Coronavírus e bolsa de valores: Vale a pena investir agora?

Coronavirus, bolsa de valores e investimentos

O Coronavírus talvez seja um dos maiores fatos surpresos dessa década, tanto pela sua imprevisibilidade, alguns meses atrás, quanto pelos rápidos impactos socioeconômicos que tem causado. Com as notícias que não param de chegar constantemente sobre novos casos suspeitos e confirmados, além de mortes, que não param de chegar de várias partes do mundo além da China, principalmente de países como Itália, Irã e Coréia de Sul, há o temor real de que o coronavírus possa ocasionar uma pandemia com sérios impactos econômicos, potencialmente causando uma crise global.

coronavirus e bolsa de valores

 

Mas o que há de fatos e o que se deve a especulações ou medo injustificado nessa história? E o mais importante: Será que vale a pena investir na bolsa de valores nesse cenário, ou o coronavírus acabou com as oportunidades de investimento no mercado financeiro? Essa pergunta se torna extremamente importante quando observamos as fortes quedas das bolsas de valores ao redor de todo o mundo, que chegam em muitos casos a quase 10%.

O que é o Coronavírus?

 

Primeiro vamos entender o que é o coronavírus. Trata-se de um vírus da mesma família que o vírus da SARS (Severe Acute Respiratory syndrome, ou síndrome respiratória aguda grave), doença que surgiu pela primeira vez em 2002, e que infectou mais de 8000 pessoas e possui uma letalidade de 10%, tendo matado 800 em todo o mundo. Assim como o coronavírus atual, suspeita-se que a SARS tenha tido origem zoonótica, ou seja, tenha surgido inicialmente a partir de animais, mais especificamente através de morcegos, que transmitiram para uma espécie de gato bastante popular na China.

O Coronavírus, por um lado, possui uma letalidade bem menor, de cerca de 3,4% dos casos, pelos dados que se possui até o momento em todo o mundo. A principal faixa de risco é para idosos acima dos 80 anos, nos quais a taxa de letalidade chega a 15% dos casos, pois um dos principais fatores para a letalidade da doença é a força do sistema imunológico do indivíduo. Por outro lado, a taxa de transmissão do coronavírus é muito mais alta do que o SARS, tendo infectado já 94 mil pessoas no mundo inteiro, com 3221 mortes até o início de março de 2020, o que gera a preocupação com a possibilidade de propagação rápida do vírus para diversos países simultaneamente, causando um cenário de Pandemia.

Os impactos econômicos do coronavírus

 

Com o rápido avanço da doença e todo o alarde mundial, é natural esperar que o mercado comece a responder aos riscos representados pelo coronavírus. Na última semana de fevereiro de 2020, as principais bolsas de valores ao redor do mundo e também a bovespa apresentaram fortes quedas percentuais em resposta ao temos de que o vírus se alastre ainda mais.

O principal gatilho foram as notícias divulgadas pela Itália de que já possuía 220 casos confirmados de coronavírus – 1 semana depois o número de casos já chegou a 2.263, com 79 mortes – o que gerou uma reação em cascata nas bolsas européias, com quedas acumuladas na semana de 12% para a bolsa de Frankfurt e 8% para a bolsa de Londres além de 2,9% em Paris, 3,8% em Milão e 3,67% em Tóquio em um único dia, 4% em Hong Kong e 5% em Shangai.

Além disso, o índice de ações pan-europeu STOXX 600 teve queda de mais de 10% e o índice MSCI, que engloba 1.600 ações de 23 países industrializados acumulou queda de 9,3% na mesma semana.

Com todas essas fortes reações, o temor pelo risco de uma recessão econômica a nível global cresceu vertiginosamente. Mas há necessidade de tanto medo? E se uma crise econômica realmente estiver à vista, o que você deve fazer para se proteger ou quem sabe até se beneficiar da crise com seus investimentos?

 

Vale a pena investir nesse momento?

 

Se você já acompanha o mercado de ações há algum tempo, sabe que existe necessariamente uma diferença entre o que ocorre de fato e como o mercado reage ao que ocorre, entre a realidade e a percepção da realidade. Muitas vezes basta uma notícia suficientemente negativa para gerar uma reação em cadeia e uma queda brusca nos preços das ações. Foi exatamente isso o que aconteceu na última semana de fevereiro, com uma notícia ruim sobre o número de infectados na Itália gerando um efeito manada que ocasionou quedas simultâneas ao longo dos próximos dias em diversas bolsas ao redor do mundo.

Se por um lado o coronavírus gera temores de uma recessão mundial, por outro a queda dos preços de ações no mundo inteiro e na própria bolsa de valores brasileira, que caiu quase 7% em um único dia na última semana, abre grandes oportunidades de investimento para quem pretende investir de fato a longo prazo.

A história nos mostra que é natural uma queda brusca do mercado após um surto de alguma doença, mas que ele sempre tende a se recuperar e, muitas vezes, apresentar uma subida significativamente maior do que a queda após apenas alguns poucos meses.

Veja o gráfico:

coronavirus e bolsa de valores
Performance do mercado de ações global após os grandes surtos das últimas décadas

Como você pode ver, em casos passados como os do Ebola, Zika, Dengue, SARS, gripe suína, gripe aviária, HIV, entre outros, os mercados globais tendem a ter uma forte subida em até 6 meses após o surto na maioria dos casos, ou, no mínimo, começam a ensaiar uma recuperação das atividades.

Será que isso significa que você deve usar todo o seu capital disponível para comprar ações? Não necessariamente, mas apenas que você deve manter a mente calma para fazer uma análise fria da situação, e não se deixar levar pelo clima de desespero que muitas vezes atinge grande parte das pessoas em situações como essa. Muitas vezes, quando você atinge esse estado, vai perceber que existem excelentes oportunidades para serem aproveitada e não é momento de pânico.

Na Bolsa de valores brasileira, por exemplo, observamos diversas empresas com excelentes fundamentos econômicos apresentando fortes quedas devido ao surto, como por exemplo: AMBEV (-18,54%), Ultrapar (-24,47%), Gerdau (-15,56%), IRB (-25,83%), além de várias outras com quedas menores porém ainda significativas. Será que essa não é exatamente a oportunidade que você estava esperando para começar a investir na bolsa?

O que é mercado futuro?

Mercado futuro é uma modalidade de investimento em que o investidor compra um contrato com realização do pagamento num tempo futuro.

É bem verdade que falar em mercado futuro pode parecer algo um tanto quanto inadequado, uma vez que todo investimento (veja mais) nada mais é que uma perspectiva de lucrar num tempo futuro com o investimento feito no presente.

Quando você investe em renda fixa, por exemplo, se o contrato é pré-fixado, você sabe que obterá um ganho já determinado numa data acordada com quem emitiu o título.

No caso de aplicação pós-fixada, você sabe que obterá um ganho sobre o capital aplicado, que variará de acordo com a oscilação do índice usado para indexar o contrato.

Ao investir no mercado de ações você tem a expectativa de que o seu papel se valorize no futuro, de modo a você obter ganhos sobre o capital. Da mesma forma, espera que a empresa aumente seus lucros gradativamente, gerando proventos cada vez mais generosos, que você pode ou não reinvestir naquela ação.

Em todos os casos citados há uma variável intrigante, que é o grau de previsibilidade. No caso dos investimentos em renda fixa pré-fixados, você tem 100% de previsibilidade quanto aos seus ganhos, mas isso não quer dizer que não haja riscos. Embora o ganho seja garantido em relação ao capital investido, você corre o risco de perder para o mercado.

Suponha que você faça um investimento em LCI pré-fixado para ganhar 15% em dois anos. Suponha, ainda, que nesse mesmo período a inflação dispare os mesmos 15% e a taxa Selic suba para 18% (Sim, um cenário pouco provável dada a tendência atual). Certamente, os contratos que estavam indexados poderão obter maior ganho.

