O que é o DeFi?

DeFi

Você já ouviu falar em Defi? Bom, se você já pesquisa há algum tempo por criptomoedas, com certeza esse é um termo que você já deve ter ouvido ou lido por aí. Mas o que será DEFI? Bom, em grande medida, podemos dizer que o Defi é uma das coisas mais promissoras dentro do universo cripto e com possibilidades reais de gerar mudanças profundas não só na forma como as pessoas usam dinheiro mas também no sistema financeiro global.

 

O que é DeFi? Qual sua importância?

 

O termo DeFi corresponde a uma abreviação do termo em inglês Decentralized Finance (ou finanças descentralizadas), que é basicamente um movimento encabeçado por usuários de criptomoedas em direção a um novo sistema financeiro global, baseado, no lugar dos atuais bancos privados gigantescos e bancos centrais, em uma rede descentralizada que possa prover todos os serviços financeiros necessários aos seus usuários.

O Significado disso é que, no lugar de um sistema que já se provou extremamente suscetível à fraude, corrupção e desestabilização da economia – como já ocorreu muitas vezes no passado – podemos ter a chance de ter um sistema financeiro verdadeiramente livre, sem ficar submetido a autoridades centrais com poder absoluto de tomar decisões que, na maior parte das vezes, não leva minimamente em consideração as necessidades dos usuários do sistema financeiro. Assim, no lugar do conluio corporativistas entre bancos imensos e governos ao redor do mundo mandando em tudo e submetendo os indivíduos, poderíamos ter uma rede de serviços financeiros verdadeiramente descentralizada, mantida pelos próprios usuários através da blockchain.

 

Como funcionaria o DeFi?

 

Claro, a descentralização completa do sistema financeiro parece ser algo maravilhoso, porém, uma pergunta de ordem prática sempre fica: Como isso realmente funcionaria?

A opção mais fácil para se ter, de fato, um sistema financeiro descentralizado é através do sistema Ethereum, que, como já falamos de forma mais aprofundada em outro artigo, provê uma plataforma descentralizada de desenvolvimento de software na blockchain, e possui uma criptomoeda própria – a Ether – que funciona como pagamento para os projetos desenvolvidos na plataforma, assim como estímulo para que os computadores ligados na rede ethereum ao redor do mundo sigam validando as transações e, com isso, minerando ether.

Defi ethereum

A Ethereum pode ser entendida como sendo composta de 3 camadas: A camada de Hardware, composta pelos computadores dos mineradores que forma a sua blockchain, a camada de software, onde os softwares são desenvolvidos e que, em conjunto com a camada de Hardware forma a Ethereum virtual Machine.

A terceira e última camada da Ethereum é a camada de Apps, onde os aplicativos descentralizados – ou Dapps – são desenvolvidos. É nessa camada que o movimento DeFi começa a ganhar força, já que muitos dapps provendo serviços financeiros já foram e continuam sendo desenvolvidos na Ethereum.

 

Os 5 pilares do DeFi

 

Além da plataforma para desenvolvimento das aplicações financeiras, existem mais alguns requisitos para que um sistema financeiro descentralizado minimamente viável possa se concretizar. Todos esses requisitos, ou pilares do sistema, já se começam a se desenvolver.

 

1 – Stablecoins

Stablecoins é o nome dados a criptomoedas que buscam manter seu próprio valor estável, sendo lastreados por alguma moeda Fiat, geralmente o próprio dólar. Exemplos são o Tether e a Dai, duas criptos vinculadas ao dólar.

A importância das Stablecoins esta no fato de que uma das principais preocupações em relação a criptomoedas é a sua imensa volatilidade. É claro que essa volatilidade é algo perfeitamente compreensível quando pensamos em uma criptomoeda como o bitcoin, por exemplo, que ainda esta em processo de adoção e tem potencial real de se tornar o dinheiro do futuro, mas ainda carrega incerteza no olhar da maior parte do público em geral fora do universo cripto.

Entretanto, o fato do mercado ainda olhar com desconfiança para a volatilidade do bitcoin e outras criptos gera a necessidade de uma criptomoeda que não oscile tanto para que um projeto inicial de sistema financeiro descentralizado possa começar a surgir de modo minimamente operacional, e daí a importância das Stablecoins.

 

2 – Bolsas descentralizadas

 

Provavelmente você já esta acostumado com o conceito de uma bolsa de valores, mas, para que o DeFi possa se concretizar, o que precisamos é de bolsas de criptomoedas descentralizadas, onde cada usuário possa negociar uma criptomoeda por outra diretamente, sem a necessidade de um intermediário entre essas operações. Felizmente, essas bolsas já existem, como a Kyber Network e a Uniswap, que cobram apenas uma pequena taxa de swap por operação.

Com as bolsas descentralizadas, reduz-se enormemente o risco de custódia associado a possibilidade de ataque externo e perda de criptomoedas como ocorre com corretoras de criptomoedas com certa frequência, já que em  nenhum momento as criptomoedas ficam ‘estacionadas’ no sistema da bolsa.

 

3 – Mercado de dinheiro

 

Mercado de dinheiro é simplesmente o mercado para empréstimos e é o principal responsável por prover liquidez para a economia. Embora nos últimos anos tenham surgido diversos aplicativos de empréstimos peer-to-peer, é um fato inegável que esse setor ainda é absolutamente dominado por grandes bancos no mundo inteiro.

Devido a grande liquidez provida por esse mercado, é impossível pensar na viabilidade  de um sistema financeiro descentralizado sem um mercado de dinheiro forte e operante. A grande diferença aqui é que os empréstimos ocorrerão sem o intermédio de grandes bancos ou instituições financeiras, mas diretamente entre as partes.

Nesse sistema, ao invés de utilizar scores de crédito para determinar o risco de emprestar dinheiro, o que ocorrerá será o que chamamos de Collaterilarized Debt Position, ou CDP, que basicamente significa que o tomador do empréstimo terá que deixar depositado uma determinada quantia de alguma criptomoeda que garanta o pagamento do principal e, se em algum momento, o valor daquela cripto cai a um patamar menor que o valor do empréstimo, o contrato é liquidado instantaneamente.

 

4 – Sintéticos

 

Sintético é o nome dado a um ativo ou instrumento financeiro que é feito para se comportar como um outro ativo. O melhor exemplo é o dos derivativos, ativos que derivam o seu valor de um outro ativo financeiro subjacente. Exemplos de derivativos incluem opções de compra e de venda, Swaps e contratos futuros.

No sistema DeFi, um sintético seria um token cujo valor deriva de uma criptomoeda qualquer e sua principal utilidade seria prover maior transparência e segurança na hora de simular financiamentos, operações de criação de liquidez e acesso ao mercado.

 

5 – Seguro

 

Assim como no sistema financeiro tradicional, o seguro será um instrumento fundamental para o sistema financeiro descentralizado, funcionando como uma rede de proteção contra ataques hackers, glitches ou bugs nos sistemas utilizados pelo usuário de criptomoedas. A existência de seguradoras que possam prover a cobertura desses tipos de risco no âmbito de criptomoedas será fundamental para atrair a massa de usuários do sistema financeiro tradicional – usuários esses que, na imensa maioria das vezes, possuem um perfil menos técnico – para o sistema descentralizado, fazendo-os se sentir mais seguros.

Felizmente, já existem algumas seguradores cobrindo esse tipo de risco, o que só aumenta as chances de um sistema financeiro descentralizado realmente se tornar mainstream

 

Conclusão

Com esses 5 pilares se desenvolvendo já nos dias de hoje, as perspectivas para um futuro onde o sistema financeiro mundial não estará mais nas mãos de banqueiros e governantes são realmente animadoras. Para os que pretendem se preparar para o futuro ao invés de chorar por oportunidades perdidas, aqui fica a dica: Aprenda tudo o que você puder sobre criptomoedas.

