Coronavírus e bolsa de valores: Vale a pena investir agora?

Coronavirus, bolsa de valores e investimentos

O Coronavírus talvez seja um dos maiores fatos surpresos dessa década, tanto pela sua imprevisibilidade, alguns meses atrás, quanto pelos rápidos impactos socioeconômicos que tem causado. Com as notícias que não param de chegar constantemente sobre novos casos suspeitos e confirmados, além de mortes, que não param de chegar de várias partes do mundo além da China, principalmente de países como Itália, Irã e Coréia de Sul, há o temor real de que o coronavírus possa ocasionar uma pandemia com sérios impactos econômicos, potencialmente causando uma crise global.

coronavirus e bolsa de valores

 

Mas o que há de fatos e o que se deve a especulações ou medo injustificado nessa história? E o mais importante: Será que vale a pena investir na bolsa de valores nesse cenário, ou o coronavírus acabou com as oportunidades de investimento no mercado financeiro? Essa pergunta se torna extremamente importante quando observamos as fortes quedas das bolsas de valores ao redor de todo o mundo, que chegam em muitos casos a quase 10%.

O que é o Coronavírus?

 

Primeiro vamos entender o que é o coronavírus. Trata-se de um vírus da mesma família que o vírus da SARS (Severe Acute Respiratory syndrome, ou síndrome respiratória aguda grave), doença que surgiu pela primeira vez em 2002, e que infectou mais de 8000 pessoas e possui uma letalidade de 10%, tendo matado 800 em todo o mundo. Assim como o coronavírus atual, suspeita-se que a SARS tenha tido origem zoonótica, ou seja, tenha surgido inicialmente a partir de animais, mais especificamente através de morcegos, que transmitiram para uma espécie de gato bastante popular na China.

O Coronavírus, por um lado, possui uma letalidade bem menor, de cerca de 3,4% dos casos, pelos dados que se possui até o momento em todo o mundo. A principal faixa de risco é para idosos acima dos 80 anos, nos quais a taxa de letalidade chega a 15% dos casos, pois um dos principais fatores para a letalidade da doença é a força do sistema imunológico do indivíduo. Por outro lado, a taxa de transmissão do coronavírus é muito mais alta do que o SARS, tendo infectado já 94 mil pessoas no mundo inteiro, com 3221 mortes até o início de março de 2020, o que gera a preocupação com a possibilidade de propagação rápida do vírus para diversos países simultaneamente, causando um cenário de Pandemia.

Os impactos econômicos do coronavírus

 

Com o rápido avanço da doença e todo o alarde mundial, é natural esperar que o mercado comece a responder aos riscos representados pelo coronavírus. Na última semana de fevereiro de 2020, as principais bolsas de valores ao redor do mundo e também a bovespa apresentaram fortes quedas percentuais em resposta ao temos de que o vírus se alastre ainda mais.

O principal gatilho foram as notícias divulgadas pela Itália de que já possuía 220 casos confirmados de coronavírus – 1 semana depois o número de casos já chegou a 2.263, com 79 mortes – o que gerou uma reação em cascata nas bolsas européias, com quedas acumuladas na semana de 12% para a bolsa de Frankfurt e 8% para a bolsa de Londres além de 2,9% em Paris, 3,8% em Milão e 3,67% em Tóquio em um único dia, 4% em Hong Kong e 5% em Shangai.

Além disso, o índice de ações pan-europeu STOXX 600 teve queda de mais de 10% e o índice MSCI, que engloba 1.600 ações de 23 países industrializados acumulou queda de 9,3% na mesma semana.

Com todas essas fortes reações, o temor pelo risco de uma recessão econômica a nível global cresceu vertiginosamente. Mas há necessidade de tanto medo? E se uma crise econômica realmente estiver à vista, o que você deve fazer para se proteger ou quem sabe até se beneficiar da crise com seus investimentos?

 

Vale a pena investir nesse momento?

 

Se você já acompanha o mercado de ações há algum tempo, sabe que existe necessariamente uma diferença entre o que ocorre de fato e como o mercado reage ao que ocorre, entre a realidade e a percepção da realidade. Muitas vezes basta uma notícia suficientemente negativa para gerar uma reação em cadeia e uma queda brusca nos preços das ações. Foi exatamente isso o que aconteceu na última semana de fevereiro, com uma notícia ruim sobre o número de infectados na Itália gerando um efeito manada que ocasionou quedas simultâneas ao longo dos próximos dias em diversas bolsas ao redor do mundo.

Se por um lado o coronavírus gera temores de uma recessão mundial, por outro a queda dos preços de ações no mundo inteiro e na própria bolsa de valores brasileira, que caiu quase 7% em um único dia na última semana, abre grandes oportunidades de investimento para quem pretende investir de fato a longo prazo.

A história nos mostra que é natural uma queda brusca do mercado após um surto de alguma doença, mas que ele sempre tende a se recuperar e, muitas vezes, apresentar uma subida significativamente maior do que a queda após apenas alguns poucos meses.

Veja o gráfico:

coronavirus e bolsa de valores
Performance do mercado de ações global após os grandes surtos das últimas décadas

Como você pode ver, em casos passados como os do Ebola, Zika, Dengue, SARS, gripe suína, gripe aviária, HIV, entre outros, os mercados globais tendem a ter uma forte subida em até 6 meses após o surto na maioria dos casos, ou, no mínimo, começam a ensaiar uma recuperação das atividades.

Será que isso significa que você deve usar todo o seu capital disponível para comprar ações? Não necessariamente, mas apenas que você deve manter a mente calma para fazer uma análise fria da situação, e não se deixar levar pelo clima de desespero que muitas vezes atinge grande parte das pessoas em situações como essa. Muitas vezes, quando você atinge esse estado, vai perceber que existem excelentes oportunidades para serem aproveitada e não é momento de pânico.

Na Bolsa de valores brasileira, por exemplo, observamos diversas empresas com excelentes fundamentos econômicos apresentando fortes quedas devido ao surto, como por exemplo: AMBEV (-18,54%), Ultrapar (-24,47%), Gerdau (-15,56%), IRB (-25,83%), além de várias outras com quedas menores porém ainda significativas. Será que essa não é exatamente a oportunidade que você estava esperando para começar a investir na bolsa?

IVVB11: Uma boa opção de ETF para investir?

ivvb11

Será que o IVVB11 é uma boa opção de ETF? Para responder a essa pergunta, você terá que fazer um longo exercício de análise. Vamos tentar ajudá-lo com essa tarefa mostrando o que é e como se comporta esse fundo ETF.

Antes, porém, vamos explicar o que é um fundo ETF. Trata-se de um fundo que tenta replicar a carteira de um índice. Os índices são, na verdade, indicadores de desempenho de um conjunto de ativos.

O mais conhecido deles entre os brasileiros é o índice Bovespa, composto pelas ações das empresas de maior liquidez e com maior volume de negociação de ações na B3, a Bolsa brasileira.

Você deve associar o índice Bovespa ao noticiário econômico. Ele é sempre mostrado como indicador econômico, mas o seu papel principal é retratar o desempenho da Bolsa de Valores.

Como as empresas listadas no índice Bovespa representam mais de 80% do volume negociado na B3, as suas variações oferecem um retrato do desempenho da Bolsa como um todo.

Sempre lembrando que a carteira de ações do índice Bovespa é hipotética, logo não é possível investir nela. É para isso, no entanto, que existem os fundos ETF (Exchange Traded Fund). Esses fundos montam uma carteira real que espelha essa carteira hipotética. Por isso que as pessoas dizem que investem no Bovespa.

O resultado é óbvio: se o Bovespa sobe, o BOVA11 valoriza; se o Bovespa cai, o BOVA11 se desvaloriza. O BOVA11 é o fundo de investimento em índice Bovespa.

 

O que é IVVB11?

Agora ficou fácil entender o que é IVVB11. Trata-se de um fundo ETF que permite a você investir em ações das 500 maiores companhias estadunidenses, todas de uma vez. Da mesma forma que o BOVA11 permite que você invista, ao mesmo tempo, em ações de empresas como Banco do Brasil, Ambev, Petrobras e Vale, o IVBB11 permite que você invista, de uma só vez, em ações de empresas como Apple, Microsoft, Facebook, Amazon, Johnson & Johnson e outras gigantes estadunidenses.

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Essas gigantes da América do Norte compõem a carteira do índice S&P500, que é a carteira hipotética formada por ações hipotéticas das 500 maiores empresas dos Estados Unidos, sendo o mais abrangente de todos e capaz de retratar de forma mais fidedigna o desempenho do mercado de  ações nos Estados Unidos.