No caso do investimento em ações, você corre o risco de ver a empresa em que você apostou entrar em trajetória de queda, levando à desvalorização das suas ações. Portanto, o risco é maior, e é por isso que você aprende que investir em renda variável oferece maiores possibilidades de ganho, mas também maiores riscos de perda.

Quando investe em ações, você pode acabar perdendo parte do capital investido, o mesmo ocorrendo no mercado futuro. Em qualquer das hipóteses, no entanto, o que está em questão, o que vai determinar o tamanho e o custo da oportunidade, é o conhecimento que você tem sobre aquilo em que está investindo.

Ou você se aprofunda na capacitação para a leitura dos indicadores ou conta com um analista de investimentos de confiança. O importante é que o seu investimento seja fundamentado.

Como funciona o mercado futuro

Se todos os investimentos são focados na obtenção de ganhos no futuro, por que haveria um investimento que se chama “mercado futuro”?

Primeiramente, por que mercado?

Quando falamos em mercado, estamos pensando em diversos players e indicadores. Estamos pensando em condições que mudam de tempos em tempos.

mercado futuro

Quantas vezes você já ouviu falar que o preço do boi gordo diminuiu ou aumentou no mercado internacional? É porque o preço depende de uma correlação de forças, basicamente, a oferta e a procura. Da mesma forma, o ganho obtido com exportações dependerá da variação da força da moeda local. Se ela se valoriza frente ao dólar, o ganho na exportação será maior em reais, já que a moeda em que é firmada a maioria dos contratos internacionais é o dólar.

Imagine como funciona a dinâmica de formação de preço de quem produz, vende e compra commodities. Vamos ao caso de um produtor de milho. Esse produtor não espera a colheita para vender sua produção, pois, caso o fizesse, correria o risco de perder grande parte de sua produção por não obter compradores a tempo.

O mesmo acontece, por exemplo, com o gado de corte e com praticamente toda a atividade econômica.

No caso do produtor de milho em questão, ele terá uma estimativa da produção e tentará vender o produto antes mesmo do plantio, de modo a ter garantido o retorno sobre o investimento feito em compra de sementes e plantio, entre outros custos.

Do outro lado, há um comprador, que espera receber a encomenda e, para isso, também precisa antecipar a compra. Por qual preço você acha que eles deveriam fechar essa transação, levando em conta que o pagamento e recebimento da mercadoria só acontecerá dentro de hipotéticos 4 meses?

Sabemos, afinal, que o preço das commodities oscila de acordo com uma série de variáveis macroeconômicas. Sendo assim, as duas partes fixam como preço o valor de mercado futuro, aquele relativo à data em acontecerá o pagamento.

Uma vez firmado o contrato, o produtor de milho precisará de capital de giro para começar a preparar a próxima lavoura e pagar as despesas, uma vez que grande parte do seu capital foi investido na lavoura anterior.

Uma possibilidade é ele pegar um empréstimo para irrigar seu caixa, mas terá que pagar juros por isso, o que reduzirá sua margem de lucro. A outra é vender o contrato para investidores em mercado futuro. Nesse caso, ele recebe o valor de mercado presente ou com um pequeno deságio para um investidor em mercado futuro.

Esse investidor espera que até a data do pagamento do contrato o preço daquele produto oscile para cima, situação em que ele sairá ganhando. O mais interessante, no entanto, é que essa variação é atualizada diariamente pela Bolsa de Valores, que é o ambiente de negócios onde são negociados esses contratos.

O investidor em mercado futuro pode revender o direito e antecipar a realização do lucro a qualquer momento. Ou, claro, na data do vencimento.

Sendo assim, o produtor antecipa receitas e lucro, enquanto o investidor ganha com o aumento do preço. Porém, pode acontecer o contrário, que é o valor de mercado do produto cair e o investidor perder dinheiro.

É por essa razão que temos sempre que afirmar que o investidor precisa saber em que e por que está investindo. Não é aleatório, pois a aleatoriedade anda de braços dados com os prejuízos.

Como investir em mercado futuro

Na verdade, você investe em mercado futuro da mesma forma que investe em ações. Basta ter uma conta em uma corretora de valores. Os contratos são negociados da mesma forma.

A diferença é que você precisa dar uma garantia à corretora, que é de no máximo 16% sobre o valor do investimento, para o caso de você ter prejuízo na operação.

Outra diferença é a alavancagem. Suponha que você tenha indicadores seguros de que o preço da commodity vai subir. Só que você tem somente R$ 100 mil para investir. Sua expectativa é de ganho de 10%, portanto R$ 10 mil.

Pensando em alavancar esse lucro, você pode investir R$ 400 mil, mesmo sem ter o valor. Nesse caso, você precisa dar garantias de que tem condições de pagar o prejuízo ampliado em caso de perda. Se tudo der certo, você ganhará R$ 40 mil, ou seja, quatro vezes mais do que ganharia se houvesse investido somente os R$ 100 mil.

Além das commodities, é possível investir no mercado futuro de índices, como Ibovespa e S&P500, e moedas, como o dólar.

 

 

 

 

 

 

 

Vale a pena comprar ações da Cosan?

Ações da cosan

Bem vindo à Cosan, uma daquelas empresas capazes de encher o brasileiro de orgulho, cujo core business é gerar excelência em energia, com sustentabilidade. Nascida em 1936, na cidade de Piracicaba, São Paulo, como Costa Pinto, nome da usina de cana de açúcar que deu origem ao império industrial e tecnológico atual.

A Cosan é um dos maiores conglomerados econômicos do país atendendo a setores estratégicos da economia com suas soluções, dentre os quais o agronegócio, a produção e distribuição de combustíveis, gás natural e lubrificantes.

Ações da Cosan

Com 80 anos de atuação no mercado, a Cosan tem em seu portfólio empresas de alto valor estratégico e em geração de receitas, com destaque para a Raízen, produto de uma joint venture com a Shell. A Raízen é a segunda maior distribuidora de combustíveis do país, além de ser a maior fabricante de etanol da cana-de-açúcar do mercado nacional. No segmento de distribuição de açúcar da cana, ocupa a liderança mundial em exportações.

A Comgás é outra força competitiva do grupo, atuando no ramo de gás natural, atendendo a usinas de termogeração, segmentos industriais, automotivo, comercial e residencial.

A Moove é outra menina dos olhos da companhia. Produtora de lubrificantes, é fabricante e distribuidora da marca Mobil no Brasil, porém sua atuação é global, participando do mercado de distribuição de marcas profissionais de lubrificantes.

Os fundamentos estratégicos, assim como o alto nível de gestão, governança e transparência, levaram a companhia a estar listada, desde 2005, no mais alto nível de governança corporativa na B3.

Rotina de expansão global

A rotina da Cosan nos últimos anos é de expansão global. Em 2015, firmou uma joint venture com a empresa japonesa Sumitomo para se tornar o primeiro fabricante de pellets de cana de açúcar.

Em 2016, a Moove obteve o direito de distribuir os produtos Mobil com exclusividade para a Espanha. No ano seguinte, a Raízen concluiu a aquisição das usinas da Tonon, que possibilitou o aumento da capacidade de moagem de cana de açúcar para 73 milhões de toneladas por safra.

Em 2018, a Raízen ampliou sua atuação na Argentina ao adquirir o downstream da Shell, passando a operar uma refinaria e a logística de distribuição de combustíveis, com capacidade para atender a mais de 600 postos.

Resultados financeiros

No balancete divulgado em 30 de junho de 2019, a empresa apresentou uma receita líquida de R$ 3,34 bilhões, com um lucro líquido de R$ 418,27 milhões. Ampliando para os doze meses anteriores, a Cosan obteve uma receita líquida de R$ 12,2 bilhões, com um lucro líquido de R$ 2,2 bilhões e margem líquida de 18%.