O que é Mineração de bitcoin?

Se você só descobriu o mundo do bitcoin recentemente, então é provável que ainda tenha dúvidas a respeito do que é exatamente mineração de bitcoins, como funciona e quem são os chamados mineradores de bitcoin. Se esse é o seu caso, então fique comigo até o final deste artigo que garanto que você terá uma boa base sobre o assunto em pouco tempo. Menos de 15 minutos, para ser mais exato.

O que é Mineração de Bitcoin?

 

Mineração de Bitcoin é o processo pelo qual novas bitcoins são criadas, após a validação correta de um bloco inteiro de transações, com a consequente recompensa aos nodes da rede que validaram essas transações, que recebem uma quantia pré-definida de bitcoins como recompensa. Quem se dedica ao processo de validação das transações dentro da rede blockchain do bitcoin ganha o nome de minerador, em analogia a mineração do ouro, já que, como veremos, assim como no caso do ouro, quanto mais bitcoins são mineradas, mais difícil fica minerar novas bitcoins.

 

Como funciona a mineração de bitcoins?

 

A rede Bitcoin é uma rede peer-to-peer, ou seja, completamente descentralizada, na qual os próprios usuários são, simultaneamente, clientes e servidores que realizam alguma função para manter a rede. Cada computador de um usuário que se conecta a rede, automaticamente se conecta diretamente a todos os outros computadores integrantes da rede

Mineração de bitcoin
Modelo esquemático de uma rede peer-to-peer

Isso significa que não há um único servidor centralizado responsável por concentrar todas as informações relevantes das transações, validá-las e liquidá-las. Assim, esse trabalho deve ser feito pelos próprios usuários da rede, o que confere a vantagem de tornar o bitcoin uma rede completamente anônima para os participantes.

Para validar essas transações cada computador atua como um nó (ou node) na rede, resolvendo uma equação matemática complexa – porém cuja solução é fácil de verificar se esta correta ou não – e passando adiante para que o próximo node da rede também verifique. Caso a solução da equação matemática pelo node anterior esteja incorreta, a verificação anterior é automaticamente invalidada, impedindo verificações fraudulentas de se concretizarem, já que o fraudador gasta poder computacional significativo para resolver uma equação matemática complexa, mas pode ser facilmente invalidado pelo próximo node na linha, essencialmente desperdiçando recursos sem qualquer vantagem em troca.

Desse modo, o processo de validação da transação segue de node a node e, no final, caso a maioria dos nodes pertencentes aquela rede tenha validado a transação, ela é concretizada.

Mas aonde entra o minerador ai?

O minerador é basicamente o usuário que se dispõe a fornecer uma parte do poder computacional da sua máquina para manter a rede de validação do bitcoin ativa e em pleno funcionamento e, em troca disso, recebe uma taxa de transação de cerca de 0.00001 BTC por transação validada. Além disso, a cada 10 minutos no sistema blockchain do Bitcoin é formado um bloco contendo as informações das últimas 500 transações. Quando esse bloco se forma os nodes responsáveis pela validação das transações que compõem o bloco recebem uma recompensa em bitcoins a ser dividida proporcionalmente entre os mineradores de acordo com a capacidade de computação que cada um forneceu a rede para  a conclusão da transação. Inicialmente, em 2009, a recompensa era de 50 bitcoins por bloco e atualmente esta em 6.25 bitcoins por bloco.

Assim, a cada transação validada, o minerador aposta na chance de que aquela seja a transação que irá fechar um novo bloco na rede bitcoin, gerando para ele a recompensa tão esperada em bitcoins.

 

Vale a pena minerar bitcoin?

 

Talvez agora você esteja se perguntando se vale a pena minerar bitcoin. Bem, a resposta é depende. Nos primeiros anos do Bitcoin, a capacidade computacional necessária para minerar de modo eficiente era relativamente pequena, de modo que mesmo um computador individual de capacidade mediana conseguiria minerar um número razoável de bitcoins em relativamente pouco tempo.

Hoje, entretanto, as coisas mudaram um pouco, e a capacidade computacional para que você consiga obter um bom número de bitcoins através da mineração é muito mais alta. Hoje em dia, cada vez mais se multiplicam as mineradoras profissionais de Bitcoin, empresas que montam estruturas gigantescas contendo milhares de servidores para tentar minerar bitcoin do modo mais eficiente possível.

Mineradora Bitcoin
Mineradora Bitcoin na Rússia

Desse modo, a oportunidade para minerar bitcoin para o usuário comum esta bem mais fechada do que há alguns anos atrás, tendo em vista que as recompensas em bitcoins são distribuídas de acordo com a contribuição de poder computacional de cada usuário. Você pode tentar minerar com um computador menos potente, porém é preciso ter consciência q isso não será o suficiente para acumular um número significativo de bitcoins através da mineração.

Eficiência do processo de mineração e o bitcoin Halving

Além do aumento do poder computacional necessário, outro fator que torna o processo de mineração menos eficiente hoje em dia é o chamado Halving, uma diminuição programada do número de bitcoins que podem ser mineradas por bloco de transações.

O Halving é ativado a cada 210 mil blocos minerados e basicamente reduz pela metade o número de bitcoins concedidas como recompensa dali em diante, após 3 halvings, sendo o último em maio de 2020, o número atual de bitcoins por bloco caiu de 50 em 2009 para 6.25.

Conclusão

Então é isso, agora você já sabe o que é mineração de bitcoin e como funciona. Infelizmente, essa se tornou uma oportunidade muito menor do que nos primeiros anos de bitcoin, mas, ainda assim, pode valer a pena para você ganhar pelo menos alguns bitcoins ao longo dos próximos meses ou anos, o que não é nada mal considerando a valorização que o bitcoin já teve e que ainda terá no futuro.

Teoria monetária e os ciclos econômicos

Costuma-se dizer com bastante frequência que o capitalismo é cíclico, no sentido de que momentos de bom crescimento econômico sempre se alternam com momentos péssimos para a economia, muitas vezes com devastadoras depressões econômicas como a famosa crise de 1929, a crise dos subprime de 2008, e diversas outras, menos famosas, ao longo da história.

Essa suposta natureza cíclica da economia capitalista é utilizada como argumento para defende a ideia de que o capitalismo é um sistema falho, que necessariamente gera pobreza e desigualdade devido aos ciclos de retração. o problema com esse argumento é que ele falha no ponto principal ao não identificar o agente por trás das ações que levam ao ciclos contínuos de expansão e retração: O governo ou, mais especificamente, o Banco central, através de uma política monetária frouxa e emissão frenética de moeda.

A natureza cíclica da economia, portanto, não é algo inerente ao sistema capitalista por si só, mas sim a um capitalismo marcado por forte intervenção estatal no controle da moeda, precisamente o oposto do que o sistema de livre mercado propõe.

Nesse sentido, conhecer as diferentes teorias monetárias mostra-se essencial para entender o porquê crises econômicas surgem com frequência quase previsível e qual a solução adequada.

O surgimento da teoria monetária moderna

A moderna teoria monetária, baseada em grande medida em um afrouxamento da teoria clássica, com a consequente possibilidade de utilização pelo governo da emissão de moeda como forma de intervenção na economia, encontra alguns precedentes em outras teorias monetárias surgidas ao longo do século. A primeira delas, do economista alemão Georg Frederich Knapp, traz pela primeira vez a idéia de que o dinheiro é uma criatura do estado, ou seja, ele provém do estado e não possui valor nenhum por conta própria, derivando o seu valor da confiança dos demais players no cenário econômico mundial no emissor daquela moeda. Mais tarde, essa visão passou a ser conhecida como visão cartalista da moeda.