O IVVB11 é comercializado na B3, de forma que você não precisa contratar uma corretora nos Estados Unidos para investir nas empresas locais. Basta você adquirir uma cota do IVVB11.

Qual a vantagem de investir no IVVB11?

Falar em vantagem de investir no IVVB11 é transitar por um terreno pantanoso, mas vamos tentar trilhá-lo da melhor forma.

Podemos dizer, com segurança, que a carteira do S&P500 é formada por empresas sólidas, com alta liquidez, boa administração, bons fundamentos e potencial tanto de valorização, quanto de pagamento de proventos.

Trata-se, afinal, de uma das maiores economias do mundo e pudemos perceber que são empresas que produzem e comercializam produtos com altíssimo valor agregado, com capacidade privilegiada de investimento em pesquisa e desenvolvimento, gerando alto valor para o mercado consumidor.

Só isso já pode parecer suficiente para que o ativo seja recomendado ao investidor brasileiro, sobretudo porque as informações aqui retratadas indicam baixa volatilidade. A questão, no entanto, é que a segurança que venta lá não venta cá, embora os ativos sejam os mesmos.

É que as ações são adquiridas em dólar, mas aqui no Brasil elas são convertidas em reais.Isso pode ser bom ou ruim. Pode ser muito bom, excelente, ruim ou péssimo. Pode, mesmo, ser indiferente. Tudo depende da cotação do dólar no mercado interno.

Em outras palavras, se o dólar é apreciado frente ao real, se o preço do dólar subir, a cotação do IVVB11 também sobe. Caso, no entanto, o dólar caia, o IVVB11 se desvaloriza.

Para você entender como funciona esse mecanismo, vamos voltar a maio de 2014, quando o IVVB11 foi lançado. Na ocasião, o dólar estava cotado a 2,214 (cotação de 16 de maio de 2014). Desde que foi lançado, o IVVB11 teve valorização de 170% aproximadamente. Isso significa que, se você houvesse comprado R$ 1 milhão em cotas do fundo, teria hoje R$ 2,7 milhões.

Há, no entanto, um pequeno problema, que é a baixa liquidez do fundo. É bem provável que você tivesse que abrir mão de parte desse lucro de 170% caso decidisse desfazer suas posições. É que a demanda é baixa por esse tipo de papel e você precisaria dar descontos para conseguir vender todas as suas cotas.

Precisamos, no entanto, exemplificar a questão da relação com o dólar. E você vai entender facilmente se dissermos que o dólar se valorizou aproximadamente 180% no mesmo período, ou seja, entre maio de 2014 e julho de 2019. Em outras palavras, a valorização e os ganhos com o IVVB11 espelham o desempenho do dólar frente ao real.

O que aconteceria se fosse ao contrário? O IVVB11 despencaria proporcionalmente à queda do dólar.

Sendo assim, para investir no IVVB11 você precisa ter fortes indicadores de que o dólar vai se valorizar frente ao real. E a verdade é que nós não temos esses indicadores. Vale salientar que o dólar comercial oscilou nos últimos 365 dias, com o mesmo cenário político e econômico interno, entre R$ 3,64 e R$ 4,10.

Mas tem os proventos…

Também, cruzando os mais diversos indicadores e cenários, não se pode apostar que o dólar emplacará uma trajetória de queda, o que significa dizer que o risco do IVVB11 entrar em trajetória de queda livre é remoto.

Até porque tem os proventos. Sim, o IVVB11 paga proventos. A única diferença é que o dinheiro não vai para a sua conta. Ele é reinvestido no fundo, o que gera rendimento para você, mas decorrente da valorização do capital. Você só vai realizar esse lucro quando desfizer sua posição.

Além disso, como a economia estadunidense vive um bom momento, não é de se esperar que haja abalo que fragilize as empresas do país, exceto pela tal guerra comercial com a China, que tem no setor de tecnologia um dos principais campos de batalha.

Investir na B3: uma boa ideia para o investidor conservador?

B3

Investir na B3 é uma boa alternativa para o investidor conservador? Bom, para responder a essa pergunta é preciso, antes, que consigamos descrever o que é um investidor conservador, conceito que pode variar de acordo com o ambiente de negócios.

A grande verdade é que falar em investidor conservador remete a aversão aos riscos, o que, de certo modo, não deixa de ser um contrasenso. Ora, sabemos, de antemão, que as duas variáveis básicas do investimento são a oportunidade e o risco. Para cada oportunidade, temos um risco envolvido.

O que se tem dito, com muita propriedade, é que grandes oportunidades envolvem grandes riscos e que baixo risco combina com baixos ganhos.

A questão toda é que o que se vem praticando no Brasil desmente, de certo modo, a lógica do investimento. Você pode imaginar que em março de 1999 a taxa básica de juros chegou a 45%? Imagine só o ganho de um investidor que colocava seu dinheiro em papéis indexados à taxa Selic ou ao CDI, taxa referencial de crédito entre instituições financeiras.

O cenário só começou a mudar, gradualmente, a partir de 2006. Desde então, a política do Banco Central vem fazendo com que a Selic oscile para baixo. Em 2012, chegou a 7,25%, voltou a subir nos anos seguintes e em agosto de 2019 alcança o menor patamar histórico, de 6%, contra uma meta de 6,4% no ano.

Outro indexador, o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), que mede a inflação, projeta para 2019 um índice abaixo dos 4%. Ao que tudo indica, os altos rendimentos obtidos com investimentos em renda fixa estão um passo além dos dias contados. É a realidade dizendo que os investimentos conservadores se tornaram realmente conservadores, com baixos riscos e baixas taxas de retorno sobre o investimento.

Quando falamos que o Tesouro Direto pré-fixado promete prêmio anual acima de 8,5% a.a., podemos dizer que a rentabilidade é excelente, pelo menos no cenário atual. Ao mesmo tempo, as ações da Magazine Luiza valorizaram na casa de 1.000% desde 2011, quando abriu seu capital. As ações do Banco Inter, só em 2019, subiram mais de 100%.

Estamos falando de empresas com ótimos fundamentos, com trajetória de crescimento de ativos e investimentos, com trajetória de lucro e aumento de receitas em suas operações. Será que estamos falando realmente de um investimento de alto risco?

É alto risco ou falta de habilidade?

O risco maior está, na verdade, na falta de habilidade e na visão equivocada do investimento, não na volatilidade dos papéis.

Para investir em ações é preciso ter habilidade. Ou um conjunto de habilidades que só podem ser obtidas por meio do conhecimento.

Você vê dia após dia o noticiário falando dos humores do mercado, que um dia está otimista e no outro está nervoso, para ficar pessimista mais adiante e eufórico um dia depois. O mercado pode ficar com o humor que ele quiser. Você não pode.

É preciso, em primeiro lugar, separar o que é desempenho da empresa e o que é desempenho das ações na B3. Para as devidas apresentações, para quem não conhece, a B3 é a Bolsa de Valores brasileira.

O que você precisa entender é que a Bolsa precifica futuro. Em outras palavras, o preço das ações reflete o que o mercado acredita que acontecerá com a empresa num tempo futuro. Se a empresa vai bem, as ações se valorizam. Mas você já deve ter visto diversas previsões para os próximos dias ou para os próximos três meses.

Pois é. É que o mercado também precifica a ação no curtíssimo prazo. É o que nós chamamos de mercado especulativo, que aposta mais na relação oferta x demanda do que nos fundamentos da empresa. Nesse caso, os fundamentos pouco importam. O que vale é como o mercado enxerga as ações da companhia.

Você já deve ter ouvido falar em efeito manada. É quando um acontecimento ou uma conjuntura leva os investidores a fugir em bando das ações de uma determinada empresa. Quando isso acontece, o preço da ação vai lá embaixo. O efeito contrário também acontece.

Nos dois casos, em algum momento, o mercado percebe que o papel está muito barato ou que o futuro precificado não é aquele dos seus sonhos e a trajetória se inverte.

 

Investir em ações é investir em empresas

Você pode ganhar dinheiro fazendo trade, tentando pegar carona nas altas dos papéis para vender por um preço maior que aquele que você comprou. Não há problema, exceto pelo fato de que você precisará acompanhar os pregões um após o outro, com um olho nos gráficos e outro na home broker. É bom, também, ficar atento ao impacto das taxas que você paga à sua corretora sobre cada operação de compra e venda.

B3

O verdadeiro investimento em ações, de acordo com a ótica fundamentalista, é aquele em que você investe em empresas. Ora, se o investimento é feito em uma empresa, é fundamental que as perspectivas dessa última sejam de crescimento, que ela tenha uma boa administração, que atue em um mercado promissor, tenha baixa taxa de endividamento e uma operação superavitária, entre outros aspectos.