A Cosan soma um total de R$ 29,7 bilhões em ativos, contra uma dívida bruta de R$ 11,7 bilhões. A dívida líquida é de R$ 8,5 bilhões, enquanto o ativo circulante é de R$ 8,4 bilhões.

Isso significa que a empresa não tem uma posição tão confortável com relação ao endividamento. A liquidez corrente é de 1,75, o que significa dizer que para cada real de dívida, a empresa possui R$ 1,75 para pagamento no curto prazo. Não obstante, a empresa, gerando mais de R$ 2 bilhões de lucro líquido anual, tem plenas condições de pagamento.

A geração de receitas vem se mantendo estável desde 2014, variando entre 1,8 e 3 bilhões de reais, pelo menos até o último trimestre de 2018. Como já relatado, a receita líquida no segundo trimestre de 2019 alcançou os R$ 3,34 bilhões, mostrando trajetória de crescimento para a companhia.

A boa notícia é que no mesmo período a margem bruta fez uma curva para cima, sinalizando que, ao mesmo tempo em que ampliou as receitas, a companhia obteve um melhor controle sobre os custos. A questão é acompanhar, a partir do terceiro trimestre, se essa trajetória se mantém.

Inclusive, a Cosan apresentou resultado financeiro positivo pela primeira vez em nove anos no segundo trimestre de 2019, assim como o lucro foi recorde em relação a todos os trimestres desde 2012.

CSAN3

Em maio de 2006 a CSAN3 foi negociada a R$ 36,56. Esse pico só foi alcançado novamente em maio de 2013, mas a desaceleração da economia chinesa obrigou as empresas a redesenharem suas estratégias para o comércio internacional.

Naquele período, até 2016, a empresa enfrentou dias difíceis, com queda em receitas. Em agosto de 2015, a ação chegou a cair para menos de R$ 16,00, acompanhando as dificuldades da companhia.

Quem manteve as ações, mesmo nos períodos de crise, confiando nos fundamentos da empresa, acabou obtendo grande valorização sobre o capital, já que a ação era cotada em R$ 57,22 em 25 de outubro de 2019.

Só em 2019, a ação valorizou 74,77%. Mesmo assim, o valor de mercado, em relação ao valor patrimonial, é 2,38 vezes superior. O lucro por ação é de R$ 5,48, o que significa que o valor patrimonial levaria dois anos e meio para cobrir o valor de mercado, indicativo claro de que a ação ainda vai subir.

Vale a pena investir?

Empresa em expansão, com forte geração de caixa, ampliando sua participação de mercado, gerando margem de lucro de aproximadamente 20% em relação à receita. Dívida coberta pelo ativo circulante mais dois anos de lucro.

Atuação em um mercado em que seus produtos são essenciais para o setor industrial. Posicionada em outros países, com ótimos fundamentos estratégicos.

Essa é a Cosan. Porém, segundo o Credit Suisse, a tendência é de que o preço da ação tenha um recuo de 11%. Não parece improvável que isso aconteça, uma vez que a empresa ainda está longe de ser uma boa pagadora de dividendos. O Yield é de 1,7%.

Numa boa estratégia para a CSAN3, os proventos seriam um plus, contribuindo para elevar, no médio e longo prazo, o ganho sobre o capital, caso, evidentemente, reinvestido na companhia. O ganho principal, no entanto, ficaria por conta do aumento do valor de mercado, que, a se manterem os indicadores atuais, virá nos próximos anos, seguindo a trajetória de crescimento da companhia.

É evidente que turbulências podem surgir, como a crise de 2008 e a crise das commodities, além do negócio da empresa estar condicionado por fatores naturais, mas a história mostra claramente que a Cosan sai sempre mais forte das crises e continua crescendo.

Quem quiser confiar no Credit Suisse, que merece todo o crédito, pode aguardar a queda para comprar com maior desconto. Como o forte da empresa não são os dividendos, é esperado que, em algum momento, haja um movimento de realização de lucro.

Em suma, para quem quer investir numa empresa forte no longo prazo, a Cosan é uma ótima opção para colocar na carteira. E quem diz isso é o relatório da Elevan Financial, baseando-se na demanda mundial crescente por biocombustíveis e na tendência de elevação do preço do açúcar.

 

Ações da WEG Industries: Vale a pena?

Ações da weg industries

Se você quer saber quem é a WEG, podemos dizer que a WEG é a empresa dos sonhos. Com um negócio simples e claro, mas pautado pelo compromisso com a inovação e políticas sustentáveis, a companhia é uma referência e um aceno positivo ao investimento no setor industrial brasileiro.

Se WEGE3 é um bom investimento, isso será visto mais à frente, mas não há como negar que a WEG é uma ótima empresa, não só pelos números financeiros apresentados, mas, principalmente, por sua visão estratégica e visão de mundo atualizada, o que se estende à sua filosofia de gestão e governança.

Ações da Weg Industries

A WEG surgiu em Jaraguá do Sul, Santa Catarina, em 16 de setembro de 1961, fruto da inspiração de três profissionais: um mecânico, um eletricista e um administrador. Surgia dali uma das grandes indústrias do Brasil e um dos maiores fabricantes de equipamentos elétricos do planeta.

Não se pode dizer, no entanto, que seja este o core business da empresa. Seria melhor defini-lo como tecnologia para indústria, embora atenda a outros segmentos. Já na década de 80 do século passado, a WEG já produzia componentes eletroeletrônicos, transformadores de força e distribuição, tintas e vernizes eletroisolantes. Além disso, a companhia já desenvolvia soluções para automação industrial.

Em seu portfólio, a indústria catarinense produz soluções para diversas áreas, como o agronegócio, a indústria naval, construção civil, indústria de óleo e gás, papel e celulose, açúcar e etanol, siderurgia, mineração e para a área de saneamento, com foco em geração de energia, mobilidade elétrica, eficiência energética e indústria 4.0.

Sua ação no terreno da sustentabilidade inclui a geração de energia a partir de resíduos sólidos e a geração de energia solar. Para concluir o resumo, a empresa está focada em entregar aos seus clientes soluções capazes de reduzir custos e melhorar os controles de performance e emissão de poluentes no meio ambiente.

Nem é preciso dizer que a empresa ostenta fundamentos estratégicos invejáveis, que vêm assegurando, há décadas, o seu crescimento contínuo, como a própria faz questão de salientar.

Histórico recente

Além do portfólio variado de produtos, nichos de atuação e clientes, a empresa possui uma clara estratégia de expansão global. Atualmente, investe US$ 20 bilhões na construção, em Hosur, na Índia, de uma fábrica para produção de motores elétricos de baixa tensão.

O plano é que a nova unidade produza 250 mil motores por ano, assim como deve entrar em operação em 2021, levando em conta que a unidade de produção está sendo produzida em um parque industrial onde a empresa já tem uma fábrica. A iniciativa gerará, segundo a WEG, 320 novos empregos, além de ampliar a capacidade de distribuição em um mercado com alto potencial.

Saindo da seara estratégica para a financeira, a empresa apresenta dados realmente impressionantes. Fechou o segundo trimestre de 2019 com receita líquida de R$ 3,3 bilhões, gerando um lucro líquido de R$ 418,2 milhões.

Apesar da estratégia de expansão, a WEG apresenta dívida líquida negativa de R$ 470 milhões e um patrimônio líquido de R$ 8,3 bilhões, enquanto seus ativos somam R$ 15,5 bilhões. A dívida bruta é de R$ 3 bilhões.

Entre julho de 2018 e junho de 2019, obteve um lucro líquido de R$ 1,5 bilhão, mesmo investindo em expansão. A liquidez corrente, que é a divisão do ativo circulante pelo passivo circulante, é de 2,13, mostrando que a empresa tem ótima capacidade de pagamento e um fluxo de caixa bastante saudável.