A teoria monetária moderna, derivando dessa visão cartalista, baseia-se essencialmente na defesa da política fiscal como o instrumento adequado para a promoção do pleno emprego e a utilização da emissão de moeda como forma de custeio do gasto público necessário para tal. Da concepção de que o valor da moeda deriva da confiança no estado emissor, chega-se a conclusão necessária de que ela é um passivo estatal, já que é quase como se o tomador daquele dinheiro aceitasse um papel inútil e sem valor intrínseco apenas pela confiança no seu emissor.

Isso gera um problema conceitual se imaginarmos que o governo, além da moeda, emite títulos públicos para se financiar (ou seja, emite um passivo) e, na hora de pagá-los, se utiliza da própria moeda – que também é um passivo – para pagá-los. Em essência, portanto, o governo nunca paga suas dívidas.

Os ciclos econômicos e as crises

O grande problema dessa teoria é a ideia subjacente de que o governo é a solução para tudo. Todos os problemas da sociedade podem ser resolvidos com gastos públicos, e esses gastos podem ser cobertos com sucessivas emissões de moeda, essencialmente trocando um passivo pelo outro.

É claro que esse tipo de ideia tende a favorecer uma gestão pública totalmente displicente e gastos governamentais crescentes – seguidos de ainda mais emissão de moeda – que em algum momento irão gerar um problema incontornável para a economia, com o colapso do poder de compra da moeda.

O argumento dos partidários dessa teoria é a de que nem sempre o aumento da oferta ou do estoque de moeda necessariamente irá causar inflação. Por um lado, isso pode ser verdade em alguns casos, como foi no caso da recente injeção de liquidez na economia americana feita pelo FED, que não causou aumento da inflação.

Teoria monetária moderna
Ludwig Von Mises

Embora a definição corrente de inflação seja a do aumento do estoque de moeda, a verdade é que esta não é uma definição totalmente precisa. Se utilizarmos a definição de inflação de Ludwig Von mises, um dos maiores expoentes da escola austríaca de economia, veremos que inflação é o resultado de duas condições concorrentes: aumento da oferta de moeda sem que haja aumento na demanda por essa moeda.

Assim, se o governo emite moeda, mas a demanda por essa aumenta de modo concorrente, pois o mercado como um todo também aumentou a produção de bens, buscando vendê-los, então não ocorre inflação.

Acontece que, a longo prazo, considerando que o estado pode sempre emitir moeda indefinidamente, é muito difícil que a demanda por essa moeda sempre aumente de forma concorrente e na mesma proporção, levando fatalmente ao aumento da inflação.

A teoria monetária moderna portanto, com seu perfil altamente heterodoxo, acaba incentivando uma certa atitude de sempre postergar o problema, “empurrando com a barriga” os problemas com mais e mais emissão de moeda, gerando um aumento artificial de liquidez na economia e suposto crescimento econômico, apenas para que a bolha estoure mais a frente e a economia seja jogada em uma vala de grande depressão. Assim, os ciclos de crescimento acelerado/ retração que são observados nas economias modernas se dão exatamente por causa da intervenção estatal demasiada, sempre buscando consertar problemas que nem existiriam em primeiro lugar se não fosse sua própria atuação.

 

O que é um Swap?

Swap

O swap é uma espécie de derivativo. Derivativos são contratos cujo valor esteja condicionado à variação de algum ativo, o que ocorre muito nos contratos de exportação e importação, em que o valor dos mesmos, em dólar, está atrelado à variação do preço daquela moeda no mercado.

É o que acontece, também, em investimentos pós-fixados, cujo valor do resgate dependerá da variação de um determinado índice, que pode ser, por exemplo, a Selic ou o IPCA.

Suponha que você é um produtor rural e realizou uma venda de US$ 200 mil em mercadoria para um comprador em outro país. Na data da venda, o dólar custava R$ 4,00. Sendo assim, você teria a receber R$ 800 mil, que é o preço em dólar convertido para a moeda local.

Você apurou que o custo total para produzir e escoar aquela mercadoria, incluídos os impostos, foi de R$ 600 mil. Sendo assim, o seu lucro previsto é de R$ 200 mil na operação.

Swap

O problema é que você efetuou a venda com antecedência de três meses. O pagamento, no entanto, só acontecerá ao final daquele período.

Essa situação é comum para empresas exportadoras, sejam elas do segmento de agronegócio, indústria ou extrativismo.

O problema é que sabemos o quanto o câmbio é volátil, uma situação que se tornou rotina desde que foi suprimida a paridade da moeda emitida com o ouro. Sendo assim, a própria moeda se tornou uma mercadoria, um ativo, que pode ou não se valorizar, razão pela qual você já deve ter ouvido falar de pessoas que investem em dólar, libra esterlina e outras moedas.

Esses investidores ganham em reais o resultado da variação do dólar para cima, mas também perdem dinheiro caso aquela moeda se desvalorize.

O que é Swap

É nesse contexto que surge o swap, uma das muitas formas de operações com derivativos. Swap vem do verbo to swap, que significa, em português, “trocar”.

Consiste na troca de riscos entre duas partes, que pretendem proteger seus lucros ou investimentos. O mais comum é o swap feito com o Banco Central.

Suponhamos que aquele produtor quer proteger o contrato contra uma possível desvalorização do dólar. O ideal seria que ele só efetuasse a venda na data do pagamento, assim não correria riscos. A questão é que, em se tratando de comércio internacional, os volumes são gigantescos e são feitos por encomenda.

Portanto, é natural que os contratos sejam feitos com antecedência, até porque o setor produtivo, em caso de grandes volumes, produz sobre demanda, ou com base em estimativas de vendas.

Então, essa possibilidade é nula. O jeito é buscar formas de proteger o preço do contrato. Uma dessas formas é negociar o contrato no mercado futuro. É quando o produtor vende seu direito a um investidor, antecipando, inclusive, a receita no valor da cotação presente do dólar. Assim, ele recebe exatamente o preço com o qual negociou a venda.

O investidor, por sua vez, obtém a oportunidade de lucrar com o ágio decorrente de uma eventual valorização do dólar. Da mesma forma, o próprio exportador poderia lucrar com essa variação, mas preferiu assegurar sua lucratividade e obter capital de giro.

O swap é uma operação um tanto quanto mais complexa que o mercado futuro, que tem a finalidade clara de eliminar os riscos. Do outro lado, a empresa que realiza a troca do indexador, geralmente um banco, também pretende lucrar com uma variação positiva do dólar.

Suponha que o exportador pegou o contrato de R$ 800 mil e negociou com o Banco Central a troca dos indexadores. Doravante, ele passou a ter o contrato vinculado à taxa DI, que é a taxa referencial de crédito entre instituições financeiras. Ao final de três meses, ele receberá os R$ 800 mil + DI no período.

Nesse caso, o banco está pagando esse ágio. Se for de 0,75%, o banco pagará ao exportador R$ 800 milhões + 0,75%, equivalente a R$ 806 milhões. Em compensação, se o dólar tiver uma variação para cima de 2%, o banco lucrará R$ 10 milhões na operação, já que o contrato em dólar valerá R$ 816 milhões.

Podemos dizer, portanto, que o termo swap, “troca”, descreve com perfeição esse tipo de operação, que envolve uma troca de direitos, riscos e oportunidades. No caso acima, todos saíram ganhando, de acordo com suas próprias perspectivas. O banco poderia, no entanto, sair perdendo caso o dólar se desvalorizasse ou mesmo se valorizasse abaixo do indexador negociado com o exportador, no caso, o DI.

Outras formas de swap

A forma descrita acima é a mais comum, porém não a única de fazer swap. Sempre que alguém tem um direito e deseja proteger o seu valor de riscos, tendo, do outro lado, um investidor que vê a troca como oportunidade, existe a possibilidade da realização de uma operação de swap.

Sendo assim, as operações swap podem envolver:

– câmbio;

– índices;

– indexadores;

commodities.

Repare que todos os ativos acima são caracterizados pela volatilidade. Por conta disso, as operações de swap realizadas pelo banco central não são exatamente visando obter lucro, mas manter a estabilidade cambial.