O propósito da abertura de capital é que a empresa financie o seu crescimento a baixo custo. Ao tomar dinheiro em um banco, a empresa tem que pagar altas taxas de juros. Ao abrir capital na Bolsa, ela capta recursos de investidores, que reconhecem a solidez e o futuro do seu negócio e, por essa razão, aceitam investir seu capital em suas ações.

Se você enxerga por essa ótica, pode se tornar um bom investidor. Conservador? É uma questão de ponto de vista. Se você investe somente em blue chips, empresas com maior liquidez, como Vale, Banco do Brasil, Petrobras e Eletrobras, podemos dizer que você tem um perfil conservador para um investidor em ações. Se você, além disso, diversifica seus investimentos, combinando aplicações em renda variável com aplicações em renda fixa, você pode ser visto como um pouco mais conservador.

 

O fato é que há uma regra a seguir quando se trata de investimentos. Aliás, há um conjunto de regras. A mais jurássica e sábia delas é que você deve comprar as ações quando elas estão em baixa. Você vai comprar um maior número de ações, com potencial de valorização e com um Yield maior.

Yield, ou Dividend Yield, é o ganho proporcional que você obtém com a distribuição de dividendos pela companhia. Os dividendos são a participação nos lucros. Logo, é importante que você fique atento à segunda regra, que é o histórico de pagamento de dividendos da companhia.

Se a sua escolha for boa, terá como resultado a valorização do capital investido, por meio da valorização das ações, e o ganho de dividendos, que podem ser reinvestidos, aumentando seu capital.

Para concluir, se você comprou a ação em baixa e não pretende desfazer-se dela, não compartilhe as aflições do mercado. As oscilações nada mais são, na maioria das vezes, que movimentos especulativos. Você deve, sim, estar atento ao noticiário sobre a empresa.

É onde entra a questão mais importante. Não basta a ação estar em baixa. É preciso que haja uma oportunidade real de ganhos. Você precisa ter indicadores de que a empresa vai crescer. Você pode recorrer aos gráficos, que mostram as variações de preço ao longo do tempo, mas é preciso ir mais além, conhecendo a empresa, seu endividamento, quais suas estratégias, as perspectivas do segmento onde atua e a qualidade de sua gestão.

Sob esse aspecto, você poderia ser o que chamam de conservador, mas, na verdade, é um estrategista, que investe com os pés no chão, seguindo as melhores práticas de investimento na Bolsa de Valores.

Carl Icahn: O mago das aquisições

Carl Icahn

Carl Icahn é considerado um dos maiores mestres do hostile takeover do mundo A trajetória do dono da 73ª maior fortuna do mundo, formado em filosofia e com dois anos de estudos de medicina, é a responsável pela sua fama como investidor e também por sua não tão boa reputação no mundo dos negócios.

Carl Icahn
Carl Icahn

Carl Icahn é visto, pela sua estratégia de investimentos, como um verdadeiro predador. Icahn foi convidado por Donald Trump para ser seu assessor na condução da reforma regulatória. O convite era o produto de uma relação comercial pregressa com o atual mandatário da Casa Branca, mas a vida política do temido Carl Icahn não terminou bem. Logo deixou o governo, acusado de usar o cargo para obter benefícios para os seus próprios negócios.

Já a vida como bilionário vai muito bem. Aos 83 anos, Icahn, que nasceu em 16 de fevereiro de 1936, pai de dois filhos, diretor da Icahn Enterprises, tem uma fortuna estimada em quase US$ 20 bilhões.

O que diferencia Carl Icahn dos expoentes do Value Investing

O método de investimento em ações de Carl Celian Icahn não se diferencia muito dos grandes nomes do Value Invest. A trajetória de Icahn revela um caçador de oportunidades.

Assim como os grandes investidores da Bolsa, Icahn construiu sua fortuna investindo em empresas nas quais enxergava grande potencial, comprando as ações em baixa e ganhando tanto em retorno sobre o capital quanto em proventos.

A grande diferença é que Icahn é, como se pode dizer, um investidor pró-ativo. Ao identificar as oportunidades, não se contentava em esperar os resultados. Ao contrário, buscava assento no Conselho de Administração da empresa para influenciar nas decisões.

Para obter participação no controle da empresa, Icahn fazia investimentos agressivos, comprando grande quantidade de ações da mesma. O momento certo para a compra não é nenhuma novidade. Icahn comprava quando todos estavam vendendo, adquirindo um número maior de ações, que o aproximassem ou lhe garantissem lugar no Conselho. Quando não era suficiente, continuava comprando ações da companhia até alcançar seu objetivo.

Foi assim sua trajetória na TWA (Trans World Airlines), cuja aquisição, em 1985, colocou seu nome em evidência no mercado. Icahn, como em todos os casos, percebia uma grande oportunidade na companhia, mas, no seu entendimento, a administração da mesma não era boa o suficiente para explorar o potencial de crescimento e ganhos.

O controle da TWA veio dois anos antes da criação da Icahn Enterprises, carro chefe do império financeiro do megainvestidor. Aliás, falando em império financeiro, os métodos de Icahn podem ser questionados, mas os resultados falam por si. Basta ver que as empresas em que a Icahn Entreprises conseguiu obter assento no conselho melhoraram seus resultados, principalmente para os acionistas.

Os resultados obtidos por Icahn falam por si, tendo transformado o megainvestidor em autoridade no assunto, ganhando o status de rei das aquisições.

O método de Icahn

Já sabemos que o primeiro passo de Icahn era identificar empresas com grande potencial de crescimento e lucratividade. O segundo era usar o mercado de ações para obter participação no controle da companhia.

Daí em diante, com o assento no Conselho, Icahn tentava impor sua filosofia perante os demais acionistas, com o propósito de aumentar os lucros.

Em algumas situações, fazia gestões pela troca da administração da empresa ou influenciava na forma como era administrada. Em outros casos, Icahn conseguiu impor mudanças drásticas na estrutura das organizações.

Estamos falando, além da TWA, de gigantes como: Time Warner, Texaco, Revlon, Motorola e Yahoo. O caso mais recente foi o CIT.

O caso Yahoo chamou atenção por causa da disputa entre Icahn e o CEO da companhia, Jerry Yang. A disputa deixou evidente uma questão que deveria ser premente na visão do investidor, assim como na das empresas que abrem seu capital, que é a necessidade de conciliar o interesse do investidor com o da direção da companhia. Crescimento e lucratividade nem sempre andam juntos. O fato é que Icahn acabou reconhecido como defensor dos acionistas.

O temor que provoca nas empresas está profundamente relacionado a essa dicotomia. Icahn consegue transformar investidores e acionistas em força ativa no processo decisório. Com isso, faz a balança pender para o lado dos investidores. A questão é se o que é melhor para os investidores no momento presente será bom para o negócio no longo prazo.

Em outras palavras, o investidor quer a maior remuneração sobre o capital. Investimentos para retorno no longo prazo geram endividamento no presente e redução dos lucros, com consequente redução do pagamento de proventos aos acionistas. No longo prazo, a ação pode se valorizar com o crescimento dos ativos e com o aumento do potencial de geração de receitas e de lucratividade.

 

História de Carl Icahn

Icahn não é um personagem cuja história seja revestida de muito glamour. Não teve uma trajetória de superações. Ao contrário, cresceu em uma família de classe média, de mãe professora e pai advogado. Não escreveu nenhum livro sobre investimentos.

Carl Icahn aquisições de empresas

Nasceu no Queens, em Nova Iorque, em 16 de fevereiro de 1936 e formou-se em Filosofia em 1957. Após formar-se em Filosofia e deixar a Medicina para alistar-se no exército em 1959, Icahn, em 1961, iniciou sua trajetória no mercado financeiro como corretor. O passo natural foi se tornar investidor.

A estratégia de direcionar as ações para a tomada do controle de empresas individuais teve início no final da década de 70. Desde então, as aquisições hostis se tornaram parte da rotina. O reconhecimento veio mesmo na década de 90. A partir do século XXI, a Icahn Enterprises passou a investir em diversificação da carteira, tendo atualmente investimentos em setores diversos, dentre os quais a tecnologia. Em 2016, Icahn se desfez de ações da gigante Apple, numa operação que ganhou o noticiário.

Em resumo, pode-se dizer que Icahn adotou um estilo que combina filosofia de investimento com estratégia de negócios. É quase o mesmo que dizer que comprava ingresso para a arquibancada, mas não para assistir e torcer. Icahn queria participar do jogo e sabia como mudar a trajetória de uma partida ao seu favor.