Para termos uma ideia do potencial de crescimento da WEG, a empresa saltou de uma receita liquida de pouco mais de R$ 900 milhões, no primeiro trimestre de 2010, para R$ 3,3 bilhões no segundo trimestre de 2019. Na receita anual, o salto foi, entre 2010 e 2018, de R$ 4,2 bilhões para R$ 12,5 bilhões, sendo que o lucro subiu na mesma proporção, de R$ 550 milhões para R$ 1,35 bilhão.

WEGE3

O preço da WEGE3 acompanha a trajetória da companhia de forma consistente, embora, talvez, um pouco acelerada, tendo saltado de R$ 14,77, em maio de 2017, para os R$ 26,10 registrados no dia 24 de outubro de 2019.

Com isso, a ação está sendo negociada por um valor que é, atualmente, 6,58 vezes o seu valor patrimonial.

Não se pode dizer que a empresa apresentará uma queda no longo prazo, já que seus fundamentos são muito fortes. Qualquer oscilação não deve provocar abalos, mas não há dúvidas de que a ação é cara, tende a desacelerar e, para complica mais um pouco, o pagamento de dividendos não justifica um investimento em valor. O Yield da companhia está na casa de 1,4% ao ano. Ou seja, bem abaixo do que você pode obter com renda fixa.

Exceto aconteça uma daquelas hecatombes do mercado e o preço caia para algo na casa dos R$ 10,00 a R$ 15,00, ao que tudo indica, é melhor procurar uma ação de um empresa com fundamentos tão bons quanto mas que esteja atualmente desvalorizada. (Veja como em: https://magodomercado.com/aprenda-como-investir-na-bolsa-de-valores-comecando-do-zero/)

O que são juros sobre capital próprio?

Juros sobre capital próprio

Você já deve ter ouvido falar em juros sobre capital próprio. Essa modalidade de remuneração dos investidores no mercado de ação faz parte do noticiário de economia e quem vem buscando aprender um pouco mais sobre investimentos talvez tenha algum domínio sobre o tema.

Vamos tentar fazer uma explanação abrangente sobre o assunto, extrapolando a simples definição do que seja JCP, para aproveitar a oportunidade de orientar você um pouco mais sobre investir na Bolsa de Valores.

Como foi dito no primeiro parágrafo, juros sobre capital próprio é uma forma de remuneração dos investidores no mercado de ações. Sobre as formas como um investidor obtém ganhos sobre o capital investido, elas são duas:

– valorização da ação;

– distribuição dos lucros pelos acionistas.

A valorização da ação é decorrente de dois aspectos chave: desempenho da companhia e forma como o mercado percebe o valor da ação.

O desempenho da companhia é, ou deveria ser, o melhor indicador para determinar o preço de uma ação. Em outras palavras, se uma companhia possui bons fundamentos, lucratividade constante e uma boa estratégia de crescimento, é natural que a ação se valorize, espelhando, inclusive, o valor futuro.

Nem sempre isso acontece na prática, pois grande parte dos investidores não atenta para os fundamentos da empresa e sim para a volatilidade do mercado. É mais comum vermos pessoas acompanhando nervosamente os gráficos, em busca de oportunidades de altos lucros no curto prazo, o que, como veremos mais à frente, exclui os ganhos com JCP.

Muitos atribuem a tal comportamento um caráter meramente especulativo, uma vez que interpretam, ou buscam interpretar, movimentos do mercado, muito tratado pela mídia como humor dos investidores, que nada mais é que a busca de tentar antecipar como uma série de fatores macroeconômicos impactará as negociações na Bolsa de Valores.

Juros sobre capital próprio

Esse tipo de investidor, ou especulador, não investe em empresas, tampouco está empenhado em participar dos lucros do negócio. O que interessa é a volatilidade do mercado e as oportunidades que essa volatilidade representa.

Não obstante, você poderá constatar que após grandes movimentos especulativos, que derrubam ações de todas as companhias, aquelas que possuem bons fundamentos voltam às cotações anteriores e até mesmo as suplantam no médio ou no longo prazo.

Isso acontece porque os investidores em valor, aqueles mais experientes, que estudam as empresas, seus fundamentos estratégicos e financeiros, assim como o preço das ações, aproveitam o desconto proporcionado pelo mercado para se apropriarem de participações em boas empresas.

O que são proventos?

Enfatizamos, lá no início, que há duas formas de obter ganho sobre o capital investido em ações, que você pode obter esse ganho por meio da valorização do ativo e através da participação nos lucros.

Quando você investe no longo prazo em boas empresas, as ações tendem, apesar da volatilidade do mercado, a se valorizar ao longo do tempo. Sendo assim, se você comprou um papel por R$ 20,00, ele pode, daqui a dois anos, estar sendo comercializado a R$ 28,00. Caso você decida vendê-lo, obterá lucro de 40% na operação.

Ao longo desse período você pode, todavia, obter outro tipo de ganho, que são os proventos, que nada mais representam que a forma como a companhia remunera seus acionistas.

A legislação brasileira prevê que as empresas são obrigadas a distribuir entre os acionistas um mínimo de 25% do seu lucro líquido, que é aquele obtido após o pagamento das despesas e a tributação. Sendo assim, se você investiu numa boa empresa, que apresenta lucro continuamente, você será remunerado por meio de proventos.

Há dois tipos de proventos:

dividendos;

– juros sobre capital próprio.

São duas formas diferentes que as empresas têm de remunerar seus acionistas. Do ponto de vista do investidor, a diferença é que o JCP é tributado diretamente no ato da distribuição do provento, ao contrário do dividendo.

Isso não quer dizer que o dividendo não é tributado. A diferença é que os dividendos são tributados na origem. Em outras palavras, o IRPJ é pago pela empresa sobre o lucro líquido, portanto antes da distribuição para os acionistas.

Sendo assim, direta ou indiretamente, você acaba sendo tributado. A questão é qual o impacto que as diferentes formas de distribuição de proventos causam na lucratividade da empresa e do investidor.

Vale ressaltar que existe um limite para o quanto uma empresa pode pagar de JCP, limite esse que é fixado pelo governo. Sendo assim, de acordo com a melhor solução tributária, cada empresa opta por uma forma de fazer a distribuição dos lucros. Algumas optam pelos dividendos e outras pelos juros sobre capital próprio. Há aquelas, inclusive, que combinam as duas alternativas.

Qual a lógica do JCP

Do ponto de vista da empresa, portanto, o objetivo é sempre pagar menos imposto. Quando a alíquota que incide sobre o lucro é muito alta, ela opta pelo JCP. A razão é simples. O JCP é contabilizado como uma despesa financeira da empresa. Ao aumentar a despesa no demonstrativo de resultados, o lucro apurado termina reduzido. Com isso, a empresa paga menos imposto sobre o lucro.

Para exemplificar, suponhamos que uma empresa hipotética, antes do JCP, tenha obtido um lucro de R$ 300 milhões. Suponhamos, ainda, que ela tenha uma tributação, uma mordida do leão, prevista em 25%. Nesse caso, ela teria que pagar R$ 75 milhões de IR, correto?

No entanto, a mesma empresa previu o pagamento de R$ 100 milhões em JCP. Nesse caso, o montante tributável cai para R$ 200 milhões, já que temos uma nova despesa de R$ 100 milhões. Nesse caso, a empresa teria que pagar R$ 50 milhões, ficando ainda com R$ 150 milhões de lucro.

Caso ela pagasse dividendos de R$ 100 milhões, seria tributada em R$ 75 milhões e o lucro a apropriar seria de apenas R$ 125 milhões.

No caso do acionista, ele perderia na primeira hipótese, pois teria que pagar R$ 15 milhões de imposto sobre o JCP, ficando com R$ 85 milhões. Nesse caso, a empresa poderia completar os R$ 15 milhões com pagamento de dividendos, que não são tributáveis, reduzindo seu lucro para R$ 135 milhões, que ainda assim seria superior à segunda opção.

Tudo se resume, portanto, a uma questão de obtenção de maior lucro com menor tributação. Para o investidor, o mais importante é que a empresa seja lucrativa e generosa na distribuição de proventos, de modo que ele possa combinar ganhos com valorização do capital e com participação nos lucros.

