e mais pessoas entram em contato com o bitcoin e passam a entender as suas vantagens em relação ao dinheiro comum, emitido por estados ao redor do mundo, e a utilizá-lo como consequência disso.

Embora esse processo seja positivo para o bitcoin e, de certo modo, alimente uma visão romântica do bitcoin como algo contra o sistema financeiro vigente e que cresce de modo espontâneo e natural por meio dos indivíduos – uma visão que até tem fundamento, mas precisaria de um outro post para ser aprofundada – é um fato inegável que a entrada no mercado de criptomoedas de grandes players como fundos e bancos multibilionários pode acelerar, e muito, a adoção do bitcoin até que ele se torne mainstream.

Dentre esses mecanismos tradicionais do mercado financeiro que podem acelerar a adoção em massa do bitcoin, um dos mais falados e que já vem sendo tentado a algum tempo, principalmente com reguladores nos EUA como a SEC, é a ideia de um ETF de bitcoin.

Para entender os impactos disso no bitcoin e no mercado de criptomoedas em geral, vamos começar falando brevemente sobre o que é um ETF.

O que é um ETF?

Um ETF é um fundo de investimento que busca acompanhar a performance de um determinado índice, replicando a sua composição. Assim, poderíamos falar em um ETF do Ibovespa, ou da Nasdaq, que replicaria a composição, em termos das diferentes ações e sua quantidade relativa ao total, do índice escolhido.

Desse modo, seguindo a mesma composição do índice, o ETF tende a ter uma performance semelhante. Quem compra uma cota de um ETF, portanto, busca seguir aquele índice sem ter que ele mesmo fazer as compras diretas das ações necessárias, embora o investidor possa fazer isso se assim o quiser. Por isso mesmo, os fundos ETF costumam ter taxas de administração mais baixas do que a média, já que não ha a gestão ativa do capital aplicado por um gestor especializado.

Outra grande diferença em relação a maior parte dos outros fundos é que as cotas de um ETF são negociadas em bolsas de valores assim como ações, commodities e outros ativos. Isso não deve ser uma surpresa, tendo em vista que o nome ETF nada mais é do que a sigla para Exchange traded funds, ou fundos negociados em bolsa.

 

Porque um ETF de Bitcoin é um marco importante?

Até o momento, diversas empresas e fundos de investimento já tentaram criar um ETF focado em bitcoin nos eua, mas todos foram rejeitados pela SEC, a CVM americana, sob o argumento de que o bitcoin não seria um ativo “maduro o suficiente” em função de sua alta volatilidade e valor total de mercado ainda relativamente baixo em relação a outros ativos mais tradicionais.

Entretanto, com 3 fundos ETF já aprovados no último mês pelos reguladores canadenses e já disponíveis para o público investidor na bolsa de valores de Toronto, há uma pressão cada vez maior para que a SEC aprove o primeiro fundo ETF de bitcoin dos Estados Unidos, o que seria um marco histórico para as criptomoedas.

O primeiro grande impacto disso seria a maior popularização do bitcoin já que ainda estamos em um momento no qual é necessário pelo menos algum conhecimento técnico para armazenar seus bitcoins de modo seguro, algo que a grande maioria das pessoas não tem tempo ou disposição para aprender. Um ETF daria a esses investidores a possibilidade de investir em bitcoin sem ter que se preocupar com esses detalhes mais técnicos, o que expandiria o número de investidores em bitcoin algumas dezenas de vezes e certamente teria um impacto no preço.

Além disso, para o bem ou para o mal, o bitcoin passaria a se tornar um ativo mais mainstream ao invés da posição relegada atualmente, o que atrairia mais investidores institucionais e poderia elevar ainda mais o seu preço.

 

ETF brasileiro de Bitcoin

Em março de 2021, a CVM aprovou o primeiro ETF brasileiro de bitcoin, da gestora QR Capital, que será negociado na B3 e estará disponível nas corretoras ainda esse semestre com o ticker QBTC11.

Além da QR Capital, a Hashdex também recebeu permissão da CVM para lançar o que será o primeiro ETF brasileiro de criptomoedas, que busca acompanhar o índice Nasdaq crypto index, composto por 6 criptomoedas: Bitcoin, Ethereum, Litecoin, Chainlink, Bitcoin Cash e Stellar.

 

Críticas a ideia de um ETF

Apesar de apresentar boas vantagens em termos econômicos para o mercado de criptomoedas como um todo, muitos entusiastas do bitcoin argumentam que um ETF de bitcoin também pode apresentar alguns efeitos adversos a longo prazo.

Destes, o principal é Andreas Antonopulos, um dos maiores especialistas em bitcoin do mundo e um dos grandes responsáveis pela velocidade de adoção do bitcoin devido ao seu trabalho de palestrante e divulgador que vem fazendo desde os primeiros anos de existência do Bitcoin.

Bitcoin ETF
Andreas Antonopoulos

Para Andreas, a existência de um ETF de bitcoin vai permitir que instituições manipulem o preço do bitcoin do mesmo modo que já fazem com outros ativos mais tradicionais. Além disso, um ETF de bitcoin seria um contrassenso, já que o bitcoin foi criado para substituir o sistema financeiro atual, e não para ser integrado a ele. Por fim, em um ETF, a ideia de independência e liberdade para o detentor de bitcoin não existe, já que ele investe apenas nas cotas, e os bitcoins ficam em posse do fundo de investimento.

 

De fato, essas críticas tem bastante fundamento. Entretanto, também é possível argumentar que os ETF’s vão acelerar a necessária popularização do bitcoin e, a longo prazo, a medida em que mesmo as pessoas e o investidor comum entendam o que é o bitcoin, incluindo os seus aspectos mais técnicos, vão passar a cada vez mais comprar bitcoin de modo direito, sem a utilização de ETF’s ou de qualquer serviço ou produto oferecido pelas instituições financeiras tradicionais. Nesse sentido, um ETF de bitcoin poderia acabar levando ao mesmo fim original da moeda, só que de modo mais rápido, já que a adoção em massa seria encurtada.

 

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