“Alguns ficam ricos estudando inteligência artificial. Eu faço dinheiro estudando a burrice humana.”

A frase acima era a descrição do perfil de Icahn no Twitter. Será que alguma outra descrição seria tão precisa em retratar o estilo de Icahn?

Ações da cemig são uma boa opção?

As ações da CEMIG são uma boa opção para investir? A que tipo de perfil a CMIG4 contempla?

Antes de responder a essa pergunta, vamos conhecer um pouco mais dessa companhia, que desempenha um papel estratégico de grande valor para o Brasil.

Com sede em Belo Horizonte, MG, a CEMIG é uma das mais importantes concessionárias do setor de energia elétrica no Brasil. É a líder na América Latina em capacidade instalada de abastecimento e a maior da América do Sul em número de pessoas atendidas.

Acoes da cemig

Foi fundada em 1952, pelo governo do estado de Minas Gerais, durante a gestão do governador Juscelino Kubitschek.

É responsável por 96% da energia elétrica consumida no estado de Minas Gerais, mas sua atuação transcende, inclusive, o território brasileiro. A Cemig atua em 774 municípios brasileiros, divididos por 22 estados, além de prestar serviços no Chile em parceria com a Alusa Holding.

Desde 2006, a Cemig tem participação na Light, companhia que dominava o setor no Rio de Janeiro. Tem forte participação na Madeira Energia, controlando 83% do capital social da empresa, que é responsável pela instalação no Rio Madeira, no estádio de Rondônia, da Usina Hidrelétrica de Santo Antônio, que será a segunda maior hidrelétrica com turbinas bulbo do mundo.

Além disso, tem participação em outros setores, diversificando sua matriz estratégica, que compreende do setor de telecomunicações à automação de softwares. A boa gestão estratégica entre outros fatores, como a gestão de riscos econômicos, sociais e ambientais, faz com que seja a única empresa do setor na América Latina a ter obtido o índice Dow Jones Sustainability World Index, além de fazer parte regularmente do ISE (Índice de Sustentabilidade Empresarial) da BMF&BOVESPA.

Histórico recente

O último balanço patrimonial da CEMIG aponta a empresa com patrimônio líquido positivo de R$ 17,5 bilhões. A dívida bruta da companhia é de R$ 13,9 bilhões, contra um ativo de R$ 65,6 bilhões, sendo que R$ 27,6 bilhões desse ativo estão no circulante, ou seja, realizável no exercício vigente.

A receita da empresa nos últimos 12 meses alcançou R$ 24,6 bilhões, com lucro líquido de R$ 4,2 bilhões. A previsão é de que o lucro de 2019 supere em muito o de 2018, que já superou largamente o de 2017. O lucro em 2017 foi de R$ 1 bilhão, contra R$ 1,7 bilhão em 2018. Só no último trimestre de 2018 o lucro foi superior a R$ 1 bilhão.

Os resultados são puxados pelo aumento do preço da energia elétrica ao consumidor e pela venda de ativos da Telecom.

Como fica a CMIG4?

A CMIG4 vem acompanhando quase que fielmente os resultados da companhia, o que não tem relação, obviamente, com o valor real de mercado, mas com o alinhamento entre expectativas no mundo real e percepção dos investidores.

Vamos explicar melhor. As ações PN da companhia estavam cotadas, no final de 2017, em R$ 6,39. Um ano depois, quem investiu na CMIG4 ganhou 116,76%. As ações terminaram 2018 cotadas a R$ 13,86, superando, inclusive, o melhor preço obtido no mercado em agosto de 2014, quando chegou a alcançar patamar acima dos R$ 13,00.

Mesmo assim, a CMIG4 chegou a agosto de 2019 cotada acima dos R$ 14,00, chegando até a superar os R$ 15,00 em algum momento. Sendo assim, apesar do bom momento da companhia, não parece ser esse o melhor momento para investir na compra de suas ações.

Não há qualquer perspectiva de que o preço da CMIG4 caia de volta para o patamar de dezembro de 2013, mas é bom ficar atento a uma onde de realização de lucros nos próximos meses. A razão é um pouco mais difícil de explicar e entra no terreno político, mas vamos tentar problematizar a questão.

Além da venda de ativos e do aumento do preço da energia elétrica ao consumidor, o mercado embarcou no otimismo relacionado a uma futura privatização da companhia. Tal expectativa está ancorada na eleição de um governo de direita em Minas Gerais em 2018, além de haver um movimento nítido do governo federal no sentido de se desfazer de ativos para gerar caixa e, com isso, ao mesmo tempo, gerar superávit nas contas públicas e reduzir a dívida da união.

A verdade, no entanto, é que faltam argumentos para convencer os próprios políticos e a população dos benefícios da venda da CEMIG. Mesmo a venda de ativos da companhia é bastante questionável, sobretudo em um momento de vigor na geração de receitas e obtenção de lucro.

Ao perceber que a privatização é um projeto extremamente complexo, é possível que o interesse dos investidores caia, trazendo para baixo, consigo, as ações.

Vale a pena investir em ações da CEMIG?

A realização de lucros por parte dos investidores pode gerar uma boa oportunidade de compra da CMIG4. Não há expectativa de queda do preço ao consumidor, o que garante a geração de caixa e a lucratividade da empresa no médio prazo.

Por ser uma empresa que atua numa área estratégica e num segmento em que o consumo é obrigatório para empresas e residências, com atuação voltada para o mercado interno, a CEMIG está pouco sujeita a abalos relacionados à macroeconomia e ao mercado internacional.

A ameaça para os acionistas seria a mudança da orientação política, que poderia levar a um controle de preços da energia elétrica, mas essa possibilidade parece quase impensável, o que significa que a CEMIG deve se manter sustentável no longo prazo, o que não significa, necessariamente, que seja um bom investimento.

Para quem quer investir em ganho sobre a valorização do capital, o ideal é esperar que a cotação caia para um patamar abaixo dos R$ 10,00. Nesse caso, a probabilidade de altos ganhos no curto e no médio prazo é grande, tudo dependendo de rumores mais ruidosos sobre privatização da companhia. Nesse caso, a cotação poderia até superar os R$ 16,00, principalmente se os resultados financeiros trimestrais continuarem sendo alvissareiros.

A questão, no entanto, é o longo prazo. A empresa pagou em 2018, ano de bons resultados, 0,6443 em proventos, com um Yield de 4,6%. Para quem ganhou com a valorização da ação, os 4,6% somaram-se aos ganhos sobre o capital. Para quem pensa no longo prazo, combinando operação de baixo risco com gordos proventos, é preciso pensar melhor. É bem verdade que a empresa, em maio de 2019, pagou 0,4508 em proventos, sendo a previsão de que a distribuição de lucros superará longe 2018.

Sem podermos saber em qual patamar a empresa vai se estabelecer no futuro no que diz respeito a pagamento de proventos, juntando a isso a expectativa de queda da cotação da ação no presente, o ideal é esperar uma queda para abaixo dos R$ 10,00. Nesse caso, há possibilidades de ganho no curto prazo e ainda haverá tempo para esperar a progressão dos dividendos e JCP.

O que são commodities?

Commodities

Você sabe o que são commodities? Alguma vez você pensou que é possível investir nelas?

Vamos por partes.

Você já deve ter ouvido falar em valor agregado. O que diferencia um produto do outro é o valor agregado, podendo ser esse valor material ou intrínseco. Produtos tecnológicos são produtos com alto valor agregado, pois passam por um processo de fabricação complexo, de modo a construir atributos e funcionalidades de alto valor para os consumidores.

As commodities também possuem alto valor para os consumidores e para a indústria, mas baixo valor agregado, pois são produtos de origem primária, como petróleo, arroz, minério bruto, carne, leite, etc.

Quanto menos processos sejam necessários até um produto chegar à sua forma comercializável, mais próximo ele está de ser uma commodities.

commodities

Apesar disso, você já deve ter ouvido falar que os serviços dos bancos se transformaram em “verdadeiras commodities”. Isso acontece porque muitas vezes chaga-se a um ponto em que as empresas de um determinado setor não conseguem mais diferenciar seus serviços. Pense bem, como é que você percebe a diferença entre um seguro e outro?

Da mesma forma, é comum você chegar ao supermercado e se deparar com diversas marcas de arroz, sendo que, muitas vezes, umas são mais caras que as outras. Como é que elas se diferenciam? Muito provavelmente, pela marca. A marca é um diferencial competitivo, pois transmite confiança e credibilidade.