 

O que é o S&P500?

S&P500

Você já deve ter ouvido falar em empresas como Johnson & Johnson, Walmart, Microsoft, Apple, Exxon Mobil Corp, Procter & Gamble e Visa. Todas elas fazem parte do índice S&P500, o índice da Bolsa de Valores dos Estados Unidos que reúne as 500 maiores empresas em capitalização no mercado de ações no país.

São responsáveis por aproximadamente 80% do dinheiro investido em ações nas Bolsas estadunidenses. O desempenho conjunto dessas empresas é um indicador importante, embora não único, do desempenho da economia local. Foi, aliás, com esse propósito que o S&P500 foi criado, assim como o índice Bovespa, no Brasil.

Existe desde 1957 e foi criado pela Standard & Poor’s, compondo com o Nasdaq e o Dow Jones o mix de principais indicadores de desempenho do mercado de ações dos Estados Unidos, sendo considerado por muitos o mais completo entre eles.

Para que serve o S&P500?

Nada melhor que traçar uma conexão com o mercado nativo para compreendermos o funcionamento e a importância do S&P500.

S&P500

O correspondente do S&P500 no Brasil é o índice Ibovespa. Da mesma forma que o índice estadunidense, o brasileiro reúne as empresas com maior capitalização na Bolsa, que correspondem a mais de 80% do volume negociado.

O propósito do índice é oferecer ao mercado um indicador do desempenho das ações na Bolsa de Valores, servindo como orientação para os investidores. Como o Ibovespa e o S&P500 representam cerca de 80% do volume total de investimentos no mercado de ações, podemos concluir que eles oferecem uma visão bastante satisfatória do desempenho do mercado como um todo.

Como é composto o índice?

Como já foi dito, o S&P500 é formado pelas 500 empresas com maior capitalização na Bolsa de Valores dos Estados Unidos, que é a principal economia do planeta.

Para que o índice reflita de forma fidedigna o desempenho do mercado de ações, é necessário que haja uma correlação ponderada entre as companhias que compõem o mesmo. Sendo assim, cada empresa tem uma participação proporcional no índice, de acordo com o volume de capitalização de cada uma.

Isso quer dizer que você precisa somar o valor de mercado de todas as empresas que fazem parte do índice para calcular a participação percentual de cada uma na carteira. Razão pela qual o índice precisa ser periodicamente ajustado, já que a posição ocupada por cada companhia não é estática.

Por exemplo, uma ação pode sofrer grande valorização dentro de um determinado período, o que faz com que a sua importância seja ampliada, fenômeno que deve ser transferido para o índice, de forma que ele se mantenha fidedigno. Assim é feito, também, com o Ibovespa.

Outro aspecto importante é que só são relacionadas para fazer parte do S&P500 as empresas chamadas “free float”, que são aquelas disponíveis para serem negociadas ao público.

Outros critérios para que as empresas possam fazer parte da carteira são:

– ter operação nos Estados Unidos;

– estar listada na Bolsa de Nova York, NASDAQ, Investors Exchange ou BATS;

– ter ao menos 50% das ações disponíveis para negociação pública;

– ter um preço mínimo por ação de US$ 1;

– possuir valor mínimo de mercado de US$ 6,1 bilhão;

– ter pelo menos 50% de seus ativos e receitas no país;

– ter obtido resultados positivos em pelo menos quatro trimestres subsequentes.

Qual a diferença para os outros índices?

Os índices são diferentes e possuem finalidades distintas, embora todos tenham como propósito retratar o desempenho das ações na Bolsa de Valores.

A diferença é que a composição dessas carteiras imaginárias obedece a critérios distintos e cada um reflete uma realidade. Um exemplo disso é o Nasdaq Composite, que reúne em sua carteira empresas preferencialmente do setor de tecnologia, cujas ações são negociadas na Nasdaq Stock Market.

No Brasil, por exemplo, temos o índice Small Cap, que reúne as empresas de menor capitalização listadas na B3. Da mesma forma, temos o IDIV, que reúne em sua carteira as empresas que obtiveram os maiores dividend yields nos últimos 8 trimestres.

Há, também, os índices setoriais, que medem o desempenho de determinado setor no mercado de ações. É o caso do IEE (Índice de Energia Elétrica), que mede o desempenho das principais empresas do setor de energia elétrica.

Todos esses índices atendem ao mercado como guias, orientando os investidores para a realização do melhor investimento, de acordo com o perfil de cada um e as oportunidades representadas pelas ações que compõem suas respectivas carteiras.

É possível investir no índice S&P500?

Uma das formas de investir no mercado de ações são os fundos ETF (Exchange Traded Funds). Esses fundos constituem carteiras de ações replicando a composição dos índices de referência.

Sendo assim, é possível investir no índice S&P500. Na verdade, você investe na carteira, que é composta pelo administrador espelhando a formação do índice.

No caso do S&P500, assim como do Ibovespa, o mercado percebe esse tipo de investimento como seguro, uma vez que obedece a alguns bons critérios, sendo o principal deles a diversificação da carteira. O que poderia ser mais seguro do que você ter uma carteira de ações com as empresas de maior capitalização do mercado?

Trata-se de um bom investimento em value invest. Para quem pretende ganhar no longo prazo, a valorização sobre o capital foi de 178,30% nos últimos dez anos.

É possível investir no S&P500 estando no Brasil. No entanto, é preciso que o investidor tenha em mente que está fazendo um investimento em real em ações precificadas em dólar. Sendo assim, as perdas ou ganhos estão fortemente relacionados às variações do preço do dólar.

Isso quer dizer que investir nesse índice no Brasil não é o mesmo que investir nos Estados Unidos, pois aqui o investimento é afetado diretamente pela variação da moeda estadunidense. Em outras palavras, a ação se valoriza quando o dólar é apreciado frente ao real. Em caso de queda acentuada do dólar, todavia, há o risco do investidor perder muito dinheiro.

Por essa razão, caso você pense em investir numa carteira atrelada ao S&P500 no Brasil, o ideal é que aloque uma pequena parte dos seus recursos nesse investimento, diversificando sua carteira com outras aplicações.

Ações do Pão de Açúcar: Vale a pena?

acoes pao de acucar

Vale a pena investir em ações do Pão de Açúcar? Bom, antes de falar dos sólidos fundamentos da companhia, precisamos lembrar que o controle do Pão de Açúcar pertence ao Grupo Casino.

O gigante francês, que atua no setor de varejo, possui um faturamento anual na casa dos 50 bilhões de euros. Adquiriu o controle do Pão de Açúcar em 2012, transformando a rede de varejo brasileira em parte de um império que inclui mais de 12 mil lojas, sendo 9,5 mil delas na França.

O Pão de Açúcar, que dispensa as apresentações, conta com mais de 1.000 pontos de venda espalhados por todas as regiões do país. São quase 100 mil colaboradores alocados em quatro unidades de negócios:

– Multivarejo – controla a operação dos supermercados Pão de Açúcar e Extra;

– Compre Bem – supermercados locais, focados nos consumidores locais;

– Assaí Atacadista – focado no segmento de pequenos e micro varejistas, além de consumidores locais;

– GPA Malls – focado na gestão dos ativos imobiliários do grupo.

Histórico recente

O último balanço apresentado pelo Grupo Pão de Açúcar foi o do segundo trimestre de 2019. Na ocasião, obteve R$ 13,1 bilhões em receitas líquidas. O lucro líquido foi de R$ 431 milhões, com um EBIT de R$ 828 milhões.

O traço mais notório nesse resultado é a margem comprimida do setor de varejo, com uma margem líquida de somente 2%. Não é, na realidade, algo que possa tornar não recomendado o investimento nesse tipo de ação, uma vez que a margem comprimida é compensada pela força do consumo, que gera escala para grandes companhias do setor, que tenham potencial de investimento e estratégia de crescimento.