Eu posso fazer um swap?

Como podemos perceber, as operações de swap estão mais ligadas a grandes volumes, mas isso não significa que você não possa fazer esse tipo de operação.

Caso você tenha um CDB pré-fixado junto a um banco e entenda que o CDB indexado tende a entregar maiores ganhos no vencimento do título, pode procurar outro banco para fazer a troca por um papel pós-fixado. Caso você esteja certo, aumentará seus ganhos.

O que são juros sobre capital próprio?

Juros sobre capital próprio

Você já deve ter ouvido falar em juros sobre capital próprio. Essa modalidade de remuneração dos investidores no mercado de ação faz parte do noticiário de economia e quem vem buscando aprender um pouco mais sobre investimentos talvez tenha algum domínio sobre o tema.

Vamos tentar fazer uma explanação abrangente sobre o assunto, extrapolando a simples definição do que seja JCP, para aproveitar a oportunidade de orientar você um pouco mais sobre investir na Bolsa de Valores.

Como foi dito no primeiro parágrafo, juros sobre capital próprio é uma forma de remuneração dos investidores no mercado de ações. Sobre as formas como um investidor obtém ganhos sobre o capital investido, elas são duas:

– valorização da ação;

– distribuição dos lucros pelos acionistas.

A valorização da ação é decorrente de dois aspectos chave: desempenho da companhia e forma como o mercado percebe o valor da ação.

O desempenho da companhia é, ou deveria ser, o melhor indicador para determinar o preço de uma ação. Em outras palavras, se uma companhia possui bons fundamentos, lucratividade constante e uma boa estratégia de crescimento, é natural que a ação se valorize, espelhando, inclusive, o valor futuro.

Nem sempre isso acontece na prática, pois grande parte dos investidores não atenta para os fundamentos da empresa e sim para a volatilidade do mercado. É mais comum vermos pessoas acompanhando nervosamente os gráficos, em busca de oportunidades de altos lucros no curto prazo, o que, como veremos mais à frente, exclui os ganhos com JCP.

Muitos atribuem a tal comportamento um caráter meramente especulativo, uma vez que interpretam, ou buscam interpretar, movimentos do mercado, muito tratado pela mídia como humor dos investidores, que nada mais é que a busca de tentar antecipar como uma série de fatores macroeconômicos impactará as negociações na Bolsa de Valores.

Juros sobre capital próprio

Esse tipo de investidor, ou especulador, não investe em empresas, tampouco está empenhado em participar dos lucros do negócio. O que interessa é a volatilidade do mercado e as oportunidades que essa volatilidade representa.

Não obstante, você poderá constatar que após grandes movimentos especulativos, que derrubam ações de todas as companhias, aquelas que possuem bons fundamentos voltam às cotações anteriores e até mesmo as suplantam no médio ou no longo prazo.

Isso acontece porque os investidores em valor, aqueles mais experientes, que estudam as empresas, seus fundamentos estratégicos e financeiros, assim como o preço das ações, aproveitam o desconto proporcionado pelo mercado para se apropriarem de participações em boas empresas.

O que são proventos?

Enfatizamos, lá no início, que há duas formas de obter ganho sobre o capital investido em ações, que você pode obter esse ganho por meio da valorização do ativo e através da participação nos lucros.

Quando você investe no longo prazo em boas empresas, as ações tendem, apesar da volatilidade do mercado, a se valorizar ao longo do tempo. Sendo assim, se você comprou um papel por R$ 20,00, ele pode, daqui a dois anos, estar sendo comercializado a R$ 28,00. Caso você decida vendê-lo, obterá lucro de 40% na operação.

Ao longo desse período você pode, todavia, obter outro tipo de ganho, que são os proventos, que nada mais representam que a forma como a companhia remunera seus acionistas.

A legislação brasileira prevê que as empresas são obrigadas a distribuir entre os acionistas um mínimo de 25% do seu lucro líquido, que é aquele obtido após o pagamento das despesas e a tributação. Sendo assim, se você investiu numa boa empresa, que apresenta lucro continuamente, você será remunerado por meio de proventos.

Há dois tipos de proventos:

dividendos;

– juros sobre capital próprio.

São duas formas diferentes que as empresas têm de remunerar seus acionistas. Do ponto de vista do investidor, a diferença é que o JCP é tributado diretamente no ato da distribuição do provento, ao contrário do dividendo.

Isso não quer dizer que o dividendo não é tributado. A diferença é que os dividendos são tributados na origem. Em outras palavras, o IRPJ é pago pela empresa sobre o lucro líquido, portanto antes da distribuição para os acionistas.

Sendo assim, direta ou indiretamente, você acaba sendo tributado. A questão é qual o impacto que as diferentes formas de distribuição de proventos causam na lucratividade da empresa e do investidor.

Vale ressaltar que existe um limite para o quanto uma empresa pode pagar de JCP, limite esse que é fixado pelo governo. Sendo assim, de acordo com a melhor solução tributária, cada empresa opta por uma forma de fazer a distribuição dos lucros. Algumas optam pelos dividendos e outras pelos juros sobre capital próprio. Há aquelas, inclusive, que combinam as duas alternativas.

Qual a lógica do JCP

Do ponto de vista da empresa, portanto, o objetivo é sempre pagar menos imposto. Quando a alíquota que incide sobre o lucro é muito alta, ela opta pelo JCP. A razão é simples. O JCP é contabilizado como uma despesa financeira da empresa. Ao aumentar a despesa no demonstrativo de resultados, o lucro apurado termina reduzido. Com isso, a empresa paga menos imposto sobre o lucro.

Para exemplificar, suponhamos que uma empresa hipotética, antes do JCP, tenha obtido um lucro de R$ 300 milhões. Suponhamos, ainda, que ela tenha uma tributação, uma mordida do leão, prevista em 25%. Nesse caso, ela teria que pagar R$ 75 milhões de IR, correto?

No entanto, a mesma empresa previu o pagamento de R$ 100 milhões em JCP. Nesse caso, o montante tributável cai para R$ 200 milhões, já que temos uma nova despesa de R$ 100 milhões. Nesse caso, a empresa teria que pagar R$ 50 milhões, ficando ainda com R$ 150 milhões de lucro.

Caso ela pagasse dividendos de R$ 100 milhões, seria tributada em R$ 75 milhões e o lucro a apropriar seria de apenas R$ 125 milhões.

No caso do acionista, ele perderia na primeira hipótese, pois teria que pagar R$ 15 milhões de imposto sobre o JCP, ficando com R$ 85 milhões. Nesse caso, a empresa poderia completar os R$ 15 milhões com pagamento de dividendos, que não são tributáveis, reduzindo seu lucro para R$ 135 milhões, que ainda assim seria superior à segunda opção.

Tudo se resume, portanto, a uma questão de obtenção de maior lucro com menor tributação. Para o investidor, o mais importante é que a empresa seja lucrativa e generosa na distribuição de proventos, de modo que ele possa combinar ganhos com valorização do capital e com participação nos lucros.

 

Por que investir em ouro e prata segundo Robert kyosaki

Investir em ouro e em prata

Vamos falar um pouco sobre o que pensa Robert Kyosaki sobre investir em ouro e prata, um tema que certamente deixará sua cabeça fervilhando.

Para quem nunca ouviu falar em Kyosaki, ele é o autor do famoso livro “Pai Rico, Pai Pobre”, a mais aclamada obra do autor, que trata de finanças pessoais.

Donde podemos deduzir o poder que têm as palavras do autor estadunidense, que tem longa experiência como investidor e empreendedor.

A filosofia de Kyosaki estrutura-se sobre um fundamento bastante simples. O que diferencia um rico de um pobre é que o primeiro faz com que o dinheiro trabalhe para si. Dentro dessa lógica, comprar uma casa não é um investimento, mas uma nova despesa, exceto o propósito seja gerar renda passiva e recuperação desse investimento dentro de um prazo.