No nosso caso, estamos falando de um tipo diferente de transação comercial, que inclui grandes volumes de unidades de produtos primários. Não se trata do arroz na prateleira, mas do arroz que vai ser exportado para outros países. Quando um país da Europa decide importar arroz ou milho de outros países, qual seria o critério definitivo para ele decidir de qual parceiro comercial comprar?

Evidentemente, o critério principal é o custo de aquisição, que envolve o preço do produto, propriamente, o custo com impostos e o custo com logística. Por que funciona assim? Porque arroz é, basicamente, a mesma coisa em qualquer lugar, sobretudo quando temos grandes produtores dominando técnicas de plantio e cultivo que estão universalizadas.

Assim são as commodities. São produtos de baixo ou nenhum valor agregado, em que não há diferenças perceptíveis. É o caso da cana de açúcar, café, trigo, carvão, ferro, etc. Observe que, normalmente, as commodities são produtos primários relacionados a alimentação, energia e indústria.

 

O que define o preço das commodities?

 

Você já deve ter ouvido ou lido no noticiário que o barril do petróleo está custando “X” dólares. Deve ter reparado que, quando falamos em preço do barril de petróleo, estamos nos referindo ao preço internacional, ou, em outras palavras, a todo petróleo que é comercializado no mundo. Essa é uma característica das commodities. Uma commodity custa praticamente o mesmo preço em qualquer lugar.

Sim, mas o que determina esse preço quase único? É muito simples. É bem possível que você se lembre da crise econômica que se abateu sobre o Brasil em 2013 e 2014. O que houve, na ocasião, foi, entre outros fatores, uma desaceleração do crescimento da economia chinesa. A consequência foi a queda do preço das commodities, decorrente da retração da demanda internacional por elas. Para você ter uma ideia, o preço do ferro no mercado internacional chegou a cair pela metade.

Muitos outros produtos tiveram queda como consequência da retração da demanda. O que aconteceu foi que os exportadores mundiais de commodities passaram a concorrer por demandas menores. Lei básica da economia: redução da demanda x manutenção da oferta no mesmo patamar = queda dos preços.

 

Como o país tinha sua economia fortemente dependente da produção e exportação de commodities, acabou balançando, reduzindo a geração de caixa.

 

Você percebeu a importância das commodities para a economia mundial?

 

Vamos a outro exemplo que pode nos ajudar bastante com a compreensão do tema, até ampliando um pouco o nosso escopo. Você deve estar lembrado da crise do petróleo em 2015. O preço do barril despencou a menos da metade do que vinha sendo negociado.

 

A crise abalou as estruturas da Petrobras e colocou a política do governo em xeque. Na ocasião, o Brasil subsidiava os preços internos com o lucro obtido com as exportações, sendo essa uma das políticas para a aceleração do crescimento da economia. Porém, a Petrobras acabou sendo obrigada a aumentar o preço dos combustíveis internamente para suprir a perda com as exportações.

A reação foi em cadeia. Além do agravamento da crise política, o custo da economia interna aumentou, reduzindo margens e abalando a cotação de diversas empresas na B3. No final do ano, o índice Ibovespa cairia 13,3%.

É importante que você tenha uma percepção bem clara da importância das commodities e das estratégias que você precisa seguir para investir no mercado futuro. Além disso, é importante perceber como a macroeconomia reage em cadeia, jogando para cima ou para baixo o preço das ações.

 

É possível investir em commodities no mercado financeiro?

 

É possível investir em praticamente tudo no mercado financeiro. Basta que esse praticamente tudo tenha valor e possa render dividendos num futuro próximo ou distante.

Aliás, você já ouviu falar em mercado futuro? Trata-se de um tipo de operação, disponível na Bolsa de Valores, em que você divide oportunidades e riscos relacionados a contratos futuros.

A variável que determina o lucro ou prejuízo do seu investimento é a queda, consolidação ou aumento do preço. Caso você tenha investido num contrato futuro de venda de commodities, você ganha se o preço ficar dentro do previsto ou se ele subir e perde se o preço cair.

Por isso é importante que você tenha informações técnicas e fidedignas do mercado futuro. É preciso que o investidor domine os cenários futuros. Não basta investir numa commodity que esteja com o preço em alta no presente. É preciso saber se a tendência é de que esse preço se mantenha no futuro. Razão pela qual é preciso ter um panorama da política e da economia internacional.

No mercado de commodities você entra como uma espécie de fiador do vendedor. O propósito é reduzir os riscos para o produtor de uma queda abrupta no preço da referida commodity. Assim, o mercado futuro funciona como uma espécie de garantia para atenuar as perdas do produtor. Em troca, ele concede parte dos lucros obtidos com a variação positiva de preço aos investidores.

Para tornar o investimento possível, você deposita a chamada margem de garantia, que é o valor que pode ser debitado de sua conta na corretora de valores caso haja prejuízo na operação. Essa garantia não precisa ser necessariamente em dinheiro, podendo ser empenhadas ações e outros ativos.

A lógica é muito parecida com a compra e venda de ações. No mercado futuro você compra opções e divide com o produtor o lucro ou o prejuízo decorrente da variação de preço.

Como se trata de uma operação bastante complexa, que requer grande habilidade do investidor, a opção é aderir aos fundos de capital protegido, que combinam investimentos em renda fixa, de baixo risco, com investimento em commodities.

Além de fazer a gestão de risco na composição da carteira de investimentos, o gestor do fundo terá conhecimento e habilidades comprovadas no trato com o mercado de commodities, para operacionalizar a carteira e encontrar as melhores oportunidades.

Investimento em commodities

Principais commodities brasileiras

 

Confira quais são as principais commodities brasileiras:

 

– ouro;

 

– proteína animal;

 

– soja;

 

– trigo;

 

– laranja;

 

– petróleo;

 

– minério de ferro.

 

O fato de serem produtos altamente competitivos não garante lucratividade no mercado de vendas futuras.

Portanto, antes de investir em qualquer tipo de commodity, busque informações de especialistas, que levem em conta fatores como:

 

– expectativa de variação de preços no mercado internacional;

 

– planos de concorrentes internacionais de expansão da produção;

 

– tendências de consumo da commodity nos países tradicionalmente compradores;

 

– possíveis consequências de crises políticas no consumo internacional;

 

– poder de regulação dos preços por países ou conglomerados econômicos, como a OPEP;

 

– etc.

 

Focamos, basicamente, em matérias primas, mas há outras formas de commodities, como, por exemplo, as financeiras. É o caso das moedas, que são negociadas por uma cotação internacional, caso do euro e do dólar. O mesmo acontece com os títulos do Tesouro e índice Bovespa.

 

Vale a pena investir no Banco Bradesco?

Vale a pena investir no Banco Bradesco? Essa é a pergunta à qual tentaremos responder neste artigo. Antes, porém, vamos iniciar nossa análise de forma um pouco diferente, falando um pouco sobre o comportamento da Bolsa de Valores, particularmente, a nossa B3, que é a Bolsa de Valores Brasileira.

Você já deve ter ouvido falar muito em humor do mercado no noticiário. Mercado, a que se referem, é o investidor, seja em ações, seja em outras aplicações mais ou menos conservadoras. Se você é um investidor, do tipo que investe em ações e não em trades, será que o humor do mercado é um bom indicador?

Você ouve uma notícia que vem lá da China e ela sai derrubando o preço das ações que não têm qualquer relação com aquela situação. É porque os investidores ficam nervosos e querem desfazer suas posições. É uma questão de oferta x demanda. Quando temos muita oferta e pouca demanda, a consequência natural é a queda dos preços. Muitas vezes também ocorre o que chamamos de efeito manada no mercado de ações.

Isso quer dizer que muitas vezes uma ação tem uma cotação artificial, mais decorrente de uma onda especulativa do que daquilo que realmente importa para precificar uma empresa, que são seus ativos tangíveis e intangíveis, sua liquidez, seu potencial de geração de receitas futuras e os cenários que se desfraldam no horizonte da companhia.

A essência do mercado de ações é você investir, tornar-se sócio de uma empresa, compartilhar com ela os riscos e oportunidades, ajudando a financiar seus investimentos e lucrando com o seu sucesso, seja por conta da valorização das ações, seja pelo recebimento de dividendos.

 

O que dizer da BBDC3 e BBDC4?