Para você ter uma ideia, se usássemos os mesmos indicadores para um período de 12 meses, teríamos uma receita líquida de R$ 52,1 bilhões, com um lucro líquido de somente R$ 1,2 bilhão.

Com essa toada, o Pão de Açúcar chegou ao final do primeiro semestre de 2019 com seus ativos somando R$ 32,9 bilhões. O patrimônio líquido da empresa demonstra de forma clara sua solidez, somando R$ 10,7 bilhões, contra uma dívida líquida de somente R$ 1,5 bilhão.Açoes pao de acucar

Lembrando que a dívida líquida é a diferença entre a dívida bruta e a disponibilidade de caixa na data da geração do demonstrativo financeiro. Vale ressaltar que a empresa conta com um ativo circulante (realizável no curto prazo) de R$ 12 bilhões.

Tudo isso mostra que a empresa possui liquidez e forte capacidade de geração de caixa, sendo capaz de manter suas operações lucrativas, sobretudo pela estratégia bem consolidada, focada no nicho de supermercados, mas com uma segmentação bastante interessante.

Outro ponto forte é que o endividamento da empresa vem diminuindo de forma consistente desde 2012, quando chegou a ter um passivo de quase R$ 13 bilhões. A situação contrasta com o controlador francês, o Grupo Casino, que apresenta alto endividamento e busca formas de reestruturar suas dívidas, o que, por ora, não afeta os negócios do GPA no Brasil.

Em junho de 2019, o Pão de Açúcar desfez-se de suas ações da Via Varejo, controladora das Casas Bahia e do Ponto Frio. A operação rendeu R$ 2,3 bilhões à companhia, enquanto a Via Varejo retornou ao controle de seus antigos proprietários: a família Klein.

A Via Varejo, responsável pela divisão de multivarejo e eletrodomésticos, vinha sendo o patinho feio do grupo, dando seguidos prejuízos à empresa.

Falando em prejuízos, o ano de 2016 foi um ano crítico para o Pão de Açúcar, que teve prejuízo, somente no primeiro semestre, de R$ 739 milhões, no auge da crise política e econômica que afligiu o Brasil. Segundo a direção da empresa, o prejuízo foi consequência do movimento de expansão da empresa, sobretudo do Assaí.

Parece que estava certa, pois a companhia vem obtendo lucro desde o segundo trimestre de 2017.

PCAR4

A PCAR4, ação do GPA, seguiu o fluxo dos resultados do grupo e obteve forte queda desde o segundo semestre de 2015, chegando, em janeiro de 2016, a ser negociada ao mesmo preço de 2003.

Na ocasião, o papel do Pão de Açúcar foi negociado a R$ 32,41. Tudo isso depois de, em setembro de 2014, ter alcançado a maior cotação histórica, de R$ 108,27. Atualmente, a PCAR4 é negociada a R$ 84,78 (preço de 22/10/2019).

De certo modo, tal volatilidade reflete os números da empresa, mas não sua condição. O valor da ação, com base no patrimônio líquido, é de R$ 40,06. O valor no mercado de ações é 2,12 vezes o valor do VPA. Embora a ação esteja apreciada, não se pode dizer que esteja fora da realidade, sobretudo pelo potencial de geração de lucro e crescimento da empresa.

Como a maioria das ações, o ponto fraco do Pão de Açúcar está na geração de dividendos para os seus acionistas, sobretudo em razão dos resultados financeiros ruins nos últimos anos. O Dividend Yield da PCAR4 é de apenas 1,4%.

Vale a pena investir?

Sobre essa questão do Yield, que é a diferença entre o valor da ação e o dividendo somado a esse valor, há uma questão que precisa ser melhor desenvolvida.

O que temos ouvido falar é que os investidores estão fugindo dos investimentos em renda fixa, devido à queda progressiva da taxa Selic, que pode terminar o ano em 4%. Digamos que os melhores investimentos em renda fixa paguem uma valorização de 6%.

Para quem pensa em ações com base na análise fundamentalista, quem pensa em value invest, não tem razão alguma para investir em dividendos de 1,4%. Investir em uma ação, neste caso, só faria sentido se em função da valorização do capital.

Podemos afirmar que o Pão de Açúcar é uma empresa sólida e que existe uma grande possibilidade de crescimento no médio e no longo prazo. Não há nada, no entanto, que assegure que esse crescimento será substancial e acompanhado pelo mercado de capitais.

Ações da kroton: Vale a pena?

Vamos falar hoje sobre as ações da Kroton, uma empresa pouco badalada, mas que trás uma história e números surpreendentes. Começaremos pela história da companhia, uma das maiores do mundo em seu segmento..

A Kroton surgiu de uma ideia de um grupo de jovens educadores, que conseguiram ganhar notoriedade ao promover um curso pré-vestibular com 35 alunos, dos quais trinta e três foram aprovados.

Nascia o curso pré-vestibular Pitágoras, gênese da empresa, que é, atualmente, um dos maiores grupos educacionais do Brasil, com um faturamento anual na casa dos bilhões de reais.

Em 1968, dois anos após a façanha, o grupo já contava com mais de 600 jovens vestibulandos. Em 1972, seis anos após a criação do curso, era inaugurado o primeiro colégio Pitágoras, em Belo Horizonte, para ensino de primeiro e segundo grau.

Na década de 80, o Pitágoras instaurou unidades no Iraque e na Mauritânia para atender a filhos de brasileiros que atuavam naqueles países. Na década de 90, após a criação da Rede Pitágoras, que rapidamente chegou a mais de cem escolas associadas, foi criada a Fundação Pitágoras, focada no desenvolvimento de projetos educacionais nas áreas pública e privada.

ações da krotonNo início do século XXI, foi criada a Faculdade Pitágoras, em parceria com a Apollo International, que venderia sua participação em 2005. A empresa abriria capital na Bolsa de Valores em 2007 e, em 2009, receberia investimentos do Advent International, um fundo de private equity, que passou a fazer parte do grupo controlador da empresa.

Em 2010, seguindo a filosofia estratégica de expansão dos negócios, a Kroton comprou a IUNI, ampliando sua participação no setor de graduação e entrando no mercado de pós-graduação. Era o início de um projeto de aquisições sistemáticas, que incluiu a Faculdade Atenas Maranhense, a UNOPAR, então líder de Educação à Distância no país, a Unirondon e a Uniasselvi.

Em 2013, a empresa chamou atenção do mundo ao associar-se à Anhanguera, com o objetivo de formar a maior empresa do planeta no setor de educação. Após a fusão, tornava-se líder mundial em número de alunos e valor de mercado.

Desde então, o foco foi em expansão da capacidade já existente e em aquisição tecnológica, buscando assegurar a competitividade da empresa no novo ambiente altamente digitalizado. Atualmente, atua em todas as áreas da educação, inclusive no segmento B2B.

Histórico Recente

O portfólio de marcas da Kroton inclui, desde abril de 2018, a famosa editora Saraiva, obtida num negócio que envolveu a compra da Somos, gigante da educação básica brasileira, que era a dona das editoras Saraiva, Scipione e Ática, entre outros negócios. Foi uma reação à determinação do CADE, que inviabilizou a fusão com a Estácio, que ocupa a segunda posição no mercado de ensino superior.

Em julho de 2019, a empresa registrava uma receita líquida nos últimos doze meses de R$ 6,8 bilhões, contra R$ 6,1 bilhões nos doze meses de 2018.

Trata-se de uma trajetória consistente de crescimento em receitas, que saltaram de menos de R$ 500 milhões em 2009 para o patamar atual. O que implica dizer que a estratégia de expansão da companhia vem dando certo.

É importante ressaltar que a margem bruta da empresa vem acompanhando essa trajetória de crescimento, embora a curva não seja tão íngreme e a margem EBIT tenha entrado em curva de queda a partir do quarto trimestre de 2017. Além disso, o resultado financeiro vem, pela primeira vez em dez anos, sendo negativo nos últimos dois trimestres.