É ouro ou prata?

Não vamos nos estender tanto na visão de kyosaki sobre finanças pessoais. Fiquemos nas devidas apresentações, sem deixar de lembrar que um dos empreendimentos preferidos do investidor é comprar imóveis, alugá-los e deixar que o inquilino pague as prestações. Concluído o pagamento do financiamento, Kyosaki tem, ao mesmo tempo, o seu investimento pago, um patrimônio e uma renda passiva a receber com alugueis.

Qual o grande segredo do mercado imobiliário? É que esse mercado pode funcionar quase que como uma apólice de seguro diante de momentos de crise, gerando receitas como uma verdadeira vaca leiteira.

É a visão de Kyosaki tem sobre ouro e prata, de acordo com declarações dadas em março de 2016. Ele afirma que encara o ouro menos como um investimento do que como uma medida de gestão de risco.

Acreditava Kyosaki, na ocasião, que o dólar derreteria em pouco tempo, o que, é bem verdade, não aconteceu, pelo menos ainda. Investindo em ouro, teria um ativo cobiçado, que, curiosamente, tem seu valor apreciado ou depreciado no sentido oposto da moeda estadunidense.

Quando o dólar cai, o ouro tende a se valorizar, assim como em ambientes inflacionários e de baixa confiança na economia. É claro que a valorização seria bem vinda, mas o principal, na visão de Kyosaki, seria defender suas posições financeiras.

Ouro x Ações

O autor de “Pai Rico, Pai Pobre” via, na ocasião, o mercado de ações em desconexão com o real valor das empresas, o que tornaria o investimento nesse mercado, pensando no longo prazo, uma incoerência.

Investir em ouro e prata

Na mesma época, a taxa básica de juros nos Estados Unidos, país de origem do investidor, era negativa, o que levou Kyosaki a afirmar que, se alguém estava economizando dinheiro naquele quadro, estaria cometendo uma loucura.

É preciso, no entanto, analisar em que contexto a análise é feita, lembrando que o mercado a que se refere é o dos Estados Unidos, onde o investimento em ações é um forte traço cultural e grande parte da população investe no mercado de capitais, diferentemente do Brasil, onde o baixo contingente de investidores, com forte presença de interesses estrangeiros, gera volatilidade bem maior que no mercado daquele país.

Haveria, no entanto, uma contradição quando Kyosaki afirma que prefere o ouro, um ativo que não gera remuneração passiva, à ação de uma companhia boa pagadora de dividendos, principalmente em se tratando de alguém que investe em gerar esse tipo de renda com imóveis?

Vale ressaltar que o autor refere-se ao mercado e não a empresas individuais. Imagine que o valor médio das ações do Ibovespa seja mais de três vezes o valor médio do Patrimônio Líquido das companhias que compõem a carteira.

Tal quadro aponta para um mercado apreciado. Será que os fundamentos desse mercado justificam tamanho otimismo? Teríamos que estar falando de um ambiente de crescimento da economia mundial, quando nem mesmo a brasileira consegue subir um degrau de escada.

Diante de tal cenário, não é nenhum absurdo imaginar que em algum momento uma crise derrube todos os preços. É claro que se você investiu na empresa, em seus fundamentos, não venderá as ações em baixa, levado pelo pânico, que é o que a maioria das pessoas faz. A história mostra que as ações das empresas cujos fundamentos são sólidos acabam recuperando o seu valor, já que continuam gerando receitas, lucro e crescimento dos ativos.

A questão é que, ao comprar uma ação muito acima do valor justo, você ficará em desvantagem no caso de depreciação de seu valor de mercado, mesmo recebendo dividendos.

Esse é o quadro apontado por Kyosaki, aquele em que os fundamentos econômicos são ruins, em que há muito receio e aversão a riscos. Nessa hora, o ouro, um ativo forte, assim como a prata, é uma proteção, devido à sua baixa adesão às crises, para o dinheiro do investidor.

Muito embora, devemos ressaltar, a finalidade maior seja defender o patrimônio, a grande verdade é que em momentos de crise a busca pelo ouro aumenta, elevando o preço do metal, estando nesse movimento uma oportunidade de obtenção de altos ganhos com a venda das reservas pessoais.

Vamos a um exemplo? Quem comprou ouro no início do século XXI, pagou entre US$ 300,00 e US$ 500,00. Na onda da crise financeira de 2008, o preço do ouro chegou a alcançar US$ 1,9 mil. Quem aproveitou esse movimento e vendeu suas reservas realizou um lucro, numa visão bem pessimista, na faixa dos 300%.

A mesma coisa aconteceu com a prata no mesmo período, o que leva à conclusão de que os metais estão sujeitos a terem seu valor movido, para cima ou para baixo, pelas ondas especulativas, mas há uma certa lógica nesses movimentos, levando em conta que o ouro é um ativo durável, portável e universalmente aceito como valor.

Nesse sentido e, considerando a possibilidade real de uma nova crise global de grande porte no futuro próximo, investir em ouro e prata pode ser uma excelente defesa para o investidor médio.

O que é um fundo Hedge?

Fundo Hedge

Você já ouviu falar em fundos hedge? Quem acompanha um pouco a área de investimentos financeiros certamente já possui alguma familiaridade, ainda que mínima, com o termo, embora o mais difícil, para a maioria, e não é sem razão, seja explicar o que significa.

Fundo Hedge

Há algumas teses equivocadas acerca desse tipo de fundo de investimento, sendo a principal delas a crença em que a principal característica dos fundos de hedge seja a exposição a um risco bem acima da média dos demais investimentos.

Quanto a essa visão, vale ressaltar que os fundos de hedge são bastante exclusivistas, focados em públicos de alta renda, muitas vezes fechados a novos investidores, que precisam ser convidados para poderem participar.

Alguns desses fundos sequer são listados na CVM, o que acentua a característica de “fundo pirata”, o que contribui para alimentar o receio de muitos investidores quanto a essa modalidade. Não obstante, vale esclarecer que a tradução de “hedge” para o português remete a proteção. Os fundos de hedge seriam uma forma de proteger o capital contra a volatilidade do mercado.

Mas como isso é possível, se sabemos que a forma de atuar desses fundos é tão pouco ortodoxa?

Sim, não há dúvidas de que a atuação dos fundos de hedge é pouco ortodoxa, mas há dois aspectos que precisam ser levados em consideração. O primeiro é que a principal característica desses fundos é contar com gestores de carteira altamente qualificados e dedicados, que trabalham full time para buscar oportunidades de ganhos de capital, que possuem, ainda, grande liberdade para movimentar e alocar os recursos do fundo, o que confere uma grande capacidade de reação aos movimentos do mercado.

O segundo aspecto é que os fundos de hedge adotam a sempre recomendada estratégia de diversificação da carteira, que é uma forma consagrada de gestão de riscos.

Com base nessas premissas, podemos afirmar que, embora sejam receptivos a operações de risco, não se pode dizer que os fundos de hedge representem maior possibilidade de perdas pelos investidores. Ao contrário, a lógica é inversa, sendo o propósito oferecer os melhores rendimentos sobre o capital aos seus associados.

Fundos de investimento

O fundo de hedge é um fundo de investimento, sendo assim, possui as seguintes características:

– possibilidade de comprar pequenas fatias de diversos investimentos em uma única operação;

– presença de gestor de investimentos para definir em que o dinheiro do fundo será alocado;

– valorização da cota sempre que ocorre valorização do ativo ou distribuição de proventos;

– diversificação da carteira de investimentos.

Tirando esses padrões, cada fundo de investimento tem suas próprias características. Uma das modalidades mais comuns são os fundos imobiliários, cujos recursos são alocados em negócios envolvendo o mercado imobiliário, como aluguel e venda de imóveis.