 

BBDC3 e BBDC4 são as ações do Banco Bradesco. As ações BBDC4 são as chamadas preferenciais, o que significa dizer que os acionistas têm preferência no recebimento de proventos (JCP e dividendos). Não quer dizer que a BDC3 não faça jus aos mesmos proventos. É apenas uma questão de ordem no recebimento e prioridade caso não haja lucros suficientes para distribuir a todas as ações.

ações do Bradesco

Alguns dados históricos recentes precisam ser analisados para que possamos chegar, não a uma conclusão, mas a uma tendência em que possamos confiar minimamente.

 

No início de agosto de 2019, sete corretoras incluíram as ações do Banco Bradesco em suas carteiras, o que colocou as mesmas na terceira posição entre as opções de investimento. O que isso significa? Em tese, que há uma tendência de ganhos para o período subsequente, que pode não ser mais que do que os 30 dias posteriores à formação da carteira.

Bom, vamos a novos dados sobre o segundo maior banco privado do Brasil, perdendo somente para o Itaú. Em 2016, o Bradesco concluiu a histórica compra do gigante HSBC. A operação movimentou R$ 16 bilhões e o banco viu seus ativos crescerem 15,9%. Não é de se estranhar que suas ações tenham obtido valorização superior a 40% nos últimos três anos, fora os ganhos dos acionistas com dividendos e JCP. O valor da ação Bradesco pulou do patamar dos R$ 23,93 para a faixa de R$ 34,00, tendo alcançado o pico de R$ 46,50 ao longo do período.

BBDC4

Não estamos falando, evidentemente, de um lenço que caiu no chão em Hong Kong, mas de uma grande aquisição. Além disso, o Bradesco teve lucro de 33,4% no primeiro trimestre de 2019, superando em 31,87% o mesmo período de 2018. Já o lucro líquido do primeiro semestre foi de R$ 11,862 bilhões, superando em 31,87% o mesmo período do ano passado.

Poderíamos desfiar um rosário de indicadores para mostrar a vitalidade dessa empresa, mas parece que esses já são o suficiente. O que podemos fazer para reforçar os números é mostrar o que dizem os próprios executivos do banco, que atribuíram os resultados no período a fatores como:

 

– bom desempenho das receitas provenientes da administração de consórcios;

 

– crescimento das receitas com os serviços de custódia e corretagem;

 

– assessoria financeira;

 

– melhora da performance de receitas como conta corrente.

 

O banco, que é ícone de inovação tecnológica no mercado financeiro, segue bem a cartilha de diversificar sua carteira de produtos. Da mesma forma, conseguiu ampliar sua base de clientes desde a aquisição do HSBC.

 

Conjuntura macroeconômica e uma ameaça ao Bradesco

 

A grande verdade é que o Bradesco atua num setor que, historicamente, é um permanente céu de brigadeiro. A razão é que, historicamente, os serviços financeiros são dominados por poucas empresas.

 

O que temos visto recentemente, por exemplo, é a queda acentuada da taxa Selic. Porém, de um modo geral, essa política de reduzir os juros básicos da economia, cujo propósito é baratear o crédito e reaquecer o consumo, tem pouco efeito prático, pois as taxas do banco não acompanham a queda da taxa básica. Com isso, em vez de melhora no custo do crédito ao consumidor, o produto da política governamental é o aumento do ganho dos bancos.

 

Sob esse aspecto, inclusive, devemos considerar o potencial de pagamento de dividendos no curto e no médio prazo, já que não há indicadores de que a política vá mudar.

 

Esse é um aspecto importante para você entender a solidez dos bancos, mas, também, vislumbrar a principal ameaça à sua saúde econômica e financeira dessas grandes organizações, que atende pelo nome de fintechs, que são as empresas totalmente digitais do setor financeiro.

Além de oferecerem os mesmos serviços financeiros de forma prática e simples, focada na experiência do cliente, essas empresas chegam a oferecer taxa zero para manutenção de conta corrente e administração de cartão de crédito.

Não há a menor dúvida de que essas empresas financeiras já competem com os grandes bancos pela preferência do consumidor. O que talvez elas não façam é conceder crédito a preços mais simpáticos. Na verdade, elas chegam para abocanhar uma fatia de um bolo bastante doce e desejado.

É preciso acompanhar com atenção a expansão das fintechs, se não se tornarão uma ameaça a instituições tradicionais. Se, de um lado, não é de se imaginar uma competição por preços entre as instituições financeiras, de outro, bancos como o Bradesco, com grandes estruturas físicas, não têm a menor condição de competir em custos com as fintechs, o que confere às últimas um maior potencial de crescimento e de captação de investimento.

 

Afinal, vale investir no Banco Bradesco?

 

O que temos historicamente é que os bancos são praticamente imunes a crises. Em todos os momentos de crise nos últimos dez anos, continuaram obtendo altos lucros. Isso não deve mudar no curto prazo, o que é bom para quem pensa em investir em dividendos, mas sem visão de longuíssimo prazo. É preciso levar em conta a ameaça dos novos concorrentes à posição dos bancos tradicionais, que terão que investir cada vez mais na diversificação de serviços e modernização de processos para ganhar competitividade em custos com as fintechs.

Por fim, talvez a melhor hora para investir no Branco Bradesco não seja essa, principalmente quando sabemos que o patamar atual é superior a R$ 30,00 e em 2016, há apenas três anos, era de somente R$ 13,00.

Ações da Cielo: Uma boa opção de investimento?

Ciel3

Vamos falar neste artigo sobre ações da Cielo, uma companhia criada em 1995 com o propósito de integrar consumidores, comércios e bancos por meio de uma plataforma de pagamentos com cartões de débito e crédito.

Quando ouve falar em Cielo, você, naturalmente, lembra-se daquela maquininha do supermercado. O que você muito provavelmente nunca parou para pensar é no que está por trás daquela famosa maquininha de cartões. Trata-se de uma estrutura tecnológica completa, mas com uma operação invejavelmente funcional, exceto pela excessiva dependência da empresa do sistema de telefonia, o que, por vezes, leva a cancelamentos de compras e insatisfação de clientes e afiliados.

Apesar desse pequeno infortúnio, é bem provável que você nunca tenha tido esse tipo de problema. A Cielo não é líder no mercado brasileiro de plataformas de gateway por acaso. Trata-se de uma empresa com estrutura e investimento pesados, que tem como acionistas nada menos que Bradesco e Branco do Brasil, assim como sua origem está ligada à Visa.

Ações da Cielo

Está tudo muito bem, mas as ações da Cielo são uma boa opção de investimento? Vamos precisar aprofundar um pouco mais o tema para poder dar uma resposta definitiva. Aliás, em se tratando de ações, não se pode dar uma resposta definitiva, mas, quando muito, boas recomendações.

 

Condições setoriais enfrentadas pela Cielo

 

A primeira coisa que você deve se perguntar é sobre os riscos de investir numa empresa que, basicamente, tem suas operações totalmente atreladas à tecnologia. Estamos vivendo a expansão, a todo vapor, das fintechs, as empresas financeiras totalmente estruturadas a partir de soluções tecnológicas.

Se isso é uma ameaça aos bancos tradicionais, que precisam competir carregando às costas estruturas mais caras e pesadas, é preciso avaliar com ressalvas a ideia de que as fintechs representem ameaças à Cielo.

Além da liderança no mercado, a empresa possui uma gigantesca rede de afiliados com grande distribuição nacional. Apesar dessa liderança, é uma empresa que investe em inovação e diversificação da carteira de serviços, o que tem sustentado sua expansão sistemática.

Uma boa prova de que a empresa apresenta bons fundamentos foi o pagamento de mais de R$ 1,7 bilhão em dividendos e JCP em junho de 2019. A maior parte desse montante foi em dividendos (R$ 1,4 bilhão), que são apurados diretamente sobre o lucro líquido da empresa.

Em compensação, praticamente no mesmo período, a CIEL3 acumulava perda na faixa dos 36%, decorrente de três indicadores bastante preocupantes para a companhia: redução de receitas, lucro e participação de mercado. A principal ameaça à Cielo é o PagSeguro, mas o Itaú também está entrando com tudo no seguimento.

Diante desse cenário, somos levados a refletir sobre o horizonte de crescimento da famosa empresa das maquininhas de cartão. É preciso muito cuidado nessa hora, porque há diversos fatores a serem levados em consideração. A expansão do uso de cartões no Brasil foi de 14% em 2018, mesmo com a retração da economia e do consumo.

 

Macroeconomia é um problema

 

Isso quer dizer que na mesma medida em que as pessoas freiam o consumo, elas também trocam o dinheiro por cartões na hora de fazer seus pagamentos. Isso tende a se acentuar com a expansão do e-commerce, que cresce continuamente mesmo com a situação delicada da economia nos últimos anos. É um setor que não conhece crise e traz consigo as plataformas de gateway integradas à economia digital, caso da Cielo.