Tudo isso tem relação direta com a lucratividade do negócio. O lucro líquido em um ano alcançou seu mais alto patamar no terceiro trimestre de 2017, quando chegou à marca dos R$ 2,4 bilhões. No último balanço, o mesmo indicador apontou apenas R$ 844,2 milhões.

O descolamento entre o aumento das receitas e a perda de lucratividade pode ser explicado pela sede de expansão da companhia, que gerou uma dívida de R$ 8,4 bilhões. Apesar disso, possui um patrimônio líquido de R$ 16 bilhões, além de ativos que somam R$ 33,9 bilhões.

Com o lucro atual, sem correção da dívida, esta seria paga em dez anos, mas o endividamento está longe de ser o grande problema da kroton, que possui excelentes fundamentos financeiros, com R$ 4,5 bilhões no ativo circulante.

O maior desafio da empresa é, segundo o Morgan Stanley, o aumento da concorrência no setor, principalmente no ensino à distância, com pressão sobre os preços, comprometendo a geração de caixa da companhia. Apesar disso, o Morgan considera o COGN3 o melhor papel do setor.

Já do ponto de vista da empresa, a queda na lucratividade do negócio é consequência das despesas financeiras para a aquisição da Somos.

COGN3

Num ambiente em que os investidores correm da renda fixa para a renda variável, buscando maior lucratividade com a valorização dos ativos, os números da COGN3 são surpreendentes. Cotada a R$ 10,79 em 22 de outubro de 2019, o papel da Kroton possui um VPA (Valor Patrimonial por Ação) de R$ 9,76, o que significa que o mercado está pagando apenas 13 centavos de ágio sobre o valor patrimonial.

É bem verdade que o anúncio dos últimos resultados acabou espantando investidores, acarretando pequena queda na cotação, na casa de 4,17% nos últimos 30 dias, mas mantendo uma recuperação do preço da ação no ano de 23,03%, contra a queda de 50,09% em 2018.

A queda ocorrida em 2018 refletiu os próprios resultados da empresa em relação à lucratividade, o que traz, também, impacto negativo na expectativa de obtenção de proventos. O Dividend Yield atual da companhia é de apenas 1,8%.

O maior preço histórico da COGN3 foi alcançado em outubro de 2017, com a ação sendo negociada a R$ 20,03. Em dezembro de 2018, chegou a ser negociada a R$ 8,50.

Vale a pena investir?

Em seus melhores momentos como pagadora de dividendos, a COGN3 chegou a pagar um Yield superior a 10%, mas isso foi em 2014. Não há no horizonte a expectativa de que a empresa possa se tornar uma grande pagadora de dividendos nos próximos anos, em função dos altos investimentos.

Por outro lado, é possível imaginar que uma melhora nos resultados financeiros da empresa anime os investidores. A ação está barata no momento e é possível pensar em bons ganhos com valorização de capital no médio e longo prazo.

 

 

 

 

 

 

Os fundamentos da 3M no Brasil são bons?

Ações da 3M

Você já deve ter ouvido falar na 3M, uma das mais poderosas multinacionais de capital estadunidense, que foi fundada em 1902, no estado de Minnesota.

Na ocasião, um grupo de empreendedores se uniu para explorar minérios, pensando em transformarem-se em fornecedores da indústria local.

O fato é que o minério prospectado não era de boa qualidade e o negócio inicial deu errado. Imagine se os desavisados empreendedores soubessem que aquele mal começo era o ponto de partida para algo gigantesco.

Três anos após a fundação, o grupo já estava estabelecido na cidade de Duluth, onde iniciava um negócio de fabricação de abrasivos. Em 1910, a companhia foi transferida mais uma vez, agora para a cidade de Saint Paul, em Minnesota.

Em 1921, a 3M iniciava sua trajetória como empresa inovadora, ao criar as lixas d´água, que décadas depois ainda eram o principal método de lixamento de empresas do setor industrial e de construção civil.

Desde então, a empresa vem se destacando como referência em desenvolvimento de tecnologia. Seu portfólio conta com mais de 60 mil produtos, divididos em 6 unidades:

– Indústria e Transporte;

– Consumo e Escritório;

– Produtos Elétricos e Comunicação;

– Controle de Tráfego e Comunicação Visual;

– Saúde;

– Segurança.

Abrasivos, EPIs (equipamentos de proteção individual), produtos médicos e odontológicos, adesivos e fitas adesivas estão entre os mais importantes produtos da companhia.

3M no Brasil

A 3M chegou ao Brasil em 1946 e estabeleceu-se na cidade de Campinas (SP). Atualmente, conta com cerca de 4 mil colaboradores, distribuídos pelas fábricas de Sumaré, Itapetininga, Ribeirão Preto, São José do Rio Preto, Mairinque, Bom Princípio e Manaus.

Em 2012 e 2013 foi eleita no Prêmio Best Inovator, da revista Época Negócios, a empresa mais inovadora do Brasil, espelhando seu DNA. É apontada, também, como uma das melhores empresas do país para se trabalhar.

Debruçar-se sobre o portfólio de produtos da 3M é realmente um desafio fascinante. A empresa atende ao mercado corporativo e ao mercado consumidor com uma variedade de produtos impressionante, de automotivos a manutenção e limpeza; de cuidados pessoais a soluções cirúrgicas; de películas para vidro a filtros de água.

São aspectos que sugerem que a 3M é uma empresa para sempre, capaz de sustentar suas posições comerciais no poderoso mercado do consumo.

História recente

Nem tudo são flores, todavia, na trajetória da 3M no Brasil, pelo menos não em tempos recentes. Em se tratando de curtíssimo prazo, mas com possíveis desdobramentos no médio e no longo, os resultados do primeiro trimestre de 2019 não foram alentadores.

É que as vendas da multinacional tiveram queda de 5% em relação ao mesmo período de 2018. De US$ 8,28 bilhões, a 3M despencou para US$ 7,86 bilhões. Nada que signifique um grande abalo na saúde econômica da companhia, mas há uma preocupação real com uma possível retração nos negócios da companhia, que será atenuada mais à frente, como poderemos observar.

mmmc34

Como consequência, a empresa iniciou um programa de reestruturação, cuja tônica é o corte de duas mil vagas de trabalho. Em depoimento à imprensa, na ocasião, Mike Roman, executivo da companhia alertou para a desaceleração dos mercados finais da companhia, o que vem reduzindo as margens da companhia e o crescimento orgânico.

Apesar disso, em nível mundial, a empresa segue uma trajetória, embora reduzida em relação ao passado, o que é natural, de crescimento orgânico. Em outras palavras, consegue crescer por dentro, sem precisar realizar aquisições para ampliar seu tamanho no mercado. O ponto alto é o controle e a redução de custos, acompanhado de uma melhor gestão, segundo a companhia, do fluxo de caixa, apesar do fechamento do segundo trimestre de 2019 com queda de 2,6% nas vendas em relação ao mesmo período do ano anterior.

No terceiro trimestre, o lucro da companhia, em nível mundial, foi de US$ 1,43 bilhão, superando as expectativas dos próprios executivos da empresa e o lucro apurado no mesmo período do ano anterior, que foi de US$ 1,33 bilhão. Mesmo a receita da empresa obteve crescimento, alcançando US$ 8,17 bilhões, contra US$ 7,71 bilhões no mesmo período de 2018.

Prova da capacidade da companhia de rapidamente recompor suas posições econômicas, sobretudo em função da escala mundial de seus negócios.

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A MMMC34, ação da 3M na B3, chegou ao final de setembro de 2019 cotada a R$ 170,00, bem abaixo dos R$ 215,32 alcançados em 23 de abril do mesmo ano. Não tão acima, também, da cotação mínima em 2019, que foi de R$ 155,19, registrada em junho.