Há, também, os fundos de ações e os fundos híbridos, que compõem a carteira com ativos de renda fixa e variável.

A característica em comum de todos esses fundos é que o investidor tem sempre uma boa noção de em que está investindo. É nesse ponto que os fundos de hedge se diferenciam, pois o gestor tem liberdade total para movimentar e alocar os recursos do fundo. O que move um fundo comum são as oportunidades e as regras. Num hedge a regra é aproveitar as oportunidades.

Fundos hedge

Os fundos de hedge focam em investimentos em renda variável, acompanhando atentamente a volatilidade dos ativos e buscando oportunidades em operações como Day trade, swing trade, swaps, opções, aquisições e aluguel de imóveis, arbitragem de commodities e outras. É comum os hedge funds adotarem estratégias como alavancagem e vendas a descoberto.

Alguns chamam os fundos de hedge de fundos multimercado, mas não podemos dizer que seja uma boa definição, já que há diversos fundos multimercado que não são fundos de hedge. Como pudemos observar, há fundos que operam, simultaneamente, com renda fixa e renda variável, mas há limitações à movimentação e alocação dos recursos, que precisam seguir as regras estipuladas.

Talvez a melhor forma de definir os hedge funds seria chamá-los de “fundos com baixa regulamentação”. Aliás, exatamente pelo fato de serem extremamente liberais quanto à regulamentação interna, uma de suas características é o baixo grau de transparência.

Outras características dos fundos de hedge são:

– Patrimônio Líquido elevado;

– grande volume de negócios em curso;

– pouca divulgação de informações ao público;

– aplicações arrojadas;

– exclusividade e baixa acessibilidade;

– alto grau de alavancagem frente ao patrimônio líquido;

– taxas de administração e performance elevadas.

Em alguns casos, os fundos de hedge são tratados como fundos secretos. São aqueles que sequer são registrados na CVM.

Em virtude mesmo do baixo grau de transparência e exposição ao público, o conceito de hedge é quase uma espécie de definição genérica para um amplo conjunto de práticas. Em outras palavras, da mesma forma que os fundos chamados “comuns”, cada hedge se diferencia dos demais pelo perfil das aplicações.

Vale a pena investir?

Sabemos que a queda da taxa Selic comprimiu os ganhos com as chamadas “opções conservadoras” de investimento. Na média, os investimentos em renda fixa prometem rentabilidade na faixa dos 6%.

O mercado oferece, no momento atual, boas opções para investimento em ações, principalmente para quem espera obter altos ganhos no curto prazo.

A diferença de um hedge fund é que você vai explorar essas e outras oportunidades pela visão de um profissional altamente capacitado, dedicado a estudar essas oportunidades, definir quais as melhores e alocar o seu dinheiro.

Busque conhecer bem a reputação do fundo, a começar pela reputação de quem o está indicando ou lhe convidando para participar. Tenha consciência de que o risco existe, como em qualquer investimento, mas a possibilidade de ganhos é maior.

A estratégia é a de sempre. Coloque, caso decida aplicar num fundo de hedge, apenas parte do seu dinheiro. Diversifique e gerencie o risco de sua carteira.

Vale a pena investir no banco Inter?

Você já deve ter ouvido falar no Banco Inter, o banco digital que não cobra taxa de transferência, taxa administrativa sobre a conta bancária nem sobre cartão de crédito.

Esse é só um dos argumentos da marca, que também se vangloria de ter uma plataforma digital capaz de gerar valor e uma experiência que combina excelência e praticidade.

Já os investidores, conhecem o Banco Inter como a ação que mais valorizou na bolsa de valores nos últimos 12 meses. A saber, 447,54% de valorização. Nada mais, nada menos, que a ação do setor financeiro com maior valorização no mundo no período.

O noticiário do final de agosto de 2019 dava conta de que o banco alcançou a marca de 3 milhões de clientes, tornando-se candidato ao posto de sexto maior banco digital do país.

Recentemente, o banco captou mais de R$ 1,25 bilhão numa oferta secundária de ações operada pelo grupo SoftBank, que investiu o montante de R$ 800 milhões.

O objetivo do banco, segundo João Vitor Menin, foi de cooptar novos parceiros com conhecimento e relações íntimas com o sistema financeiro mundial.

No início de outubro, o Inter prepara o lançamento de um marketplace, onde serão comercializados produtos financeiros e não financeiros, com a expectativa de ser reconhecido como o primeiro Super App do Brasil.

Histórico recente

O Banco Inter iniciou sua trajetória na Bolsa em maio de 2018. Foi a primeira fintech a abrir capital na B3, captando, na ocasião, R$ 722 milhões.

Desde então, aumentou 5,6 vezes sua carteira de clientes e as ações se valorizaram mais de 400%.

No balanço divulgado no final do primeiro semestre de 2019 o banco apresentava um total de ativos de R$ 6,8 bilhões, sendo que R$ 3,8 bilhões no circulante, com disponibilidade de R$ 1,9 bilhão. O patrimônio líquido da fintech era de R$ 972,6 milhões.

A empresa apresentava lucro líquido de R$ 84,7 milhões em 12 meses e R$ 32,9 milhões em 3 meses. No primeiro semestre, o lucro líquido acumulado era de R$ 50 milhões.

Ao final do primeiro trimestre o volume de depósitos à vista alcançou R$ 843 milhões, um aumento de 200% em relação ao mesmo período do ano anterior. Os investimentos de clientes também tiveram crescimento expressivo, 245% em relação ao mesmo período de 2018.

O saldo do banco no mês de março de 2019 foi de 8,5 mil novas contas diárias, considerando apenas os dias úteis.

A receita líquida da instituição financeira foi de R$ 407,3 milhões entre julho de 2018 e julho de 2019, alcançando R$ 107,3 milhões no segundo trimestre de 2019.

Outro dado importante, o APP do banco, carro chefe de sua proposta de valor ao consumidor, teve avaliação dos usuários de 4,4 no Google Play Store e 4,7 na App Store.

Além disso, o banco vem apresentando redução do custo de funding (captação de recursos), ficando abaixo de 80% do CDI e as receitas de serviços tinham alcançado um aumento de 106,5% em um ano no primeiro trimestre, chegando a R$ 38,5 milhões. O patrimônio líquido do banco mais que dobrou entre janeiro e dezembro de 2018.

Proventos

O banco iniciou o pagamento de JCP (Juros sobre Capital Próprio) já em junho de 2018, quando pagou 0,1187 por ação. Ainda em 2018 fez mais duas distribuições, totalizando 0,1822 por ação. Em março de 2019, pagou 0,1265.

O Yield em março foi de 1,55%. Caso repita a política de 2018, com aumento dos lucros, é possível pensar em um ganho expressivo com proventos, mas nada que coloque a BIDI4 entre os trens pagadores de proventos do mercado.

Vale a pena investir no Banco Inter?

Todos os números do são positivos e a expectativa do mercado é de que o Banco Inter não pare de crescer.

Ações banco Inter

A empresa investe continuamente em tecnologia, branding, governança e geração de valor ao mercado. A tendência é de que continue elevando suas receitas de forma acentuada e por um bom tempo.

Apesar disso, é preciso ficar atento aos movimentos dos grandes bancos, que sofrem pressão das plataformas digitais de serviços financeiros e de investimentos ao mesmo tempo. A mordida ainda é leve, mas bancos como Itaú e Santander já se movimentam para evitar maiores danos ao seu market share.

O Itaú, por exemplo, vem recorrendo ao enxugamento de custos para tentar competir com as fintechs em seu próprio nicho. Além de um programa de demissão voluntária, lançado em 2019, o banco vem fechando agências para tornar-se competitivo em custos ao cliente. Desde 2018, foram fechados 270 pontos físicos. O Banco do Brasil também caminha nessa direção.