Esse fenômeno do e-commerce é o que pode contribuir para a sustentação de um viés de crescimento das plataformas e administradoras de pagamento. O problema é que isso não se reflete muito no ânimo dos investidores, que parecem mais sugestionados pela combinação dos fatores “queda do consumo” x “aumento da concorrência”.

É o que explica o gráfico de queda da empresa, apesar de sua solidez. Nos últimos 5 anos, a CIEL3 teve desvalorização na Bolsa de Valores de 68%. São números que mostram com clareza uma trajetória de queda. Em julho de 2019, a CIEL3 registra cotação próxima do seu mais baixo patamar nesse mesmo período de 5 anos, chegando a bater próximo à casa dos R$ 7,00, quando já frequentou a casa dos R$ 32,00.

Aparentemente, há um pessimismo com relação à recuperação do consumo e da economia. Medidas governamentais no sentido de injetar dinheiro na economia soam como paliativos. Nem mesmo a redução da taxa Selic parece ser capaz de reaquecer o consumo. Ao mesmo tempo em que o PIB chegou a cair 0,2% no primeiro trimestre de 2019, todos os dados econômicos apontam retração do consumo.

Tudo isso contribui para a falta de confiança dos investidores nas ações de empresas cujo desempenho, no curto, médio e longo prazo, dependam do consumo. Esse momento de falta de confiança pode significar, por outro lado, uma oportunidade a ser levada em consideração. Seria o momento de comprar ações em baixa para ganhar no longo prazo?

Bom, isso depende do quanto você acredita nas possibilidades de sucesso da atual política econômica. Não tem como não descolar uma coisa da outra, embora seja necessário reiterar que há outros indicadores importantes, como a expansão do uso de cartões, sobretudo por conta da expansão do e-commerce, fenômeno que não tem relação direta com a macroeconomia, mas com as mudanças de comportamento do consumidor impulsionadas pelas novas tecnologias.

 

Seria uma aposta arriscada investir na CIEL3?

Para concluir, mesmo com a CIEL3 em baixa, investir agora seria uma aposta arriscada. Nem é só por causa da macroeconomia, mas pelos movimentos recentes.

Ciel3

Depois de ter uma queda de 17,6% no lucro em 2018, em relação a 2017, a empresa parece decidida a competir por preços, uma tendência perigosa para todas as empresas do setor. Com isso, a Cielo pensa em reduzir em até 30% o preço dos seus serviços, o que comprometeria suas margens e, consequentemente, o pagamento de dividendos, que é a grande atratividade da CIEL3.

Como última informação, que tem o viés de uma ducha de água fria, o relatório do BTG Pactual sobre a Cielo é pessimista para os próximos períodos. Segundo o relatório, a tendência é de que os resultados sigam se deteriorando em 2019, quadro que não deve mudar em 2020.

Talvez, portanto, o melhor seja aguardar até 2021, quando se terá um quadro mais claro de onde nos levará a atual política econômica e até que ponto se confirmam as previsões do BTG Pactual.

Quais são os principais fundamentos na hora de comprar uma ação?

Para o investidor de longo prazo a análise fundamentalista se mostra indispensável para a melhor tomada de decisões. Isso porque quando adotamos uma perspectiva de longo prazo, o “barulho” do mercado, que costumeiramente cria percepções ilusórias sobre o preço das ações, se torna irrelevante.

 

Ao contrário de um trader, que pode eventualmente aprender a identificar a causa desses movimentos de curto prazo e se aproveitar deles, o investidor esta mais interessado em selecionar ações de empresas sólidas, com potencial de crescimento e lucros constantes ao longo dos anos, sendo irrelevante o movimento que elas podem apresentar nesse meio tempo.

 

Mas como selecionar essas empresas? Não há método melhor do que a análise fundamentalista de ações, buscando empresas cujo negócio e administração estejam assentados em fortes fundamentos econômicos que maximizem o seu resultado a longo prazo. Além desses, também podemos falar dos fundamentos micro e macroeconômicos, que dizem mais respeito as condições externas do mercado que a empresa atua e da economia como um todo. Para os growth investors, que buscam maximizar o valor do crescimento do seu capital a longo prazo e, idealmente, se tornar sócio de uma empresa para nunca mais precisar vender as ações da mesma – a não ser que seus fundamentos não sejam mais tão bons – esse segundo tipo de fundamento, ligado a questões macroeconômicas, se torna menos relevante, já que uma empresa sólida sempre irá performar bem a longo prazo, ainda que no curto e médio possa sofrer com condições adversas de mercado.

fundamentos de ações

Por isso, vamos nos concentrar aqui nos principais fundamentos relacionados a empresa em si que você deve analisar antes de tomar uma decisão de compra.

 

 

Os principais fundamentos econômicos de ações

 

Dito isto, podemos dividir os principais fundamentos que você deve analisar na hora de comprar uma ação em 4 grandes grupos:

. Eficiência da Produção, Marketing, pesquisa e desenvolvimento e finanças

. Recursos humanos

. Potencial de lucratividade

. Razão preço/lucro

 

Eficiência da Produção, Marketing, pesquisa e desenvolvimento e finanças

 

Dentro deste bloco, analisamos o que podemos chamar de os 4 fatores principais que lhe darão um indicativo inicial sobre valer a pena de se tornar um sócio daquela empresa ou não.

Primeiramente, é importante analisar se a empresa é a mais eficiente ou pelo menos uma das mais eficientes no seu setor na fabricação da maior parte das linhas de produto que oferece. Para ser verdadeiramente classificado como um investimento conservador, é vital que a empresa possua o mais baixo custo de produção entre seus competidores ou pelo menos esteja pareada com seus concorrentes próximos.

Isso atinge a dois objetivos muito importantes. O primeiro é que quando o mercado mudar e a demanda cair drasticamente, a empresa possuirá uma margem grande o suficiente que lhe permita cortar os preços sem colocar em risco o seu próprio lucro. Com isso, ela consegue resistir aos períodos mais escassos da economia e se prepara para uma forte recuperação à medida em que os seus concorrentes de custo mais alto se veem obrigados a vender a um preço próximo demais do break-even (seu custo total de produção por unidade), ou muitas vezes menor, forçando-os a diminuir a produção e gerando um aumento de demanda para empresa de menor custo.

O segundo objetivo é garantir que a empresa possua internamente a maior parte dos recursos de que necessita para sua expansão, evitando que emita novas ações no futuro – o que diluirá seus potenciais ganhos como acionista – ou que se endivide, aumentando seus custos com amortização e, consequentemente, diminuindo a  rentabilidade que lhe caberá enquanto acionista.

 

Já com relação a eficiência do seu marketing e de sua força de vendas, a relação tende a ser direta e inegável. Embora a situação ideal seja, obviamente, uma empresa com um excelente produto e excelente marketing e capacidade de vendas, a verdade é que em quase todos os exemplos históricos comparativos que podemos utilizar uma empresa com um produto mediano e uma força de vendas e marketing extremamente forte sempre vence uma empresa com um produto excepcional e um marketing pífio.

A única exceção a isso é no caso de empresas com produtos realmente inovadores, com alta tecnologia agregada, caso em que a própria ausência de competidores qualificados garante as vendas, o que nada mais é do que a exceção que confirma a regra.

O terceiro fator dentro deste ponto é analisar quais os investimentos a empresa tem feito internamente em pesquisa e desenvolvimento visando a geração de novos produtos que possam conquistar mais mercado, receita e lucros para a empresa futuramente. É preciso ter consciência de que o investimento em pesquisa e desenvolvimento em geral gera muitos resultados insatisfatórios e projetos que apenas consomem dinheiro da empresa, entretanto, é de vital importância estratégia a longo prazo, visto que muitas vezes apenas um desses projetos que tenha sucesso dá origem a um produto excepcional que pode se tornar um campeão de vendas nos anos futuros, aumentando exponencialmente os lucros da empresa.

Por fim, a organização financeira da empresa muitas vezes é um fato que passa batido para muitos investidores, pois nossa tendência natural é olhar apenas para a lucratividade da empresa e seu potencial de crescimento e esquecer que as funções de “suporte” são igualmente essenciais a longo prazo. Em uma empresa com uma linha diversa de produtos nem sempre é uma tarefa fácil saber exatamente o custo de cada produto em relação aos outros, visto que muitos desses custos – com exceção dos materiais diretamente utilizados e do trabalho de funcionários diretamente envolvidos na produção – tendem a estar dispersos em uma ampla gama de produtos. Saber o custo exato de cada produto dá uma vantagem considerável a empresa a medida em que ela pode tomar melhores decisões estratégicas, já que saberá quais produtos tem maior lucratividade e potencial de domínio de fatia de mercado.