Verdade seja dita, a cotação atual oferece uma visão mais realista da companhia, que mantém, desde o final de 2015, uma oscilação na faixa dos R$ 140,00 aos R$ 200,00. No cômputo, até o final de setembro, a ação da companhia perdeu 6,38% de seu valor. Em doze meses, o resultado foi bem pior, com perda de 18,45%.

Os fundamentos são bons?

Trata-se de uma companhia com um poderoso portfólio, com distribuição para diversos segmentos de consumo corporativo e pessoal, o que lhe garante uma grande capacidade de defesa contra perda de receitas em qualquer de suas frentes.

Em tempos de incertezas, é alvissareiro que a companhia consiga se manter crescendo de forma orgânica. Além disso, mantém pagamento regular de dividendos nos últimos 60 anos, o que faz com que seja uma boa vaca leiteira, embora o ganho de 2,4% em Yield não seja tão competitivo.

Os ativos da companhia somam US$ 36,5 bilhões, com US$ 13,7 bilhões no ativo circulante. O patrimônio líquido da companhia é de US$ 9,85 bilhões.

Sendo assim, a resposta para a pergunta que intitula o artigo é sim, os fundamentos da 3M são muito bons, inclusive no Brasil.

Vale a pena investir?

Como pudemos observar, a 3M tem um crescimento orgânico em termos de lucratividade e, apesar de sua atuação em escala mundial, é uma empresa com forte resistência à volatilidade da economia real.

Quanto ao mercado financeiro, talvez o preço atual não seja o mais recomendável. Seria interessante pensar em uma compra com o papel cotado na faixa dos R$ 140,00, pensando em ter uma vaca leiteira na carteira, que tem potencial para ainda se valorizar no longo prazo, embora não se deva esperar ganhos arrojados para os investidores.

Forjas Taurus: Há alguma esperança de melhoria a longo prazo?

FJTA4

A Forja Taurus, fabricante de armas brasileira, surgiu em 1939, na cidade de São Leopoldo, RS, graças a um contrato de importação de bens de produção da Alemanha, numa ambiente altamente favorável aos negócios no Brasil, que vivia um momento de crescimento e industrialização sob o comando de Getúlio Vargas, apesar da iminência da II Guerra Mundial.

Com a eclosão do conflito, a importação das máquinas da Alemanha foi suspensa e os proprietários decidiram criar seu próprio maquinário de produção. A empresa tornou-se S/A em 1949, enquanto focava sua produção em armas e ferramentas. Com o aumento do consumo de armas no país, a empresa experimentou nos anos seguintes um ciclo de crescimento, com criação de uma segunda fábrica.

Depois de ter passado ao controle de uma empresa estrangeira, a Taurus voltou a ser controlada por uma empresa nacional, a Polimetal, que adquiriu, na década de 80, o capital da Comércio Beretta S.A., uma fabricante italiana de pistolas e metralhadoras. A empresa, com isso, entrou no mercado de pistolas semiautomáticas.

Depois de ampliar ainda mais o escopo de seus negócios, a empresa foi, em 1995, certificada com o ISO 9000 pelo Instituto Brasileiro de Qualidade Nuclear (IBQN). Já no final do século XXI, a empresa alcançou a posição de terceiro maior fabricante mundial de pistolas curtas.

O início do século XXI foi de progresso no mercado internacional, quando a empresa recebeu vários prêmios por seus produtos. Durante o século XXI, seguiu sua expansão e atualmente vem atuando nos seguimentos de:

– armas e acessórios;

– capacetes e acessórios;

– contêiners e plásticos;

– M.I.M. (Metal Intection Molding).

A Taurus emprega mais de 1,8 mil colaboradores e possui três unidades, duas no Brasil e uma em Miami (EUA). Com produção mais voltada para o mercado externo, a companhia exporta para mais de 100 países.

História recente

Apesar dos oitenta anos de existência e da boa posição mercadológica, a empresa ganhou a atenção da população recentemente, em virtude da subida no cenário eleitoral, ao longo do ano de 2018, do então candidato Jair Messias Bolsonaro.

Ações Forjas Taurus

O candidato adotou como principal lema de campanha a liberação da posse e do porte de armas de fogo, o que, em tese, beneficiaria à Taurus, já que a empresa teria as melhores condições para abastecer o mercado interno, com foco em público de alta renda.

As ações da Taurus dispararam durante o ano de 2018 e terminaram pulverizadas já no início de 2019, quando da assinatura pelo então presidente eleito do decreto que regulamentava a posse de armas, que em nada atendia à expectativa de consumo alimentada ao longo da campanha política.

Euforia do mercado à parte, os negócios da Taurus pouco foram afetados pela onda especulativa, já que, conforme já foi dito, a produção de armamentos da empresa é voltada para o mercado internacional, além do que não é o único negócio da companhia.

O total em ativos da companhia alcança a cifra de R$ 1,012 bilhão, contra uma dívida líquida de R$ 734 milhões, que atingiu sua máxima histórica no terceiro trimestre de 2018, quando chegou perto dos R$ 900 milhões, entrando, desde então, em trajetória de queda.

Apesar disso, o patrimônio líquido da empresa é negativo, somando (-) R$ 305,7 milhões, mas vem se recuperando nesse item desde o terceiro trimestre de 2018. Um bom parâmetro de comparação são os resultados obtidos pela companhia no segundo trimestre de 2019 frente aos 12 meses antes da publicação do balanço de junho de 2019.

O lucro obtido em 12 meses pela companhia foi de R$ 80,4 milhões. No segundo trimestre de 2019, o lucro apurado foi de R$ 43,6 milhões. O acumulado no ano é de R$ 47,7 milhões. A receita líquida da empresa foi recorde no primeiro semestre de 2019, alcançando pela primeira vez a marca dos R$ 900 milhões.

Em setembro de 2019, a Taurus venceu concorrência internacional para o fornecimento de fuzis T4 à Polícia Civil de São Paulo. Entre 6 e 15 daquele mês, a empresa registrou cerca de 2 mil pedidos diários durante participação no evento conhecido como “Semana do Brasil”.

A empresa apresentou aumento de 16,4% da receita operacional no segundo trimestre de 2019 em relação ao mesmo período de 2018. No mesmo período, foi registrada uma margem bruta de 34,5% e 24,2% de EBITDA.

FJTA4

A FJTA4 é a ação preferencial da Forjas Taurus. Cotada a R$ 3,36 em 30 de setembro de 2019, registrava queda acumulada no ano de 17,04%, contra a valorização de 131,43%, lastreada na onda especulativa relacionada à liberação do porte de armas.

Quem soube perceber o movimento especulativo soube também a hora certa de vender as ações e realizar lucro. Desde outubro de 2007, quando alcançou sua cotação máxima, de R$ 41,53, o preço da ação vem oscilando para baixo.

Parte da pouca procura pela ação deve-se ao histórico de proventos da companhia, igual a zero desde o último pagamento no primeiro trimestre de 2018, além do histórico recente de prejuízos financeiros.

Vale a pena investir?

Atualmente, a ação está cotada pelo mercado a -0,97 do patrimônio líquido. O valor patrimonial por ação é negativo em R$ 3,46.

Não há dúvida de que a ação está depreciada em relação à atual performance da empresa, que vem obtendo, nos últimos trimestres, números bastante positivos, seja quanto à receita, lucratividade, margem e patrimônio líquido. O problema é o alto grau de endividamento.

É preciso acompanhar atentamente os próximos resultados. Não parece ser esse, ainda, o melhor momento para comprar, ainda que o preço pareça tentador. O negócio da Taurus é bastante sujeito a variações na demanda, o que talvez sugerisse um portfólio mais variado de produtos para sustentar a rentabilidade do negócio.

Sendo assim, é melhor, por ora, ficar em cima do muro, mas a resposta para a pergunta que intitula esse artigo é positiva. Há, realmente, esperança de melhora no longo prazo, mas ainda não parece ser a hora de investir.