Em outubro de 2019, o Itaú lança o iti, uma plataforma digital para pagamentos. O lançamento de plataformas digitais é uma tendência entre os chamados “bancões”.

A questão é saber em que ponto do futuro os bancos tradicionais conseguirão frear o avanço das fintechs. É uma pergunta que ninguém pode responder ainda.

A verdade é que o mercado precificou a BIDI4 num futuro indeterminado, movido pela vitalidade da empresa. É sensato acreditar que o apetite dos investidores tenda a arrefecer e a ação comece a oscilar. É o que pensam alguns especialistas, enquanto outros acreditam que ainda há espaço para o preço da ação do Banco Inter subir.

Donde podemos concluir que, para quem pensa em ganhar com valorização do capital aplicado, talvez seja o momento de refletir. Não há nada no horizonte que indique que as ações do banco vão se desvalorizar no curto ou no médio prazo. É justificado, no entanto, o receio de que os preços já tenham ultrapassado a linha da lógica e, mais cedo ou mais tarde, vá haver um ajuste por parte do mercado.

Para quem pensa em investir numa vaca leiteira há dois aspectos importantes. O banco pode se transformar em bom pagador de proventos nos próximos anos. É só ver o lucro dos bancos tradicionais, com toda sua estrutura física a carregar nas costas, com os respectivos custos, que não estão presentes no dia a dia das fintechs.

Com a diversificação de produtos e flexibilização do core business, sempre entregando sua proposta de valor por meio de plataformas digitais, é fácil presumir que a lucratividade das fintechs será maior que a dos bancos tradicionais.

Sendo assim, a BIDI4 pode ser uma boa opção para compor carteira com visão de longo prazo, para quem realmente quer virar sócio do negócio, não sendo afetado pelas oscilações de preço na B3. Sem deixar claro, de ter no horizonte a possibilidade de que a ação se valorize ainda mais no futuro.

Você pode, também, esperar a ação do Banco Inter cair para melhorar sua estratégia de value investing, mas corre o risco de ficar esperando sentado. Não há uma decisão mais certa que a outra.

O que são blue chips?

blue chips

O termo “blue chips” surgiu, pela versão mais conhecida, na década de 20, quando um funcionário da Dow Jones, a Bolsa de Nova York , Oliver Gingold, acompanhando o pregão, percebeu que algumas ações apresentavam uma cotação bastante alta.

blue chips

Na verdade, o termo blue chips já existia, referindo-se às fichas mais valiosas do cassino. Gingold apenas fez uma analogia ao chamar aquelas ações com altas cotações de blue chips.

Na ocasião, a analogia de Gingold acabou emplacando e o termo blue chips no mercado de ações passou a ser uma referência às ações mais caras do mercado, que, por razões óbvias, eram as ações das maiores empresas, líderes em seus segmentos, com alto volume de negócios realizados na Bolsa de Valores.

Com o tempo, o conceito de “ações mais caras” ficou ultrapassado. Passamos a considerar blue chips ações de empresas com alto volume de negócios na Bolsa de Valores, que possuem excelentes fundamentos financeiros e excelência nos processos de governança corporativa, transparência e relação com os investidores, além de pagarem regularmente bons proventos aos acionistas, decorrentes de uma operação sistematicamente lucrativa.

É claro que estamos falando de organizações gigantescas, como Petrobras, Vale, Ambev e tantas outras, cujos resultados são impactados por uma série de fatores, como mudanças de políticas governamentais, demanda internacional, mercado interno, desastres ambientais e variações cambiais.

Se as empresas, mesmo tendo ótimos fundamentos, são afetadas por uma série de fatores, é natural que o mesmo aconteça com a cotação das ações, cuja oscilação constante é impulsionada por movimentos especulativos ou pela reação a um fato político ou macroeconômico, cujos reais desdobramentos nem sempre são corretamente dimensionados, o que requer atenção redobrada dos investidores.

Vale a pena investir em blue chips?

É por essa razão que precisamos saber diferenciar o valor real da empresa da cotação da mesma na Bolsa de Valores.

blue chips

Para ficar mais claro, quando você compra uma ação, esperando que ela valorize-se, você está precificando o futuro. Você deve, portanto, ter boas razões para acreditar que aquela empresa tem todas as condições para crescer, aumentando, assim, seu faturamento e seu patrimônio. Com isso, as ações terão uma valorização real.

O que o investidor precisa entender é que há dois tipos de renda obtida no mercado de ações.

A primeira delas é a valorização sobre o capital. Esse é o ganho com base na lógica da empresa, já que, ao abrir capital na Bolsa de Valores, ela espera financiar seu crescimento ou a redução da dívida.

Quando essa empresa investe o capital obtido com IPO, espera-se que ela adquira novos ativos, aumentando a sua capacidade instalada, expandindo sua marca para novos mercados ou ampliando sua linha de produtos. Enfim, há diversas estratégias diferentes de crescimento, mas não é o caso aqui tratar delas, mas sim observar que o ponto a que a empresa pretende chegar com os investimentos é o crescimento.

Caso isso ocorra, a empresa vai se valorizar, assim como suas ações. Consequentemente, o investidor terá um ganho expressivo de capital. Nesse caso, pode realizar lucro vendendo as ações.

Quando a empresa abre capital para financiar sua dívida, isso gera, automaticamente, uma oxigenação do fluxo de caixa, redução da dívida, devido ao maior poder de barganha, acima do valor obtido junto aos acionistas e aumento imediato dos lucros. Com isso, o acionista tende a ganhar com a divisão desses lucros por parte da empresa.

Vale ressaltar que, pela legislação brasileira, as empresas são obrigadas a dividir com seus acionistas um montante não inferior a 25% do lucro líquido apurado no período. Esse valor é pago na forma de dividendos. Algumas empresas pagam dividendos sobre o lucro apurado trimestral. Algumas apuram e repassam o lucro semestral e outras anualmente.

Além disso, as empresas também pagam, a título de proventos, o JCP (Juros Sobre Capital Próprio). A soma de dividendos e JCP é o lucro obtido pelo investidor, que deve ser dividido pelo valor total das ações na data do pagamento dos proventos para calcular o Dividend Yield, que é o percentual de lucro sobre o capital.

Vamos dar um exemplo para ficar mais claro:

Você tem R$ 6.000,00 em ações da companhia. Somando o obtido com dividendos e JCP, você ganhou R$ 600,00. Isso significa que o seu Dividend Yield foi de 10%.

O que confunde muito alguns investidores é que algumas dessas empresas, basicamente as estatais, costumam fazer muitos investimentos em infraestrutura, aumento de capacidade instalada, pesquisa e desenvolvimento. Normalmente, todas as grandes empresas fazem isso e essa é a única razão para serem grandes.

A questão é que em momentos de grandes investimentos, notadamente nas estatais, a margem de lucro costuma ser comprimida, trazendo frustração aos investidores, que veem seus proventos reduzidos. É preciso, no entanto, ter em mente que o crescimento da empresa levará à valorização da ação, o que fará você ganhar com a valorização do seu capital.

Da mesma forma, a empresa pode, mais lá na frente, voltar a ser uma vaca leiteira, gerando bons proventos aos acionistas.

Evidentemente, não há tanta diferença quando se trata de estratégia. O melhor momento para se comprar uma ação sempre é quando ela está subvalorizada. Os maiores gurus do mercado de ações compram quando todos estão vendendo, mas sem deixar de levar em conta a análise fundamentalista da empresa.

Qual o seu perfil de investimento?

Diante do que foi dito, não basta que a ação seja uma blue chip. É preciso saber qual o seu perfil de investimento, que tipo de oportunidades busca e que riscos você está disposto a aceitar. É preciso avaliar quais são as políticas da empresa, quais seus projetos estratégicos e que resultados eles podem trazer para a empresa em termos de crescimento.