 

Recursos humanos

Com certeza, um dos fatores mais relevantes para o sucesso de uma empresa a longo prazo é o fator pessoas. Embora isso seja algo de certa forma subjetivo demais para ser avaliado com alta precisão ele é essencial para a correta tomada de decisão de investir naquelas ações.

Para atender a esse requisito, você deve avaliar se o CEO da empresa em questão tem visão de longo prazo na condução dos negócios da empresa e a capacidade de delegação para um time de executivos de alta competência responsável por cada uma das áreas da empresa. Além disso, é necessário avaliar se a empresa tem e aplica eficientemente um programa de treinamento interno para identificar os colaboradores iniciantes com maior potencial de modo a treiná-los para futuramente sucederem a direção executiva atual, de modo a manter contínuo o fluxo de gestão eficiente da empresa.

Outro ponto importante é se a empresa tem um esforço de “vender internamente” a empresa a todos os seus colaboradores, de modo a mantê-los engajados com a atividade fim da empresa e garantir o desempenho futuro.

 

 

Potencial de lucratividade Exponencial

 

Já falamos sobre a importância de uma alta eficiência na produção e um custo de produção comparativamente baixo em relação aos competidores, mas esse fator que iremos falar agora diz mais respeito a uma empresa cujo negócio contenha uma vantagem inerente em relação a lucratividade.

O principal meio para chegar a esse estágio é se tornar líder de mercado de modo que uma grande parcela dos consumidores escolha comprar um produto daquela marca simplesmente porque é a líder do mercado, diretamente associada na mente do cliente ao próprio produto que oferece em si. Assim, você deve se perguntar se a empresa na qual você esta pretendendo investir é a melhor, ou tem condições de se tornar a melhor em um futuro breve, em relação a um mercado considerável para um determinado produto.

análise fundamentalista
Jack Welch, ex-CEO da GE

Foi seguindo este princípio, entre outros, que jack welch, considerado por muitos o maior CEO dos século 20, conseguiu aumentar o valor de mercado da General Eletric em 4.000% durante os 20 anos em que foi CEO da companhia. Um dos valores de gestão de Welch era o da dominação absoluta do mercado: Apenas manter produzindo produtos em que a empresa seja a número 1 ou no máximo 2 do mercado e descontinuar todas as outras linhas de produto. Jack entendia muito bem o valor exponencial para a lucratividade de ser o maior player do mercado em que atua.

 

Razão preço/lucro

 

Por fim, um dos fatores mais importantes para uma boa decisão de investimentos é a razão preço/lucro, que nos dará um indício forte sobre o preço atual da ação em relação ao seu valor intrínseco.

Muitas pessoas não param para pensar, mas a atratividade de um potencial investimento esta intimamente ligada ao preço que você paga por ele. De nada adianta investir em uma excelente empresa se o preço pago já é alto e exclui a possibilidade de ganhos futuros significativos.

Ao mesmo tempo, é preciso considerar que o preço de qualquer ativo negociado no mercado de ações sempre varia em função da percepção que a comunidade financeira tem dela, sendo entendida essa comunidade como o conjunto de todas as pessoas e instituições que operam no mercado financeiro.

Entender isso é a chave para o investimento bem feito. Quando existe um descompasso entre a percepção da comunidade financeira sobre uma empresa e o seu real valor – dado pela qualidade dos seus fundamentos – abre-se uma excelente oportunidade para o investidor inteligente.

Ainda vale a pena investir em ações da AMBEV?

Ações da ambev

Ainda vale a pena investir na Ambev? Ou a empresa já atingiu seu potencial máximo?

Essa é uma pergunta que os investidores têm feito, sempre tendo em conta a possibilidade das ações da companhia terem alcançado seu potencial máximo de valorização.

A resposta para esta pergunta é que depende do seu perfil de investimento. Caso você esteja pensando em alta rentabilidade no curto prazo, a Ambev não é a melhor companhia para você investir.

Caso você esteja pensando em maior segurança, mesmo aceitando uma rentabilidade menor, mas, ainda assim, expressiva em relação ao que se tem obtido no mercado financeiro como um todo, a Ambev é uma excelente opção.

Ações da ambev

Há duas variáveis básicas que explicam as razões pelas quais investir na Ambev é uma boa escolha para quem quer se tornar sócio de uma empresa sólida:

– o viés das ações ainda é de alta;

– a empresa obtém altos lucros e paga 40% do seu lucro líquido em dividendos.

Caso o seu perfil seja de alguém que prefere compor uma carteira de ações, combinando opções mais conservadoras com outras mais arrojadas, a Ambev cairia bem entre as chamadas opções “conservadoras”.

Respondida a pergunta do título?

Então, vamos, a partir de agora, nos aprofundar no tema.

De onde vem a força da ABEV3?

Vamos fazer uma viagem pelo noticiário recente relacionado à companhia. Em julho de 2019, foi noticiado que a AMBEV obteve um lucro líquido de R$ 2,712 bilhões no segundo trimestre daquele ano. Com isso, tornou-se a terceira empresa mais valiosa da bolsa.

Na ocasião, o valor de mercado da companhia, com suas ações negociadas na faixa dos R$ 19,00, alcançava a casa dos R$ 305,75 bilhões, perdendo apenas para Petrobras e Itaú.

Em comparação com o mesmo período de 2018, o resultado da companhia foi 16,1% superior. O lucro em 2018 foi de R$ 11,377 bilhões, 44,9% superior ao registrado no ano anterior, equivalente a R$ 7,850 bilhões.

O fato curioso é que o resultado obtido pela companhia coloca-se na contramão do volume de vendas, que teve queda em 2018. Mesmo assim, a Ambev conseguiu crescer em receitas, graças ao investimento em linhas de produtos Premium, mais caras e com maior margem.

Isso mostra o primeiro dado importante, que é a vitalidade da companhia, que vem diversificando sua linha de produtos nos últimos anos, não só investindo no mercado de cerveja Premium, como também em outros seguimentos de consumo. Em abril de 2016, anunciou a compra da Do Bem, empresa produtora de sucos naturais.

Sabemos que a valorização das ações de uma empresa depende, no longo prazo e após descontadas o efeito muitas vezes ilusório da percepção do mercado, de sua expansão. Nesse aspecto, há dúvidas, não sobre a capacidade de expansão da companhia, mas acerca do quão acelerado esse processo possa ser.

A Ambev é líder no setor em que atua, possuindo a maior estrutura de comercialização e distribuição do mundo, com 30 fábricas e mais de 100 centros de distribuição. Trata-se de uma empresa com forte presença no exterior e com potencial de expansão internacional. A questão é saber em que ritmo essa expansão pode acontecer, o que depende de diversos fatores macroeconômicos, além, claro, da gestão da própria companhia, que em nada vem deixando a desejar.

Por que investir na Ambev?

É como dissemos lá no início do artigo. A Ambev não é para quem gosta de fortes emoções, para quem busca alta rentabilidade num curto espaço de tempo. A valorização das ações da companhia nos últimos cinco anos foi de apenas 31,96%.

Em compensação, a Ambev tem uma política arrojada de remuneração dos acionistas, baseada na combinação de JCP (juros sobre capital próprio) e pagamento de dividendos. Entre 2015 e 2017, a empresa manteve-se num patamar de 7% de ganho sobre o capital investido, o que chamamos de Yield. O Yield nada mais é que o cálculo do ganho percentual com dividendos sobre o valor da ação.

Em dezembro de 2018, a empresa pagou R$ 8,6 bilhões em JCP e dividendos aos seus acionistas. A política da companhia, com relação aos dividendos, é destinar 40% do lucro líquido para remunerar o capital dos investidores com dividendos.

Apesar da tendência de alta da companhia, temos que reconhecer que o potencial de ganho com a valorização das ações é limitado, mas isso é compensado com a política de dividendos, sobretudo porque a empresa é altamente lucrativa.

Além disso, a ABEV3 oferece baixo risco no médio e no longo prazo para quem realmente deseja se tornar sócio da companhia. Além da liderança no mercado, trata-se de uma empresa com alto potencial de geração de caixa e de lucratividade. Sabemos, efetivamente, que quanto maior o potencial de lucro, maiores são os dividendos.

Por conta disso, se o seu perfil de investimento é de longo prazo, focado na solidez da empresa e você não pretende ter ganhos realmente altos, a Ambev é um bom investimento.