É preciso entender que o potencial de crescimento de uma blue chip em relação ao seu tamanho atual é sempre menor que o de uma empresa média. Da mesma forma, o risco de perda em relação ao tamanho atual é menor. Grandes perdas podem ser cobertas com a venda de ativos e redução de despesas, como tantas vezes temos visto.

É por isso que dizemos que as blue chips são ações com menor risco, mas também com menor potencial de valorização. Pelo menos em tese, porque há exceções para todas as regras. Foi o que aconteceu com a Petrobras ao descobrir e explorar o Pré-Sal a partir da segunda metade da década passada, o que acarretou uma grande valorização das ações da companhia no mercado num curto período de tempo.

Sendo assim, se você quer investir com uma boa gestão de risco, componha uma carteira com blue chips que paguem bons dividendos, lembrando-se de comprar as ações em baixa. Estude os fundamentos financeiros da empresa, sua gestão, seus projetos estratégicos e as tendências do mercado.

O que é Macroeconomia? Qual sua importância para o investidor?

Macroeconomia

Quer saber o que é macroeconomia? Então pense que em algum momento de sua vida você já deve ter ouvido falar em crise econômica.

Não é necessário, para tanto, ter passado os últimos anos da existência no Brasil. É só lembrarmo-nos da crise econômica de 2008. Na verdade, uma crise econômica causada por uma crise financeira. Na ocasião, o Brasil foi menos afetado já que estava em um momento diferente do ciclo econômico.

Talvez você não tenha ouvido falar na segunda-feira negra, marco de uma das mais estrondosas crises macroeconômicas recentes.

Na ocasião, no dia 15 de setembro de 2008, o Lehman Brothers, um dos mais tradicionais bancos dos Estados Unidos, foi à falência.

Vamos falar brevemente da razão que levou à quebra do Lehman Brothers, pois o mais importante são as consequências.

Você sabe que, ao mesmo tempo em que é um passivo, a dívida pode se transformar num ativo, correto? É o que acontece quando um banco vende para um fundo de investimentos um direito perante um determinado cliente, oferecendo um bom desconto, antecipando a receita e preservando parte de seu spread.

Foi mais ou menos o que aconteceu na crise de 2008. Bancos estadunidenses venderam CDOs em grande quantidade no mercado internacional para financiar créditos no mercado doméstico do país.

Você já deve ter ouvido falar em CDI, que é a taxa referencial de juros para crédito concedido de uma instituição financeira para outra. O CDI é indexador de investimentos como CDB, LCI e LCA. Nesses investimentos, os investidores emprestam dinheiro aos bancos, que são usados para financiar o crédito dos bancos ao consumidor e às empresas, com juros bem mais altos.

O que aconteceria com os investidores se esse consumidor e essas empresas deixassem, em conjunto, de pagar pelos empréstimos? Teríamos o banco quebrando e os investidores ficando a ver navios.

Pois foi mais ou menos isso que aconteceu em 2018. Os bancos estadunidenses misturavam operações de crédito de baixo e alto risco num mesmo pacote, financiando-os com CDOs irresistíveis e risco absurdamente subestimado. Para completar, famosas agências de classificação de risco indicaram a bomba relógio como um grande investimento.

Quando quiser investir, não dê tanto crédito às agências de classificação de risco e desconfie das indicações de quem quer que seja. Confie em informações obtidas com muita investigação, estudo e análise.

A bomba relógio explodiu no colo dos investidores. É o que chamamos de macroeconomia. O efeito dominó derrubou outros bancos, comprometeu orçamentos governamentais, que precisaram salvar os bancos locais da insolvência, derrubaram investimentos governamentais, geraram desaceleração da economia, recessão e desemprego.

O que é macroeconomia

A razão para lembrarmos e descrevermos esse terrível episódio é mostrar com um exemplo didático o que é a macroeconomia.

Macroeconomia é a visão sistêmica e integrada das diversas variáveis econômicas dentro de um contexto geográfico. Podemos falar em macroeconomia da Região Sudeste, do Brasil, da América do Sul, da América Latina, da América ou do mundo inteiro.

Macroeconomia

Nesses diferentes contextos, essas diversas variáveis econômicas interagem e afetam umas às outras. Atendo-nos à economia real, podemos dizer que o aumento do consumo gera aumento da produção, que o aumento da produção gera mais empregos, gerando um ciclo que terminará no aumento das exportações, na melhora dos resultados da balança comercial, que trará, como consequência, o aumento das divisas do país, que também arrecadará mais com impostos, gerando mais investimentos e mais empregos.

Se, por alguma razão, ocorre uma recessão mundial, com retração do consumo e queda nas exportações, esse ciclo acaba sendo afetado.

Então? A macroeconomia estuda de forma integrada essas variáveis, de modo a tentar entender profundamente como se dá essa relação sistêmica, de interdependência, oferecendo relatórios e estudos a governos e empresas, de modo que esses possam qualificar seus planejamentos, sobretudo no sentido de vislumbrar oportunidades e fazer gestão dos riscos.

Estão entre os indicadores macroeconômicos usados em escala regional e mundial:

– PIB;

– Índices de Preços;

– Taxa de Desemprego;

– Taxa de Investimento;

– Gastos Públicos;

– Consumo;

– Balança Comercial;

– Preço do Dólar;

– IDH;

– Etc.

Enfim, tudo que pode afetar a economia, de um modo geral, deve ser compreendido como indicador macroeconômico.

Só para reforçarmos o conceito, vamos fazer uma imersão histórica e voltar à crise do petróleo que teve início em 2014.

No ano de 2008, o preço do barril do petróleo chegou a alcançar um preço superior a US$ 130 o barril. O preço do barril foi afetado pela crise de setembro de 2008 e chegou a cair para a faixa dos US$ 40 dólares. Já no início de 2009, o preço do barril voltou a subir, chegando bem próximo, em 2011, ao patamar de 2008. No final de 2014, o barril chegava a US$ 95, um pouco antes da crise do petróleo. No final de 2015, o barril caíra para menos de US$ 40, afetando gravemente a economia da Venezuela, país fortemente dependente do petróleo, e agravando a crise política brasileira, que, consequentemente, abalou a economia nacional.

Uma série de fatores contribuiu para a crise, dentre os quais o aumento da produção nos Estados Unidos nas áreas de xisto, a resistência dos países da Opep em reduzir a oferta e a redução da demanda por petróleo na Europa e na Ásia.

Como a macroeconomia afeta o investidor

Como pudemos perceber, a macroeconomia é capaz de afetar a política, seja de forma global, seja regional. Imagine você, então, como ela não pode afetar seus investimentos.

Atualmente, a queda geral dos juros no mercado internacional vem afetando de forma brutal investimentos mais conservadores. No Brasil, já tivemos taxa Selic acima de 20%, servindo como indexador para investimentos em época de inflação baixa.

Aliás, em épocas assim devemos nos questionar se estamos, de fato, falando de investimento conservador, uma vez que uma das características desse tipo de investimento é a baixa rentabilidade frente aos investimentos em renda variável, considerados de alto risco.

Tudo bem, fiquemos com a explicação recorrente. Tratava-se de uma jabuticaba. O fato é que atualmente, com a Selic em 6%, os investimentos em renda fixa já não são mais tão atraentes quanto foram em outros tempos.

A mais importante lição, no entanto, que talvez ainda não tenha ficado evidenciada, é que precisamos desconfiar de tudo que não seja balanço financeiro, análise fundamentalista, indicadores de governança, tamanho e estágio do mercado, macroeconomia (sim, ela também!) e tecnologia.

Além disso, debandadas como a do final de 2008 podem ser excelentes oportunidades para comprar ações a preços baixos. Em muitos casos, a queda nas cotações de muitas ações não retratam a situação das empresas, mas o nervosismo do mercado, que, como tudo que envolve a sociedade humana, tem muito mais de emocional do que de racional..